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Culpas e responsabilidades

CULPAS E RESPONSABILIDADES

Qual sua responsabilidade na atual situação em que você se encontra?

Essencial nos perguntarmos isso antes das acusações de praxe.

O outro não teve paciência, o chefe não pagou o devido, a igreja não ajudou, os filhos exigiram demais,

O cônjuge não foi compreensivo, os médicos não fizeram o diagnóstico correto…

Ou ainda a vida foi “madrasta”, os amigos desapareceram, as leis não foram justas, o país é corrupto, Deus não existe…

Responder a essa pergunta com coragem e sinceridade exige maturidade, ainda que no silêncio de nossos corações.

Amei o bastante, me dediquei o suficiente, segui as regras, obedeci as leis, confiei,

Fui paciente com as diferenças, respeitei o outro, cuidei da saúde, acreditei que podia fazer melhor?

Qualquer situação que nos aconteça de sucesso ou derrota, temos responsabilidade, não sozinhos, mas temos.

E a única em que podemos agir e mudar é a que nos cabe.

Sempre há algo que podemos mudar para melhorar e eliminar o mal que sofremos ou causamos.

Atribuir responsabilidade aos outros e fugir da nossa só nos levará a cair nos mesmos erros, reclamar dos mesmos insucessos e infelicidades.

Viver não é fácil, acertar sempre não existe,

Mas a tentativa constante de sucesso sem nos fazer mal leva ao aprendizado

Transitar por caminhos conhecidos ajuda muito

Aceitar novos caminhos ou olhá-los com novo olhar é essencial

Somos feitos disso tudo: culpas, responsabilidades, fracassos e sucessos

Só não vale parar…

Alda M S Santos

Prazer ou loucura?

PRAZER OU LOUCURA?

Prazer ou loucura, alegria ou insanidade

Quem define isso em nossas vidas

Excessos, maluquices, vícios

Ou o bem estar de ir além dos próprios limites

A cada quilômetro vencido, vento no rosto, sol ou chuva

Suor quase tão intenso quanto as dores nas pernas

Preparação, frio na barriga que antecedem a empreitada

Aclives muito íngremes, amigos de décadas em seu encalço, pedalando…

Mesmos gostos, mesmas “loucuras”

E o prazer compartilhado de chegar ao topo

O frio na barriga e as dores musculares ficam esquecidos

Diluídos na sensação de euforia pelo propósito alcançado

E, na magia de uma vista deslumbrante,

Agradecem à vida, a Deus, ao prazer de se ter amigos…

E logo planejam a próxima…

Parafraseando Caetano “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”…

Alda M S Santos

Pingos nos “is”

PINGOS NOS “IS”

Racionalizar tudo que nos acontece, esclarecer

Colocar todos os pingos nos “is” da nossa história

Começo, meio e fim, se possível com “felizes para sempre”

A conta precisa bater, um mais um precisa ser dois, noves fora

Ler tudo, interpretar, fazer uma releitura dos fatos

Das faltas cometidas, das bolas fora, dos gols

Dos amores, desamores, mágoas causadas e sofridas

Histórias interrompidas antes do fim, pendentes

Mal explicadas, não compreendidas, não aceitas

Essa é nossa tendência: matematizar tudo

Mas nem tudo é débito ou crédito, ônus ou bônus

Podemos estar bem no vermelho, mal no azul

E há belas histórias sem nexo, sem fim, perdidas no tempo

Valorosas, sofridas ou tristes, alegres ou saudosas

Como aquelas em que o livro termina

E a história continua dentro da gente

Criando, inventando, mudando cenários, imaginando, sonhando…

Nem todo ponto final sinaliza um fim

Talvez seja apenas uma nova página, um novo recomeço…

Alda M S Santos

Cavalo ou São Jorge?

CAVALO OU SÃO JORGE?

“Enquanto existir cavalo São Jorge não anda a pé”

Há quem tenha dons de cavalo, sem ofensas

E há quem tenha “habilidades” de São Jorge

Diz-se dos aproveitadores que estão sempre procurando algo ou alguém em quem se montar

E seguir mais levemente seu caminho

Independente do peso que coloquem sobre as costas do outro

Sem querer fazer apologia aos folgados

Tampouco ser carrasco da solidariedade

Carregar nas costas ou fazer por alguém algo que poderiam fazer sozinhos não é ajudar

É impedir o crescimento de quem se torna eterno dependente

É usar com que não precisa o lombo forte de cavalo para quem realmente necessitaria…

Todos temos nossos momentos de carregar alguém

Isso é ter compaixão, ser amigo, ser amor, ser irmão..

Mas também precisamos de um colinho de vez em quando

Montar num lombo macio e quentinho alivia muitos males

Descansa as pernas, acalma o coração, traz leveza à alma

E quem está acostumado a ser sempre o cavalo

Quase nunca é visto como cavaleiro cansado

A recíproca também é verdadeira…

É preciso equilíbrio nessa montaria!

Salve, São Jorge!

Alda M S Santos

Contradições ou hipocrisias?

CONTRADIÇÕES OU HIPOCRISIAS?

Nos revoltamos com o “preço” de um jogador de futebol no mercado

Assustamos com o número de crianças e adolescentes dependentes químicos

Criticamos o trabalho das prostitutas e produção de filmes eróticos

Menosprezamos o trabalho daqueles que fazem nu artístico ou expõem seu trabalho

Ficamos abismados com a violência e desconfiança que nos rondam

Com o consumo de itens desnecessários de todo tipo, com a pirataria

Com a espécie de programação das TVs e divulgação nas redes sociais

Reclamamos da liberdade cerceada e prisões com cadeados de ouro a que estamos submetidos

Somos cristãos ou ateus revoltados com religiosos que abusam da fé dos mais ignorantes

Mas não percebemos que alimentamos tudo isso que criticamos

Quando pagamos caros ingressos para ir aos estádios ou por utensílios da indústria futebolística

Quando consumimos de uma forma ou de outra as drogas dessa vida

Ao “curtir” in loco, on line ou impressas as produções artísticas de nus e erotismo

Ao encher cinemas para assistir violências diversas, ao dar audiência para o que “desprezamos”

Ao cercear a liberdade do outro, ao criar “prisões” para manter perto os que amamos, vegetais, animais ou humanos

Ao pagar por dízimos e absurdos religiosos por um “lugar no céu”

É a lei da oferta e procura!

Se existe no mundo, é porque tem público e apreciadores, há combustível

Só se mantém de bom ou ruim, o que é recíproco, é apreciado, alimentado, tem retorno de algum tipo

O quanto, na hipocrisia que sequer percebemos em nós, contribuímos para perpetuar o que tanto criticamos?

Alda M S Santos

Minhas (des)humanidades

MINHAS (DES)HUMANIDADES

Já ri até a barriga doer de alegria gratuita, mas já acordei de olhos inchados por dormir chorando de tristeza

Já me escondi da minha mãe para não tomar injeção, e de mim mesma para não passar vergonha

Já doei o que vim a precisar, já comprei o que não me era necessário

Já engoli muitos sapos, engasguei com outros, visando salvaguardar a biodiversidade no pântano

Já tive um amor que dispensei, não tive um que desejei

Conquistei amores que valorizo, que me valorizam, presentes que nem sei se sempre mereço

Já fiquei feliz com infelicidade de quem me magoou, já magoei quem me quis bem

Já acreditei em mentiras absurdas e duvidei de verdades verdadeiras

Já fiz promessas que não cumpri, já realizei além do que sequer prometi

Já tive muito medo de morrer, já quis morrer de tanto medo

Já tive raiva e medo de quem amo mais daqueles que não me dizem nada, já causei medos e raivas idem

Já me senti a verdadeira cereja do bolo por agradar e um grão de areia no deserto por não ser aceita

Já me perdi entre muitas escolhas tanto quanto por falta de opção

Já quis ir para a África salvar o mundo, não pude salvar um mundo ao meu lado

Já pensei que meu mundo precisava ser salvo, já quis salvar quem não precisava de mim

Já sonhei muito com o impossível, tendo dificuldade até com o possível

Já tive a vida ameaçada por arma na cabeça por desconhecido,

Mas tive mais medo quando fui ameaçada por palavras e olhares de quem conheço

Já fiz coisas das quais me arrependo, não fiz muito que gostaria ter feito

Já guardei segredos por décadas, já pedi segredos que foram revelados por outros

Já confiei, desconfiei, mas tem coisas que só eu sei de mim mesma

Já chorei dias e noites por uma amizade perdida, a ponto do meu marido intervir, e não me importei por outras que se foram sem dar notícia

Trago lembranças doídas e felizes em mim, mas também devo ser lembrança doída ou feliz na vida de alguém

Já deixei de dizer “te amo” por medo ou vergonha

Mas nunca disse amar sem ter verdadeiramente amado

Assim, entre tantas contradições, vou vivendo e aprendendo,

Levada por minhas (des)humanidades…

Alda M S Santos

Descarrilhou?

DESCARRILHOU?

É fácil ser bom quando tudo parece perfeito

Quando o trem da vida segue nos trilhos

O céu está limpo, jardim florido, pássaros a cantar

Quando somos queridos e amados, quando notamos justiça a nossa volta

Os amigos nos abraçam, há borboletas no jardim e no estômago

A fé prevalece, Deus é Pai, somos agradecidos…

Porém…

Provamos realmente que somos bons e sábios

Se conseguirmos manter certa paz, serenidade e confiança

Quando a saúde física perturba, a emocional oscila

Quando o trabalho é muito cansativo, o chefe nos desvaloriza

Os filhos são rebeldes, com ou sem razão, os pais precisam de ajuda e não pedem ou reconhecem

Os amigos nos abandonam ou não podem estar por perto

O cônjuge nem sempre compreende nossas angústias

O céu escurece, o mundo cai, sem perfumes, sem sorrisos, sem beija-flores

Quando nos decepcionamos, perdemos algo que amamos, nosso time tropeça

Quando nos sentimos lesados e todos parecem se tornar nossos inimigos

Deus não nos ama mais, nos rebelamos, queremos consertar tudo à força…

Nessas horas é difícil ser bom, pacífico

Mas de que vale uma bondade apenas quando tudo parece bem

Se ela é mais necessária quando tudo vai mal?

Se o trem da vida descarrilhar, melhores peritos temos que nos tornar

Para os vagões não desgovernarem e atropelarem todos a nossa volta!

Alda M S Santos

Equalizando

EQUALIZANDO

Decepções são como os favores

Nem sempre recebemos ou retribuímos a quem nos “presenteou”

Recebemos favores de um ali

Devolvemos a outro mais na frente

Decepcionamos alguém aqui

Somos decepcionados por outro acolá

Essas são as voltas desse mundo tão cíclico

Ainda que possa parecer cruel

É seu jeito de ser leve e equalizar as coisas…

Alda M S Santos

O que nos move?

O QUE NOS MOVE?

Seres distintos que somos todos

Iguais apenas em nossa humanidade

Essa máquina complexa: corpo, mente, alma

Possuímos os mesmos combustíveis a mover nosso motor diariamente:

A dedicação ao trabalho

O conforto da fé

Carinho das amizades sinceras

Calor de um amor verdadeiro

Alegrias e dores da maternidade/paternidade

Gratidão pela família unida

Satisfação com o estudo e aprendizado

Prazer em cultivar corpo e mente saudáveis

Bem estar em fazer o bem, sempre que possível

Consciência tranquila e cuidado para não machucar ninguém

Acúmulo de bens materiais

Diversões variadas…

As preferências por um ou outro

Leva-nos a tecer a trama complexa da vida

A costurar esse tecido que nos ampara, liberta ou aprisiona

A dependência maior de um ou de outro é que nos difere

E nos torna mais ou menos felizes…

O que nos move?

Alda M S Santos

Descartável

DESCARTÁVEL

Usou, sujou, não serve mais

Descarte!

Enguiçou, travou, deu defeito

Descarte!

Enferrujou, quebrou, queimou

Descarte!

Perdeu a utilidade, ficou velho, não agradou

Descarte!

Vai dar trabalho, “perder” tempo, cansar

Descarte! Compre um novo! Substitua!

“Coisa velha ou estragada não compensa arrumar”

É o raciocínio reinante na era descartável

Não importa se são coisas, objetos ou seres inanimados

Pessoas, sentimentos ou relações

Nada se conserta, tudo se descarta, substitui-se

E com tanto descarte por aí

Não há espaço nem para o “velho” e nem para o “novo”

Tudo é jogado fora!

Só que na perspectiva da vida, da alma, não há fora

Tudo está dentro de nós!

As peças estão todas lá: fusíveis, porcas ou arruelas

E todas as ferramentas necessárias para construção do “novo”

A partir do conserto do “defeituoso”:

Chaves de fenda, martelos e alicates

Amor, disposição, fé e coragem …

Não adianta usarmos nada novo, objetos ou pessoas

Iremos danificá-los e torná-los inúteis logo, logo

Se nós mesmos não nos consertarmos, continuarmos velhos e defeituosos…

Alda M S Santos

Má índole, oportunismo?

MÁ ÍNDOLE, OPORTUNISMO?

Chupim, Engana-tico-tico, Negrinho, os nomes são vários

A má índole é a mesma, se é que podemos atribuir essa “falha” a seres irracionais

O Chupim na época da reprodução, não constrói seu ninho

Aguarda o tico-tico fazer o seu com todo cuidado

E num momento em que ele se ausenta do ninho

Vai lá e bota seu ovo entre os ovos do tico-tico que estão sendo chocados

Tico-tico volta, não nota a diferença, alimenta e cria o Negrinho que nasce primeiro

Em detrimento de seus próprios filhotes que morrem de inanição

Pude ver isso no sítio! Até entre plantas e animais podemos encontrar aproveitadores e parasitas

A má índole e oportunismo, a falha de caráter atribuída aos humanos encontrada nos irracionais

Como muitos humanos, racionais, agem apenas querendo usufruir de um “ninho” pronto

Sem querer se dar ao trabalho de construir ou conquistar suas próprias coisas

Vivem de subtrair dos outros o que quer que seja

E quantos tico-ticos enganados por aí…

Qual deles tem menos “consciência” do que faz: humano ou pássaro?

Alda M S Santos

Roubos e arroubos

ROUBOS E ARROUBOS

Quanto mais caminhamos para longe de nós mesmos

Quanto mais rápido o fazemos, vislumbrando um destino sonhado

Quanto mais arroubos há, mais roubos são realizados, “autorizados”

Mais difícil e necessário se tornará o caminho de volta

Mais longo e doloroso será o retorno

Dívidas deverão ser quitadas, débitos pagos com juros

Sorrisos resgatados, lágrimas enxugadas, flores arrancadas devolvidas a seus canteiros

Cristais frágeis que forem quebrados novamente colados

Fé e autoconfiança recuperadas…

É bom ir, mas todo cuidado é pouco para não nos perdermos de nós

Para não nos afastarmos e caminharmos perto de quem nos mantém inteiros e acende nossa luz

Para não fazermos com que quem amamos se percam de si mesmos…

Alda M S Santos

Raiz exposta

RAIZ EXPOSTA

Nevrálgica é a dor daquela raiz exposta

Onde sempre estavam tão bem escondidas nossas inadequações, tormentos

Cobertos pela terra existencial, pelos ajeitamentos, por vezes, inoportunos

Nas raízes estão nossas reservas, nosso alimento, nossa força, nosso interior

Também ficam ali nossas fantasias, medos, lamúrias, angústias, fraquezas

Raiz exposta assusta, machuca, fragiliza

É nudez que não se cobre com tecidos, necessário se faz o cobertor do amor

Impera criar espaços para agregar novos valores

Urge auscultar o próprio coração, socorrê-lo nas arritmias

Acreditar que nossa inteireza só se completa

Quando nos aceitamos como incompletos

Tantas vezes nos sentimos inadequados em nossa nudez, impróprios, feios

Exposição que assusta mais a nós mesmos

Crescemos quando enfrentamos nossa história pregressa que ali se impõe

E, mesmo nus, abraçamos nossos joelhos com carinho

E passamos a não ter mais tanto medo de raízes expostas…

Alda M S Santos

Reações em cadeia

REAÇÕES EM CADEIA

Uma lagoa tranquila, águas praticamente paradas

Uma pedrinha que se joga e várias ondas se formam em cadeia

Até o lago voltar novamente ao repouso do início

Muitos movimentos são despertados e se propagam

Todos os nossos movimentos nessa vida provocam “ondas”

Quer sejam ações físicas ou emocionais,

Ondas se formam… nos outros, dentro de nós mesmos…

Mau humor, rispidez, desânimo geram reação em cadeia, causa e efeito

A boa notícia é que um sorriso, uma gargalhada, um abraço

Um beijo, um gesto qualquer de bondade e carinho, de confiança, repercute também em muitas ondas

Somos nós que escolhemos qual lago movimentar

Quais ondas provocar, quais ondas interromper…

Somos responsáveis pela “pedra” que jogamos, pelas ondas que despertamos…

Se somos a causa, respondemos pelos efeitos: bons ou ruins!

Alda M S Santos

Atrofiados

ATROFIADOS

Tudo aquilo que não usamos atrofia, enferruja, torna-se obsoleto, perde a utilidade, a validade, o brilho

O mesmo vale para objetos, eletrônicos, máquinas, alimentos, músculos, cérebro, sentimentos, emoções …

Não usar uma máquina, um veículo não os preserva

Não ingerir um alimento não o conserva ou eterniza

Não trabalhar músculos faz com que se atrofiem, percam tônus

A utilização é que faz correr o óleo, o sangue, o oxigênio, o fluido da vida…

Motor em uso mantém a máquina ativa

Sentimentos e emoções são o óleo, o fluido vital que gira o motor da vida

Coração partido tem mais vida que coração intacto, atrofiado por falta de uso…

Alda M S Santos

Quando acordas

QUANDO ACORDAS

Aquele primeiro pensamento que vem à sua mente quando acordas

Seja quando os raios de sol invadem sua janela ou quando a chuva tamborila no telhado

Seja quando tudo é sorriso, luz e brilho ou quando são lágrimas e sombras

Talvez o mesmo por dias, meses, anos a fio

Te estimula a seguir em frente, te anima, encoraja

Te faz sorrir para a vida, para os outros, ser alguém melhor

Acreditar que tudo pode ser possível, ser mais forte

Ou esse pensamento te entristece, desestimula, acovarda, te faz menos do que é?

Tantas vezes tirando até mesmo o desejo de levantar-se da cama?

Se é fonte de força, fé, amor, coragem e esperança

Não abra mão dele…torne-o real, alimente-o

Mas se apenas te joga para baixo, te faz desacreditar em seu poder de dar a volta por cima

Tá na hora de mudar o pensamento, substituir por algo mais benéfico

Ou mudar de atitude…

Alda M S Santos

Autoridade feminina

AUTORIDADE FEMININA

Toda mulher possui autoridade, chorando ou sorrindo tem postura de deusa, de rainha

Autoridade conferida pelo afeto, capaz de comandar um batalhão

Sem parecer que moveu sequer uma palha, cheia de doçura, fada madrinha

Olhar que diz mais que uma ladainha inteira, que gera por respeito a desejada ação

Toda mulher possui autoridade conferida pelo amor

Amor que gera vida dentro de si, amor que cria, que dá colo, que protege

Amor que se passa por frágil, que amansa leões com sorriso, que cura com beijinho uma dor

Amor que desperta vontades, satisfaz desejos, que revoluciona o ser, que a todos rege

Toda mulher possui autoridade conferida pela Criação

Daquele que a fez capaz de retirar forças tanto das lágrimas dolorosas quanto de um sorriso singelo, brava lutadora por aconchego, por união

Daquele que a desenhou com traços finos, alma delicada, rica, amorosa, agregadora, hábil em sentir e despertar compaixão

Alimentada e abastecida por qualquer atitude que demonstre amor, carinho e proteção…

Somos assim, mulheres…por Ele sonhadas

Evas, Madalenas, Anas, Esters, Marias, Rutes, Saras da Criação…

De ontem, de hoje, do amanhã, de sempre

Alda M S Santos

A última carta

A ÚLTIMA CARTA

Lembra-se do que escreveu naquela última carta

Sem saber que seria a última?

Lembra-se daquele abraço, daquele sorriso

Sem ter consciência que não haveria outros?

Lembra-se de um simples tchau, um até mais, sem saber que eram um adeus?

Lembra-se das gargalhadas perdidas, brigas tolas

Sem considerar que poderia se arrepender, sentir tanta falta?

Se não houver mais chance

Dizemos o que queríamos ao escrever,

Abraçar, sorrir, brigar, nos despedir, amar?

A marca derradeira foi a que gostaríamos de ter deixado?

A memória pode falhar, o outro faltar, empecilhos mil surgirem

A vida se esvair como fumaça no céu

Quantos “últimos” e saudosos momentos temos vivido?

Haverá tempo de reviver alguma coisa?

Oportunidade para uma última carta?

Bom mesmo seria não esperar pela última carta

Mas sempre “escrever” como se fosse a última…

Alda M S Santos

Terminou, mas não acabou…

TERMINOU, MAS NÃO ACABOU…

Aquela vida que se jogou do alto de uma passarela no asfalto lá embaixo

Deixa a sensação aos que ficam de que há algo inacabado

Terminou, mas não acabou…

Não era a hora, foi interrompida por força das circunstâncias que desconhecemos

Aquele relacionamento feliz, mas que andava pisando em ovos, lutando contra medos, culpas, fragilidades e inseguranças

Terminou, mas não acabou…

Não acaba quando o amor permanece, a saudade ainda machuca, a ausência fere e dói

Quando não é dado um fim pacífico dentro de si

Aquele ser que se levanta todos os dias, sem brilho, sem alegria, sem norte

Que não encontra razões para estar vivo, cujos olhos opacos não dizem nada além de “cansado de viver”

Ainda não terminou, mas está se acabando…

Exceto o que deu fim a si mesmo lançando-se pelas dores e amarguras ao asfalto

E que continua apenas na mente dos que ficaram e nada puderam fazer,

Os demais não se acabaram, ainda que pareçam finalizados

Não estão mortos, a vida existe lá dentro

Camuflada em meio à penumbra da solidão

E precisa de luz para ser de novo despertada,

Esse suicídio lento pode e deve ser interrompido

Deixar correr as águas desse rio para a imensidão do mar

Retirar as amarras, as cordas do pescoço, desfazer os nós

Criar laços de amor e vida…

Alda M S Santos

E a vida acontece

E A VIDA ACONTECE…

Uns deixam ir tão facilmente quanto deixaram chegar

Esquecem na mesma medida em que foram capazes de lembrar

Sofrem por pouco tempo, descartam tudo que venha para doer

Vivem na mesma proporção em que deixam viver

Preferem cultivar o momento à nostalgia de uma saudade

Muitas vezes têm seu jeito displicente confundido com maldade

Pode ser apenas uma maneira de se cuidar, de se autoproteger

Lições que com a vida e seus tropeços aprendeu aos poucos conviver

Outros, têm dificuldade de abrir mão, deixar ir, são intensos

Também incompreendidos, apontados como moles, são densos

Sofrem mais de saudades, de tristezas, de ausências

Que não se aliviam com razão, consolo, alertas, avisos ou advertências

E a vida se constrói no silêncio de cada coração …

Alda M S Santos

Janela respingada

JANELA RESPINGADA

Dia cinzento, chuva fina, janela respingada

Corpo e mente pedem cama

Olha lá fora, a vida parece apagada

Entregar-se ao repouso, ao ócio é tudo que sua alma clama

Liga a TV, busca um filme, navega nos canais

Nada encontra de instigante, tudo nostálgico, reprisado

Vai à estante, busca um livro, encontra cartões, fotos, poemas, postais

Num armário abarrotado de memórias, por segurança emocional, poucas vezes visitado

Lembranças começam a jorrar, chover sobre ela, não há como fugir agora

Entrega-se, deixa-se molhar, se encharcar

Combinação perfeita com o tempo lá fora

Entra nesse barquinho de memórias, vai longe, tenciona mergulhar

Prepara remos, snoker, quer sentir tudo de novo, intensamente

Abre comportas, sorri, se compadece, no seu rosto lágrimas conhecem de cor o caminho

A janela e ela, ambas molhadas, respingadas, resignadamente

Toca-a com os dedos, sopra, no vapor desenha um coração, e se deixa levar nesse redemoinho…

Alda M S Santos

Mal acostumados?

MAL ACOSTUMADOS?

Um dia, aguando o jardim fui alertada a reduzir a irrigação

“Não pode molhar todos os dias, vão se acostumar e sentir falta depois…”

Quantas vezes usamos esse raciocínio para a vida?

O quanto de bom somos privados para não ficarmos mal acostumados?

Um alimento, um passeio, noites de sono, descanso

Companhias, risadas, carinho, amor…

Claro, toda mudança é sentida

Particularmente quando algo de bom é retirado

Cuidar para não criar dependência do que é impossível manter é sábio

Mas privar-se de algo prazeroso pra não sentir falta depois

Não me parece muito inteligente.

E as flores recebiam felizes a água que eu as oferecia diariamente,

Amanhã é outro dia. Incerto.

Se precisarem buscarão reservas no solo

Como nós buscamos reservas em nossa alma quando precisamos

Se ela estiver bem nutrida,

A vida segue florida…

Alda M S Santos

Bosque particular

BOSQUE PARTICULAR

Se nossa vida fosse resumida num bosque, numa mata

Como ela seria?

Quantas árvores frondosas, antigas

De copa acolhedora, troncos maciços, galhos grossos e retorcidos teríamos conservado?

Seria fechada, cheiro de terra úmida, cantos de pássaros

Insetos, vento soprando suavemente?

Teria nesgas de luz do sol a passar insistente entre os galhos e iluminando o chão repleto de folhas e frutos?

Haveria árvores novas crescendo felizes entre as matriarcas?

Seria uma mata convidativa ou amedrontadora?

Teríamos arrancado alguma árvore antiga ou impedido uma nova de crescer?

A majestade de uma mata está na diversidade, na segurança

Na capacidade de acolhimento que nos fornece gratuitamente

Conservar árvores antigas é manter a possibilidade de se recostar e descansar

Cultivar árvores novas é a capacidade de seguir em frente, de nos renovarmos sempre

Natureza que sempre ensina…

Alda M S Santos

Rachaduras

RACHADURAS

Somos feitos de gretas, falhas, rachaduras, frestas

Pelas gretas é que entram os amores, desavisadamente

Num momento de distração ou fragilidade, tomam posse

E são a liga que une o que há de melhor em nós ao outro

Mantendo-nos estáveis, mesmo sob constantes balanços

Pelas rachaduras é que saem as decepções, amarguradamente

Quando estão nos sufocando buscam ar, aos goles, aos borbotões

E deixam extravasar os excessos, permitindo novo respirar, sobrevivência

Pelas frestas podemos antecipar maremotos e nos preparar

Essas falhas em nossa rocha permitem a água passar sem grandes danos

Tapar nossas gretas e rachaduras não é muito sábio

Uma estrutura sem gretas, sem rachaduras, sem frestas, sem “falhas”

Que permitam que nosso prédio interno se ajeite, se estabilize, se reorganize, dilate

Nos balanços das grandes tempestades

Pode ruir, implodir, explodir, desmoronar…

Alda M S Santos

Em casa

EM CASA

Sinto-me em casa quando posso ser quem sou

Sem constrangimentos, andar descalça, descabelada, ou não

Nua em pelo, de corpo e alma

Ou num moletom desbotado e nada sexy

Sem temer julgamentos ou represálias, sem falsos pudores

Com a certeza de ser aceita como sou

Dizer tudo que aprouver, ouvir sem resistência, com prazer

Ou silenciar, sem causar lacunas desagradáveis

Usar aquele baby-doll confortável que mais parece um abraço

Aqueles chinelos gastos como as memórias

Ouvir e cantar a música preferida bem desafinada, não importa

Esparramar na rede, ler um bom livro,

Entregar-me às boas memórias, às saudades, aos sonhos

Assistir um filme no sofá com um pote grande de pipoca

Ouvindo a chuva cantarolar feliz no telhado

Numa sintonia perfeita com minha alma

Aceitação total de quem sou, sem amargar culpas

Aceitando as pedras que aparecerem como oportunidade de superação

Sem ferir ou machucar ninguém, ajudando, se possível

Sabendo que Alguém lá em cima me ama e olha por mim

Isso é estar em casa!

Qualquer lugar ou pessoa que nos faça ser ou sentir diferente disso

São, no máximo, tolerados…

Estar em casa é um estado de espírito de graça

De simplicidade, harmonia e paz…

Alda M S Santos

Quando lagartas

QUANDO LAGARTAS

Difícil quem ache nelas beleza

Nas atemorizantes e assustadoras lagartas…

Amam as borboletas, matam as lagartas

Sem elas, contudo, não há o leve voo de extrema delicadeza

Das lindas e coloridas borboletas…

Somos muito assim

Nossa fase lagarta muitas vezes amedronta

Aos outros, a nós mesmos

Outras vezes não queremos sair, como afronta

E estacionamos na fase lagarta, no estágio casulo nos prendemos

Sentimos falsa proteção no “conhecido”

Não deixamos a vida fluir

Impedimos a metamorfose

E perdemos a beleza que cada fase tem

Se quisermos apreciar uma borboleta, sermos uma borboleta

Precisamos encarar de frente e com coragem nossas lagartas…

Alda M S Santos

Caminhos buscados

CAMINHOS BUSCADOS

A certeza de trilhar o caminho certo

Torna a travessia mais leve, prazerosa

A brisa suave torna-se carinho

Barulhos diversos tornam-se música

Tons acinzentados ganham cor

Sol forte é animador, chuva é refrescante

Companhias são bênçãos

Pedras são apenas obstáculos a nos fazer mais fortes

Ao contrário, no caminho errado tudo torna-se difícil

Mesmo que pareça brilhante e cheio de luz

Nos cega, é cinzento, doloroso, amargurante

Cedo ou tarde, sai caro, a conta chega, e alta…

E mais que saber desviar das pedras,

É fundamental não se tornar uma pedra

A emperrar o próprio caminho ou o caminho dos outros

Muitas vezes é difícil saber qual o trajeto certo

Ele não faz propaganda, não se impõe como o melhor

Muitas vezes exige sacrifícios, pode doer

Mas traz prazeres inigualáveis…

Precisamos buscá-lo dentro de nossa consciência…

Alda M S Santos

Refrigérios

REFRIGÉRIOS

Um banho de cachoeira para refrescar o corpo

Uma brisa de bons pensamentos e lembranças doces para limpar a mente

Uma chuva de boas ações para nutrir o coração

Uma tempestade de nós para nós mesmos

Para sintonizar no amor e alegrar a alma

Conosco e com os demais

E encontrar a paz…

Alda M S Santos

Templos

TEMPLOS

Escolas são templos, hospitais são templos,

Igrejas são templos!

Hospitais curam os doentes do corpo,

Escolas curam os “doentes” do conhecimento,

Igrejas, independente de qual seja, curam os doentes da alma

Uma igreja recusar acolher um pecador

Seria o mesmo que uma escola fechar as portas ao analfabeto

Ou um hospital não atender uma vítima baleada

Detentores do conhecimento não precisam de escolas,

Saudáveis não necessitam de hospitais

Igrejas não são casas de santos!

Igrejas, todas elas, devem abrigar pecadores e sofredores da alma.

Templos servem para nos fazer melhores do que somos,

Desenvolver o maior templo de todos: nós mesmos

O templo do amor!

Vamos acolher a quem precisa

Seja qual for o templo!

Alda M S Santos

Tempestades

TEMPESTADES

Ainda que nosso céu pareça claro

Azul, brisa suave, águas limpas

Tempestades podem se aproximar, molhar tudo

Lançar raios e trovões sobre nossas paredes internas

Vendavais de areia cegar nosso olhar

Balançar nossa estrutura, nos lançar contra as pedras…

Fugir delas nem sempre é possível

Encarar, absorver o que der, abstrair-se do que for possível

Esperá-la passar, sempre passa!

E receber de braços abertos novo céu azul…

Alda M S Santos

Chama acesa

CHAMA ACESA

A chama interna de cada um de nós necessita ser mantida

Ela que garante nosso prazer de viver

Que nos faz levantar da cama todos os dias e seguir…

Cada qual tem um combustível próprio: família, trabalho, amigos, Deus

Às vezes, meio apagadinha, outras, labareda

Ideal que dependamos o menos possível de combustíveis alheios.

Passar a vida buscando combustível do outro,

“Furtando” combustível, oxigênio alheio,

Dependendo de diminuir ou apagar a chama dos outros

Mesmo involuntariamente, para manter a nossa acesa

Não faz uma chama bonita e duradoura!

Nossa chama deve iluminar o outro, e vice-versa, alastrar-se

Há algo muito errado se nossa chama acesa apagar a de alguém!

Que encontremos nossa luz!

Alda M S Santos

Embaladas a vácuo

EMBALADAS A VÁCUO

É sabido que as pessoas são diferentes

Consequentemente, lidam de modo diferente com ganhos e perdas

Mas queria entender como algumas pessoas

Conseguem parecer embaladas a vácuo

Parecem isoladas do mundo externo,

Quase nada as atinge,

Superam, esquecem qualquer coisa facilmente

Mesma postura, mesmo perfil

Passe uma brisa ou um furacão

Amor ou desamor, alegria ou decepção

Sucesso ou fracasso, vida ou morte

Nada muda para elas!

Como máquinas, acolhem ou descartam “dados” sem danos

E seguem…

Não é inveja ou despeito,

Nem que eu queira ser exatamente assim!

É para saber como “pegar” ao menos um pouquinho disso!

Alda M S Santos

Há esperança na humanidade

HÁ ESPERANÇA NA HUMANIDADE

Um mendigo disfarçado de cuidador de veículos

Sujo, descalço, dormindo nos passeios a qualquer hora

Vive do que recebe da caridade dos que transitam por ali

Abandonado, largado, entregue ao mundo?

Mas é um ser humano!

Alcoolizado sempre, não sei se outros entorpecentes também

Sempre me compadeço de sua situação

Vejo-o todos os dias na rua da academia

Já perguntei uma vez se precisava de ajuda quando estava largado na calçada

Hoje vi uma mulher dando banho nele no meio da rua

Jogava água contida em algumas garrafas pet, ensaboava, esfregava

Ele aceitava a ajuda a contragosto, alcoolizado.

Um misto de sentimentos me invadiu

Feliz por alguém ter ajudado, uma mulher se arriscando

Triste por um ser humano precisar desse tipo de ajuda de desconhecidos

Envergonhada por eu mesma não ter tido essa coragem, essa iniciativa!

Orgulhosa dessa mulher que conheço e deu um exemplo de bondade…

O amor precisa ser convertido em ações!

Há esperança na humanidade!

Alda M S Santos

Aquieta meu coração

AQUIETA MEU CORAÇÃO

Quero um coração em paz, confiante

Em harmonia com a vida do entorno

Em equilíbrio com a vida de dentro

Trocas do bem, curas do mal

Olhos que saibam ver além da superfície

Corações que se amem independente da distância

Pés que saibam de cor o caminho

Mãos que se deem, se doem, que se autovalorizem

Quero uma alma que sintonize com outras almas

E que ali se aquiete, se acalme, se encontre…

Alda M S Santos

Perdão

PERDÃO

Perdoar não é tarefa fácil! Não mesmo!

Dependendo de quem causou a mágoa, o mal

Mais difícil se torna!

Mas não existe perdão mais difícil

Que o perdão a si mesmo…

Tanto que nas pessoas depressivas

Com dependências químicas diversas

Ou com problemas de saúde mental

Há várias culpas não resolvidas

E o sofrimento é autoinfligido

O mal causado aos outros, a si mesmo

Torna-se árduo e pesado demais para carregar

Perdoa-se aos outros com o tempo

Mas o que quase sempre fica para trás

É o auto-perdão

E esse é um peso que impossibilita a caminhada, que trava,

Para perdoar ou se perdoar é preciso humildade

Reconhecer-se humano e falho

E capaz de refazer, recomeçar, aprender com os erros, seguir outro caminho

O Grande Mestre perdoou a todos nós, sempre misericordioso

Só nos faria bem se aprendêssemos

Um pouquinho desse amor, dessa misericórdia

E o dividíssemos com os outros,

Começando por nós mesmos…

Alda M S Santos

Por onde tens andado?

POR ONDE TENS ANDADO?

Por onde tens andado?

As estradas nem sempre são planas ou belas…

Que caminhos tens trilhado?

As trilhas, muitas vezes, têm bifurcações confusas…

O que tens plantado?

As sementes nem sempre são boas ou as terras férteis…

O que tens colhido?

A colheita nem sempre é farta ou digna…

Mas, mais vale com quem se anda

Com quem se planta e se cuida

E com quem se partilha a colheita…

Os pés podem estar sujos dos caminhos incertos

As mãos machucadas pela colheita mirrada

Mas o coração precisa estar limpo e puro

Recheado de bondade, amor e compaixão

A alma repleta de luz a iluminar nossos caminhos

E, se não iluminar, ao menos não criar sombras nos caminhos dos outros

São coração e alma que mostram os caminhos que trilhamos

Mesmo que nem sempre haja flores ou belas paisagens,

Podemos vislumbrar um jardim, um oásis…

Por onde tens andado?

Alda M S Santos

Os meus, os seus, os nossos erros

OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS ERROS

Erros sempre serão erros

Ainda que venham disfarçados de acertos

Mesmo que a gente, não muito sabiamente, insista neles

Que tente justificá-los para nós mesmos, para os outros

Eles não costumam ser muito diferentes

Mudam casa, nome, endereço, mas os erros são similares

Quando não mais resistem de pé e desmoronam

Os danos causados costumam ser grandes, dolorosos…

Isso quando não vão além de nós mesmos

E desmoronam outras vidas!

Aí tudo anoitece em nós!

Pior é ver quem a gente ama cometê-los

Saber com certeza que estão errados

E não conseguir impedi-los!

Isso porque temos mais facilidade de identificá-los nos outros que em nós mesmos.

Alguns erros têm como ser corrigidos, outros não,

Mas uma coisa importante todos os erros têm em comum

Os meus, os seus, os nossos erros

Eles ensinam!

Com amor ou com dor!

E cada qual tem o “direito” de cometer o seu

Até de, não muito inteligentemente, repeti-los!

Alda M S Santos

Nas asas da imaginação

NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO
Estava em campo aberto, uma área gramada e pequena
Para todos os lados havia arame farpado,
Cerca eletrificada, concertinas, muros, grades…
Seu corpo estava preso das mais variadas formas
Limitação de espaços e de movimento
Para qualquer lado que tentava não era possível se mexer
Sequer conseguia falar ou se expressar
No fim das forças, cansaço extremo, deitou-se na grama
Olhou para o alto e viu uma ave voando no lindo céu
E descobriu que havia asas, que possuía asas e,
Voou, voou, voou…
Nas ainda possíveis asas da imaginação….
Alda M S Santos

Devolve meu interruptor

DEVOLVE MEU INTERRUPTOR

Há caminhos que trilhamos sozinhos

Entre luzes e sombras

Precisa ser assim!

Apenas nossa luz interior o ilumina

Mas é necessário ficarmos atentos.

Para não caminharmos na escuridão,

Precisamos tirar o interruptor das mãos dos outros.

Nossa luz precisa depender mais de nós mesmos!

Alda M S Santos

No travesseiro

NO TRAVESSEIRO

Estacionamos nossa mente ao colocar a cabeça no travesseiro.

Será mesmo?

A quantas anda nossa mente nesse momento tão nosso?

Revive o dia que passou? Alegra-se, lamenta?

Planeja o dia seguinte com esperança e fé?

Dá umas voltas no passado? Sente saudades, quer retornar?

Quem entra, quem sai, quem fica nela?

Temos controle? Conseguimos mudar o canal,

Selecionar momentos, pessoas, sentimentos que queremos?

Ou ela é bandoleira e fica onde quer, livre,

Até se desligar por superaquecimento ou exaustão?

Alda M S Santos

Im ou explosão

IM OU EXPLOSÃO?

Implosão, explosão, ambas destruidoras

Derrubam, desmancham, apagam, zeram

Em se tratando de pessoas

Qual a que causa menos mal?

Explodir, quase sempre com os outros

E tudo que nos incomoda, machucar

Queimar tudo!

Implodir, para dentro de nós mesmos,

Estourar para o nosso interior,

Arrefecer por falta de alimento, de oxigênio, ferir-se

Como aqueles espirros contidos…

Qual o menos danoso?

Im ou explodir?

Alda M S Santos

Pérolas aos porcos

PÉROLAS AOS PORCOS

“Não lanceis vossas pérolas aos porcos”!

Quem são as pérolas, quem são os porcos?

Podemos tanto lançar pérolas aos porcos

Quanto sermos porcos às pérolas que nos são lançadas!

E há pérolas e pérolas, porcos e porcos.

Qual vale mais: um porco verdadeiro, do qual se sabe o que esperar

Ou um cordão de pérolas falsas a nos enganar?

Alda M S Santos

No outro, em nós…

NO OUTRO, EM NÓS…

No outro podemos encontrar o estímulo

Em nós encontramos a energia

No outro podemos encontrar um apoio

Em nós encontramos a força

No outro podemos encontrar a amizade

Em nós encontramos o amor próprio

No outro podemos encontrar a palavra

Em nós encontramos a fé

No outro podemos encontrar a admiração

Em nós encontramos nosso real valor

No outro podemos encontrar a dor

Mas ela só doerá em nós se houver amor…

No outro, em nós…

Tudo repercute, tudo alegra, tudo dói,

Tudo se mistura quando a massa é a mesma:

O amor!

Alda M S Santos

Quando não estou em mim

QUANDO NÃO ESTOU EM MIM

Procuro-me em todos os cantos

Tento me identificar, me localizar

Saber onde me encontro

Quando não estou em mim.

Se eu não estivesse mais aqui

Onde poderia ser mais facilmente encontrada?

O que remeteria as pessoas diretamente a mim?

O que olhariam e diriam: isso me faz lembrar dela!

Uma cachoeira, uma mata densa, pássaros, borboletas, flores?

O mar, um rio, a chuva, as estrelas, a Lua cheia?

Certamente, sinto-me em casa junto a tudo isso.

Um sorriso, um abraço, uma palavra, um poema? Identifico-me.

Meus filhos? Claro, partes mais lindas de mim.

Meus pais? Sim, sou parte deles.

Meu amor, meus amigos? Alguns deles, os que me amaram, me entenderam, sintonizaram comigo.

Em cada pessoa que passou por minha vida, que me agregou valores, me fez feliz, me fez sofrer?

Sim, foram também partes de mim.

Estou em muitos lugares, em cada pedaço de chão que pisei

No ar que respirei, mas, principalmente, no amor que doei.

Se quiserem me encontrar, procurem em tudo isso,

Também no sorriso de uma criança,

Na nostalgia de um idoso, no abraço de um casal apaixonado…

De preferência, num dia de chuva.

Eu estarei lá!

Quando não estou em mim estou naqueles que amo,

Onde quer que estejam.

E estar neles, é um modo de estar em mim.

Alda M S Santos

Leitura: Braille

LEITURA: BRAILLE

Há uma leitura que exige decodificação especial

Que não basta decodificar o alfabeto

Ler frases e compreender textos e contextos

É uma leitura que exige ler com o toque, como o Braille

É uma leitura que exige a percepção do brilho ou sombra do olhar

É uma leitura que exige ler sentimentos

É uma leitura que se faz no silêncio

É uma leitura que conecta dois olhares,

É uma leitura de almas!

Alguns são tão mestrados nessa área

Que leem de longe ou de perto

Não se enganam, não interpretam mal

Sentem!

Alda M S Santos

Lápis e borracha

LÁPIS E BORRACHA

Histórias escritas, desenhadas

Grafitadas, coloridas!

A cada dia um novo traço, um novo risco

Uma palavra mal escrita, um traçado mal feito

Ou até tudo bem feito, mas no livro errado

E lá surgem lágrimas a borrar toda a obra!

Borrachas tornam-se necessárias

Apagar o que deixou de ser parte da história,

Ou que não pode continuar sendo…

Borrachas deixam marcas, sombras

Mas tudo pode ser reaproveitado

Uma palavra mal dita pode ser inserida noutro contexto

Uma frase noutro capítulo

Um capítulo noutro momento

Uma pedra pode se transformar numa flor

Uma flor numa borboleta no roseiral

Uma lágrima numa gota a regar o novo jardim.

Que será sempre revisitado no fundo de nós.

Nesse livro da nossa vida

Podemos, precisamos, ter muitos críticos,

Editores deverão ser ouvidos,

Mas somos nós que selecionamos as palavras, os riscos, os rabiscos

Que farão os capítulos dessa história

Somos nós que daremos cor ao que for importante

E deixaremos em escala de cinza o que precisa sair de cena,

Ou ficar nos bastidores desse espetáculo chamado vida.

Alda M S Santos

Excluir, arquivar, back, next: aprendendo a usar

EXCLUIR, ARQUIVAR, BACK, NEXT: APRENDENDO A USAR

Tantos são os novos aplicativos, cada dia surge mais um

Mas o mais antigo de todos, que nos vem acoplado ao DNA

É a capacidade de manter aquilo que nos faz bem

De excluir o que nos traz mágoas e tristezas

De arquivar o que é bom ou que pode vir a ser,

De voltar quando é possível,

De prosseguir, seguir em frente, mudar de fase.

Esses recursos vêm de fábrica

Mas vamos aprendendo a usar com o tempo

Com as necessidades que surgem.

E como todo jogador, cada qual tem suas estratégias e perfis

Uns são audaciosos e buscam sempre mais, nunca voltam,

Quase nada arquivam, excluem e seguem em frente.

Outros, mais conservadores, mantêm muitos dados, arquivam demais,

Têm dificuldade de excluir, caminham mais pesadamente.

Mas todos estamos nos aperfeiçoando

Aprendendo a usar, buscando suporte técnico,

Pois a qualquer hora pode haver baixa,

O game over sempre chega, cedo ou tarde.

Alda M S Santos

Inspire amor

INSPIRE AMOR

Quando o amor está solto no ar,

Inspire! Leve amor para dentro de si.

Quando o amor estiver preso lá dentro,

Expire! Leve o amor para fora!

Amor deve ser cíclico para crescer,

Amor deve ser compartilhado

Para alimentar vidas.

Amor preso é vida que se perde…

É vida que morre aos poucos.

Inspire, expire, ame!

Alda M S Santos

O coração selecionou

O CORAÇÃO SELECIONOU

“Amigos em apuros eu já chego dando voadora,

Depois o amigo explica o que houve, se quiser explicar”.

Uma das mais lindas defesas de amizade que já ouvi.

Se é amigo,o coração já selecionou, já ama.

Sabe que é humano, que é passível de erros e acertos,

Que possui fraquezas, forças, belezas e feiúras,

Que ri, que chora, que precisa de colo,

E de um amigo bom de palavras e de atitudes.

Não importa se o amigo acertou ou errou

É amigo! Merece defesa!

Ser amigo de gente bonitinha e perfeitinha é fácil,

Ser amigo para todas as horas poucos conseguem!

Alda M S Santos

Sim, não, talvez…

SIM, NÃO, TALVEZ

O sim remete a alegria, estado de graça, felicidade extrema

Satisfação, prazer, gozo total.

O não quase sempre é tristeza, é dor aguda, é golpe certeiro,

Lágrimas, reclusão, introspecção

O talvez é expectativa, nem sim e nem não

Talvez é espera oscilante, vascilante

Vai do quase sim ao quase não

É uma quase alegria, uma quase tristeza

É indecisão, é dor crônica

Talvez é brincadeira de balanço,

Ora lá em cima, ora cá embaixo

E não são todos que apreciam a adrenalina dos balanços

As emoções antagônicas dos “talvez”

Preferem os pés no chão,

Sentados no banco da pracinha

Vivemos entre o sim, o não e o talvez

Podemos até abolir os “talvez”

Mas nunca seremos só sim

Nunca seremos só não

E transitar do sim para o não

Já dá o balanço doloroso ou prazeroso da vida…

Alda M S Santos

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