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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Infância

Meu mundo infantil

MEU MUNDO INFANTIL

No meu tempo de criança o amanhecer era cheio de expectativas
Um dia longo pela frente para brincar, ser ativa
No quintal, na rua, fosse onde fosse
A vida era leve, bela, sem pesos, cargas ou culpas
Boas ações e atitudes premiadas com um doce
A certeza do amor, do amparo
Ainda que demonstrar fosse raro
Sentíamos em casa dentro de nós mesmos
Se teria Sol ou  estaria chovendo
Era nossa maior preocupação
Não existia naquele tempo o mundo virtual
Tudo era bem concreto, bem real
As risadas, as brigas, os machucados
Que se curavam sem grandes cuidados
O futuro estava longe, não gerava ansiedade
Ele chegaria no seu tempo, sabíamos dessa verdade
Sinto tanta falta dessa leveza, alegria fácil
Que permeava o mundo infantil
Um mundo colorido feito arco-íris no céu azul anil
Olho para trás e fico pensativa, em reflexão
Sou a mulher que aquela criança sonhou em seu coração?
Olhando com cuidado, carinho e atenção
Posso dizer: Aldinha, penso que fizemos um bom trabalho desde então…

Alda M S Santos
Tarde de Peosias: No meu tempo de criança

Adulto-criança

ADULTO-CRIANÇA

Ser criança é gostar de ouvir a mesma história inúmeras vezes

É repeti-la com as mesmas palavras, no mesmo tom

É se encantar com cada sonho bom

Fadas, princesas, príncipes, bruxas e reinados

É o bem sempre vencer, o amor prevalecer…

Ser adulto é querer também reviver histórias, recontá-las

Mas descobrir que é necessário também apagar algumas delas

Ou deixá-las guardadinhas em nossas estantes interiores

Saber que príncipes e princesas são as pessoas reais

Não num reinado, mas na vida recheada de realidades

Ser um adulto/criança é fazer de nossa realidade um sonho bom

E de nossos sonhos uma esperança…

E quando a pressão for demais buscar uma história bonita em nossos arquivos e reviver

Como as crianças: “de novo”!

Fazer do nosso um reino sempre encantado!

Desejos de uma vida de realidades sonhadas e repetidas a todas as almas crianças do mundo…

Alda M S Santos

Você é estranho?

VOCÊ É ESTRANHO?

-“Você é estranho”? -uma menininha pergunta a um adulto que mexeu com ela.

Inocência pura! Certamente foi muito alertada a não dar atenção a desconhecidos.

Alerta de amor e cuidado nesse mundo recheado de maldades.

Para a infância seria suficiente?

E para os jovens e adultos?

Quem são verdadeiramente os estranhos?

Tantos conhecidos mostrando-se mais estranhos que alguém de quem não sabemos nada…

Um rosto sorridente, familiar, de convívio diário não garante proteção, segurança contra decepções ou crueldades.

Abusos físicos, sexuais, assédios morais, emocionais, atentados contra a vida de crianças e mulheres no próprio lar por rostos estranhos “conhecidos”, amados.

A verdade é que por mais que saibamos de alguém, sempre podemos ser surpreendidos,

Positiva ou negativamente!

A criancinha não está errada em perguntar: você é estranho?

Deveríamos fazer essa pergunta a nós mesmos diante de cada ser humano conhecido que convivemos.

O quanto há de estranho dentro de nós, dentro daqueles que “conhecemos”?

Você é estranho até que ponto?

Alda M S Santos

Natal e Saudades

NATAL E SAUDADES

Percebemos que os filhos cresceram

Quando montamos sozinha nossa árvore de Natal

Ninguém cobrando, quebrando bolinhas, se encantando com o pisca

Fazendo a cartinha para o Papai Noel, contando os dias para o Natal…

Percebemos que o tempo passou quando

Não estamos mais respondendo como o Noel consegue atender a todos

Ou por onde passa quando não há chaminé

Ou se vai de avião quando não há trenós

Buscamos outras respostas, agora a nós mesmos:

Onde o tempo ficou, por que passou sem a gente perceber?

A mente passa da infância dos filhos para a própria infância…

Saudades imensas!

Volta para o ano que passou, revive tudo

Tanta coisa digna de sorrisos, lágrimas, superação, saudades…

Nota a presença de Deus em tudo, em cada detalhe

Não precisa de árvores, luzes ou enfeites

A luz está dentro de si, essa que precisa estar acesa!

Mas a árvore está quase pronta, seca as lágrimas…

Sempre amou essa época, alegra-se

Jesus vai nascer!

Que seja no coração de cada um de nós!

Feliz Natal!

Alda M S Santos

Anjinhos meus

ANJINHOS MEUS

Neles a gente encontra alegria

Com eles qualquer dor pede colo

Qualquer esfolado cura com beijinho

Desânimo se transforma em pega-pega

Lágrimas se enxugam na manga da blusa

Um sorvete é bálsamo da vida

Uma bola, mil possibilidades…

Qualquer história lida, contada ou escrita tem final feliz!

Em que parte pedimos para mudar de fase?

Que botão apertamos para voltar?

Alda M S Santos

Infância

INFÂNCIA

Quanto tempo dura a infância?

Até a troca definitiva dos dentes de leite,

Ou até o corpo se transformar pelos hormônios?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto se empanturrar de doces sem se preocupar com formas redondas,

Ou até cair nas armadilhas da mente e do coração?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto a brincadeira de bonecas for mais interessante que paquerar um “boneco”,

Ou até o guarda-roupas não ter mais nada que agrade?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto uma mágoa durar apenas alguns minutos,

Ou até o perdão ser uma ação mais complicada?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto um beijinho curar qualquer ferida,

Ou até ser comum dormir chorando e acordar sem vontade de levantar?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto a valsa da bailarina for a maior preocupação do dia,

Ou até os sonhos bons serem atropelados mais vezes por pesadelos?

Quanto tempo dura a infância?

Enquanto um copo de leite for mais saboroso que uma taça de vinho,

Ou até o joelho ralado doer mais que coração partido?

A infância já ficou bem lá atrás quando nos fazemos todas essas perguntas,

Mas se for uma nostalgia e saudade gostosa,

Conservamos uma alma infantil,

Isso é que vale!

Alda M S Santos

Abraços e desejos de felicidades a todas as crianças, de qualquer idade! 🙏🏼🙏😘😘👶👦🏼👧👨🏻👩🏻👵🏼👴🏼

A criança que eu fui (sou?)

A CRIANÇA QUE EU FUI (SOU?)

Flashs de um tempo passado

Com cheiro de suor, de pega-pega na rua,

Com sabor de bala Jujuba e som das cantigas de roda,

Curta duração dos dias que pareciam longos,

De amigos para sempre e brincadeiras na enxurrada, 

De joelhos esfolados e brigas “de mal pra sempre”, que duravam 2 horas…

“Caindo no Poço” e nosso bem,

Ao sabor de pera, uva ou maçã,  

Sempre nos tirando de lá…

Sempre…

Namoradinhos de mãos dadas, amigos de pacto de sangue…

De bem com o corpo e livre das armadilhas da mente…

Bom lembrar da infância,

Melhor ainda é ser uma criança de qualquer idade…

Alda M S Santos

Brincadeira de criança

BRINCADEIRA DE CRIANÇA
Do inferno ao céu na Amarelinha de ontem
Aos desafios infernais da Baleia Azul de hoje
Dos contos de fadas e histórias de doces vovós
A vovós bruxas que torturam e aterrorizam netas
De corridas descalços e suados nas ruas
A uma tarde e noite hipnotizados em frente ao vídeo-game
De amigos reais que brigavam e se amavam
A amigos virtuais que nada de bom oferecem
De mães e pais que, presentes, castigavam e amavam
A pais permissivos e, quase sempre, ausentes
De uma cabeça leve, livre e ativa
A uma mente confusa, dependente e desequilibrada.
Dizem: “ah, não, morri”!
Não sabem o quanto isso tem sido literal!
Quero game-over, reiniciar…
Começando de umas cinco décadas atrás.
Alda M S Santos

Correndo com a Lua

CORRENDO COM A LUA
Saudade de correr atrás da Lua, ela lá, eu cá,
Rua acima, rua abaixo, virar a esquina, voltar
Numa disputa para ver quem é o vencedor.
E ela sempre à frente…
Um bando de crianças sorridentes!
Energia pura, suadas e livres,
Livres de preocupações e ansiedades.
Objetivo único: aproveitar antes de a mãe as chamar para dentro.
Esse desejo deveria tornar-se uma constante, um mantra,
Aproveitar antes de sermos chamados para casa.
Alda M S Santos

A corrente que mata gente

A CORRENTE QUE MATA GENTE
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Adorava essa brincadeira de criança!
Além da diversão, elas sempre nos deixam uma lição.
Na rua, um número grande de crianças,
Unidas lado a lado com os braços passados pelos ombros do outro.
Seguiam a rua cantando:
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Quem viesse em sentido contrário tinha três opções:
Juntar-se à corrente, que seguia cantando e mais forte,
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Voltar e fugir dela o mais rápido possível,
Formar uma nova corrente para enfrentá-la de igual para igual.
Enfrentar a corrente sozinho não era uma opção, era kamikaze demais.
Crescemos, mas a “brincadeira” continua.
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ficam algumas questões importantes no ar.
Diante das correntes que “matam gente” que se formam por aí:
Nós as abraçamos? Concordamos com elas?
Lutamos sozinhos? Fugimos?
Formamos corrente contrária?
A lição da infância que fica é:
A brincadeira fica mais interessante quando não há apenas uma corrente.
Quando há pelo que, por que e por quem lutar!
“A corrente que mata gente, quem tem medo sai da frente!”
Ela está aí e sabe que temos força! Vamos esperar ser esmagados?
Alda M S Santos
Foto Google.

Molecagem

MOLECAGEM
Um casal andava à minha frente
Um bebê gorducho no colo da mãe
O pai carregava bolsas e sacolas
Estava muito quente!
O garotinho usava um chapéu redondinho
Pura fofura! Sorri pra ele e fiz gracejos.
Ele sorria e se remexia no colo da mãe.
Balancei meu rabo de cavalo!
Ele gargalhou e pulou de novo.
A mãe olhou pra ele e pra trás.
Fiquei séria, olhei pro lado e fiz cara de paisagem!
Ele parou de sorrir. Isso se repetiu umas três vezes.
Parávamos de sorrir e brincar. Molecagem com os pais!
Até que ele riu muito alto e saltou no colo da mãe
O pai olhou e me viu sorrindo pro bebê.
“Que espertinho, meu filho, tá mexendo com a moça, né?”
Ficamos a rir, pai, mãe, o lindo bebê e eu!
Contaram suas travessuras…
A vida pode ser muito divertida!
Basta querer!
Alda M S Santos

Sou criança

SOU CRIANÇA

Há pessoas que têm ímã com crianças. Em qualquer lugar que estejam sempre notam algum “pequeno” a observando curioso. Retribuem com um sorriso, um alçar de sobrancelhas, um sorriso. É o bastante! Logo, a criança já está puxando assunto, sorrindo, brincando, quando não está no colo recebendo cócegas, sendo lançada ao alto ou brincando de esconde-esconde.

Pessoas assim costumam ser mais espontâneas, sinceras, transparentes. E a criança, muito sensível, percebe.

Criança é como bicho, sem ofensa a nenhum dos dois. Ambos são capazes de ter um “faro”, uma percepção maior para sentir o que vai no coração do outro, a essência contida na alma.

Em contrapartida, há pessoas que são resistentes às crianças, muito sisudas, fechadas, não apreciam a energia e o barulho da infância e acabam se afastando delas. A meninada percebe e não se aproxima.

E quem fica no prejuízo é o adulto, pois perde a oportunidade de renovar-se, física, emocional e psicologicamente através desse convívio.

O que acontece na verdade é que algumas pessoas mantêm a alma infantil. Crescem, amadurecem, mas a emoção é de criança. Não foram cerceadas, enquadradas num padrão social limitante, cruel e nada original.

São de sorrisos largos, abraços apertados, beijos melados, coração doce, alma apaixonada.

Para elas, a vida é um grande parque de diversões e estão aqui para se esbaldar. Procuram sempre o lado brinquedo das coisas: a bola, a corda, a boneca, a bicicleta, o esconderijo. Podem cair, se esfolar, chorar… Pedem um beijinho para sarar e voltam à brincadeira.

Nesse “Dia das Crianças”, que tal nos permitirmos sermos mais crianças? Qualquer dor muscular ou de coluna será apenas efeito colateral, incapaz de eliminar o benefício desse medicamento para a emoção.

Vamos lá?

Feliz “Dia das Crianças” que fomos, somos ou gostaríamos de voltar a ser!

Alda M S Santos

 

Quando eu crescer quero ser criança

QUANDO EU CRESCER QUERO SER CRIANÇA

Quase toda criança, se questionada, gostaria de ser gente grande. Não que não goste de ser criança, mas porque gostaria de experimentar o mundo adulto, por parecer cheio de possibilidades. 

A criança vê o mundo adulto com a pureza e inocência dos olhos infantis. Vê apenas a ausência de limitações, uma fase em que tudo parece possível e divertido. Não sabe que o corpo cresce e a cabeça de(cresce). 

Quando adultas, as pessoas percebem que continuam “não podendo” muitas coisas! E a alma já não tem mais a mesma pureza, já não acham tudo tão divertido assim! Já não trocam de amigo ou brinquedo com a mesma despreocupação.

Uma criança, se estiver alimentada, amada e tiver uma bola, um amigo e um dia de sol pela frente tudo está ótimo! 

Há adultos que carregam consigo a alma infantil. Não que sejam imaturos, mas procuram sempre na vida o amigo, a bola e o dia de sol. Se não têm, criam, substituem. Não se deixam abater facilmente. 

Sabem pedir o que querem, ir para dentro de casa quando a brincadeira cansa, virar as costas para quem não as agrada, dizer não para o que não querem, sem culpas.  

O mais interessante e que torna o mundo infantil encantador e saudoso é a espontaneidade das crianças. Dão amor e carinho, pedem abraços, beijos e colinho, riem, choram. sem censuras. Saltam para nossos braços com o sorriso mais lindo do mundo e dizem “eu te amo” como se dissessem “bom dia”. 

Quem vive cercado por elas “pega” um pouco dessa alegria de viver. 

Não sei quanto a você, mas eu, por mim, digo: quando eu crescer quero ser criança! 

Alda M S Santos

Nos semáforos da vida

Basta sair de casa e rodar poucos quilômetros para no primeiro semáforo observá-los. O sinal fecha, os carros param, e eles vêm correndo. Colocam no retrovisor do carro uma tira de 5 paçocas. “Vai uma paçoquinha aí, moça? Só R$2,50.” O olhar tímido, às vezes desafiador. Não passa de oito anos. Pequeno, magro, expressão sofrida para uma criança. Em poucos segundos volta rapidamente recolhendo o dinheiro da venda, ou as paçocas, e sai correndo antes que o sinal abra. 

Pouco à frente, no próximo semáforo, tempo mais longo, vem um senhor lentamente. Pipocas e garrafas d’água nas mãos. Cabeça branca, andar arrastado, não sei precisar a idade, talvez 70, semblante sério, carregado. Chega e oferece seus produtos. Sorri ao ouvir as músicas da década de 70 que ouço. O olhar carrega-se de saudade. “Bons tempos”, ele diz. Concordo e completo, “está sempre aqui”. “Sim, desde que me aposentei, pouco dinheiro, filhos desempregados, família grande, netos. É preciso ajudar.” Despede-se e vai pro próximo carro. 

Sigo meu caminho para o trabalho ouvindo minhas músicas e refletindo. Que mundo é esse em que crianças que deveriam estar na escola ou jogando bola na rua estão vendendo paçocas no sinal? Que mundo é esse em que um senhor de 70 anos, aposentado que já fez tanto pela sociedade, que poderia estar lendo para os netos, brincando de cavalinho, curtindo um sítio, ainda se dispõe a ser ambulante de semáforos nas ruas quentes e barulhentas?

Que futuro estamos promovendo para nossas crianças? Que descanso estamos permitindo aos nossos velhos? Ao olharmos esses dois extremos devemos cuidar para o desânimo não tomar conta de nós. O senhor da pipoca pode ter sido um garoto da paçoca! Há alternativas? O que podemos fazer para que ao menos o garoto da paçoca torne-se, daqui a alguns anos, o senhor que estará lendo para os netos, brincando de cavalinho e cultivando flores num sítio?

Decido-me a continuar fazendo com amor e dedicação a parte que me cabe. A educação ainda é o melhor caminho, nossa melhor chance. Assim, vou ainda mais animada receber meus pequenos alunos. E que Deus nos abençoe! 

Alda M S Santos

Viver de saudades

A palavra saudade é tão forte que só de ouvi-la já podemos sentir aquele aperto característico no peito. Às vezes, esse aperto pode ser doloroso, outras prazeroso, sempre nostálgico. 

Mas será que a saudade é um sentimento benéfico ou contraproducente? 

Penso que a saudade é sempre uma sensação de ausência, de falta. O que fará com que seja benéfica, ou não, será a capacidade que relembrar venha a ter de amenizar esse vazio, ou aumentá-lo. 

Podemos sentir saudades da casa da infância, dos irmãos e amigos da escola, de um animal de estimação, das brincadeiras na rua, de um parente que faleceu, das loucuras do primeiro amor, do primeiro beijo roubado, dos bate-papos na calçada até a madrugada, dos bailes da juventude, dos apertos da faculdade, do casamento, do nascimento dos filhos, de um sentimento que morreu ou adormeceu… São inúmeras as vivências que podem gerar saudades. 

As que conseguem gerar um sentimento de completude, de preenchimento do vazio, são aquelas nas quais nos envolvemos a fundo, em que não há arrependimentos, pois, em sua época, foram vivenciadas plenamente, ficaram para trás, mas geram lembranças boas, gostosas de reviver. Essa saudade é extremamente benéfica. Faz-nos rever bons tempos e nos anima a seguir em frente. Gera forças. 

Em contrapartida, há aquelas situações cujas lembranças não preenchem o vazio deixado. Reviver dói sempre, porque, em sua época, o viver, apesar de intenso, foi doloroso. Foi incompleto, não vivenciado como gostaríamos, deixou espaços em branco, arrependimentos, vácuos. Portanto, ao reviver, não se lembra apenas do que foi bom, mas do que poderia ter sido e não foi. Fica sempre a pergunta “por que não agi assim?”, “teria sido tão diferente se eu tivesse feito outra escolha!” Ao viver essa saudade sempre ficamos incompletos, com vontade de voltar no tempo e consertar certas coisas: estudos, empregos, amizades, amores. Fica, para muitos, um gosto amargo na boca, com a sensação de ter sido preterido pela vida. 

Essa saudade, que não gera preenchimento, tende a ser maléfica, porque nos paralisa, nos deixa inertes, impotentes, visto que não temos como voltar no tempo e reviver o que ficou faltando, o que nos causa dor. 

Os mais velhos tendem a sentir mais saudades, é natural, já tiveram mais experiências. São mais nostálgicos, mas não precisam ser tristes. 

De todo modo, se viver de saudades, por tempo demasiado, nos impedir de viver o tempo presente, seja qual tipo de saudade for, não será bom a médio e longo prazo.

Todos nós temos momentos maravilhosos para sentir saudades e relembrar, e outros que preferiríamos corrigir, consertar, ter outra oportunidade. Alguns talvez possamos fazer isso. A maioria, não. Na impossibilidade, quando essa saudade bater, aproveitemos para analisá-la, avaliar nosso comportamento, e usar desse conhecimento, dessa experiência, para sermos mais plenos em nossas vivências atuais. Aprendemos, por experiência própria, que as saudades mais dolorosas são daquilo que deixamos por fazer. Com isso em mente, poderemos viver mais plenamente e deixar para o futuro menos saudades dolorosas e mais razōes para saudades benéficas, prazerosas, intensas! 

Alda M S Santos 

Carinho Que Cura

Nunca me canso de observar, admirar, me encantar e aprender com as crianças. Ninguém ensina aos outros melhor que elas. 

Se querem amor, carinho, atenção sabem pedir, sabem doar, sem limites, sem vergonhas, sem pudores! 

Nunca devemos negar ou recusar amor e carinho. A vida precisa, exige, cobra! Seja qual for o ser vivo!

Desde o ventre o bebê se acalma ao receber o contato carinhoso da mãe, a voz que acalenta, a música que tranquiliza. Ao nascermos, só o colo quente e aconchegante do adulto nos consola. 

Se temos dor, fome, frio, qualquer desconforto, nos acalmamos com um abraço.

E vamos crescendo assim. Pedindo, recebendo, doando carinho e amor. Tudo muito naturalmente. 

Em alguma parte do caminho vamos perdendo essa naturalidade, desaprendendo o que nascemos sabendo. Um abraço nos custa, um sorriso “arranca” pedaço, uma palavra doce perde-se no corre-corre diário, beijo só se for preliminar sexual. 

A verdade é que perdemos muito ao nos tornarmos adultos. Sabemos o quanto um ato de carinho nos faz bem, nos cura, nos fortalece e anima, porém, não somos mais crianças. O que os outros vão pensar, não é mesmo? 

Será apenas coincidência as crianças serem mais felizes que nós, que “sabemos tudo”? 

Há tempo ainda! Podemos começar! Já abraçou alguém hoje?

Alda M S Santos 

Dorme que passa

Sabe quando a gente quer algo, insiste, chora, pede, reza e, nada? Uns até brigam, chantageiam, causam confusões, deprimem. Lembro- me da infância, quando expressávamos alguma vontade mirabolante, para o olhar adulto, ou, simplesmente, uma vontade de brincar na rua e nossos pais diziam, “dorme que passa”. E não é que passava mesmo? Tudo era tão simples! Mesmo que tivéssemos ido dormir chorando, ao amanhecer nem lembrávamos mais.

Não sei se era a cama, a confiança, o carinho recebido. Talvez outros desejos tomassem a frente, ou os “problemas” e desejos fossem mais simples mesmo. Fato é que quase tudo se resolvia depois de uma noite de sono.

Mas a gente cresce. Os desejos e vontades tornam-se grandes também. Tentamos alcançá-los, refletimos, lutamos, buscamos ajuda, rezamos. Muitas vezes, conseguimos, substituímos ou desistimos. E ficamos bem.

O problema se dá quando a vontade insiste, o desejo de obter algo é forte. Pode ser qualquer coisa, material, profissional, pessoal, emocional, não importa. Muitas vezes, insignificante para o outro, mas fundamental para nós. Gostaríamos de ter à mão a eficácia da receita de nossos pais. Dormir e, ao acordar, tudo ter passado.

Tudo isso faz um pouco de sentido. O sono descansa o corpo, acalma a mente, apazigua a alma. Pode não resolver os problemas, tornar reais os sonhos ou realizar os desejos, mas nos torna mais aptos a nos encarar sem eles ou mais fortes para correr atrás do desejado.

Quando estivermos “down”, vamos dormir? Pode ser que passe!

Alda M S Santos

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