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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

O prazer de aprender

O PRAZER DE APRENDER
Em casa, na escola, na igreja
No trabalho, num lar de idosos
Não importa onde ou quando
Com 8, 18 ou 80 anos,
Descobrir as letras, alfabetizar-se,
Aprender sempre será uma descoberta prazerosa
Presenciar esse prazer é extasiante.
Alda M S Santos
#carinhólogos

Reféns

REFÉNS

Num mundo onde a liberdade é tão valorizada

Muitos prisioneiros se fazem à sua revelia

Reféns de pessoas, de medos, de traumas,

Reféns da inércia de alguns sentimentos.

Que impedem qualquer negociação,

E impossibilitam a alegria.

Alda M S Santos

 

Nunca se esgota

NUNCA SE ESGOTA

Melhores são aqueles amigos,

Novos ou antigos,

Com os quais nunca nos esgotamos

Sempre há algo a fazer, a dizer

A contar, a pedir, a doar, a confidenciar…

Risos, sorrisos, gargalhadas,

Abraços, beijos, café e queijo.

E aquela saudade e desejo constante

De estar sempre juntos,

Mesmo havendo lágrimas, atritos e pendengas,

Cada encontro é sempre único, especial,

Pois possui a liga mais forte do mundo: o amor.

Alda M S Santos

FOTOGRAFIAS

Uma foto, uma longa história escrita ali!
Sem textos, palavras ou letras quaisquer.
A vida numa imagem, acrescida da imaginação.
Real ou fictícia, sempre emocionante!
Umas falam, outras gritam, outras ainda sussurram.
Todas dizem algo, ativam algo, despertam algo,
Sorrisos, lágrimas, lamentos, saudades, alegrias…
Criam/recriam uma nova história no coração de quem as “lê”.
Eternas…
Inclusive aquelas “reveladas” apenas em nossas mentes.
Alda M S Santos

Broto

BROTO

Tudo depende da força

De nossos sonhos e projetos 

Mesmo cortados rente à raiz

Brotaremos e daremos frutos 

Alda M S Santos

Definir pra quê?

DEFINIR PRA QUÊ?
Definir pra quê?
Entender pra quê?
Se o sentimento, seja ele qual for, bom ou ruim,
Não depende da lógica?
Se brota tal qual flor, cresce, resiste?
Se tudo que vale no final das contas é sentir,
Se tudo que vale é amar…
Na tentativa infinda de ser feliz?
Alda M S Santos

Fantasmas

FANTASMAS

Fantasmas…

Não há portas, fechaduras ou trancas

Guardas, sentinelas ou vigilantes

Que os mantenha do lado de fora,

Quando “queremos” mantê-los do lado de dentro

Criando-os como bichos de estimação…

Fantasmas…

Talvez uma vigília interna, ou um auxílio externo

Tornem o ambiente impróprio para eles.

Quem sabe se a abertura de uma janela

Mostre a eles o encanto do lado de fora,

E não queiram mais morar dentro da gente?

Alda M S Santos.

Cheiro de Amor

CHEIRO DE AMOR
Olfato cria lembranças marcantes e eternas
Mais que qualquer outro sentido
Cheiro de mãe, cheiro de colo, de casa de vó,
De infância, de escola, de domingo, de Natal,
Cheiro de praia, de roça, de rio, de mata,
De namoro, de amigos, de filhos,
De abraços quentinhos, de cheiro no cangote,
De beijos molhados de chuva, de suor…
De muitos cheiros se faz minha memória.
Um único comum a todos:
Cheiro de amor.
Alda M S Santos

Fashion

FASHION
Inúmeras, coloridas, sérias, alegres
Justas, rodadas, sensuais, curtas, longas
Neutras, “na moda”, de época, fashion.
Cada qual tem seu gosto, seu estilo.
Mas são apenas vestes…
Tirou, é tudo igual!
A parte mais linda de todos nós, nossa alma,
Não precisa de vestes ou acessórios
Linda sempre ao natural, transparente, nua, exposta,
Principalmente quando nos cobrimos de amor.
E emprestamos essa “coberta” para os outros.
Alda M S Santos

Analfabetos emocionais

ANALFABETOS EMOCIONAIS
“Entre sem bater”
“Mantenha organizado”
“Ao sair, NÃO apague a luz”
Porém, batem, bagunçam, machucam, apagam a luz
E ainda levam partes que não lhes pertence.
E reclamam ao encontrar nova placa:
“Fechado para balanço”
Ou depois de um tempo
“Sob nova direção”.
Analfabetos emocionais=espaços desabitados.
Alda M S Santos

Mea-culpa

MEA-CULPA

Se recebêssemos os autos de nossas vidas

Com nomes fictícios, para serem julgadas

Com o mesmo peso e medida que julgamos os outros

Seríamos absolvidos ou condenados?

 

Alda M S Santos

Desatinos

DESATINOS
De quantos desatinos se faz uma loucura?
De quantas loucuras se faz uma alegria?
De quantas alegrias uma vida precisa para ser feliz?
Alda M S Santos

Não sabe brincar, não desça para o play!

NÃO SABE BRINCAR, NÃO DESÇA PARA O PLAY!

Brincar é bom, divertido, rejuvenesce.

Em qualquer idade traz benefícios.

Mas é preciso que ambos queiram brincar.

Brincadeira imposta não é brincadeira!

Tampouco aquelas que invadem, abusam,

Desrespeitam, ofendem, agridem,

Humilham, vão além de qualquer decência.

Todos queremos brincar! Precisamos!

Mas quem não sabe brincar,

“Não deve descer para o play”!

Alda M S Santos

#chegadeassédio

Quando eu descrescer

QUANDO EU DESCRESCER
Uma linda criança de sete anos
Fazia planos para quando descrescesse.
Aparentemente, havia crescido tão pouco!
Mas já sabia que não valia a pena crescer tanto!
Queria voltar!
O que eu gostaria de ser se pudesse descrescer?
Colocando na balança, os ônus do crescimento
São muito superiores aos bônus!
Se eu pudesse ter a pureza, alegria, paz
A satisfação nas mínimas coisas,
A capacidade de amar e me entregar integralmente,
Sem cobranças ou medos,
Já teria descrescido o bastante.
E vocês? O quanto gostariam de descrescer?
Alda M s Santos

Causando

CAUSANDO
Causar, abafar, abalar, agitar!
Entre tantas novas ondas,
Que vão e que vêm, que fazem barulho, que se esvaem,
Prefiro ser aquela água fresca que chega devagar
Refresca e deixa-se absorver pela areia
E, sem qualquer estardalhaço, unem-se
Como dois amantes,
Tornando a paisagem mais linda!
Alda M S Santos

Perdido

PERDIDO

Se há muito busca encontrar-se

Refazer-se, tornar-se de novo inteiro

E de tantas partes

Encontrou apenas algumas

Busque-se em sua última morada

Junto à escova de dente, perfume, roupas íntimas

E alguns utensílios dispensáveis esquecidos,

Pode ter deixado algo mais valioso

Que reconstitua seu quebra-cabeça particular.

Se lá houver mais partes que cá,

Mude-se de vez para lá.

Alda M S Santos

 

 

Tarde demais?

TARDE DEMAIS?
Cedo ou tarde,
Quem pode determinar
Além da vontade e da fé
De tudo realizar?
Cedo ou tarde,
Quem pode determinar
Além de uma alma lutadora
Que enxerga o amor em tudo?
Cedo ou tarde,
Quem pode determinar
Além do próprio desejo
De fazer acontecer?
Tarde demais?
Quem pode dizer além de você?
Alda M S Santos

Ser amor

SER AMOR
Ser amor é ser sorriso
Sem desvalorizar as lágrimas
É ser abraço, beijo,
Quando tudo parecer ruir.
É ser estímulo, sem negar o colo.
É ser companhia, participação, interatividade,
Sem negar-se a si mesmo e às suas vontades.
É ser admiração, respeito, confiança, intimidade,
Sem fechar os olhos para os defeitos,
Mas mantê-los bem abertos para o essencial
Que encanta, aquece e amortece qualquer mal
Simplesmente por existir e estar ali.
Alda M S Santos

Sobre areias e caminhões

SOBRE AREIAS E CAMINHÕES
Muita areia para o pequeno caminhãozinho?
Ajeite, acomode, faça várias viagens!
Uma montanha de areia pode atrair e assustar
Mas, ao enfiarmos os pés, percebemos
Que ela não é tão densa ou pesada quanto parecia
E, se bem compactada, é a carga ideal
Para certos tipos de caminhãozinho.
Autoconfiança é fundamental!
Alda M S Santos
imagem: google imagens

Copiloto

COPILOTO
Copilotos, vice-líderes, substitutos,
Ajudantes, auxiliares, corresponsáveis,
Ou, simplesmente, parceiros.
Precisam ser bem escolhidos!
Não há voo seguro e feliz sozinho,
Tampouco mal acompanhado.
Alda M S Santos

Náufragos

NÁUFRAGOS

Quem tem o hábito de mergulhar em si mesmo

É um náufrago experiente.

Sabe que, quer sejam as águas

Doces ou salobras,

É preciso relaxar e não nadar contra a corrente.

Esbracejar só irá precipitar o afogamento.

Alda M S Santos

Não há garantias

NÃO HÁ GARANTIAS

Que a fé não arrefeça

Que o mal desapareça

Que a esperança não desfaleça

Que o amor prevaleça

Não há garantias!

Mas que a vida sempre aconteça,

E a gente se fortaleça!

Alda M S Santos

Entre sorrisos e lágrimas

ENTRE SORRISOS E LÁGRIMAS

 Sorrisos são superestimados.

 Lágrimas são subestimadas.

Explico: Tantas vezes ouvimos pessoas encantadas com sorrisos. Sorrisos são unanimidade, todos gostam, todos valorizam, todos querem dar e receber. Expressam alegria, satisfação, amor, prazer. Sorrir faz bem pro coração, pra pele, pra alma. Nossa e dos outros. Desde um leve puxar de lábios, o sorrir com os olhos, até uma gargalhada. Quem sorri mais, atrai mais pessoas. Aparenta viver mais e melhor, ser feliz.

E as lágrimas? Quando são derramadas?

Os motivos podem ser os mais variados: dor física, exaustão, superação, vitória, derrota, alegria, tristeza, frustração, expectativa, ansiedade, revolta, raiva, injustiça, vergonha. Por si mesmos, pelo outro.

Que as lágrimas sejam derramadas quando sentimos dor, raiva, tristeza, frustração, impotência, vergonha, entendemos. Lágrima está quase sempre associada a algo ruim. As mais dolorosas são aquelas que nos deixam impotentes perante a dor daqueles que amamos, pelos quais daríamos parte de nós, ou nossa vida, para que ficassem bem.  Essas lágrimas todos entendem. O melhor jeito é abraçar, dar colo, palavras de incentivo, orar, chorar junto e aguardá-las passar.

Mas, e quando as vertemos, sem controle, num casamento, no nascimento de um filho, na formatura, ao tirar carteira de motorista,  passar no vestibular,  fazer uma oração, ou ao ouvir uma declaração de amor?

Simples: só o que atinge fundo a emoção gera lágrimas. Ou seja, quanto mais lágrimas tivermos derramado nessa vida, mais intensa em emoções ela terá sido. Não devemos desvalorizá-las ou dispensá-las. Devemos recebê-las, “curti-las”. A cada torrente de lágrimas, quase sempre algo novo e bonito surgirá. Penso que Deus as permite para limpar e irrigar o terreno, para que possamos receber as novas bênçãos.

Valorizemos, sim, o sorriso sem, contudo, desvalorizarmos as lágrimas. Assim, em breve, será possível surgir um belo sorriso, daqueles que todos amamos.

Alda M S Santos

 

1º de Abril

1º DE ABRIL
De todas as mentiras,
Desde as que querem ofender
Às que visam proteger
As mais cruéis de todas
São as que pregamos em nós mesmos.
E nos afastam de quem somos.
Alda M. S. Santos

Valor

VALOR

Nossa vida passa a ter

Muito mais valor

Quando o sorriso dos outros

Depende dela.
Alda M S Santos

Ovos de Páscoa

OVOS DE PÁSCOA

Dentro da sacola enorme, uma caixa grande

Dentro da caixa, água com açafrão, chá e vinagre,

Mergulhados na água, cascas inteiras de ovos, sem o conteúdo.

Depois de andar 2km, com muito cuidado,

Tudo isso do colo pro chão no metrô lotado.

Ao final, serão ovos coloridos recheados de brigadeiro.

Uma pequena “arte” para alegrar a Páscoa no Lar dos Idosos.

Se interceptada, pode ser acusada de “bruxaria” ou terrorismo…

Imaginar a alegria deles vale qualquer “esforço”.

Alda M S Santos

Aborto: em defesa da vida

ABORTO: EM DEFESA DA VIDA.
Em pauta a descriminalização do aborto.
Duas correntes se formam e afirmam: defendem a vida.
Uma delas defende o direito à vida de um ser em formação.
A outra defende uma vida em curso, levanta o direito de escolha da mulher no que tange a seu próprio corpo.
Ambas são vidas e, em graus diferentes, indefesas.
Uma das questões que a corrente pró-aborto coloca é que, com a lei em vigor, o aborto não é evitado, vidas não são protegidas. Ele é apenas feito de maneira clandestina, o que tem ceifado muitas vidas de mães cada vez mais jovens e onerado os cofres dos serviços públicos de saúde.
Outra questão alegada é que, ao proteger a vida do feto, considerada pseudo-vida nessa corrente, não se protege e não se respeita a vida da mulher e seu direito de decidir o que fazer com seu próprio corpo.
A outra corrente, contra o aborto, defende que é desumano e cruel, um assassinato de inocentes, retirar uma vida que ainda não pode falar por si.
Nessa mesma corrente, questões religiosas são colocadas, onde toda vida humana é válida e não cabendo a outro ser humano decidir se ela vingará, ou não.
Um ponto bastante debatido e controverso entre ambos é quando se inicia a vida.
E, nisso, não há concordância. Os pró-aborto menos radicais afirmam que não há vida antes do feto estar totalmente pronto, aos 90 dias de gestação. Antes disso, chamam de um aglomerado de células.
A corrente que quer manter a criminalização do aborto considera que há vida após o momento da concepção, ou seja, quando óvulo e espermatozoide se fixam no útero e a gravidez se inicia.
Independente de quando se inicia um novo ser, ainda há aqueles que defendem o direito da mulher de retirar aquela vida em crescimento dentro de si em qualquer época.
Não há como não pensar essa questão sob um viés religioso. Nós, seres humanos, produzimos apenas o corpo físico de um novo ser, no qual o corpo da mulher é apenas o receptáculo.
Mas todos nós possuímos uma alma, um espírito, e esses vêm do Alto. Nenhum de nós tem o direito de interceptar o que vem de Deus!
Quem não quer gerar uma vida deve evitá-la, não jogá-la fora depois de pronta. As marcas que ficam numa mulher que aborta são indeléveis.
Outro ponto importante é que, quando se fala em aborto, deve-se referir ao casal que aborta, não apenas à mulher. O pai é tão responsável por aquela vida quanto a mãe. Muitas são “levadas” ao aborto pelo abandono sofrido.
Quando a criança nascer, se realmente a mãe ou o casal não tiverem condições de criá-la, a mesma é colocada para adoção. Há muitos pais sem filhos nas filas para adoção.
Se a questão é respeitar a mulher, sua vida, suas escolhas, que se invista em educação de qualidade, educação sexual de meninos e meninas.
A descriminalização do aborto, com a educação sexual que possuímos, pode vir a fazer da interrupção da vida um método contraceptivo.
É um caminho muito mais longo e trabalhoso, mas é um caminho que não banaliza a vida, nem das mães, nem dos bebês inocentes.
Alda M S Santos
foto google imagens

Amar é…

Amar é…
Desafiar a lei da gravidade
É viver em constante suspensão
É tornar o sonho, realidade
Ignorando a força que vem do chão.
Alda M S Santos

Piloto automático

PILOTO AUTOMÁTICO
Aqueles dias em que a vontade é de apenas sentar e esperar
Deixar-nos conduzir pelos momentos, pelo vento, sem qualquer interferência,
Seja manual ou emocional…
Programar o piloto automático:
Local de saída e, talvez, de destino e deixar tudo por conta dele,
Como num vídeo game que joga sozinho quando não há jogadores.
Como num avião, equipado com instrumentos que permitem a condução do aparelho,
Sem a intervenção da tripulação,
Regulando desvios de rota e de altitude, assegurando voo e pouso tranquilos.
Não precisar se preocupar com nada,
Nem mesmo obstáculos diversos ou condição climática.
Simplesmente, confiar,
E seguir…
Alda M S Santos
imagem google fotos

A corrente que mata gente

A CORRENTE QUE MATA GENTE
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Adorava essa brincadeira de criança!
Além da diversão, elas sempre nos deixam uma lição.
Na rua, um número grande de crianças,
Unidas lado a lado com os braços passados pelos ombros do outro.
Seguiam a rua cantando:
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Quem viesse em sentido contrário tinha três opções:
Juntar-se à corrente, que seguia cantando e mais forte,
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Voltar e fugir dela o mais rápido possível,
Formar uma nova corrente para enfrentá-la de igual para igual.
Enfrentar a corrente sozinho não era uma opção, era kamikaze demais.
Crescemos, mas a “brincadeira” continua.
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ficam algumas questões importantes no ar.
Diante das correntes que “matam gente” que se formam por aí:
Nós as abraçamos? Concordamos com elas?
Lutamos sozinhos? Fugimos?
Formamos corrente contrária?
A lição da infância que fica é:
A brincadeira fica mais interessante quando não há apenas uma corrente.
Quando há pelo que, por que e por quem lutar!
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ela está aí e sabe que temos força! Vamos esperar ser esmagados?
Alda M S Santos
Foto Google.

Saudade é…

Saudade é …

Quando a alma vai para onde quer 

E deixa o corpo para trás. 
Alda M S Santos

Medos

MEDOS
Você tem medo de quê?
“Tenho medo de escuro”,” tenho medo de ficar sozinho”,
“Tenho medo de monstros”, “tenho medo de ficar perdido”,
”Tenho medo de estranhos”.
Essas são algumas respostas infantis à pergunta acima.
Guardadas as devidas proporções, nossos medos não se diferem muito.
Continuamos a não gostar de escuro, talvez não do ambiente,
Mas aquele de dentro das pessoas, de dentro de nós mesmos.
Temos ainda pavor de monstros,
Não daqueles de chifres, membros grandes, olhos exagerados,
Mas de monstros que se disfarçam de pessoas decentes e honradas e nos roubam a alegria.
Temos medo de nos perder, não na rua, na escola, no shopping, na igreja,
Mas medo de nos perder de nossos amigos, nossos familiares, de nós mesmos.
Continuamos a não gostar de estranhos,
Principalmente os estranhos que se tornam aqueles que já conhecemos muito um dia.
Temos muito medo de ficar sozinhos, e da pior maneira possível,
Aquela solidão quando estamos cercados de gente,
E permanecemos sós.
O melhor jeito de vencê-los é como as crianças fazem,
Do jeito que nós mesmos as ensinamos.
Admitir a existência dos medos e enfrentá-los de frente.
Acender nossa própria luz, espantar os monstros com nossa perspicácia,
Admitir o amor e a necessidade que temos dos amigos e familiares,
Nunca nos tornarmos estranhos para nós mesmos,
Não criarmos grandes expectativas nos outros.
Aprendermos a gostar de nossa própria companhia para nunca nos sentirmos sós.
Medo se vence com coragem.
Coragem só existe quando há medos a vencer.
Alda M S Santos

Preferências

PREFERÊNCIAS
Movimento ritmado, forte, rápido, mais rápido, não pode parar
Coração acelerado, respiração ofegante, suor intenso, cansaço
Falta pouco, quase lá,
3, 2, 1, 0…
3km, 300kcal, 6,0km/h, 30minutos.
E continuo no mesmo lugar: caminhada na esteira.
Movimento ritmado, um passo após o outro,
Pessoas, brisa, veículos, árvores, céu, pássaros.
Suor, cabelos ao vento, respiração levemente acelerada.
Um oi aqui, um boa noite ali, um tchau acolá.
Caminhada na rua.
Quilometragem? Calorias queimadas? Velocidade? Sei lá!
Bem estar, satisfação:100%.
Escolho essa!
Alda M S Santos

Marcas impressas

MARCAS IMPRESSAS

Sempre vemos algo que dizemos: isso me lembra fulano…

Pode ser o jeito de sorrir, de jogar o cabelo

O modo de andar, de se vestir

A delicadeza das atitudes, o abraço, o beijo,

A voz, as palavras doces,

A fisionomia sisuda, o mau humor, a ansiedade.

A atenção, o carinho, a preocupação, 

A criatividade, a intensidade, as bochechas coradas

A animação ou desânimo, o jeito lento ou acelerado.

O modo de dançar, cantar ou encantar,

A fé, a coragem, a força de vontade, 

O perfume, o olhar, o batom rosa, a barba por fazer, aquela bebida…

Quais serão as marcas que deixamos impressas por aí?

Podem ser infinitas! 

Preferiríamos que fossem apenas as agradáveis!

Caminhemos com esse intuito!

Alda M S Santos

Fases: jogando

FASES: JOGANDO
Somos feitos de fases. Todos nós. Como num jogo.
A cada uma delas que é vencida, outra logo se segue.
Como nos jogos eletrônicos, nos viciantes vídeo games.
E ela não quer saber se estamos preparados ou não.
Vem com tudo, novas dificuldades e provações
Que exigirão habilidades já desenvolvidas,
E também muitas outras a desenvolver.
Não há sequer tempo de comemorar a fase anterior superada.
A seguinte se impõe logo como dona da vez.
Se não ficarmos atentos, é morte súbita, game over.
Sem dó ou piedade!
E mesmo com tantos viciados nos vídeo games
Nem mesmo eles estão preparados para o jogo da vida.
Ela não permite pausar o jogo.
O jogador pode até estagnar, mas o jogo continua à sua revelia.
Aliás, enquanto jogam viciantemente, outro jogo segue em paralela.
O jogo de suas próprias vidas.
Alda M S Santos

Nosso país precisa de mães

NOSSO PAÍS PRECISA DE MÃES

Nosso país precisa de lições maternas:

Nos lares, nas escolas, nas igrejas, nos (des)governos.

Seu direito termina onde começa o do outro.

Respeite os mais velhos e experientes.

Levantar a voz é perder a razão.

Se não é seu, deixe onde está.

Guarde o que usar, lave o que sujar, feche o que abrir, apague o que acender.

Procure acertar, se errar, desculpe-se e aprenda a lição.

Ajude os mais fracos, não se mostre superior quando for mais forte.

Seja confiável, mas não confie em todos.

Pegou emprestado, devolva, deu, tá dado.

Mantenha distância de estranhos.

Não prejudique ninguém e procure caminhar pra frente.

Será que nossos governantes tiveram mães? 

Como parece que não receberam as mesmas lições, vale lembrar mais duas:

Lute por seus direitos.

Não procure briga, mas também não apanhe, saiba se defender! 

Nosso povo precisa dessas duas momento. 

Alda M S Santos

E quando tudo parecia perdido

E QUANDO TUDO PARECIA PERDIDO
E quando tudo parecia desabar
Surge aquela presença querida, que ilumina
Aquele sorriso entre lágrimas que diz:
“Tenho nada não, mas estou aqui”.
E quando tudo parecia escuro, frio
Surge aquele abraço amigo, apertado
Forte, que enlaça o corpo todo, que aquece a alma.
E quando tudo parecia perdido
Surgem amigos, que ouvem, que se solidarizam,
Que riem, que choram, que se calam,
Que, sobretudo, falam, e percebemos que Ele nos fala.
É quando tudo parece perdido que Ele mais nos aparece
E nos mostra uma constelação de estrelas e possibilidades
Aí percebemos tudo de maravilhoso que temos.
Alda M S Santos
Foto Everaldo Alvarenga

Mendigando sentimentos

MENDIGANDO SENTIMENTOS
Preocupamo-nos muito com aqueles que vemos jogados nas ruas
Esparramados num chão quente, sujos, à mercê da bondade ou maldade humanas
Enfrentando as intempéries, comendo o que ganham, corpos implorando por um banho.
Porém, ignoramos ou somos ignorados quando tudo em nós indica outra necessidade,
A de sentimentos, a mendicância emocional.
A começar dentro de nossos próprios lares:
Um filho que se rebela na escola, outro que se enfurna no quarto e nos eletrônicos,
A filha que se esconde em cabelos roxos ou roupas rasgadas, o cônjuge cada dia mais calado.
Cada qual num cômodo da casa, com sua TV, seu tablet, seus celulares, seus “amigos”.
Amigos virtuais aos montes, amigos reais metem medo, geram ojeriza.
Quanto mais se tem, menos se vê, nos próximos, nos distantes, em nós mesmos.
Necessidades que o dinheiro não compra.
São silêncios que gritam, que mendigam amor, atenção, carinho.
Nunca se teve tantos meios de comunicação à disposição e nunca nos entendemos tão pouco!
A Medicina, a Ciência, a tecnologia avançam, mas, para acompanhá-las, perdemos o que temos de mais humano, nossas emoções. Augusto Cury é especialista no assunto.
Jamais houve tanto acesso aos conhecimentos e jamais fomos tão ignorantes!
Nunca tanto se falou de amor, mas nunca se amou tão minimamente,
Tão confusamente, tão perdidamente, tão insatisfatoriamente.
Se um dia desligássemos tudo, pane global e irreversível de comunicação eletrônica, era digital nível zero, a que ponto voltaríamos?
Cartas perfumadas, bilhetes de amor, bate papo no portão dos vizinhos, na praça da igreja?
Será que alguém ainda sabe escrever uma carta manuscrita?
Conseguem conversar olhando nos olhos, sorrindo, acariciando a alma?
Brincar de esconde-esconde, queimada, pular corda ou jogar bola de gude, interagir?
Pagaria qualquer preço para voltar ao ponto no qual perdemos a capacidade de identificar e atender a necessidade de amor de todos que nos cercam.
Pagaria qualquer preço para reduzir o número de mendigos emocionais, para não me tornar uma.
Alda M S Santos

Aprendendo a amar

APRENDENDO A AMAR

Nós, humanos, nascemos com grandes potenciais.

Todos precisam ser desenvolvidos:

Alimentar, falar, andar, ler, escrever…

Aprendemos também a amar.

Cercamo-nos de pessoas que nos ensinam

A falar, a andar, a ler, a escrever, a nos alimentar.

Aprendemos tudo isso na prática diária.

Com o amor não é diferente,

Aprendemos a amar, sendo amados,

Aprendemos a amar, amando cada dia um pouco mais.

Descobrimos que o amor é antídoto para muitos males,

Que em qualquer “luta”, ele é o vencedor,

Que tem aliados importantes, que cativa outros bons sentimentos,

Se a lição for mesmo bem aprendida,

Sabemos que ele nunca é um mal, é voluntário, gratuito, nunca imposto.

As pessoas que mais sofrem e fazem sofrer nesse mundo têm carência dessa preciosa lição,

Não receberam amor o suficiente, não aprenderam o suficiente.

Seu aprendizado começa bem cedo, antes mesmo do nascimento,

No ventre de nossas mães já estamos praticando.

E nunca, nunca acaba!

Nesse círculo vamos girando, amando sempre,

Ensinando e aprendendo, enquanto houver vida!

Alda M S Santos

 

Tão longe, tão dentro!

TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos

Outono

OUTONO
As folhas caem, o ar se veste de tons amarronzados,
A brisa suaviza, esfria, galhos ficam seminus,
O clima resseca, a natureza se protege para a temporada gelada.
Sábia, antevê tempos difíceis, reserva energia.
Para muitos, a beleza e alegria se perdem no outono,
Para outros, elas apenas ficam camufladas, protegidas, resguardadas.
Um outono verdadeiro é muito mais lindo que uma primavera forçada.
Quantas vezes precisamos ser outono, nos resguardar, fortalecer,
E insistimos em ser primavera, desperdiçando energia valiosa?
Quando encaramos de frente os outonos de nossas vidas,
O inverno torna-se menos pesado e retornamos com esplendor redobrado,
Deixando a primavera desabrochar no tempo certo,
Com novo brilho, novas cores, novas flores, novos amores,
Nova vida!!!
Alda M S Santos

Apenas um pouquinho de afeto

APENAS UM POUQUINHO DE AFETO
Repetidas vezes pergunta meu nome completo. Eu respondo. E recita o seu.
Sento-me ao seu lado, seguro suas mãos, faço carinho.
E completa: “Nascida a 22 de março de 1922. Tenho 90 e muitos anos.”
“Você sabe quem descobriu o Brasil? Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500.”
“Tem que decorar, senão a professora briga e a mãe bate.”
“Cadê o banheiro? Não posso fazer xixi na calçola. Você me leva?”
“Que dia é hoje? Ah! Amanhã é domingo, dia de Jesus! Gosto de Jesus, nascido em Belém da Judéia, crescido e criado em Nazaré, por isso era chamado de Jesus Nazareno.”
“Aprendi na escola dominical. Ah, domingo é quando meus filhos vêm me ver.”
“Faz muito tempo que não aparecem. Que dia é hoje? A gente não pode obrigar, né?”
“Você é baiana? Chapéu de Maria Bonita. Parece baiana. Eu sou baiana, mas me trouxeram para cá. Mãos macias, eu gosto das suas mãos.”
“Meu marido voltou para lá. Será que levou meus filhos embora também?”
“Você tem mãe? Eu tinha! E tem filhos? Traz seus filhos aqui.”
“Vamos cantar música de louvor? Eu gosto, senão fico brava.”
E ela fala sem parar com poucas interferências minhas, exceto o carinho.
Cantamos Maria de Nazaré. Voz forte. Diz que cantou no coral da igreja. Sabe a música de cabo a rabo.
Levanto-me, sento ao lado de um senhor e começo a conversar com ele.
“Senta aqui! Você estava aqui! Fica perto de mim.”
Ao que ele responde: “Baiana, ela agora é minha, tem que dividir!”
Ela se cala e fica emburrada. Jogo beijos. Faz beicinho.
Deixo uma mão com ele, levanto, vou lá e a aperto.
São crianças brigando por um pouquinho de afeto.
Apenas um pouquinho de amor…
Alda M S Santos

Beijos, linguagem universal

BEIJOS, LINGUAGEM UNIVERSAL

Beijos são linguagem universal, vários tipos, vários significados.

Há o beijo na testa, representa cuidado e proteção.

O beijo na mão quer dizer respeito e admiração.

O beijo rápido no rosto é de alguém que se apresenta para o outro.

O beijo nas bochechas, cujas mãos seguram a cabeça, um abraço se segue, fazem um carinho, é o que diz: tudo bem, estou aqui, conte comigo!

O beijo de nariz é o beijo da cumplicidade e bom humor.

O beijo selinho, toque rápido de lábios com lábios, é cumprimento mais íntimo e carinhoso, de almas afins.

O beijo na boca, sempre acompanhado de abraços, carícias, é o encontro das almas numa só morada, onde gostariam de habitar para sempre. 

Beijo é linguagem de um idioma só:

O Amor.

Alda M S Santos

Memórias

MEMÓRIAS
“Fomos Garotas de Copacabana. Viu como eu era bonita? Igual você!”
Ela ajeitava seus lençóis o tempo todo. O espaço que era só seu.
Foto acima da cama, com nome, data de nascimento: 20/09/1930.
Um pequeno armário com o crucifixo pendurado, poucos pertences e fotos, muitas fotos.
Todas espalhadas na cama. Mostrava e contava sua história.
“Minha irmã morreu no Rio. Não tenho mais pra onde ir.”
Toda uma vida, memórias registradas ali em preto e branco, em cores.
Uma Bíblia, um livro do Pe Marcelo, todos inchados de fotos, cartões de aniversário, cartas, envelopes…
“Para marcar onde li e pra Jesus proteger. Jesus protege, sabia? Está com minha irmã! ”
Sim, e conosco também!- respondi.
“O meu coração é só de Jesus. A minha alegria é a Santa Cruz.”
Cantava e me pedia para acompanhar. A companheira ranzinza do quarto reclamou.
“Vamos parar! Ela dá chinelada na gente”.
Fui lentamente até ela. Expulsou-me. Insisti. Devagar. Deixei, voltei.
No final, coloquei a faixa de Miss Guerreira, abracei a ranzinza, beijei suas bochechas, sorriu, ganhei um “obrigada, vai com Deus”!
Deixei-as com suas histórias em papel, poucos objetos e memórias, muitas se apagando.
E fui embora com as minhas.
Farão parte de minha história a partir de hoje.
Alda M S Santos

Metabolismo emocional

METABOLISMO EMOCIONAL
Metabolismo acelerado:
Caracteriza-se por processar rapidamente os nutrientes ingeridos, ou seja,
Absorver e transformar as substâncias alimentares em energia de modo mais veloz.
Isso faz com que se tenha necessidade de novos alimentos mais rapidamente, mais fome.
E esse diagnóstico: metabolismo emocional acelerado?
É quando nosso metabolismo emocional também é veloz. Temos fome de emoções.
Processamos rapidamente tudo que recebemos em forma de emoção, de sentimentos, de convívios…
Transformamos em sorrisos, abraços, prazer, vida!
Sintomas: necessidade constante de afeto, de pessoas, de conversas, de passeios, de interação.
Tratamento diário: Energias de outras pessoas, particularmente das que se ama, visando abastecer e suprir a alma.
Falha no tratamento gera “magreza” emocional, vazios na alma, tornando-a fria e sem brilho.
A superdosagem faz com o que o portador de metabolismo emocional acelerado extravase emoção a todos que o cercam.
Cuidado! É contagioso!
Alda M S Santos

Motivações

MOTIVAÇÕES
Outro dia, numa das minhas caminhadas ao anoitecer, avenida muito cheia,
Passa correndo por mim uma jovem mãe empurrando um carrinho de bebê.
Vestida para malhar, o bebezinho deitado no carrinho todo satisfeito e protegido,
Participava da vida da mãe enquanto ela praticava sua corrida.
Pus-me a pensar em “quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa”.
Sabe-se lá o que essa mãe não teve que fazer para estar ali se exercitando?
Ou do que precisou abrir mão?
Penso que isso vale para tudo na vida. Tudo depende da nossa força de vontade.
Obviamente a vontade sozinha não resolve tudo, mas é mais da metade do caminho.
Tanta gente se entregando a doenças, vícios, males dos mais variados…
Sem querer minimizar o problema de ninguém, é preciso buscar a vontade dentro de si.
Buscar amigos, família, ajuda profissional, Deus, o que se fizer necessário.
Parece óbvio, mas só colhemos aquilo que plantamos.
Há pessoas que passam a vida fumando como chaminé, quando um médico diz: “ou para agora ou morre”, milagrosamente a força de vontade aparece.
Quando uma mãe diz: “ou arruma uma ocupação ou acabou televisão, computador e mordomias”, um emprego aparece.
Quando uma esposa diz: “ou as bebedeiras ou eu”, a escolha é feita, ainda que sejam as bebedeiras. Nem sempre as pessoas gostam de si mesmas.
O que falta na vida das pessoas para gerar mudanças importantes e significativas é a motivação, a força de vontade, o medo de perder algo.
Muita ajuda pode vir de fora, mas a primeira marcha somos nós mesmos que engatamos, quando percebemos que só estamos andando em marcha-à-ré.
É pra frente que se anda!
Alda M S Santos.

Coração, dez?

CORAÇÃO, DEZ?
Supondo que nosso corpo fosse uma grande sala de aula,
Cujo cérebro seria o professor e as demais partes seriam os alunos,
Quem seria digno da nota dez?
Os músculos fazem bem seu papel,
Membros superiores e inferiores, idem.
A pele protege os tecidos, mantém a temperatura, é órgão do tato.
Ouvidos, olhos, boca, nariz, todos executam sua tarefa com perfeição.
Os órgãos internos também dão conta de suas obrigações.
Vez ou outra necessitam de uma medicação para expulsar invasores, mas se dão bem.
Mas e o coração? Esse é problemático.
Tudo bem! É o músculo mais importante, bombeia o sangue para todos os demais, inclusive o cérebro.
Porém, é o que mais traz problemas ao corpo todo.
Não costuma “ouvir” o cérebro, não aprende as lições e se envolve em inúmeras confusões.
É um aluno que causa mal estar aos diversos companheiros, quando gera lágrimas, mágoas, angústias, decepções e saudades.
É aventureiro, se arrisca, acredita, se envolve, se apaixona.
Mereceria a nota zero.
Porém, é ele que traz vida à classe toda, sem ele não haveria alegrias,
Emoções, prazer, bondade, compaixão…
O coração acredita no seu maior inquilino, o amor.
E faz um trabalho de equipe perfeito, pois convoca o corpo inteiro para o trabalho.
Desobediente, aventureiro, autônomo, corajoso, fiel a si mesmo, persistente, capaz!
A ele dou nota dez! Até sugeriria uma troca de lugar com o professor.
Alda M S Santos

Construindo

CONSTRUINDO

Passamos a vida a construir. Somos construtores natos:

Uma casa, uma profissão, um lar, uma família, um amor, uma amizade…

Li certa vez que há pessoas que sofrem da síndrome do arquiteto

Planejam, constroem, dedicam-se a algo com afinco e amor,

Quando a obra planejada fica pronta não a habitam,

Partem para nova construção.

Pessoas inquietas, nômades, em trânsito, que não se prendem a nada ou ninguém.

Encontram prazer no construir, no conquistar, no realizar, no poder possuir.

Objetivo atingido, obra pronta, buscam novas emoções.

Acredito que nossas conquistas precisam ser curtidas.

As construções precisam ser habitadas!

Deus construiu o mundo aos poucos até chegar a seu objetivo máximo.

E parou para descansar e admirá-lo.

Acho que todos devemos chegar nesse ponto.

Porém, o ideal é que encontremos prazer na construção e na morada.

E sempre podemos reformar, quebrar uma parede aqui, mudar a cor ali.

Aumentar uns espaços, vitalizá-los, trocar portas e janelas…

Um bom construtor sempre encontra um jeito,

Sem ser preciso novas construções.

Deus até hoje mexe na sua obra, mas não desistiu dela.

Ele habita em nós todo o tempo.

Alda M S Santos

Dias ruins?

DIAS RUINS?
Há dias que definimos como dias de sol: céu azul, nuvens branquinhas, temperatura agradável.
Normalmente, convidam à alegria, aos sorrisos, amigos, passeios, interação.
Há também os dias nublados, com chuvinha insistente, meio frios.
Convidam ao recolhimento, reflexão, introspecção, cama e edredom.
Mas não é regra!
Com sol ou chuva, independente do tempo lá fora, ele pode estar nublado dentro da gente.
Aquela sensação ruim, nó na garganta, vontade de chorar por tudo e por nada.
Qualquer coisa corriqueira parece chata, desanimadora.
Uma palavra menos dócil ou uma atitude mais compreensiva, de carinho, bastam para abrir as comportas.
Há quem identifique como TPM, uns como conflitos existenciais, outros de apenas um dia ruim.
Seja qual deles for, melhor mesmo é chorar. Lágrima presa afoga, sufoca, envenena, mata.
Uma amiga costumava dizer que, quando tinha vontade, chorava mesmo, e alto, como criança. Só assim se sentia melhor.
Somos feitos de sorrisos e lágrimas. Devemos respeitar nossas necessidades. Ambos têm razão de ser
Busquemos as que possam proporcionar mais sorrisos, mesmo com sombras no olhar.
Alda M S Santos

GREVES E PARALISAÇÕES DE PROFESSORES: DE NOVO?

GREVES E PARALISAÇÕES DE PROFESSORES: DE NOVO?
Sou professora, pedagoga, há 27 anos. Aposentei-me agora em fevereiro, 27 anos de contribuição no magistério e 4 anos na iniciativa privada.
Ouço muito: “que sorte a sua, tão nova, mais ninguém conseguirá tal façanha antes de morrer”.
A Reforma Previdenciária a ser votada é desumana e cruel, ilógica e irracional, todos sabemos.
Porém, as mesmas pessoas que me parabenizam, dizem: “professores em greve, de novo”?
Foram incontáveis as vezes em que participei de paralisações ou manifestações ao longo de minha carreira. Independentemente se o governo era de direita ou esquerda, partido A ou B. Entrou lá, a situação é outra. O discurso muda radicalmente.
Muitos ganhos trabalhistas da categoria, ou garantia de direitos conquistados foi à custa de muita luta.
O que temos hoje aí é muito insatisfatório. Temos muito a crescer ainda em matéria de educação.
Agora, a Reforma Previdenciária vem para atingir a todos num golpe mortal e inigualável na história. Retrocesso.
O pior é que sabemos que a verdade não é ausência de recursos. É má administração e desvio dos mesmos.
Contas em paraísos fiscais, se desmanteladas, provavelmente pagariam por uns bons anos os inativos do país.
A luta pela dignidade no trabalho, de docentes e discentes, é antiga. Menina ainda, lembro-me de minha mãe nas manifestações, depois fui eu, agora uma nova categoria, de alunos meus, hoje trabalhadores, cidadãos conscientes, aí na frente de batalha.
Uma nova consciência está surgindo. Uma mãe de aluno falou um dia desses: “vocês têm que lutar mesmo, por vocês, por nós todos. Na iniciativa privada a greve é mais complicada. Lutem por todos nós, por nossos filhos”!
Quando o calo que aperta é dentro de nossos sapatos, aceitamos qualquer outro calçado que se apresente e sinalize algum conforto.
A greve não é de uma categoria. É de todo um povo!
A luta é de todos nós!
Alda M S Santos

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