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Buraco negro

BURACO NEGRO

Um grande abismo gravitacional

Que atrai para si tudo que se aproxima

Como um buraco negro na galáxia

A anos-luz de distância da terra

Alimenta-se, absorve, suga para si tudo que passa perto

Bom ou ruim, produtivo ou não

Quantas vezes somos assim?

Sugando sem critério a sorte ou o azar do outro

Suas alegrias e tristezas

Sua energia positiva ou negativa

Sua luz, sua escuridão, seus lixos existenciais

No buraco negro do espaço tudo desaparece lá dentro

Não sei o que isso causa com o tempo

Quanto a nós, chega o momento do basta

Muita coisa negativa absorvida e não processada

Não desaparece em nós, não some

Causa explosões, reverte-se em doenças físicas e emocionais

Transtornos diversos na alma

Morte em vida…

Precisamos de critério ao absorver energias alheias

Receber apenas o que pudermos processar e devolver em forma de luz…

Não somos um buraco negro!

Alda M S Santos

Submergindo

SUBMERGINDO

Submergindo vemos um mundo novo

Quanto mais fundo, mais tranquilidade

Novas vidas no entorno, novo olhar

Ainda que no movimento incessante do lugar

Respiração agitada que vai se acalmando

Deslumbramento, leveza, encantamento total

Silêncio que tranquiliza, reinado de paz

Seguimos a vida que ali se apresenta…

Submergindo vemos um mundo novo

Devagar, a princípio, no interior de nós mesmos

Muitos barulhos confusos, amedrontados ou desafiadores

Tentamos entender ou ignorar o que percebemos

Não sabemos lidar…

Vamos submergindo mais e mais…

Quanto mais nos recônditos de nós mesmos chegamos

Ora escuro, cinzento, ora em muitas cores e dores, cicatrizes

Mais entendimentos, mais clareza, mais fazemos as pazes conosco

Mais desejo de ali ficar, submersos em nós para sempre…

Paz!

Alda M S Santos

Rotas aternativas

ROTAS ALTERNATIVAS
Quando é para ser não há nada que possa impedir
A chuva não molha, ou, se molha, serve apenas para refrescar
Se o sol não aparece, o calor vem de dentro
Se não há luz, brinca-se de fazer figuras de sombras na parede
Se falta dinheiro, sobra criatividade
Se o mal arromba a porta, o bem entra com educação pelas janelas
Se há lágrimas, desesperança, uma dádiva surge de onde menos se espera
Se os medos do escuro assombram, servem também para tornar mais visíveis as fontes de luz
Se os erros pesam nas costas, na consciência, o aprendizado se faz presente
Se o destino parece distante e impossível, as boas companhias são refrigérios
Se falta justiça, sobra compaixão e solidariedade
Se tudo é caro e nada parece valer a pena, surge um amor gratuito
Se a solidão atormenta, o encontro consigo é um presente
Se clamamos por anjos, surgem amigos
Quando tudo parece difícil, a fé fortalece
Quando é para ser, qualquer descaminho é apenas uma rota alternativa…
Alda M S Santos

Você não sabe!

VOCÊ NÃO SABE!
O frio que enfrentei nas noites longas, os curtos e finos cobertores que não aqueciam
Você não sabe…
As lágrimas que derramei, aquelas que engoli, quase sufoquei
Você não sabe!
Os sorrisos forçados, olhos úmidos, embaçados, disfarçando os medos
Você não sabe!
O cansaço que pesava as costas, arriava a fé, o desânimo fazendo desacreditar num futuro
Você não sabe!
A contraditória alegria e peso da responsabilidade em ser a “vida”, a motivação ou exemplo de alguém
Você não sabe!
A solidão que invade e a baixa autoestima tantas vezes assustadora
Você não sabe!
Os caminhos difíceis, secos, repletos de pedregulhos que machucaram meus pés
Você não sabe!
Aqueles que surgiram para dificultar minha caminhada, levantar dúvidas, desviar do caminho
Você não sabe!
Quantas vezes foi preciso desistir, reavaliar, recuar, redirecionar para não cair, não machucar ninguém
Você não sabe!
Quantas vezes foi necessário ser forte e buscar apoio nos ombros da fé
Você não sabe!
O que você sabe de mim é o que eu te deixo ver, que consigo mostrar
Assim somos todos! Não sou especial ou diferente!
O que sabemos de todos, o que eles sabem de nós
É apenas aquilo que foi filtrado nos pequenos furos da peneira da autoproteção
Ou por cuidado e proteção de terceiros
Não dá para saber…
Você não sabe! Eu não sei!
De nós mesmos, só nós sabemos…e Deus
Dos outros, só podemos imaginar…
Preferencialmente, sem julgar…
Alda M S Santos

Impotência

IMPOTÊNCIA

Não existe sensação pior que a da impotência

A incapacidade de realizar algo que se quer

Por quem se ama, por si mesmo.

Saber do sofrimento, da necessidade premente

Do grito contido, calado, sofrido

No silêncio audível, no sorriso disfarçado

Na distância forçada, na solidão,

Nas lágrimas escondidas…

Saber que tudo que somos de nada vale

Que os caminhos trilhados nem sempre ajudam

Que não conseguimos tirar a dor com a mão, como gostaríamos

E que, certas coisas, somente o tempo pode curar

Ou anestesiar, ou fazer adormecer…

Alda M S Santos

Tão longe, tão dentro!

TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos

Mantenha distância para sua segurança 

MANTENHA DISTÂNCIA PARA SUA SEGURANÇA

Sabe aqueles dias em que estamos dando choque em nós mesmos?

Pois é! Aqueles nos quais deveríamos carregar pendurada no pescoço e nas costas uma placa com a frase de para-choque de caminhão:

“Mantenha distância para sua segurança”.

Estamos impacientes, tristes, inseguros, insatisfeitos, decepcionados, com raiva até!

Ideal que nem saíssemos do quarto para evitar maiores danos ao “patrimônio” próprio e alheio! Risco de curto-circuito! Pane total.

Mas a vida chama! Trabalho, estudo, família, amigos, afazeres diversos.

Felizmente!

Lá fora, mesmo emburrados, escondidos atrás de uns óculos escuros, tentamos acordar.

Devagarzinho, vamos começando a enxergar as coisas belas e boas, que são muitas, e retribuir.

Fazendo o levantamento dos males que nos atingem, deixando todos eles, um a um, pelo caminho.

Com calma, com alma, respeitando nossos próprios limites, dores e lágrimas.

Aceitando os sorrisos, os carinhos, o amor que se apresenta.

Como “diz” outro caminhão:

“Nas curvas da vida, entre devagar…”

Se não quisermos atropelar ou ser atropelados.

Que aproveitemos a paisagem e as companhias.

Boa viagem!

Alda M S Santos

Vista definitiva

VISTA DEFINITIVA

Nada melhor para levar-nos a refletir, a pensar nossa existência, encontrar soluções para nossos problemas, neutralizar uma raiva, viver uma saudade, curtir nossa própria companhia, orar, do que se presentear com uma vista definitiva. 

Olhar ao longe… Nada na frente além do horizonte a ser observado. Uma brisa suave, um vento mais forte, sons de isolar os barulhos de dentro da gente.

Natureza, apenas natureza. No alto de uma serra, o mar lá embaixo, ou simplesmente tudo verde, muitos tons de verde. Um rio corrente, pássaros de voo rasante. Nuvens que desenham no céu azul nossos desejos, que só nós vemos. Ou nuvens carregadas que apostam corrida. 

Sentada olhando ao longe…

Deitada olhando o céu…

Abraçando meus joelhos, abraço a mim mesma.

Faço as pazes com meus monstros, meus medos, peço uma trégua.

Assim, vejo tudo mais claro dentro de mim.

Restaurada, volto para o mundo (ir)real. 

Uma certeza apenas: de definitiva só a vista. Logo voltarei para novas reflexões…

Alda M S Santos 

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