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poemas e reflexões da vida cotidiana

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tristeza

Olhem para mim!

OLHEM PARA MIM!

Olhem para mim!

Gritava o jovem sequestrador no ônibus

Gritava a garota morta pelo namorado

Gritavam os jovens LGBTs surrados até morte

Olhem para mim!

Gritavam os idosos torturados em lares

Gritavam os indígenas outra vez roubados

Gritavam as crianças abusadas por familiares

Olhem para mim!

Cada qual com seu jeito de gritar, de protestar

De querer ser visto, respeitado

Mesmo que na depressão, no silêncio, na solidão

Descaso mata, indiferença mata, exclusão mata

Olhem para mim!

Agora grita um país de medos

Grita um país que queima suas matas

Que mata seus jovens, suas mulheres, seus negros

Seus homossexuais, suas crianças e idosos

Grita um país que mata o futuro da humanidade

Olhem para mim!

Quando iremos ouvir???

Quando iremos agir???

Socorro!!!

Alda M S Santos

Tá triste?

TÁ TRISTE?

Tristeza que ameniza com um abraço desinteressado

Numa manhã com eles, aprendendo como se faz um bom queijo

Amenizando conflitos “infantis”

Acalmando uma lindeza que queria dar chinelada na cuidadora que furou seu bumbum

Batendo um bom papo, rindo, dando atenção

Oferecendo e recebendo carinho

E ouvindo aquela idosa que diz que abraço de outra mulher dá choque dizer:

“Pode abraçar, você está cheirosa, e seu abraço não me dá choque”

Riu muito quando respondi: “será que estou virando homem”?

“Então tire esse vestido bonito”!

Eles me fazem muito bem!

Qualquer tristeza ameniza ao estar com gente que precisa da gente…

Alda M S Santos

Angústia

ANGÚSTIA

Peito apertado, vontade de ficar apenas deitado

Ou sair de cena, desligar por uns tempos, hibernar

Sensação de angústia, vontade de chorar…

Quantas vezes nos sentimos assim

Sem sequer saber exatamente quais os reais motivos, as razões?

Os modos de lidar conhecidos não funcionam

Ler, escrever, assistir filme, dormir, ouvir música…

Quando conversar com alguém, rezar, ajudar os outros, pouco auxiliam.

Tudo parece fora de lugar, desconectado!

Lá fora parece tão grande, mas não nos cabe

Cá dentro está apertado e nos machuca…

Queremos apenas um cantinho na nossa medida

Que tenha chuva e tenha sol,

Que tenha lágrimas, mas também tenha sorrisos

Que tenha Deus, prazer de viver

Que tenha quem nos ame,

Que tenha quem amamos

Que a gente se encontre de novo nessa nau…

Alda M S Santos

Quando?

QUANDO?

Quando um mal agudo se transforma em crônico?

Quando não dói mais ou quando aprendemos a conviver com a dor?

Quando a tempestade passou?

Quando limpamos a sujeira e estragos ou quando conseguimos admirar o arco-íris que surge?

Quando uma ferida curou?

Quando não deixou marcas ou quando restou uma cicatriz que não mais sangra, mas está ali?

Quando um monstro não mais assusta?

Quando ignoramos sua presença no escuro da noite

Ou quando de peito aberto o enfrentamos e dizemos

“Sou real e, mesmo com medo, sou mais forte que você”!

Quando?

Alda M S Santos

Quantas vezes?

QUANTAS VEZES?
Quantas vezes nos doamos?
Quantas vezes sorrimos para o outro para alegrá-los
Abraçamos alguém para acalentá-los
Dizemos palavras encorajadoras para animá-los
Damos atenção, carinho, silenciamos, para compreender a dor
Cedemos ao outro nossos ombros, nosso colo, nossa presença para secar lágrimas,
Se tudo que queremos e precisamos é de alguém
Que nos sorria, nos abrace, nos diga palavras sábias
Nos encoraje, nos dê atenção, colo, presença, amor…
Ou apenas silencie e acalme nossas angústias?
Quantas?
Exatamente o mesmo número de vezes
Que, ao nos doarmos, acabamos por receber muito em troca…
Quantas vezes?
Não sei! Sei que todas valeram cada segundo!
Alda M S Santos

Quando tudo dói

QUANDO TUDO DÓI

Há dias em que tudo dói

Até cabelos e ossos

Partes que dizem ser desprovidas de sensibilidade

Por não terem terminações nervosas

Mas quando sentimos dores que não identificamos,

Tudo parece doer!

Normalmente são dores que vêm lá de dentro

Alguma questão mal resolvida dentro de nós.

Qual o remédio? Qual a cura?

Silêncio e oração, família e amigos,

Independente da ordem em que apareçam para nós,

Ou que tenhamos que buscá-las!

Simplesmente, precisamos…

Alda M S Santos

Perdas

PERDAS

Sempre sabemos lidar com perdas: as perdas alheias.

Para elas sempre temos algo a dizer, a aconselhar.

Mas quando a perda é com a gente, tudo muda de figura.

Não importa que tipo de perda seja: material, pessoal, humana…

Sempre irá doer, sempre irá machucar!

Perde-se emprego, casa, saúde, animais de estimação,

Amigos, familiares, amores…

Perde-se a paz, o sossego, a fé, a alegria!

Por que nunca somos ensinados a perder?

A família, a escola, a igreja, todos nos ensinam a conquistar.

Isso porque a teoria da perda de nada vale!

E, quase sempre, é essa teoria que passamos para os amigos “perdidos”.

Mas somente quem vivencia a perda é capaz de aprendê-la na prática.

Aprende-se a perder, perdendo: chorando, gritando, se recolhendo, sofrendo.

Não é lição que se ensina, é lição que se aprende só!

E o tempo que leva para se recuperar,

Depende do modo de ser de cada um.

Alguns rapidamente superam, esquecem, e a vida segue normal.

Outros demandam muito mais tempo, muitas lágrimas, muita tristeza…

Respeitar o próprio jeito, a própria dor, é fundamental no processo de cura!

Alda M S Santos

Minando

MINANDO

Algumas coisas têm o dom de nos minar as forças

De sugar nossas energias, de nos deixar no caos:

Dores físicas nos tiram o foco, o raciocínio,

Sustos nos atropelam, nos lançam fora de órbita,

Sorrisos excessivos nos mantêm na “alegria” forçada,

Lágrimas intensas ou represadas nos deixam secos, apagados,

Dores da alma são capazes de nos lançar no fundo do poço.

Mas, tudo isso, se bem trabalhado e respeitando o tempo de cada um,

Pode ser extremamente benéfico e trazer nova luz e alento.

Afinal, somos baldes nessa vida: um eterno descer e subir de poços.

Alda M S Santos

Bomba-relógio

BOMBA-RELÓGIO
Vida contada, morte anunciada
O que é viver sob uma espada
Na expectativa do fim, e nada temer?
Tantos vivem assim, esperando apenas 
Que o relógio chegue a 00:00:00
Se dói, a dor irá embora.
Não temer o fim é sinal que a vida valeu
Ou que de nada vale?
Alívio total!
Alda M S Santos

Quarto vazio

QUARTO VAZIO

Um quarto vazio a mais na casa

Um espaço “desocupado” na alma

Daqueles desocupados que ocupam muito espaço

E que parecem estar mais cheios que os demais.

Um quarto vazio a mais na casa

Um quarto vazio dentro de mim

Olho para ele, fecho a porta, prefiro não ver.

Dói menos.

Olho novamente, sou atraída,

Abro a porta, entro, sento na cama,

Relembro, sorrio, é bom, saudades…

E choro. Dói também.

Qualquer espaço vazio é muito ocupado

Preenchido por inúmeras lembranças.

Tatuadas na alma da gente

No quarto vazio dentro de nosso coração.

Alda M S Santos

Dores

DORES

Uma sombra escura, uma luz que não clareia,

Um sorriso que não ilumina, uma palavra que nada diz,

Uma fome insaciável, uma sede não identificada,

Um silêncio inoportuno, uma distância forçada,

Uma mágoa contida, um olhar apagado,

Um amor não correspondido, um desejo represado,

Um sonho tão sonhado, não realizado,

Um tempo tão longo, tão improdutivo,

Uma realidade dura, crua, não digerível,

Uma esperança que morre, por fim.

Ausências, ausências, ausências…

Uma energia que se esvai e se esgota,

De onde tudo deveria brotar…

Alda M S Santos

Atropelados pela vida

ATROPELADOS PELA VIDA
Tantas vezes somos atropelados pela vida. Caídos, outros “veículos” ainda passam por cima, caçoam, “filmam”, chutam cachorro morto. Quando tudo que queremos é um jornal para nos cobrir!
É, a vida pode ser cruel, às vezes. Imunidade baixa, todos os nossos monstros internos ganham força. Por isso parece que tudo vem ao mesmo tempo: desemprego, desilusão amorosa, brigas familiares, saúde frágil, caixa em baixa, amigos ausentes…
Pensamos em desistir… Entregar os pontos, jogar a toalha, aceitar o game over.
Tudo torna-se seco, cinza, sem vida! Fechamo-nos para o mundo.
Aí aparecem as almas caridosas com os velhos conselhos: vai passar, sacode a poeira, levante-se, chorar não vai adiantar…
E nossa vontade é gritar: pare, deixe-me com minha dor! Eu quero chorar, quero me entregar, quero ficar afundado nesse sofá por quanto tempo me aprouver!
Esse momento de “luto” é importante. Nele processamos o que perdemos, o que restou, o que devemos buscar. Fazemos nosso balanço interno antes de reabrir as portas para o público.
E nossa força, aos poucos, ressurge. E vai crescendo.
De onde vem essa força? O que a aciona? Quem dispara esse gatilho?
Cada um é cada um, mas vamos aprendendo técnicas para lidar com o sofrimento. Cada qual busca a sua: família, leituras, passeios, atividade física, chocolate, músicas, orações…
Duas ajudas são fundamentais e universais.
Primeiro: os amigos, aqueles mesmos, os dos velhos conselhos. Não sejamos tão duros com eles, não fazem por mal, do seu jeito, querem apenas ajudar.
Segundo: Deus. Ele é um só e olha por todos, independente do tamanho do nosso problema. Se nos incomoda, se pedirmos, Ele nos ajuda e nos atende.
Quando estivermos derrubados no meio da estrada, mesmo que seja difícil, tentemos lembrar disso. Pode diminuir o período de luto e irrigar a força. Ela brotará mais rapidamente.
Alda M S Santos

Quero ficar aqui!

QUERO FICAR AQUI! 

Ah, quero ficar aqui. 

Coração angustiado, cabeça pesada, corpo dolorido, vontade de hibernar como um urso. Tempo indeterminado.

É preciso que o desejo de nos “levantarmos” apareça primeiro no coração, na mente, para que o corpo obedeça.

Vontade de ficar aqui! 

Por quê? Sei lá! 

Ignoro o -“Vamos, um lindo dia te aguarda lá fora!”- que ouço de uma vozinha interior. 

Quero o direito de me entristecer, de chorar, de me lamentar, de gritar, de ter dúvidas, de ser preguiçosa, se for o caso. 

Quem disse que precisamos ser fortes todo o tempo? 

Quero virar para o canto, enfiar-me embaixo do edredom, voltar-me para mim mesma. 

Tantas vezes precisamos dessa limpeza! Que seja à base de orações, reflexões, lágrimas ou cama! 

Que o trabalho espere! Que o mundo espere! 

Eu sem mim mesma não sou nada para ninguém! 

Até breve! 

Alda M S Santos 

Fora dos trilhos 

Só o Amor

Vontade de sumir

Quem nunca teve essa vontade, em alguma fase da vida, que atire a primeira acusação. 

Não importa a causa, a razão ou a ausência de motivação… Nem se para o outro não é motivo bastante. O que devemos considerar é que quando temos esse pensamento estamos sofrendo. Estamos lidando com algo que, ao menos no momento, julgamos que seja superior às nossas forças. Várias podem ser as causas: um prejuízo financeiro, perda de emprego, de um amor, de uma amizade, uma doença… 

Somos únicos e lidamos de modo único com nossos problemas. Pode ser que tenhamos acumulado coisas demais e a gota d’água tenha sido uma briga com o companheiro. Desse modo, pode parecer que o desejo de sumir seja sem propósito e repentino, mas só quem o vive sabe o peso que tem.

Há, obviamente, os casos graves de depressão, em que esse desejo de fugir surge com mais frequência. Esses casos, além da ajuda de familiares e amigos, torna-se necessário também o tratamento terapêutico e espiritual. 

Mas quando ocorre entre os dito “normais”, apenas alguns cuidados devem ser tomados. 

Precisamos respeitar esse grito de nossa alma. A vontade de sumir é um pedido de socorro, um grito de pare, me dê um tempo. Muitas vezes, tudo que precisamos é fugir para dentro de nós mesmos. Pode haver coisas demais em conflito lá dentro, precisando sair, se organizar… Fazermos uma faxina emocional. Descartar coisas, guardar outras com carinho, tirar algumas de evidência. Talvez precisemos de ajuda externa, mas muitas vezes precisamos só de nós mesmos. Chorar, gritar, ouvir música bem alto, orar, isolar-se, dirigir sem rumo, até mesmo viajar por uns tempos. Respeitar nosso tempo. Até nos encontrarmos conosco mesmos. A vontade de sumir é a vontade de nos reencontrarmos. No fundo, sabemos que nosso lugar é onde estão aqueles que amamos e que nos amam. 

Muitas vezes, ao ouvir isso de alguém, nossa tendência é “segurar” os que desejam ir. Não adianta. Eles precisam de tempo para se encontrar. Devemos apenas estar por perto para ampará-los, abraçá-los, amá-los, quando voltarem.

Certo é que onde quer que a gente vá, levaremos conosco nossa mente, nosso coração, nossa alma…e tudo e todos que lá estiverem. Que a gente vá, se encontre e volte ainda mais forte! 

Alda M S Santos

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