ESCRITAS
Escrevo no papel, a lápis para não borrar
Quando não há certeza do que calar ou dizer
Se precisar apagar e reescrever…
Escrevo no papel, a tinta para não apagar
Quando é certo e definitivo o que se quer expressar
Na vã tentativa e desejo de eternizar o sentimento descrito em palavras
Escrevo nas páginas inúmeras da alma
Com lágrimas, sorrisos, gritos e silêncios
Uso vermelho sangue, amarelo vida, cinza luto, verde esperança
Páginas borradas, reescritas, infinitas, multicores
E percebo que o que foi escrito ali é o pote de ouro além do arco-íris
Não há modo de apagar, é sempre belo e desejado
São versos ternos, eternos, com ou sem rima…
Escrevo no coração daqueles que compreendem
A poesia traduzida em versos de carinho e amor
E a querem infinita e eterna em si
Escrevo nas páginas infinitas da minha alma
Uma história de amor pela vida
A poesia que busco eternizar em mim…
Alda M S Santos
ENCANTADA
Encantado: sob efeito de sortilégio ou magia
Que não responde por si, noutra sintonia
Ou abduzido por um mundo de emoção
Vivendo intensamente, noutra dimensão
Entregue, feliz, doce paixão
Natureza da qual sou parte, não me aparto
Sob pena de morte em vida
Daquelas que se enfurnam no quarto
Encantada, e daí? Não me importo!
Água corrente, fria, pura poesia
Faz bem, lava de fora para dentro energia
Lava de dentro para fora, valiosa terapia
Nada é preciso dizer, basta sentir
Deixar a dor, o sentimento fluir
Na hora certa o que fizer bem irá emergir
Fazendo dessa dimensão aqui
Um espaço no qual somos voo, somos asa
Até a hora de partir de volta para casa
Alda M S Santos
A CERTEZA
Quero a certeza que mesmo num dia nublado
O Sol está ali, bem ao nosso lado
Que ainda que não possa ser visto
Ele está lá, voltará, é bem quisto
Quero a certeza que há em toda a natureza
Da infinidade de grandeza, de beleza
Do alvorecer que se segue a cada anoitecer
Quero ter fé, nunca esmorecer
Quero a certeza que tudo vem para acrescentar
Que tanto o amor quanto a dor vão ensinar
Que é preciso seguir, acreditar, confiar
Quero a certeza que mesmo pequenina
Sou parte de um todo que não desanima
Sou da Criação uma alma menina
Alda M S Santos
EU QUERO
Quero uma bússola,
Que me dê um norte
Que me aponte o caminho
E me torne mais forte…
Quero uma âncora,
Que me mantenha firme
Só a suavemente balançar
E não me deixe me afastar
Do que for um bom lugar…
Quero uma vela,
Que me leve lentamente
Ao sabor do vento,
Do bom sentimento
Para um lugar de autoconhecimento…
Quero asas grandes, coloridas
Que me levem para bem alto
Para apreciar os encantos
De uma vida mais bonita…
Quero um colo, bem quentinho
Que me ampare, me dê carinho
E me faça entender rapidinho
Que na vida o que vale mais
Pode estar bem pertinho…
Eu quero!
Alda M S Santos
NÃO PRECISO DE MUITO
Não preciso de muito
Basta um cantinho qualquer
Para me aboletar, aconchegar
Minha alma incansável de mulher
Não preciso de muito
Somente um espaço no seu coração
Para que eu possa assim crescer
Nessa troca de carinho e emoção
Não preciso de muito
Mas o que vier, que seja verdadeiro
Somos espetáculo, sem picadeiro
Não preciso de muito
Só preciso não me perder de mim
Nesse eterno encontro comigo, enfim
Alda M S Santos
QUERO ACREDITAR
Quero acreditar que estou no mundo das possibilidades
Que ainda que algo se quebre, não dê certo
Sempre haverá novas realidades
Quero acreditar que estou num mundo direito
Que ainda que ele se vire do avesso
Sempre será possível fazer de novo, bem feito
Quero acreditar que estou no mundo dos sonhos
Que ainda que eles se tornem pesadelos
Nunca serão cansativos, enfadonhos
Quero acreditar que estou no mundo das amizades
Que mesmo que a gente chore ou sofra
Sempre teremos nelas a reciprocidade
Quero acreditar que estou no mundo da beleza
Que mesmo que tudo fique seco ou frio
Ainda acharei refrigérios na natureza
Quero acreditar que estou no mundo do amor
Que mesmo que ele esteja repleto de medos
Sempre será pra nós bem sedutor
Quero, preciso acreditar!
Alda M S Santos
COMO É POSSÍVEL?
Como é possível, ao mesmo tempo
Estar tão perto, estando tão longe
Estar tão longe, estando tão perto
Estar tão dentro, sem haver cabimento
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser tão doce sorriso, escondendo amargas lágrimas
Ser tão acolhedor colo, estando carente de aconchego
Ser reflexo de si mesmo, de tão brilhante luz,
Tendo apenas uma faísca acesa
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o amor em meio a tanta indiferença
A esperança em meio a dolorosa ingratidão
A paz em meio a tanta maldade e confusão
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o norte quando se está perdido
O recomeço depois de haver desistido
A continuidade de um viver intenso, meio sofrido
Quando sabemos que a qualquer hora
Seremos pelo tempo engolidos, consumidos?
Como é possível?
Alda M S Santos
É PRECISO FAZER AS PAZES
É preciso fazer as pazes
Estar de bem consigo, novos ares
Buscar fora e dentro de si bons lugares
Deixar de fora as culpas, os males
É preciso fazer as pazes
Aceitar nossas falhas nessa jornada
O corpo que nem sempre agrada
A emoção que às vezes nos degrada
É preciso fazer as pazes
Com o outro que não nos aceita
Com a vida que nunca é perfeita
Conosco mesmos por tanta desfeita
É preciso fazer as pazes
Com o passado que nos magoou
Com o futuro que não chegou
Com o presente, que é onde estou
É preciso fazer as pazes…
Alda M S Santos
UM LUGAR
Acordei aqui meio sem lugar
Sensação estranha, de agonia
Senti que precisava muito conversar
Na natureza encontraria a magia
Ali fiquei, sentei, tudo em volta observei
Tão rica e preciosa é a criação
Somos parte dela, isso eu sinto, eu sei
Fomos criados pelo Amor, fiquei em adoração
Sou apenas uma pequena e frágil luzinha
Que por aqui luta, segue, sempre caminha
Tentando iluminar, não estar sozinha
Pouco a pouco respostas vou encontrando
Olho para o alto, me entrego, fundo inspirando
Grata, sinto meu lugar, a boa energia voltando
Alda M S Santosu
VAMOS?
Enquanto houver vida embaixo desse céu
Não dá para deixar emoções ao léu
Inspira, expira, não pira, coloca no papel
Haverá alguém para brincar nesse carrossel
Enquanto houver voz, eu canto
Alívio para a alma, a dor, o pranto
Mesmo desafinada, desgastada
Minha voz ainda é expressão desenjaulada
Enquanto conseguir todo dia me levantar
Ver o Sol lá fora a brilhar, me chamar
Farei valer a pena a travessia nesse lugar
Enquanto houver caminho à vista, eu sigo
Trilhas construo, faço, refaço, prossigo
Levo quem tem afinidades comigo…vamos?
Alda M S Santos
A QUE VIM
Nem sempre consigo identificar
A razão de por aqui estar
Não sei se faço bem em buscar
Um motivo, um objetivo para continuar
Tantas vezes já parece tão cheio o jardim
Já não me cabe, meio diferente assim
Abelhas, borboletas, beija-flores
Brincam entre os canteiros entre tantas cores
Ando para lá, voo para cá, dou o melhor de mim
Tento não ficar onde não estão a fim
Sigo buscando a que vim
Olho em volta, olho para dentro de mim
Busco força, um trampolim
Me descubro meu próprio jardim
Alda M S Santos
PORQUE VIVO
Já chorei de alegria até a barriga doer
De emoção até não mais poder
Ou de angústia até amanhecer
Isso porque vivo…
Já tive medo de alguém perder
De não poder ver meus filhos crescer
De adoecer, envelhecer, dos outros depender
Isso porque vivo…
Já implorei pela vida, tive medo da morte, da escuridão
Rezei por todos, pedi perdão
Muitas vezes acompanhada, outras na solidão
Isso porque vivo…
Já tive muitas amizades, já fiquei na saudade
Brinquei, fui séria, lutei por liberdade
Nunca quis ser apenas uma metade
Isso porque vivo…
Já me organizei, arrumei o que estava bagunçado
Já fiz burradas, baguncei o que estava arrumado
Quase desisti de ver tudo de novo organizado
Isso porque vivo…
Já ganhei, vibrei, comemorei
Já perdi, sofri, quis sumir, revoltei
Amei, fui amada, correspondida, ignorada
Aprendi, cresci, me empolguei
Encontrei o caminho, voltei
Isso porque vivo…
Num saldo positivo vou vivendo, vou seguindo
Cada dia mais longe do começo
Não necessariamente perto do fim
Só de pensar, estremeço
Isso porque vivo…
Alda M S Santos
ONDE VOCÊ QUER FICAR?
Na vida há cobertor que não aquece
Água que a sede não mata
Abraço que a dor não amortece
Amizade que nó não desata
Há estrelas que não amenizam a escuridão
Sol que não ilumina nosso caminhar
Saudades que nos tiram o chão
Rios que não chegam ao mar
Há males que não nos deixam arredar pé
Há compaixão para a alguém estender a mão
Também tem energia que nasce junto da fé
E sabedoria ao tocar com delicadeza um coração
Na vida há também luz que vem de dentro
Amor que nos põe no centro
Calor que brota e alastra da alma parceira
Beijo que aquece a vida inteira
Na vida há todo tipo de lugar
Só precisamos saber onde queremos ficar…
Alda M S Santos
EMENDAS
Rasgar o verbo pode ser um modo inteligente
De ter um bom motivo para remendar a própria vida
Costurar aquelas bandas que estão separadas
Cerzir partes que estão puídas
Cortar sobras e pares desalinhados
Fazer bainha no que está sobrando
Ajustar o que está frouxo e deformado
Abrir partes para ter melhor caimento
Customizar o que já está repetitivo
Arrumar fechos, pregar ou arrancar botões de vez
Bordar umas flores, árvores ou montanhas
Um sol, um luar, uma praia, um mar..
Sei lá! Enfeitar!
Aproveitemos as oportunidades para nos renovar
Pois quando se trata de nós
Não dá pra jogar fora e comprar um novo viver…
Alda M S Santos
SUSSURRO DAS ESTRELAS
Elas falam, sussurram baixinho
Piscam, brilham, iluminam tudinho
Será que há alguma num cantinho no céu
Que não quer aparecer, cobre-se com um véu?
Deitada aqui, olhos fixos no firmamento
Tanta gente já se foi, virará esquecimento?
Qual daquelas estrelas será alguém especial
Que se foi, mas ficou no coração, no pensamento?
Elas piscam tanto do lado de lá
Gostam de ser vistas do lado de cá
Será que desejam alguém buscar?
Mundos distintos, diferentes, complementares
Será que também sussurram aos pares
São gotas do oceano no céu, grandes mares
Alda M S Santos
HOJE EU SOU
Hoje eu sou uma versão diferenciada
Nem sempre melhor, talvez menos apimentada
Cuido de mim, cuido dos meus, sou atarefada
Preciso desacelerar, seguir mais relaxada
Sou mais paciência, menos insegurança
Sonho ou realidade, não perco a esperança
De ser, pelo que sou, amada e desejada
Sem me sentir preterida ou frustrada
Um conteúdo diferente no mesmo pote
Sempre atenta para não perder o norte
Ora chorosa, fragil, ora resistente e forte
Hoje eu sou apenas mais uma mulher
Que não desiste de buscar o que quer
Sem perder um pingo da essência sequer
Alda M S Santos
VENTANIA
Vento, ventinho, ventania
Brisa suave que lentamente acaricia
Tornado, monção, tufão
Daqueles que nos tiram do chão
Assim são as nossas emoções
Brincando com nossos corações
Ora leves, doces, suaves carícias
Ora tempestuosas, grandes malícias
Vento, ventinho, ventania
Sinalizando em nós a magia
Na pele que suavemente arrepia
Vendaval, ciclone, furacão
Nos levam para longe, sem permissão
Balança, sacode, quer nos roubar a razão
Alda M S Santos
TÃO PEQUENOS
Tão pequenos somos nós
Diante da grandiosidade do universo
Tão grandes somos nós
Em busca de algo precioso
Tão pequenos somos nós
Quando nos recolhemos em nós mesmos
E ignoramos todo o resto
Tão grandes nos sentimos nós
Frente a tanta batalha inócua
Tão pequenos somos tantas vezes
Ao nos sentir perdidos e sem rumo
Tão grandes somos nós
Lutando, debatendo, ferindo, machucando a todos
Tão pequenos, tão grandes
Depende do referencial
O que vale de verdade, e é preponderante
É o que fazemos de especial
Quando nos sentimos tão grandes
Quando nos sentimos tão pequenos
Tão acompanhados ou tão solitários…
O mundo precisa de gente grande
Não de críticas ou julgamentos
O mundo precisa de gente grande
De sentimentos e de atitudes!
Alda M S Santos
SEM RUMO
Sem rumo, sem prumo
Tentando fazer um resumo
Dessa história, obra aberta
Querendo fazer a escolha certa
Sem rumo, sem prumo
Sem rota ou plano de voo
Apenas voando, sem direção
Pés em falso, fora do chão
Sem rumo, sem prumo
Em sonhos flutuando
Em versos mergulhando
E a vida… passando
Falta o ar, falta o chão
Tantas vezes, falta motivação
Mas a gente segue em frente
Sendo luz, vencendo a escuridão
Alda M S Santos
NO LIMITE
A vida no limite é intensa
Por vezes animadora, noutras cansativa
Será que vai sendo gasta, se esvaindo
Ou sendo reenergizada, reabastecida?
Se ela se esvai, se desgasta
Gostaria de não viver tanto no limite
Ter mais espaço, mais folga, mais liberdade de movimento
Dentro do meu “pequeno” interior
Não estar tão próxima da linha tênue
Que separa o bem do mal estar
Os sonhos doces dos pesadelos amargos
A realidade fria do calor do realmente desejado
Que separa a alegria da tristeza
Os medos da coragem, a confiança da desconfiança
O sorriso das lágrimas, a fé da descrença
Que separa a sanidade da loucura
O amor do desamor, a vida da morte!
Mas se a intensidade reenergiza, autoabastece
Que eu aprenda a andar na corda bamba
A me divertir nos altos e baixos, a dançar nos desequilíbrios
Ou que eu encontre mais espaços dentro de mim
Ou os ocupe de modo mais organizado
Sempre com mais e mais equilíbrio, alegria e fé
E que consiga carregar comigo quem quiser ou merecer…
Alda M S Santos
Ilha Grande- Angra dos Reis
QUENTE OU FRIO
Quente ou frio, frio ou quente
A sensação que se tem será sempre diferente
Tudo irá depender do estado da alma da gente
No alto das montanhas será sempre frio
Já à beira-mar quase sempre será quente
E nosso corpo não ficará indiferente
Se está frio passeio na mata fica de lado
Se está quente é animação, pura alegria
Dá até para na cachoeira banhar pelado
Frio ou quente, quente ou frio
Corpo e alma vão se adaptando
Mas há aquilo que só se serve frio
Suco, cerveja, sorvete, um bom vinho
E há o que só é aceito bem quente
Sopa, café, quentão, amigo e amor
Beijo, abraço, carinho, cobertor bem quente, envolvente
Porque a alma já aprendeu a lição
Em matéria de sentimentos, emoção
O que é frio não faz bem pro coração…
Alda M S Santos
O RISCO
Corremos riscos todo o tempo
Riscos de sofrer, de morrer
Riscos de a vida só deixar correr
Sem saber bem ao certo o que fazer
Corremos riscos de o amor perder
De deixar a dor prevalecer
Da gente mesmo se perder
E não manter a essência do ser
Posso acordar e a vida avaliar
Que tudo foi apenas um sonho louco
E que quase nada consegui realizar
Posso tudo um dia perder, fazer o quê?
Mas não posso da vida me esconder
Pois o maior risco é de apenas aqui sobreviver
Alda M S Santos
QUANDO EU ERA…
Quando eu era infância, criança
Tempo de sorvetes, doces, lambança
Eu era pura levadeza, sapequice, brincadeira
Subia em árvores, nadava no rio, sem canseira
Quando eu era criança, pureza me definia…
Quando eu era adolescência, juventude
Era ansiedade, sonhos, inquietude
Um mundo inteiro para conquistar
Um coração cheio, pronto para amar
Quando eu era jovem, esperança me movia…
Quando adulteci, a vida falou por si
Família, trabalho, estudo, em mil ocupações me envolvi
Paradoxalmente, quase sem tempo para mim
Foi onde a vida se impôs, deixei assim
Vida adulta, em realização me envolvia…
Na maturidade ainda sou eu
A criança levada ressignificada
Em novas árvores dependurada
A jovem de alma sonhadora, lavada
Quer amor, novas esperanças, quietude,
Ora companhia, ora solidão, ora solitude
Maturidade sou eu, na maior amplitude…
Alda M S Santos
MUNDO FLORIDO
Dizem que vejo o mundo florido
Dos sonhos, sem qualquer bandido
Não sou tão ingênua, mas prefiro enxergar as flores
Gosto do mundo mais colorido, sem tantas dores
Desbravar caminhos, construir pontes
Encontrar belezas aos montes
Quem sabe um rio de águas cristalinas
Ou muitas minas, ricas fontes
Bandidos não me assustam assim
Assusta-me o não viver, da vida me esconder
Devo ser bruxa, feiticeira ou algo assim
Quero fazer da vida um perfumado jardim
Para os lados, para cima, verde intenso
Quero naquela árvore subir, num galho deitar
E ali, na natureza, encontrar a paz, o meu lugar
Alda M S Santos
NA VIDA DA GENTE
Há gente de todo tipo na vida da gente
Gente com quem a gente ri, pura amizade
Gente com quem a gente briga, pura falsidade
Gente que a gente quer distante, falta reciprocidade
Gente que nos põe para baixo, pura maldade
Há gente de todo tipo na vida da gente
Gente que nos instiga a superar e afastar o pranto
Gente que nos abraça com o olhar, puro encanto
Gente que foi embora, por desencanto
Gente que veio para ficar, se fazendo nosso recanto
Há gente de todo tipo na vida da gente
Gente com quem a gente faz amor, pura sensualidade
Gente que está longe da gente, muita saudade
Gente que nos ama desse jeitinho, pura intimidade
Gente que faz melhor a vida da gente, pura felicidade…
Com tanta gente na vida da gente
Será que ainda falta mais gente?
Há gente de todo tipo na vida da gente…
Alda M S Santos
A COR DA SOLIDÃO
Solidão tem cor, tem cheiro, sabor
Solidão tem até som, talvez de cachoeira
E não é sempre cinza, pode até ser prata
Tampouco é silêncio total, às vezes é musical
A solidão tem a cor que a gente pinta
O cheiro que a gente guarda
O som que toca dentro da gente
Solidão é estado de espera
Solidão pode até ser barulhenta
Tocar uma música suave
Pode ter cheiro de saudade
E ser da cor verde ou magenta
Solidão é a vida que não desistiu
Que não quer mais tanta gente
Fica com quem quis, persistiu
Que resolveu morar mais dentro da gente…
A cor da solidão é a cor que nosso amor-próprio pinta…
Alda M S Santos
ACENDA SUA LUZ
Se o caminho tem muitos pontos escuros
Seus planos estão cheios de furos
Há poucas pontes, muitos muros
Acenda sua luz!
Se a tristeza quer tomar conta
Tanto pesadelo que amedronta
Ser feliz ja é quase uma afronta
Acenda sua luz!
Se lá fora está muito nublado
Não se vislumbra um dia ensolarado
Querem te tornar desanimado
Acenda sua luz!
Alda M S Santos
TEMOS PRESSA
O tempo voa, a vida passa
E ficamos a esperar na janela
Por aquilo que de nós não sai
Ainda que pareça balela
Temos pressa…
Nem tudo o que a gente quer
Chega na velocidade desejada
Mesmo sabendo que o mais valioso
Chegará só na hora apropriada
Temos pressa…
A paciência é uma virtude
Que precisa ser bem dosada
Porque se confundida com inércia
Não nos ajuda em nada
Temos pressa…
Cansados de ver ir embora
Tantos sonhos que viraram pó
Queremos aproveitar melhor agora
Para não terminar a vida só…
Temos pressa…
Alda M S Santos
DEIXA ROLAR
Não se perturbe tanto
Com aquilo que atormenta
Machuca, fere
Deixa rolar
Logo vai passar…
Não se vanglorie tanto
Com aquilo que é bonito
Encanta, alegra
Deixa rolar
Isso também vai passar…
Não se torture tanto
Com aquilo que parece não ter fim
O bom, o mau, o saudoso
Deixa rolar
Logo irá passar…
Entre começos e fins
Angústias e recomeços
A vida segue infinita
Deixa rolar
Ela sempre irá para onde tem esperança e gente bonita…
Deixa rolar…
Alda M S Santos
JEITO APAIXONADO DE SER
Aquele modo intenso de tudo viver
Do mais alegre momento que aparecer
Ao mais triste e doloroso carecer
Sempre um jeito apaixonado de ser…
Enfrenta o justo ou injusto padecer
Com a coragem nascida do amadurecer
A esperança e a fé sempre renovadas
Naquele jeito apaixonado de ser…
Nem bem espera o dia amanhecer
E antes que ele venha a anoitecer
De tudo já fez um pouco
Sempre de um jeito apaixonado de ser…
Quase nada a faz mais se enfurecer
Aprendeu que quanto mais paz oferecer
Mais os canteiros do caminho irão florescer
E segue do mesmo jeito apaixonado de ser…
Alda M S Santos
INOCÊNCIA, INGENUIDADE
Inocência, ingenuidade
Credulidade, confiança
Quando se perde na vida
Tão bonita cumplicidade?
Inocência, ingenuidade
Pureza, sorriso solto, iluminado
Quando se perde na vida
Tão agradável docilidade?
Inocência, ingenuidade
Transparência, curiosidade
Quando se torna ambiguidade
O olhar que era pura afinidade?
Inocência, ingenuidade
Sinceridade, esperança
Quando se perde na vida
Tão humana liberdade?
Inocência, ingenuidade
Carinho, naturalidade
Quando isso se transforma em
Tão adorável sensualidade?
Inocência, ingenuidade
Paz, gratuita amorosidade
Quando se perde na vida
Tão almejada felicidade?
Certamente, digo,
Quando se perde a simplicidade
Tudo isso fica na saudade…
Alda M S Santos
TÚNEL DO TEMPO
Estamos todos num longo túnel a passar
Momentos claros, outros escuros
Onde vãos ora rápidos, ora devagar
Por vezes há pontes, noutras há muros
Há momentos em que queremos estacionar
Cansados, não há desejo de avançar
Às vezes pro passado vai o olhar
Noutras pro futuro quer saltar
Mas a máquina do tempo é traiçoeira
Com ela não se pode dar bobeira
Passado ou futuro não é brincadeira
O jeito é seguir a linha, sem sofrimento
Aquela que o trem vai faz tempo
Pra frente sempre, no ritmo do pensamento
Alda M S Santos
VENTOS E VENTANIAS
Ventos e ventanias que vêm e que vão
Vendavais que nos tiram do chão
Tempestades que abalam estruturas
Mas põem em teste a força de muitas criaturas
Alguns apenas trazem um leve frescor
Outros mexem com nosso interior
Batem portas e quebram janelas
Que deixamos abertos ou com fracas tramelas
Há ainda aqueles tipo furacão
Que aparentam trazer somente destruição
Na verdade levam embora o que era apenas perdição
O que ficar vale a pena a reconstrução
Tudo bem pesado e medido
Depois de passado o perigo
É avaliar o que restou
E aproveitar o que de bom ficou…
Ventos, ventanias, tempestades, furacões
Fazem parte de toda vida que não almeja a perfeição
Mas, madura, sabe que é assim
Que se escala degraus na evolução
…Alda M S Santos
MAIS ABENÇOADA
Não dá para saber ao certo em tempos de grande tribulação
Se a vida vale mais ou menos em meio a tanta confusão
Ela se perde tão facilmente e por quase nada
Nem sempre sentimos que está abençoada
A emoção é sacudida, muito balançada
Pela dor, pela angústia, pela saudade, por quase nada
O coração precisa aconchego, o corpo pede abrigo
Somos gregários, precisamos de amigos
O risco tão eminente da perda a faz mais valorizada
Busquemos um momento de reflexão e introspecção
Para encontrar a paz em nós, na oração
Urge manter a alma elevada, a saúde preservada
Acreditar que juntos somos mais fortes
Sendo firmes na fé, sem perder nosso norte…
Alda M S Santos
ILUMINANDO
Sigo iluminando os caminhos pelos quais eu passo
Um esforço a mais para manter a esperança eu faço
Não dá para caminhar na escuridão
Não dá para viver sem luz no coração
Procuro voar, ainda que na aeronave da imaginação
Ou nadar nas águas profundas de minha emoção
Abasteço com o combustível de boas lembranças
De um viver de alegrias e muitas andanças
A vida vai se fazendo, estejamos inertes ou agindo
Marcas vão sendo em todos impressas
Em muitas almas tantas vezes controversas
Quero me encontrar em mim,
Preciso não me perder nesse louco motim
Por uma vida que faça sentido do inicio ao fim …
Alda M S Santos
MEU CÉU
Meu céu sou eu quem faço
Lá fora pode estar cinzento
Mas cá dentro eu escolho as cores
Desato nós, bordo, crio laços
Em meu coração marco o compasso
Não que seja algo fácil não me ferir
As nuvens negras às vezes pesam
Cansa ser forte, tentar sorrir
Sob a tormenta, lutar, resistir
É preciso focar no essencial
No que nos dá prazer de viver
Aguardar calmamente o sinal
Para o amor que a vida nos oferecer
Pego a paleta, minha aquarela
Azul, verde, vermelho, rosa ou amarela
Abuso das cores, na alma faço uma sentinela
A guardar o arco-íris que pinto na minha janela
Meu céu sou eu quem faço…
Alda M S Santos