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Difícil esquecer?

DIFÍCIL ESQUECER?

Que é por aqui mais difícil de esquecer
O que faz chorar, faz sofrer
O que mais faz feliz, faz sorrir
Ou o que declinou, quis partir?

É difícil esquecer as dores
Causadas por (des)afetos, (des)amores
Ou os carinhos, cuidados, sem enfado
De quem sempre esteve ao seu lado?

Se é difícil esquecer a criança que fomos
Também o é a pessoa que nos tornamos
E todos aqueles a quem amamos

Se pudéssemos escolher deixar desvanecer
Apagar da memória, fazer desaparecer
O que gostaríamos de em nós deixar morrer?

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: Difícil de esquecer

Nosso baú de lembranças

NOSSO BAÚ DE LEMBRANÇAS

Às vezes é preciso botar ordem
Na bagunça, na grande desordem
Que se tornam nossas lembranças
Machucando,  provocando lambanças

Pegar esse baú para organizar
Jogar fora o que já não tem lugar
Aquilo que fere, machuca, faz chorar
Selecionar, classificar, separar, guardar

As que ainda doem, mas são preciosas
Deixar lá no fundo bem guardadas
Para quando preciso serem acessadas

Bem em cima, facilmente alcançáveis
Guardar em caixinhas bonitas e douradas
As lembranças de amor, as mais abençoadas

Alda M S Santos

FOTOGRAFIAS

Uma foto, uma longa história escrita ali!
Sem textos, palavras ou letras quaisquer.
A vida numa imagem, acrescida da imaginação.
Real ou fictícia, sempre emocionante!
Umas falam, outras gritam, outras ainda sussurram.
Todas dizem algo, ativam algo, despertam algo,
Sorrisos, lágrimas, lamentos, saudades, alegrias…
Criam/recriam uma nova história no coração de quem as “lê”.
Eternas…
Inclusive aquelas “reveladas” apenas em nossas mentes.
Alda M S Santos

Cheiro de Amor

CHEIRO DE AMOR
Olfato cria lembranças marcantes e eternas
Mais que qualquer outro sentido
Cheiro de mãe, cheiro de colo, de casa de vó,
De infância, de escola, de domingo, de Natal,
Cheiro de praia, de roça, de rio, de mata,
De namoro, de amigos, de filhos,
De abraços quentinhos, de cheiro no cangote,
De beijos molhados de chuva, de suor…
De muitos cheiros se faz minha memória.
Um único comum a todos:
Cheiro de amor.
Alda M S Santos

Espectros

ESPECTROS

Sempre fiquei encabulada com as pessoas idosas que vão perdendo a memória. 

Entre os muitos males que acometem os mais velhos, o que mais me intriga e amedronta é a perda da lucidez, da memória recente.

Meu avô, no final da vida, não se lembrava dos filhos, chamava minha mãe pelo meu nome, misturava dados importantes.

Nosso cérebro é ainda um mistério para a Ciência.

O que faz com que algo de nosso passado distante esteja nítido e algo dos últimos anos se apague? 

Será que “escolhemos”, inconscientemente, o que lembrar? 

Será que o que fica é a melhor parte, o que mais nos marcou ou o que não causa dor? 

Se fosse possível realmente escolher, quais momentos gostaríamos de eternizar em nós? 

Há realmente algo que desejemos apagar sem nos descaracterizar?

Ainda que estejamos marcados nas vidas daqueles que amamos, que convivemos, acho cruel essa perda das lembranças. 

Penso que ao se extraí-las, vão nos apagando aos poucos, viramos um espectro de nós mesmos. 

Pior que isso, só sermos apagados da mente daqueles que amamos. 

Exceto se morrermos cedo, certamente não estaremos incólumes! 

É consenso que ninguém quer perder nada.

Porém, sei que há dissenso, mas, a ter que perder algo, opto em manter minha mente, minha lucidez, minhas memórias.

 E, se possível, minha visão, para ler e escrever. 

Ah! Esqueci que não nos cabe escolher…

Alda M S Santos

Lembranças

LEMBRANÇAS

Muitas lembranças são associativas, quer dizer, nos remetem a algo ou alguém.

E isso as torna mais fortes, prazerosas e duradouras.

Aquela música suave ou dançante e letra tocante, 

O perfume que traz nítida à mente a pessoa ou situação,

Pés e pernas entrelaçados na areia,

Namoro e amassos na varanda,

O cheiro de bolo no forno, de churrasco no domingo, 

Cabelos esvoaçantes, um andar seguro, 

Um olhar penetrante, um estilo de ser e vestir…

Uma voz mais calma, um jeito rebelde e meio cri cri, o raciocínio rápido,

O sorriso contagiante, sincero e cativante,

Um filme com pipoca no sofá da sala, um livro na rede, poemas românticos,

Um bate papo demorado no portão,

Aquela pracinha, um sorvete ou açaí, uma carona, um beijo soprado

O último pedaço de pizza, a bala de hortelã passada num beijo,

A cerveja gelada e espumando, a coca com limão,

Um mingau de fubá com queijo, chá de capim cidreira, chuva no telhado, 

A leveza e o prazer de uma taça de vinho ou champagne,

Mensagens e SMS de carinho e cuidado,

Um abraço na pontinha dos pés que aperta o corpo e o coração…

Cada coisa nos remete a alguém…

Lembranças se associam às pessoas que foram importantes. 

Memórias que veem à tela da mente a qualquer hora e se fazem saudosas e eternas…

Alda M S Santos

Memórias

MEMÓRIAS 

Somos uma caixinha de memórias e lembranças

Todas bem guardadinhas!

Há uma certa ordem nessa arrumação.

A cada vez que uma delas é lembrada e revivida, ela fica por cima, na superfície.

Como numa busca virtual, mais fácil de ser acionada.

Aquelas que quase nunca mexemos ficam lá no fundo, últimas.

Quanto mais se mexe, mais se lembra.

Quanto mais se lembra, mais se vive. 

Daí a importância de lembrarmos das coisas boas.

Momentos de alegria e vitórias,

Lembranças de amor e prazer,

Períodos de amizade e carinho…

Instantes de abraços apertados e sorrisos falantes…

E estaremos formando novas boas lembranças.

Deixando as dores, medos e traumas submergirem.

Quando assustarmos, as coisas negativas quase não virão à tona.

Estarão no fim da busca, no fundo da caixa,

Sufocadas pelo poder da alegria e do amor. 

Um domingo frio, neblina, amor e cobertor,

Um sábado de sol, clube e amigos 

Ou uma segunda-feira de cansaço, risadas e trabalho,

Se tornarão deliciosas rotinas reais e da memória.

Se a busca na caixinha for feita com alguém que se ama, mais rica ela será.

Alguma lembrança boa?

Alda M S Santos

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