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Qual o barulho do seu silêncio?

QUAL O BARULHO DO SEU SILÊNCIO?

Qual o barulho do seu silêncio?
Ele grita alto, é ensurdecedor
Aperta sua voz, é sufocador
Ou se recolhe, renovador?

Qual o barulho do seu silêncio?
Forte como águas de uma cocheira
Suave como banho na banheira
Ou sedutor como moça namoradeira?

Qual o barulho do seu silêncio?
Reflexivo, introspectivo, envolvente
Extrovertido, audaz, caliente
Ou pacífico, calmante, atraente?

Qual o barulho do seu silêncio?
Emocionante como lágrima que cai
Entorpecente como a dor que se vai
Eloquente como o amor que nos atrai?

Qual o barulho do seu silêncio?

Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

Silêncio aquece

SILÊNCIO AQUECE

Silêncio amedronta, é aterrador

Na medida em que seu barulho ensurdecedor

Torna tudo em torno da gente assustador

Mexe e remexe nosso frágil interior

Silêncio acalma, é refrigério

Quando ativa nosso lado zen

Leva a meditar, nos encontrar

E nada há que nos tire do bem

Silêncio fala, é palavra, é comunicação

Quando o que há por dentro extravasa

Vai muito além da suportável emoção

Silêncio cala, emudece, ensurdece

Mas onde há esperança e amor

Ele é doce e quentinho cobertor, aquece…

Alda M S Santos

O silêncio

O SILÊNCIO

Nada diz mais que um bom silêncio

Aquele que sentamos conosco e nos passamos a limpo

Boas perguntas, respostas sinceras

Sem medo de sermos devorados por famintas “panteras”

Um auto divã, real, sem expectativas vãs

Quem sou, o que gosto, o que me incomoda

Porque me deixo girar nessa roda

Que aceito, o que permito, o que me deixa aflito

Quem amo, quem tolero, quem evito

O que me mantém por aqui, ativo, cativo

Silêncio lá fora, barulho cá dentro

Ele muito diz para quem se dispõe a ouvir

Ou para quem não tem com quem falar, para onde ir

Silêncio, conhecido também como solidão

Pode ser um grande amigo nesse mundo nem sempre irmão…

Alda M S Santos

O som do silêncio

O SOM DO SILÊNCIO

Silêncio fala, silêncio grita

Na linguagem universal da dor

Da saudade ou do amor…

No entanto nem todos ouvem

Som em altíssima frequência

Quem ouve e não entende se incomoda

Busca um refúgio, faz barulhos diversos

Quer tirá-lo desse transe de comunicação

Tenta de outro modo algo dizer

Silêncio…

O som do silêncio é calmante

Para quem sintoniza na mesma frequência

Silêncio…

O som do silêncio é estressante

Para quem só ouve o nada que tanto diz

Silêncio…

Silenciando vamos tudo dizendo

Àqueles que sabem ouvir…

Alda M S Santos

Silencie!

SILENCIE!

Às vezes o que precisamos é nos afastar de todos

Para nos sentirmos mais acompanhados, menos sós

Apagar os holofotes para podermos acender a luzinha que satisfaz

Silenciar para ouvir aquilo que a alma grita

Entender nossos monstros para poder derrotá-los

Errar para aprender a perdoar, a perdoar-se

Parar um pouco para conseguir prosseguir

Sentar com nosso anjo protetor e bater um longo papo

Quebrar-se todo para aprender a ser de novo inteiro

Às vezes precisamos fechar os olhos

Para poder enxergar aquilo que é essencial

E não está do lado de fora…

Feche os olhos, silencie!

Alda M S Santos

Sons do silêncio

SONS DO SILÊNCIO
Há muito silêncio aqui
Os galhos das árvores valsando ao sabor do vento
A chuva fina a tamborilar uma canção nostálgica no telhado
Canarinhos piando a disputar por espaço no comedouro
Enquanto outros se banham na poça d’água no chão e voam em revoada
Uma vaca muge reclamando ao longe no pasto
As asas vibrantes de um lindo beija-flor a sugar o néctar doce da vida
Indiferente a minha presença, encantada
Um machado fazendo ranger a madeira que cede com um choro de resistência
O fogo a crepitar no fogão a lenha onde o cozido borbulha e aromatiza o ambiente
Uma família de tucanos grasna no alto das árvores e saúda a vida
Um cachorro late pedindo carona atrás de um fusquinha conhecido
Um galo canta alto dizendo as horas, a galinha responde que tem ovo
Um abacate cai com um barulho surdo do alto do abacateiro e se racha ao chão
A tosse seca de um fumante que parece sufocar
As risadas das crianças descendo a rua de bicicleta, felizes, ignorando o chuvisco
Macacos gritam bem perto na mata
Uma saracura afoita passa correndo no quintal
Uma espectadora da vida ouve todos esses sons do silêncio
Em contraste com todos os barulhos que gritam dentro de si
Querendo fazer parte, ser parte desse mundo “animado”…
O mundo parece estar estacionado, mas há vida em tudo…
Qual o barulho que ela faz em seu silêncio?
Qual o grito que ela transmite?
Alguém ouve?
Alda M S Santos

Barulhos

BARULHOS

Não há barulho maior, mais retumbante

Mais incômodo ou danoso

Que aqueles que vêm de dentro de nós

Aqueles que gritam, mas só nós ouvimos.

Causam dores intensas, tristeza, alheamento do mundo,

Principalmente se tentarmos ignorá-lo.

Mas são eles os que mais têm potencial produtivo

Aqueles diante dos quais devemos nos silenciar

Buscar respostas no nosso interior, nos ouvir

Apesar ou por causa deles,

Podemos crescer, evoluir,

Sairmos em paz, levar a paz!

Alda M S Santos

No grito?

NO GRITO?
Invadir, abrir, arrombar, conquistar.
De qualquer modo, a qualquer custo,
Na pancada, no muque, no grito,
Com a força que vem da mente,
Com a força dos músculos…
Até descobrir que o melhor músculo
A ser utilizado é o coração.
E esse age no silêncio.
Grito calado que vem de dentro.
Essa é sua maneira de gritar
De se fazer ouvir e tudo conquistar.
Mantenha-o em ação!
Alda M S Santos

Tão longe, tão dentro!

TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos

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