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Cicatrizes

CICATRIZES

Cicatrizes carregam consigo uma trilha

Um caminho a lembrar do percorrido até ali

Caminho que nela teve fim

Da cicatriz para trás, o vivido, vencido, curado

Da cicatriz em diante nada há, exceto expectativas

Dali para a frente, novas trilhas, novos caminhos

Independentes do caminho anterior

As feridas passadas deixaram a marca

Mas não é ela que irá determinar para onde ir

Novos caminhos, novos aprendizados, novas feridas ou cicatrizes

Ou não!

É preciso seguir para descobrir …

Vamos?

Alda M S Santos

O tempo cura?

O TEMPO CURA?

O tempo não cura nada

Ele passa, passa, e algumas coisas ficam mais leves

Ele, sabiamente, nos permite cobrir as feridas

Com uma grossa cicatriz de proteção

Perdem o tom vermelho brilhante

Tornam-se mais rosadas até quase parecerem sumir

E ela fica ali para ser vista e relembrada

Algumas cicatrizes todos podem ver

Outras, são muito internas

E só quem as possui tem acesso

Ficam escondidas atrás de sorrisos

De uma alma que se doa, de mãos que trabalham

O tempo não cura!

O tempo nos ensina a lidar com o que não tem cura

O tempo nos permite olhar para as cicatrizes

E retirar dali aprendizado em meio ao que já foi dor aguda

O tempo pode até nos ajudar

A fazer de uma cicatriz algo novo, útil e belo

Uma obra de arte que merece ser vista por todos

Cada qual lida do seu jeito

Com as feridas, o tempo e suas cicatrizes

Tornando-os aliados ou adversários…

Alda M S Santos

Ferida

FERIDA

Aquela ferida que todos carregamos

Causada por um machucado doloroso

Relíquia de um tombo inesquecível

De bicicleta, da escada, do galho de uma árvore

De um sonho, do alto de uma esperança, de uma ilusão

Escorregando de um colo ou despencando de um coração qualquer

Ferida que está disfarçada, coberta por uma cicatriz

Para não chamar a atenção dos curiosos

Para não assustar os mais sensíveis

Para que se evite cutucar

Para que não sangre tudo outra vez

Para que cure, se cure, se cuide

Cicatrizes servem para nos lembrar que sobrevivemos

E que saudade é a bonita cicatriz da vida que doeu, sangrou

Que nos ensinou pela alegria e pela dor

Que ela pode ser bela

Mesmo com nossos machucados…

Alda M S Santos

Cacos de histórias

CACOS DE HISTÓRIAS

Tem histórias que são tão bonitas

Tão verdadeiras, tão intensas, tão profundas

Que até seus cacos são arredondados, não ferem

Acariciam…

Tem histórias que são tão tristes

Tão amedrontadoras, tão surreais

Que mesmo inteiras ferem, cortam, machucam, sangram

Agonizam…

Nosso trabalho é descartar os cacos

Ou ir aparando os mais pontiagudos para não sermos feridos de morte

Quando não for possível jogá-los no lixo…

Nossas vidas viram de uma página para outra

De um capítulo para outro

E vamos interagindo entre eles

Bem ou mal

Dando nosso melhor, leais, sinceros, verdadeiros

Até o epílogo…

Alda M S Santos

Feridas abertas

FERIDAS ABERTAS

Aquela ferida profunda no dedo

Machucou fundo, doeu, sangrou muito

Ora fratura, atinge nervos importantes

Limpamos, higienizamos, medicamos, repousamos

Isolamos como podemos do ambiente externo

Por vezes são necessárias suturas, enfaixamento para fechamento e cura

E ausência de limitação de movimentos e cicatrizes grandes posteriores

Mas tudo parece atingi-la em primeiro lugar

O dedo ferido “chama” para si todo atrito

Encosta em tudo que atiça novamente a ferida

E, frágil, sequelado, sangra novamente…

Algo em nós que foi machucado ou ferido

Sempre será frágil, sempre terá marcas profundas

Sempre necessitará de cuidados especiais e controle

Sempre será atingido por coisas aparentemente banais

Vale para feridas da carne, do coração, da mente ou da alma…

Alda M S Santos

Golpes

GOLPES

Golpes: ensinamentos que só compreenderemos 

A importância, o valor, a necessidade,

Quando nos levantarmos e olharmos para trás,

E vermos que, apesar de terem machucado muito e não doerem mais, 

Nos tornaram quem somos:

Mais fortes, mais resistentes, mais sábios,

E, quem sabe, até mais felizes?

Enquanto isso, é se firmar e aguardar,

A sucessão de golpes se esgotar, 

Tal qual flor que tudo recebe e sempre volta a brotar, a encantar…

Alda M S Santos

Não há vacinas!

NÃO HÁ VACINAS!

Entre tantos os machucados e feridas

Das mais superficiais até as mais profundas

Daquelas que ficam secas até as que mais sangram

Das que causam dor aguda ou crônica

Que precisam suturas ou anestesias

Que causam pranto ou, num canto, solidão

Além do medo de se machucar novamente

Entre todos eles, o machucado mais doloroso

A ferida mais difícil de cicatrizar

Que demanda mais tempo e coragem

É aquela causada pelo (des) amor

Simplesmente, porque é de onde a gente menos espera o golpe

Pega-nos desprevenidos, distraídos, confiantes.

Aí atinge fundo, rasga, mutila, deixa marcas, cicatrizes.

Mas quando se convalesce, se recupera, fica mais forte

E recomeça tudo… Novos riscos!

Contra o (des)amor não há vacinas!

Alda M S Santos

Asas Quebradas

ASAS QUEBRADAS
Para que existem os anjos, as borboletas, os beija-flores,
Esses lindos seres alados, leves, coloridos e delicados?
Certamente para encantar, enriquecer, embelezar nossas vidas
Trazer leveza, tranquilidade, despertar a paz…
Mas o trabalho deles nem sempre é fácil
Há terrenos áridos e duros, que se esqueceram há tempos
Como é estar irrigado, arado, preparado para aquecer a semente
Gerar um broto de vida…
Mas chega o momento em que as asas deles se quebram,
Perdem a capacidade de flutuar em torno de nós,
Acompanhar nossos passos, nosso crescimento
Estimular, acreditar, encantar.
São fortes em sua singeleza e delicadeza,
Firmes em sua leveza e propósito encantador
Mas também eles podem se machucar
Ferir-se nas e pelas feridas de seus encantados
E precisar de um repouso para tratar e cicatrizar suas asas
E retornar à vida.
Com novo encanto, nova leveza, novas cores…
Pois anjos, borboletas e beija-flores nunca deixarão
De cumprir seu propósito de amor.
Alda M S Santos

Processo de Cura

PROCESSO DE CURA

Todos sabemos o quanto dói uma ferida aberta

Um mal ativo, em fase crítica, aguda.

Todo cuidado é pouco para evitar uma patologia permanente.

Precisamos limpar, fazer curativos, trocá-los

Usar cicatrizantes, anti-inflamatórios, antibióticos…

Nessa fase vai doer muito, sangrar.

Não podemos ser masoquistas e ficar cutucando.

Serão necessários técnica e perícia ao tocar.

Depois seca, cicatriza, fica uma marca e apenas uma lembrança.

Porém, se não se passar por esse processo de cura,

O mal pode se tornar crônico e sofrermos com ele a vida toda.

Com os males emocionais dá-se o mesmo.

Ferida aberta na alma não se mexe, se trata.

Com medicamentos ora suaves, ora fortes, 

Com amor, com carinho, com perseverança.

Com amigos, com família, com fé.

Leve o tempo que levar,

As cicatrizes deixadas nos lembrarão que superamos.

Pode ser que se torne um mal crônico

Daqueles que tenhamos que aprender a conviver

Como uma hipertensão ou uma saudade

Que exige tratamento de controle a vida toda.

Vez ou outra se tornam ativos, agudos e exigem de nós força

E medidas à altura.

Assim são os males crônicos.

Assim é a vida…

Alda M S Santos

Cicatrizes

CICATRIZES

Sempre tidas como feias, indesejadas, até mesmo repulsivas, as cicatrizes podem despertar vários sentimentos. Tudo vai depender do nosso olhar. 

As cicatrizes são o que sobra após a cura de uma ferida que outrora esteve aberta, machucou, sangrou, doeu. 

Receptivos, aceitamos os cuidados, carinhos, lavamos, colocamos antissépticos, curativos, pomadas. Aguardamos a cura. 

Ela vem lentamente, até sobrar aquela marca mais forte ou uma simples linha tênue. 

Posteriormente, olharemos para ela e lembraremos de algo superado. 

Por que agimos diferente quando a ferida é no coração, na alma? 

Ela machuca, dói, sangra, gera lágrimas, tristeza, decepção, isolamento, até mesmo revolta. 

Por que nesses casos, diferentemente da ferida no corpo, nem sempre aceitamos ajuda, queremos resolver sozinhos, forçar e apressar a cura, ou ficamos cutucando a ferida, remoendo, dificultando a cicatrização? 

Quando a ferida for na alma, como no corpo, precisamos aguardar a cura vir aos poucos, de dentro para fora. Forçar a cicatrização de fora para dentro a tornará frágil e com risco de reabrir. Ferida reaberta é mais difícil de curar. E deixará uma cicatriz bem maior. 

Além disso, é fundamental que aceitemos as “pomadas”, os “curativos”, os “antissépticos” dos amigos. Claro que respeitando nossos limites e necessidade de tempo conosco mesmos.

Sempre é valioso lembrar que feridas e cicatrizes formam-se apenas em quem correu, subiu, caiu, amou, se arriscou, se decepcionou. 

Cicatrizes na pele são pequenas marcas…

Cicatrizes da alma são as saudades…

Ambas devem ser vistas como marcas de quem viveu e venceu…

Alda M S Santos 

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