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Amizade

Entre eles

ENTRE ELES

Estar entre, no meio, comprimida, espremida

Mesmo com todas as habilidades adquiridas

Nunca é confortável!

Ora é o amor que espreme, ora é a dúvida,

As cobranças, ou a insensatez que comprimem.

Num puxa e repuxa, evita tomar partido

Maleável, flexível, resiliente, tenta sempre

Dialogar, falar, pedir com os olhos

Com as palavras, com os gestos,

Com o silêncio, com as lágrimas…

Ainda que tudo que precise e queira

Seja fazer parte, manter as partes unidas.

Mas se fere, se cansa, se machuca,

Dói!

A cada ferida que cicatriza sai mais forte.

Qual é o saldo?

O quanto perde de si mesma?

Será que sai mais feliz?

Alda M S Santos

Confiança

CONFIANÇA

Um dos vários sentimentos aliados do amor e da amizade: a confiança.

Ela que nos dá a leveza, a tranquilidade, a paz

A certeza de podermos ficar “nas mãos” do outro e não nos decepcionarmos

Saber que aquele amigo, aquele amor, aquele familiar

Sempre irá nos defender, acreditar em nós, na nossa índole. 

E, mesmo que não concorde conosco, estará do nosso lado nos ajudando.

Quantos de nós podemos encher duas mãos de pessoas de confiança?

Para confiar no outro, precisamos confiar em nós mesmos.

É uma dádiva confiar, ser de confiança. 

Quem confia é mais leve, mais feliz!

“Você pode ser enganado se confiar demais, mas viverá atormentado se não confiar o suficiente”. (F. Crane)

Alda M S Santos

Entrega

ENTREGA 

A maioria de nós é muito dona de si mesma.

Autoconfiante, sabe de seus próprios valores, não se deixa intimidar facilmente pela opinião alheia. 

Muitas vezes tida como uma qualidade, pode vir a se tornar um limitador de alegrias, de prazer, de vida.

Os autoconfiantes têm muita dificuldade para confiar em algo além si mesmos. 

Normalmente, os donos de si não adquirem a capacidade de entrega, tão necessária em momentos de prazer, de êxtase.

Fechados em si mesmos, incapazes de se abrir, impedem que o outro chegue, se aproxime, entre.

Acreditam ser um ato de fraqueza precisar ou depender do outro.

Temem se expor à avaliação, à crítica, à dor.

Pode também ser o contrário. Autoestima tão baixa que preferem não se arriscar. 

Um pouco de autocuidado e autopreservação não fazem mal a ninguém.

Porém, uma das maiores alegrias da vida consiste em compartilhar o que temos, o que somos…

Entregar-se, abrir-se para o outro, para o mundo, para a vida pode realmente trazer dores, mágoas e decepções, mas também traz muito amor e alegrias.

A outra alternativa pode ser tranquila demais, morna demais, uma quase morte, uma semivida.

Que tenha sorrisos e lágrimas, amor e decepções…

Que tenha vida!

Alda M S Santos

 

Fim

FIM

Se existe algo pelo qual ninguém passa inerte, incólume, é o fim.

Qualquer fim. Coisas maravilhosas ou coisas ruins.

Sempre deixarão um vazio, um vácuo, algo a preencher.

Um trabalho cansativo ou prazeroso, o curso na faculdade, 

Uma amizade espontânea, uma visita inesperada,

Um amor possessivo, impossível ou irreal,

Uma viagem na imaginação, um sonho, uma esperança, uma expectativa…

Quanto maior o espaço ocupado em nós, 

Quando chega o fim, 

Maior será o vazio, maior a necessidade de preenchimento.

Não precisa ser ruim, é preciso saber lidar com os finais.

Alguns ofendem, magoam, maltratam, ameaçam,

Decepcionam, morrem, matam, deixam de viver.

Muitas vezes algo que foi prazeroso, vivo, verdadeiro, mas que mudou,

É jogado no mesmo lixo, sem coleta seletiva, tudo no pacote do fim.

Urge saber que há “lixos” aproveitáveis, 

Particularmente o que envolve sentimentos.

Sentimentos se transformam e o fim pode ser apenas um recomeço.

Basta fazer uma boa reciclagem, reduzir a bagagem, reutilizar, reaproveitar

Manter um bom foco e voltar a viver.

Alda M S Santos

Please, dont’go!

PLEASE, DONT’GO

Bastaria uma análise preliminar

Para percebermos quantas pessoas perdemos ao longo da vida. 

Muitas se foram de nosso convívio…

Independente do motivo, fizeram falta.

Pessoas importantíssimas:

Um amigo da infância, 

Do amanhecer ao anoitecer.

Amigos/irmãos da adolescência,

Que aturavam nossas paixonites e segredos.

Colegas de faculdade, namorados grudados.

Amigos de todas as horas.

Pais, irmãos, cônjuge, filhos, familiares…

Quantos foram?

Imaginávamos o afastamento?

Que um dia não contaríamos mais com eles? 

Se tivéssemos pedido, teriam ficado? 

Quisera poder revisitá-los.

E aqueles ao nosso redor hoje?

Por quanto tempo ficarão? 

Ou também se perderão no tempo, nas lembranças? 

Qual a finalidade de cada um deles? 

Será que já vêm com tempo pré-estabelecido? 

Ou se pedíssemos,

Please, dont’go!

Eles ficariam?

Alda M S Santos

Sorrisos

SORRISOS

Há sorrisos de todo tipo:

Sorriso tímido, olhar baixo, inseguro

Sorriso amarelo, sem graça, envergonhado

Sorriso largo, sem censura, contagiante

Sorriso triste, sofrido, saudoso

Sorriso falso, que repele

Sorriso nervoso, tenso, preocupado

Sorriso sensual, que atrai,

Sorriso com os olhos, que traz a alma junto e nos cativa

Sorriso carinhoso, solidário, amigo, que conforta 

Sorriso de amor, que vem do coração e nos abraça forte.

São sorrisos…Todos.

Distribuímos os nossos criteriosamente

Recebemos dos outros, nem sempre como gostaríamos.

De qualquer modo, já dizia o poeta:

“Não que a vida esteja assim tão boa,

Mas um sorriso ajuda a melhorar…”

Que sejamos mais democráticos ao distribuí-los e recebê-los.

Alda M S Santos 

Amizade

AMIZADE

A cada vez que estamos juntas

O sorriso flui solto

A gargalhada não é contida 

As conversas ora são sérias

Ora amenas, ora divertidas

A preocupação com as outras é sincera

A disposição para ajudar, idem. 

Desejo de estar sempre perto

Trocar ideias, ver que nem tudo é tão sério

Encontrar juntas uma saída 

Há simplesmente um prazer incomparável em estar juntas

Em fazer parte da vida da outra 

Amizade é isso…

Ter a certeza que não foi por acaso que Deus nos aproximou. 

Amo minhas amigas! 

Alda M S Santos

De tudo um pouco

DE TUDO UM POUCO

Nem sempre podemos tudo

Tampouco teremos tudo

A sabedoria do viver

Está em extrair de cada porção

O que de melhor ela pode nos oferecer

É saber ver além da embalagem

É “arrombar” paredes invisíveis.

A doçura da amizade é absorver 

O que se apresenta nas mínimas coisas

É oferecer nosso diferencial para que o outro se complete 

A magia do amor consiste em 

De todos os poucos que se tem, 

De todas as flores e brilhos que se obtém

Inclusive das pedras, construir nosso castelo 

E fazer o nosso tudo! 

Alda M S Santos

Digo sim

DIGO SIM

Digo sim para a luz do alvorecer

Para os recomeços e também

Para os tropeços que nos guiam o caminhar 

Digo sim para a chuvinha fina e constante que irriga 

E, pacientemente, abastece lençóis freáticos,

Digo sim para as tempestades, raios e trovões

 Que nos amedrontam, alertam e encantam.

Digo sim para o amor

Para as alegrias que proporciona

E também para a dor que venha a causar.

Dor que nos faz crescer, avaliar e ser melhores a cada dia. 

Digo sim para vocês

Que caminham comigo e enchem meus dias de emoção e carinho.

Digo sim para a saudade, o prazer revivido em cada lembrança

Saudade que abastece nossa alma daquela dorzinha profunda que diz:

Valeu a pena, eu vivi!

Alda M S Santos

O que cresce? 

O QUE CRESCE? 

Tudo, tudo mesmo nasce pequenininho. Começa com uma semente, uma raiz, galhos, folhas, frutos…

Até virar uma frondosa árvore, linda, desejada ou não, difícil de conter. 

Às vezes nasce o que não plantamos, mas para crescer é preciso regar, adubar, cuidar. 

É assim com plantas benéficas, mas com as daninhas também. 

Não é diferente com as situações, com os sentimentos, nossas vivências.

Aquela depressão começa com uma tristeza, aquela doença com uma febre, aquela apatia com uma simples preguiça, aquela raiva com uma mera implicância, aquela aversão com uma pequena antipatia, aquela amizade com uma atenção, aquela desconfiança com um leve ciúme ou insegurança, aquele amor com um carinho desinteressado. 

É preciso que estejamos atentos para regar, adubar e alimentar em nós somente o que queremos que cresça, tenhas fortes raízes, troncos firmes, lindas flores, frutos saborosos…

Depois da árvore frondosa, cultivar é fácil, cortar torna-se muito mais complicado. Arrancá-la causa danos ao terreno, ao seu entorno, a outras árvores e seres viventes, e sempre deixa marcas insuperáveis. 

Cuidemos do que andamos cultivando em nós! 

Alda M S Santos 

Só tem amor quem sabe amar “

“SÓ TEM AMOR QUEM SABE AMAR”
Quantas vezes na vida nos entristecemos, choramos, lamentamos um amor ofertado e não devidamente recebido, valorizado ou correspondido? Isso nos acontece desde a infância, quando nosso amigo preferido escolhe brincar com outro e ficamos emburrados.
Aprendemos? Não. Apenas aprimoramos o modo de lidar com a dor e a frustração para que não nos derrube.
Disfarçamos, buscamos outros interesses, olhamos para frente, tentamos ignorar aquela angústia lá no fundo de nós e partir para outra.
Por isso tantas pessoas mudam, tornam-se amargas, fechadas, desconfiadas, inseguras, resistentes ao amor e às demonstrações de carinho e afeto. É a autoproteção.
Outras, porém, permanecem do mesmo jeito. Amam, se entregam, demonstram carinho, são sinceras, sensíveis.
Não importam os envolvidos no ato de amar: entre pais e filhos, entre irmãos, entre amigos, entre casal.
Até podem sofrer por um tempo, mas percebem, sabiamente, que quem ama nunca perde. O amor é sublime, soberano, mágico. Quem o sente é privilegiado. Quem não soube receber é que ficou no prejuízo.
Nunca lamentemos por amar! A vida sem amor é vazia e seca. Não tem cor nem brilho. Amor é bumerangue! Amor se autoabastece. Quem não ama não sabe acolher o amor que bate à sua porta.
“Só tem amor quem sabe amar”!
Alda M S Santos

Não basta

NÃO BASTA

Não basta olhar, tem que enxergar além, sorrir, encantar.

Não basta tocar, tem que fazer sentir, arrepiar.

Não basta falar, tem que dizer algo que emocione, saber silenciar. 

Não basta abraçar, é preciso enlaçar a alma com doçura, aquecer.

Não basta beijar, é preciso trocar bons fluidos, mergulhar.

Não basta provar o amor, é preciso despertar o amor no outro…

O amor que caminha lado a lado, no mesmo compasso e sintonia, se basta…

Alda M S Santos

Nosso Jardim

NOSSO JARDIM
Quando não conseguir enxergar a beleza ao seu redor, procure-a, primeiro, em seu interior.
Ainda que não a sinta, não a veja.
Entre, sente-se em seu jardim íntimo, retire as folhas secas, afofe a terra, mude algumas flores de lugar, pode alguns galhos, retire as ervas daninhas, regue, acaricie… Reaproveite a terra, misture-a com as folhas velhas que virarão húmus.
Quase nada se perde em nosso jardim íntimo!
Abra espaço para pássaros, beija-flores e joaninhas.
Não se preocupe com as lagartas, elas logo serão lindas borboletas!
Ame! O jardim de sua alma é miniatura do jardim do mundo!
Quando seu jardim secreto estiver bem cuidado, você abrirá espaço para os encantos dos outros e conseguirá admirar o grande jardim da Criação que o cerca!
Alda M S Santos
Bom diaaa!

Há receitas?

HÁ RECEITAS?

Para estar de bem com a vida
Não há receitas, não há tutoriais.
Cada pessoa exige ingredientes diferentes
O “ponto” de cada massa é diverso
O tempo que se leva para “assar” é variável
Mas há ingredientes que são unanimidade:
Boas companhias, um lugar agradável e Deus.

Alda M S Santos

Sou criança

SOU CRIANÇA

Há pessoas que têm ímã com crianças. Em qualquer lugar que estejam sempre notam algum “pequeno” a observando curioso. Retribuem com um sorriso, um alçar de sobrancelhas, um sorriso. É o bastante! Logo, a criança já está puxando assunto, sorrindo, brincando, quando não está no colo recebendo cócegas, sendo lançada ao alto ou brincando de esconde-esconde.

Pessoas assim costumam ser mais espontâneas, sinceras, transparentes. E a criança, muito sensível, percebe.

Criança é como bicho, sem ofensa a nenhum dos dois. Ambos são capazes de ter um “faro”, uma percepção maior para sentir o que vai no coração do outro, a essência contida na alma.

Em contrapartida, há pessoas que são resistentes às crianças, muito sisudas, fechadas, não apreciam a energia e o barulho da infância e acabam se afastando delas. A meninada percebe e não se aproxima.

E quem fica no prejuízo é o adulto, pois perde a oportunidade de renovar-se, física, emocional e psicologicamente através desse convívio.

O que acontece na verdade é que algumas pessoas mantêm a alma infantil. Crescem, amadurecem, mas a emoção é de criança. Não foram cerceadas, enquadradas num padrão social limitante, cruel e nada original.

São de sorrisos largos, abraços apertados, beijos melados, coração doce, alma apaixonada.

Para elas, a vida é um grande parque de diversões e estão aqui para se esbaldar. Procuram sempre o lado brinquedo das coisas: a bola, a corda, a boneca, a bicicleta, o esconderijo. Podem cair, se esfolar, chorar… Pedem um beijinho para sarar e voltam à brincadeira.

Nesse “Dia das Crianças”, que tal nos permitirmos sermos mais crianças? Qualquer dor muscular ou de coluna será apenas efeito colateral, incapaz de eliminar o benefício desse medicamento para a emoção.

Vamos lá?

Feliz “Dia das Crianças” que fomos, somos ou gostaríamos de voltar a ser!

Alda M S Santos

 

Acertando o passo

ACERTANDO O PASSO
Olhar sempre pra frente
Para onde queremos ir
Algumas vezes, olhar para trás
Para aproveitar o que foi bom e descartar o que não valeu a pena.
Mas, sobretudo, olhar para o lado
Para amar, valorizar e acertar o passo
Com quem caminha conosco
Sendo o amor e amizade no momento,
Ou todo o tempo…
Alda M S Santos

Disque Emergência

DISQUE EMERGÊNCIA
Temos números de emergência para quase tudo: SAMU, Polícia Militar, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Procon, Direitos Humanos, Delegacia da Mulher, Hospitais e tantos outros.
Mas e se a nossa emergência for mais íntima: uma alegria extrema, uma novidade deliciosa, uma dor profunda, uma saudade doída, um amor proibido, uma decepção tremenda ou uma simples vontade de dar um abraço? Qual número discamos? Quem atende nossas emergências cotidianas?
Quanto mais “códigos numéricos” tivermos a quem recorrer, melhor estaremos servidos.
São, os donos desses números, as preciosidades de nossas vidas. Nosso refúgio, nosso colo, nosso aconchego, nosso porto seguro.
A elas devemos nossa gratidão e amor incondicionais todo o tempo, principalmente àquela cujo código para a acionarmos é a oração: Deus.
Àqueles que atendem minhas emergências diárias, todo o meu carinho e amor.
Bom dia!
Alda M S Santos

O som do silêncio

O SOM DO SILÊNCIO
O som mais alto que existe é o do silêncio. Sim! A frequência de seus decibéis não é para qualquer audição! É preciso, além dos sentidos usuais, um sexto sentido para ouvi-lo!
Quando o silêncio fala, ele isola tudo dentro da gente. Forma-se um vácuo. Nosso interior parece oco. O eco é constante. Tudo é mais!
Nossa sensibilidade fica à flor da pele, da audição, da visão. Percepções fora de nós são potencializadas.
O som das folhas que pisamos arranha os tímpanos. O brilho do sol arde por dentro. A aspereza das palavras machuca. O olhar frio fere. Uma música fala.
E isso extravasa em nossos poros, em nosso olhar, em nosso silêncio.
Poucos percebem, pois o sentido mais apto a ler o silêncio é pouco usado, vem da alma. É ele que capta essa sensibilidade exacerbada, essa tristeza calada, essa angústia que aperta, esse grito que reflete no olhar num mudo pedido de socorro, no modo de andar, no sorriso sem brilho, nas palavras forçadas, nas lágrimas contidas.
Quase sempre esse silêncio é rompido quando encontra quem o lê, para além das palavras não ditas.
Quem lê o silêncio, sabe que não precisa falar. Palavras são desnecessárias. Os olhares se entendem. Um abraço sela o acordo: estou aqui!
Alda M S Santos

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