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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Propósitos

PROPÓSITOS

Qual nosso propósito nessa vida? 

Se o tivéssemos bem definido tudo se tornaria mais fácil.

Mas quem o tem?

Namorar, casar, criar bons filhos?

Manter uma legião de amigos?

Conhecer o mundo?

Exercer uma profissão dignamente?

Dedicar-nos a alguém em especial? 

Fazer caridade?

Ser uma personalidade internacional?

Lutar por uma causa?

Ser essencial na vida de alguém?

Ser fiel a nossos princípios? 

Tudo isso? Nada disso? 

Propósito é algo que, infelizmente, só descobrimos quando o tempo passou

Quando fazemos retrospectivas

Ao sentirmos certo vazio existencial

Quando algo deixa de existir

Tendo-os claros, ou não, eles precisam existir

Uma vida sem propósitos é triste e sem sentido 

É propósito humano geral, simples, porém grandioso: fazer feliz, sendo feliz, em contrapartida.

Sob uma árvore, debaixo de um lindo céu

Reflexões…

Redirecionamentos de uma vida…

Alda M S Santos

A impaciência nossa de cada dia 

A IMPACIÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

As coisinhas corriqueiras do dia-a-dia nos levam à impaciência ou nossa impaciência que torna intoleráveis essas “chatices” cotidianas?

Basta abrir os olhos ao amanhecer e já começam. Principalmente se dormirmos mal, a impaciência às mínimas coisas nos atingem. 

Começam em casa: um bom dia resmungado, uma palavra mal interpretada, um pedido insistente de um filho…

E são levadas às ruas: os berros dos apressados ou lentos demais no trânsito, o metrô lotado, a fila no banco, a chuva, o sol quente, a risada de alguém, a música…

Reagimos a tudo isso com resmungos ou mau humor, cara fechada, brigas. E tudo parece mais sério do que é.

Se conhecemos bem o mau humorado ou ranzinza, aprendemos a abstrair, desligar, respirar fundo pra não aumentar a bola de neve e cessar o círculo vicioso.

O problema é que muitas vezes sequer olhamos para o outro. A ideia quase sempre é revidar. Grito com grito, palavrões e empurrões com palavrões e empurrões. 

Dar a outra face é coisa de otário. Deixar passar os apressados é ser trouxa. Ceder o lugar a alguém mais necessitado, bobagem. 

Nesse constante e crescente egoísmo vamos reduzindo nossa humanidade, tornando-nos mais amargos e tristes. 

Tantas vezes bastaria uma gentileza para quebrar esse círculo!

Apenas o que aprendemos com nossos pais e avós: as palavras mágicas: “desculpe, foi acidental”, “por favor, me ajude”, “com licença”, “muito obrigada”, ” pode passar”, “bom dia”! 

E poderemos nos surpreender com o poder de um sorriso, um toque, um abraço, uma lembrança, um “eu te amo”! Todos precisamos: falar e ouvir.

Não importa se são as chatices que nos tiram a paciência ou se nossa impaciência gera as chatices. 

Certo é, que se podemos mudar algo é o que sai de nós e controlar o que entra.

Precisamos saber que nosso sorriso e bom humor pode quebrar qualquer rabugice do outro. 

Se não o fizer, garantiremos ao menos nossa saúde mental.

Ah! Eu te amo!

Alda M S Santos 

Apagando…

APAGANDO…

A estrada é longa, forte neblina, quase nada se vê

Caminha, caminha, tenta, mas não alcança

A imagem, antes tão nítida, começa a se apagar. 

Anda mais rápido, chama, estende a mão, a voz não sai

Lágrimas escorrem ininterruptas…

Não mais distingue a imagem, apenas sente

Sente que algo se vai, que a deixa para trás

Que é preciso andar, sempre, em frente 

Quanto mais tenta se aproximar, mais se sente apagada 

Alguns ventos afastam a neblina, uma imagem embaçada aparece, sorri

Sabe que foi importante, sente o peito se apertar

Não mais reconhece o dono daquele sorriso

Mas seu olhar amoroso aquece seu peito 

Pisa numa poça d’água, para, olha para si mesma

Quase não se reconhece…

Muitos e muitos anos se passaram

Que imagem é aquela que ela persegue?

Que foi tão importante, tão recheada de saudades? 

Cansa, para, ele acena…

Novo sorriso, retribui, se entendem

Sem se reconhecerem. 

Coisa de almas. 

Volta da viagem, acorda

O peito apertado e dolorido.

Quem irá embora?

Alda M S Santos

Coragem

CORAGEM

Sabe aquela história de que “desistir foi meu maior ato de coragem”? 

Pode parecer balela, desculpa esfarrapada, coisa de covardes, mas não é.

Muitas desistências são, sim, falta de vontade, de coragem ou persistência. 

Porém, quase toda desistência de algo implica que outra opção foi feita. Por n motivos.

Pode ser que o abrir mão de algo, aparentemente precioso, tenha ocorrido para benefício próprio, para proteger algo ou alguém amado, para o bem familiar ou coletivo…

Quer seja uma escolha profissional, pessoal, familiar, amorosa, não importa. 

Ao escolhermos trilhar o caminho A, sabemos que abrimos mão dos caminhos B e C. Ainda que eles permaneçam em nossas memórias por tempo indeterminado. 

Algumas bifurcações são muito estreitas e de decisão sofrida. 

Tantas vezes são escolhas difíceis, quase sempre dolorosas. 

Como temos apenas vaga ideia do porvir, decidimos com base no hoje, e só o tempo dirá se foi o caminho mais acertado.

Alguns caminhos não têm volta, mas de muitos deles é possível retornar e recomeçar, se se perceber que não foi a escolha mais acertada. 

Afinal, nossa vida não vem com GPS. E mesmo que viesse, poderíamos ser direcionados para caminhos errados.

Quando ouvirmos alguém dizer “desistir foi meu maior ato de coragem”, “abri mão por amor”, “optei em prol de alguém”, é melhor acreditar e se solidarizar. 

Ninguém está a salvo desse ato de coragem!

Alda M S Santos

Percepções

PERCEPÇÕES

Há olhos muito sensíveis, tudo percebem

Veem o olhar pidão e leal de um cachorrinho

A dimensão do amor de uma mãe que amamenta

A pureza de um abraço infantil

A chuva atrás de uma brisa úmida

A tempestade que se arma com o calor

A magia na dimensão e beleza das ondas do mar

A tristeza atrás de um sorriso que não se reflete nos olhos

As palavras escondidas a gritar no silêncio

A vontade que move um ser que aparentemente nada tem

A dor e a fé daquele que ora e pede de joelhos

O amor que sobrevive num mundo de sorrisos e lágrimas

A paz de uma parceria em fim de tarde ao por do sol

Olhos que percebem tudo

São os olhos treinados pela alma.

Alda M S Santos

Medida do amor

MEDIDA DO AMOR

Há como medir um sentimento? 

Qual parâmetro usar?

O nosso? De algum conhecido? De Deus? 

Para o parâmetro divino perderemos sempre. 

Não chegamos a tal grau de desprendimento.

É maior o amor que está junto todos os dias?

Ou aquele que ama de longe, cuida, ajuda?

O que aguenta os arranca-rabos diários?

Ou o que se mantém mesmo na distância sem o prazer do convívio?

É maior o que dá carinho, conforto, apoio?

Ou o que briga, cobra, puxa as orelhas?

Cada coração é único! 

Tamanhos, capacidades e intensidades variadas.

O maior é o que dá tudo de si, repleto, que preenche, de longe ou de perto…

E sobrevive em meio às tempestades.

Ainda que seja mandado embora, que seja apagado, que chore

É teimoso e insistente.

Ouvirá desaforos e atrevimentos e seguirá firme.

Isso é amor grande e verdadeiro.

Esse não morre.

Talvez um dia se aproxime umas centenas de quilômetros do amor divino.

Alda M S Santos  

Preciso descansar

PRECISO DESCANSAR

Preciso descansar…

Ando meio esgotada de certas coisas

O corpo pode repousar em qualquer lugar

Deitou, dormiu, está novo…

Preciso descansar o coração, a alma

Necessito desanuviar a mente

Quero uma rede onde possa acomodá-los

Uma relva onde possa deixá-los admirando o horizonte

Um lago onde possa deixar que refresquem-se

Uma brisa que apare suas arestas e pontas soltas

E conecte novamente: corpo, alma, mente e coração.

Assim terei descanso.

Preciso descansar… 

Alda M S Santos

Somos insubstituíveis

SOMOS INSUBSTITUÍVEIS!

Ninguém é insubstituível, sempre ouvimos. Dizem isso com o intuito de nos fazer despreocupar com determinadas tarefas, ocupações ou pessoas.

Mas eu acredito que somos insubstituíveis. Sem presunção!

Não falo apenas dos grandes nomes, grandes personalidades, gênios e tal. 

A marca desses é eterna. Atravessam gerações e gerações.

Porém, cada um de nós é um ser único e, por mais rotineira que seja nossa ocupação, nela deixamos nossa marca. 

Outros podem ocupar o lugar físico deixado por nós, mas o modo único com que a realizamos não haverá substitutos.

Podemos também ocupar lugar num coração por um tempo, irmos embora e outro chegar. 

Porém, não é o nosso lugar que o outro ocupará. Ele terá novo espaço. Nosso lugar sempre será nosso. 

Quanto mais coração, quanto mais emoção, quanto mais de nós colocarmos naquilo que realizamos, mais profundas serão as marcas e o espaço que ocuparemos.

Se fosse possível scanear nossas emoções com tudo que vivenciamos, teríamos uma imagem espetacular: pais, irmãos, amigos, colegas, desafetos, amores… 

Como um HD de capacidade ilimitada.

Se plugassem em nós um cabo e transmitissem numa tela, veríamos que tudo está lá: alegrias, tristezas, saudades, raivas, amor, decepções, frustrações, sonhos, companheirismo e seus respectivos autores. 

Quem passou por nós está registrado ali.

Por onde passamos, também deixamos nossa marca impressa.

A lei da física é implacável: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Não se sobrepoem.

Mas nada diz que um apaga ou elimina o outro. Podem até se comprimir, apagar não.

Gravação ilimitada e infinita.

Muitos querem excluir algumas marcas. Tentar apagá-las é um modo de acessá-las e torná-las mais fortes. 

Quanto “pesa” nosso HD emocional?

O quanto de espaço ocupamos nos HDs alheios?

Se realizarmos uma busca com nosso nome, quantos links aparecerão no “google” da vida? 

Somos insubstituíveis! 

Façamos com que nossa marca seja bonita e prazerosa! 

Alda M S Santos

À beira-mar

À BEIRA-MAR

Caminhar é muito bom

Sensação de ir andando e deixando para trás tudo que faz mal

Buscar à nossa frente coisas novas, novos ares…

À beira-mar, prazer inenarrável.

A brisa ajuda a empurrar para trás o negativo

A areia macia dificulta os passos, acelera os pensamentos

Ajuda a mente a esquecer o que machuca 

A processar o novo que bate à nossa porta sempre

A água que vez ou outra nos convida a brincar

Como criança correndo, indo e vindo, barulhenta

Sol gostoso que aquece

Água fresca que molha

Numa troca boa de sensações…

Algumas pessoas para lá, outras para cá

Parecem fazer o mesmo

Umas acompanhadas, outras sós

Cada uma atrás de seus óculos escuros, mergulhadas em seu mundo particular

Para completar essa catarse

O convite para brincar é aceito

Saída de praia, chapéu e óculos na areia

Observam o mergulho naquelas águas que revitalizam

Se pensassem perceberiam o risco de serem ali abandonadas para todo o sempre…

Alda M S Santos

Medida exata

MEDIDA EXATA
Faço na medida exata
Que determina meu modo de ser
Sinto na intensidade devida
Que pede meu coração…
A magia só acontece quando acreditamos em milagres…
Meu céu sou eu quem faço
Escolho o que quero ver
Uso o filtro que me cabe
Com a sutileza da alma…
O que se for, não era para ficar
O que ficar, valorizo
Na certeza de que quem mais ama, mais vive.
Alda M S Santos

Ame, do seu jeito, mas ame.

AME, DO SEU JEITO, MAS AME!

“Vou te ensinar a amar”, pensamos, superiores, ou ouvimos, meio tristonhos.

Existe um modo único e certo de amar?

Crer nisso já é meio caminho perdido.

Tudo bem, algumas características são inerentes a todo modo de amar.

Querer o bem do outro, cuidar, incentivar, desejar, preocupar-se, colocá-lo como prioridade…

Porém, algumas características são bem individuais.

Há amor expansivo, que extravasa, carregado de carinhos e mimos.

Há amor meio possessivo, ciumento, controlador, cuidadoso. 

Há amor carente, que cobra, que liga, que pede, que chora. 

Há amor sensual, que aquece, que dá prazer, que satisfaz.

Há amor contido, calado, introspectivo, tipo “não tô nem aí”.

Há amor incondicional, acima de todas as qualidades e defeitos, é “superior”.

As pessoas são diferentes entre si, portanto, o amor que sentem será sempre diferenciado.

Cobrar do outro um amor igual ao nosso é minimizá-lo.

Porém, precisamos perceber o que o outro “precisa” e tentar nos aproximar disso.

Amor é complementaridade. Quem ama quer ser feliz fazendo o outro feliz. Isso é parte de sua felicidade. 

Aceitar as diferenças implica em aceitar os modos diferentes de amar.

O que nos torna humanos mais completos é o amor. 

Sendo assim, ame, do seu jeito, mas não deixe de amar. 

Alda M S Santos

Sorrisos

SORRISOS

Há sorrisos de todo tipo:

Sorriso tímido, olhar baixo, inseguro

Sorriso amarelo, sem graça, envergonhado

Sorriso largo, sem censura, contagiante

Sorriso triste, sofrido, saudoso

Sorriso falso, que repele

Sorriso nervoso, tenso, preocupado

Sorriso sensual, que atrai,

Sorriso com os olhos, que traz a alma junto e nos cativa

Sorriso carinhoso, solidário, amigo, que conforta 

Sorriso de amor, que vem do coração e nos abraça forte.

São sorrisos…Todos.

Distribuímos os nossos criteriosamente

Recebemos dos outros, nem sempre como gostaríamos.

De qualquer modo, já dizia o poeta:

“Não que a vida esteja assim tão boa,

Mas um sorriso ajuda a melhorar…”

Que sejamos mais democráticos ao distribuí-los e recebê-los.

Alda M S Santos 

Marcas de praia

MARCAS DE PRAIA

E a viagem acabou…

Será? O que restou?

Trazemos mais que marquinhas de biquíni no corpo,

Mais que uma pele dourada ou cabelos rebeldes,

Mais que fotos maravilhosas e sorridentes,

Mais que uma concha, tattoo ou souvenir,

Muito mais do que se pode ver.

Vai além do que está aparente.

Trazemos marcas impressas na alma,

Energia renovada, lembranças boas,

Carinho de um povo interessante e lutador,

Uma cultura diferenciada, lugares lindos.

Tudo isso vira massa a se moldar dentro de nós.

E o que ela se tornará só depende de nós mesmos,

Da combinação do que já somos com o que recebemos.

Nunca voltamos os mesmos de uma viagem.

Felizmente!

Alda M S Santos

Sobrevivência

SOBREVIVÊNCIA

Após toda tempestade fazemos um levantamento minucioso dos prejuízos, verificamos o que não foi levado pelo vento ou pelas águas, o que ficou de pé, intacto, ou apenas com pequenas avarias.

Buscamos o que sobrou, o que precisa ser reconstruído e o que não vale a pena trazer de volta.

Queremos encontrar sobreviventes.

Nas nossas próprias tempestades acontece o mesmo.

Como náufragos, sós, buscamos o que restou.

Tentamos sobreviver!

Boas pessoas são levadas. Tantos bons sentimentos parecem morrer, se extinguir, deixam de existir ou não são aparentes mais…

Como em toda tempestade, o que é forte e verdadeiro fica, não é levado pelas águas ou circunstâncias alheias a nós.

Podem sofrer danos, se arranhar, machucar, tornar-se fosco, mas um pouco de limpeza, atenção e cuidado trará o brilho novamente. Pode ser um móvel, imóvel, pessoa, amizade, amor…

Não adianta tentar salvar o que está danificado demais ou que não quer ser salvo. Perda de tempo e energia.

Toda tempestade tem seu propósito. Uma casa, carro, pessoas ou sentimentos que não enfrentaram tempestades, não tiveram sua força e resistência postas à prova. Não têm garantia de durabilidade.

O que não queremos que seja levado pela tempestade fortalecemos suas bases, alimentamos suas raízes.

Importante saber que toda tempestade deixa algo de bom, irriga nossas emoções, aproxima do que é verdadeiro.

O que não nos mata nos fortalece, nos torna mais fortes e sábios para as próximas tormentas.

Somos sobreviventes!

Alda M S Santos

Dá pra ser feliz

DÁ PRA SER FELIZ

Dá pra ser feliz navegando em alto mar

Mergulhando nas ondas altas

Molhando-se na beira da água

Caminhando à beira-mar

Sentado debaixo de um coqueiro admirando a paisagem.

Em todo tempo, lugar e companhias…

Desde que seja nossa escolha,

Não resultado da imposição do medo 

Ou da vontade de terceiros…

Pra ser feliz é preciso seguir o próprio coração.

Alda M S Santos

ADEUS

ADEUS

Tudo tem começo, meio e fim, 

Tempo contado, prazo de validade

Não importa!

O que vale é aproveitar, curtir, mergulhar fundo

Esgotar as possibilidades

E não se lamentar

Apenas agradecer!

À vida, a Deus, gratidão.

A essa terra, a esse mar maravilhoso, adeus! 

Até breve! 

Alda M S Santos

Parcerias

PARCERIAS

Parcerias, sempre buscamos…

Obtemos várias ao longo da vida.

Parcerias profissionais, parcerias de amizade, 

De família, parcerias de alma…

Umas rápidas, porém, intensas,

Algumas passageiras e leves,

Outras duradouras e tranquilas.

Há aquelas que não vingam, não dão certo

Que estão sempre nos sonhos, nos desejos

E as que são eternas no coração da gente…

Eterna troca de amor.

Devemos curtir, aproveitar, pois

“Somos nós que fazemos a vida, 

Como DER, ou PUDER ou QUISER”…

Alda M S Santos

Memórias

MEMÓRIAS

Memórias são lufadas de ar que ventilam nossos dias

Impedindo a asfixia em alguns momentos 

São gotas de energia a irrigar nossa emoção

Com sorrisos ou lágrimas 

São páginas amareladas de nosso viver 

Capítulos revisitados, reescritos

São combustível que mantêm girando o motor da vida

Chegam quando querem, invadem, alegram, 

E se vão…deixando saudades…

Assim, continuamos a produzir nossa história,

Novas memórias…

Alda M S Santos

Marcas

MARCAS

Na desconhecida extensão de minha jornada

Vou imprimindo minha marca

Forte, leve, às vezes insegura

Só ou acompanhada,

Feliz ou nem tanto

Sempre carinhosa e intensa.

Até quando o Criador permitir…

Alda M S Santos

Resiliência

RESILIÊNCIA

Coqueiros…

Magnífico seu movimento ao sabor do vento.

Inclinam-se para um lado e para o outro

Folhas dançam ao ritmo da brisa ou ventania

Possibilitando um encantamento a mais 

Do alto, tudo veem

Raízes profundas, troncos fortes

Folhas flexíveis, frutos saborosos…

Tudo suportam…

Resiliência…

Doam seus frutos

Cedem algumas folhas

Mas mantêm firmes troncos e raízes.

Assim são as pessoas mais felizes

Aprendem, crescem, evoluem, mudam

Por si mesmas, pelos que amam,

Sabem a hora de falar, de silenciar, de recuar, de prosseguir, de se doar,

Cedem a vez, abrem caminho.

Esperam a tempestade passar

Sem perder a essência, a base, a raiz…

Encantos que traz na alma.

Resiliência.

Tudo em nome da vida

Tudo em nome do amor. 

 Alda M S Santos

Mar

MAR

Mar que é belo, infinito, tranquilo e misterioso

Mar que anima, que ativa, que energiza e instiga ânimos 

Mar que relaxa, que acalma, que apazigua e sossega corações…

Mar que se conecta com nosso interior,

Que saibamos aproveitar tudo que Deus envia

Em forma de natureza.

Alda M S Santos

Somos insanos

SOMOS INSANOS

Todos nós, humanos, somos insanos.

Em variados graus.

Qual seu grau de insanidade?

Somos a única espécie a, deliberadamente, colocar-nos em “risco”.

Por puro prazer.

Quer os cabelos sejam castanhos, louros ou prateados…

A pele lisa, branca, negra ou marcada pelo tempo. 

Liberar adrenalina, vencer os medos,

Aumentar a emoção, superar nossos limites, ser radical…

Divertindo-nos!

Qual seu grau de insanidade?

Sei que me superei!

De 0 a 4:

Insanidade: 3

Emoção: 4

Adrenalina: 4

Superação: 4

E, o mais importante:

Satisfação: 10!

Sou gente, sou “insana”!

Alda M S Santos

Com emoção?

COM EMOÇÃO? 

Com ou sem emoção, moça? Coca-cola ou guaraná?-pergunta o bugueiro cearense.

Gosto com emoção- respondo.

E partimos para nosso passeio com emoção.

Emocionante é aquilo que nos toca, nos alegra, nos diverte, mexe com nossas estruturas, nos dá prazer.

Se machucar, ferir, doer, causar medo ou ansiedade, a emoção deixa de ser prazerosa. Aí podemos dispensar.

Cada um de nós tem seus limites físicos e emocionais e seu modo de viver a emoção.

“Só de estar aqui já é emocionante”- conclui o bugueiro.

O que realmente vale é que todos os momentos sejam emocionantes para quem os vive.

Os outros são os outros… 

Outra história…

Alda M S Santos

Como o mar

COMO O MAR

Seja em maré alta ou baixa

Lua cheia, nova, minguante ou crescente

Ondas que vão e que vêm

Trazem muito com elas

Levam outro tanto consigo

Boas ou ruins…

Assim é o mar,

Infinitamente.

Assim é a vida, dia após dia. 

Quem ama o mar o aceita assim

Quem ama a vida aprende a conviver com seu vai-e-vém.

E a ama, apesar de tudo. 

Alda M S Santos

Melhor caminho

MELHOR CAMINHO

Deixemos transbordar do coração 

Ficar repleta a alma 

A mente sugar toda essa magia 

Todo o nosso ser será belo

Não haverá outro caminho para nossos pés

Que não seja o do amor.

Alda M S Santos

O que te falta?

O QUE TE FALTA? 

Com o perdão da indiscrição, o que te falta? 

Pode responder pra si mesmo.

A todos nós falta algo: todos! 

Às vezes é algo corriqueiro: uma alimentação saudável, boas noites de sono, um corpo mais flexível, a saúde física e mental.

Pode ser um bem material: uma casa, um carro, uma viagem.

Algo bem prático: um curso, uma pós-graduação, um bom emprego.

Ou algo bem pessoal: um filho, amigos leais, aquele amor verdadeiro.

É inerente ao ser humano: sempre estamos querendo algo. 

Quando identificamos onde está o vazio, fica mais fácil. 

É fundamental que possamos descobrir. 

Enquanto isso nos impulsionar é saudável.

Só não devemos deixar que nos estacione.

Devemos saber que a incompletude faz parte de nós e aprender a conviver com ela.

Até a pessoa que julgamos mais feliz sente vazios.

Uma falta não bem resolvida pode nos tirar o brilho, a alegria, o prazer de viver.

O que te falta? 

Alda M S Santos

Brisas

BRISAS

Brisa…

O tempo todo ela sopra por aqui…

Não há o que eu mais goste no mar que a brisa que vem dele.

Cheiro característico, som calmante, 

Toque maravilhoso na pele, 

Suave, refrescante

Alterna-se com o calor do sol

Arrepia, dá prazer.

Democrática, atende a todos.

Fechando os olhos, deixamo-nos levar…

Permitimos que leve o que não desejamos 

E que traga o que precisamos

Pra mente, pro coração, pra alma…

Reabastecemos as forças, curtimos.

Sabendo que ela pode transformar-se em ventania ou vendaval a qualquer hora…

E tudo revirar! 

Alda M S Santos

Área de turbulência

ÁREA DE TURBULÊNCIA

 “Senhores passageiros, pedimos que permaneçam sentados, poltronas na vertical, cintos de segurança afivelados e compartimentos de bagagens fechados.

Estamos atravessando uma área de turbulência.”

Faltou apenas dizer: se possível, não pensem, não respirem, ou poderão ser tragados.

Tantas turbulências na vida… 

Será que essas regras de voo valem para todas? 

Podemos querer deitar e dormir.

Correr, chorar, gritar…

Ficar livres, voar pra longe, sem nada a nos afivelar…

Enfrentar a turbulência, aguardá-la passar…

Ou nos deixar levar por ela.

Uns solavancos e frios na barriga podem até fazer bem!

Nos voos aceitamos! 

Fora deles, cada um de nós define as regras de “segurança” mais adequadas à própria turbulência.

Não precisaremos de aviso que a área de turbulência passou.

Isso todo mundo sabe!

“Obrigada por voar conosco”.

Por nada! 

Alda M S Santos

Voos

VOOS 

Temos a capacidade de voar tão alto…tão longe…

Somos capazes de alcançar o espaço sideral. 

O destino mais difícil nem é tão longe.

Está dentro de nós mesmos. 

Pode ser maravilhoso…

Pode ser perigoso! 

É preciso coragem! 

Alda M S Santos 

Viajando

VIAJANDO

Na mala, biquínis, shorts e chinelos

Vestidos, óculos escuros, protetor solar…

No coração, expectativas, sonhos, alegrias, aqueles que amo, 

Que vão e que ficam…

Na alma, a eterna busca pela paz, necessária a qualquer momento.

Para trás: aconchego, porto seguro.

Levo saudades daqui…

Trarei saudades de lá…

Melhor do que ter pra onde ir é a certeza de ter pra onde voltar.

Alda M S Santos 

A mais linda melodia

A MAIS LINDA MELODIA

Musicista e seu instrumento fazem parte um do outro.

Mãos que tocam e retiram das cordas a vibração desejada

Baquetas que bem movimentadas produzem sons graves, agudos, longos, suaves 

Dedos que se alternam nas teclas e geram a resposta pretendida  

Bocas que sopram no ritmo e momento certo, fazendo que o movimento do ar produza maravilhas musicais.

Um instrumento não “existe” sem o instrumentista

O instrumentista sem o instrumento não produz uma linda melodia. 

São interdependentes.

Assim também são os amantes…

Como músicos e seu instrumento,

Um produzindo no outro a mais linda canção.

A beleza da melodia dependerá da afinidade e sintonia entre ambos. 

Por mais perfeito que seja o instrumento, sem um bom instrumentista torna-se desperdiçado.

Em contrapartida, o desempenho de um músico torna-se sofrível se o instrumento não estiver à sua altura. 

Contudo, juntos, a prática, o treino, a persistência e o amor pelo que faz

Formam bons músicos.

Produzem bons amantes. 

Criam a mais linda melodia: a que vem do amor. 

Alda M S Santos 

Os muros do amor

OS MUROS DO AMOR
Por Alda M S Santos
Há muitos e muitos anos atrás, um rei muito bondoso, preocupado com a fome que assolava todo seu povo, e com a taxa de natalidade que crescia assustadoramente, baixou um decreto polêmico.
Com o intuito de estabilizar a natalidade e reduzir a fome, dividiu seu reinado com uma muralha. A partir dos quinze anos de idade, todas as moças e rapazes deveriam ficar em lados opostos dos muros. Não teriam qualquer contato com o sexo oposto. Exceto seus pais, que poderiam transitar pelos dois lados.
Assim, moças e rapazes passaram anos e anos convivendo apenas com outros do mesmo gênero.
A taxa de natalidade caiu muito e a fome foi controlada. A tristeza impedia uma alimentação mais consistente e a própria procriação dos casais já formados.
Passado algum tempo de isolamento, a taxa de mortalidade entre esses jovens cresceu assustadoramente, principalmente entre os rapazes, agora homens, o que preocupou bastante o rei.
Um médico foi chamado e nada se notou de doença física que pudesse ter causado tais males.
Teve início uma análise profunda da mente dos jovens remanescentes, os que estavam em melhor estado e aqueles que estavam em tristeza profunda.
Observou-se que a morte tinha ocorrido entre parcelas dos jovens que tinham mantido uma relação mais próxima com outro do sexo oposto antes do confinamento.
Porém, uma parcela menor, que também manteve contato com o gênero diferente do seu, estava em bom estado de saúde emocional.
Nesses, os médicos concentraram seus esforços e o que descobriram mudou toda a história.
Uma jovem, todas as manhãs, ao acordar, dava “bom dia” ao sol numa reverência, e “”boa noite” à lua. Muitas das outras a consideravam louca.
Questionada pelo médico, ela explicou que ao fazer aquilo sentia-se próxima do seu amado que tinha ficado do outro lado do muro. Antes de serem separados à força, todos os dias e noites ambos reverenciavam juntos o sol e a lua de mãos dadas: “Que esse sol que nos ilumina e aquece, mantenha sempre em nós o brilho do nosso amor”. O mesmo era dito à lua.
Ainda em dúvida, o médico verificou entre os rapazes que o que estava em melhor estado era o beneficiário do amor da jovem em questão. Ele também fazia o mesmo ritual.
O doutor acabou por verificar vários outros casos similares: jovens que cultivavam rosas, escreviam poemas, liam livros, nadavam ou exerciam alguma atividade que os conectasse, de alguma forma, aos parceiros do outro lado. Tendo a comunicação cerceada, os jovens arranjaram uma forma de manterem viva a sintonia entre eles.
Diagnóstico: causa mortis: tristeza e saudade. A natureza masculina e feminina necessitava uma da outra para manter sua vitalidade, sua saúde física e emocional.
O rei, arrependido do decreto, mandou que os muros fossem derrubados e que a natureza fosse restabelecida.
Os lindos casais formados tomavam todo cuidado para não formar um muro invisível entre eles.
Aprenderam, a duras penas, que em matéria de amor, tão importante quanto a proximidade física, é manter a comunicação, a sintonia, a proximidade emocional.

Cuidados de amor

CUIDADOS DE AMOR

Pode ser um olhar penetrante, sapeca ou uma leve piscadela …

Um abraço apertado, que te levanta do chão, um tipo conchinha ou, simplesmente, que dure dois segundos a mais…

Um beijo longo e demorado, um selinho ou beijinho soprado de longe… 

Um leve toque no rosto, mãos que se dão, dedos que se cruzam…

Um bom dia ou boa noite, uma mensagem a qualquer hora, um telefonema…

Um botão de rosa, bombons, um livro, um perfume…

Um “se cuide”, “fique bem”, “Deus te proteja”…

Um “lembrei de você”, “achei a sua cara”, “estou com saudades”…

Um “não se vá”, “fique”, “senti sua falta hoje”, “como está?”…

Um “preocupado com você”, “quero ajudar”, “conte comigo”…

Uma parte maior da pizza, do edredom ou do sorvete…

O poema, a música, o filme ou livro preferidos de surpresa…

Sua foto na carteira, na tela do celular, num arquivo secreto, na mente, no coração…

Aquela apertadinha safada, uma bobagem sussurrada no ouvido, dentes cerrados para não morder…

Um apelido carinhoso, aquela brincadeira ou código que só ambos entendem, cúmplices…

Não há desculpas…

Muitas são as maneiras de dizer “eu te amo”! 

Ainda assim, as palavras são importantes. 

Vão direto ao coração, sem escalas! 

Não permitem a solidão ou abandono.

Já disse “eu te amo”, hoje? 

Alda M S Santos

Quem se importa?

QUEM SE IMPORTA? 

Uma marquise no centro da cidade barulhenta.

Noite de forte tempestade, manhã de chuva fina.

Quem se importa?

Camas improvisadas, cobertas que mal cobrem os corpos semi-nus.

Num canto, uma “cabana” com seus pertences. 

Ali é sua casa: dormem, comem, se alimentam, brincam, fazem amor.

Metade da manhã se foi.

Ainda dormem, alheios à correria à sua volta. 

Certamente acostumados a ignorar os comentários:

“Marginais, podem nos assaltar a qualquer momento.”

“São fortes, podem trabalhar”.

“Preguiçosos, enfeiam a cidade e afastam os clientes”.

Num canto, um deles me flagra os observando.

Sustento o olhar do senhor, cicatrizes na alma, tristezas profundas se encontram.

“Bom dia”, digo, sem saber o que dizer.

Firme no meu olhar responde: “Jesus te abençoe”. 

Choro…

Por eles, por suas dores.

Pela minha inércia, apesar da vontade de sentar,bater um bom papo, ouvir aquela história. 

Tenho vontade, tenho medo, tenho pressa. 

Na volta, esmolavam em vários cantos. 

“Vá com Deus, menina bonita”, ele grita para mim e acena. 

“Fique com Ele”. 

Seguimos nossos caminhos…

A cidade também…

Quem se importa? 

Alda M S Santos

Câmera lenta

CÂMERA LENTA

O mundo está em câmera lenta

Passos lentos, trôpegos, olhar apagado, corpo encurvado pelo peso da tristeza

Olhos onde brilham apenas lágrimas, 

Que se confundem com a chuva que cai,

Em câmera lenta.

No intenso vai e vem

Pelas ruas da cidade se vão

Ela e tudo que carrega naquele corpo pequeno

Mal são notadas pelo intenso burburinho de início de manhã

Ouve buzinas ao longe e segue lentamente

Os olhos da cidade nada veem além de si mesmos

Cada qual com sua própria bagagem e peso

Tudo é cinza, opaco, lento, vácuo.

Uma trombada, um “olha onde anda”!

Está molhada por fora e por dentro

Quem se importa?

As lágrimas correm livres, 

Ao contrário dela, presa em suas divagações.

E a vida continua

Em câmera lenta…

Alda M S Santos

Primeiros socorros

PRIMEIROS SOCORROS

Diante de casos emergenciais de saúde, o pronto atendimento é fundamental para garantir a vida de um indivíduo.
Nesse âmbito, a correta utilização do socorro inicial pode ser decisiva.
O objetivo dos primeiros socorros é aplicar procedimentos que estabilizem o paciente e afastem o risco iminente de morte.
Batimentos cardíacos, pressão arterial, atividade pulmonar e cerebral, ausência de hemorragias, estabilidade da coluna vertebral, tudo é verificado.
Assim, todos os recursos disponíveis são utilizados para garantir a vida: desfibriladores, traqueostomias, drogas potentes, torniquetes, incisões diversas…
Invasivos ou não, são necessários, ainda que deixem sequelas.
Passada a emergência, avalia-se o quadro, evoluções e retrocessos, e prescreve-se novos procedimentos para o pronto restabelecimento do paciente.
O mesmo se aplica às emergências emocionais.
Nossa psique é tão ou mais sensível que nosso corpo e necessita de cuidados à altura.
Diante de um trauma, um susto, uma decepção, uma perda, um luto, uma tristeza profunda, um choque emocional, também são necessários primeiros socorros.
Mantém-se a integridade física e cuida-se das lesões, nem sempre aparentes, da mente, do coração, da alma.
O ouvido é o melhor instrumento nesses casos. Deixemos falar! Improvisemos divãs!
Muitos tendem a querer abafar, esquecer, deixar pra trás. “Não chore, vai passar”.
Isso é como colocar esparadrapo numa infecção aberta. Ela voltará com força total.
Extravasar é fundamental para estabilizar as emoções. Cada um reage de um modo, mas colocar pra fora: chorar, falar, esbravejar, é o começo da cura. Trata-se de limpar a ferida purulenta.
Só depois entram os medicamentos e curativos, a análise racional, as conversas sérias, os abraços poderosos, o ombro amigo, o colo gostoso, as mãos dadas, as palavras sábias, a busca de soluções.
Nas emergências orgânicas ou emocionais, sufocar não é procedimento padrão. Pode gerar males crônicos.
Primeiros socorros mal aplicados podem matar o paciente ou torná-lo imprestável para a vida tanto quanto desconsiderar a gravidade do quadro e relegá-lo a segundo plano.
Ninguém está livre de ter que aplicar ou receber.
Estejamos atentos!
Alda M S Santos

Blindagens

BLINDAGENS
São tantos os projéteis, armas, mísseis
Inúmeros os morteiros inimigos, fogo amigo
Petardos de força inexplicável
Minas terrestres, bombas de gás
E as blindagens cada dia mais comuns
Acabam isolando do exterior
Nada deixam entrar, nada deixam sair
Tornamo-nos tão duros e secos
Que, com ou sem blindagem, somos a mesma coisa
Inertes e alheios ao que se passa além de nós.
Quanto mais frágil o ser
Mais forte faz-se necessária a blindagem
Isolados do mundo, da vida
Morremos por doença autoimposta
Morremos por asfixia emocional.
Alda M S Santos

Transbordando 

TRANSBORDANDO 

Quando não cabe dentro, enche
Quando está cheio, transborda

Seja o que for; bom ou ruim
Sai nos olhares, nos sorrisos
Nas lágrimas, nas expressões corporais
Nas palavras ditas ou escritas
Em telas, papéis ou muros…
E invade o mundo alheio.
Cada um percebe e se apodera do que quer
Do que precisa,
Do que melhor lhe aprouver.
E recomeça o ciclo…
Assim vamos enchendo o mundo de poesia…
Alda M S Santos

Entrelaçar

ENTRELAÇAR
Amar é se entrelaçar
Sempre…
Não só entrelaçar as pernas, os corpos
Bem mais que isso!
Amar é grudar nos pensamentos,
É juntar as emoções,
Partilhar desejos e sonhos
Entrelaçar almas em sintonia
Mesmo que não se entenda
Que não se explique
Apenas se sinta…
Entrelaçar no amor é
Formar laços entre dois seres
A ponto de não se identificar onde começa um
ou termina o outro.
Alda M S Santos

Imaginação

IMAGINAÇÃO
Imaginação…
Tantas vezes nos trai, nos leva para lugares perigosos ou indesejados
Porém, nos tira da mesmice, dá cor, brilho e mais vida às nossas vidas…
Crianças usam e abusam
Transformam um banho de mangueira na rua
No mais lindo mergulho em locais paradisíacos
Jovens que fogem de um ambiente seco e de desamor
Para o amor vibrante no fundo de sua imaginação
Inclusive com recursos alucinógenos
O que se torna falso e de retorno difícil
Adultos que se entregam à imaginação para suportar períodos de dificuldades
Alguns fazem dela sua profissão, e criam histórias.
Abrir mão da imaginação
É abrir mão da alegria
É viver num mundo cinzento
É perder a vitalidade
É envelhecer antes de amadurecer…
Só não vale ser totalmente dependente dela
E viver apenas num mundo irreal…
Alda M S Santos

Nossos anjos

NOSSOS ANJOS 

Se passarmos um filme em retrospectiva de nossas vidas

Poderemos observar algo que irá sempre se repetir

Mudam o local, o cenário, os atores, a trilha sonora, até o roteiro

Porém, a história é a mesma em várias versões

Desafios e obstáculos superados.

Talvez não pareça vitória ou superação,

Mas, entre as opções existentes, nos saímos bem.

Muitos foram os buracos em que caímos, 

Os vãos em que nos esprememos.

Inúmeros desvios de obstáculos, 

Incontáveis escorregadas em falsos amigos,

Bastantes as vezes em que corremos do amor ou para o amor,

Ou nos sentamos, choramos, reabastecemos energias,

Restauramos as forças…

Veremos que em todos esses momentos havia alguém especial conosco

Enviado por Ele para nos fortalecer. 

Como essa é uma história aberta, em construção,

Quais são os obstáculos de agora, nossos “inimigos” atuais?

Quem é nosso anjo especial? 

Nunca estamos sós! 

Alda M S Santos

Saudades de mim

SAUDADES DE MIM

Saudades de mim…

Do tempo em que eu me bastava

Não por autossuficiência,

Mas por saber o que buscar

Como, porque, quando.

Saudades de mim…

Do tempo em que eu era o bastante

Não para todos, 

Mas para aqueles que me são caros…

Saudades de mim…

Do tempo em que eu sempre estava aqui.

Que me atendia prontamente ao primeiro chamado

E não era preciso gritar tão alto.

Ou me encontrar no silêncio mais profundo de mim mesma.

Saudades de mim…

Alda M S Santos

Deficiências

DEFICIÊNCIAS

Ah, se todas as deficiências fossem tão aparentes!

Muitos de nós não sairíamos de casa.

Braços, pernas, mãos…

Esses todos vemos, sabemos lidar com eles, aceitar, ajudar… 

Quantas “deficiências” se escondem atrás de um sorriso bonito,

De um “bom dia” simpático,

De palavras animadoras, 

De um corpo atraente…

Psicopatias, patologias controláveis, outras não, compulsões, obsessões… 

Falhas graves de caráter,

Aquelas que, muitas vezes, depois de um ato inesperado dizemos:

“Fulano? Nossa, quem diria! Não esperava!”

Antes de apontarmos falhas em qualquer um, olhemos para dentro de nós mesmos,

Encontremos nossas próprias deficiências, 

Ou daqueles tão próximos de nós e que pensamos saber tudo! 

Alda M S Santos

Saudades

SAUDADES

Saudade… 

Nostalgia, quase sempre dolorida.

Pode estar a um oceano de distância, a um clique, uma discagem, além do céu…

Até mesmo ao nosso lado…

Saudade não está só na distância física

Saudade mora na distância emocional.

Por isso dói na alma. 

Alda M S Santos

Hibernar é preciso

HIBERNAR É PRECISO

Hibernar é preciso!

Um sono induzido…

Poupar as energias, as emoções

Baixar a temperatura, desacelerar o coração 

Quando há pouca oferta externa

Confusas opções internas

Hibernar é preciso!

Redistribuir nutrientes emocionais. 

Encher de calor a alma

Hibernar é preciso,

Em todas as estações! 

Alda M S Santos

Levezas

LEVEZAS
Não precisamos ser grandes, fortes e poderosos para impressionar.
Basta sermos autênticos!
As borboletas atraem pela leveza, colorido, beleza, simplicidade e intensidade com que vivem as poucas semanas de vida que lhes cabem.
Não há quem não se encante ou não as queira para si.
Únicas, diferentes, sem pretensão de uniformidades,
Apenas vivem e encantam…
Alda M S Santos

Quem ama, mata!

QUEM AMA, MATA!
Matou por amor.
Tão paradoxal que beira à insanidade.
Nossas crianças e jovens ouvem e veem isso todos os dias.
Crescerão acreditando que quem ama mata.
Basta não se sentir amado, ser contrariado ou não ter seus desejos atendidos.
Que é natural matar “por amor”.
Quem ama mata! Todos os dias, todo o tempo.
Não a morte do corpo, não a morte da alma.
Mata a necessidade de companhia, mata a ânsia de se ver belo no olhar do outro, mata o desejo de fazer amor, de sorrir e conversar juntos, mata a solidão…
Quem ama vive, gera vida, para si, para o outro.
Quem ama não mata, não mutila ou deforma o corpo, não ameaça, não amedronta a alma, não tira a luz do olhar, o brilho do sorriso.
Quem acredita que quem ama mata seu “objeto” de amor, literalmente, está matando aos poucos o amor no outro.
E já matou o amor dentro de si há muito tempo.
Alda M S Santos

Tão fácil!

TÃO FÁCIL! 

Aparentemente tão fácil! 

Encontrar um companheiro para voar juntos

Descobrir novos espaços, novos ares,

Namorar!

Novo céu, azul intenso, sol mais brilhante…

Um lar, um ninho, simples e caprichado.

Materiais retirados da natureza!

Uma família sonhada, constituída, alimentada e amada…

Ali encontram todos os alimentos que precisam.

Têm de sobra: confiança que tudo vem

Têm em falta: preocupações e ansiedades. 

O que importa têm em fartura: 

Alegria para viver e cantar!

Tão fácil!

Em qual parte complicamos, se somos “superiores” e racionais? 

Alda M S Santos

Fazendo o caminho

FAZENDO O CAMINHO

Hoje pode estar lindo e calmo

Sol, cores e alegrias

Amanhã, nuvens e tempestades

Não esperemos um caminho suave, florido e belo todo o tempo.

Estando preparados para intempéries, caminharemos com mais alegria e disposição.

Não esperemos um caminho pronto, pois

“É caminhando que se faz o caminho”…

Alda M S Santos

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