É sempre tão fácil aconselhar! Os problemas dos outros sempre nos parecerão simples, ou ao menos não tão complicados. Sentimo-nos até mesmo “superiores” por poder ver o que o outro não está conseguindo enxergar, vislumbrar uma saída, quando ele parece estar perdido.
Podemos não entender uma mãe que chora e perde o sono por um filho doente, duvidar da força de vontade de alguém que insiste em beber, sabendo que o álcool lhe faz mal, desacreditar no amor quando vemos um homem chorar por tê-lo perdido, perder a paciência com o papo repetitivo de um idoso ou com a mania de doença e morte de uma jovem bonita e saudável.
Mas há um momento em que tudo muda de figura!
Quando temos os nossos filhos, entendemos e nos emocionamos com qualquer problema que envolva crianças. Acreditamos no alcoolismo como doença, que deve ser tratada, quando o vivenciamos na família. Entendemos o homem que chora por amor, quando amamos, lutamos, sofremos, sorrimos, choramos e perdemos alguém que é tudo pra nós. Passamos a amar os idosos quando vemos alguém sendo grosseiro com as histórias que tanto amamos de nossos avós. Aprendemos a ter carinho com a jovem “saudável” quando temos uma sobrinha bulímica, anoréxica ou depressiva em casa.
Há outros meios de aprender a se colocar no lugar do outro, de exercitar a alteridade, a compaixão, a solidariedade, o amor. Porém, nenhum deles é tão eficaz quanto sentir na própria pele, vivenciar o mesmo problema.
Será por isso que Deus nos permite vivenciar tantas experiências? É apenas um professor amoroso, mas “exigente”?
Seja como for, sempre vale a pena repensar, ter bastante sensibilidade, quando nosso olhar recair sobre os problemas de alguém. Só ele, somente ele, poderá dizer a intensidade de sua dor. Estejamos atentos!
Alda M S Santos