FUNDO DO POÇO
Diz-se que para perceber a necessidade de mudança
É preciso chegar ao fundo do poço
E para chegar até lá
Muito há que desmoronar!
De lá surgirá o impulso para recomeçar
Sob novas regras, nova ordem, novo olhar…
Mais amor, compaixão, comunhão, solidariedade, respeito!
Falta muito!?
Alda M S Santos
AGRURAS DA MALDADE
Somos muito mais fortes que pensamos
Deus nos fez assim, aparência de flor
Delicadeza de pétala de rosa, suavidade
Perfume, encanto, aparente fragilidade
Mas é falácia, pura ingenuidade
Somos santidade ou somos o profano
Depende de quem em nós se fizer engano
Somos a textura da pétala ou o espinho da rosa
Somos meninas, moças, somos mulheres!
Se não conquistamos nosso espaço pela delicadeza
Deus nos deu espinhos para nossa defesa
Roseirais aguentam a chuva, o sol, o vento
Podem perder pétalas, botões, ser sofrimento
Mas se juntam, se alinham, se protegem
Perder uma pétala, um botão, uma rosa
Não diminui em nada o roseiral
O essencial está enraizado, forte
Regado nas noites de sereno e lágrimas, sem norte
O que se perde por ação da natureza
Ou até mesmo ação humana, malvadeza
Volta para a terra e será adubo, nutrição
Volta para a alma, será motor para o coração
A fortalecer o que houver de bom, ser renovação
Roseiras que foram podadas dão as mais lindas rosas
Mulheres que foram magoadas, feridas, decepcionadas
Em sua emoção cinicamente violentadas
Crescem, se fortalecem, brilham, engrandecem
O olhar delas é misto de delicadeza, força e superação
Não será qualquer um que poderá derrubar esse roseiral, não
Rosas e mulheres podadas se abrem novas para a vida
Preparadas para o caminho, o amor, a lida
Nada segura uma mulher consciente de sua força e fragilidade
Que venceu e se fortaleceu nas agruras da maldade!
Alda M S Santos
REINICIANDO
Tudo em preto e branco, branco e preto
Ou em tons acinzentados, desmantelados
A vida parece em modo de espera
E meio sem saber, humanos subjugados
Lá fora agora está quase tudo proibido
Ficar cá dentro muitas vezes parece castigo
Onde estão as cores, as flores, os amores
Tantos se perguntam, andam perdidos…
Beijo, abraço, um toque, uma visita? – pode não
Você não sabe que põe os outros em risco, cidadão?
Humanidade que tantas vezes pairou na superfície
Sente-se obrigada a aprofundar, mergulhar em si mesma
Desacostumada com a solidão, sente-se desafortunada
Tão habituada a usar máscaras de proteção de sentimentos
Se vê coagida a usar máscaras de barreira contra contaminação
Um sorriso amarelo que disfarçava dores, dizia “tudo bem”
Agora nada valem se não chegar aos olhos que é o que veem
Tantas dúvidas, medos, ansiedades e inseguranças
Enquanto uns questionam o que virá disso tudo
Há quem festeje, quer que o mundo seja formatado
E outros querendo apenas que ele reinicie
Dando nova oportunidade de fazer diferente
Reaprender a amar, confiar, ser mais gente
Que valha a pena…reiniciando….
Alda M S Santos
COMO TUDO COMEÇOU…
Não há ninguém no colo
Tampouco na poltrona da frente ou de trás
Ninguém para eu me preocupar se está bem
Se tem fome, sede, sono ou medo
Se precisarei segurar a mão
Deixar que fique na janela pra apreciar a vista
Negociar os desejos e vontades
Apartar brigas e incentivar a parceria
Parece que a vida deu uma volta quase completa
E retornou ao começo…
Há pouco tempo eles caminhavam conosco
Os sonhos e planos eram similares aos nossos
O ponto de partida e chegada eram os mesmos
Ainda dependiam de nós…
Hoje já fazem seus próprios voos
Solo ou com novas companhias
Felizmente? Certamente!
Pode não ter sido o suficiente
Mas foram abastecidos do que tínhamos de melhor
Acrescentaram o que oferecemos ao que já possuíam
Já podem voar sozinhos, alcançarão novos ares
Conquistarão seus próprios espaços
Farão seus próprios ninhos
Mas por que parece tão estranho?
Por que ainda sentimos um vazio
A sensação de que está faltando alguém?
Precisamos reaprender a viver sozinhos
A viver com o círculo quase se fechando
Início e fim se aproximando
Que acontece quando a volta se completa?
Termina ou recomeça?
Já que não temos acesso a essa informação
Precisamos seguir voando
Mesmo com as asas já gastas, alcançando novos ares
Confiando que tudo acabará como tem que ser
Que esse plano de voo já foi feito noutra dimensão…
Boa viagem a todos os tripulantes e passageiros
Sozinhos ou acompanhados, isso é só um detalhe
Sempre voarão conosco em nossas mentes
Eternamente em nossos corações e orações…
Alda M S Santos
RECOMEÇAR DO ZERO
Não existe recomeçar do zero
Porque se temos essa prerrogativa
É porque um dia já começamos
E todo começo deixa nem que seja uma negativa
Retirando o que perdemos, o que permaneceu?
E não diga que nada ficou
De tudo que se construiu, viveu
Ao menos entulho restou
Separe o joio do trigo
Descarte, reaproveite, reserve, busque abrigo
E se ainda assim só encontrar a dor
É com ela que irá recomeçar
E com renovado fervor…
Recomece do amor que encontrar em você, por você!
Alda M S Santos
SEM REFERENCIAL
Cenário de catástrofe: terremoto, tsunamis, vendavais
Entulhos e mais entulhos, escombros
Nada mais de pé, sequer uma árvore, uma edificação
Nada que possa ser reconhecido, identificado
O banco da praça, a igreja
Uma torre de energia, um restaurante
A padaria da esquina, a casa de um amigo
Não há ruas, esquinas ou quarteirões
Apenas um todo de destruição
Perdidos, sem referencial…
Tantas vezes as ruínas estão em nós
Como encontrar alguém ali?
Como se encontrar ali?
Buscar em si aquele ponto de luz
Algo que permaneça inalterado
Que seja firme como rocha
Que nada nem ninguém consiga mudar
E ali se alojar aguardando as forças brotarem
Indicando um caminho para continuar
Um novo referencial
Para recomeçar…
Alda M S Santos
(DES)FAZENDO
Um móvel daqui, outro dali
Tudo sendo desmontado
Desfeito
Uma cortina arriada, tudo espalhado
O vazio de fora reflete o vazio de dentro
A bagunça por ali não se compara à bagunça interna
Uma planta ainda viçosa
Ignora a ausência de vida à sua volta
Sai um colchão, uma cama
Uma almofada com marcas de um corpo
Jogada sobre um sofá
Para onde irá?
Quais cabeças ou corpos irá amparar?
Afinal, ecos de uma vida sendo (des)feita
Mas tudo isso não são coisas?
Coisas vêm e vão, só têm vida junto aos seus
Adquire-se novamente quando preciso
A vida que parece estar sendo desfeita
Ao mesmo tempo está sendo refeita
Reconstruída, mesmo que em meio a escombros
Nos ecos de um passado tão presente
Ouve-se a esperança de um futuro
Nota-se o brilho entre as frestas do porvir
Percebe-se o bater acelerado de um coração apertado
Onde houve vida sempre haverá um renascer
Onde corações bateram e geraram vida
Sempre existirá amor e recomeços
Cada dia melhor e mais forte
Nem sempre tão simples ou fácil, porém necessário
Basta acreditar e recomeçar…
Alda M S Santos
RENOVANDO…
A vida nem sempre é como a gente quer
As pessoas e situações quase nunca correspondem às nossas expectativas
A dor muitas vezes se impõe, as forças minam
Sentimo-nos excluídos, esquecidos, desvalorizados, preteridos
Mas brota lá de dentro uma semente, a da sobrevivência
E a gente cuida, rega, aduba, se deixa cuidar e adubar
Enquanto formos capazes de levar um abraço, um cuidado
Enquanto formos capazes de respeitar e cuidar de toda vida existente
Enquanto formos capazes de sorrir um para o outro
Para nós mesmos, a despeito de todo e qualquer sofrimento
O amor prevalecerá, a vida se renovará
Cada dia mais bela e promissora…
Alda M S Santos
VAMOS RECOMEÇAR?
Percorremos tantos caminhos na vida, em várias direções
Em busca de realização profissional, harmonia familiar
De uma vida recheada de amores sinceros, amizades verdadeiras
Em busca de um Deus que nos acolha, oriente, perdoe e ampare
Mas qual deles nos leva a nós mesmos?
Alguns sabemos que nos afastam de nós, precisamos retornar
Recomeçar da estaca zero, se possível, mais sábios, talvez mais fortes
Tudo dependerá de nosso olhar e ação sobre as curvas e entraves do caminho
Da perícia em saber a hora de voltar
Qual delas poderá nos redirecionar em busca de nós mesmos?
É preciso estar consciente das próprias pegadas para caminhar
Um caminho que nos afasta de nós mesmos e daquilo que mais prezamos não é uma boa escolha
Um caminho válido é aquele que nos leva ao aprendizado, ao autoconhecimento
Pois, por incrível que pareça, estamos sempre a nos surpreender
E nisso consiste a beleza do existir…
Vamos recomeçar?
Alda M S Santos
UM VENTO PASSOU POR AQUI
Um vento passou por aqui
Aproveitou as janelas abertas e invadiu
Quebrou trancas e tramelas, portas destruiu
Muita coisa bagunçou, outras embora levou
Derrubou esperanças, sorrisos apagou, portas fechou
Um vento passou por aqui
Misturou o certo e o errado, o doce e o salgado, a autoconfiança minou
Mentiras criou, verdades questionou, inimigos levantou
Debates inventou, calados despertou, falantes calou
Um vento passou por aqui
O que era rígido, mas frágil, caiu e quebrou
O que era firme, forte, mas flexível balançou e se solidificou
O que era verdadeiro e leve flutuou e se eternizou…
Um vento passou por aqui
Entre tantas desordens que causou
Entre tanto que trouxe e levou
Algo de novo possibilitou, coisas antigas reafirmou:
Solidez não rima com rigidez,
A água tudo contorna, não pelo peso, mas pela persistência e fluidez
Amor e simplicidade têm primazia sobre qualquer ventania
Um vento passou por aqui…
E sua marca deixou… o sorriso replantou…
Alda M S Santos
COMO ANDAR DE BICICLETA
Se a gente parar, reduzir, pensar demais,
A gente se distrai, amedronta, perde a confiança, cai!
Quando aprendemos a andar de bicicleta
Logo depois que retiramos o conforto e segurança das rodinhas
O equilíbrio se mantém e nos impede de tombar, de cair
Enquanto estamos em movimento, pedalando
Aos poucos, devagar, depois de alguns tombos, feridas
Vamos aprendendo a reduzir lentamente
Ouvindo alguns conselhos amigos
Descartando aqueles que, invejosos ou ciumentos,
Visam apenas nos ferir e desestabilizar
Avaliando os riscos, mantendo-nos sobre o selim,
Nas retas primeiro, fugindo das curvas.
Só então poderemos realmente sentir o passeio,
Aumentar nossa força e coragem, dar um tchauzinho
Observar a paisagem, sentir o vento no rosto,
As pessoas que passam, os outros ciclistas
Pedalar junto, dar carona, apostar uma corrida
Nos arriscar nas curvas convidativas, nos declives acentuados
Ajudar outros ciclistas, e curtir…
Certos e conhecedores dos pontos críticos
Que outros tombos podem ocorrer,
Mas que estaremos mais fortes.
A vida é, por vezes, como andar de bicicleta
Somos tantas vezes aprendizes!
Se a gente parar, reduzir, pensar demais,
A gente cai!
E o sentido, tanto de andar de bicicleta
Quanto de viver, está no prazer que se obtém disso
Basta observar uma criança em sua bicicleta
Que, apesar dos tombos, insiste, sorri, comemora
Vamos pedalar! Vamos viver!
Alda M S Santos
VIDA OU MORTE?
Às vezes parece que temos ido mais a velórios que a maternidades…
Percebido mais mortes que nascimentos perto de nós
Será mesmo?
Ou nosso olhar tem focado mais num do que noutro?
Avaliado mais um “evento” do que outro?
Saber que ambos fazem parte da vida é importante
Até mesmo essencial para prosseguirmos com mais serenidade e ânimo
Ter essa visão cíclica da vida, o quanto ela é rotativa
Ora estamos aqui, ora estaremos do outro lado
Isso pode gerar desejo de fazer o melhor possível o quanto antes
Ou avaliar que, por mais que se faça, nada mudaria o final
E se “entregar” à inércia do acaso…
Vida ou morte, nascimento ou sepultamento?
Até em nós mesmos fazemos isso todo o tempo
Nascem e morrem em nós emoções, sentimentos, necessidades, alegria, dores
Nem sempre temos controle do que vive ou morre em nós
Tentamos deixar brotar o que nos faz bem, sepultar o que já não está vivo
Ou que poderia vir a nos matar…
Nascer e morrer…
As únicas certezas que temos
No intervalo tudo pode acontecer, boa parte depende de nós…
Alda M S Santos
ROUBOS E ARROUBOS
Quanto mais caminhamos para longe de nós mesmos
Quanto mais rápido o fazemos, vislumbrando um destino sonhado
Quanto mais arroubos há, mais roubos são realizados, “autorizados”
Mais difícil e necessário se tornará o caminho de volta
Mais longo e doloroso será o retorno
Dívidas deverão ser quitadas, débitos pagos com juros
Sorrisos resgatados, lágrimas enxugadas, flores arrancadas devolvidas a seus canteiros
Cristais frágeis que forem quebrados novamente colados
Fé e autoconfiança recuperadas…
É bom ir, mas todo cuidado é pouco para não nos perdermos de nós
Para não nos afastarmos e caminharmos perto de quem nos mantém inteiros e acende nossa luz
Para não fazermos com que quem amamos se percam de si mesmos…
Alda M S Santos
RUÍNAS
Mergulhar no que acreditamos serem nossas ruínas
Limpar áreas empoeiradas de nossa alma
Quase nunca visitadas, negligenciadas, até temidas
Pode nos levar a encontrar objetos esquecidos
Partes importantes de um quebra-cabeças que julgávamos perdido
Uma figurinha que faltava no nosso álbum de vida
Uma flor desidratada dentro de um livro que irriga nossos olhos
Uma dedicatória significativa e estimulante, que injeta ânimo e coragem
Coisas que julgávamos mortas e sepultadas que ressuscitam
Como uma criança que revisita o quartinho de brinquedos velhos
E volta de lá feliz com muitas coisas “novas” ou perdidas
Para voltar a brincar…
Ruínas podem ser muitas vezes
Apenas partes de nós
Que, se bem avaliadas e cuidadas ,
Podem voltar à vida e brilhar tanto ou mais do que antes…
Alda M S Santos
PARA ONDE VOLTAR
Ter pra onde ir, mesmo sem saber ao certo o lugar, é bom
Abrir caminhos nessa imensidão, com a precisão da lâmina afiada da foice da nossa ansiedade
Com a velocidade e força da vida que pulsa e corre em nossas veias
Desejo de conhecer o mundo além de nossas porteiras fechadas
Conquistá-lo, vencê-lo, fazer história,
Atrelar nossa história à história de alguém,
Deixar nossas boas sementes plantadas para a posteridade
Colher bons frutos, chorar pelos que não vingaram
E chega a hora de querer voltar…
Voltar pra onde?
Temos para onde voltar?
Aquela porteira de outrora abrirá para nós novamente?
Irá nos reconhecer?
Pais, avós, amigos, nós mesmos, o quanto nos distanciamos?
Caberemos lá dentro, agora que os sonhos foram satisfeitos ou esquecidos
As angústias controladas, os medos vencidos
E a vida já não pulsa tão forte em nós quanto águas de cachoeira na serra
Mas na tranquilidade das águas de um rio que segue seu curso, seu remanso
Sabendo-se vida para tantos…
Queremos sempre voltar em algum momento
Como se algo precioso tivesse ficado lá atrás
Alguém a quem prestar contas do que foi vivido, uma avaliação
Voltar para nós mesmos, nos reconhecer, é um bom começo
Olhar naquele espelho da casinha simples de adobe que muitas vezes buscamos
Ver nos olhos que aquele espelho reflete os olhos Dele a nos receber
E poder nos dizer “que bom que está aqui e, apesar de mudado, reconheço você, sua essência se preservou”
Alguém que encontrou o retorno dentro de si mesmo
E não tem do que se envergonhar, ou quase não tem
Isso é ter pra onde voltar…
E sem medo de não ser bem recebido!
Ter pra onde ir é muito bom
Ter pra onde voltar é maravilhoso…
Alda M S Santos
SOFRIMENTOS
Há duas maneiras das pessoas encararem as duras penas da vida
Algumas sabem o peso de determinado sofrimento
E jamais querem o mesmo para alguém, próximo ou não
Outras, como sofreram aquilo, não se importam com o outro
Às vezes, desejam que o outro passe pelo que passou,
Até, muitas vezes, causam no outro a mesma dor
Na tentativa errônea de sofrer menos, não sabendo-se só
Como se ao doer no outro doesse menos em si próprio
São os modos diferentes que a alma de cada um
Mais evoluída, ou menos, lida com o próprio sofrimento!
Mas aprende, cedo ou tarde, que a dor de cada um é única
E deve ser enfrentada dentro de si mesmo,
Até ir apagando aos pouquinhos…
Alda M S Santos
VOLTA POR CIMA
“Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”
Tão necessário nas trilhas da vida
Lema dos vencedores!
Nas grandes quedas, aquelas das quais não conseguimos levantar tão rapidamente
Todo cuidado é pouco para não derrubar mais ninguém
Além de quem já foi derrubado e de nós mesmos
Se uma volta por cima implicar em jogar poeira nos olhos dos outros
Ou lançar alguém para a “volta de baixo”
O melhor mesmo é ficar dignamente onde está…
Alda M S Santos
UNIVERSO PARALELO
Na balança da vida oscilei bastante
Sempre em busca do equilíbrio, do ponto neutro
Sorri muito, chorei bastante
Fui necessária a alguns
Precisei de tantos outros
Sem intenção, atraí ou afastei pessoas, situações
Trabalhei, me doei, mergulhei de cabeça
Acertei, errei, me decepcionei
Acreditei estar num universo paralelo
Vivendo num mundo do qual não faço parte
Fiquei perdida, um navio encalhado, à deriva
Caí, machuquei, levantei,
Sempre em busca do equilíbrio, da paz interior
Olho longe, olho para dentro de mim mesma
Busco conexões, elos perdidos
Encontro amigos, família, Deus…
Apenas um pedido:
Que no próximo ano vocês todos estejam comigo
E eu com vocês!
Feliz 2018!
Alda M S Santos
AMPARO
Em retrospectiva, vislumbramos momentos
Estágios e situações da vida que enfrentamos
E não acreditamos que algumas coisas foram reais
De onde tiramos força e coragem para superar cada revés
Vencemos medos, risco de morte, ameaças, doenças,
Angústias, perdas, decepções, mudanças, saudades,
Ou ao menos estamos aprendendo devagarzinho a conviver…
Como conseguimos? Simples! Deus!
Fé e esperança! Enfrentamento! Não nos escondendo, mesmo sofrendo.
Ainda que a gente não tenha percebido nas ocasiões
Deus nos permite viver somente o que nos fará aprender e crescer.
Se Ele nos submete a algo, ele nos ajuda e nos ampara
Como um pai que coloca rodinhas na bicicleta dos filhos
Depois tira uma, a outra, segura a bicicleta e, finalmente, o deixa ir
Mas seu olhar sempre cuidadoso acompanha e ampara o filho
Saber disso nos dá forças para não estacionar, prosseguir
Mesmo que a gente ainda se aventure demais por aí,
Leve alguns tombos nos mesmos lugares de antes
Nas curvas, se esfole, sofra, chore…
Mas só compreendemos mais tarde
“Para ver a ilha como um todo é preciso estar minimamente fora dela”
Alda M S Santos
CERTEZA DO FIM
Se houvesse a certeza de que amanhã seria o fim de tudo
Por qualquer dos métodos escabrosos de auto-destruição que nós mesmos criamos
Qual seria nosso maior arrependimento?
Qual seria nosso maior orgulho?
Existe algum lugar especial em que gostaríamos de estar?
Algo específico que gostaríamos de fazer?
Ou alguém especial para estar junto, abraçadinho?
As respostas a essas três perguntas
Também responderá qual o arrependimento e o orgulho
E poderá direcionar nossos passos seguintes
Qual seria nosso cartão de visitas no céu?
Sempre há os crédulos na proximidade do fim
Isso pode ser ideia de algum insano
Ou de alguém bastante lúcido
Podemos escolher em qual acreditar…
Alda MS Santos
SE EU FALTAR PRA VOCÊ…
Se eu faltar pra você, quanto tempo sofrerá por mim?
Ficará revoltado, achando que a vida foi injusta, que merecia mais?
Será daqueles que mergulham em histórias e mais histórias pra esquecer minha partida?
Escreverá um livro contando nossa história para relembrar, não me apagar da sua mente?
Sentirá falta do quanto te amei, de minha companhia diária, do quanto nos fizemos bem?
Ou será do tipo que procuraria exatamente por quem disse que nunca faria, por pura rebeldia?
Seria capaz de me responsabilizar pelo que não foi culpa minha?
Saberia ser agradecido a Deus pela vida que compartilhamos, ou revoltado pelo fim?
Seguirá em frente, amará outra mulher logo, pois acostumou-se a uma vida de amor?
Não sei o que você faria…
Soubesse com antecedência da minha partida poderia até levar você…
Mas não seria justo! Você tem direito à sua vida!
Afirmo apenas que levaria você comigo para sempre:
No coração e na alma para qualquer dimensão…
Alda M S Santos
IM OU EXPLOSÃO?
Implosão, explosão, ambas destruidoras
Derrubam, desmancham, apagam, zeram
Em se tratando de pessoas
Qual a que causa menos mal?
Explodir, quase sempre com os outros
E tudo que nos incomoda, machucar
Queimar tudo!
Implodir, para dentro de nós mesmos,
Estourar para o nosso interior,
Arrefecer por falta de alimento, de oxigênio, ferir-se
Como aqueles espirros contidos…
Qual o menos danoso?
Im ou explodir?
Alda M S Santos
O QUANTO DÓI O QUE MAIS DÓI?
Dor de dente, cólicas renais, parto, coluna,
Enxaquecas, ressacas, crises de abstinência, nervo ciático,
Luto, amor, saudade, solidão, compaixão, ingratidão…
São tantas a doer!
Dores são bem democráticas
Quase sempre distribuídas a todos
O grau de cada uma e o que fazemos delas
É o que nos difere uns dos outros.
Tantas pessoas sorridentes por aí
Com dores que uns julgam pouca coisa
E outros sequer pensariam em suportar.
Qual a dor que mais dói?
Aquela que sabemos que também dói no outro,
Ou a que sabemos suportar sozinhos?
A dor que mais dói é certamente a que sentimos no momento.
O quanto cada dor dói, só quem a sente é capaz de dizer.
Nunca subestimar a dor ou sofrimento do outro,
Não potencializar a nossa, tampouco fingir que não existe,
São bons modos de encarar esse mal comum a todos.
Uma injeção de amor também seria o ideal!
Alda M S Santos
UM DIA
Um dia a angústia pode queimar o peito
Um dia as lágrimas podem inundar a fé
Um dia a tristeza pode fechar o sorriso
Um dia a desesperança pode secar a alegria
Um dia o amor pode ser só dor e saudade
Um dia a amizade pode não corresponder
Um dia um abraço, um beijo, um olhar podem não ser suficientes,
Um dia a amargura pode calar nossa voz,
Um dia a vida pode se assemelhar a um chão de folhas secas e mortas.
Quase sempre é um dia, alguns dias, semanas, meses…
Nesses dias é que precisamos buscar um pouquinho de alegria no fundo de nós
Sempre há!
E focar nela, regá-la, nutri-la
E, aos poucos, bem aos pouquinhos,
Ela se encarregará de inundar o resto.
Basta ter fé e esperar…
Alda M S Santos
QUANDO NÃO ESTOU EM MIM
Procuro-me em todos os cantos
Tento me identificar, me localizar
Saber onde me encontro
Quando não estou em mim.
Se eu não estivesse mais aqui
Onde poderia ser mais facilmente encontrada?
O que remeteria as pessoas diretamente a mim?
O que olhariam e diriam: isso me faz lembrar dela!
Uma cachoeira, uma mata densa, pássaros, borboletas, flores?
O mar, um rio, a chuva, as estrelas, a Lua cheia?
Certamente, sinto-me em casa junto a tudo isso.
Um sorriso, um abraço, uma palavra, um poema? Identifico-me.
Meus filhos? Claro, partes mais lindas de mim.
Meus pais? Sim, sou parte deles.
Meu amor, meus amigos? Alguns deles, os que me amaram, me entenderam, sintonizaram comigo.
Em cada pessoa que passou por minha vida, que me agregou valores, me fez feliz, me fez sofrer?
Sim, foram também partes de mim.
Estou em muitos lugares, em cada pedaço de chão que pisei
No ar que respirei, mas, principalmente, no amor que doei.
Se quiserem me encontrar, procurem em tudo isso,
Também no sorriso de uma criança,
Na nostalgia de um idoso, no abraço de um casal apaixonado…
De preferência, num dia de chuva.
Eu estarei lá!
Quando não estou em mim estou naqueles que amo,
Onde quer que estejam.
E estar neles, é um modo de estar em mim.
Alda M S Santos
EXCLUIR, ARQUIVAR, BACK, NEXT: APRENDENDO A USAR
Tantos são os novos aplicativos, cada dia surge mais um
Mas o mais antigo de todos, que nos vem acoplado ao DNA
É a capacidade de manter aquilo que nos faz bem
De excluir o que nos traz mágoas e tristezas
De arquivar o que é bom ou que pode vir a ser,
De voltar quando é possível,
De prosseguir, seguir em frente, mudar de fase.
Esses recursos vêm de fábrica
Mas vamos aprendendo a usar com o tempo
Com as necessidades que surgem.
E como todo jogador, cada qual tem suas estratégias e perfis
Uns são audaciosos e buscam sempre mais, nunca voltam,
Quase nada arquivam, excluem e seguem em frente.
Outros, mais conservadores, mantêm muitos dados, arquivam demais,
Têm dificuldade de excluir, caminham mais pesadamente.
Mas todos estamos nos aperfeiçoando
Aprendendo a usar, buscando suporte técnico,
Pois a qualquer hora pode haver baixa,
O game over sempre chega, cedo ou tarde.
Alda M S Santos
PERDAS
Sempre sabemos lidar com perdas: as perdas alheias.
Para elas sempre temos algo a dizer, a aconselhar.
Mas quando a perda é com a gente, tudo muda de figura.
Não importa que tipo de perda seja: material, pessoal, humana…
Sempre irá doer, sempre irá machucar!
Perde-se emprego, casa, saúde, animais de estimação,
Amigos, familiares, amores…
Perde-se a paz, o sossego, a fé, a alegria!
Por que nunca somos ensinados a perder?
A família, a escola, a igreja, todos nos ensinam a conquistar.
Isso porque a teoria da perda de nada vale!
E, quase sempre, é essa teoria que passamos para os amigos “perdidos”.
Mas somente quem vivencia a perda é capaz de aprendê-la na prática.
Aprende-se a perder, perdendo: chorando, gritando, se recolhendo, sofrendo.
Não é lição que se ensina, é lição que se aprende só!
E o tempo que leva para se recuperar,
Depende do modo de ser de cada um.
Alguns rapidamente superam, esquecem, e a vida segue normal.
Outros demandam muito mais tempo, muitas lágrimas, muita tristeza…
Respeitar o próprio jeito, a própria dor, é fundamental no processo de cura!
Alda M S Santos
DIAS DIFÍCEIS
Para dias difíceis, pessoas fáceis.
Na falta, fique consigo mesmo!
Ainda que você não seja muito fácil,
É alguém que conhece há mais tempo que se pode lembrar,
Que aturou cada sorriso, cada lágrima, cada dor ou prazer,
Mesmo que não esteja uma boa companhia,
Sempre será alguém com que se pode contar!
Não se abandone!
Alda M S Santos
PRIMAVERAS DE DENTRO
Quem vê a beleza de uma rosa,
Sua frescura, sua cor e perfume
Intensa delicadeza e suavidade
Não imagina quantos obstáculos rompeu
Quantas dores sofreu, sede passou,
Insetos e pragas enfrentou,
Ou quanta persistência foi necessária
Para chegar a mostrar tamanho esplendor.
De tantas lutas ficaram os espinhos,
Lembrança de que nada se alcança,
Por mais delicada e bela, sem lutas.
Foi inverno, é primavera!
Mas nada dura para sempre!
Nem os invernos, nem as rosas, nem as primaveras,
Fora ou dentro da gente.
Alda M S Santos
MATA VIRGEM
Amar é adentrar numa mata virgem
Sem qualquer conotação sexual,
Ou pode ter, se assim o preferir.
É desbravar, abrir trilhas, descobrir espaços secretos
É passar por espaços iluminados, outros escuros
É ter momentos de dor, de cansaço, de frio e calor,
É ter prazer nos oásis, na maciez de uma cama de folhas,
É encontrar itens encantadores, outros perigosos,
É ter apenas uma ideia do que se quer
É saber que nem toda surpresa será boa
É, sobretudo, ter certeza que vale a pena desbravá-la,
Porque não há modo de conhecê-la de fora,
Projetar ou resolver problemas sem nela adentrar.
Uma mata virgem, assim como o amor
São convites a curiosos e corajosos.
Alda M S Santos
ESCALAS
A viagem da vida não acontece sem escalas
Não é voo direto!
Pode ter várias escalas, paradas, conexões,
E, nelas, reavaliarmos o trajeto, o destino
A necessidade de retornos, mudanças de aeronaves
De tripulação e novos reembarques.
Não podemos é ficar muito tempo estagnados
Sob pena de perder o embarque.
Apertemos nossos cintos e boa viagem!
Alda M S Santos
CONSTRUINDO CASTELOS
Viver é construir castelos
Sem saber quanto tempo moraremos neles
Quanto tempo levarão para se desintegrar
Ou serem tragados pela areia movediça que nos cerca.
Como crianças na areia da praia que, pacientemente,
Vão até à beira d’água, carregam um baldinho pela metade,
Despejam num monte de areia e mãos à obra!
Pequenos grandes arquitetos, com ajudantes ou não,
Constroem lindos castelos, se enterram na areia,
Deitam-se em poças d’água e sorriem,
Mesmo quando o castelo é levado pelas águas.
Começam a construir outro e outro…
Incansáveis!
Em sua simplicidade entendem que a alegria está no construir
Não esperam o término da obra ou sua durabilidade para serem felizes.
Se a areia movediça levou seu castelo, não importa!
Se as ondas do mar fizeram tudo ruir, e daí?
Foram felizes enquanto ele existiu! Por isso a dor é passageira.
E ainda há muita areia e água pela frente, novos castelos,
Mesmo com a incerteza do amanhã.
Mesmo que não saibamos o tempo que nos resta….
Construindo…sempre…
Alda M S Santos
NO AR…
Voar, bem alto, no infinito,
Devagar, curtir, planar…
Tudo ver, tudo analisar, de fora, por cima,
Tudo observar, escolher, fixar os olhos
E mergulhar… fundo…
Na certeza do que se quer,
No prazer antecipado do encontro,
No gozo da vida que recomeça
A cada voo,
A cada mergulho…
No ar…
Alda M S Santos
PRÓXIMO DO NOCAUTE
Ver, mesmo de olhos cerrados,
Sentir, mesmo com o coração fechado,
Dizer, mesmo sem palavras,
Ouvir, mesmo os gritos ou sussurros dos silêncios,
Acreditar, mesmo que tudo pareça ruir,
Abraçar, ainda que os braços pesem,
Sorrir, mesmo entre lágrimas,
Lutar, mesmo próximo do nocaute,
Beijar, mesmo com lábios ressequidos pela distância,
Prosseguir, mesmo com a sensação de andar para trás,
Viver, mesmo que a vida pareça pertencer a todos, menos a nós mesmos.
Alda M S Santos
PERDIDO
Se há muito busca encontrar-se
Refazer-se, tornar-se de novo inteiro
E de tantas partes
Encontrou apenas algumas
Busque-se em sua última morada
Junto à escova de dente, perfume, roupas íntimas
E alguns utensílios dispensáveis esquecidos,
Pode ter deixado algo mais valioso
Que reconstitua seu quebra-cabeça particular.
Se lá houver mais partes que cá,
Mude-se de vez para lá.
Alda M S Santos
DESCAMINHOS
E quando chegamos naquela parte do caminho
Em que já atravessamos partes leves, agradáveis, floridas
Também as difíceis, duras, pedregosas,
Já fomos longe demais e percebemos que não é mais possível prosseguir?
Descobrimos que pra frente pode haver raios e trovões
Tempestades, tsunamis, maremotos intensos?
É possível descaminhar?
Dar marcha à ré, retornar pelo mesmo caminho,
Voltar ao ponto de largada, retomar?
Como se ao voltar fôssemos desfazendo tudo, desmanchando detalhes
Voltando a fita em câmera lenta
Sorrindo e chorando tudo outra vez
Apagando as pegadas deixadas na areia…
Ou o melhor a fazer é seguir em frente
Por outro caminho, gravando por cima?
Talvez possamos usar nova fita, fazer nova gravação
E deixar esse arquivo guardado num cantinho
Para ser utilizado em momentos de nostalgia e saudade
Ou de novos aprendizados…
De qualquer maneira, perder a “direção” nunca é bom.
É preciso sentar-se à beira do caminho, refletir, retomar as forças e a serenidade.
De quem tanto caminhou, espera-se que logo pegará sua bússola e, cedo ou tarde, vislumbrará uma nova trilha!
Alda M S Santos
CULPAS E RESPONSABILIDADES
Todos nós somos acometidos por elas em algum momento da vida.
Quanto mais regras e normas de conduta carregamos,
Quanto mais corretos e precavidos tentamos ser, mais o risco de as carregarmos em nossas bagagens.
Ninguém está livre ou isento, posto que somos humanos!
Errar, machucar, machucar-se, consertar, tentar de novo, errar outra vez, sempre fará parte de todo aprendizado.
Análises, julgamentos, veredictos: culpados!
Nós mesmos prevemos grandes punições e sanções.
Acreditamos que os outros merecem,
Acreditamos merecê-las!
Temos em mente a lei do retorno, da colheita, do “aqui se faz, aqui se paga.”
Vale lembrar que o grande Mestre do amor apregoa o perdão.
Se Ele é capaz de nos perdoar, após arrependimentos e mudança de atitudes,
Deveríamos ao menos ser mais complacentes com os erros dos outros,
E, particularmente, com os nossos, e tentar de novo, sempre.
O tempo vai nos ensinando de quais perigos nos manter afastados ou vigilantes: animais, situações, pessoas…
Por mais bonitos ou convidativos que possam parecer.
Bagagens carregadas de culpas atrasam nossa caminhada,
Não são bons materiais de construção,
Impedem vivências ricas e maravilhosas.
Peso inútil, descartável!
Alda M S Santos
REDEMOINHO
Tudo se passa em câmera lenta
Chega, olha em volta
Espaço grande, luz forte
Muitas pessoas conhecidas ali
Recebe as boas vindas
Parece perdida, descalça, meio assustada
Procura alguém…
Olha nos olhos de cada um que passa
Todos fixam nela o olhar meio encabulados
Continua a circular
Procura alguém, não sabe quem
Mergulha num redemoinho de imagens
Chora, senta, soluça
Alguém cobre seus ombros com uma colcha
“Esse vestido é fino, transparente, vai congelar.”
Reconhece a voz, o olhar, o cuidado
Levanta-se, vira-se e ele desaparece pela porta
Vai atrás, chega numa porta e só vê nuvens, como de dentro de um avião.
Sem medo, lança-se espaço abaixo…
Para as nuvens…
E tudo é paz!
Alda M S Santos
PRÓLOGO
Serão novas páginas, novos capítulos
Personagens novos, alguns renovados
Uns se foram por conta própria ou foram cortados
Outros terão participação reduzida
Novos planos e projetos alegram e assustam
A permanência de alguns caminhos e desejos dão segurança
Coadjuvantes e personagens secundários conhecidos e aliados confortam
Cenários novos, fechados ou abertos animam
Muitas possibilidades!
As páginas dessa história, novamente em branco, irão recomeçar
Muitos volumes escritos, um novo por escrever
O mesmo roteirista, mas o mais importante, a mesma protagonista
Mais forte, mais corajosa, experiente, amorosa e com muita fé!
E aberta a muitas surpresas e novidades!
Convido-os a tomar parte nessa aventura!
Alda M S Santos
ESQUEÇA
Esqueça!
A angústia que aperta o peito
A saudade que dói
Aquela necessidade que não passa.
Há coisas que só esquecendo!
Esqueça!
O trabalho que só te suga
A amizade que não era tão verdadeira
O amor não correspondido.
Melhor não lembrar!
Esqueça!
A ingratidão que recebeu em troca
O afastamento de alguém especial
O amor que te magoou…
Aquele sonho inalcançável!
Lembrar cansa!
Esqueça!
Mas se for impossível,
Lembre-se!
Ative a coragem, a força
E lute!
Essa luta possui muitos rounds!
E jogar a toalha antes da vitória ou do nocaute
Não demonstra espírito esportivo!
1, 2, 3, 4…!
Alda M S Santos
CHUVA
Chuva lava as plantas
Lágrimas lavam a alma
Chuva irriga a terra
Lágrimas irrigam o coração
Juntas, chuva e lágrimas,
Geram beleza, vida e recomeços…
Unidas, fazem brilhar Sol e sorrisos,
Em todos os corações dispostos a amar…
E deixam a alma em êxtase.
Alda M S Santos
ANOITECER
Noite: chuvosa ou estrelada,
Lua cheia ou Nova
De brisa suave ou calor escaldante.
Escuridão que pode ser bênção.
Pra dormir, pra descansar corpo e mente.
Pra pensar, analisar, avaliar, planejar…
Pra sonhar, pra amar…
Agradecer!
Não é por acaso que ela é iluminada pelas estrelas e pela Lua.
Deus nos mostra o quanto a vida é cíclica…
Do quanto cada fase pode ser importante.
Se delas soubermos tirar proveito.
Por mais bela ou difícil,
Que tenha sido a noite.
A alvorada chega pra todos, pra recomeçarmos.
Sempre!
Alda M S Santos
Boa noite!!!!
Segunda-feira, dia de recomeçar: a semana, a dieta, a ginástica, um novo amor, os planos, a vida…
Dia de acordar com o pé direito, uma oração aos céus, vestir uma cor alegre no corpo, um sorriso brilhante no rosto, a paz na alma.
Ignorar aquela angústia no peito, a saudade doída, os desejos secretos, os sonhos quase impossíveis.
Se preciso, parar, respirar fundo, se aquecer ao sol, chorar. Lavar o que machuca, deixar espaço para o que faz bem.
Trazer à memória o corpo saudável, a mente lúcida, mesmo turbulenta, o coração que ama além da conta, os amigos queridos, a família amorosa, mas principalmente, um Deus que nos acompanha em tudo.
Segunda-feira, pode vir! E traga as demais. Estamos prontos! Seja breve ou seja longa, seja produtiva, menos dolorida, mais feliz.
Alda M S Santos