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Pares

Procuramos

PROCURAMOS

Somos um entre bilhões, um a mais na multidão

Aqueles que tentam ver, serem vistos ou passarem despercebidos

Num ir e vir frenético, procuramos…

Por um alguém especial, alguém a nós destinado,

Ainda não encontrado, apenas imaginado

Ou já encontrado, não valorizado, perdido…

Procuramos por um rosto específico, um jeito de andar

Um modo distraído, concentrado ou estabanado de ser

Aqueles cabelos rebeldes, vestes despojadas

E aquele sorriso, aquele olhar,

Únicos no mundo, brilho especial, alvo certeiro…

Esses é que darão a conexão ímpar: de almas

Procuramos…

Mas são tantas as almas!

Onde estará aquela especial?

Trombará conosco na rua, derrubará nossos livros no metrô

Comerá nossa pipoca ou enxugará nossas lágrimas no cinema

Molhará conosco numa chuva de verão numa praia lotada

Dançará conosco numa festa, daremos uma carona amiga

Ou simplesmente chegará dizendo “oi, desculpe pelo atraso”?

Andamos, observamos

Olhamos bem os detalhes

Uns encontram, guardam com carinho, grudam para sempre

E os outros continuam

Procurando…

Alda M S Santos

Parear ou apear?

PAREAR OU APEAR?

Nos caminhos retos ou sinuosos, bonitos ou feios

Floridos ou áridos, fáceis ou nem tanto

Melhor mesmo é ir aos pares, acompanhados

Não qualquer companhia, alguém que vá junto por prazer

Que monte na nossa garupa

Ou dos quais sejamos o garupa

Numa montaria à parte, lado a lado

Tanto faz…

Não vale é disparar na frente, sozinho

Ou ficar para trás, isolado

Salvo se for numa prazerosa brincadeira de pega-pega

Quem cavalga junto precisa ter objetivos e destinos similares e/ou complementares

Um “salvando” o outro nos momentos de fragilidade

É necessário parear… ou apear

Antes que ambos caiam, literalmente, do cavalo…

Alda M S Santos

Pares im(perfeitos)

PARES IM(PERFEITOS)

Não somos pés de meia ou sapatos

Não há necessidade de sermos iguais

É até preferível quando não somos

Para sermos pares, basta que combinemos

Que nos encaixemos bem, nos façamos bem

E que mesmo quando apertados ou com frio

Não causemos bolhas, calos ou resfriados

Mas que aproveitemos para nos aproximar e nos aquecer

E formar o melhor par imperfeito do mundo…

Alda M S Santos

Metades?

METADES?

Eles caminhavam de mãos dadas na avenida movimentada numa manhã ensolarada e fria.

Andavam devagarzinho entre apressados, agasalhos quentinhos quase tanto quanto a cena.

Cabelos brancos como neve brilhavam sob a luz forte.

Uma bengala numa das mãos dele, uma sombrinha grande fechada na dela.

Corpos meio encurvados somando umas quinze décadas…

Vez ou outra trocavam uma palavra, mas os olhares se comunicavam melhor.

Um bueiro aberto à frente, aquele cuidado de desviá-la do cone sinalizador do perigo.

Quantas vezes desviaram um ao outro do caminho interrompido?

Quantas vezes limparam as feridas das quedas nos bueiros da vida ou frustraram-se por não poderem fazê-lo?

Quantos segredos compartilhados ou guardados para proteção?

Quantos momentos de dor superados, fraturas coladas, perdão oferecidos, lágrimas misturadas?

Quantas marcas trazem nos joelhos, nos corações, nas almas?

São metades complementares, despareadas?

Não, são inteiros afins, falhos, com cicatrizes!

Contudo, dispuseram-se a caminhar juntos, a aceitarem-se e diminuírem essas falhas.

Quem vê conclui: “que lindo, que vida perfeita”.

Não, não são perfeitos e, por isso, ajudam-se em suas imperfeições e crescem.

Perfeitos não precisam do outro, de ninguém, não toleram imperfeições.

Lindo, sim! Não pela perfeição, mas pelo amor que cultivaram, que sobrevive às imperfeições.

Se estão unidos ainda assim, de mãos dadas, como a dizer “te aceito”, é exatamente por saberem-se imperfeitos!

Quantos de nós almejamos tudo isso, seguimos no barco da vida, remando sozinhos sem saber nos expressar?

Um viva às nossas imperfeições, melhorando a cada dia,

Sem desgastadas pretensões de alcançar a perfeição…

Alda M S Santos

Amar é…

AMAR É…

Amar é sentir-se junto, mesmo distante,

A um cômodo de distância ou a um oceano.

É ocupar espaços ociosos, é estar dentro.

Dentro dos pensamentos, da imaginação, da emoção,

Sem, contudo, ser invasão, apenas ser bem-vindo.

É ter necessidade, é tornar-se necessário, imprescindível.

Amar é compartilhar, partilhar, ser parceiro.

De momentos sérios ou bobos, de qualquer coisa.

É Matemática emocional: dividir o tudo ou o nada.

Amar é não sufocar o outro, não se sentir sufocado, tampouco limitar.

Amar é estar disponível, é encontrar disponibilidade no outro,

Por prazer, com prazer, para um sorvete, um filme,

Para fazer amor ou para mudar o mundo.

Amar é aquecer o outro, é aquecerem-se juntos,

As mãos, o abraço, o corpo todo…

Mas, principalmente, aquecer a alma.

Amar é ser indivíduo, é sentir-se ímpar,

Mas saber que nosso melhor se encontra quando somos pares.

Alda M S Santos

 

 

 

Voo leve

VOO LEVE
Somos um ser de uma asa só voando por aí,
Voamos bem, voamos muito, ora baixo, ora alto…
Quando encontramos uma asa que nos pareia, tudo se encaixa.
Voamos bem, voamos alto, voamos leve, voamos felizes.
Mas se nos unimos a uma asa que não combina,
Melhor seria continuar voando bem, ora baixo, ora alto,
Mas com a própria asa…
Pior que voar sozinho é voar com asas que pesam,
Com asas que desequilibram, que geram turbulências.
O voo precisa ser leve, livre, solto e feliz,
Sozinho ou acompanhado.
Alda M S Santos
Foto Google imagens

Pares perfeitos

PARES PERFEITOS

Há coisas que são boa pedida :

Pão com manteiga, frango com quiabo, 

Queijo com goiabada, arroz com feijão.

São a dupla ideal:

Roberto e Erasmo, Sandy e Júnior, 

Vinícius e Ipanema, Tonico e Tinoco

Atraem-se como ímãs:

Dedo do pé e quina dos móveis, carro lavado e chuva

TV e sono, rede e livro.

Não vivem uma sem a outra: 

Cão e gato, Tom e Jerry,

Cinema e pipoca, muros e amassos.

São sinônimos:

Segunda-feira e preguiça, sexta e chopp

Sábado e balada, domingo e pelada. 

São belezas naturais:

Criança e bola, dor de cotovelo e música brega

Praia e pôr-do-sol, viagem e romance. 

Simples e gostosos:

Papai e mamãe, chuva e caminhada

Férias e cama, amigos e risadas

Inexistem um sem o outro:

Remédios e caretas, dentistas e frio no estômago

Apertos e orações, prova e dor de barriga.

São pares perfeitos: 

Jesus e a humanidade, mãe e filho, 

Trabalho e descanso, você e eu…

Alda M S Santos

Nossa trilha sonora

 Nem sempre podemos escolher a trilha sonora de nossas vidas. Tantas vezes aparece cada ritmo que não nos cabe, ficamos duros, emburrados, insatisfeitos. A vontade é sentar num cantinho afastado e escuro e aguardar a festa acabar, ou simplesmente fugir. Outras queremos desligar a música, trocá-la, apelamos com o DJ. Mas esses são apenas atos rebeldes e paliativos. Não resolvem. Se não escolhemos a música, precisamos aprender a dançar. Quando dançamos a música que não nos agrada ela “toca” mais rápido. Talvez a próxima seja no nosso ritmo preferido. 

A boa notícia é que, apesar de não escolhermos o ritmo, podemos escolher nosso par, nossos parceiros, nossa equipe de dança. 

Poder selecionar quem vamos tirar para dançar cada ritmo, ou quem vai nos acompanhar em todos eles é primordial. Isso faz toda a diferença. Seja qual for o ritmo que se apresente, sintonizemos e dancemos.

Alda M S Santos

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