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Confusão interna, carinho externo

CONFUSÃO INTERNA, CARINHO EXTERNO

Ela acordou meio down. Um dia cheio a aguardava. Adorava dias cheios, mas nem isso a animava a sair da cama. 

Espreguiçou-se longamente e levantou. Escovou os dentes e nem quis se olhar no espelho. Seria assustador! A bagunça interna estaria em seus olhos.

Resolveu fazer o que toda mulher faz nessas ocasiões: cuidaria do exterior primeiro. Seria mais fácil. Aumentaria a autoconfiança e a atenção poderia ser total à bagunça interna.

Unhas, cabelos e pele tratados, partiu para a mente e o coração.

Conversou com amigos e familiares queridos. 

Leu um livro que gostava, escreveu um pouco.

Partiu a ajudar os outros…

Talvez quando terminasse, a bagunça nem seria mais tão importante! 

Alda M S Santos

Solidão

SOLIDÃO

Solidão não é estar só, mas sentir-se só, mesmo cercado de pessoas.

É como sofrer de insuficiência respiratória, mesmo sabendo que há oxigênio por todos os lados.

É como estar em alto mar, cercados de água, e morrer de sede. 

Não é que falte pessoas, oxigênio ou água.

A questão é que por inadequação das pessoas, do ar ou da água que se apresentam, não conseguimos absorvê-los.

O ar pode estar rarefeito, a água imprópria para consumo, as pessoas sem sintonia, sem comunhão de ideias, sem afinidades entre si. 

O problema pode estar em nós: por deficiência orgânica ou emocional, não conseguirmos processar o ar, a água, as pessoas à nossa volta.

Certo é que não vivemos sem ar, sem água, sem as pessoas. 

Portanto, em prol da vida, jamais podemos desistir de buscá-las.

“Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.”João 4:14

Uma ajuda do Alto também é sempre bem vinda e necessária. 

Alda M S Santos

Processo de Cura

PROCESSO DE CURA

Todos sabemos o quanto dói uma ferida aberta

Um mal ativo, em fase crítica, aguda.

Todo cuidado é pouco para evitar uma patologia permanente.

Precisamos limpar, fazer curativos, trocá-los

Usar cicatrizantes, anti-inflamatórios, antibióticos…

Nessa fase vai doer muito, sangrar.

Não podemos ser masoquistas e ficar cutucando.

Serão necessários técnica e perícia ao tocar.

Depois seca, cicatriza, fica uma marca e apenas uma lembrança.

Porém, se não se passar por esse processo de cura,

O mal pode se tornar crônico e sofrermos com ele a vida toda.

Com os males emocionais dá-se o mesmo.

Ferida aberta na alma não se mexe, se trata.

Com medicamentos ora suaves, ora fortes, 

Com amor, com carinho, com perseverança.

Com amigos, com família, com fé.

Leve o tempo que levar,

As cicatrizes deixadas nos lembrarão que superamos.

Pode ser que se torne um mal crônico

Daqueles que tenhamos que aprender a conviver

Como uma hipertensão ou uma saudade

Que exige tratamento de controle a vida toda.

Vez ou outra se tornam ativos, agudos e exigem de nós força

E medidas à altura.

Assim são os males crônicos.

Assim é a vida…

Alda M S Santos

Câmera lenta

CÂMERA LENTA

O mundo está em câmera lenta

Passos lentos, trôpegos, olhar apagado, corpo encurvado pelo peso da tristeza

Olhos onde brilham apenas lágrimas, 

Que se confundem com a chuva que cai,

Em câmera lenta.

No intenso vai e vem

Pelas ruas da cidade se vão

Ela e tudo que carrega naquele corpo pequeno

Mal são notadas pelo intenso burburinho de início de manhã

Ouve buzinas ao longe e segue lentamente

Os olhos da cidade nada veem além de si mesmos

Cada qual com sua própria bagagem e peso

Tudo é cinza, opaco, lento, vácuo.

Uma trombada, um “olha onde anda”!

Está molhada por fora e por dentro

Quem se importa?

As lágrimas correm livres, 

Ao contrário dela, presa em suas divagações.

E a vida continua

Em câmera lenta…

Alda M S Santos

Pare o mundo que eu quero descer

PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER

Pare tudo! Parece que há dias em que as notícias ruins são piores! 

E não é só o dólar que sobe, a bolsa que cai, a corrupção que aumenta, o desemprego que atinge índices galopantes, déspotas disfarçados de republicanos que assumem o poder.

Bem pertinho de nós amigos são assaltados, gente próxima passando fome, mulheres que sofrem violência em casa, avós que assumem netos e bisnetos, crianças esquecidas em sua infância, pessoas queridas estão longe, pessoas indesejadas muito perto…

Aumentaram mesmo ou eu que estou “escolhendo” ver por esse ângulo?

Pare esse mundo que eu quero descer! 

Quero ver coisas lindas! Quero a energia das crianças, as histórias das vovós, o abraço caloroso dos amigos, a compaixão e a bondade dos seres humanos, a paixão dos amantes.

Quero sentir a alegria brotar em mim!  

Quero levar o meu sorriso a qualquer humano que precisar…

E o mundo pode voltar a girar…

Alda M S Santos 

Tempestades internas

TEMPESTADES INTERNAS

Toda tempestade costuma ser, se não anunciada, no mínimo, armada aos poucos. Muito calor, muita umidade, muita evaporação, aí é só aguardar.

Quanto mais tempo de evaporação, maior a quantidade de água na atmosfera, mais carregadas serão as nuvens

Quando vier o resfriamento, mais forte, torrencial, assustadora a chuva será.

Nossas tempestades internas também são anunciadas, armadas, formadas lentamente.

O problema é que as ignoramos. Às vezes, alguns nos alertam: de 

“Se trabalhar tanto vai adoecer”, “sorria mais e se estresse menos”, “não acumule angústias, raivas”, “desfrute de lazer, passeie”, “não gaste tanto, seu orçamento vai estourar”, “beba menos, vai desgastar sua imagem”, “evite tensões, ciúmes de qualquer tipo”, “ame e aceite amor”, “amor exagerado e não vivido também estoura”…

Tudo que vamos acumulando em nosso interior tem o mesmo efeito que as gotas d’água que evaporam e vão para a atmosfera.

Nossas nuvens emocionais estão agora negras e pesadas. Quando vier um resfriamento ou detonador qualquer nossa tempestade desabará torrencialmente. 

Pode fazer muito barulho, ou não, mas chama a atenção. Desabamos junto, literalmente. 

Muita água rola, muitas lágrimas, muita dor, rebeldia, revolta, depressão.

A diferença é que ninguém questiona a chuva. Ela é bem vinda, não presta contas a ninguém. 

Já nossa “chuva” é questionada por todos. Principalmente se vier forte e atingir terrenos alheios, o que quase sempre acontece.

Mas quando ela cair, não tem jeito. Deixe rolar… Chore tudo que tem direito, brigue, fale, se abra… Se aliviar, chore na chuva, as águas confundirão os curiosos! 

Para reparar os danos, depois das águas passarem, desculpe-se, procure um médico, um amigo, quem tiver que ser, se aprume e prepare-se. Sempre desabarão novas tempestades. 

Com a lição aprendida, poderemos reduzir a formação, amenizar a força e controlar os danos das próximas. 

Alda M S Santos 

Estoque de amor

ESTOQUE DE AMOR

Nosso organismo é perfeito. Mantemos um estoque de reserva. 

O que vem em excesso em alimentação, após metabolismo e geração de energia, acumulamos em forma de gordura para períodos de vacas magras. Precisou, o corpo libera a energia reservada automaticamente. 

Mas, e quanto ao nosso coração, nossas emoções, nossa alma? 

Temos conseguido, após usar e usufruir, estocar, reservar sorrisos, carinho, atenção, amor, companheirismo, doces palavras, beijos e abraços? 

Se analisarmos que um alimento, após metabolizado, é descartado, e que o bem estar advindo de um abraço não se perde, deveria ser mais fácil usar esses que aqueles. 

Mas não é o que acontece! 

A diferença é que o estoque emocional precisa ser buscado conscientemente. Momentos bons vividos, que ficam gravados em nossa alma, podem e devem ser acionados. 

Nos momentos em que o coração doer, a tristeza e apatia quiserem fazer morada em nós, busquemos em nossa alma um estoque de sorrisos, carinhos, amor e doçura. 

A alma é mais sábia que nosso organismo. Nada descarta. Mas precisamos buscar.

Que saibamos também abastecê-la de sentimentos maravilhosos! 

Somente assim estaremos salvos quando o período for de balanço e reconstrução. 

Alda M S Santos 

Luz que não se apaga

LUZ QUE NÃO SE APAGA

Todos temos uma luz

Fundamental, ela é:

Energia que nos move

Calor que nos aquece

Carinho que nos acalma

Amor que nos alimenta

Essa luz nos mantém vivos

Ela é o fio que nos conduz

Se está lá, nada conseguirá apagá-la. 

Mesmo que pareça longe

Abastecida por duas fontes,

Uma parte dela vem de dentro de nós

A outra é acionada por terceiros.

Devemos manter em equilíbrio essas fontes

Quando uma enfraquece

Fortalecemos a outra. 

Depender da luz de “fora” 

Pode parecer difícil

Mas, tantas vezes, é ela que nos salva,

Quando a luz interior mingua, perde o foco.

Se ambas quiserem se apagar, busquemos a maior de todas

Aquela que nunca falha

Que devemos manter sempre conosco

A luz que vem do alto. 

A luz que vem de Jesus! 

Alda M S Santos

Saudades eternas

SAUDADES ETERNAS
Como definir um sentimento? Como saber se é bom ou ruim? Se despertar sorrisos, é bom? Se fizer brotar lágrimas, é ruim?
Penso que não seja assim tão simples.
O que dizer da saudade?
Se analisarmos que só deixa saudade o que foi prazeroso, saudade é um sentimento bom.
Se, por outro lado, dói lembrar, machuca, sangra, faz chorar, é ruim.
Certo? Nem sempre.
Saudade é, na verdade, um sentimento ambíguo. Traz alegria e tristeza. Alegria pelo vivido que foi maravilhoso, e tristeza pela perda, pela vontade e impossibilidade de reviver.
Precisamos dar um tempo para o nosso coração chorar, se lamentar, mas é fundamental que o que fique, que a marca maior em nós seja da alegria.
E torcer que possamos um dia reviver…
Se não aqui, noutra dimensão.
A todos nós que perdemos alguém, que hoje possamos lembrar delas com saudades e alegria.
“Saudades, sim, tristeza, não”!
Alda M S Santos

Vista definitiva

VISTA DEFINITIVA

Nada melhor para levar-nos a refletir, a pensar nossa existência, encontrar soluções para nossos problemas, neutralizar uma raiva, viver uma saudade, curtir nossa própria companhia, orar, do que se presentear com uma vista definitiva. 

Olhar ao longe… Nada na frente além do horizonte a ser observado. Uma brisa suave, um vento mais forte, sons de isolar os barulhos de dentro da gente.

Natureza, apenas natureza. No alto de uma serra, o mar lá embaixo, ou simplesmente tudo verde, muitos tons de verde. Um rio corrente, pássaros de voo rasante. Nuvens que desenham no céu azul nossos desejos, que só nós vemos. Ou nuvens carregadas que apostam corrida. 

Sentada olhando ao longe…

Deitada olhando o céu…

Abraçando meus joelhos, abraço a mim mesma.

Faço as pazes com meus monstros, meus medos, peço uma trégua.

Assim, vejo tudo mais claro dentro de mim.

Restaurada, volto para o mundo (ir)real. 

Uma certeza apenas: de definitiva só a vista. Logo voltarei para novas reflexões…

Alda M S Santos 

Atropelados pela vida

ATROPELADOS PELA VIDA
Tantas vezes somos atropelados pela vida. Caídos, outros “veículos” ainda passam por cima, caçoam, “filmam”, chutam cachorro morto. Quando tudo que queremos é um jornal para nos cobrir!
É, a vida pode ser cruel, às vezes. Imunidade baixa, todos os nossos monstros internos ganham força. Por isso parece que tudo vem ao mesmo tempo: desemprego, desilusão amorosa, brigas familiares, saúde frágil, caixa em baixa, amigos ausentes…
Pensamos em desistir… Entregar os pontos, jogar a toalha, aceitar o game over.
Tudo torna-se seco, cinza, sem vida! Fechamo-nos para o mundo.
Aí aparecem as almas caridosas com os velhos conselhos: vai passar, sacode a poeira, levante-se, chorar não vai adiantar…
E nossa vontade é gritar: pare, deixe-me com minha dor! Eu quero chorar, quero me entregar, quero ficar afundado nesse sofá por quanto tempo me aprouver!
Esse momento de “luto” é importante. Nele processamos o que perdemos, o que restou, o que devemos buscar. Fazemos nosso balanço interno antes de reabrir as portas para o público.
E nossa força, aos poucos, ressurge. E vai crescendo.
De onde vem essa força? O que a aciona? Quem dispara esse gatilho?
Cada um é cada um, mas vamos aprendendo técnicas para lidar com o sofrimento. Cada qual busca a sua: família, leituras, passeios, atividade física, chocolate, músicas, orações…
Duas ajudas são fundamentais e universais.
Primeiro: os amigos, aqueles mesmos, os dos velhos conselhos. Não sejamos tão duros com eles, não fazem por mal, do seu jeito, querem apenas ajudar.
Segundo: Deus. Ele é um só e olha por todos, independente do tamanho do nosso problema. Se nos incomoda, se pedirmos, Ele nos ajuda e nos atende.
Quando estivermos derrubados no meio da estrada, mesmo que seja difícil, tentemos lembrar disso. Pode diminuir o período de luto e irrigar a força. Ela brotará mais rapidamente.
Alda M S Santos

Frustrações

FRUSTRAÇÕES

Frustração é quando

Não conseguimos transformar o pesadelo em sonho,

O sonho em realidade…

Frustração é quando não podemos aproximar o distante tão querido,

E afastar o próximo indesejado.

Frustração é não fazer o que se ama,

Mais ainda, não amar o que se faz…

Frustração é o daltonismo diário,

Só ver cinza onde há cores! 

Frustração é não conseguir transformar amizade em amor,

Ou amor em amizade, conforme se queira. 

Mas mais frustrante mesmo é desistir 

A vida consiste em transformar frustrações

Em maravilhosas realizações… 

Alda M S Santos

Fênix: Em escala de cinza

FÊNIX- EM ESCALA DE CINZA

Quero pedir licença para ter meus dias cinzentos. Sem precisar explicar nada, falar nada. Simplesmente ficar em escala de cinza. Pelo tempo que quiser ou julgar necessário.

A natureza, sempre tão colorida, tem períodos de recolhimento, de seca. O Sol se põe e abre espaço para a escuridão da noite. O mar tem períodos de ressaca. A Lua tem a fase Nova. A terra tem períodos inférteis.

Nenhum deles tem que dar explicação. São aceitos como são!

Por que eu, uma simples mortal, tenho que justificar, esconder, disfarçar ou me envergonhar de meus dias cinzentos?

A Lua, O Sol, as estrelas, o mar, toda a natureza, têm seus momentos de brilho e opacidade, por que eu não posso?

Quero sentar num canto, invisível, chorar se quiser, dormir 24 horas seguidas, sequer me olhar no espelho. Apenas desligar de tudo e de todos. Ficar em modo de espera, em coma induzido. Acinzentar-me!

Agradeceria se não me enxergassem. Se me vissem, não me perguntassem nada. Se questionassem, aceitassem meu “tudo bem”.

Não ê grosseria ou ingratidão. É respeito próprio. Independente se minha tristeza ou dor é maior ou menor que a sua, é minha. Pra mim tem valor.

Sem piadinhas, por favor! Brigou com o marido? Dormiu comigo? Acabou a bateria? Vou ignorar, por educação.

Posso garantir que vai passar. Sou parte da natureza, mesmo pequena e mortal, eu me refaço. Como fênix, renasço das cinzas.

Prometo que quando os dias cinzentos forem seus, eu os presentearei com o mesmo respeito.

Agradeço os olhares coloridos e cinzentos que dirão silenciosos “estou aqui”. Eles me bastarão.

Alda M S Santos

Olhe para o Alto

OLHE PARA O ALTO

Para frente tudo parece tão distante, tão difícil!

As pernas estão cansadas. A alma precisa de tempo. 

Para baixo tudo é amargura e cinza. Nada se vê de belo.

Mas se olhar por muito tempo, vicia. Risco de mergulho profundo na tristeza.

Para trás, quase nada se vê! Apenas atrasos…

Para dentro de si, tudo é confuso, conflituoso… 

Precisa-se encontrar a paz! 

Olhemos para o Alto!

Braços, olhos e coração abertos.

Coragem! 

A Luz que vem de lá é poderosa. 

Aciona o que há de melhor em nós! 

E poderemos dar o primeiro passo, seguir em frente…

Corpo, mente e alma numa só sintonia! E, finalmente, encontrar a paz! 

Alda M S Santos 

Quero ficar aqui!

QUERO FICAR AQUI! 

Ah, quero ficar aqui. 

Coração angustiado, cabeça pesada, corpo dolorido, vontade de hibernar como um urso. Tempo indeterminado.

É preciso que o desejo de nos “levantarmos” apareça primeiro no coração, na mente, para que o corpo obedeça.

Vontade de ficar aqui! 

Por quê? Sei lá! 

Ignoro o -“Vamos, um lindo dia te aguarda lá fora!”- que ouço de uma vozinha interior. 

Quero o direito de me entristecer, de chorar, de me lamentar, de gritar, de ter dúvidas, de ser preguiçosa, se for o caso. 

Quem disse que precisamos ser fortes todo o tempo? 

Quero virar para o canto, enfiar-me embaixo do edredom, voltar-me para mim mesma. 

Tantas vezes precisamos dessa limpeza! Que seja à base de orações, reflexões, lágrimas ou cama! 

Que o trabalho espere! Que o mundo espere! 

Eu sem mim mesma não sou nada para ninguém! 

Até breve! 

Alda M S Santos 

Quando o amor não é o bastante

QUANDO O AMOR NÃO É O BASTANTE

Quando vemos tantas pessoas que amam e, ainda assim, sofrem, podemos chegar a uma difícil conclusão: o amor é supervalorizado.

Vejamos uma mãe que luta dia após dia por um filho dependente químico, que o ama, acredita, investe, recomeça incansavelmente e, ainda assim, ele retorna ao vício, maltrata-a, maltrata-se. O amor dela se mantém, porém, nem sempre alcança seu objetivo.

O amor de um filho pelos pais que o ignoram, que não assumiram a função tão sublime recebida de Deus, deixando-os crescer à própria sorte. Mesmo assim, tantos filhos tentam, pelo amor, tirar os pais de vidas desregradas e infelizes.

Uma esposa que, independente dos adjetivos que receba de todos, insiste no amor ao marido que em nada a dignifica, que trai, que ofende física e psicologicamente, que não a completa, ou em nada ajuda relacionado aos filhos, ao lar ou à família.

Uma pessoa que trabalhe num asilo, que dedique seus dias a dar amor, atenção, carinho, e só vê simples rasgos de brilho naqueles olhos cansados e nebulosos pela tristeza do abandono.

Finalmente, talvez o maior de todos, alguém que ame outro alguém, romanticamente, e espera que esse amor seja o bastante para fazê-los estar juntos, porém, não é o que acontece. Muitas vezes não há reciprocidade, noutras há empecilhos diversos que impedem a aproximação. Tantas vezes o momento não é o adequado, ou a distância, a saúde, as famílias, o trabalho…

Certo é que o que mais vemos, até mais que amores plenos, são amores frustrados. Será que isso acontece porque supervalorizamos o amor, ou porque esperamos que ele faça milagres?

Avaliando essas situações chego a três conclusões.

Primeiro, o amor não poderia resolver tudo sozinho. Não salva um filho das drogas, os pais da infelicidade, os idosos do abandono, a esposa amargurada ou os amantes frustrados.

Segundo, o amor faz, sim, muitos milagres. O filho drogado, os pais desregrados, os idosos abandonados, os amantes, todos estariam muito piores se não fosse o amor que recebem, sentem ou distribuem.

E terceiro, quem recebe amor é privilegiado, mas quem é capaz de senti-lo ou doá-lo é quem sai no lucro, verdadeiramente. Pode até não obter grandes resultados, pois depende de vários sentimentos que estão no outro, dos quais não tem controle, mas impede que a situação do outro seja ainda pior.

Há também muitos que se salvaram com o amor recebido; pais, filhos, cônjuges, idosos, amantes. O amor é incansável!

Jesus sempre pregou o amor acima de tudo. Sempre sofreu e deu o máximo do amor por nós: Sua Vida.

O amor que se doa sempre retorna em dobro. Coração que ama está sempre cheio, vivo, vibrante, ainda que seja de lágrimas ou saudades.

Supervalorizar o amor pode parecer ingênuo, porém, subestimar sua força e seu poder certamente não é muito inteligente!

Alda M S Santos

Mais no meu blog http://www.vidaintensavida.wordpress.com

Vontade de sumir

Quem nunca teve essa vontade, em alguma fase da vida, que atire a primeira acusação. 

Não importa a causa, a razão ou a ausência de motivação… Nem se para o outro não é motivo bastante. O que devemos considerar é que quando temos esse pensamento estamos sofrendo. Estamos lidando com algo que, ao menos no momento, julgamos que seja superior às nossas forças. Várias podem ser as causas: um prejuízo financeiro, perda de emprego, de um amor, de uma amizade, uma doença… 

Somos únicos e lidamos de modo único com nossos problemas. Pode ser que tenhamos acumulado coisas demais e a gota d’água tenha sido uma briga com o companheiro. Desse modo, pode parecer que o desejo de sumir seja sem propósito e repentino, mas só quem o vive sabe o peso que tem.

Há, obviamente, os casos graves de depressão, em que esse desejo de fugir surge com mais frequência. Esses casos, além da ajuda de familiares e amigos, torna-se necessário também o tratamento terapêutico e espiritual. 

Mas quando ocorre entre os dito “normais”, apenas alguns cuidados devem ser tomados. 

Precisamos respeitar esse grito de nossa alma. A vontade de sumir é um pedido de socorro, um grito de pare, me dê um tempo. Muitas vezes, tudo que precisamos é fugir para dentro de nós mesmos. Pode haver coisas demais em conflito lá dentro, precisando sair, se organizar… Fazermos uma faxina emocional. Descartar coisas, guardar outras com carinho, tirar algumas de evidência. Talvez precisemos de ajuda externa, mas muitas vezes precisamos só de nós mesmos. Chorar, gritar, ouvir música bem alto, orar, isolar-se, dirigir sem rumo, até mesmo viajar por uns tempos. Respeitar nosso tempo. Até nos encontrarmos conosco mesmos. A vontade de sumir é a vontade de nos reencontrarmos. No fundo, sabemos que nosso lugar é onde estão aqueles que amamos e que nos amam. 

Muitas vezes, ao ouvir isso de alguém, nossa tendência é “segurar” os que desejam ir. Não adianta. Eles precisam de tempo para se encontrar. Devemos apenas estar por perto para ampará-los, abraçá-los, amá-los, quando voltarem.

Certo é que onde quer que a gente vá, levaremos conosco nossa mente, nosso coração, nossa alma…e tudo e todos que lá estiverem. Que a gente vá, se encontre e volte ainda mais forte! 

Alda M S Santos

Dorme que passa

Sabe quando a gente quer algo, insiste, chora, pede, reza e, nada? Uns até brigam, chantageiam, causam confusões, deprimem. Lembro- me da infância, quando expressávamos alguma vontade mirabolante, para o olhar adulto, ou, simplesmente, uma vontade de brincar na rua e nossos pais diziam, “dorme que passa”. E não é que passava mesmo? Tudo era tão simples! Mesmo que tivéssemos ido dormir chorando, ao amanhecer nem lembrávamos mais.

Não sei se era a cama, a confiança, o carinho recebido. Talvez outros desejos tomassem a frente, ou os “problemas” e desejos fossem mais simples mesmo. Fato é que quase tudo se resolvia depois de uma noite de sono.

Mas a gente cresce. Os desejos e vontades tornam-se grandes também. Tentamos alcançá-los, refletimos, lutamos, buscamos ajuda, rezamos. Muitas vezes, conseguimos, substituímos ou desistimos. E ficamos bem.

O problema se dá quando a vontade insiste, o desejo de obter algo é forte. Pode ser qualquer coisa, material, profissional, pessoal, emocional, não importa. Muitas vezes, insignificante para o outro, mas fundamental para nós. Gostaríamos de ter à mão a eficácia da receita de nossos pais. Dormir e, ao acordar, tudo ter passado.

Tudo isso faz um pouco de sentido. O sono descansa o corpo, acalma a mente, apazigua a alma. Pode não resolver os problemas, tornar reais os sonhos ou realizar os desejos, mas nos torna mais aptos a nos encarar sem eles ou mais fortes para correr atrás do desejado.

Quando estivermos “down”, vamos dormir? Pode ser que passe!

Alda M S Santos

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