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Termodinâmica

TERMODINÂMICA
O olhar não se vê, calcula-se, o sorriso, brincalhão
Caminhos percorridos… conhecem-se?
Buscam um no outro, mesmo sem perceber
A parte humana com toque “divino” que lhes falta
Doam um ao outro por termodinâmica
Até o que nem imaginam possuir
Principalmente o que não sabem possuir
Os silêncios partilhados cheiram ora a paz, ora a conflito
O brilho dos olhares ou a sombra deles denuncia tudo
O encanto dos sorrisos cega os céticos
As lágrimas satisfazem os invejosos
As brincadeiras alegram o ambiente
O toque das mãos dá cor à vida
Sinestesicamente…
Os abraços divididos selam a paz, perdoam defeitos
Do outro, mas principalmente de si mesmos
Humanos, falhos, tentando acertar sempre
A fé num propósito divino para tudo que há preenche vazios
As lágrimas despertadas ou enxugadas os tornam mais humanos
Conviver, viver com, viver para
Para si, para o outro, para amar
E as almas viverão para sempre
Até mesmo quando duvidarem disso…
Alda M S Santos
 

 

 

Depois do fim

DEPOIS DO FIM
Irei até aquela curva lá na frente
Com esse propósito, sigo sem parar na caminhada à beira-mar
Areia macia a afundar meus pés deixando pegadas
Sempre me lembro da parábola “Pegadas na Areia” quando o faço
Na curva, o caminho, que parecia acabar, continua…
Que há depois daqueles coqueiros?
E aquele coqueiro envergado pelo vento é meu próximo objetivo
Entro no mar, devagar, água fria na pele quente, gostoso…
Choque térmico de vida!
Fujo correndo de uma onda enorme
Umas pessoas riem, de mim ou para mim?
Não importa, retribuo e sigo até o rochedo, o coqueiro ficou para trás
As rochas disformes seriam o fim da caminhada
Subo nas pedras, as ondas ali arrebentam agitadas
Parecem querer despertar as pedras para a vida
Ajudá-las a sair dali, arrancá-las da mesmice, andar pelo mundo
Piso devagar, são cortantes e escorregadias
Sento, reflito, cair dali seria o fim, muito alto e perigoso
Quantas pessoas já pularam dali querendo ir além disso aqui?
Do outro lado o caminho continua com areia, coqueiros, rochas e curvas…
Depois do fim sempre há outro caminho
Ainda que a gente não consiga vislumbrá-lo
Olho para trás lá embaixo, minhas pegadas se apagaram
Queria tanto estar no colo Dele!
Uma brisa suave balança meus cabelos, acaricia minha pele
Sim! Ele está aqui!
Retomo meu caminho de volta, não estou só!
Alda M S Santos

Praia de Lopes Mendes-Ilha Grande- Brasil

Eterno

ETERNO

Em nossa finitude humana pretendemos a eternidade

Nos tornarmos eternos é nossa “necessidade”

Queremos o que é eterno, o que de nós for duradouro, infinito

No que há de mais real, profundo e verdadeiro,

Somos eternos na parte de nós viva em nossos filhos

Sentimo-nos eternos no olhar do amor infinito de alguém que repousa sobre nós

Somos eternos nos pais que têm nossas feições gravadas na mente

Somos eternos nas marcas profundas feito ferro em brasa que deixamos naqueles para os quais fazemos o bem

Também somos eternos, infelizmente, naqueles que fazemos o mal.

Encontramos eternidade apenas nos relacionamentos

Essa necessidade de eternidade guia nossas vidas

Mas só somos realmente eternos naqueles que amamos, que nos amaram

Nos recantos dentro deles onde transitamos, estacionamos

Somos eternos quando Ele nos olha e Se vê nos nossos olhos,

Mas principalmente quando nos enxerga no que deixamos de bom dentro dos outros…

Alda M S Santos

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