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Talvez

TALVEZ

Talvez um dia eu possa me arrepender

Talvez no futuro tudo venha a ser diferente

É até bom mesmo que seja, que mude

Mudança gera força, crescimento

Mas, hoje, é o que tenho

E, hoje, posso agir, escolher um caminho do qual me orgulhe

Talvez não saiba ao certo como agir

Mas sigo minha intuição, meu coração

Se ele dói, se aperta, é porque o caminho não é o melhor

Tem pedras, buracos, posso cair, me machucar

Ou não conseguir impedir a queda de alguém querido

Mudo a rota, a altitude, o voo

Balanço, fico insegura, nem sempre tranquila, tenho medos

Mas sigo em frente no hoje, mantendo o equilíbrio

Talvez amanhã nem esteja mais aqui

Mas quero levar comigo e deixar por aqui

A lembrança de alguém que fez tudo que pôde por amor

Talvez o amanhã mude, ou seja ainda melhor

Creio nisso e sigo…

Talvez…

Alda M S Santos

Nostalgia

NOSTALGIA
Nostalgia é morada da saudade
É tempo que para no tempo
É vida presa nos laços da felicidade perdida
É desejo de retornar a um ontem sonhado, idealizado, quase irreal…
Nostalgia é melancolia profunda
Que entende o presente como alegria artificial, forçada
E perde a visão de um amanhã real
Enquanto se agarra ao passado, sentimental
Nostalgia boa é saudade gostosa
Que deixa o passado em seu devido lugar
Mas o usa para alimentar e irrigar o hoje de força e fé
E planta um futuro com sementes de esperança
Retiradas dos frutos bons do passado
Formando o círculo completo da existência…
Alda M S Santos

Eram três todo o tempo

ERAM TRÊS TODO O TEMPO

Eram três e caminhavam quase sempre juntas

Menina, jovem, idosa…

Ontem, hoje e amanhã

O ontem como a antiga (menina) doce e sonhadora, nada temia

O amanhã como uma criança (velha), desconhecida, sendo gestada

O hoje, uma jovem senhora, caminhando no fino e longo fio que une menina e idosa

O passado na pessoa da menina sorridente a martelar insistentemente cobrando e estimulando

O futuro na pessoa da idosa entre medos e expectativas do vir a ser, a lembrar que o tempo é curto

O presente, o único elo entre elas, às vezes se perde, retorna ou avança desenfreadamente

Lutando para não deixar morrer os sonhos de outrora

Para poder conquistar cada um deles

Sem comprometer a velhice temerosa

Sem decepcionar a criança sorridente

O hoje, uma mulher madura, tentando se equilibrar nesse fino elo entre elas

Desejando torná-las uma só, harmônica e em paz

Tentando se firmar, não cair e ser feliz no presente, que é o que existe de real!

Alda M S Santos

Tempos de amor e paz

TEMPOS DE AMOR E PAZ

Paz…amor…

Almejados para o futuro

Reconhecidos no passado

Pouco percebidos no presente.

Paz…amor…

É aqui e agora que se faz!

Alda M S Santos

Esperando para ser feliz

ESPERANDO PARA SER FELIZ

“Depois de uma vida de trabalho, quando chega a hora de curtir, de viver, adoece”-ouvimos tantas vezes!

Ou “dedicou a vida aos outros, quando poderia ocupar-se de si mesma, perde tudo”…

Muitas são as histórias parecidas, mudam os protagonistas! 

Não quero fazer uma apologia ao egoísmo, ao modo inconsequente de vida, mas deixar de curtir, de viver, de ocupar-se de si, de se divertir, esperando o momento “ideal” não é boa pedida!

Esperar para ser feliz depois de qualquer momento: formatura, casamento, divórcio, um novo emprego, nascimento ou casamento dos filhos, uma herança, um salário melhor, aposentadoria, é contar com os ovos no fiofó da galinha. 

Nossa felicidade não pode ser depositada na conta de um evento ou momento. Ela precisa ser contínua. Debitada dia-a-dia em nossa conta-corrente. Enquanto há saldo. 

Todos os momentos são ideais! 

Necessário é encontrar um modo de ser feliz todo o tempo com o que tem, com o presente. Apenas ele é certo. 

Esses momentos “especiais” podem maximizar nossa felicidade, mas colocar todas as nossas fichas e esperança neles é dar um tiro pro alto, é nublar o sol dos momentos atuais!

Não esperemos! O amanhã é apenas expectativa.

E expectativas quase sempre são frustrantes!

Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Os anos passam, a tecnologia avança, as pessoas crescem

A medicina evolui, o amor e o romantismo se transformam…

Todos para melhor, certo? Há sérias controvérsias!

No que tange ao amor e ao romantismo houve transformações

Mas, para melhor? Analisemos!

Basta uma simples “apreciação” nos nomes pensados para atrair

Entre “bondes”, “gaiolas” “popozudas”, “safadões”, “créus”,

“Fogosas” e “quebra-barracos”

Ainda podemos encontrar “letras” que atingem fundo:

“Meu p. te ama”, “piranha recalcada”, “late, que eu to passando,”,

“Um otário para bancar”, “encaixa nela”…

Todas dessa estirpe!

Como diria o “ultrapassado” Roberto Carlos, são muitas emoções.

Como ficam o amor e o romantismo, a sedução, o namoro no portão?

A conquista, o dar-se as mãos, as poesias num cartão, as rosas?

“Aquelas rosas que não falam, mas exalam o perfume que roubam de ti”?

São as mesmas as “amadas amantes” de hoje?

Prefiro um amor velhinho e ultrapassado

“Esse amor demais antigo, Amor demais amigo, Que de tanto amor viveu”

Mesmo os amores não vividos eram lindos, poesia pura!

“Tentei deixar de amar, não consegui/Se alguma vez você pensar em mim

Não se esqueça de lembrar/Que eu nunca te esqueci”.

Alguém aí entendido de “bondes”, pode me informar

Onde passa o próximo com destino ao passado?

Vou a “120, 150, 200km por hora”…

“Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz”

“Não deixo marcas no caminho pra não saber voltar”…

Alda M S Santos

Espectros

ESPECTROS

Sempre fiquei encabulada com as pessoas idosas que vão perdendo a memória. 

Entre os muitos males que acometem os mais velhos, o que mais me intriga e amedronta é a perda da lucidez, da memória recente.

Meu avô, no final da vida, não se lembrava dos filhos, chamava minha mãe pelo meu nome, misturava dados importantes.

Nosso cérebro é ainda um mistério para a Ciência.

O que faz com que algo de nosso passado distante esteja nítido e algo dos últimos anos se apague? 

Será que “escolhemos”, inconscientemente, o que lembrar? 

Será que o que fica é a melhor parte, o que mais nos marcou ou o que não causa dor? 

Se fosse possível realmente escolher, quais momentos gostaríamos de eternizar em nós? 

Há realmente algo que desejemos apagar sem nos descaracterizar?

Ainda que estejamos marcados nas vidas daqueles que amamos, que convivemos, acho cruel essa perda das lembranças. 

Penso que ao se extraí-las, vão nos apagando aos poucos, viramos um espectro de nós mesmos. 

Pior que isso, só sermos apagados da mente daqueles que amamos. 

Exceto se morrermos cedo, certamente não estaremos incólumes! 

É consenso que ninguém quer perder nada.

Porém, sei que há dissenso, mas, a ter que perder algo, opto em manter minha mente, minha lucidez, minhas memórias.

 E, se possível, minha visão, para ler e escrever. 

Ah! Esqueci que não nos cabe escolher…

Alda M S Santos

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