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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Amor

Atrofiados

ATROFIADOS

Tudo aquilo que não usamos atrofia, enferruja, torna-se obsoleto, perde a utilidade, a validade, o brilho

O mesmo vale para objetos, eletrônicos, máquinas, alimentos, músculos, cérebro, sentimentos, emoções …

Não usar uma máquina, um veículo não os preserva

Não ingerir um alimento não o conserva ou eterniza

Não trabalhar músculos faz com que se atrofiem, percam tônus

A utilização é que faz correr o óleo, o sangue, o oxigênio, o fluido da vida…

Motor em uso mantém a máquina ativa

Sentimentos e emoções são o óleo, o fluido vital que gira o motor da vida

Coração partido tem mais vida que coração intacto, atrofiado por falta de uso…

Alda M S Santos

A pergunta certa

A PERGUNTA CERTA

A pergunta certa não é “o que posso receber de alguém?”

Ou “o que o outro pode me oferecer?”

A pergunta certa não é aquela que nosso egocentrismo determina

A pergunta certa é “o que posso oferecer de mim ao outro”?

“Em que posso melhorar a vida de alguém”?

Buscando o que de mais livre e sincero pudermos oferecer

Acabaremos por ser o que o outro mais necessita

A via se torna de mão-dupla, vai e volta infinitamente

E recebemos, sem buscar, sem cobrar, o que mais necessitamos

Fazendo, assim, um mundo melhor para todos nós…

Alda M S Santos

#carinhologos

Fragilidades

FRAGILIDADES

Ser frágil é a coisa mais fácil do mundo, mais humana, mais dolorosa

Mostrar-se frágil, aparentar fraqueza, por sua vez, a mais difícil

Transparecer fragilidade, impotência, pedir ajuda

Estender a mão, gritar por socorro, chorar, necessitar

Demonstram um fracasso que não ousamos admitir

Mostrar-se necessitado exige uma força sobre-humana, uma certa humildade, pureza de coração

Que poucos possuímos, e quase nunca conseguimos obter, alcançar

Não combinam com o orgulho e vaidade que gostamos de ostentar

Pouquíssimos conseguem acessar esses nossos recônditos frágeis

Quem consegue, não é por ser forte, mas por também ser frágil e se reconhecer no outro.

Assim, fechados em nós mesmos, sepultando fraquezas e lágrimas

Aumentamos dia a dia nossas fragilidades, nossos medos

Muitas vezes, a força estando a um abraço de distância…

Alda M S Santos

Olhar opaco

OLHAR OPACO

Encontraram-se muito tempo depois

Num espaço além-terra, fora da galáxia

Abraçaram-se longamente, sem nada dizer

Palavras desnecessárias, supérfluas, troca de calor

Encontro de corpos onde já havia afinidade de almas, intimidade de ideias

Sabiam de que barro foram feitos todos os humanos

Nem a troca de olhares era possível, córneas opacas, cegas

“Não posso mais te ver, mas posso te sentir”

“Sinto seu cheiro, ouço sua voz, o carinho que sempre me dedicou”

“Não preciso dos olhos para saber que é você, amor inigualável que recebi”

“Não chore! O amor tem muitos meios de se fazer marcante, presente”

O abraço longo, saudoso, de outra vida comprovava tudo

Em sonhos…

Alda M S Santos

Quando acordas

QUANDO ACORDAS

Aquele primeiro pensamento que vem à sua mente quando acordas

Seja quando os raios de sol invadem sua janela ou quando a chuva tamborila no telhado

Seja quando tudo é sorriso, luz e brilho ou quando são lágrimas e sombras

Talvez o mesmo por dias, meses, anos a fio

Te estimula a seguir em frente, te anima, encoraja

Te faz sorrir para a vida, para os outros, ser alguém melhor

Acreditar que tudo pode ser possível, ser mais forte

Ou esse pensamento te entristece, desestimula, acovarda, te faz menos do que é?

Tantas vezes tirando até mesmo o desejo de levantar-se da cama?

Se é fonte de força, fé, amor, coragem e esperança

Não abra mão dele…torne-o real, alimente-o

Mas se apenas te joga para baixo, te faz desacreditar em seu poder de dar a volta por cima

Tá na hora de mudar o pensamento, substituir por algo mais benéfico

Ou mudar de atitude…

Alda M S Santos

Tudo será teu

TUDO SERÁ TEU

Somos movidos por nossas carências, vazios e necessidades: físicas, emocionais, materiais

Reais ou imaginárias, naturais ou patológicas

“Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão”.((Lucas, 4:3)

São essas carências que dão o tom de nossas ações, nossas buscas

O movimento ou inércia que geram nossos erros e acertos

“Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.

Portanto, se tu me adorares, tudo será teu”. (Lucas 4:6,7)

O modo como reagimos aos vazios é que determina nossas vitórias e derrotas

Nossas fraquezas, forças, amigos e inimigos surgem

E, consequentemente, nosso aprendizado

Nossas carências podem ser nossas maiores aliadas

Ou nossa grande perdição…

Alda M S Santos

Autoridade feminina

AUTORIDADE FEMININA

Toda mulher possui autoridade, chorando ou sorrindo tem postura de deusa, de rainha

Autoridade conferida pelo afeto, capaz de comandar um batalhão

Sem parecer que moveu sequer uma palha, cheia de doçura, fada madrinha

Olhar que diz mais que uma ladainha inteira, que gera por respeito a desejada ação

Toda mulher possui autoridade conferida pelo amor

Amor que gera vida dentro de si, amor que cria, que dá colo, que protege

Amor que se passa por frágil, que amansa leões com sorriso, que cura com beijinho uma dor

Amor que desperta vontades, satisfaz desejos, que revoluciona o ser, que a todos rege

Toda mulher possui autoridade conferida pela Criação

Daquele que a fez capaz de retirar forças tanto das lágrimas dolorosas quanto de um sorriso singelo, brava lutadora por aconchego, por união

Daquele que a desenhou com traços finos, alma delicada, rica, amorosa, agregadora, hábil em sentir e despertar compaixão

Alimentada e abastecida por qualquer atitude que demonstre amor, carinho e proteção…

Somos assim, mulheres…por Ele sonhadas

Evas, Madalenas, Anas, Esters, Marias, Rutes, Saras da Criação…

De ontem, de hoje, do amanhã, de sempre

Alda M S Santos

Preferências

PREFERÊNCIAS

Há quem olhe para a poeira e feiúra das ruínas

Mas há quem veja nelas a possibilidade de encontrar um baú de tesouros

Há quem se assuste com os barulhos e destruição das tempestades

Mas há os que aguardem ansiosos o arco-íris que a elas se segue

Há quem veja naufrágio, sombra, afogamento e terror nas ondas revoltas do mar

Mas há quem veja sossego e paz em suas águas verdes e espuma branca que lavam e levam embora o indesejado

Há quem veja numa árvore frondosa muitas folhas a sujar o quintal ou a rua

Mas há quem veja galhos para subir, flores e pássaros para admirar, frutos para se alimentar

Há quem se enfeze com os espinhos, pragas e ervas daninhas dos jardins,

Mas há quem se alegre e sinta o perfume, as cores e músicas encantadores

Há quem reclame do cansaço do trabalho ou dos estudos

Mas há quem se fixe no bem que essa dedicação pode trazer

Há quem se põe, rabugento, inerte, a criticar os corajosos, alegres e afoitos

Mas há aqueles que, apesar de joelhos esfolados, cara quebrada, mantêm o sorriso pedalando sua bicicleta

Há quem evite amar, confiar, por medo de ter o coração partido

Mas há os que amam, se arriscam, ganham ou perdem, sorriem, choram, sofrem, têm saudades, vivem…

E há aqueles que percebem-se de coração partido por falta de uso, de vida.

Todos podemos ter medos, nos assustar, nos acovardar, desconfiar, entristecer, fraquejar, reclamar das dificuldades…

Mas o que fazemos com esses sentimentos tão humanos,

É que dá o tom diferencial de nossas vidas….

Alda M S Santos

Uma questão de cabimento

UMA QUESTÃO DE CABIMENTO

Quando não estamos cabendo bem dentro de nós mesmos

Nenhum lugar será bom o bastante para nos acomodar

Nunca será agradável, nunca nos sentiremos em casa

Ou será apertado como sapato novo ou grande demais como roupa de irmão mais velho

Tão escuro como noite sem estrelas, ofuscante demais como luz refletida no espelho

Será tão barulhento quanto quarto de adolescente, ou silencioso e triste feito funeral em dia de chuva

Enquanto não coubermos dentro de nós mesmos

Como meias quentinhas em tardes de domingo chuvoso

Não haverá cabimento para nós dentro de ninguém

Em lugar algum!

Alda M S Santos

Linguagem do amor

LINGUAGEM DO AMOR

O amor tem uma linguagem única, especial, original

Independente do tipo de amor…

Pode ser o vocabulário, o toque, uma canção, uma brincadeira, um olhar, um abraço diferente

E que será resgatado e reconhecido quando as palavras ou um dos outros faltarem

Sempre chamo as idosas do asilo de “amor da minha vida”

Faço carinho nos cabelos, beijo a testa, canto, “gasto”, como diz uma delas

Tenho, como os outros, um jeito só meu de demonstrar o amor

Uma das idosas de 92 anos que adorava cantar conosco

Alegre, brincalhona, receptiva aos carinhos

Sofreu AVC e perdeu a comunicação verbal, parecendo pouco interagir

Estava chorosa, mas sorriu com carinhos e canções conhecidos, respondeu com o corpo, reconheceu-nos

Percebemos cada dia mais que há muitas maneiras de expressar o amor

Eles sentem isso, nós sentimos isso!

Nós aprendemos e usamos a rica linguagem do amor!

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Misérias humanas

MISÉRIAS HUMANAS

Medo: a maior de todas as misérias humanas

Se bem dosado nos protege, sem medidas nos assombra

Medo de ser assaltado, de adoecer, de ser traído, de perder alguém querido

Medo de não conseguir proteger o amor, a vida, de causar a dor, o mal

Capaz de nos confundir, distorcer fatos, embaralhar memórias, criar incapacidades e fantasmas

Leva-nos a duvidar de nossas forças, de nosso eu, a fantasiar monstros ultra poderosos

Em nome dele acabamos desconfiando de tudo, imaginando e legitimando barbáries

E o pior, fazendo acepção de pessoas, excluindo o diferente de nós que nos enriqueceria

Desacreditamos do poder do amor puro, universal, fraterno, do perdão

Vemos Deus sob a nossa ótica humana limitada, medrosa, culpada e distorcida

Aquele que julga e castiga cruelmente nossas falhas, nossos erros

O medo que venda nossos olhos, que nos paralisa, impede de ver toda a natureza do entorno, nossa natureza, é uma armadilha atroz

É extremamente negativo, afasta-nos do melhor de nós:

Nossa capacidade de confiar e amar, de recomeçar com esperança

Essa é a face contraditória do amor

O medo de sermos dele privados nos distancia bastante de sua essência gratuita, incondicional

O medo de perder, de ser julgado e condenado, nos condena por antecipação

Nos afasta de Deus, do amor…

E, lamentavelmente, isso já é a própria condenação!

Alda M S Santos

Florescendo

FLORESCENDO

A vida é feita de cores, de flores, de amores

Quanto mais amor, mais cor, mais flor

Ou seria mais flor, mais amor, mais cor

A ordem não importa…

Oferecidas com alegria, por prazer, por vontade

Rosas, orquídeas, flores quaisquer

Doados com carinho, por desejo, por necessidade,

Amizades ou amores quaisquer

Sempre irão florescer, encantar

Perfumar, colorir o mundo…

Se houver o mesmo carinho e amor em quem recebe e sabe cultivar!

Alda M S Santos

A última carta

A ÚLTIMA CARTA

Lembra-se do que escreveu naquela última carta

Sem saber que seria a última?

Lembra-se daquele abraço, daquele sorriso

Sem ter consciência que não haveria outros?

Lembra-se de um simples tchau, um até mais, sem saber que eram um adeus?

Lembra-se das gargalhadas perdidas, brigas tolas

Sem considerar que poderia se arrepender, sentir tanta falta?

Se não houver mais chance

Dizemos o que queríamos ao escrever,

Abraçar, sorrir, brigar, nos despedir, amar?

A marca derradeira foi a que gostaríamos de ter deixado?

A memória pode falhar, o outro faltar, empecilhos mil surgirem

A vida se esvair como fumaça no céu

Quantos “últimos” e saudosos momentos temos vivido?

Haverá tempo de reviver alguma coisa?

Oportunidade para uma última carta?

Bom mesmo seria não esperar pela última carta

Mas sempre “escrever” como se fosse a última…

Alda M S Santos

Amore

AMORE

Amore, quando faltar sossego, busque refúgio em sua alma

Ela possui uma cama quentinha e aconchegante pra te acalmar

Amore, quando precisar de disposição, busque-a em sua alma

Ela é um depósito com livre acesso a lembranças e sensações boas e animadoras

Amore, quando sentir falta de perdão, busque-o em sua alma

Ela é um “tribunal” verdadeiro e justo

Amore, se as sombras apagarem ou confundirem seu caminho, siga a trilha da sua alma

Nela está a única luz capaz de iluminar sua caminhada

Amore, se tiver necessidade de sentir-se vivo, em paz, busque vida em sua alma

Nela, por mais inóspita que esteja, Eu vivo lá

Amore, se quiser ser amado, busque sua alma

Lá está seu eu verdadeiro, o melhor de si…

Tudo que você precisa para ser feliz está lá

Porque Eu estou lá, se puder Me ver…

E Eu nunca deixarei você sozinho!

Pode confiar em Mim, no Meu amor? 🙏😇

Alda M S Santos

Naquele banco da praça

NAQUELE BANCO DA PRAÇA

Um banco convidativo numa praça, paisagem linda, calmante

E você sentado ali sozinho, saudoso, amargurado, pesando sua vida

Lágrimas insistentes, peito apertado

Vontade imensa de ter alguém com quem dividir suas dores…

Haveria alguém com quem tivesse coragem de se abrir totalmente

Despejar tudo, fazer uma faxina interna, confiar?

Imagine se Ele sentasse ao seu lado, te abraçasse longamente

Olhos nos olhos, face a face, sem julgamentos

Que você faria?

Choraria, ficaria feliz, contaria a Ele tudo num desabafo

Mesmo tendo consciência de que Ele tudo sabe, compreende

Seus medos mais infantis e tolos, e os mais sérios também

Suas fraquezas e angústias, dores profundas

Os erros conscientes e inconscientes cometidos

As lutas, as vitórias, os desejos

Os caminhos errados, as más escolhas,

Males que causou a si e aos outros

O amor que viveu, o que não valorizou, não soube viver, oportunidades perdidas

Todas as lágrimas derramadas em seu travesseiro, angústias sufocadas

Cobraria algo Dele, algum esclarecimento, dívidas

Seria maduro o bastante para assumir suas responsabilidades na desordem em que se encontra?

Que teria a dizer em sua “defesa”,

Se Ele se sentasse ao seu lado?

Ele está conosco todo o tempo

Apenas à espera que busquemos por Ele

Que possamos nos abrir com Ele, confiar

E, assim que o fizermos, sentiremos Seu abraço demorado e terno

Seu amor infinito e especial

E seguiremos mais fortes, nunca mais sozinhos…

Alda M S Santos

Terminou, mas não acabou…

TERMINOU, MAS NÃO ACABOU…

Aquela vida que se jogou do alto de uma passarela no asfalto lá embaixo

Deixa a sensação aos que ficam de que há algo inacabado

Terminou, mas não acabou…

Não era a hora, foi interrompida por força das circunstâncias que desconhecemos

Aquele relacionamento feliz, mas que andava pisando em ovos, lutando contra medos, culpas, fragilidades e inseguranças

Terminou, mas não acabou…

Não acaba quando o amor permanece, a saudade ainda machuca, a ausência fere e dói

Quando não é dado um fim pacífico dentro de si

Aquele ser que se levanta todos os dias, sem brilho, sem alegria, sem norte

Que não encontra razões para estar vivo, cujos olhos opacos não dizem nada além de “cansado de viver”

Ainda não terminou, mas está se acabando…

Exceto o que deu fim a si mesmo lançando-se pelas dores e amarguras ao asfalto

E que continua apenas na mente dos que ficaram e nada puderam fazer,

Os demais não se acabaram, ainda que pareçam finalizados

Não estão mortos, a vida existe lá dentro

Camuflada em meio à penumbra da solidão

E precisa de luz para ser de novo despertada,

Esse suicídio lento pode e deve ser interrompido

Deixar correr as águas desse rio para a imensidão do mar

Retirar as amarras, as cordas do pescoço, desfazer os nós

Criar laços de amor e vida…

Alda M S Santos

Carinho também se aprende

CARINHO TAMBÉM SE APRENDE!

O ato de doar carinho, amor, atenção

É aprendido, desenvolvido, trabalha-se a emoção

O fato de ser inerente ao ser humano, a cada coração

Não implica necessariamente que todos tenham na mesma dimensão ou proporção

Uns apresentam maior dificuldade em oferecer

Já outros são inseguros, travados para receber

Mas ambos podem e devem essa habilidade praticar

Quem trabalha doando carinho e amor sabe bem valorizar

Oferecer o abraço acompanhado daquele olhar empático, terno

E de um “eu te amo” fraterno, sincero

Leva a sentir no outro e em si a grandeza e elasticidade do amor Paterno

Fluindo de nós para o outro, do outro para nós, seu poder curativo, eterno…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Simplesmente nua

SIMPLESMENTE NUA

Quero ter a coragem de me apresentar nua,

Completamente nua, sem disfarces ou maquiagens

Alma rasgada, sem vergonhas, pudores ou medos

Nasci nua, nua retornarei

Querendo ou não…

De nada valerá tudo que aqui acumulei

Exceto o que tiver guardado na sacola leve da minha alma

Ou nos espaços especiais, cedidos ou por empréstimo,

Que tiver ocupado positivamente na alma de alguém

Bens materiais, diplomas, cultura, contas bancárias…

Tudo são “vestimentas”, acessórios!

Currículo só valerá o emocional

Tudo o mais ficará para trás…

O que interessa é se isso tudo

Permitiu que eu me tornasse uma pessoa melhor,

Mais tolerante, amiga, amável, solidária, correta

Para mim mesma, para aqueles que me cercam…

Nudez da alma é a verdadeiramente cativante

E é só por ela que Ele se interessa!

Simplesmente nua, assim quero me apresentar…

Alda M S Santos

Que sou pra você?

QUE SOU PRA VOCÊ?

A brisa suave que refresca e acalma, a água que gela

Ou o fogo que aquece, mas a tudo consome

Que sou pra você?

O colo que acolhe, o abraço que acalenta e apascenta

Ou a presença que agita, movimenta, preocupa, enerva

Que sou pra você?

A companhia, a amizade, o amor, a confiança, o cuidado

Ou a ausência dolorosa e saudosa, porém, necessária

Que sou pra você?

Um presente desejado, querido e amado

Ou aquele “objeto” a mais que tens a entulhar seus móveis

Que sou pra você?

A fraqueza, o calcanhar de Aquiles, o ponto nevrálgico

Ou a rocha firme, a raiz, a força onde se apoias nas crises

Que sou pra você?

Um passado saudoso, um presente tolerável e um futuro incerto

Ou apenas aquilo sem o qual você não se imagina viver

Que sou pra você?

Posso ser um pouco de tudo isso

Em momentos diferentes…

Assim como você pode ser tudo isso para mim também

Como somos quase todos uns para os outros

Somos humanos, falhos, aprendizes,

E co-dependentes do amor, da doação, dos erros para crescer…

Alda M S Santos

Por favor

POR FAVOR!

Oito degraus, quatro pedidos

“Favor não sentar nos degraus”

Degraus vazios, nenhum atrevido

Por favor!

Deveríamos colocar alertas desse tipo em nós mesmos

Nos caminhos, os “degraus” que percorremos todos os dias

Favor não pegar essa trilha

Volte, esse caminho é sem saída!

Por favor!

Cuidado, você conhece o poder dos outros e suas fraquezas!

Ajude, mas cuide de si mesmo!

Por favor!

Não compre o que você não pode pagar!

Não leve o que não dá conta de carregar!

Não repouse seus pés em terrenos desconhecidos!

Não sente em bancos cheios que não garantem segurança ou firmeza!

Por favor!

Se em cada nosso degrau tivesse um aviso desses

Os tombos seriam menores, menos frequentes, menos fatais…

Alda M S Santos

A culpa é minha

A CULPA É MINHA

Estava numa dimensão intermediária entre a terra e o céu

À beira de um abismo, via que ele sofria do outro lado, prestes a cair

Tentava alertá-lo, gritava “te amo”, pedia para sair de lá, para não se arriscar

Encolhido, olhos opacos, distantes, não parecia me ouvir

Chorei, implorei que o salvassem, que trouxessem para mim, tirassem dele a dor que o torturava

Ouvi uma voz firme me dizendo: “ele pode cair, mas voltará mais forte”

“Transfiram para mim o que o machuca, a culpa é minha”- eu pedia chorando

A resposta veio logo “não, ele escolheu, ele quis viver, aprenderá”

“Mas sou mais experiente, podia ter impedido, alertado”

“Não é mais experiente, tudo isso é novo e perigoso para ambos, afaste-se daí”

Eu estava tão à beira do abismo quanto ele

Mas a queda dele era mais assustadora para mim que a minha

Abaixei, em prantos, rezei por ele, quando não mais o vi…

Acordei chorando, mas amedrontada e com fé, continuei as orações…

Alda M S Santos

Para viver é preciso sonhar

PRA VIVER É PRECISO SONHAR

Não há vida sem sonhos, há apenas a seca sobrevivência

Pra manter-se vivo de verdade, vibrante, é preciso sonhar

Mas há que se ter equilíbrio, saber dosar a água e o fubá

Um sonho sozinho não se sustenta por muito tempo

Desfaz-se feito nuvens negras em dias de verão

Tampouco a dura realidade se mantém íntegra sem a liga dos sonhos

Quem vive sem sonhos amarga duras realidades

Quem vive só de sonhos amarga dolorosas decepções

Até mesmo um sonho precisa de umas pitadas de realidade, vez ou outra

Para temperar a vida,

Para poder sobreviver…

Alda M S Santos

Caminhos da alma

CAMINHOS DA ALMA

Os caminhos de nossa alma são abertos devagarzinho

Uma gentileza aqui, um cuidado ali, um sorriso, um abraço, uma atenção mais à frente

Trilhas, esquinas, curvas, recônditos secretos, o prazer de um balancinho

Neles transitamos, claro ou escuro, sorrindo ou chorando, diariamente

Só é capaz de neles trafegar quem os ajudou a construir

Ainda que involuntariamente, sem perceber, sem desejar

E, uma vez conhecido o caminho, mesmo sem o possuir

Será sempre alguém capaz de ali fazer a luz se acender ou se apagar…

Alma possui caminhos com vias só de entrada…

Alda M S Santos

Condicionamento

CONDICIONAMENTO

Nossa vida é feita de muitos condicionamentos

Somos “treinados” todo o tempo: corpo e mente

Disciplina, rotina, ordem, para tornar a vida mais “fácil”, mais segura

Temos horário para tudo: dormir, acordar, alimentar, trabalhar…

O corpo fica condicionado e “pede” sono, alimento, descanso, atividade, repouso

Nossa mente é um pouco mais complicada para treinar

Pudéssemos manter apenas bons pensamentos ou lembranças

Barrar entrada de pessimismo, tristeza e medos

Conservar bons sentimentos, apagar os ruins, afastar o que machuca…

Nossa mata interna fica, por vezes, escura, fria, sem vida

Abrir frestas para entrada do sol é importante, criar trilhas de fuga

A mente mantém ativo aquilo que não está resolvido

Enquanto não for trabalhado e solucionado

Inútil tentar condicionar!

Alda M S Santos

Escritora?

ESCRITORA?

“Nossa, você é escritora! É a primeira que conheço!”

Ouvi certa vez, sem perceber ao certo, se era crítica ou apreço

Já fui acusada de excessivamente romântica

Até mesmo piegas, pura semântica

Apontada por outros como extremamente sensível, poética e habilidosa

Pois “não é pra qualquer um escrever poema ou prosa”

Questionada de vários modos de onde vem tanta inspiração

Digo apenas que tudo é despertado, fruto da emoção, da imaginação

Com o veredicto de maluca, pois ninguém gosta de fazer redação se não for obrigação

Aceito qualquer penalidade, desde que o hospício permita caneta e papel à mão

Trocadilhos, brincadeiras, versos e rimas à parte

Quem escreve sabe bem, escrever é nossa mata, nosso oxigênio, sabe-se dependente, não consegue viver sem a catarse dessa arte

Escrever é apenas mais um modo de respirar, de amar, de viver, de se comunicar

Nem melhor, nem pior, correndo ainda o risco de se decepcionar

Tudo que é dito através das palavras cantadas pela alma, nada mais suplanta

O que a alma diz, a razão pode até interpretar, mas é o coração que compreende,

É outra alma afim que se encanta…

Alda M S Santos

Queria voltar àquele tempo

QUERIA VOLTAR ÀQUELE TEMPO

Queria voltar àquele tempo

Onde os desejos eram simples e facilmente satisfeitos

Chupar bala puxa-puxa, subir em árvores, andar descalça, brincar na rua, tomar banho de bacia, dividir a cama com o irmão

Tempo de sentimentos puros e perfeitos…

Queria voltar àquele tempo

Onde os amigos eram menos virtuais, mais reais

Estavam do outro lado da cerca de bambu

A apenas um abraço de distância

Tempo de amigos leais…

Queria voltar àquele tempo

Onde os amores eram mais verdadeiros

Confidências, sorvete na pracinha, beijos roubados, “pegas” no portão

Tempo de amores mais parceiros…

Queria voltar àquele tempo

Onde as músicas eram pura poesia

Dançantes ou não, tocavam corpo e alma

Tempo de melodias que refletiam o que a gente sentia…

Queria voltar àquele tempo

Onde até sofrer era uma forma “doce” de viver

Sem precisar recorrer a antidepressivos

Tempo de magia, encanto e prazer…

Queria voltar àquele tempo,

E me sentir plenamente reviver…

Alda M S Santos

O máximo

O MÁXIMO

Ser “o máximo”, ou identificar o máximo em alguém,

É uma questão de perspectiva, de percepção

De referencial, de pontos de vista, de preferências

Ou de amor…

Podemos ser o máximo para uns, o mínimo para outros

Podemos ser o máximo ou o mínimo até para nós mesmos

Dependendo do momento ou da situação

E, por mais que dermos de nós mesmos,

Sempre será pouco para alguém, para algumas pessoas

Sempre haverá quem não saiba valorizar, identificar o que de bom recebeu:

O máximo de alguém…e deixou ir embora

Em contrapartida, para outras, um mínimo de nós ou delas é o bastante

Para fazê-las felizes, para nos fazer felizes

Isso não é se contentar com pouco

É saber identificar o que é precioso, gratuito

Verdadeiro, imprescindível, único

Para poder corresponder com o nosso máximo, e conservar…

Alda M S Santos

O amor na ausência

O AMOR NA AUSÊNCIA

O amor é sentimento tão ímpar

Que é sempre identificado

Ainda que na sua ausência.

Onde ele encontra morada

Tudo é luz, brilho, resplandecer

Cor, forma, contágio, alegria

Visível até aos mais incrédulos

Onde ele não é percebido

Notamos as pegadas de sua ausência:

Secura, tons acinzentados, amargor

Opacidade, escuridão, tristeza

Lágrimas, espaços vazios, vácuos

Mas ele está lá, em forma de semente

Pronta para germinar à primeira gota d’água

Ao calor do primeiro raio de sol

Ao cuidado de um mínimo gesto de reciprocidade

Vira broto, desenvolve raiz, cresce

Torna-se flor, árvore frondosa

Sem precisar fazer sombra ou derrubar outras “árvores”…

Alda M S Santos

Ninhos vazios?

NINHOS VAZIOS?

Um ninho vazio, aparentemente um emaranhado, muito bem tecido

Fios, fiapos, pequenas linhas e folhas, galhos, tudo bem escolhido

Montado com o máximo capricho e cuidado

Amor e proteção em cada mínimo detalhe

Para realizar desejos, receber bênçãos, dar vida ao que foi sonhado

Há pouco eram só penugem, fome, pios, bicos abertos

Carinho ao alcance das mãos, ou melhor, dos bicos famintos

E logo se transformaram em penas, força, canto, asas, voo

Inseguro, a princípio, raso, baixo, assustado

Seguido de força, coragem, beleza e encanto

Proporcionando muito orgulho àqueles que no ninho ficaram

E, paradoxalmente, uma alegria salpicada de tristeza, de saudade

O amor tem o dom de alimentar quem trata de alimentar o outro

E o alimento parece faltar a quem não tem mais os alimentandos

Aquele ninho não é mais útil, não os cabe mais

Não para a mesma finalidade, ficou apertado para o tamanho de suas asas

O alimento dali já não é nutritivo o bastante

Mas quem aprendeu a se alimentar nesse bico

Quem cultivou o amor no pulsar desse coração

Quem ali desenvolveu os músculos das asas e alçou o primeiro voo

Não se esquece…

E se lembrará quando novo ninho for tecer

Com o mesmo amor e cuidado

Vida e amor se renovam

E mantêm os ninhos sempre cheios…

Alda M S Santos

Eis-me aqui

EIS-ME AQUI

Na simplicidade de uma criança a balançar na gangorra na mangueira

Na singeleza da rosa que equilibra em suas pétalas o orvalho da manhã

No remanso do rio e no caminho que percorre o pescador

Ele está!

Na chuva que cai torrencial sobre a terra como maná

No sol que se levanta e se põe na hora certinha, brilha, aquece e gera vida

No amor infinito da mãe que acalenta seu rebento

Nos olhos saudosos e cansados dos idosos

Ele está!

Na alegria que nasce nos corações daqueles que amam

Na tristeza que mina as forças, que gera rios de lágrimas

Na vida que nasce a cada amanhecer ou morre a cada entardecer

Na sinfonia dos pássaros a procriar

Nas águas insistentes da cachoeira a moldar as pedras

No manto escuro salpicado de estrelas que cobre a noite

Ele está! Ele é perfeito!

Ele é pai e, sabendo que Ele está, sei que estou aqui, que sou aceita…

Sou filha! Sou imperfeita!

Filha de muitas alegrias, dores, vitórias, derrotas,

Angústias, saudades, erros, acertos, amores e desamores…

Eis-me aqui…

Alda M S Santos

Mal acostumados?

MAL ACOSTUMADOS?

Um dia, aguando o jardim fui alertada a reduzir a irrigação

“Não pode molhar todos os dias, vão se acostumar e sentir falta depois…”

Quantas vezes usamos esse raciocínio para a vida?

O quanto de bom somos privados para não ficarmos mal acostumados?

Um alimento, um passeio, noites de sono, descanso

Companhias, risadas, carinho, amor…

Claro, toda mudança é sentida

Particularmente quando algo de bom é retirado

Cuidar para não criar dependência do que é impossível manter é sábio

Mas privar-se de algo prazeroso pra não sentir falta depois

Não me parece muito inteligente.

E as flores recebiam felizes a água que eu as oferecia diariamente,

Amanhã é outro dia. Incerto.

Se precisarem buscarão reservas no solo

Como nós buscamos reservas em nossa alma quando precisamos

Se ela estiver bem nutrida,

A vida segue florida…

Alda M S Santos

Subversivo

SUBVERSIVO

Quando estiver num ambiente e faltar amor

Seja o subversivo: ame!

Espalhe o amor, plante o amor

Subversivos têm facilidade para atrair seguidores

Para contagiar, impregnar

E não há vacina que resolva!

Alda M S Santos

Precisamos acreditar em nós

PRECISAMOS ACREDITAR EM NÓS

Precisamos acreditar que tudo podemos se lutarmos

Mas não nos abater tanto quando algo não sair como o planejado

Precisamos acreditar que há amizades verdadeiras, amores eternos, vivos dentro da gente, que não caem ao primeiro vento

Mas não desistir da vida e dos relacionamentos se uma amizade ou um amor, por motivo qualquer, se for

Precisamos acreditar que construímos nossos caminhos, que fazemos nossas escolhas

Mas não nos punirmos ao ser preciso voltar quando um caminho se mostrar sem saída, ou uma escolha não for apropriada

Precisamos agradecer por sermos importantes, a “vida” de alguém, por termos pessoas importantes, nossas vidas

Mas não estacionarmos quando precisarem viver suas vidas além de nós

Precisamos acreditar nas cores da vida, no brilho, na sua capacidade de nos atrair

Mesmo quando enxergamos apenas cinza, através do brilho das lágrimas, da saudade ou da desilusão

Precisamos acreditar que tudo passa, bom ou ruim, cedo ou tarde

E que nossa flexibilidade perante os acontecimentos nos torna mais aptos a enfrentá-los

Precisamos acreditar que os melhores caminhos são os abertos a ferro e fogo, ou com carinho, em nossas rochas internas, que levam a recantos secretos, mágicos

São eles que precisamos percorrer quando algo se complica, por onde passam as águas que nos trazem vida

E é de onde buscamos forças para prosseguir

Precisamos aceitar que somos seres errantes, imperfeitos, que estamos aqui para aprender

Precisamos acreditar em nós!

Alda M S Santos

Ele sempre volta

ELE SEMPRE VOLTA

Estava escondido, encoberto, mas sempre lá

Sabe que é necessário, às vezes, ceder lugar, recolher-se

Deixar a natureza agir, molhar-se, hibernar

Confia em sua capacidade de resistir, de aquecer, mesmo entre nuvens

Ou debaixo de chuva constante

Sabe que tem seu lugar conquistado

Volta quente, lindo, brilhante como nunca

Alguns estranham, ficam ofuscados sob tanto brilho e calor

Outros, aceitam e saúdam o Sol em suas vidas

“Que bom que você voltou, senti falta do seu brilho e calor”

Quem soube aproveitar a chuva,

Se irrigar, abastecer seus mananciais

Lidar bem com a ausência do Sol

Saberá recebê-lo de braços abertos

Aquecer-se novamente, sabendo que somos assim mesmo

Nossa natureza é feita de presenças e ausências

De Sol e chuva, dia e noite, luz e sombras, sorrisos e lágrimas

Vive melhor quem aprende a lidar com elas

A estar preparado para esse constante vai e vem

Fácil? Nunca!

Mas a vida se impõe e vale cada aprendizado!

Alda M S Santos

Em casa

EM CASA

Sinto-me em casa quando posso ser quem sou

Sem constrangimentos, andar descalça, descabelada, ou não

Nua em pelo, de corpo e alma

Ou num moletom desbotado e nada sexy

Sem temer julgamentos ou represálias, sem falsos pudores

Com a certeza de ser aceita como sou

Dizer tudo que aprouver, ouvir sem resistência, com prazer

Ou silenciar, sem causar lacunas desagradáveis

Usar aquele baby-doll confortável que mais parece um abraço

Aqueles chinelos gastos como as memórias

Ouvir e cantar a música preferida bem desafinada, não importa

Esparramar na rede, ler um bom livro,

Entregar-me às boas memórias, às saudades, aos sonhos

Assistir um filme no sofá com um pote grande de pipoca

Ouvindo a chuva cantarolar feliz no telhado

Numa sintonia perfeita com minha alma

Aceitação total de quem sou, sem amargar culpas

Aceitando as pedras que aparecerem como oportunidade de superação

Sem ferir ou machucar ninguém, ajudando, se possível

Sabendo que Alguém lá em cima me ama e olha por mim

Isso é estar em casa!

Qualquer lugar ou pessoa que nos faça ser ou sentir diferente disso

São, no máximo, tolerados…

Estar em casa é um estado de espírito de graça

De simplicidade, harmonia e paz…

Alda M S Santos

Quando lagartas

QUANDO LAGARTAS

Difícil quem ache nelas beleza

Nas atemorizantes e assustadoras lagartas…

Amam as borboletas, matam as lagartas

Sem elas, contudo, não há o leve voo de extrema delicadeza

Das lindas e coloridas borboletas…

Somos muito assim

Nossa fase lagarta muitas vezes amedronta

Aos outros, a nós mesmos

Outras vezes não queremos sair, como afronta

E estacionamos na fase lagarta, no estágio casulo nos prendemos

Sentimos falsa proteção no “conhecido”

Não deixamos a vida fluir

Impedimos a metamorfose

E perdemos a beleza que cada fase tem

Se quisermos apreciar uma borboleta, sermos uma borboleta

Precisamos encarar de frente e com coragem nossas lagartas…

Alda M S Santos

Quanto vale uma vida?

QUANTO VALE UMA VIDA?

Uma pergunta difícil : quanto vale uma vida?

Uma vida vale tudo, mas não há nada que pague.

Também não vale nada, visto que não há valor material que possa sustentá-la

E tantas vezes parece estar presa a um único fio…e perdura

E outras, parece forte… e se perde

Vale o tamanho do nosso amor, da dor que fica

Da ausência deixada, da lacuna não preenchida

Como amor não tem medida, a vida também não tem…

Qualquer vida que se perde

Que permitimos que se vá

Que não conseguimos impedir a partida

É uma perda irreparável,

Independente de quem foi

Sexo, idade, classe social, instrução, religião, profissão…

É sempre um projeto de Deus interrompido…

E uma vida nunca pode substituir a outra

Cada vida é única e especial

Algumas são mais preciosas para a gente que outras

São aquelas que Deus nos entregou nas mãos e disse

“Cuida, confio em você”!

São aquelas pelas quais seremos cobrados

São aquelas que trazem tudo de bom que temos

Que fazem a nossa própria vida ser preciosa

Que nos alimentam de sorrisos e lágrimas

Que nos fazem acender, manter e fazer valer nossa porção divina…

Alda M S Santos

Céu e inferno

CÉU E INFERNO

Ansiamos pelo céu, tememos o inferno

Mas ambos estão muito pertinho de nós

Na verdade, ambos estão dentro de nós, ou nós dentro deles

Estamos no paraíso quando experimentamos boas sensações

Amor correspondido, amizade sincera, família unida

Corpo e mente saudáveis, paz conosco mesmos

Tudo lá fora torna-se lindo, colorido, brilhante, mesmo com raios e trovões, gelo ou nuvens pesadas…

Isso é paraíso.

Experimentamos o inferno quando não temos sintonia conosco, com os outros

Quando faltam empatia, amor, amizade, sossego

Quando sobram culpas, autoflagelos, dores, males físicos e mentais

Autopiedade, desconfianças, desamor, escuridão

Lá fora pode ser um espetáculo maravilhoso, sol quente, amor, natureza viva

E nós de olhos cerrados nos sentindo destruídos …

Isso é inferno.

O céu e o inferno, se fossem um lugar específico

Se tivessem que ser localizados num mapa

Seriam dentro de nossa própria mente, de nossa consciência

No mais íntimo de nossa alma

E depende de nós entrar ou sair de cada um deles

Fazer malas, mudar, deixar pra trás o que fere, ainda que com sofrimento

Mudanças sempre são dolorosas

E não precisamos morrer para isso…

Alda M S Santos

De tudo um pouco fazemos nosso tudo

DE TUDO UM POUCO FAZEMOS NOSSO TUDO

Um pouco de tudo, de tudo um pouco

Recheamos de amor, sorrisos

Compreensão, abraços, beijos, solidariedade

Troca de calor, de empatia, de lágrimas, doação de amor

Prazer na presença, nas companhias

De pouco em pouco, de muitos poucos,

Amizade embebida de amor, carinho, saudade

Embrulhamos na embalagem do amor e nos fazemos felizes…

Um pouco de tudo, de tudo um pouco

Tornam, assim, parte de nosso tudo…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Perpetuando a espécie

PERPETUANDO A ESPÉCIE

Sempre tão ágeis, ariscos e espertos

Instinto de autopreservação aguçado

Quase nunca conseguimos nos aproximar

Basta o amor…

E a vida se põe em risco!

Não veem o perigo se aproximar

Disfarçado de turista, pescador

Ou simples admirador das belezas naturais…

Perpetuar a espécie também é se preservar

Cuidar de si, do outro

Viva o amor!

Alda M S Santos

Viver não é fácil

VIVER NÃO É FÁCIL!

Maior que a satisfação de ficarmos e nos fazermos bem

É a responsabilidade de fazermos felizes aqueles que caminham conosco

Que dividem o mesmo espaço conosco nessa dimensão

Quer sejam filhos, pais, irmãos, cônjuge, amigos…

Viver é mais do que cuidar de nossa própria felicidade

É estar atento para não descuidar da vida daqueles que nos foram confiados

E cuja felicidade está diretamente ligada a nós

Somos responsáveis por nossos atos

E, de certa forma, pelos atos que viermos a despertar nos outros: bons ou ruins, leves ou pesados

Vidas se entrelaçam e se interdependem

Viver é, além de buscar pela nossa felicidade,

Cuidar para não bagunçar a felicidade dos outros,

Se possível, fazendo felizes aqueles que de nós se aproximarem

Quem foi que disse que viver é fácil?

Alda M S Santos

Sobras de um amor

SOBRAS DE UM AMOR

Pequenos pedaços de fotos queimadas

Um sorriso numa, um beijo noutra, abraços rasgados ao meio

Partes de uma paisagem linda

Porta-retratos quebrados, cartões de aniversário amassados

Souvenirs, uma pulseira com o símbolo do infinito

CDs de músicas, filmes, poemas, vidros de perfume,

Entre as cinzas de uma fogueira, partes de uma história

Tentativa vã de apagar o amor vivido queimando símbolos

Ao rasgar, queimar, destruir as “provas” do vivido

Espera-se esfriar o que queima e machuca por dentro

Um modo de dizer: fim, acabou

Logo percebe-se que o que ocupou 100% de seus dias

Não se finda numa fogueira, não vira cinzas tão facilmente

Enquanto não se fizer as pazes consigo mesmo, com sua história

Aquela que está registrada nos corações, na alma

Permanecerá em fogo brando

Ainda que tudo tenha sido queimado lá fora…

Alda M S Santos

Gratidão

GRATIDÃO

Gratidão: uma das mais raras e complexas virtudes

Exige uma alma evoluída e em paz consigo mesma

É tão necessária para conquistarmos o que almejamos

Para seguirmos em frente, acertando o passo conosco mesmos

Saber olhar para trás e ser gratos ao que ficou lá,

Ao que recebemos de variadas fontes ou pessoas,

Mesmo que ainda faça falta,

Entender que foi bom, foi útil, foi saudável

Nos possibilitou alegrias, amor, autoestima

E ficará guardadinho num espaço especial de nossos corações,

Lembranças para serem ativadas nos momentos de fragilidade

O bom deixa saudades, o ruim deixa aprendizado

Ser grato e respeitoso à vida que se apresentou

É um combustível excelente a mover nossos motores

Rumo à felicidade…

Alda M S Santos

O amor é autoexplicativo

O AMOR É AUTOEXPLICATIVO

O amor, se verdadeiro, ensina sempre, se autoexplica

Ensina a leveza, mesmo sob pressão

A sorrir, mesmo com lágrimas nos olhos

A abrir mão, a proteger, a querer o bem do outro

Amor que é amor não se impõe, não invade espaço alheio

Não consegue se esconder,

Não tem necessidade de se esconder

Brilha, irradia, ilumina tudo

Nada exige, ao contrário, se doa, sem medidas

Democrático, contempla a todos,

Independente de raça, credo, sexo, espécie ou qualquer coisa…

Amor nasce em ambientes inóspitos, floresce,

Se bem cuidado nos faz crescer como pessoas

Amor constrói pontes, derruba muros, cria asas

Não se firma ou cresce sob bases frágeis ou falsas, confia

Pode quase tudo, mas não faz propaganda enganosa

Não precisa de autopromoção, aceita o outro como ele é

Não faz promessas vazias,

Amor supera obstáculos, encontra caminhos, abre trilhas

Amor constrói famílias, une pessoas, nunca destrói, renasce das cinzas

Amor traz bem estar, nunca culpas, não se envergonha

Se machuca muito, se machuca o outro

Ou se depende de derrubar quem quer que seja,

Certamente está distorcido.

Amor que é amor está firmado em bases fortes e duradouras

Naquelas que Ele, o mestre do amor, nos ensinou…

Alda M S Santos

Caminhos buscados

CAMINHOS BUSCADOS

A certeza de trilhar o caminho certo

Torna a travessia mais leve, prazerosa

A brisa suave torna-se carinho

Barulhos diversos tornam-se música

Tons acinzentados ganham cor

Sol forte é animador, chuva é refrescante

Companhias são bênçãos

Pedras são apenas obstáculos a nos fazer mais fortes

Ao contrário, no caminho errado tudo torna-se difícil

Mesmo que pareça brilhante e cheio de luz

Nos cega, é cinzento, doloroso, amargurante

Cedo ou tarde, sai caro, a conta chega, e alta…

E mais que saber desviar das pedras,

É fundamental não se tornar uma pedra

A emperrar o próprio caminho ou o caminho dos outros

Muitas vezes é difícil saber qual o trajeto certo

Ele não faz propaganda, não se impõe como o melhor

Muitas vezes exige sacrifícios, pode doer

Mas traz prazeres inigualáveis…

Precisamos buscá-lo dentro de nossa consciência…

Alda M S Santos

Até o infinito

ATÉ O INFINITO
Encontra-se em embalagens biodegradáveis
Grandes ou pequenas, de qualquer cor ou idade
Gênero, raça, etnia, religião, cultura ou instrução
Resistente às lágrimas, frágil perante sorrisos
Desmancha-se diante da sinceridade
Encoraja-se frente às boas ações
Admira-se ao topar com gentilezas
Encanta-se com a beleza exterior
Deslumbra-se com a riqueza interior
Opta pela simplicidade e generosidade
Ganha forças num abraço, derrete-se num beijo
Confia e protege o outro, mesmo que em detrimento de si
Doa-se inteiramente por e com prazer
Aumenta com o tempo e, se real e verdadeiro
Dura até o infinito… O que é?
Quem sente, identifica-se, não precisa de resposta!
Alda M S Santos

Saudade é bichinho intrometido

SAUDADE É BICHINHO INTROMETIDO

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

Mesmo que você o afaste firmemente

Ele costuma achar buraquinhos ou brechas

E ali se acomodar…

Se é num livro, ele torna-se personagem

Se for num filme, ele faz parte da cena

Num poema é a rima que falta

Numa canção é a harmonia da melodia

No sorriso é a dor camuflada

Nas lágrimas é o alívio desejado

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

E ali se acomodar…

Nas companhias, às vezes é a ausência

Nas ausências faz-se presença

No jardim é o mais suave perfume

No barulho é o silêncio dolorido,

No silêncio é o grito contido,

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

E como borboleta, ali se aboletar…

Cansado de tanto se impor,

Esse bichinho de nome saudade

Nas orações torna-se pedido

De ali ficar e morar para sempre…

Alda M S Santos

E ela espera…

E ELA ESPERA…
É cedo, ele parte, vai se afastando, diminuindo até desaparecer
E ela senta, espera, confia…
Não sabe quando volta, ou o que enfrentará pela frente
Mas ela espera, confia…
Mar revolto, águas ora calmas, ora traiçoeiras, tempestades
E ela espera, confia…
Vai leve, sem carga, proa vazia, tripulação preciosa, coração abastecido
E ela espera, confia…
Saudades lá, saudades cá…
Aumentam na mesma medida da carga abastecida
E eles esperam, confiam na certeza do reencontro
O transporte, a carga, já não são tão preciosos
A distância dói, corações de marinheiros, cheios de ausências…
Pescadores de saudades…
Eles esperam, confiam
E ela fica ali, vivendo ora de esperanças, ora de saudades
Ainda que o coração balance mais que aquele barco,
Com o olhar tão salgado quanto o mar
Sempre ao longe, a encurtar distâncias…
Alda M S Santos

O que sobra de mim?

O QUE SOBRA DE MIM?

O quanto há dos outros em mim

E o quanto há de mim nos outros?

Quando alguém amado ou bem próximo morre ou se afasta

Sabemos que ali com eles foi uma boa parte de nós…

Morremos um pouco na morte ou afastamento de entes queridos: familiares, amigos, mentores

E porque não dizer também dos desafetos?

O que sobra de mim,

Sem a parte de mim que os outros carregam?

O quanto de mim é, na verdade, baseado no que sou para os outros,

No que eles são para mim?

Minha história seria a mesma

Se fossem retiradas pessoas que a ajudaram a compor?

Nossas vidas são entrelaçadas a outras vidas

Se um fio é retirado, todo o novelo se modifica!

O fio original já não sabemos mais qual é

Está emaranhado no todo.

Seria como retirar o ovo de um bolo pronto.

O que é ovo, leite, farinha, e o que é bolo?

Alguns fios são como o fio base que sustenta toda a estrutura do novelo

Somos fios estruturais na vida de algumas pessoas

E a recíproca também é verdadeira

Cada qual tem o seu: pais, filhos, amores, amigos…

Daí o tanto que balançamos com as perdas da vida…

Morremos um pouco ao morrer cada ser que amamos

O que sobraria de mim sem você?

O que sobraria de você sem mim?

Um novelo, que falta fios, talvez sem cor, frágil

Mas, ainda assim, um novelo…

Alda M S Santos

Fé em Deus?

FÉ EM DEUS?

A capacidade de confiar é inerente ao ser humano

Desde muito cedo uma criança é capaz de se jogar

Literalmente, nos braços dos pais, de um adulto

E confiar que será amparada

Mais tarde vamos limitando essa confiança a alguns poucos outros humanos

Pós-decepções e muitos tombos

A vida vai tirando a coragem de se entregar,

Física ou emocionalmente

Ou colocando o medo, a descrença, desqualificando o outro

Mas não elimina a necessidade humana de amparo, de proteção

Alguns depositam essa entrega, essa confiança total em Deus

O que é louvável, esperam Dele o impossível

Mas se abdicam da parte que lhes cabe, do possível

O que é falho, até desonesto

Na crença que Deus ampara, jogam-se em abismos inacreditáveis

Mantendo muitas recidivas, confiando no Deus milagroso, pronto-socorro,

Que está pronto para fazer o que caberia a si mesmos,

Como evitar pisar em brasas para não se queimar.

A verdadeira fé crê num Deus protetor,

Que ensina que brasas queimam,

Mas que respeita nossas escolhas e capacidade de lidar com suas queimaduras e consequências…

Alda M S Santos

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