O PRAZER DE APRENDER
Em casa, na escola, na igreja
No trabalho, num lar de idosos
Não importa onde ou quando
Com 8, 18 ou 80 anos,
Descobrir as letras, alfabetizar-se,
Aprender sempre será uma descoberta prazerosa
Presenciar esse prazer é extasiante.
Alda M S Santos
#carinhólogos
REFÉNS
Num mundo onde a liberdade é tão valorizada
Muitos prisioneiros se fazem à sua revelia
Reféns de pessoas, de medos, de traumas,
Reféns da inércia de alguns sentimentos.
Que impedem qualquer negociação,
E impossibilitam a alegria.
Alda M S Santos
NUNCA SE ESGOTA
Melhores são aqueles amigos,
Novos ou antigos,
Com os quais nunca nos esgotamos
Sempre há algo a fazer, a dizer
A contar, a pedir, a doar, a confidenciar…
Risos, sorrisos, gargalhadas,
Abraços, beijos, café e queijo.
E aquela saudade e desejo constante
De estar sempre juntos,
Mesmo havendo lágrimas, atritos e pendengas,
Cada encontro é sempre único, especial,
Pois possui a liga mais forte do mundo: o amor.
Alda M S Santos
FOTOGRAFIAS
Uma foto, uma longa história escrita ali!
Sem textos, palavras ou letras quaisquer.
A vida numa imagem, acrescida da imaginação.
Real ou fictícia, sempre emocionante!
Umas falam, outras gritam, outras ainda sussurram.
Todas dizem algo, ativam algo, despertam algo,
Sorrisos, lágrimas, lamentos, saudades, alegrias…
Criam/recriam uma nova história no coração de quem as “lê”.
Eternas…
Inclusive aquelas “reveladas” apenas em nossas mentes.
Alda M S Santos
BROTO
Tudo depende da força
De nossos sonhos e projetos
Mesmo cortados rente à raiz
Brotaremos e daremos frutos
Alda M S Santos
DEFINIR PRA QUÊ?
Definir pra quê?
Entender pra quê?
Se o sentimento, seja ele qual for, bom ou ruim,
Não depende da lógica?
Se brota tal qual flor, cresce, resiste?
Se tudo que vale no final das contas é sentir,
Se tudo que vale é amar…
Na tentativa infinda de ser feliz?
Alda M S Santos
FANTASMAS
Fantasmas…
Não há portas, fechaduras ou trancas
Guardas, sentinelas ou vigilantes
Que os mantenha do lado de fora,
Quando “queremos” mantê-los do lado de dentro
Criando-os como bichos de estimação…
Fantasmas…
Talvez uma vigília interna, ou um auxílio externo
Tornem o ambiente impróprio para eles.
Quem sabe se a abertura de uma janela
Mostre a eles o encanto do lado de fora,
E não queiram mais morar dentro da gente?
Alda M S Santos.
CHEIRO DE AMOR
Olfato cria lembranças marcantes e eternas
Mais que qualquer outro sentido
Cheiro de mãe, cheiro de colo, de casa de vó,
De infância, de escola, de domingo, de Natal,
Cheiro de praia, de roça, de rio, de mata,
De namoro, de amigos, de filhos,
De abraços quentinhos, de cheiro no cangote,
De beijos molhados de chuva, de suor…
De muitos cheiros se faz minha memória.
Um único comum a todos:
Cheiro de amor.
Alda M S Santos
FASHION
Inúmeras, coloridas, sérias, alegres
Justas, rodadas, sensuais, curtas, longas
Neutras, “na moda”, de época, fashion.
Cada qual tem seu gosto, seu estilo.
Mas são apenas vestes…
Tirou, é tudo igual!
A parte mais linda de todos nós, nossa alma,
Não precisa de vestes ou acessórios
Linda sempre ao natural, transparente, nua, exposta,
Principalmente quando nos cobrimos de amor.
E emprestamos essa “coberta” para os outros.
Alda M S Santos
ANALFABETOS EMOCIONAIS
“Entre sem bater”
“Mantenha organizado”
“Ao sair, NÃO apague a luz”
Porém, batem, bagunçam, machucam, apagam a luz
E ainda levam partes que não lhes pertence.
E reclamam ao encontrar nova placa:
“Fechado para balanço”
Ou depois de um tempo
“Sob nova direção”.
Analfabetos emocionais=espaços desabitados.
Alda M S Santos
MEA-CULPA
Se recebêssemos os autos de nossas vidas
Com nomes fictícios, para serem julgadas
Com o mesmo peso e medida que julgamos os outros
Seríamos absolvidos ou condenados?
Alda M S Santos
DESATINOS
De quantos desatinos se faz uma loucura?
De quantas loucuras se faz uma alegria?
De quantas alegrias uma vida precisa para ser feliz?
Alda M S Santos
NÃO SABE BRINCAR, NÃO DESÇA PARA O PLAY!
Brincar é bom, divertido, rejuvenesce.
Em qualquer idade traz benefícios.
Mas é preciso que ambos queiram brincar.
Brincadeira imposta não é brincadeira!
Tampouco aquelas que invadem, abusam,
Desrespeitam, ofendem, agridem,
Humilham, vão além de qualquer decência.
Todos queremos brincar! Precisamos!
Mas quem não sabe brincar,
“Não deve descer para o play”!
Alda M S Santos
#chegadeassédio
QUANDO EU DESCRESCER
Uma linda criança de sete anos
Fazia planos para quando descrescesse.
Aparentemente, havia crescido tão pouco!
Mas já sabia que não valia a pena crescer tanto!
Queria voltar!
O que eu gostaria de ser se pudesse descrescer?
Colocando na balança, os ônus do crescimento
São muito superiores aos bônus!
Se eu pudesse ter a pureza, alegria, paz
A satisfação nas mínimas coisas,
A capacidade de amar e me entregar integralmente,
Sem cobranças ou medos,
Já teria descrescido o bastante.
E vocês? O quanto gostariam de descrescer?
Alda M s Santos
CAUSANDO
Causar, abafar, abalar, agitar!
Entre tantas novas ondas,
Que vão e que vêm, que fazem barulho, que se esvaem,
Prefiro ser aquela água fresca que chega devagar
Refresca e deixa-se absorver pela areia
E, sem qualquer estardalhaço, unem-se
Como dois amantes,
Tornando a paisagem mais linda!
Alda M S Santos
PERDIDO
Se há muito busca encontrar-se
Refazer-se, tornar-se de novo inteiro
E de tantas partes
Encontrou apenas algumas
Busque-se em sua última morada
Junto à escova de dente, perfume, roupas íntimas
E alguns utensílios dispensáveis esquecidos,
Pode ter deixado algo mais valioso
Que reconstitua seu quebra-cabeça particular.
Se lá houver mais partes que cá,
Mude-se de vez para lá.
Alda M S Santos
TARDE DEMAIS?
Cedo ou tarde,
Quem pode determinar
Além da vontade e da fé
De tudo realizar?
Cedo ou tarde,
Quem pode determinar
Além de uma alma lutadora
Que enxerga o amor em tudo?
Cedo ou tarde,
Quem pode determinar
Além do próprio desejo
De fazer acontecer?
Tarde demais?
Quem pode dizer além de você?
Alda M S Santos
SOBRE AREIAS E CAMINHÕES
Muita areia para o pequeno caminhãozinho?
Ajeite, acomode, faça várias viagens!
Uma montanha de areia pode atrair e assustar
Mas, ao enfiarmos os pés, percebemos
Que ela não é tão densa ou pesada quanto parecia
E, se bem compactada, é a carga ideal
Para certos tipos de caminhãozinho.
Autoconfiança é fundamental!
Alda M S Santos
imagem: google imagens
COPILOTO
Copilotos, vice-líderes, substitutos,
Ajudantes, auxiliares, corresponsáveis,
Ou, simplesmente, parceiros.
Precisam ser bem escolhidos!
Não há voo seguro e feliz sozinho,
Tampouco mal acompanhado.
Alda M S Santos
NÃO HÁ GARANTIAS
Que a fé não arrefeça
Que o mal desapareça
Que a esperança não desfaleça
Que o amor prevaleça
Não há garantias!
Mas que a vida sempre aconteça,
E a gente se fortaleça!
Alda M S Santos
ENTRE SORRISOS E LÁGRIMAS
Sorrisos são superestimados.
Lágrimas são subestimadas.
Explico: Tantas vezes ouvimos pessoas encantadas com sorrisos. Sorrisos são unanimidade, todos gostam, todos valorizam, todos querem dar e receber. Expressam alegria, satisfação, amor, prazer. Sorrir faz bem pro coração, pra pele, pra alma. Nossa e dos outros. Desde um leve puxar de lábios, o sorrir com os olhos, até uma gargalhada. Quem sorri mais, atrai mais pessoas. Aparenta viver mais e melhor, ser feliz.
E as lágrimas? Quando são derramadas?
Os motivos podem ser os mais variados: dor física, exaustão, superação, vitória, derrota, alegria, tristeza, frustração, expectativa, ansiedade, revolta, raiva, injustiça, vergonha. Por si mesmos, pelo outro.
Que as lágrimas sejam derramadas quando sentimos dor, raiva, tristeza, frustração, impotência, vergonha, entendemos. Lágrima está quase sempre associada a algo ruim. As mais dolorosas são aquelas que nos deixam impotentes perante a dor daqueles que amamos, pelos quais daríamos parte de nós, ou nossa vida, para que ficassem bem. Essas lágrimas todos entendem. O melhor jeito é abraçar, dar colo, palavras de incentivo, orar, chorar junto e aguardá-las passar.
Mas, e quando as vertemos, sem controle, num casamento, no nascimento de um filho, na formatura, ao tirar carteira de motorista, passar no vestibular, fazer uma oração, ou ao ouvir uma declaração de amor?
Simples: só o que atinge fundo a emoção gera lágrimas. Ou seja, quanto mais lágrimas tivermos derramado nessa vida, mais intensa em emoções ela terá sido. Não devemos desvalorizá-las ou dispensá-las. Devemos recebê-las, “curti-las”. A cada torrente de lágrimas, quase sempre algo novo e bonito surgirá. Penso que Deus as permite para limpar e irrigar o terreno, para que possamos receber as novas bênçãos.
Valorizemos, sim, o sorriso sem, contudo, desvalorizarmos as lágrimas. Assim, em breve, será possível surgir um belo sorriso, daqueles que todos amamos.
Alda M S Santos
1º DE ABRIL
De todas as mentiras,
Desde as que querem ofender
Às que visam proteger
As mais cruéis de todas
São as que pregamos em nós mesmos.
E nos afastam de quem somos.
Alda M. S. Santos
VALOR
Nossa vida passa a ter
Muito mais valor
Quando o sorriso dos outros
Depende dela.
Alda M S Santos
OVOS DE PÁSCOA
Dentro da sacola enorme, uma caixa grande
Dentro da caixa, água com açafrão, chá e vinagre,
Mergulhados na água, cascas inteiras de ovos, sem o conteúdo.
Depois de andar 2km, com muito cuidado,
Tudo isso do colo pro chão no metrô lotado.
Ao final, serão ovos coloridos recheados de brigadeiro.
Uma pequena “arte” para alegrar a Páscoa no Lar dos Idosos.
Se interceptada, pode ser acusada de “bruxaria” ou terrorismo…
Imaginar a alegria deles vale qualquer “esforço”.
Alda M S Santos
ABORTO: EM DEFESA DA VIDA.
Em pauta a descriminalização do aborto.
Duas correntes se formam e afirmam: defendem a vida.
Uma delas defende o direito à vida de um ser em formação.
A outra defende uma vida em curso, levanta o direito de escolha da mulher no que tange a seu próprio corpo.
Ambas são vidas e, em graus diferentes, indefesas.
Uma das questões que a corrente pró-aborto coloca é que, com a lei em vigor, o aborto não é evitado, vidas não são protegidas. Ele é apenas feito de maneira clandestina, o que tem ceifado muitas vidas de mães cada vez mais jovens e onerado os cofres dos serviços públicos de saúde.
Outra questão alegada é que, ao proteger a vida do feto, considerada pseudo-vida nessa corrente, não se protege e não se respeita a vida da mulher e seu direito de decidir o que fazer com seu próprio corpo.
A outra corrente, contra o aborto, defende que é desumano e cruel, um assassinato de inocentes, retirar uma vida que ainda não pode falar por si.
Nessa mesma corrente, questões religiosas são colocadas, onde toda vida humana é válida e não cabendo a outro ser humano decidir se ela vingará, ou não.
Um ponto bastante debatido e controverso entre ambos é quando se inicia a vida.
E, nisso, não há concordância. Os pró-aborto menos radicais afirmam que não há vida antes do feto estar totalmente pronto, aos 90 dias de gestação. Antes disso, chamam de um aglomerado de células.
A corrente que quer manter a criminalização do aborto considera que há vida após o momento da concepção, ou seja, quando óvulo e espermatozoide se fixam no útero e a gravidez se inicia.
Independente de quando se inicia um novo ser, ainda há aqueles que defendem o direito da mulher de retirar aquela vida em crescimento dentro de si em qualquer época.
Não há como não pensar essa questão sob um viés religioso. Nós, seres humanos, produzimos apenas o corpo físico de um novo ser, no qual o corpo da mulher é apenas o receptáculo.
Mas todos nós possuímos uma alma, um espírito, e esses vêm do Alto. Nenhum de nós tem o direito de interceptar o que vem de Deus!
Quem não quer gerar uma vida deve evitá-la, não jogá-la fora depois de pronta. As marcas que ficam numa mulher que aborta são indeléveis.
Outro ponto importante é que, quando se fala em aborto, deve-se referir ao casal que aborta, não apenas à mulher. O pai é tão responsável por aquela vida quanto a mãe. Muitas são “levadas” ao aborto pelo abandono sofrido.
Quando a criança nascer, se realmente a mãe ou o casal não tiverem condições de criá-la, a mesma é colocada para adoção. Há muitos pais sem filhos nas filas para adoção.
Se a questão é respeitar a mulher, sua vida, suas escolhas, que se invista em educação de qualidade, educação sexual de meninos e meninas.
A descriminalização do aborto, com a educação sexual que possuímos, pode vir a fazer da interrupção da vida um método contraceptivo.
É um caminho muito mais longo e trabalhoso, mas é um caminho que não banaliza a vida, nem das mães, nem dos bebês inocentes.
Alda M S Santos
foto google imagens
Amar é…
Desafiar a lei da gravidade
É viver em constante suspensão
É tornar o sonho, realidade
Ignorando a força que vem do chão.
Alda M S Santos
A CORRENTE QUE MATA GENTE
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Adorava essa brincadeira de criança!
Além da diversão, elas sempre nos deixam uma lição.
Na rua, um número grande de crianças,
Unidas lado a lado com os braços passados pelos ombros do outro.
Seguiam a rua cantando:
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Quem viesse em sentido contrário tinha três opções:
Juntar-se à corrente, que seguia cantando e mais forte,
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Voltar e fugir dela o mais rápido possível,
Formar uma nova corrente para enfrentá-la de igual para igual.
Enfrentar a corrente sozinho não era uma opção, era kamikaze demais.
Crescemos, mas a “brincadeira” continua.
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ficam algumas questões importantes no ar.
Diante das correntes que “matam gente” que se formam por aí:
Nós as abraçamos? Concordamos com elas?
Lutamos sozinhos? Fugimos?
Formamos corrente contrária?
A lição da infância que fica é:
A brincadeira fica mais interessante quando não há apenas uma corrente.
Quando há pelo que, por que e por quem lutar!
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ela está aí e sabe que temos força! Vamos esperar ser esmagados?
Alda M S Santos
Foto Google.
PREFERÊNCIAS
Movimento ritmado, forte, rápido, mais rápido, não pode parar
Coração acelerado, respiração ofegante, suor intenso, cansaço
Falta pouco, quase lá,
3, 2, 1, 0…
3km, 300kcal, 6,0km/h, 30minutos.
E continuo no mesmo lugar: caminhada na esteira.
Movimento ritmado, um passo após o outro,
Pessoas, brisa, veículos, árvores, céu, pássaros.
Suor, cabelos ao vento, respiração levemente acelerada.
Um oi aqui, um boa noite ali, um tchau acolá.
Caminhada na rua.
Quilometragem? Calorias queimadas? Velocidade? Sei lá!
Bem estar, satisfação:100%.
Escolho essa!
Alda M S Santos
MARCAS IMPRESSAS
Sempre vemos algo que dizemos: isso me lembra fulano…
Pode ser o jeito de sorrir, de jogar o cabelo
O modo de andar, de se vestir
A delicadeza das atitudes, o abraço, o beijo,
A voz, as palavras doces,
A fisionomia sisuda, o mau humor, a ansiedade.
A atenção, o carinho, a preocupação,
A criatividade, a intensidade, as bochechas coradas
A animação ou desânimo, o jeito lento ou acelerado.
O modo de dançar, cantar ou encantar,
A fé, a coragem, a força de vontade,
O perfume, o olhar, o batom rosa, a barba por fazer, aquela bebida…
Quais serão as marcas que deixamos impressas por aí?
Podem ser infinitas!
Preferiríamos que fossem apenas as agradáveis!
Caminhemos com esse intuito!
Alda M S Santos
FASES: JOGANDO
Somos feitos de fases. Todos nós. Como num jogo.
A cada uma delas que é vencida, outra logo se segue.
Como nos jogos eletrônicos, nos viciantes vídeo games.
E ela não quer saber se estamos preparados ou não.
Vem com tudo, novas dificuldades e provações
Que exigirão habilidades já desenvolvidas,
E também muitas outras a desenvolver.
Não há sequer tempo de comemorar a fase anterior superada.
A seguinte se impõe logo como dona da vez.
Se não ficarmos atentos, é morte súbita, game over.
Sem dó ou piedade!
E mesmo com tantos viciados nos vídeo games
Nem mesmo eles estão preparados para o jogo da vida.
Ela não permite pausar o jogo.
O jogador pode até estagnar, mas o jogo continua à sua revelia.
Aliás, enquanto jogam viciantemente, outro jogo segue em paralela.
O jogo de suas próprias vidas.
Alda M S Santos
NOSSO PAÍS PRECISA DE MÃES
Nosso país precisa de lições maternas:
Nos lares, nas escolas, nas igrejas, nos (des)governos.
Seu direito termina onde começa o do outro.
Respeite os mais velhos e experientes.
Levantar a voz é perder a razão.
Se não é seu, deixe onde está.
Guarde o que usar, lave o que sujar, feche o que abrir, apague o que acender.
Procure acertar, se errar, desculpe-se e aprenda a lição.
Ajude os mais fracos, não se mostre superior quando for mais forte.
Seja confiável, mas não confie em todos.
Pegou emprestado, devolva, deu, tá dado.
Mantenha distância de estranhos.
Não prejudique ninguém e procure caminhar pra frente.
Será que nossos governantes tiveram mães?
Como parece que não receberam as mesmas lições, vale lembrar mais duas:
Lute por seus direitos.
Não procure briga, mas também não apanhe, saiba se defender!
Nosso povo precisa dessas duas momento.
Alda M S Santos
E QUANDO TUDO PARECIA PERDIDO
E quando tudo parecia desabar
Surge aquela presença querida, que ilumina
Aquele sorriso entre lágrimas que diz:
“Tenho nada não, mas estou aqui”.
E quando tudo parecia escuro, frio
Surge aquele abraço amigo, apertado
Forte, que enlaça o corpo todo, que aquece a alma.
E quando tudo parecia perdido
Surgem amigos, que ouvem, que se solidarizam,
Que riem, que choram, que se calam,
Que, sobretudo, falam, e percebemos que Ele nos fala.
É quando tudo parece perdido que Ele mais nos aparece
E nos mostra uma constelação de estrelas e possibilidades
Aí percebemos tudo de maravilhoso que temos.
Alda M S Santos
Foto Everaldo Alvarenga
APRENDENDO A AMAR
Nós, humanos, nascemos com grandes potenciais.
Todos precisam ser desenvolvidos:
Alimentar, falar, andar, ler, escrever…
Aprendemos também a amar.
Cercamo-nos de pessoas que nos ensinam
A falar, a andar, a ler, a escrever, a nos alimentar.
Aprendemos tudo isso na prática diária.
Com o amor não é diferente,
Aprendemos a amar, sendo amados,
Aprendemos a amar, amando cada dia um pouco mais.
Descobrimos que o amor é antídoto para muitos males,
Que em qualquer “luta”, ele é o vencedor,
Que tem aliados importantes, que cativa outros bons sentimentos,
Se a lição for mesmo bem aprendida,
Sabemos que ele nunca é um mal, é voluntário, gratuito, nunca imposto.
As pessoas que mais sofrem e fazem sofrer nesse mundo têm carência dessa preciosa lição,
Não receberam amor o suficiente, não aprenderam o suficiente.
Seu aprendizado começa bem cedo, antes mesmo do nascimento,
No ventre de nossas mães já estamos praticando.
E nunca, nunca acaba!
Nesse círculo vamos girando, amando sempre,
Ensinando e aprendendo, enquanto houver vida!
Alda M S Santos
TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos
OUTONO
As folhas caem, o ar se veste de tons amarronzados,
A brisa suaviza, esfria, galhos ficam seminus,
O clima resseca, a natureza se protege para a temporada gelada.
Sábia, antevê tempos difíceis, reserva energia.
Para muitos, a beleza e alegria se perdem no outono,
Para outros, elas apenas ficam camufladas, protegidas, resguardadas.
Um outono verdadeiro é muito mais lindo que uma primavera forçada.
Quantas vezes precisamos ser outono, nos resguardar, fortalecer,
E insistimos em ser primavera, desperdiçando energia valiosa?
Quando encaramos de frente os outonos de nossas vidas,
O inverno torna-se menos pesado e retornamos com esplendor redobrado,
Deixando a primavera desabrochar no tempo certo,
Com novo brilho, novas cores, novas flores, novos amores,
Nova vida!!!
Alda M S Santos
BEIJOS, LINGUAGEM UNIVERSAL
Beijos são linguagem universal, vários tipos, vários significados.
Há o beijo na testa, representa cuidado e proteção.
O beijo na mão quer dizer respeito e admiração.
O beijo rápido no rosto é de alguém que se apresenta para o outro.
O beijo nas bochechas, cujas mãos seguram a cabeça, um abraço se segue, fazem um carinho, é o que diz: tudo bem, estou aqui, conte comigo!
O beijo de nariz é o beijo da cumplicidade e bom humor.
O beijo selinho, toque rápido de lábios com lábios, é cumprimento mais íntimo e carinhoso, de almas afins.
O beijo na boca, sempre acompanhado de abraços, carícias, é o encontro das almas numa só morada, onde gostariam de habitar para sempre.
Beijo é linguagem de um idioma só:
O Amor.
Alda M S Santos
MEMÓRIAS
“Fomos Garotas de Copacabana. Viu como eu era bonita? Igual você!”
Ela ajeitava seus lençóis o tempo todo. O espaço que era só seu.
Foto acima da cama, com nome, data de nascimento: 20/09/1930.
Um pequeno armário com o crucifixo pendurado, poucos pertences e fotos, muitas fotos.
Todas espalhadas na cama. Mostrava e contava sua história.
“Minha irmã morreu no Rio. Não tenho mais pra onde ir.”
Toda uma vida, memórias registradas ali em preto e branco, em cores.
Uma Bíblia, um livro do Pe Marcelo, todos inchados de fotos, cartões de aniversário, cartas, envelopes…
“Para marcar onde li e pra Jesus proteger. Jesus protege, sabia? Está com minha irmã! ”
Sim, e conosco também!- respondi.
“O meu coração é só de Jesus. A minha alegria é a Santa Cruz.”
Cantava e me pedia para acompanhar. A companheira ranzinza do quarto reclamou.
“Vamos parar! Ela dá chinelada na gente”.
Fui lentamente até ela. Expulsou-me. Insisti. Devagar. Deixei, voltei.
No final, coloquei a faixa de Miss Guerreira, abracei a ranzinza, beijei suas bochechas, sorriu, ganhei um “obrigada, vai com Deus”!
Deixei-as com suas histórias em papel, poucos objetos e memórias, muitas se apagando.
E fui embora com as minhas.
Farão parte de minha história a partir de hoje.
Alda M S Santos
MOTIVAÇÕES
Outro dia, numa das minhas caminhadas ao anoitecer, avenida muito cheia,
Passa correndo por mim uma jovem mãe empurrando um carrinho de bebê.
Vestida para malhar, o bebezinho deitado no carrinho todo satisfeito e protegido,
Participava da vida da mãe enquanto ela praticava sua corrida.
Pus-me a pensar em “quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa”.
Sabe-se lá o que essa mãe não teve que fazer para estar ali se exercitando?
Ou do que precisou abrir mão?
Penso que isso vale para tudo na vida. Tudo depende da nossa força de vontade.
Obviamente a vontade sozinha não resolve tudo, mas é mais da metade do caminho.
Tanta gente se entregando a doenças, vícios, males dos mais variados…
Sem querer minimizar o problema de ninguém, é preciso buscar a vontade dentro de si.
Buscar amigos, família, ajuda profissional, Deus, o que se fizer necessário.
Parece óbvio, mas só colhemos aquilo que plantamos.
Há pessoas que passam a vida fumando como chaminé, quando um médico diz: “ou para agora ou morre”, milagrosamente a força de vontade aparece.
Quando uma mãe diz: “ou arruma uma ocupação ou acabou televisão, computador e mordomias”, um emprego aparece.
Quando uma esposa diz: “ou as bebedeiras ou eu”, a escolha é feita, ainda que sejam as bebedeiras. Nem sempre as pessoas gostam de si mesmas.
O que falta na vida das pessoas para gerar mudanças importantes e significativas é a motivação, a força de vontade, o medo de perder algo.
Muita ajuda pode vir de fora, mas a primeira marcha somos nós mesmos que engatamos, quando percebemos que só estamos andando em marcha-à-ré.
É pra frente que se anda!
Alda M S Santos.
CONSTRUINDO
Passamos a vida a construir. Somos construtores natos:
Uma casa, uma profissão, um lar, uma família, um amor, uma amizade…
Li certa vez que há pessoas que sofrem da síndrome do arquiteto
Planejam, constroem, dedicam-se a algo com afinco e amor,
Quando a obra planejada fica pronta não a habitam,
Partem para nova construção.
Pessoas inquietas, nômades, em trânsito, que não se prendem a nada ou ninguém.
Encontram prazer no construir, no conquistar, no realizar, no poder possuir.
Objetivo atingido, obra pronta, buscam novas emoções.
Acredito que nossas conquistas precisam ser curtidas.
As construções precisam ser habitadas!
Deus construiu o mundo aos poucos até chegar a seu objetivo máximo.
E parou para descansar e admirá-lo.
Acho que todos devemos chegar nesse ponto.
Porém, o ideal é que encontremos prazer na construção e na morada.
E sempre podemos reformar, quebrar uma parede aqui, mudar a cor ali.
Aumentar uns espaços, vitalizá-los, trocar portas e janelas…
Um bom construtor sempre encontra um jeito,
Sem ser preciso novas construções.
Deus até hoje mexe na sua obra, mas não desistiu dela.
Ele habita em nós todo o tempo.
Alda M S Santos
GREVES E PARALISAÇÕES DE PROFESSORES: DE NOVO?
Sou professora, pedagoga, há 27 anos. Aposentei-me agora em fevereiro, 27 anos de contribuição no magistério e 4 anos na iniciativa privada.
Ouço muito: “que sorte a sua, tão nova, mais ninguém conseguirá tal façanha antes de morrer”.
A Reforma Previdenciária a ser votada é desumana e cruel, ilógica e irracional, todos sabemos.
Porém, as mesmas pessoas que me parabenizam, dizem: “professores em greve, de novo”?
Foram incontáveis as vezes em que participei de paralisações ou manifestações ao longo de minha carreira. Independentemente se o governo era de direita ou esquerda, partido A ou B. Entrou lá, a situação é outra. O discurso muda radicalmente.
Muitos ganhos trabalhistas da categoria, ou garantia de direitos conquistados foi à custa de muita luta.
O que temos hoje aí é muito insatisfatório. Temos muito a crescer ainda em matéria de educação.
Agora, a Reforma Previdenciária vem para atingir a todos num golpe mortal e inigualável na história. Retrocesso.
O pior é que sabemos que a verdade não é ausência de recursos. É má administração e desvio dos mesmos.
Contas em paraísos fiscais, se desmanteladas, provavelmente pagariam por uns bons anos os inativos do país.
A luta pela dignidade no trabalho, de docentes e discentes, é antiga. Menina ainda, lembro-me de minha mãe nas manifestações, depois fui eu, agora uma nova categoria, de alunos meus, hoje trabalhadores, cidadãos conscientes, aí na frente de batalha.
Uma nova consciência está surgindo. Uma mãe de aluno falou um dia desses: “vocês têm que lutar mesmo, por vocês, por nós todos. Na iniciativa privada a greve é mais complicada. Lutem por todos nós, por nossos filhos”!
Quando o calo que aperta é dentro de nossos sapatos, aceitamos qualquer outro calçado que se apresente e sinalize algum conforto.
A greve não é de uma categoria. É de todo um povo!
A luta é de todos nós!
Alda M S Santos