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poemas e reflexões da vida cotidiana

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amor com a vida

Nossos rastros

NOSSOS RASTROS

Nesse ora tão longo, ora tão breve caminho da vida

Seguimos as marcas deixadas por nossos antecessores

Em forma de pegadas, de palavras, de registros escritos

Um sentimento, um exemplo, um sinal qualquer a nos guiar

Nem todas as marcas são positivas, mas ensinam

Percebemos as que não levam a lugar algum

As que são voltas desnecessárias

As que levam para um beco sem saída

As que nos jogam num buraco perigoso

As que são certeiras e relaxantes

As trilhas que precisam ser reconstruídas

Algumas mudam, deixam de ser adequadas

Surgem outras mais tranquilas ou mais difíceis

A nós cabe o discernimento para fazer a melhor escolha

Não devemos nos esquecer que somos deles sucessores

Mas que somos antecessores daqueles que vêm atrás de nós

É uma caminhada feita há milênios

E outros quantos milênios virão?

Nossa tarefa é melhorar a trilha e as marcas sempre

Precisamos seguir…

Nem que seja para não decepcionar quem já foi

Ou quem ainda vem em nosso encalço seguindo nosso rastro…

O brilho de nossa luz…

Alda M S Santos

Quem assina?

QUEM ASSINA?
Se pudéssemos observar com olhar neutro nossas vidas
De fora, com imparcialidade, sem grande envolvimento emocional
Como a observar um quadro “pintado” em sua totalidade
E também em suas partes, seus detalhes
A parte que brilha, a fosca, a meio escondida, a que se destaca
A mais colorida, a clara, a moderna, a abstrata
A antiga, a contemporânea, a atual
Original ou controversa,
Aquela fácil de entender e a que ninguém decifra
O que veríamos?
E, mais importante, quem assina essa obra?
Quem é o autor de verdade?
Quais influências terceiras sofre?
Nosso nome está assinado ali, mas somos mesmo os pintores dessa obra?
Ou é uma arte falsificada, uma fraude?
Pintamos o que acreditamos, com nossas próprias tintas e criatividade
Ou somos “ladrões” de material alheio?
Mesmo sem conseguir manter a neutralidade e imparcialidade
É possível fazer minimamente essa análise:
Somos autênticos?
O grande Autor da Obra Vida deu a receita: amor
Essa tinta nos permite viver uma obra de arte verdadeira
E chegar na grande galeria do outro lado com um quadro original
Ainda que todo manchado de sorrisos e lágrimas…
Com o vermelho do amor pelo outro e da paixão de viver
Com o amarelo das tentativas frustradas
Com o roxo das decepções e angústias
Com o verde brilhante da esperança
Mas nossa!
Nossa tela pode ter muitas cores e influências externas
Mas todas devem ser passadas e filtradas pela nossa alma
Sempre procurando ter orgulho do trabalho feito
E muito pouco do que se envergonhar…
Alda M S Santos

Pode parecer

PODE PARECER

Pode parecer abandono, solidão, preguiça

Mas também pode ser opção, escolha, prazer em estar consigo mesmo

Pode parecer inquietude, ansiedade, impaciência

Mas também pode ser excesso de energia, vontade de cuidar do próprio coração

Usando o caminho que passa pelo coração do outro

Pode parecer tristeza, angústia, depressão, vazio

Mas também pode ser introspecção, reflexão, sabedoria, preenchimento

Pode parecer raiva, revolta, rebeldia

Mas também pode ser desânimo e repúdio com tudo que é falso

Pode parecer teimosia, falta de inteligência, obstinação, birra

Mas também pode ser persistência de alguém que não desiste

Pode parecer fuga, abandono, frivolidade, infantilidade

Mas também pode ser maturidade, carinho e proteção

Pode parecer medo, covardia, maldade

Mas também pode ser amor que, sábio, preserva a vida

Pode parecer sorriso, alegria, felicidade a toda prova

Mas também pode ser gratidão, fé na vida e Naquele que a criou

Em qualquer circunstância

Sempre…

Pode ser…

O que é, de verdade, só quem vive é capaz de dizer…

Alda M S Santos

Beija-flor

BEIJA-FLOR

Voando, beijando, se refestelando, vivendo

No grande jardim da vida segue entre flores

Entre rosas, margaridas e tulipas

Hortênsias, girassóis e violetas

Orquídeas, jasmins e dálias…

O beija-flor se alimenta de néctar, de beleza

De perfume, de encanto, de leveza

Leva consigo doçuras colhidas

Nesse vai e vem transforma amarguras em doçuras

Doçuras em energia, energia em vida, e assim sucessivamente

E, de flor em flor, segue em pequenos pousos…

E as flores, enraizadas, não podem segui-lo

Sina de flor é ficar firme na terra

Sina de beija-flor é voar livre

Talvez se demore mais na amor-perfeito, se notá-la, quando passar

Se outro beija-flor não estiver parado por ali

Que nesse grande jardim da vida

Flores e beija-flores possam se encontrar

Se realizar e ser feliz…

Alda M S Santos

Noite estrelada

NOITE ESTRELADA

Há sonhos belos como uma noite escura

Como um céu salpicado de estrelas brilhantes, reluzentes

Atraindo, despertando esperanças, expectativas

Mas, como as estrelas, “apagam-se” ao amanhecer

Seu brilho não se sustenta perante à dura realidade do dia

Assim como as estrelas se escondem

Diante do brilho intenso dos raios de sol

Muitos sonhos se escondem atrás dos medos

E covardias que tiram seu brilho

Alda M S Santos

Mas não sou só eu!

MAS NÃO SOU SÓ EU!

As crianças montam seus castelos cuidadosamente na areia.

Escolhem os moldes, carregam água, dedicam-se parte por parte

Olham, admiram o feito, sorriem

Num tropeço, num descuido o castelo do menino desmorona, despenca, trabalho perdido

A menina olha e diz “faz outro”

E continua a montar o seu com dedicação e cuidado

O menino, chateado, destrói “sem querer” o castelo da menina

Como se dissesse “se eu não tenho, você também não tem”…

E chegam as mães para ensinar e apaziguar…

São crianças, estão aprendendo a viver com perdas.

Mas há tantos adultos assim!

Por não conseguirem algo, ou perderem

Passam a vida invejando ou destruindo os castelos alheios

Ou impedindo que sejam construídos

Perdendo um tempo precioso que poderia ser gasto com um novo castelo…

Castelos iniciados e abandonados pelo caminho…

Talvez um jeito inconsciente, até patológico, de resolver sua própria frustração.

Ao perceber que o mal que o atinge, que as dificuldades que tem

Não são só dele!

Como se dissessem: caí, mas outros caem também

Ou: acontece com todo mundo

O fracasso do outro justificando o seu próprio…

O desafio da vida adulta é enfrentar os próprios desmoronamentos

Se possível, evitá-los, aprendendo a poupar seus próprios castelos

E daqueles que lhes são caros…

Alda M S Santos

Como andar de bicicleta

COMO ANDAR DE BICICLETA

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente se distrai, amedronta, perde a confiança, cai!

Quando aprendemos a andar de bicicleta

Logo depois que retiramos o conforto e segurança das rodinhas

O equilíbrio se mantém e nos impede de tombar, de cair

Enquanto estamos em movimento, pedalando

Aos poucos, devagar, depois de alguns tombos, feridas

Vamos aprendendo a reduzir lentamente

Ouvindo alguns conselhos amigos

Descartando aqueles que, invejosos ou ciumentos,

Visam apenas nos ferir e desestabilizar

Avaliando os riscos, mantendo-nos sobre o selim,

Nas retas primeiro, fugindo das curvas.

Só então poderemos realmente sentir o passeio,

Aumentar nossa força e coragem, dar um tchauzinho

Observar a paisagem, sentir o vento no rosto,

As pessoas que passam, os outros ciclistas

Pedalar junto, dar carona, apostar uma corrida

Nos arriscar nas curvas convidativas, nos declives acentuados

Ajudar outros ciclistas, e curtir…

Certos e conhecedores dos pontos críticos

Que outros tombos podem ocorrer,

Mas que estaremos mais fortes.

A vida é, por vezes, como andar de bicicleta

Somos tantas vezes aprendizes!

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente cai!

E o sentido, tanto de andar de bicicleta

Quanto de viver, está no prazer que se obtém disso

Basta observar uma criança em sua bicicleta

Que, apesar dos tombos, insiste, sorri, comemora

Vamos pedalar! Vamos viver!

Alda M S Santos

Visitas breves

VISITAS BREVES

Quase sempre chegam de surpresa

Elegantes, desconfiadas, sondando o terreno que julgam seu

Medo de se ferir, se machucar, serem alvejadas

Encantados e saudosos as recebemos

Comemoramos internamente a visita, aproveitamos a doce presença

Enchem o espaço de alegria, novidade, beleza

Dedicamos carinho, amor e atenção

E num voo rápido se vão… para outros quintais…

Deixam vazios e esperança de retorno

Deixam saudades…

Saudade não se tem daquilo que se foi

Saudade é o que sentimos daquilo que ficou depois da partida

Apenas mudou de lugar

Do espaço antes ocupado pelo que os olhos viam, mãos tocavam

Agora ocupados apenas no cantinho especial no coração

Onde apenas a alma toca…

Alda M S Santos

Mata nativa

MATA NATIVA

É sabido que a paz não está

Em lugares físicos ou espaços externos

Quem a busca fora de si perde tempo

Ela se encontra dentro de nós

Mas um lugar tranquilo, amado, com cheiro de mato

Onde nos sentimos parte integrante desse universo

Tão dual: tão simples e tão complexo

Pode nos reconectar a nós mesmos

Tal qual mata nativa tão perfeita ali

Matar a saudade de nossa essência tantas vezes perdida ou “escondida”

Noutros cantos que nem sempre temos acesso

Dentro de outros seres, muitas vezes inacessíveis

Nem sempre receptivos

Mata que mata ansiedade, mata que desperta anseios

Sempre a nos lembrar

Somos gente, somos nativos, somos vida, somos parte…

Alda M S Santos

Onde está escrito?

ONDE ESTÁ ESCRITO?

Onde está escrito

Que a vida é mais feliz

Quando o amor é mais companheiro

Que o olhar reflete o que o coração diz

E que a paz não se paga com dinheiro?

Onde está escrito

Que amor com amor se paga

Que o sorriso conquista, se sincero

Que a fé é o fogo que o bem propaga

E que tudo que é bom é sempre terno?

Onde está escrito

Que a simplicidade é o lar da felicidade

Que quem doa sempre tem

Que o bem mais valioso é a amizade

Pois é com compaixão/ação que vivemos no bem?

Onde está escrito? Em nós!

Naquele olhar que conquista, no sorriso que cativa

Naquela alma que ouve “te amo”, encantada

Na bondade que fascina e nunca se esquiva

Na saudade que faz de nosso coração sua eterna morada!

Alda M S Santos

Superamos?

SUPERAMOS?

É preciso superar e seguir em frente, todos dizem

Mas quando se pode dizer que superamos?

Quando o problema foi eliminado, deixou de existir

Ou quando não o deixamos mais nos atingir?

Quando a ferida foi da alma apagada

Ou quando a lembrança já vem sem doer, está liberada?

Quando nominamos todos os responsáveis pelo bem e pelo mal

Ou quando já não se culpa mais ninguém pelo vendaval?

Quando as ausências já não são tão grandes, foram preenchidas

Ou quando optamos por deixá-las ter seu próprio espaço, acolhidas?

Quando podemos dizer que superamos?

Será que é quando se desiste de esquecer o que passou, bom ou ruim

E decide carregar ambos na bagagem; o ruim como aprendizado e o bom como saudades?

Será que é quando perdoa-se falhas cometidas por quem quer que seja

E aceita-se o porvir como presente?

Ainda que o brilho no olhar nem sempre venha dos sorrisos,

Mas das lágrimas saudosas que possam irrigar as lembranças e o viver?

Estarmos vivos quer dizer que superamos, que fomos mais fortes que tudo?

Sempre penso nisso ao fixar no olhar de todos eles…

Superaram? Superamos?

Alda M S Santos

#carinhologos

Decantar para não desencantar

DECANTAR PARA NÃO DESENCANTAR

Diante da turbidez de nossas águas

Das impurezas acumuladas em nosso dia a dia

Tudo misturado, leve e pesado, transparente e escuro

Coisas que atraímos, outras que são jogadas em nós

Ou resultado do viver intenso, de afluentes gerados

Tornando difícil o nadar, o navegar, o respirar, o viver

É preciso um processo de decantação

Antes que nos desencantemos desse nado

Depois de tanto agito, parar um pouco, acalmar nossas águas

Deixar que se separem os elementos incompatíveis

Usar a fé, a sabedoria, a alegria de viver como decantadores

Tudo ficará mais claro, bem separado

O essencial e importante do supérfluo e desnecessário

Aí poderemos retirar os “excessos”

E voltar a nadar livremente…

Alda M S Santos

Todo o tempo: sempre que nos aprouver

TODO O TEMPO: SEMPRE QUE NOS APROUVER!

De vez em quando precisamos arrumar nossas gavetas internas

Para não ficarmos tão perdidos quando precisarmos encontrar algo especial numa emergência

Colocar numa gaveta de fácil acesso aquelas “peças” que usamos todo o tempo

Que nos fazem sorrir e ver a vida mais colorida e bonita

Separar para doação aquelas “peças” que já não nos servem mais, justas ou largas,

Ou porque nosso “corpo” mudou ou nosso gosto que não é mais o mesmo

Farão outros felizes como nos fizeram

Devolver ao verdadeiro dono algumas “peças” que nunca foram nossas

Usamos por empréstimo por um tempo e quase acreditamos que eram nossas

Jogar fora as “peças” velhas, cheiro de naftalina, como moletom disforme e surrado, que já esgotaram tempo de uso

E nos fazem pensar que também estamos rotos e surrados

Guardar numa gaveta secreta aquelas “peças” que são preciosas, pouco usadas

Melhor ainda, usar tudo de valioso que temos quando melhor nos aprouver

Todo o tempo, se possível!

Fazer da vida um eterno passo de dança, como diria Sabino,

Sempre há quem goste de dançar…

Sabe-se lá quando poderá aparecer um ladrão e levá-las de nós,

Ou sermos delas levados?

Não sou boa em arrumar gavetas, de qualquer tipo

Tenho dificuldade em me desfazer das “coisas”

Mas sempre aprendo algo quando vou arrumá-las

Tenho muito mais “coisas” valiosas do que pensava…

Alda M S Santos

 

A “maldição” do quase

A “MALDIÇÃO” DO QUASE

Sempre esteve tão perto, quase conseguiu, foi por pouco

Sente que a vida toda esteve dependurado nos “quase”

Quase ganhou o campeonato de futebol

Quase foi coroado Rei do Amendoim

Quase conquistou a menina mais linda da escola

Quase passou no vestibular

Quase casou-se com o amor da sua vida

Quase conseguiu o emprego dos sonhos

Quase aprendeu a falar inglês

Quase montou o negócio tão almejado

Quase foi morto num assalto-um quase benéfico

Quase morreu afogado no mar- outro nada mal

Quase ganhou na Mega-Sena , ficou na quadra

Quase curou um mal genético

Achava que sua vida se resumia à maldição dos quase

Mas acabou aceitando que de quase em quase a vida segue

E aprendeu a maior lição:

A vida acontece com aquilo que a gente faz nos “quase”

Porque, apesar de existir quase morrer ou matar

Nunca ouviu falar de quase viver…

Alda M S Santos

Histórias ao vento

HISTÓRIAS AO VENTO

No princípio era assim: vários livros, pessoas e suas histórias

Ainda desconhecidas, a serem vividas, mas organizadas nesse livro

Um anjo, o Brincalhão, soltou todas as páginas de todos os livros

Um outro bem arteiro, Sapeca, soprou forte, bem forte

E os papéis voaram na ventania

Folhas, capítulos para todos os lados, terra, mar, montanhas, cachoeiras, campo, cidades

Áreas irrigadas e desertas, próximas e longínquas

E nossas histórias estão todas por aqui, espalhadas

Nosso papel é juntar novamente todas as páginas

Reescrever nossa história, começo, meio e fim,

Entrelaçar a outras histórias, encadernar nosso livro…

Os anjos foram mandados para arrumar a bagunça feita

Mas histórias “erradas”se misturaram e, às vezes, parecem bonitas desse jeito para uns

Mas nem tanto para outros…

Os anjos Brincalhão e Sapeca sopram de novo quando tudo parece desarrumado

Na tentativa de ajudar…

Arcanjos, querubins e serafins interferem, reorganizam

Somos autores construindo essas histórias que ora alegram, ora doem

Ora instigam, ora desanimam

Ora são puro amor e encanto

Ora são desilusão e sofrimento

E os anjos, atrapalhados e traquinas, tentam nos ajudar

Colam páginas erradas, outras certas, misturam enredos

E para desfazer e refazer dá muito trabalho, causa sofrimentos

Será que estamos com a página de alguém

Um capítulo que não é nosso

De uma história que não é nossa?

Onde estão nossas páginas para aquelas histórias que não encaixam bem

Aparentemente sem nexo, sem sentido, sem um fim no nosso livro?

Quantos capítulos que eram nossos abandonamos sem uma conclusão?

O Editor-Chefe assiste a tudo e observa nossas habilidades

E o que fazemos com o material que temos…

Afinal, Brincalhão e Sapeca nos deram oportunidades de crescimento

Que tipo de história há em nosso livro?

Um romance, terror, dramas, comédias?

Somos mesmo os autores de cada capítulo?

O quanto escrever nossa história tem implicado em apagar a história de alguém?

Se parecer sem sentido, se machucar, olhemos para o alto, “sopremos”

E um anjo virá nos ajudar…

Alda M S Santos

Um dia nosso sol irá se por

UM DIA NOSSO SOL IRÁ SE POR…

Um dia nosso sol irá se por

Seu brilho descerá calmamente atrás da serra

Com cores lindas se apagando no firmamento

Um dia nosso sol irá se por

Nossos dias serão um entardecer infinito

Com ou sem arrependimentos por quem aqueceu ou deixou de aquecer

E isso não mais irá importar

Um dia nosso sol irá se por

Nossos sorrisos não iluminarão mais nossos rostos

Nossa alegria não mais irrigará nossos corações

Um dia nosso sol irá se por

Levará consigo o chiado de quando quase se afogou em nossas lágrimas

Sem expectativas de um amanhecer por aqui

Deixando um rastro de luz, vida e brilho por onde passou

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje

E quando isso acontecer, não irá doer

Não importarão as partes escuras enfrentadas

As lembranças nas sementes que fez germinar

E a luminosidade que deixou noutros corações

Serão o suficiente para nascer noutro lugar

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje…

Um dia, quando eu me apagar por aqui

Espero nascer um pouco em você, em vocês

Que me amaram e que eu um dia amei…

Alda M S Santos

Mar aberto

MAR ABERTO

Em mar aberto, água em movimento lento e sensual por todos os lados

Céu azul abrigando asas fortes de pássaros a plainar, certos de sua beleza e liberdade

Ou de vento forte a nos dar a sensação de paz, cabelos aos vento

Sol a aquecer a pele, o balanço calmante da lancha

A rasgar as águas velozmente em busca de uma ilha

Sob nós, nas águas verdes e convidativas, peixes e toda espécie marinha

Cercados de vida por todos os lados

Seguimos, cada qual no seu habitat

Sentindo sua força e fragilidade

Vidas fortes e seguras em seus espaços

Vidas frágeis e em risco se tiradas dali

Peixes fora da água, pássaros fora do céu,

São como humanos fora do chão, coração vazio

Bastaria um mergulho na direção errada

Do pássaro, do peixe ou do homem

Para tudo se acabar

Flertamos com a morte todo o tempo

Só não podemos nos deixar atrair pelo desconhecido

Só não podemos nos apaixonar…

Em mar aberto, ou em qualquer lugar

Sempre de coração aberto para a vida…

Alda M S Santos

Ser responsável

SER RESPONSÁVEL

A confusa, intensa e paradoxal relação:

Sentir-se responsável pela felicidade dos outros

Que estão diretamente relacionados à felicidade da gente

De saber que os erros e acertos deles

Tropeços e recomeços têm direta ligação consigo

Com o que fez ou deixou de fazer, propositadamente ou não

Sentir que poderia, até deveria, controlar o tempo

Fazer brilhar o sol, cessar a chuva

Trazer calmarias, remansos, oásis no que for deserto

Afastar tempestades ou nuvens negras

Fazer com que os cardápios oferecidos a eles pela vida

Sejam bem selecionados, saudáveis e prazerosos

Aquecer suas noites, iluminar seus sonhos com estrelas

Lutar contra seus monstros e vencê-los

Saber que nossos “guarda-costas”, anjos, bem maiores que nós, muitas vezes

Estejam tão ou mais necessitados de proteção

Que aquela que julgam proteger

Ou não, mas isso não importa

Sentir que amor de verdade talvez seja isso

Não ser perfeito, ser falho, mas ser perseverante

Ter a certeza que em muitos momentos também acertou

E fez felizes aqueles que lhes foram confiados

O sorriso no rosto deles e a paz que transmitem

Fazem qualquer sacrifício mais fácil de se tolerar…

Alda M S Santos

Fios invisíveis

FIOS INVISÍVEIS

Imagino a vida assim

Repleta de fios invisíveis saindo de nós

Em forma de energia e calor

Como as luzes de sensores infravermelhos

Em paralelas, diagonais, transversais

Perpendiculares,

Atraindo alguns, repelindo outros

Gerando luz ou descargas elétricas, curto-circuitos

Ligando seres afins, unindo pessoas

Conectando almas, acionando a vida que há em nós

Vida que precisa de recarga diária…

Conecte-se à fonte do amor!

Alda M S Santos

Não tem como

NÃO TEM COMO!
Não tem como não ser atingido pelas chamas, não se queimar
Quando se brinca com fogo
Não tem como não se molhar, não se encharcar
Quando se brinca na chuva
Não tem como não ser abarcado pela tristeza
Quando se está no meio de pessoas baixo astral
Não tem como não ficar perfumado
Quando se é jardineiro, mesmo se espetando nos espinhos das delicadas rosas
Não tem como não deixar as lágrimas rolarem
Quando se percebe tudo que já rolou ou deixou de rolar
Não tem como não ser contagiado pela alegria
Quando se mistura a sorrisos abertos e amorosos
Não tem como não ser contaminado pela compaixão, esperança e fé
Quando se cerca de pessoas crentes e devotadas a Ele
Não tem como não sentir amor
Quando ele pulsa forte nas pessoas a sua volta
Não tem como não ser queimado pelas cinzas das saudades
Quando se remexe nos álbuns
do passado vivido com prazer e alegria
Não tem como não acreditar num futuro melhor
Quando a natureza se renova dia a dia perto de nós
Não tem como…sempre seremos atingidos…
Alda M S Santos

Por onde a vida flui…

POR ONDE A VIDA FLUI

Uns aprendem a andar, outros a correr

Uns aprendem a cair, outros a levantar

Uns aprendem a subir, outros a descer

Uns aprendem a ir, outros a voltar

Uns aprender a descansar, outros a trabalhar

Uns aprendem a sempre seguir, leves, sem “pesos”, a nada se prendem

Sequer olham para trás, para quem porventura deixou

Ou tenha sido deixado pelo caminho…

Querem apenas chegar, sem atrasos ou contratempos

Outros aprendem que nesses vaivéns, aparentemente antagônicos,

Estão a marcha da vida, a linha do trem

Por onde a vida flui, nem sempre veloz

Nem sempre silenciosa, nem sempre fácil

Porém, mais certa da chegada, a qualquer tempo…

Alda M S Santos

Não pode ser do mal

NÃO PODE SER DO MAL

Não pode ser do mal

Aquele que diz que “odeia” esse mundo injusto e cruel

Mas compõe ou toca lindas e emocionantes canções

E inspira gerações e mais gerações

Não pode ser do mal

Aquele que diz ter desistido da humanidade

E salva vidas em seu trabalho habilidoso, seja ele qual for

Não pode ser do mal

Aquele que diz não confiar nas pessoas, não acreditar no amor

E, em cada olhar, em cada sorriso, em cada toque

É afeto em forma de poesia

Ninguém é do mal pelo que diz

Somos do bem ou do mal pelo nosso fazer que “denuncia”

Aquilo que somos verdadeiramente

No trabalho prazeroso, nas atitudes de amor e compaixão

Nos olhos piedosos diante da dor do irmão

Ou quando a “eficácia” e presteza em julgar o modo de ser do outro

Cresce na mesma proporção que a inaptidão em mudar a si mesmo

Somos do bem cada vez que pintamos na alma uma tela colorida, mesmo sem querer

E iluminamos a vida de um alguém

Sem, contudo, escurecer ou borrar a tela de ninguém…

Alda M S Santos

Desertos e seus oásis

DESERTOS E SEUS OÁSIS

Imagine o que é ouvir de alguém

“Hoje sei que sou importante

Mas nem sempre foi assim

Já me achei doente, a problemática, descartável

Já me acharam um nada, uma qualquer

Já quis morrer, já quiseram que eu morresse…”

Se já é doloroso ouvir isso de um ser humano

Imagine para quem viveu, para quem compartilha, agora, tal sentimento

Imaginar-se passando por um deserto desses

Seco, sem trilhas, sem vida, irrigado apenas por lágrimas

Despertadas pelas tempestades de areia quente que enfrentou

Onde os possíveis acompanhantes eram “inimigos”

Imagine, então, o que seria causar esse deserto em alguém

Ou, pior, ter retirado os oásis que ela poderia recorrer pelo caminho

Para irrigar os lagos secos dentro de si e renovar a vida?

Qual nossa responsabilidade de ouvinte?

Ser, senão a água ou o camelo que a retira de lá

Tentar ser, pelo menos, os arbustos do caminho

Onde possa se abrigar do sol quente e descansar sob seus galhos

Ser a fonte de energia que ela precisa para prosseguir

Ser apenas outro ser humano que entende de desertos, de oásis

Mostrando que, devagar, um passo de cada vez

É possível sair de lá e, mais que sobreviver

Querer viver!

Alda M S Santos

Enquanto isso…

ENQUANTO ISSO…

Enquanto o rio não corre para cima

Vou descendo nas suas loucas corredeiras

Enquanto não conseguimos tirar leite de pedras

Vou amaciando uns corações mais flexíveis e receptivos

Enquanto vamos brigando por um mundo mais justo e fraterno

Vou estendendo a mão, desviando dos buracos, ajudando, sendo ajudada

Enquanto procuro pela rosa mais cheirosa, bonita e perfeita

Vou cuidando das lindas flores do meu jardim

Enquanto a escuridão da noite cai sobre todos

Busco uma estrela cadente e faço um pedido

Enquanto o amor não vence todos os obstáculos

Percebo que o impossível é especialidade Dele

Enquanto a tempestade assustadora não passa

Observo sua beleza, seu poder de destruição e reconstrução

E escrevo um poema…

Alda M S Santos

Ainda assim, é mágico

AINDA ASSIM, É MÁGICO

É mágico viver

Aspirando o verde brilhante da esperança que sempre brota

Ainda que esteja semeada no solo árido de outros corações

É mágico viver

Invadidos pelo bálsamo do amor que acalma o nosso interior

Ainda que precisemos enfrentar a acidez diária de uma alma ferida

É mágico viver

Mesmo escondidos atrás de barricadas do “tô nem aí”

Protegendo-nos de balas nada doces lançadas contra nós

É mágico viver

Colando cada pedacinho que se quebra, que matam em nós a cada decepção

Mesmo sabendo que colar não nos protegerá de novas trincas e cicatrizes

É mágico viver

Lendo os textos da vida, nossos, dos outros, tentando compreender seus contextos

Ainda que os pretextos ouvidos não se encaixem muito bem

É mágico viver

Fazendo de cada amanhecer um rio de novas oportunidades

Ainda que nosso sol se esqueça de brilhar e as sombras sejam assustadoras

É mágico viver

Buscando pintar no rosto e na alma uma história colorida, bonita e encantadora

Ainda que em nossa paleta falte cores primárias

E precisemos criar e ousar…

É mágico viver

Corajosamente, sabendo que a única certeza que temos é do morrer

E sendo, por isso mesmo, grandes palhaços do viver…

Ainda assim, é mágico viver!

Alda M S Santos

Raízes fortes não bastam

RAÍZES FORTES NÃO BASTAM

Uma árvore gigante, tricentenária…

Quantas intempéries já enfrentou

Quantas vidas acolheu nos ninhos em sua copa

A quantos corpos cansados deu o descanso de sua sombra

Quantas histórias de amor presenciou, início e fim

A quantas mentes indecisas propiciou boas reflexões

Quantas almas e corações sofridos aconchegou em seu tronco, como abraços

Quantas lágrimas absorveu em seu solo

São raízes fortes que a mantêm assim, de pé

Mas raízes fortes protegidas sob o calor da terra

Raízes expostas, por mais fortes que sejam

Fragilizam, cedem, tombam…

Raízes expostas causam dores nevrálgicas

Dores que abalam tronco, galhos, flores e frutos

E nos jogam ao chão…

Podemos perder folhas, flores e frutos todo o tempo

Eles se renovam…

Raízes necessitam proteção, são únicas

E só nós ou quem nos ama verdadeiramente pode nos oferecer.

Alda M S Santos

Tem gente que se diverte

TEM GENTE QUE SE DIVERTE

Tem gente que se diverte praticando esportes

Há os que se divertem fazendo-se fortes

Tem gente que se diverte em reviver lembranças

Renovando em sua alma a esperança

Tem gente que se diverte em constante animação

Há os que se divertem em tranquila meditação

Tem gente que se diverte trilhando afoito um novo caminho

Buscando paz nesse eterno redemoinho

Tem gente que se diverte fazendo-se palhaço

Mascarando assim o cansaço

Há os que se divertem despertando um sorriso

Encontrando noutro alguém seu próprio paraíso

Tem gente que se diverte sendo amargo, mordaz

Percebendo que essa é alegria fugaz

Há os que se divertem simplesmente por existir

Descobriram que a felicidade consiste simplesmente em estar aqui…

.

Alda M S Santos

Zero a zero

ZERO A ZERO

-Zero a zero! -Pra quem?

A piada não é tão sem sentido!

Ficou zero a zero, ninguém ganhou, ninguém perdeu

Placar chocho, sem graça, desestimulante

Ou tranquilo, pacífico, satisfatório?

Como encaramos o placar neutro?

Tudo irá depender do investimento em tempo, preparação, dedicação

Da qualidade de nossos “jogadores”

Do nome que temos a zelar no ranking “esportivo”

Da equipe de apoio que levamos conosco

De todos aqueles que dependem de nós

E da expectativa criada sobre o jogo

Se muito se havia a perder

Zero a zero é placar vitorioso

Significa ausência de perdas

Se muito se havia a ganhar

Zero a zero é placar de derrota

Entre todas as chances, ganho zero…

Nos jogos da vida quais têm sido as expectativas que criamos,

Qual nosso estímulo para continuar em campo?

Honramos ou maldizemos? Louvamos ou reclamamos?

Nos placares da vida nada é tão absoluto

Um placar neutro pode ser um prêmio digno de medalha entre tanto a perder

Uma derrota honrosa pode valer mais o troféu que uma vitória roubada, ilícita

Qual tem sido nosso placar no jogo da vida?

Alda M S Santos

Nos caminhos da vida

NOS CAMINHOS DA VIDA

Nos caminhos da vida, se olharmos para baixo, para nossos pés

Perderemos as belezas do horizonte colorido adiante

Os lindos contrastes de sombra e luz que nos estimulam

Nos caminhos da vida, se olharmos só para frente

Os aclives acentuados, a poeira, a distância do destino

Podem ser desanimadores e nos fazer desistir

Nos caminhos da vida, se olharmos para dentro de nós

Dependendo dos labirintos escuros que encontrarmos

Poderemos nos perder, escorregar nas desculpas esfarrapadas e medos e estacionar

Nos caminhos da vida, se olharmos para trás

Veremos todo o caminho já vencido, as dificuldades superadas, lutas e conquistas

Retomamos parte do ânimo, da coragem, obtemos um refrigério

Nos caminhos da vida, se olharmos para um dos lados

Veremos uma das razões para seguirmos

De termos chegado até ali: os companheiros de jornada pelos quais fazemos tudo

Nos caminhos da vida, se olharmos para o outro lado

Veremos a força que nunca nos abandona: Deus

Mais um passo à frente, mais firme e seguro, sorriso no rosto cansado

Humanamente, seguimos…

Alda M S Santos

Viver é contagioso

VIVER É CONTAGIOSO

Mau humor e dor contagiam tanto quanto vírus

Frieza e indiferença são transmissíveis no ar

Alegria “pega”, tristeza “pega”

Basta estar perto e aberto e respirar

Se não podemos escolher com o que ser contaminado

Temos alguma escolha naquilo que queremos contaminar

Escolhemos contagiar o mundo de coisas boas, de amor

Basta de tristeza e dor

Abraços e carinho são profiláticos

“O amor é contagioso”!

Alda M S Santos

#carinhologos

#abracosgratis

Hoje, não!

HOJE, NÃO!

Hoje quero ver o lado bom das pessoas

Aquele que muitos preferem não ver

Não quero enxergar as falhas, os egoísmos, as covardias

Não, hoje não!

Hoje quero me alegrar com o sol que brilha

E possibilita nossa própria fotossíntese

Não quero reclamar do calor ou do frio, da chuva ou da seca

Não, hoje não!

Hoje quero me fixar nas saudades boas, nas risadas gostosas, no amor vivido

Não quero lembrar das decepções, dos medos, das ingratidões

Não, hoje não!

Hoje quero ser grata ao passado que me formou,

Ser ativa no presente que me mantém, esperançosa no futuro que me aguarda

Não quero ser daquelas que se enfurnam na tristeza e se afogam nas próprias mágoas

Enquanto buscam culpados para o lago sujo que se forma a sua volta

Não, hoje não!

Hoje quero ser o bem, fazer o bem, levar alegria pelo caminho

Hoje quero fazer essa travessia mergulhada em sorrisos

Não quero esperar muito do mundo, apenas me doar e ser grata ao que vier

Não, hoje não quero reclamar de nada!

Hoje quero ser paz e fazer apenas um pedido

Todos os dias podem ser como hoje?

Alda M S Santos

Caiu, quebrou…e agora?

CAIU, QUEBROU…E AGORA?

Bela, frágil, delicada

Caiu, quebrou, vários pedaços cortantes

Entornou, molhou, feriu, machucou, sangrou

E agora?

Junta tudo, enrola num jornal, põe para o lixeiro

Cristal quebrado não tem conserto!

Caiu, quebrou…e agora?

Guarda todos os cacos num cantinho como lembrança, revisita, faz um concerto dentro de si

Afinal, teve seus dias de glória, conta uma história especial e bonita

Caiu, quebrou…e agora?

Segue faltando pedaço, adapta-se ao que restou, meio vazio, meio cheio, entornando por aí

Caiu, quebrou…e agora?

Cola cada pedacinho como der, com cuidado para não mais se ferir

E continua a servir o doce vinho, o amargo Campari

Ou a borbulhante champanhe

Celebrando a vida…

Cada “cicatriz” a torna única, original, ímpar

Sinal de queda, mas também de vitória, aprendizado e sobrevivência…

Caiu, quebrou…e agora?

Cole! Seja o cristal ou a vida!

Alda M S Santos

Sem plano de voo

SEM PLANO DE VOO

Na escuridão da noite que chega lentamente

Ela se despede temporariamente do sol

Tenta encontrar novas luzes brilhantes

Reacender outras já meio apagadas

Um vagalume que aparece meio receoso, certo de seu caminho

Mesmo sem plano de voo

Vênus que se apresenta radiante ao longe no céu

A Lua, orgulhosa e bela, que inspira os amantes

Mas também, solidária, acolhe os solitários

Quase pode ouvir o som de cada estrela que brilha no firmamento

Concentra-se nos sons diferentes do anoitecer

Esfria, abraça a si mesma se aquecendo

Fecha os olhos e, como os cegos, vê com o olfato, com a audição

Enxerga as doces lembranças guardadas na escuridão dentro de si, revive

Como vagalume, está acostumada a acender-se e enxergar a vida no escuro

Inspira fundo, expira, respira, suspira

Tenta não pirar…

Segue…não há necessidade de plano de voo

O destino é um só, o caminho a gente cria

Sabe que a luz é mais valiosa onde antes foi escuridão…

Alda M S Santos

Sinto, logo…

SINTO, LOGO…

Sinto tanto, sinto muito, sinto com força

Dor, tristeza, mágoa, decepção

Sinto, logo…sofro!

Sinto tanto, de todas as formas e grandezas

Vontades, desejos, saudades, lembranças

Sinto, logo…espero!

Sinto tanto sem querer, por querer, quase desisto

Descrença, desânimo, desalento, descaso

Sinto, logo…resisto! Choro, sorrio…

Sinto tanto a qualquer hora, a qualquer tempo, a todo tempo

Cheiro de flor, cheiro de amor, de encanto, de alegria e fé

Sinto, logo…vivo!

Alda M S Santos

Aprendendo a pescar

APRENDENDO A PESCAR

Pode ser prazeroso receber um peixe delicioso nas mãos, sem esforço

Prontinho para ser degustado, saboreado

Mas nada se compara ao prazer de pescar o próprio peixe

O sabor é outro: de satisfação, de vitória, aprendizado, superação dos limites…

Mesmo porque, nada dura para sempre

Cedo ou tarde, se faltar o fornecedor do peixe, precisaremos nos virar…

Somente se compara ao prazer de pescar

O ato de ensinar alguém a fazê-lo, vibrar com a conquista do outro

Pescar juntos, no mesmo barco, enfrentando os ventos contrários,

As marés desfavoráveis, a restrição da piracema, esperar novo momento

Saborear juntos um pescado desejado

Isso é divinamente lindo!

Alda M S Santos

Oportunidades perdidas

OPORTUNIDADES PERDIDAS

Para onde vão as oportunidades perdidas?

Será que existe uma caixa de oportunidades perdidas e achadas guardada por aí,

Onde a gente pode ir e recuperar a nossa?

Quem sabe escolher uma no nosso número e medida?

Ouvi certa vez que não há oportunidades perdidas.

Nós perdemos, mas sempre há quem as aproveite.

Por medo, ignorância, vaidade, incompetência, excesso de cuidado ou falta de fé,

Deixamos passar boas e raras oportunidades…

Mas também aproveitamos algumas que outros deixaram passar.

Quase sempre inadequadas ao nosso modo de ser…

Insistir numa oportunidade que passou rápido demais, endureceu,

Envelheceu, murchou, encolheu ou é imatura demais, não convém!

É como insistir em calçar um sapato 37 ou 33 num pé 35.

Nunca ficará bonito ou confortável!

Nessa circularidade da vida, qualquer hora surge uma oportunidade só para nós,

Sem “deformações” causadas por outros pés,

Sob medida…e estaremos maduros o bastante para aproveitá-la!

Alda M S Santos

Amor nunca fica velho

AMOR NUNCA FICA VELHO!

Pode ter 70, 80, 90 anos, nunca envelhece!

Nunca fica velho(a), aquele(a) que passou conosco os anos

Que esteve ao nosso lado enquanto uma ruga se prendia lá, dona do pedaço

E uns fios brancos brotavam cá, rebeldes

Que foi se encurvando enquanto dividia conosco os pesos de nossas dores

Ou as batidas do coração já fraco de tanto pulsar por nossas alegrias, tristezas e medos

Nunca fica velho aquele olhar que menos vê

Mas ainda brilha por nós, enxerga, percebe, identifica

Não envelhece um corpo que nos aqueceu, nos acolheu

Nos deu colo, nos empurrou para frente, nos amou…

Nunca fica velho aquele que caminha mais lentamente

Ou não ouve mais tão bem, fala pouco

Mas ainda caminha conosco mesmo de longe, escuta melhor nossos silêncios

Canta conosco baixinho nossa trilha sonora

Nunca envelhecem aqueles que amamos: cônjuges, pais, irmãos, amigos, filhos, não importa

Nunca estão velhos o bastante para irem embora, nos deixar

Nunca estamos velhos o bastante para saber perdê-los

Simplesmente, porque amor não envelhece, tem fases, renova-se

E, se envelhecesse, seria como vinho, cada dia melhor

E nos embriagaríamos!

Alda M S Santos

Portas trancadas

PORTAS TRANCADAS

Portas trancadas só fecham-nos dentro de nós mesmos

Se for alguém do mal, arromba

Não conseguimos impedir…

Se for alguém do bem, abre pelo carinho

Não queremos impedir…

E quem quiser sair

Sairá do mesmo modo que entrou, à nossa revelia

Não podemos impedir…

Alda M S Santos

Pôr do Sol

PÔR DO SOL

Hora mais linda do dia, hora do sol se recolher no horizonte

Sereno, colorido e vibrante

Beleza poderosa, calmante, extasiante, reflexiva

Em meio à simplicidade e soberania da natureza

Só nos lembra do quanto somos pequenos e privilegiados

Perante tão grandiosa obra divina

Não importa como foi o dia, se sorrisos se abriram

Ou se lágrimas prevaleceram

Se foi de fé ou descrença, não importa

Sempre há esperança ao admirarmos o pôr do sol

É preciso saber se recolher, ceder a vez, adormecer

Para retornar em nova aurora, como novo presente recebido, nova energia

Independente se, encantados e sensibilizados, observamos ou não

Porque até mesmo para enxergar, apreciar e entender tal maravilha

Precisamos tê-lo aceso dentro de nós…

Alda M S Santos

Muros e flores

MUROS E FLORES

Muros, duros, íngremes, sem vida, arames farpados

Criam obstáculos, impõem limites, machucam

Separam, demarcam espaços

Flores, cores, leveza, beleza

Desconhecem limites, brotam em bons terrenos

Crescem, encantam, invadem, enfeitam

Formam uma cortina harmônica e perfumada

E até os muros ficam bonitos

Ainda que continuem muros

Mesmo ainda delimitando espaços…

Flor e amor são assim, transformam onde passam

Vencem pelo carinho, persistência, boa essência

Bem cuidados, têm o dom de tornar tudo belo e se eternizar…

Alda M S Santos

Pingos nos “is”

PINGOS NOS “IS”

Racionalizar tudo que nos acontece, esclarecer

Colocar todos os pingos nos “is” da nossa história

Começo, meio e fim, se possível com “felizes para sempre”

A conta precisa bater, um mais um precisa ser dois, noves fora

Ler tudo, interpretar, fazer uma releitura dos fatos

Das faltas cometidas, das bolas fora, dos gols

Dos amores, desamores, mágoas causadas e sofridas

Histórias interrompidas antes do fim, pendentes

Mal explicadas, não compreendidas, não aceitas

Essa é nossa tendência: matematizar tudo

Mas nem tudo é débito ou crédito, ônus ou bônus

Podemos estar bem no vermelho, mal no azul

E há belas histórias sem nexo, sem fim, perdidas no tempo

Valorosas, sofridas ou tristes, alegres ou saudosas

Como aquelas em que o livro termina

E a história continua dentro da gente

Criando, inventando, mudando cenários, imaginando, sonhando…

Nem todo ponto final sinaliza um fim

Talvez seja apenas uma nova página, um novo recomeço…

Alda M S Santos

Semeamos

SEMEAMOS

Todo o tempo semeamos

Por gosto, prazer, querer, vontade

À nossa revelia, sem saber, sem perceber também

Em terrenos férteis, agradecidos, receptivos

Até mesmo naqueles ressecados e ásperos pelas durezas da vida

Mas quando brota o que plantamos com e por amor

Nos terrenos que jogamos húmus e adubamos cuidadosamente

Notamos…

Conhecemos o perfume, as formas, as cores, os sinais

Ainda que a semente germine mais tarde

Nas lonjuras, distantes de nós, florescem lindas

Levadas pelo vento ou pelas águas doces da nostalgia

Ou pelos rios salgados das lágrimas

Notamos…

Ora sorrimos, ora choramos,

Sempre emocionante um novo desabrochar,

Mesmo que a gente não vá colher

Há sementes, como as da jabuticaba,

Que plantamos para o deleite de outros…

Longe ou perto de nós!

Alda M S Santos

Especial

ESPECIAL

Como sempre, hoje é uma data especial para mim, para você

O dia em que você nasceu e recebi, há 26 anos, oficialmente, a mais digna função de uma mulher: ser mãe

E a cada vez as reflexões são as mesmas: estou exercendo bem esse papel?

Ilusão de perfeição não tenho, nem para você, tampouco para mim

Passamos a você uma herança que não escolheu, nem nós, na maioria das vezes

Herança genética, DNA, exemplos, coisas boas e outras nem tanto

Educamos, ensinamos o amor, o respeito próprio, a Deus, ao outro, tentamos contribuir para o bom caráter que você se tornou

Fizemos o que demos conta, o que acreditávamos ser o melhor, dentro de nossas limitações

Mas acredito que você saberá ir eliminando as heranças negativas, conservando as boas,

Mas, principalmente, aprimorando com suas características, o que recebeu de nós.

De tudo quero três coisas de você, resumidas em uma, a razão de estarmos todos aqui:

QUE SAIBA SER FELIZ!

Para tanto, precisa sempre manter sua essência humana e boa, não feri-la, saber amar, perdoar, recomeçar…

Nunca achar que é finito, pronto, imutável, infalível, ser flexível, aceitar mudanças, sempre estará aprendendo, se construindo…

Lutar pelo que acredita, com respeito aos próprios limites e sem ferir o outro,

Pois, felicidade que fere nossa essência, que exclui Deus, e que se baseia na infelicidade alheia não é duradoura!

Mesmo sem perfeição, talvez exatamente pela imperfeição nossa de cada dia,

Você é uma das “minhas” melhores obras abertas

Amo você além do infinito, na atmosfera ou no vácuo…

E, ainda que me torne mais desnecessária a cada dia que passa, estarei sempre aqui…

Parabéns! Deus o abençoe, meu eterno principezinho, Pablo Vinícius!

Alda M S Santos

Descarrilhou?

DESCARRILHOU?

É fácil ser bom quando tudo parece perfeito

Quando o trem da vida segue nos trilhos

O céu está limpo, jardim florido, pássaros a cantar

Quando somos queridos e amados, quando notamos justiça a nossa volta

Os amigos nos abraçam, há borboletas no jardim e no estômago

A fé prevalece, Deus é Pai, somos agradecidos…

Porém…

Provamos realmente que somos bons e sábios

Se conseguirmos manter certa paz, serenidade e confiança

Quando a saúde física perturba, a emocional oscila

Quando o trabalho é muito cansativo, o chefe nos desvaloriza

Os filhos são rebeldes, com ou sem razão, os pais precisam de ajuda e não pedem ou reconhecem

Os amigos nos abandonam ou não podem estar por perto

O cônjuge nem sempre compreende nossas angústias

O céu escurece, o mundo cai, sem perfumes, sem sorrisos, sem beija-flores

Quando nos decepcionamos, perdemos algo que amamos, nosso time tropeça

Quando nos sentimos lesados e todos parecem se tornar nossos inimigos

Deus não nos ama mais, nos rebelamos, queremos consertar tudo à força…

Nessas horas é difícil ser bom, pacífico

Mas de que vale uma bondade apenas quando tudo parece bem

Se ela é mais necessária quando tudo vai mal?

Se o trem da vida descarrilhar, melhores peritos temos que nos tornar

Para os vagões não desgovernarem e atropelarem todos a nossa volta!

Alda M S Santos

Equalizando

EQUALIZANDO

Decepções são como os favores

Nem sempre recebemos ou retribuímos a quem nos “presenteou”

Recebemos favores de um ali

Devolvemos a outro mais na frente

Decepcionamos alguém aqui

Somos decepcionados por outro acolá

Essas são as voltas desse mundo tão cíclico

Ainda que possa parecer cruel

É seu jeito de ser leve e equalizar as coisas…

Alda M S Santos

Nossos afluentes

NOSSOS AFLUENTES

Tão pequeninos e frágeis nascemos, pequeno broto de vida

Tal qual uma pequena nascente, um olho d’água na serra

Carecemos de cuidados e proteção

Nós, de alimento, de abrigo, de calor, de amor

As nascentes, das matas ciliares, das raízes protetoras

Não fossem os cuidados que recebemos ao longo do caminho

Dos afluentes que avolumam nosso leito e fortalecem nossas esperanças

Do sol que nos aquece, alegra, ilumina

Da lua que nos encoraja nos medos da escuridão

Daqueles que confiam e se banham em nossas águas rasas ou profundas

Mesmo com certas represas que se arrebentam e despejam rejeitos sobre nós

Não teríamos forças para desviarmos das pedras, dos obstáculos mil

Pereceríamos muito cedo, antes da linha de chegada

Não chegaríamos ao mar, ao nosso destino…

Alda M S Santos

Reservas em mim

RESERVAS EM MIM

Reservo amor…

Para quando a dor calar minha voz

Reservo carinho…

Para alegrar e diminuir sofrimentos: meus e dos outros

Reservo amizade…

Para oferecê-la quando eu mais dela precisar

Reservo fé…

Para quando tudo parecer andar para trás

Reservo sorrisos…

Para outros despertar, para lágrimas secar

Reservo solidariedade…

Para quando não acreditar na bondade da humanidade

Reservo esperança…

Para quando precisar bordar as linhas tortas entre um caminho e outro

Reservo energia…

Como uma árvore frondosa cheia de seiva e vida nos períodos secos

Faço reservas…

Para serem úteis num tempo de carestia

E percebo que quanto mais utilizo:

Amor, carinho, amizade, fé, sorriso, solidariedade, esperança

Mais eles aumentam em mim

Utilizando, multiplico, acumulo

Multiplicando, a reserva acontece naturalmente …

Alda M S Santos

Colecionadores

COLECIONADORES

Somos grandes colecionadores nessa empreitada chamada vida

E de tudo pode-se colecionar…

Há os colecionadores já conhecidos de selos, moedas, figurinhas, sapinhos e elefantes…

Outros colecionam orquídeas, livros, poemas, músicas, álbuns diversos

Carros, jogos, dinheiro, imóveis…

Cada coleção diz muito do colecionador

Há quem colecione sorrisos, alegrias, amizades, quem as cultive

Há colecionadores de namoros, casamentos, relacionamentos de “amor”

Há quem colecione sonhos, conquistas, verdades, falácias, mágoas, perdas, decepções, sofridas e causadas

Há os que colecionam inimigos ou admiradores, bombas de egos murchos ou lustradores de inflados

Há quem colecione “sins” e há quem colecione “nãos”

Há quem colecione o simples, o fácil, o prazeroso, o disponível e encantável

Há quem colecione a eterna busca pelo proibido e inalcançável, doa a quem doer

Há quem colecione vitórias, derrotas, lágrimas, erros, aprendizados, arrependimentos

Há quem se perca em meio a tantas coleções vazias, ocas e infrutíferas

Buscar no silêncio das intenções os motivos de cada “coleção”

Investigar no fundo desse “baú” quais carências tais coleções visam suprir

Pode ser um modo sábio de melhorar, valorizar e diversificar nossas “coleções”

Gerando autoconhecimento, minimizando as falhas que todos temos, enriquecendo nossas vidas e dos que nos cercam…

Que temos colecionado? O que de importante e valioso temos de verdadeiramente nosso?

Alda M S Santos

Delicadezas

DELICADEZAS

Há coisas tão delicadas que fazem sorrir, que fazem chorar

Um pezinho tão fofo, tão pequenino, cheio de caminhos por vir, nos faz sorrir…

Um rosto idoso, vincado pelas rugas, mãos manchadas, cheias de vida, caminhos trilhados, nos faz chorar…

Um botão de rosa, molhado de orvalho, lado a lado com uma rosa aberta, outra seca, nos faz sorrir…

O sol que desce na serra lentamente, entardecendo, “morrendo” aos poucos, até nova aurora, nos faz chorar…

As estrelas que salpicam num manto negro de pura beleza, tão inacessíveis, tão mágicas, tão eternas, nos fazem sorrir…

Um sorriso que brilha nos olhos bondosos, maliciosos, que perfuma e ilumina tudo em volta, traz vida, produz saudade

Sei lá, faz sorrir, faz chorar…

Delicadezas fazem a vida valer não só a pena, mas o tinteiro todo…

Alda M S Santos

Reações em cadeia

REAÇÕES EM CADEIA

Uma lagoa tranquila, águas praticamente paradas

Uma pedrinha que se joga e várias ondas se formam em cadeia

Até o lago voltar novamente ao repouso do início

Muitos movimentos são despertados e se propagam

Todos os nossos movimentos nessa vida provocam “ondas”

Quer sejam ações físicas ou emocionais,

Ondas se formam… nos outros, dentro de nós mesmos…

Mau humor, rispidez, desânimo geram reação em cadeia, causa e efeito

A boa notícia é que um sorriso, uma gargalhada, um abraço

Um beijo, um gesto qualquer de bondade e carinho, de confiança, repercute também em muitas ondas

Somos nós que escolhemos qual lago movimentar

Quais ondas provocar, quais ondas interromper…

Somos responsáveis pela “pedra” que jogamos, pelas ondas que despertamos…

Se somos a causa, respondemos pelos efeitos: bons ou ruins!

Alda M S Santos

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