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Culpas e responsabilidades

CULPAS E RESPONSABILIDADES

Qual sua responsabilidade na atual situação em que você se encontra?

Essencial nos perguntarmos isso antes das acusações de praxe.

O outro não teve paciência, o chefe não pagou o devido, a igreja não ajudou, os filhos exigiram demais,

O cônjuge não foi compreensivo, os médicos não fizeram o diagnóstico correto…

Ou ainda a vida foi “madrasta”, os amigos desapareceram, as leis não foram justas, o país é corrupto, Deus não existe…

Responder a essa pergunta com coragem e sinceridade exige maturidade, ainda que no silêncio de nossos corações.

Amei o bastante, me dediquei o suficiente, segui as regras, obedeci as leis, confiei,

Fui paciente com as diferenças, respeitei o outro, cuidei da saúde, acreditei que podia fazer melhor?

Qualquer situação que nos aconteça de sucesso ou derrota, temos responsabilidade, não sozinhos, mas temos.

E a única em que podemos agir e mudar é a que nos cabe.

Sempre há algo que podemos mudar para melhorar e eliminar o mal que sofremos ou causamos.

Atribuir responsabilidade aos outros e fugir da nossa só nos levará a cair nos mesmos erros, reclamar dos mesmos insucessos e infelicidades.

Viver não é fácil, acertar sempre não existe,

Mas a tentativa constante de sucesso sem nos fazer mal leva ao aprendizado

Transitar por caminhos conhecidos ajuda muito

Aceitar novos caminhos ou olhá-los com novo olhar é essencial

Somos feitos disso tudo: culpas, responsabilidades, fracassos e sucessos

Só não vale parar…

Alda M S Santos

Prazer ou loucura?

PRAZER OU LOUCURA?

Prazer ou loucura, alegria ou insanidade

Quem define isso em nossas vidas

Excessos, maluquices, vícios

Ou o bem estar de ir além dos próprios limites

A cada quilômetro vencido, vento no rosto, sol ou chuva

Suor quase tão intenso quanto as dores nas pernas

Preparação, frio na barriga que antecedem a empreitada

Aclives muito íngremes, amigos de décadas em seu encalço, pedalando…

Mesmos gostos, mesmas “loucuras”

E o prazer compartilhado de chegar ao topo

O frio na barriga e as dores musculares ficam esquecidos

Diluídos na sensação de euforia pelo propósito alcançado

E, na magia de uma vista deslumbrante,

Agradecem à vida, a Deus, ao prazer de se ter amigos…

E logo planejam a próxima…

Parafraseando Caetano “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”…

Alda M S Santos

Pares im(perfeitos)

PARES IM(PERFEITOS)

Não somos pés de meia ou sapatos

Não há necessidade de sermos iguais

É até preferível quando não somos

Para sermos pares, basta que combinemos

Que nos encaixemos bem, nos façamos bem

E que mesmo quando apertados ou com frio

Não causemos bolhas, calos ou resfriados

Mas que aproveitemos para nos aproximar e nos aquecer

E formar o melhor par imperfeito do mundo…

Alda M S Santos

Amar não é fácil!

AMAR NÃO É FÁCIL!

Amor é apontado como uma das melhores coisas da vida

Talvez a mais importante, fruto de vida e felicidade

Mas também é o causador das maiores tragédias pessoais e coletivas

Ao menos o apontam como motivador de grandes guerras e disputas

Amor possessivo por pessoas, bens materiais, até por Deus…

Amar e aceitar o outro como é, respeitando sua individualidade

Sabendo o momento certo de se calar, de falar, de se doar, de cuidar, de proteger, se recolher

Mesmo quando o outro não parece merecer, principalmente nesses casos,

Em muitos momentos nós também não merecemos

E é quando mais precisamos

Respirar fundo, perdoar, orar pelo outro…

Amar é a melhor coisa do mundo, sim!

Desde que nos torne melhor do que somos

Desde que torne quem amamos melhores do que são

Um amor que faça os envolvidos mais humanos, solidários, compreensivos e felizes…

Amor que constrói , que abre um novo olhar

Pois amor que destrói o que quer que seja não é amor!

E sempre cobra um preço alto.

Alda M S Santos

Na própria pele

NA PRÓPRIA PELE

Não dá para dimensionar o que se passa com o outro

Se sensíveis formos, apenas podemos especular, ter uma ideia

Mas, saber mesmo, só sentindo na própria pele

Só chorando as mesmas lágrimas

Só pisando e se cortando nos mesmos cacos de vidro

Só queimando sob o mesmo sol ou frio

Só desanimando na mesma queda ou escorando nas mesmas porteiras entreabertas da esperança

Só ardendo o peito com as mesmas angústias

Só aguentando as mesmas faltas, lidando com as mesmas falhas

Só sofrendo as mesmas perdas

Só estando sob o jugo das mesmas ameaças

Só tendo suportado o peso doloroso da mesma arma

Só sufocando pelos mesmos medos ou aflições…

Só assim sabemos, só assim não permitimos aos outros o mesmo mal

Só assim protegemos a quem amamos

Só assim nos humanizamos mais e mais…

Alda M S Santos

Pingos nos “is”

PINGOS NOS “IS”

Racionalizar tudo que nos acontece, esclarecer

Colocar todos os pingos nos “is” da nossa história

Começo, meio e fim, se possível com “felizes para sempre”

A conta precisa bater, um mais um precisa ser dois, noves fora

Ler tudo, interpretar, fazer uma releitura dos fatos

Das faltas cometidas, das bolas fora, dos gols

Dos amores, desamores, mágoas causadas e sofridas

Histórias interrompidas antes do fim, pendentes

Mal explicadas, não compreendidas, não aceitas

Essa é nossa tendência: matematizar tudo

Mas nem tudo é débito ou crédito, ônus ou bônus

Podemos estar bem no vermelho, mal no azul

E há belas histórias sem nexo, sem fim, perdidas no tempo

Valorosas, sofridas ou tristes, alegres ou saudosas

Como aquelas em que o livro termina

E a história continua dentro da gente

Criando, inventando, mudando cenários, imaginando, sonhando…

Nem todo ponto final sinaliza um fim

Talvez seja apenas uma nova página, um novo recomeço…

Alda M S Santos

Sabe aquele olhar?

SABE AQUELE OLHAR?

Sabe aquele olhar juiz, acusador, em que o seu se abaixa, culpado?

Não, não é ele que me instiga a ser melhor!

Sabe aquele olhar carrasco, cortante, que o seu enfrenta temeroso, desafiador?

Não, não é ele que preciso para seguir mais corajosa!

Sabe aquele olhar de desnuda “aprovação” e admiração em que o seu se retrai, encabulado?

Não, não é ele que quero como estímulo primeiro!

Sabe aquele olhar de volúpia e desejo do qual o seu se afasta, invadido, irritado?

Não, não é ele que preciso para me sentir mais eu!

Sabe aquele olhar?

Aquele em que você se vê refletido como é e não se envergonha,

Tampouco se sente acusado, culpado ou pseudo-admirado,

Sente-se apenas como é de verdade, sem máscaras, sem medos, sem subterfúgios

Aquele olhar que você encara de frente, mergulha fundo e sente apenas o amor refletido?

Um olhar que você seria capaz de seguir por toda a eternidade

Independente das pedras perfurantes, mares perigosos, matas fechadas?

Esse é o olhar que imagino que Ele nos ofereceria

Se estivéssemos prontos a enxergá-lo!

Sabe esse olhar? É Ele que quero, busco e preciso!

Alda M S Santos

Metades?

METADES?

Eles caminhavam de mãos dadas na avenida movimentada numa manhã ensolarada e fria.

Andavam devagarzinho entre apressados, agasalhos quentinhos quase tanto quanto a cena.

Cabelos brancos como neve brilhavam sob a luz forte.

Uma bengala numa das mãos dele, uma sombrinha grande fechada na dela.

Corpos meio encurvados somando umas quinze décadas…

Vez ou outra trocavam uma palavra, mas os olhares se comunicavam melhor.

Um bueiro aberto à frente, aquele cuidado de desviá-la do cone sinalizador do perigo.

Quantas vezes desviaram um ao outro do caminho interrompido?

Quantas vezes limparam as feridas das quedas nos bueiros da vida ou frustraram-se por não poderem fazê-lo?

Quantos segredos compartilhados ou guardados para proteção?

Quantos momentos de dor superados, fraturas coladas, perdão oferecidos, lágrimas misturadas?

Quantas marcas trazem nos joelhos, nos corações, nas almas?

São metades complementares, despareadas?

Não, são inteiros afins, falhos, com cicatrizes!

Contudo, dispuseram-se a caminhar juntos, a aceitarem-se e diminuírem essas falhas.

Quem vê conclui: “que lindo, que vida perfeita”.

Não, não são perfeitos e, por isso, ajudam-se em suas imperfeições e crescem.

Perfeitos não precisam do outro, de ninguém, não toleram imperfeições.

Lindo, sim! Não pela perfeição, mas pelo amor que cultivaram, que sobrevive às imperfeições.

Se estão unidos ainda assim, de mãos dadas, como a dizer “te aceito”, é exatamente por saberem-se imperfeitos!

Quantos de nós almejamos tudo isso, seguimos no barco da vida, remando sozinhos sem saber nos expressar?

Um viva às nossas imperfeições, melhorando a cada dia,

Sem desgastadas pretensões de alcançar a perfeição…

Alda M S Santos

Aprendizado

APRENDIZADO

Observamos neles a gratidão nas mínimas coisas:

“Deus é muito bom, pois manda vocês para nos alegrar”

A fé inabalável em Cristo:

“Sinto dores, não enxergo mais, tenho 94 anos, e fico aqui enquanto Jesus quiser, ele sabe de tudo”

A capacidade de reflexão, resignação e até uma certa incompreensão dos males

“Não sei porque minhas vistas ficaram assim, nunca fiz mal a ninguém nessa vida”

O arrependimento perante certas atitudes que causaram infelicidade aos outros

“Nunca esperei passar por isso, causar mal a alguém no final da minha vida”

A certeza de que aqui se colhe o que se planta

“Nessa cadeira passo meus dias, mas não reclamo, se devo algo, pago”

E a cada visita aprendemos que ali estão seres humanos que acertaram, que erraram

Vindos de famílias destruídas, por si mesmos, pelos outros

E procuram viver com dignidade e esperança o que lhes resta de vida

Os sentimentos maiores notados ali são: resignação, arrependimento, fé, uma certa nostalgia

E amor, mesmo que em forma de saudade

A nós, não cabe julgar, mas levar todo amor e carinho que pudermos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Especial

ESPECIAL

Como sempre, hoje é uma data especial para mim, para você

O dia em que você nasceu e recebi, há 26 anos, oficialmente, a mais digna função de uma mulher: ser mãe

E a cada vez as reflexões são as mesmas: estou exercendo bem esse papel?

Ilusão de perfeição não tenho, nem para você, tampouco para mim

Passamos a você uma herança que não escolheu, nem nós, na maioria das vezes

Herança genética, DNA, exemplos, coisas boas e outras nem tanto

Educamos, ensinamos o amor, o respeito próprio, a Deus, ao outro, tentamos contribuir para o bom caráter que você se tornou

Fizemos o que demos conta, o que acreditávamos ser o melhor, dentro de nossas limitações

Mas acredito que você saberá ir eliminando as heranças negativas, conservando as boas,

Mas, principalmente, aprimorando com suas características, o que recebeu de nós.

De tudo quero três coisas de você, resumidas em uma, a razão de estarmos todos aqui:

QUE SAIBA SER FELIZ!

Para tanto, precisa sempre manter sua essência humana e boa, não feri-la, saber amar, perdoar, recomeçar…

Nunca achar que é finito, pronto, imutável, infalível, ser flexível, aceitar mudanças, sempre estará aprendendo, se construindo…

Lutar pelo que acredita, com respeito aos próprios limites e sem ferir o outro,

Pois, felicidade que fere nossa essência, que exclui Deus, e que se baseia na infelicidade alheia não é duradoura!

Mesmo sem perfeição, talvez exatamente pela imperfeição nossa de cada dia,

Você é uma das “minhas” melhores obras abertas

Amo você além do infinito, na atmosfera ou no vácuo…

E, ainda que me torne mais desnecessária a cada dia que passa, estarei sempre aqui…

Parabéns! Deus o abençoe, meu eterno principezinho, Pablo Vinícius!

Alda M S Santos

Expressões

EXPRESSÕES

Há tantas formas de expressão: físicas, mentais, emocionais

E tão pouco entendimento entre as pessoas

Não entendemos o outro e menos ainda nos fazemos entender

Acostumados a selecionar o que mostramos

A esconder emoções que causariam algum malefício

Ou que passariam recibo de fragilidade ou seriam “vergonhosas”

Vamos nos sufocando com nossas emoções…

Um olhar úmido, palavras engasgadas, peito apertado, angústias e medos

Mas o sorriso precisa prevalecer, pedir ajuda é ser fraco

Reclamar é só para ouvir histórias de situações piores, lições de moral

Num mundo em que o certo é se dar bem,

Sacudir a poeira, mesmo que ela cegue a nós mesmos e aos outros

Ser autossuficiente e não depender de ninguém

Fazer a “fila andar” e não perder tempo com “mimimi”

Não dá pra ser zebra frágil num mundo de leões ferozes

Assim, as doenças vão tomando conta e estão aí: pânico,depressão, dependências químicas, transtornos diversos…

Queremos poder chorar, gritar, sorrir, reclamar, ser humanos

Até mesmo silenciar se for nossa vontade

Estar sozinhos por opção e não por falta de um irmão, de um coração

Precisamos nos expressar e nos fazer entender

Antes que não haja mais opção!

Alda M S Santos

Ele está onde o colocamos

ELE ESTÁ ONDE O COLOCAMOS

Tantas vezes nos espaços estreitos dos labirintos de nossas vidas

Quando mais necessitamos de sol, energia, luz, calor

Um sorriso confiante, uma palavra animadora

Esbarramos nas paredes de nossos limites físicos e emocionais

Paredes frias, úmidas, mofadas, duras, escuras…

As dúvidas, medos, desesperanças quase nos nocauteando

Procuramos por uma força, um estímulo, um amor

Alguém que acredite em nós, nos compreenda, nos aceite, nos perdoe

Buscamos Deus…

E Ele será mais facilmente encontrado

Se soubermos onde procurá-Lo, o espaço que reservamos a Ele nesse labirinto

Se estiver difícil de encontrar, pensemos bem!

Deus está onde O colocamos…

Alda M S Santos

Naufrágios

NAUFRÁGIOS

Em naufrágios, quando ficamos à deriva

Não importa o tamanho da embarcação

Ou o valor da carga transportada

Navios, escunas, barquinhos…

Depois de tudo lançado ao mar pela força da tempestade

O que temos de mais valioso e poderá nos salvar é a tripulação

E o que trazemos dentro de nós…

Alda M S Santos

Encastelados

ENCASTELADOS

Encastelados em nossas verdades ficamos (des)confortáveis

Com tantas certezas imutáveis, guardados entre tantas paredes, portas e janelas

Mas que não se abrem, distantes de todos…

Entre príncipes, princesas, reis e rainhas belos, ricos, superiores

Acreditamos estar protegidos do que é verdadeiramente real

A vida fora das paredes antigas daquele lindo castelo ou masmorra em que nos metemos

De uma plebe genuinamente grande, carente e nem sempre tão fiel

Onde príncipes são pessoas comuns, odiosas, às vezes

Princesas nem sempre são doces e obedientes com suas longas tranças loiras

O cavalo, quando existe, manca, dá coices

Madrastas são guerreiras, lindas ou não, lutadoras do borralho

Bruxas ou fadas são mulheres que conquistam a cada dia seu espaço com doçura, ferocidade e encanto

Príncipes são homens que sabem se encaixar na carruagem dessas novas princesas, serem parceiros

E o “felizes para sempre” é apenas início de uma luta diária…

Encastelados parecemos protegidos…falácia

Certezas podem ser confortáveis, mas são limitadoras

O que tem mesmo poder de melhorar nossas vidas e, quiçá, o mundo

São nossas dúvidas…

Vamos abrir as portas dos castelos de nossa existência!

Alda M S Santos

Sepultamentos

SEPULTAMENTOS

Muitos “pequenos” sepultamentos enfrentamos ao longo da vida

Infância e inocência sepultadas tão cedo

Amigos imaginários e super-heróis enterrados pela razão

Amigos “para sempre” da adolescência separados pelas trilhas incertas do futuro

Amizades e amores de juras eternas soterrados pelas circunstâncias, distância ou incompreensão

Sonhos, esperanças, desejos afogados nas águas turvas da realidade

O viver se impõe e “mata” o que poderia sufocá-lo ou estacioná-lo

A vida segue sempre em frente, à nossa revelia, ignorando nossos sepultamentos

Para o renascer faz-se necessário abrir espaço em nossos canteiros internos

Para viver, às vezes, é preciso morrer para algumas coisas

E de pequenas em pequenas mortes ou perdas

De pequenos em pequenos sepultamentos “indolores” a que somos submetidos

Vamos nos preparando para a “perda” derradeira…

Só não vale valorizar mais os sepultamentos que os renascimentos

“Para alguns a vida sepulta mais que a morte”(Mia Couto)

Alda M S Santos

Era apenas o tempo…

ERA APENAS O TEMPO…

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que quase sempre torcemos para que passe rápido

Quando esperamos por algo que nunca chega

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que passa veloz, matreiro

Quando o desejo é que se eternize em nós

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que às vezes se arrastou, torturante

Quando a dor doía muito, sangrava, matava aos poucos

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que gostaríamos de ter melhor observado, aproveitado

Quando olhando longe, para trás ou para frente, o perdemos

Era apenas o tempo que passou…

Aquele que queremos retomar, recuperar, reverter, consertar

Quando percebemos o quanto erramos conosco e com os outros

Era apenas o tempo

Quando percebemos, se foi…

Foi apenas o tempo que passou…

E nós aqui ficamos resgatando lembranças

As pequenas e saudosas migalhas que ele nos deixa

Para reconstruir, ainda que mentalmente,

Tudo aquilo que ele “levou” de nós…

Era apenas o tempo que passou…

Alda M S Santos

Paixão não se discute

PAIXÃO NÃO SE DISCUTE

Diz a sabedoria popular que três coisas não se discute:

Futebol, política e religião

E é muito fácil descobrir o porquê

A preferência por determinado time de futebol, política ou religião

Foge a qualquer razão, envolve mais alma, coração

Quem se mete a discutir quer explicar o inexplicável

Percebe logo que o outro, tão diferente ou até parecido conosco, pode não ter a mesma paixão

Não faz diferença o gênero, classe social, se é mais culto, inteligente, simples, vivido ou não

Para defendê-la, quase todos se perdem nas trilhas confusas e irritadiças da emoção

Não dá para mensurar aquilo que envolve coração

Não dá para discutir racionalmente o que não se baseia na razão

O melhor jeito de bem conviver é dar ao outro o que reivindicamos para nós

Respeito por nossas escolhas, nossos gostos, nossas paixões

Que ofereçamos a eles o mesmo direito ao silêncio, ao grito, à voz

O mesmo direito de manter-se firme, ou não, em suas paixões

Com o que trazem de único a cada um de nós: satisfações ou desilusões…

A paixão pode e até deve ser diferente, mas o respeito precisa ser equânime…

Alda M S Santos

Descartável

DESCARTÁVEL

Usou, sujou, não serve mais

Descarte!

Enguiçou, travou, deu defeito

Descarte!

Enferrujou, quebrou, queimou

Descarte!

Perdeu a utilidade, ficou velho, não agradou

Descarte!

Vai dar trabalho, “perder” tempo, cansar

Descarte! Compre um novo! Substitua!

“Coisa velha ou estragada não compensa arrumar”

É o raciocínio reinante na era descartável

Não importa se são coisas, objetos ou seres inanimados

Pessoas, sentimentos ou relações

Nada se conserta, tudo se descarta, substitui-se

E com tanto descarte por aí

Não há espaço nem para o “velho” e nem para o “novo”

Tudo é jogado fora!

Só que na perspectiva da vida, da alma, não há fora

Tudo está dentro de nós!

As peças estão todas lá: fusíveis, porcas ou arruelas

E todas as ferramentas necessárias para construção do “novo”

A partir do conserto do “defeituoso”:

Chaves de fenda, martelos e alicates

Amor, disposição, fé e coragem …

Não adianta usarmos nada novo, objetos ou pessoas

Iremos danificá-los e torná-los inúteis logo, logo

Se nós mesmos não nos consertarmos, continuarmos velhos e defeituosos…

Alda M S Santos

Colecionadores

COLECIONADORES

Somos grandes colecionadores nessa empreitada chamada vida

E de tudo pode-se colecionar…

Há os colecionadores já conhecidos de selos, moedas, figurinhas, sapinhos e elefantes…

Outros colecionam orquídeas, livros, poemas, músicas, álbuns diversos

Carros, jogos, dinheiro, imóveis…

Cada coleção diz muito do colecionador

Há quem colecione sorrisos, alegrias, amizades, quem as cultive

Há colecionadores de namoros, casamentos, relacionamentos de “amor”

Há quem colecione sonhos, conquistas, verdades, falácias, mágoas, perdas, decepções, sofridas e causadas

Há os que colecionam inimigos ou admiradores, bombas de egos murchos ou lustradores de inflados

Há quem colecione “sins” e há quem colecione “nãos”

Há quem colecione o simples, o fácil, o prazeroso, o disponível e encantável

Há quem colecione a eterna busca pelo proibido e inalcançável, doa a quem doer

Há quem colecione vitórias, derrotas, lágrimas, erros, aprendizados, arrependimentos

Há quem se perca em meio a tantas coleções vazias, ocas e infrutíferas

Buscar no silêncio das intenções os motivos de cada “coleção”

Investigar no fundo desse “baú” quais carências tais coleções visam suprir

Pode ser um modo sábio de melhorar, valorizar e diversificar nossas “coleções”

Gerando autoconhecimento, minimizando as falhas que todos temos, enriquecendo nossas vidas e dos que nos cercam…

Que temos colecionado? O que de importante e valioso temos de verdadeiramente nosso?

Alda M S Santos

Raiz exposta

RAIZ EXPOSTA

Nevrálgica é a dor daquela raiz exposta

Onde sempre estavam tão bem escondidas nossas inadequações, tormentos

Cobertos pela terra existencial, pelos ajeitamentos, por vezes, inoportunos

Nas raízes estão nossas reservas, nosso alimento, nossa força, nosso interior

Também ficam ali nossas fantasias, medos, lamúrias, angústias, fraquezas

Raiz exposta assusta, machuca, fragiliza

É nudez que não se cobre com tecidos, necessário se faz o cobertor do amor

Impera criar espaços para agregar novos valores

Urge auscultar o próprio coração, socorrê-lo nas arritmias

Acreditar que nossa inteireza só se completa

Quando nos aceitamos como incompletos

Tantas vezes nos sentimos inadequados em nossa nudez, impróprios, feios

Exposição que assusta mais a nós mesmos

Crescemos quando enfrentamos nossa história pregressa que ali se impõe

E, mesmo nus, abraçamos nossos joelhos com carinho

E passamos a não ter mais tanto medo de raízes expostas…

Alda M S Santos

Delicadezas

DELICADEZAS

Há coisas tão delicadas que fazem sorrir, que fazem chorar

Um pezinho tão fofo, tão pequenino, cheio de caminhos por vir, nos faz sorrir…

Um rosto idoso, vincado pelas rugas, mãos manchadas, cheias de vida, caminhos trilhados, nos faz chorar…

Um botão de rosa, molhado de orvalho, lado a lado com uma rosa aberta, outra seca, nos faz sorrir…

O sol que desce na serra lentamente, entardecendo, “morrendo” aos poucos, até nova aurora, nos faz chorar…

As estrelas que salpicam num manto negro de pura beleza, tão inacessíveis, tão mágicas, tão eternas, nos fazem sorrir…

Um sorriso que brilha nos olhos bondosos, maliciosos, que perfuma e ilumina tudo em volta, traz vida, produz saudade

Sei lá, faz sorrir, faz chorar…

Delicadezas fazem a vida valer não só a pena, mas o tinteiro todo…

Alda M S Santos

Onde eu possa ser mais eu

ONDE EU POSSA SER MAIS EU

A casa mais receptiva do mundo não é a mais luxuosa ou bem localizada

Mas aquela que me permite sentar no sofá ou no chão

Andar de saltos ou descalça

Descabelada ou bem penteada, com ou sem maquiagem

Sorrir, chorar, cantar ou gargalhar sem receios

Onde eu possa ser mais eu…

As vestes mais cobiçadas e mais lindas que existem

Não são aquelas de marca nobre ou tecidos caros, modelos sensuais

Mas aquele vestido leve, de tecido simples, colorido e rodado que me faça leve e bela

Onde eu me sinta mais eu…

O passeio mais divertido do mundo não é aquele realizado em lugares de luxo

Mas o que nos leva a um lugar simples, natural e belo e haja conexão entre corpo, mente e alma

Onde eu possa ser mais eu…

A companhia mais desejada do universo

Não é a daquela pessoa famosa e importante, forte e bela, rica ou poderosa

Mas aquela que se alegra com minhas singularidades

Que possa sorver minhas lágrimas, despertar meus sorrisos, incentivar meu crescimento

Aquecer meu coração, irrigar minha alma, aceitar-me assim, imperfeita, amar-me e deixar-se amar

Onde eu possa ser mais eu…

Alda M S Santos

Solidão

SOLIDÃO

Solidão não é ausência de companhia

Solidão é ausência de conexão entre os próprios pensamentos e sentimentos

Ou presença de uma conexão tão ímpar que exclua qualquer outra pessoa além de si mesmo

Solidão não se terceiriza, não é responsabilidade do outro solucioná-la

Solidão só tem solução no interior de nossa alma

Assim, o outro pode entrar e ficar…

Alda M S Santos

Não sabemos amar!

NÃO SABEMOS AMAR!

Evoluímos tanto em milênios de existência, alcançamos o espaço sideral

Criamos e desvelamos recursos tecnológicos que podem muito nossas vidas facilitar

Viajamos pelo corpo humano, descobrindo cura para quase todo tipo de mal

Mas na arte de amar ainda estamos a engatinhar

O que ainda não desvendamos, não compreendemos, que ainda nos mata e poderia nos salvar

É saber e aceitar que amar não é sofrer, medrar, julgar, vigiar, desconfiar, cobrar, apossar

O que nos falta é não “evoluir”, não crescer, não desaprender a sabedoria inata e infantil de amar

Aquela que vimos em Jesus, que toda criança sabe: amar é respeitar, perdoar, se doar, confiar, se entregar…

Não sabemos amar!

Nós, adultos, precisamos ser crianças, na alma e no coração

Se quisermos viver o amor em sua plenitude, sem tanta razão…

Alda M S Santos

Atrofiados

ATROFIADOS

Tudo aquilo que não usamos atrofia, enferruja, torna-se obsoleto, perde a utilidade, a validade, o brilho

O mesmo vale para objetos, eletrônicos, máquinas, alimentos, músculos, cérebro, sentimentos, emoções …

Não usar uma máquina, um veículo não os preserva

Não ingerir um alimento não o conserva ou eterniza

Não trabalhar músculos faz com que se atrofiem, percam tônus

A utilização é que faz correr o óleo, o sangue, o oxigênio, o fluido da vida…

Motor em uso mantém a máquina ativa

Sentimentos e emoções são o óleo, o fluido vital que gira o motor da vida

Coração partido tem mais vida que coração intacto, atrofiado por falta de uso…

Alda M S Santos

A pergunta certa

A PERGUNTA CERTA

A pergunta certa não é “o que posso receber de alguém?”

Ou “o que o outro pode me oferecer?”

A pergunta certa não é aquela que nosso egocentrismo determina

A pergunta certa é “o que posso oferecer de mim ao outro”?

“Em que posso melhorar a vida de alguém”?

Buscando o que de mais livre e sincero pudermos oferecer

Acabaremos por ser o que o outro mais necessita

A via se torna de mão-dupla, vai e volta infinitamente

E recebemos, sem buscar, sem cobrar, o que mais necessitamos

Fazendo, assim, um mundo melhor para todos nós…

Alda M S Santos

#carinhologos

Represas

REPRESAS

Tantas comportas mantemos represando nossas emoções

Umas já frágeis, turvas, envergadas, machucadas, embaçadas

Na vã tentativa de manter tudo sob controle, aguentamos as pressões

Força de momentos vividos, ou não, causando danos, paredes finas, trincadas

Necessária se faz válvula de escape constante para manter a vazão

Quanto mais cheias nossas represas, mais impactantes serão os danos numa ruptura, mais destruirão nossa fé

É preciso aliviar a pressão, chorar, rezar, gritar, evitar a iminente explosão

Buscar uma vazante qualquer, individual, pessoal, que mantenha nossas barragens intactas, que nos mantenha de pé…

Alda M S Santos

Fragilidades

FRAGILIDADES

Ser frágil é a coisa mais fácil do mundo, mais humana, mais dolorosa

Mostrar-se frágil, aparentar fraqueza, por sua vez, a mais difícil

Transparecer fragilidade, impotência, pedir ajuda

Estender a mão, gritar por socorro, chorar, necessitar

Demonstram um fracasso que não ousamos admitir

Mostrar-se necessitado exige uma força sobre-humana, uma certa humildade, pureza de coração

Que poucos possuímos, e quase nunca conseguimos obter, alcançar

Não combinam com o orgulho e vaidade que gostamos de ostentar

Pouquíssimos conseguem acessar esses nossos recônditos frágeis

Quem consegue, não é por ser forte, mas por também ser frágil e se reconhecer no outro.

Assim, fechados em nós mesmos, sepultando fraquezas e lágrimas

Aumentamos dia a dia nossas fragilidades, nossos medos

Muitas vezes, a força estando a um abraço de distância…

Alda M S Santos

Última visita

ÚLTIMA VISITA

Ao encerrarmos uma visita no lar de idosos

Sempre temos o cuidado de despedir de cada um

Com o carinho que faz parte da nossa relação com eles

Um pensamento passa sempre por minha mente

“Pode ser o último abraço, última vez que vou vê-los”

E o carinho é redobrado…

Pensamento que tento afugentar, mesmo sendo “natural”,

Visto que são idosos e muitos deles estão doentes.

Mas, a verdade é que só Deus sabe de todas as coisas,

Tanto podem ser eles a ir embora para casa, como pode ser eu ou um de nós

Deus é que sabe onde estaremos fazendo mais falta

Devíamos sempre viver com todos como se pudesse ser a última visita

E sem chance para despedidas

A última vez dei um beijo nessa Miss Guerreira

Estava jantando no quarto, já não se sentia bem…

Vá com Deus, Luzia Guedes

Todos no céu vão amar você tocando seu pandeiro

Amamos você! Saudades!

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Quando acordas

QUANDO ACORDAS

Aquele primeiro pensamento que vem à sua mente quando acordas

Seja quando os raios de sol invadem sua janela ou quando a chuva tamborila no telhado

Seja quando tudo é sorriso, luz e brilho ou quando são lágrimas e sombras

Talvez o mesmo por dias, meses, anos a fio

Te estimula a seguir em frente, te anima, encoraja

Te faz sorrir para a vida, para os outros, ser alguém melhor

Acreditar que tudo pode ser possível, ser mais forte

Ou esse pensamento te entristece, desestimula, acovarda, te faz menos do que é?

Tantas vezes tirando até mesmo o desejo de levantar-se da cama?

Se é fonte de força, fé, amor, coragem e esperança

Não abra mão dele…torne-o real, alimente-o

Mas se apenas te joga para baixo, te faz desacreditar em seu poder de dar a volta por cima

Tá na hora de mudar o pensamento, substituir por algo mais benéfico

Ou mudar de atitude…

Alda M S Santos

Autoridade feminina

AUTORIDADE FEMININA

Toda mulher possui autoridade, chorando ou sorrindo tem postura de deusa, de rainha

Autoridade conferida pelo afeto, capaz de comandar um batalhão

Sem parecer que moveu sequer uma palha, cheia de doçura, fada madrinha

Olhar que diz mais que uma ladainha inteira, que gera por respeito a desejada ação

Toda mulher possui autoridade conferida pelo amor

Amor que gera vida dentro de si, amor que cria, que dá colo, que protege

Amor que se passa por frágil, que amansa leões com sorriso, que cura com beijinho uma dor

Amor que desperta vontades, satisfaz desejos, que revoluciona o ser, que a todos rege

Toda mulher possui autoridade conferida pela Criação

Daquele que a fez capaz de retirar forças tanto das lágrimas dolorosas quanto de um sorriso singelo, brava lutadora por aconchego, por união

Daquele que a desenhou com traços finos, alma delicada, rica, amorosa, agregadora, hábil em sentir e despertar compaixão

Alimentada e abastecida por qualquer atitude que demonstre amor, carinho e proteção…

Somos assim, mulheres…por Ele sonhadas

Evas, Madalenas, Anas, Esters, Marias, Rutes, Saras da Criação…

De ontem, de hoje, do amanhã, de sempre

Alda M S Santos

Uma questão de cabimento

UMA QUESTÃO DE CABIMENTO

Quando não estamos cabendo bem dentro de nós mesmos

Nenhum lugar será bom o bastante para nos acomodar

Nunca será agradável, nunca nos sentiremos em casa

Ou será apertado como sapato novo ou grande demais como roupa de irmão mais velho

Tão escuro como noite sem estrelas, ofuscante demais como luz refletida no espelho

Será tão barulhento quanto quarto de adolescente, ou silencioso e triste feito funeral em dia de chuva

Enquanto não coubermos dentro de nós mesmos

Como meias quentinhas em tardes de domingo chuvoso

Não haverá cabimento para nós dentro de ninguém

Em lugar algum!

Alda M S Santos

Linguagem do amor

LINGUAGEM DO AMOR

O amor tem uma linguagem única, especial, original

Independente do tipo de amor…

Pode ser o vocabulário, o toque, uma canção, uma brincadeira, um olhar, um abraço diferente

E que será resgatado e reconhecido quando as palavras ou um dos outros faltarem

Sempre chamo as idosas do asilo de “amor da minha vida”

Faço carinho nos cabelos, beijo a testa, canto, “gasto”, como diz uma delas

Tenho, como os outros, um jeito só meu de demonstrar o amor

Uma das idosas de 92 anos que adorava cantar conosco

Alegre, brincalhona, receptiva aos carinhos

Sofreu AVC e perdeu a comunicação verbal, parecendo pouco interagir

Estava chorosa, mas sorriu com carinhos e canções conhecidos, respondeu com o corpo, reconheceu-nos

Percebemos cada dia mais que há muitas maneiras de expressar o amor

Eles sentem isso, nós sentimos isso!

Nós aprendemos e usamos a rica linguagem do amor!

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Misérias humanas

MISÉRIAS HUMANAS

Medo: a maior de todas as misérias humanas

Se bem dosado nos protege, sem medidas nos assombra

Medo de ser assaltado, de adoecer, de ser traído, de perder alguém querido

Medo de não conseguir proteger o amor, a vida, de causar a dor, o mal

Capaz de nos confundir, distorcer fatos, embaralhar memórias, criar incapacidades e fantasmas

Leva-nos a duvidar de nossas forças, de nosso eu, a fantasiar monstros ultra poderosos

Em nome dele acabamos desconfiando de tudo, imaginando e legitimando barbáries

E o pior, fazendo acepção de pessoas, excluindo o diferente de nós que nos enriqueceria

Desacreditamos do poder do amor puro, universal, fraterno, do perdão

Vemos Deus sob a nossa ótica humana limitada, medrosa, culpada e distorcida

Aquele que julga e castiga cruelmente nossas falhas, nossos erros

O medo que venda nossos olhos, que nos paralisa, impede de ver toda a natureza do entorno, nossa natureza, é uma armadilha atroz

É extremamente negativo, afasta-nos do melhor de nós:

Nossa capacidade de confiar e amar, de recomeçar com esperança

Essa é a face contraditória do amor

O medo de sermos dele privados nos distancia bastante de sua essência gratuita, incondicional

O medo de perder, de ser julgado e condenado, nos condena por antecipação

Nos afasta de Deus, do amor…

E, lamentavelmente, isso já é a própria condenação!

Alda M S Santos

Ladrões

LADRÕES

Vivemos nos escondendo, de ladrões nos protegendo

Dos mais variados tipos, a nos levar muito além de bens materiais

Nos trancamos em casa, tetra-chaves, senhas, alarmes, cercados de segurança eletrônica

Mas deixamos nosso coração e emoções desprotegidos

Ignoramos as senhas violadas, blindagem rompida, alarmes a soar

“Ladrões” se disfarçam, chegam sem percebermos

Mudam trajes, modos, invadem, arrombam com luva de pelica

Ou usam as chaves que nós mesmos oferecemos

Nem sempre totalmente negativos, oferecem algo que precisamos em troca

Atendem a algumas carências ou necessidades

Mas levam bem mais do que deixam

Um carro, casa ou celular roubado substitui-se

A saúde física, emocional e mental, a paz, a tranquilidade familiar, a vida

Não se recupera tão facilmente…

Cuidar de nossa emoção é valorizar a vida!

Alda M S Santos

Acendendo nossa luz

ACENDENDO NOSSA LUZ

Dons que todos temos, mas que pouco desenvolvemos

Acender ou apagar, ligar ou desligar

A energia necessária para viver e fazer nossa luz propagar

Uns encontram uma faísca de luz num completo breu

Outros apagam até um holofote

Uns transformam nossos cacos de vidro em diamante

Nossas pedras em ouro, nossas dores em esperança

Outros, apagam nosso sorriso com críticas, veem nossa alegria como algo irritante

Uns buscam o que há de bom até nos defeitos

Outros, ao contrário, querem, a todo custo, encontrar o que há de ruim nas qualidades

Na triste incapacidade patológica de verem qualidades em si mesmos

Tentam também não enxergá-las nos outros

Pior, enaltecem apenas o ruim dos demais e até de si mesmos

Visam apagar tudo que o outro tem e o faz um ser único, especial

Inconscientemente, acabam apagando a própria luz

E, talvez, um possível gerador de luz e brilho que o outro poderia vir a lhe ceder…

Alda M S Santos

Florescendo

FLORESCENDO

A vida é feita de cores, de flores, de amores

Quanto mais amor, mais cor, mais flor

Ou seria mais flor, mais amor, mais cor

A ordem não importa…

Oferecidas com alegria, por prazer, por vontade

Rosas, orquídeas, flores quaisquer

Doados com carinho, por desejo, por necessidade,

Amizades ou amores quaisquer

Sempre irão florescer, encantar

Perfumar, colorir o mundo…

Se houver o mesmo carinho e amor em quem recebe e sabe cultivar!

Alda M S Santos

A última carta

A ÚLTIMA CARTA

Lembra-se do que escreveu naquela última carta

Sem saber que seria a última?

Lembra-se daquele abraço, daquele sorriso

Sem ter consciência que não haveria outros?

Lembra-se de um simples tchau, um até mais, sem saber que eram um adeus?

Lembra-se das gargalhadas perdidas, brigas tolas

Sem considerar que poderia se arrepender, sentir tanta falta?

Se não houver mais chance

Dizemos o que queríamos ao escrever,

Abraçar, sorrir, brigar, nos despedir, amar?

A marca derradeira foi a que gostaríamos de ter deixado?

A memória pode falhar, o outro faltar, empecilhos mil surgirem

A vida se esvair como fumaça no céu

Quantos “últimos” e saudosos momentos temos vivido?

Haverá tempo de reviver alguma coisa?

Oportunidade para uma última carta?

Bom mesmo seria não esperar pela última carta

Mas sempre “escrever” como se fosse a última…

Alda M S Santos

Amore

AMORE

Amore, quando faltar sossego, busque refúgio em sua alma

Ela possui uma cama quentinha e aconchegante pra te acalmar

Amore, quando precisar de disposição, busque-a em sua alma

Ela é um depósito com livre acesso a lembranças e sensações boas e animadoras

Amore, quando sentir falta de perdão, busque-o em sua alma

Ela é um “tribunal” verdadeiro e justo

Amore, se as sombras apagarem ou confundirem seu caminho, siga a trilha da sua alma

Nela está a única luz capaz de iluminar sua caminhada

Amore, se tiver necessidade de sentir-se vivo, em paz, busque vida em sua alma

Nela, por mais inóspita que esteja, Eu vivo lá

Amore, se quiser ser amado, busque sua alma

Lá está seu eu verdadeiro, o melhor de si…

Tudo que você precisa para ser feliz está lá

Porque Eu estou lá, se puder Me ver…

E Eu nunca deixarei você sozinho!

Pode confiar em Mim, no Meu amor? 🙏😇

Alda M S Santos

Que vês no seu espelho?

QUE VÊS NO SEU ESPELHO?

Olha todos os dias nele, demorada ou rapidamente

Ao lavar o rosto, maquiar-se, fazer a barba, escovar os dentes

O que seu espelho reflete de volta, insistentemente

Qual imagem te mostra, vê algo diferente?

Que vês no seu espelho?

Rugas que mostram a cada dia um caminho que foi trilhado

O olhar com aquele brilho molhado, por vezes, decepcionado

Um sorriso disfarçado, ora amarelado, emocionado

Tentam esconder quantas vezes foi quebrado

Que vês no seu espelho?

Um ser humano sofrido, sobrevivente de lutas admiráveis

Repleto de cicatrizes, marcas no corpo, na alma, indeléveis

O peso do olhar, covardia ou coragem ao se encarar

Ao cobrar de si mesmo: que fez pra se orgulhar, se envergonhar?

Que vês no seu espelho?

Cada ruga, cada lágrima, cada sorriso, um sinal de amor

Uma saudade funda, uma alegria rasa, uma tristeza, um dissabor

Em cada marca, uma história, em cada quebra, uma dor

De quantas quebras um ser humano é capaz de se recompor?

Que vês no seu espelho?

Vê-se apenas viver, ser sorriso, ora flor, ora beija-flor…

Alda M S Santos

Carinho também se aprende

CARINHO TAMBÉM SE APRENDE!

O ato de doar carinho, amor, atenção

É aprendido, desenvolvido, trabalha-se a emoção

O fato de ser inerente ao ser humano, a cada coração

Não implica necessariamente que todos tenham na mesma dimensão ou proporção

Uns apresentam maior dificuldade em oferecer

Já outros são inseguros, travados para receber

Mas ambos podem e devem essa habilidade praticar

Quem trabalha doando carinho e amor sabe bem valorizar

Oferecer o abraço acompanhado daquele olhar empático, terno

E de um “eu te amo” fraterno, sincero

Leva a sentir no outro e em si a grandeza e elasticidade do amor Paterno

Fluindo de nós para o outro, do outro para nós, seu poder curativo, eterno…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Que sou pra você?

QUE SOU PRA VOCÊ?

A brisa suave que refresca e acalma, a água que gela

Ou o fogo que aquece, mas a tudo consome

Que sou pra você?

O colo que acolhe, o abraço que acalenta e apascenta

Ou a presença que agita, movimenta, preocupa, enerva

Que sou pra você?

A companhia, a amizade, o amor, a confiança, o cuidado

Ou a ausência dolorosa e saudosa, porém, necessária

Que sou pra você?

Um presente desejado, querido e amado

Ou aquele “objeto” a mais que tens a entulhar seus móveis

Que sou pra você?

A fraqueza, o calcanhar de Aquiles, o ponto nevrálgico

Ou a rocha firme, a raiz, a força onde se apoias nas crises

Que sou pra você?

Um passado saudoso, um presente tolerável e um futuro incerto

Ou apenas aquilo sem o qual você não se imagina viver

Que sou pra você?

Posso ser um pouco de tudo isso

Em momentos diferentes…

Assim como você pode ser tudo isso para mim também

Como somos quase todos uns para os outros

Somos humanos, falhos, aprendizes,

E co-dependentes do amor, da doação, dos erros para crescer…

Alda M S Santos

E a vida acontece

E A VIDA ACONTECE…

Uns deixam ir tão facilmente quanto deixaram chegar

Esquecem na mesma medida em que foram capazes de lembrar

Sofrem por pouco tempo, descartam tudo que venha para doer

Vivem na mesma proporção em que deixam viver

Preferem cultivar o momento à nostalgia de uma saudade

Muitas vezes têm seu jeito displicente confundido com maldade

Pode ser apenas uma maneira de se cuidar, de se autoproteger

Lições que com a vida e seus tropeços aprendeu aos poucos conviver

Outros, têm dificuldade de abrir mão, deixar ir, são intensos

Também incompreendidos, apontados como moles, são densos

Sofrem mais de saudades, de tristezas, de ausências

Que não se aliviam com razão, consolo, alertas, avisos ou advertências

E a vida se constrói no silêncio de cada coração …

Alda M S Santos

A culpa é minha

A CULPA É MINHA

Estava numa dimensão intermediária entre a terra e o céu

À beira de um abismo, via que ele sofria do outro lado, prestes a cair

Tentava alertá-lo, gritava “te amo”, pedia para sair de lá, para não se arriscar

Encolhido, olhos opacos, distantes, não parecia me ouvir

Chorei, implorei que o salvassem, que trouxessem para mim, tirassem dele a dor que o torturava

Ouvi uma voz firme me dizendo: “ele pode cair, mas voltará mais forte”

“Transfiram para mim o que o machuca, a culpa é minha”- eu pedia chorando

A resposta veio logo “não, ele escolheu, ele quis viver, aprenderá”

“Mas sou mais experiente, podia ter impedido, alertado”

“Não é mais experiente, tudo isso é novo e perigoso para ambos, afaste-se daí”

Eu estava tão à beira do abismo quanto ele

Mas a queda dele era mais assustadora para mim que a minha

Abaixei, em prantos, rezei por ele, quando não mais o vi…

Acordei chorando, mas amedrontada e com fé, continuei as orações…

Alda M S Santos

Para viver é preciso sonhar

PRA VIVER É PRECISO SONHAR

Não há vida sem sonhos, há apenas a seca sobrevivência

Pra manter-se vivo de verdade, vibrante, é preciso sonhar

Mas há que se ter equilíbrio, saber dosar a água e o fubá

Um sonho sozinho não se sustenta por muito tempo

Desfaz-se feito nuvens negras em dias de verão

Tampouco a dura realidade se mantém íntegra sem a liga dos sonhos

Quem vive sem sonhos amarga duras realidades

Quem vive só de sonhos amarga dolorosas decepções

Até mesmo um sonho precisa de umas pitadas de realidade, vez ou outra

Para temperar a vida,

Para poder sobreviver…

Alda M S Santos

Areias da praia

AREIAS DA PRAIA

Há acontecimentos, ou pessoas, na vida da gente

Que são como as ondas do mar molhando nossos pés na praia, suavemente

Parecem trazer apenas frescor, alegria, paz e união

Porém, levam a areia de debaixo de nossos pés quando se vão

Tiram nosso chão, nossa segurança e autoconfiança

Levam consigo quase tudo que trouxeram, inclusive o amor e esperança

Mas sempre deixam a lembrança do frescor

E a certeza que outras ondas virão, outra cor

E estaremos mais firmes sobre nossos próprios pés

Mais fortes, experientes e sábios para encarar novo revés…

Alda M S Santos

Enxurrada

ENXURRADA

Desce os morros, nos cantos, a princípio

Espalha-se pela rua toda, clara em alguns pontos

Muita água corre nessa enxurrada

Está tão suja, barrenta!

Veio lavando muita sujeira pelo caminho

Ainda assim, parece convidativa

Uma enxurrada, ou desperta a criança em nós,

Desejo de andar naquelas águas, molhar-se, molhar o outro, dar gargalhadas

Ou desperta um adulto frustrado e triste, resmungão

Daqueles que têm medo e nojo de tudo, amargurados

Sob o risco de contaminação por uma doença qualquer

Ainda prefiro ser o adulto/criança que brinca na enxurrada

A ser aquele adulto que já matou a criança em si

E sofre de uma outra patologia mais grave: o medo de viver…

Alda M S Santos

Janela respingada

JANELA RESPINGADA

Dia cinzento, chuva fina, janela respingada

Corpo e mente pedem cama

Olha lá fora, a vida parece apagada

Entregar-se ao repouso, ao ócio é tudo que sua alma clama

Liga a TV, busca um filme, navega nos canais

Nada encontra de instigante, tudo nostálgico, reprisado

Vai à estante, busca um livro, encontra cartões, fotos, poemas, postais

Num armário abarrotado de memórias, por segurança emocional, poucas vezes visitado

Lembranças começam a jorrar, chover sobre ela, não há como fugir agora

Entrega-se, deixa-se molhar, se encharcar

Combinação perfeita com o tempo lá fora

Entra nesse barquinho de memórias, vai longe, tenciona mergulhar

Prepara remos, snoker, quer sentir tudo de novo, intensamente

Abre comportas, sorri, se compadece, no seu rosto lágrimas conhecem de cor o caminho

A janela e ela, ambas molhadas, respingadas, resignadamente

Toca-a com os dedos, sopra, no vapor desenha um coração, e se deixa levar nesse redemoinho…

Alda M S Santos

Caminhos da alma

CAMINHOS DA ALMA

Os caminhos de nossa alma são abertos devagarzinho

Uma gentileza aqui, um cuidado ali, um sorriso, um abraço, uma atenção mais à frente

Trilhas, esquinas, curvas, recônditos secretos, o prazer de um balancinho

Neles transitamos, claro ou escuro, sorrindo ou chorando, diariamente

Só é capaz de neles trafegar quem os ajudou a construir

Ainda que involuntariamente, sem perceber, sem desejar

E, uma vez conhecido o caminho, mesmo sem o possuir

Será sempre alguém capaz de ali fazer a luz se acender ou se apagar…

Alma possui caminhos com vias só de entrada…

Alda M S Santos

Deus em nós

DEUS EM NÓS

Como Deus se apresenta em nós?

Onde Ele está?

Certo é que somos templos do Divino, onde quer que estejamos: no deserto ou no oásis

Como deixamos que Ele se manifeste em nós?

Deus está na beleza física, na música, na arte, nas nossas condições financeiras?

Na solidariedade, na bondade, no trabalho, nos relacionamentos, no amor?

Deus tudo criou!

Ele está em todo tipo de beleza, nas artes, nas lágrimas e no dinheiro,

Tanto quanto pode estar no amor, na solidariedade ou na bondade.

Nada é bom ou mau por si só.

A diferença entre um e outro estará no uso que deles fizermos.

A beleza, a arte, o dinheiro podem ser utilizados para o bem, para tocar alguém, salvar alguém

Assim como em nome do “amor”, com um sorriso, muito de negativo pode ser feito também

Pessoas, famílias, vidas serem prejudicadas ou destruídas,

Inclusive a de nós mesmos…

Como temos deixado Deus agir em nós?

Alda M S Santos

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