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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Será que sou daqui?

SERÁ QUE SOU DAQUI?
Tantas vezes olho para cima
Um céu noturno, salpicado de estrelas
Uma lua de tantas fases e faces
Nuvens pesadas separando os mundos
Ou um lindo sol a uni-los
Um infinito de possibilidades
Uma via láctea ali estampada e convidativa
E sinto que não pertenço a esse mundo
Um mundo tantas vezes cruel e injusto
Desigual e repleto de males do corpo e da alma
Sinto que não sou daqui
Que há uma força a me atrair
Será que de lá eles olham para cá
E têm a mesma impressão?
Será que cada estrela não é um ente querido que se foi
Como falamos para as crianças?
Será que há uma porção minha do lado de lá
Que quer me levar embora daqui?
Ou sou eu que carrego comigo uma porção delas
E esteja querendo atraí-las para cá?
Será que temos algo a trocar, a compartilhar?
Sei que esse mundo é muito maior que isso aqui
E há muito a aprender, a ensinar
A pedir, a oferecer…
Quero voar, subir, encontrar com outros seres
Iguais ou não, encontrar com Ele
Correr sobre as águas, sentar num banco de nuvens
Bater um papo longo, receber um puxão de orelhas, talvez um colinho
Quem sabe assim a gente se complete
E construa um mundo mais justo
Lá e cá?
Sinto que não sou daqui
Mas enquanto estiver aqui tentarei fazer o melhor…
Alda M S Santos

O que realmente importa?

O QUE REALMENTE IMPORTA?

Tantas as pontes, tantas as travessias 
Tantos ganhos e perdas nessas trilhas 
O que realmente importa, que traz alegrias? 
Será quanto vale ter uma casa onde morar 
Vale tanto quanto ser para todos um abençoado lar? 

Será que vale muito ter carro novo, um meio de transporte 
Ou vale mais seguir sem perder nosso norte? 
Será qual o valor de ter um emprego cobiçado 
Seria melhor fazer algo prazeroso, ainda que mal remunerado? 

Qual a importância de se sentir belo e inteligente 
Se isso nada de bom trouxer para a vida do outro, da gente? 
Qual o valor de ter saúde e muitos dons, ser habilidoso
Se não souber aproveitar e fazer disso um uso duvidoso 

Vale muito ter muitas coisas, várias conquistas, bom coração 
Mas nada se compara ao prazer de partilhar essa emoção 
É bom ter muitos amigos, vários alguéns, ser admirado, admirar 
Mas nada vale mais que ter alguém real para amar

O que realmente importa por aqui? 
Vale lembrar que nada levamos para a eterna morada 
Importa mesmo é o que de marcante em cada alma for deixada 
No mais é perda de tempo, é jogar fora uma vida que nos foi dada

Alda M S Santos 

Quando a vida escurecer

QUANDO A VIDA ESCURECER

Quando parecer não haver mais caminho
O mato tomar conta das trilhas, sentir-se sozinho
Quando o Sol lá fora não nascer, o interno esfriar
Urge fazer brotar a esperança, o mundo não pode acabar

Quando as lágrimas ocuparem todo o espaço
Embaçando o olhar, nublando, na alma um inchaço
É preciso se abrir para o sorriso que se apresentar
Nosso rosto pode ser para ele um bom lugar

Quando a chuva for o que o dia oferecer
E buscarmos proteção, fugir, correr
Bom seria uma nova avaliação dessa situação
Talvez dançar nela seja o que precisa o coração

Quando parecer que a dor tomou conta
Tudo que acontece parece ser à vida uma afronta
Necessário é rebater e fazer eco ao amor
Um fiozinho dele só, pode alastrar em nosso interior

Quando a vida se fizer noite, escurecer
O desejo for de desistir ou se recolher
Que possamos nos cobrir com um grande manto
Um edredom de Lua e estrelas para acalmar nosso pranto

Alda M S Santos

Desatinos

DESATINOS

De quantos desatinos se faz uma loucura?
De quantas loucuras se faz uma alegria?
De quantas alegrias uma vida precisa para ser feliz?

De quanta felicidade se faz uma história
De quantas histórias se faz uma memória
De quantas memórias uma vida precisa para renascer?

De quantas vidas se faz essa viagem
Em quantas viagens embarcamos nessas paragens
Dá para viver vendo o mundo se desfazer em bobagens?

De quantos desatinos precisamos para não enlouquecer
A quantos nãos conseguimos sobreviver
Dá para viver sem o amor fazer acontecer?

Alda M S Santos

Pedaços de mim

PEDAÇOS DE MIM

Quantas vezes eu me quebrei toda por aqui
Sobre mil pedaços de mim, chorei, não havia mais conserto 
Quantas vezes eu me despetalei toda nesse jardim
E, juntando cada pétala, em harmonia, fiz um concerto?

Quantas vezes quis negar as lágrimas, ignorar
Mas foi com elas que pude os cacos colar
Quantas vezes me cortei com pedaços pontiagudos
Me recolhi, silenciei, sarei, em gritos agudos?

Quantas vezes quis me mudar para um canto escuro
Onde ninguém pudesse ver meu pranto obscuro
Quantas vezes quis pedir para esse mundo parar
Estava cansada, não queria mais brincar…

Tantas vezes sem conta eu me colei, fiz reparos
Até mesmo em peças de cristal, saiu bem caro
As marcas ficaram, as linhas de suturas 
Hoje me olho no espelho, estou mais segura?

Sou um alguém que perdeu partes nessa viagem
Os pedaços de mim fazem parte dessa bagagem
Meu eu tem cicatrizes, são valiosas, são minhas
Grudei com quem me amparou, não andei sozinha

Alda M S Santos

Que eu perca

QUE EU PERCA

Que eu perca a força
Mas que encontre braços que me amparem
Que eu perca a sanidade
Mas que faça loucuras com um alguém
Que eu perca a alegria algumas vezes
Mas encontre felicidade em outras tantas
Que eu perca a voz, a palavra
Mas encontre o tom nos versos, na poesia
Que eu perca o sono
Mas nunca o desejo de acordar
Que eu perca o norte
Mas que encontre pouso, repouso
Que eu perca um alguém
Mas aproveite para me encontrar também
Que eu perca a percepção, o tino
Mas que não viva sempre em desatino
Que eu perca a coragem
Mas não o desejo de vencer os medos
Que eu perca um amor
Mas nunca o desejo de amar
Que eu perca a tranquilidade
Mas que encontre a paz nas pequenas coisas
Que eu perca o brilho
Mas nunca a luz que trago comigo
Que eu perca a esperança por vezes
Mas que a fé permaneça ilesa
Que eu perca muitas folhas
Mas que fortaleça minhas raízes
Que eu perca o sorriso
Mas encontre um ombro que acolha minhas lágrimas
Que eu perca qualquer coisa por aqui
Mas que mantenha meu propósito de seguir
Que eu saiba que não dá para perder
O amor a Deus e minha capacidade de sempre recomeçar
Acreditando que a vida é maior que isso tudo aqui
Vai muito, muito além…

Alda M S Santos

Fonte da juventude

FONTE DA JUVENTUDE

A fonte da juventude é feita de muitos artifícios
Várias loções, pocões, unguentos e invenções
São apresentados com a promessa de ganhar uns anos de juventude
Ou até mesmo retardar a inevitável velhice
Daí fica aquela questão: como se fica velho?
Dá para amenizar, interromper o processo
Ou até mesmo recuperar danos já causados?
Restaurar uma pele que já não tem tanto viço
Um cabelo que talvez não tenha tanto brilho
A tonicidade e força da derme …é possível?
A ciência pode ter vários recursos, acredito
Mas ainda penso que o melhor remédio para manter a juventude
É uma alma feliz, amorosa e verdadeira
Esse brilho nenhuma poção mágica
Ou argila dourada, rosa ou roxa
Teráo o poder de criar ou restaurar
A juventude da alma tem reflexos poderosos no corpo
E essa só a paz de espírito é capaz de proporcionar…

Alda M S Santos

Não tem idade

NÃO TEM IDADE

Há coisas que se deterioram com o tempo
Outras que melhoram com o passar dele
Há também aquelas que são atemporais
Passe o tempo que passar mantêm-se naturais
A saúde costuma fragilizar-se com a idade
O amor verdadeiro se fortalece com o decorrer do tempo
A poesia é atemporal… sempre será bela e natural
Será que podemos compartilhar essa realidade
Com poetas e poetisas de verdade
Deixar que cada um que registra em versos essa magia
Possa também se eternizar em alegria
Sendo atemporais como a poesia?
Só um pequeno pedido
De uma poetisa ao mundo mágico da fantasia…

Alda M S Santos

Ser como antes…

SER COMO ANTES…

Às vezes queremos ser como éramos antes
Tempos idos, talvez como infantes
Mas não dá para voltar lá atrás
O rio segue para o mar, não corre para trás

Quando dói, fere, nos desconhecemos
Nem sempre é fácil que nos acostumemos
Vem a necessidade de apagar tudo
Retroceder a algo conhecido nesse mundo

Imaginar que tudo era menos complicado
É um modo de não nos ter como aliados
O hoje é o que é, somos o que somos
Seguimos a vida com aquilo que nos tornamos

A cada dor ou obstáculo superado
Somos novos seres, mais adaptados
Se não é possível voltar aos tempos de outrora
Urge aprender a lidar com quem somos agora

Alda M S Santos

A vida pede coragem

A VIDA PEDE CORAGEM

A vida pede coragem para seguir
Coragem para não desistir, não se ferir
Coragem para num momento lutar
Coragem para saber a hora de parar

Coragem também pede tréguas
Não adianta avancar léguas e léguas
É uma boa estratégia fazer uma parada
Reavaliar rotas, analisar jogada

A vida pede coragem para enfrentar os medos
Não vale ignorar, fazer deles segredos
Na hora certa ele não parecerá tão temível
Medo enfrentado deixa se ser tão terrível

A vida exige coragem para pedir ajuda
Especialmente nos momentos de dor aguda
Não é vergonha aceitar a mão estendida
Sabedoria de quem passou por muitas na vida

Alda M S Santos

Tenho controle?

TENHO CONTROLE?

Quando ter tudo sob controle vira necessidade
Que nos acompanha sem qualquer piedade
Descobrimos que isso nem sempre faz bem
É verdade, controle de tudo nunca a gente tem

Não controlo o que o outro sente
Tampouco o que ele faz ou me dá
Mas posso de certo modo controlar
O que ao mundo vou permitir ou ofertar

Se não quero sofrer com a decepção
Devo controlar as expectativas, a emoção
Essas são minhas, nelas posso trabalhar
E em meus cantinhos secretos adaptar

Descobri que se lutar com meus pensamentos
Contra sonhos e vontades traz sofrimento
Sei que é um modo de crescer e evoluir
Só mexendo neles para poder melhor seguir

Alda M S Santos

Para sempre não existe!

PARA SEMPRE NÃO EXISTE!

Não é uma afirmação pessimista
Ou de alguém que desistiu de ser otimista
É apenas uma visão de mundo mais realista
O que temos de real na vida, faça sua lista!

Há família, saúde, trabalho, amor, felicidade?
Isso tem cara de para sempre, de eternidade…
Até quando pode durar ou ser de nós subtraído
Nos relegando a um mundo triste, dolorido?

Como determinar um para sempre, afinal?
Enquanto houver vida, atividade, algum sinal
Ou vai além disso aqui, é atemporal?

Já fico feliz se puder me ater ao hoje, ao agora
O meu para sempre é toda e qualquer hora
E é melhor aproveitar, antes de ir embora

Alda M S Santos

Um basta!

UM BASTA!

Devemos poder dar um basta
Naquilo que nos arrelia, nos desgasta
Parar de pousar onde não há segurança
Apagar toda falsa e inútil esperança

Sabemos bem o que nos faz mal
Que causa em nossa natureza um vendaval
O que é certo ou errado está bem delimitado
Para que fingir que tudo está adequado?

Ouvir-nos, prestar bastante  atenção
No que diz nossa mais interna emoção
A consciência diz o que gera culpa, frustração
E aponta o modo de controlar toda situação

Alertar para o que ficou registrado como lição
Entender qual caminho é pura ilusão
Que só serve para fazer sofrer o coração
Saber dar um basta é nossa maior missão

Alda M S Santos

Até a vida anoitecer

ATÉ A VIDA ANOITECER…
Há quem nos sugue
O vigor, a energia, a força
Há quem nos abasteça
De coragem, esperança e fé
Há quem nos dê, há quem nos tire
Há quem nos leve de nós mesmos
Há quem nos ajude a nos encontrar
Há quem fique, há quem se vá
Mas o que quer que façam conosco
Só o fazem com nosso aval
Assim dizem os sábios mais evoluídos
Que se mantêm intactos dentro de si mesmos
Meros mortais seguem a sugar e a abastecer
A serem sugados e abastecidos
Até a vida anoitecer…
Alda M S Santos

Só isso!

SÓ ISSO!

Chega um ponto da vida que só queremos ser a gente mesmo
Não queremos dar murro em ponta de faca a esmo
Claro que queremos ser amados e aceitos
Mas já não vale qualquer coisa por esse preceito

Queremos sim, ser valorizados pelo que somos
Mas principalmente ser respeitados pelo que não somos
É primordial a autoaceitação e o autorrespeito
Por que demora tanto para alcançarmos esse feito?

Queremos ir ou ficar só onde faz bem
Não precisar disfarçar o que se sente também
Estar em paz com a própria consciência, ser alguém

É bom ver no olhar do outro a admiração
O carinho, o cuidado traz boa sensação
E aquela real companhia que afasta a solidão

Alda M S Santos

Permita-me!

PERMITA-ME!

Não quero suas roupas, elas não me servem
Ora vão apertar, incomodar, machucar
Ora vão ficar grandes demais, desconfortáveis
Vez ou outra, se me aprouver, posso até tentar
E com sabedoria usar o que puder me ajudar
Mas, deixe que eu faça minhas escolhas, por favor!
Você pode, por amor ou amizade, me acolher
Mas não é legal impor seu modo de ser, ou como tenho que fazer
Você veste o que já testou e ajustou para si
Eu preciso descobrir o que cabe em mim
Meu corpo é outro, minhas emoções idem
Nosso modo de viver e nossos tempos não coincidem
Para meu crescimento eu preciso fazer no meu tempo
Aquilo que acredito e posso lidar sem muito sofrimento
Cabe ao amor e à amizade estar perto
Estar junto, acolher, abraçar, isso é certo
Caminhar lado a lado exige fé no outro, em si mesmo
E, acima de tudo, respeito e confiança
A base de toda relação que traz alegria é esperança
Deixemos cada qual ser o que é…

Alda M S Santos

A vontade

A VONTADE

Mola propulsora dos conquistadores
Força soberana dos desbravadores
Ela acende o brilho no olhar dos amantes
É a vontade, ela que nos faz seguir adiante

É a centelha de quem sabe se doar
O combustível de quem quer se encontrar
É a vontade que não nos permite estacionar
Ela nos leva a buscar um novo e bom lugar

Nem precisa ir tão longe, tão distante
Descobrimos que o que é mais instigante
É despertarmos em nós esse viver apaixonante

Quando eu me permito, me disponibilizo
Abro a mente, o coração, internalizo, socializo,
A vontade surge, cresço, sigo e me harmonizo

Alda M S Santos

Vou te levar

VOU TE LEVAR

Ah, que vontade saudável de te levar
Para um espaço qualquer, quero brincar
Aquele mundo que pede a imaginação
Um certo ousar do desejo, da emoção

Vou te levar, não posso te deixar
Porque não será bom se você ficar
Você é minha companhia constante
Só juntos poderemos ser o bastante

Te imagino comigo nas nuvens
Voando em alto astral, no espaço sideral
Num (re)encontro desejado, sensacional

Quando penso em você comigo
Sinto-me em paz, sou abrigo
Levo você, meu coração, meu maluco amigo

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: Vou te Levar

Pessoas

PESSOAS

Gosto de pessoas que sabem ser pessoas
Independente da situação, nos transmitem coisas boas
Pessoas que são a luzinha quando tá escuro
Ou uma ponte convidativa quando só se vê muro

Gosto de pessoas que são o sorriso, a alegria
A palavra firme e doce, a sintonia
O abraço que te acalma, te aquece
O colo que ameniza a dor, coração em prece

Gosto de pessoas que são sombra, árvore frondosa
Ou como cachoeiras, energizante, água gostosa
Gosto de quem sabe ser mar, frescor no verão
E calor no inverno, lareira para o coração

Gosto de pessoas que não ficam ausentes
Não importa como, sempre se fazem presentes
São aquelas que lembramos quando tudo está bem
Ou quando tudo dói, é o alguém que na mente  vem

Gosto de pessoas assim…

Alda M S Santos

Jogue fora!

JOGUE FORA!

Malas desnecessárias pesando nossas costas
Deixando nossas fragilidades expostas
Tão bom seria conseguir jogar tudo fora
Aquilo que faz mal e não nos deixa ir embora

Jogue fora aquilo que até parece normal
Mas causa dor, não é natural
Felicidade forçada não é real
Bom mesmo o que é bênção, é luz, afinal

O que vale a pena não machuca
É leve, faz sorrir, não te deixa maluca
A vida exige de nós muita coragem
Se é fardo doloroso, largue essa bagagem

Em nossa organização emocional
Vale separar o que eleva nosso astral
Importar só o amor, sem efeito colateral
Que faz de nosso viver alegria atemporal

Alda M S Santos

Na linha do tempo

NA LINHA DO TEMPO

Uma vida marcada na linha do tempo
Sobe, desce, segue, aparentes contratempos
Grandes espaços de retas continuadas
Será nos momentos em que pareci apagada
Como as linhas marcadas num eletrocardiograma
Aqueles intervalos em que o coração se questiona
Quando se sentiu no chão, jogado na lona
Se valeria a pena prosseguir ou parar nessa estação
Ou continuar batendo mesmo na contramão..
Se cada subida, descida ou parada fosse assinalada
Quantas seriam com carinha de tristeza, sorriso, lágrima, decepção
Raiva, angústia, mágoa ou frustração
Quantas haveria parceria, quase uma linha pulsando sobreposta
Ou solidão e abandono, a dor exposta
Ando avaliando minha linha, as marcas nesse lugar
Será que algo avisa quando vai parar?
Sei lá… Melhor continuar agindo, pulsando
Tentando descobrir o que continua melhor registrando
Buscar mais linhas entrecruzadas, abençoadas
Dar as mãos e ir tentando descobrir o que pontua boa emoção
E nessa grande história deixar registrado um grande coração…
Alda M S Santos

Devolva-me!

DEVOLVA-ME!

Não conseguir identificar humanidade 
Tira-me a paz, a luz, a alegria
Não notar no amor a reciprocidade
Tira-me o doce viver, a fantasia

Não perceber onde se quer atos de bondade
Tira-me a esperança, o brilho, a utilidade
Não ver futuro, nao ter boa perspectiva
Tira-me o desejo, a vontade, a iniciativa

Um mundo que nada doa, apenas tira
Onde a gente se vira e revira
Tentando não enlouquecer, quase pira
Exige coragem para afastar toda mentira

Não quero aquilo que tire minha magia
Ou meu viver na simplicidade, com alegria
Devolva-me o o que ilumina minha alma
E traga um sorriso e um pouco de calma

Alda M S Santos

Rugas?

RUGAS?

Eu costumava dizer na escola:
Melhor enrugar o papel contact que o rosto
Sabemos que as rugas são inevitáveis
Isso está claro, bem posto
Mas podemos torná-las mais adiáveis
E não há qualquer mágica ou remédio milagroso
O segredo vem de pequenos cuidados
Que não devem ser esquecidos ou adiados
Nada contra um bom hidratante
Tem papel no colágeno, é revigorante
Mas há um hidratante mais que especial
Que não permite rugas na alma
Fugir das rusgas, ter bom astral
Ser e ter amigos, sorrir é a receita
Para uma vida menos imperfeita
Rir dos próprios atropelos e apelos
Não se cobrar tanto, não querer ser perfeita
Manter distância do que não agrega
Que é mala pesada, sobrecarrega
E se há um segredo especial além da boa genética
É ser boa gente para si e para os outros, ser ética
E não há melhor colágeno que o amor
Desse use e abuse, por favor!

Alda M S Santos

Dê voz!

DÊ VOZ

Dê voz ao que no momento te sufoca
Verbalize, coloque para fora, tire essa broca
Que fere fundo, não cicatriza, machuca
E aos poucos te faz se sentir maluca

Ouça o que grita seu coração
Seja boa ouvinte, estenda a mão
Como faz para tanta gente
Seja para si mesma um presente

Aquilo que fica preso pode deteriorar
Necessário é processar, compartilhar
Não com qualquer um, com quem possa ajudar

O falar ajuda na compreensão de toda questão
A organização interna pede essa comunhão
Somos seres que evoluímos com interação

Alda M S Santos

Minha lista

MINHA LISTA

Quero fazer para mim uma lista
De tudo que é bênção ou conquista
Será meu apoio no desamparo
Para os momentos de dor eu me preparo

A vida é a bênção primeira em cada amanhecer
Acordar, falar, ouvir, tocar, sentir é luz nesse viver
A saúde é um bem de valor inestimável
Física ou mental ela é valiosa, é impagável

O saber, o conhecimento, os dons, a profissão
A fé que se professa, não importa a religião
Um lar, um abrigo, a morada de um coração
Amigos, família, amor, companheiros nessa missão

Não é preciso muito nessa viagem
Mas se observarmos a nossa bagagem
Há coisas tão preciosas, raridades
Que basta sabê-las nossas para ter felicidade

Uma olhada especial naquilo que temos
Nos mostra que dá pra dividir, bem sabemos
Seja algo material, concreto ou bens emocionais
Podemos ser e fazer felizes, sendo menos individuais

Minha lista tem infinitas coisas boas
Superam as ruins, sei que não fiquei a toa
Se me foram permitidas, sou abençoada
Vou partilhar sempre e seguir minha jornada

Você já fez sua lista?

Alda M S Santos

Só mais um pouquinho

SÓ MAIS UM POUQUINHO…

Quero poder pedir um pouco mais
Daquele prato preferido quentinho
Do café passado na hora, fresquinho
De um sorvete de milho verde, geladinho
Só mais um pouquinho…

Quero pedir um pouco mais
De chuva lá fora na minha janela
Eu protegida aqui dentro, livre, sem cancela
De um filme bom, de amor, passando na tela
Só mais um pouquinho…

Quero pedir um pouco mais
Da Lua no céu iluminando a escuridão
Dizendo para aqui embaixo seguir o coração
De um rio caudaloso para banho de imersão
Só um pouquinho mais…

Quero pedir um pouco mais
Daquele olhar terno e beijo de carinho
Do desejo que me mantém perto, bem juntinho
Do amor que se demora, aquece devagarinho
Só mais um pouquinho…

Quero pedir um pouco mais
Da mágica da vida que me consola
De um coelho saindo da minha cartola
De algo que diga que não é hora de ir embora
Só mais um pouquinho…

Alda M S Santos

Lágrimas que rolam

LÁGRIMAS QUE ROLAM

Lágrimas que rolam, puro sentimento
Dor, alegria ou contentamento?
Sinal da mais profunda emoção
Liberá-las vez ou outra é libertação

Sorrisos são mais democráticos, mais partilháveis
Lágrimas são mais seletivas, inconfessáveis
Não é qualquer um que “merece” essa nossa expressão
É fragilidade humana, de um sofrido coração

Aqueles com os quais dividimos sorrisos são amigos naturais
Mas as lágrimas unem almas afins, especiais
Duas pessoas que se entendem na dor
tornam-se fundamentais

Lágrimas ou sorrisos são vivências com intensidade
Bom mesmo é se são expressão de nossa verdade
Na vida é bom nada aprisionar em busca de felicidade

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: LÁGRIMAS

Quando os olhos não veem

QUANDO OS OLHOS NAO VEEM

Quando os olhos estão cegos, tapados
Nada os fazem brilhar, serem despertados
Acordar é doloroso, são mantidos cerrados
Urge buscar algo diferente, que seja aliado

Quando os olhos do corpo não percebem
Aquilo que está ao lado, se esquecem
Necessário ativar lá no fundo a memória
Lá está a razão de tudo isso, dessa história

Quando os olhos não veem o bom por perto
Talvez o modo de olhar não seja o mais certo
Bom mudar o foco, novo observar
Deus está bem aí, em todo lugar

Quando os olhos não veem
Nada de novo ou belo
É chegada a hora de mudar
Não de lugar, mas de olhar

Alda M S Santos

Céu e inferno

CÉU E INFERNO
Ansiamos pelo céu, tememos o inferno
Mas ambos estão muito pertinho de nós
Na verdade, ambos estão dentro de nós, ou nós dentro deles
Estamos no paraíso quando experimentamos boas sensações
Amor correspondido, amizade sincera, família unida
Corpo e mente saudáveis, paz conosco mesmos
Tudo lá fora torna-se lindo, colorido, brilhante, mesmo com raios e trovões, gelo ou nuvens pesadas…
Isso é paraíso.
Experimentamos o inferno quando não temos sintonia conosco, com os outros
Quando faltam empatia, amor, amizade, sossego
Quando sobram culpas, autoflagelos, dores, males físicos e mentais
Autopiedade, desconfianças, desamor, escuridão
Lá fora pode ser um espetáculo maravilhoso, sol quente, amor, natureza viva
E nós de olhos cerrados nos sentindo destruídos …
Isso é inferno.
O céu e o inferno, se fossem um lugar específico
Se tivessem que ser localizados num mapa
Seriam dentro de nossa própria mente, de nossa consciência
No mais íntimo de nossa alma
E depende de nós entrar ou sair de cada um deles
Fazer malas, mudar, deixar pra trás o que fere, ainda que com sofrimento
Mudanças sempre são dolorosas
E não precisamos morrer para isso…
Alda M S Santos

Miopia

MIOPIA

Nosso mundo anda sofrendo de miopia
Tudo tão nebuloso, deturpado, desarmonia
Dificuldade de enxergar ao longe, à distância
Também de perto, falta paciência, tolerância

Tanta gente que não se demora num olhar
Fica perdido, sem rumo, sem lugar
Quero poder apurar minha visão
Poder ver melhor com o coração

Sou míope, mas uso correção visual
Além disso, ativo o olhar emocional
Esse faz enxergar bem o que está mal
E buscar na empatia a correção ideal

Precisamos sintonizar melhor nossos sentidos
Apurar o que seria o chamado sexto sentido
A intuição pode ser nossa grande aliada
Para a humanidade que se sente desamparada

Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

Morada da saudade

MORADA DA SAUDADE

Onde não há vícios do olhar
Quando não estamos anestesiados pela mesmice
Onde nosso olhar se fixa, se demora
Onde nossa vista repousa, encanta, chora
É morada da alma, não queremos ir embora

Onde o coração pulsa em ritmo bom, saudável
O sorriso se abre fácil, nada é imutável
Mas tudo que chega é por amor, boa tradição
Aquilo que fica, não por estar numa prisão
Mas há liberdade de ser e estar, ir e voltar
O prazer de se chegar é na vida melhor emoção

Onde a saudade entra, senta e toma um café
Quando tudo que se fala, ouve ou se quer
É descansar corpo, alma, partilhar sonhos, fé
Onde nos sentimos bem quando nus
A exposição é boa, não causa nenhum mal
É onde reabastecemos nossa energia vital…

Nesse lugar a saudade mora e quer sempre estar…

Alda M S Santos

Eu pago!

EU PAGO!

Saudade chega sem avisar
Não se importa se vai alegrar
Ou se naquele momento vai machucar
Fica enquanto quer, faz lágrima rolar
Ocupa o vazio que deixaram as lembranças
Do amor que sempre foi motor da esperança

Saudade é quando o que é palpável se vai
Deixando em seu lugar apenas o (in)maginável
E a imaginação por vezes é boa companheira
Em outras tantas atiça uma dor traiçoeira
Faz-nos viajar dentro e fora de nós
Apertando laços, refazendo o amor, desfazendo os nós

Saudade não tem idade, não tem maldade
Só marca o peito de quem viveu com intensidade
Um sentimento tão confuso, dicotômico, controverso
De um viver rico, ímpar, encantador, desejável, diverso
Se a saudade é o preço a pagar por uma vida de verdade
Pago satisfeita, cada marca que foi felicidade

Alda M S Santos

Que eu não perca!

QUE EU NÃO PERCA!

Tantas coisas perdidas por aqui e ali
Sem rumo, sem prumo, sem saber aonde ir
Dá vontade de chutar o balde ou rodar a baiana
Mas é bobagem, nada disso nos engana
Se a perda é inevitável, podemos escolher
Ainda que seja o que não perder!

Que eu perca dinheiro, amigos, o ônibus, o juízo
A sombrinha, a carteira, os óculos, o sorriso
Que eu perca a inspiração, a paz, a energia
Mas que mantenha a magia que contagia
E a vontade de trabalhar, de sonhar, recomeçar
E fazer lá dentro meu mundo interior girar

Que eu perca a voz, o canto, o pranto
Mas mantenha em mim um certo encanto
Que eu perca um amor, a ilusão, a vaidade
A saúde, a sanidade ou a melhor idade
Contanto que não me perca de mim mesma
Mantenha aceso o desejo de virar a mesa

Que eu perca roupa, calçado, fé na humanidade
Que está perdida, iludida, envolta em maldade
Mas que eu não perca a capacidade de amar
Aquela vozinha lá dentro sempre a cutucar
Vai mais uma vez, você consegue, vá lutar!
Que eu não perca meu modo de humanizar!

Alda M S Santos

Um gênio amigo

UM GÊNIO AMIGO

Caminhando nas areias quentes de meus desertos internos
Sob o sol escaldante desse viver quase nada fraterno
Busco um oásis, uma calma, um refrigério
Algo que mate a sede sem causar um revertério

Distraída, piso na lâmpada de Aladim
Eba, vou fazer três pedidos, sim
Será que é verdade, podem fazer do desejo realidade
Ou isso é alucinação de uma mente, insanidade?

Pelo sim, pelo não, penso bem, com cuidado
Não quero deixar nada importante de lado
Será que três é um número adequado
Atenderão meus desejos, será tudo realizado?

A tríade saúde, paz e amor deve estar batida
Mas de que mais precisaria nessa vida
O gênio me olha com cara cansada e abatida
Será que ele também tá cansado dessa lida?

Parece dizer: sei o que se passa contigo
Eu estou aí, sou seu melhor amigo
Se você parar para me escutar atentamente
Tudo conseguirá realizar alegremente …

Que tem dito seu gênio amigo?

Alda M S Santos

Comprei passagem!

COMPREI PASSAGEM!

A coisa por aqui não anda muito legal
Quero comprar passagem, qualquer lugar no espaço sideral
Será que há algum canto que aceite morador da Terra
Que esteja cansado, querendo recomeçar, sem guerra?

Talvez um astro, uma estrela, um outro planeta
A Lua de São Jorge, os anéis de Saturno, só o coração na maleta
Talvez Júpiter em sua grandeza aceite, basta de mutreta
Sei lá, só me deixar ir sem precisar de apoio ou muleta

Será que vão exigir uma passagem carimbada
Que garanta que sou do bem, imune, abençoada
Quero um espaço em que possa crescer e deixar crescer
Seja planta, bicho, gente, que o amor possa vencer

Será que além do arco-íris há esse espaço
Depois da tempestade, um alguém, um abraço
Onde possa levar quem amo para manter os laços
Vejo o disco voador, vou até ele, chega de ser palhaço

Alda M S Santos

Pense…cultive!

PENSE…CULTIVE!

Qual o seu pensamento mais persistente
Aquele que nasce com o Sol quente
Que te anima, alegra, na noite é envolvente
E é seu doce pedido para a estrela cadente?

Qual pensamento te move, te conduz
Te faz seguir em frente, ser luz
Acreditar que o mundo é mais belo, te seduz
Sabedor que em tudo há companhia de Jesus?

Pensamento que merece ser bem acalentado
É o que insiste, persiste, não fica de lado
No fundo da alma deve ser de luz alimentado
Pois no dia a dia torna-se real se cultivado

Tudo de bom em nós começa no pensamento
É ele que bota para fora todo sentimento
Faz valer a pena os bons momentos
Sempre bom cultivar o que não traz tormento

Alda M S Santos

Tatuado na alma

TATUADO NA ALMA

Chegávamos na maior alegria na casa dela
Que já nos aguardava esperando na janela
Cercada de plantas e de flores amarelas
Vovô e vovó são lembranças singelas

Um longo quintal que levava ao ribeirão
Galinha caipira e verduras com feijão
No fogão à lenha o tempero era o amor
E um doce sorriso espantava o torpor

Aromas de infância, cheiro de vó
Na”venda”, pinga, fumo de rolo e alho cipó
Impregnados na alma são doces lembranças
Tatuadas na pele, eternas andanças

Tios, primos e primas eram nossa alegria
Brincadeiras mil de noite e de dia
A criatividade era tanta, não carecia dinheiro
A rua era nossa extensão, nosso terreiro

Para estar bem bastava amor e simplicidade
Ali a riqueza era nossa união, nossa verdade
Pela ótica da infância não havia falta, carência
A família em paz suplantava toda querência

Alda M S Santos
Sarau HISTÓRIAS DA INFÂNCIA

A criança

A CRIANÇA

Gosto muito da criança que mora em mim
Ela me leva a passear em meus jardins
Posso gangorrar todo dia em seu balanço
E mesmo na tristeza com ela canto e danço

A menina que me faz ignorar as rugas
Os dias e  anos passados, as rusgas
Cair, levantar, sorrir, chorar, perdoar
Com joelho ralado nunca deixar de amar

Essa menina diz que a vida é leve e bela
Lembra que o hoje é liberdade, não uma cela
Transitar entre o passado e o futuro pode ser normal
Mas bom mesmo é fazer do presente algo especial

A criança que por aqui vive, em mim habita
Faz-me seguir acreditando, sem fazer fita
O corpo vai amadurecendo, tem fragilidades
A menina o faz jovem,  olhar brilhante de felicidade

Alda M S Santos

Perder para se encontrar

PERDER PARA SE ENCONTRAR

Se for para me perder
Quero me achar em você
Caminhando lentamente à beira-mar
É lá que vou me encontrar

Se for inevitável ficar sem rumo
No oceano encontro meu prumo
Nas ondas barulhentas descanso meu olhar
Minha alma deságua ali seu desejo de ser mar

Se for para me perder no espaço, no ar
Que os ventos me levem de volta ao mar
Minha altitude e rota irão para lá apontar

O bom de se perder é o prazer de se encontrar
Nesse passeio por aí poder se encantar
Nas perdas, (re)encontros um eterno viajar e amar

Alda M S Santos

Permissões

PERMISSÕES

Sou eu que permito as aproximações
Também sou eu que recusou as falsificações
Sou eu que libero as boas sensações
Também sou eu que afasto as tentações

Sou eu que exijo e ofereço a verdade
Também sou eu que peço reciprocidade
Sou eu que valorizo a autenticidade
Também sou eu que acredito na liberdade

O que nos acontece temos responsabilidade
Por permitir, por não barrar, por autorizar
A vida nos pede ação, é preciso se posicionar

Por aqui podemos sempre escolher
Quanto antes, fazer o melhor acontecer
Pois ficar sem escolhas deve de fato doer

Alda M S Santos

Roubos

ROUBOS
Podem nos roubar o sorriso
Mas nunca a alegria de viver
Podem nos roubar o sossego, a calma
Mas nunca a paz que trazemos na alma
Podem nos roubar um sentimento
Mas nunca um coração disposto a amar
Podem nos roubar a confiabilidade
Mas nunca a fé na humanidade
Podem nos roubar a autoconfiança
Mas nunca o amor-próprio
Podem nos roubar noites de sono
Mas nunca nossa capacidade de sonhar
Podem nos roubar o apetite
Mas nunca nossa fome de viver
Podem nos roubar a vida
Mas nunca nossa eternidade…
Podem nos roubar a beleza de alguns capítulos
Mas nunca a pureza e grandeza de toda nossa história…
Alda M S Santos

Propósitos de vida

PROPÓSITOS DE VIDA

Quero fazer bem feitinho e organizar numa lista
Meus propósitos por aqui passar em revista
Sonhos, desejos, vontades, projetos
Será mais fácil, assim acredito que há de dar certo

Quero colocar separado nuns potinhos
O que é meu e do outro bem separadinho
Depois observo onde há interseção
Essa parte merecerá toda minha atenção

Tentar não dar tanta importância
Ao que não traz verdade, não tem relevância
Focar no que é amor, acalenta e acalma
Se é ferida, dói, machuca, peço licença pra minha alma

Saber a hora certa de ajudar alguém
É tão importante quanto me ajudar também
Cultivar flores belas, perfumadas e coloridas
Belo jardim interior é meu propósito de vida

Alda M S Santos

Tempo de poda

TEMPO DE PODA

A natureza é sábia, possui ciclos, fases
Tempo de podas, renovação de suas bases
Na hora certa, com cuidado, tudo cresce
E assim, com paciência, tudo floresce

Conosco também não é diferente
Precisamos retirar excessos, seguir em frente
Cortar galhos e espinhos aparentes
Que nos machucam e matam a semente

O que pode parecer o fim, a morte
Por certo é energia renovada e, com sorte
Novos brotos, nova floração, a vida se faz forte

Há momento de plantar, de cuidar, de podar
Seja planta ou seja gente
Sabedoria e amor sempre presentes

Alda M S Santos

Nosso papel

NOSSO PAPEL

Tanta gente em toda parte desse nosso planeta
Todos acalentando o mesmo pensamento
A mesma energia boa fluindo, desejos emergindo
Que seja melhor, que haja paz, compreensão
Quero mesmo um mundo mais irmão!
Partilhamos todos a mesma humanidade
Essa é nossa semelhança, mas há tanta desigualdade
Mundo tão imenso…por que estamos no lugar que estamos?
Quero crer que cada qual tem seu papel
Que temos responsabilidades uns com os outros
Usar nossos dons, o que de melhor recebemos
Trocar cores, telas, paletas, pincel
Para podermos voar e permitir voar até o céu
Bons voos e boas parcerias a todos nós!
Feliz 2022!
Alda M S Santos


Coração com coração

CORAÇÃO COM CORAÇÃO

Tudo passou de modo tão estranho
Sensações que não conseguimos bem definir
Ora o tempo se arrastou, ora voou
E nosso interior tantas vezes quis explodir
Passamos a enxergar tudo com novo olhar
Movidos por um novo viver, tendo que se isolar
O medo de perder pessoas queridas
De nos perder, angústia no peito, tolas brigas
E fica a questão: quando tudo isso irá acabar?
Dois anos se foram em meio a uma pandemia
Muitas perdas, dores, lutas, aprendizados
Será que estamos prontos para andar de novo lado a lado
Dar um abraço gostoso, apertado
Tanto fiz nesse tempo, refiz minha rota
Ajustei minha bússola interna, tantas vezes torta
Mas por que ainda fica a sensação
De que há algo por acontecer nesse mundão
E nos colocar de novo em órbita, coração com coração?
Por tudo isso só tenho a expressar minha gratidão
E só um pedido: que ainda não seja nosso fim, isso não!

Alda M S Santos

Qual seu presente?

QUAL SEU PRESENTE?

Qual seu presente preferido
Que deixa seu dia mais colorido
Aquele que não tem preço
Mas tem valor, brilho, tem apreço?

Entre todas as coisas que não têm valor monetário
Que independem do quanto tens, do seu salário
O que você pediria nesse momento
Que está guardadinho em seu pensamento?

Um sorriso, um beijo, olhar terno, brilhante
Um abraço fraterno, um amor quente, inebriante
Um cuidado que se torna eterno, uma constante?

Sei que gosto de verdade, de sinceridade
De amor, de carinho, reciprocidade
O que vier além disso é brinde, bônus da felicidade

Alda M S Santos

Tempo de sonhar?

TEMPO DE SONHAR?

Sempre é tempo de sonhar
Nem precisa esperar um ano finalizar
Ou outro começar para a vida retomar
Os caminhos se cruzam, se descortinam
Basta seguir as trilhas, deixando o amor iluminar
Nossa história está sendo escrita
Capítulo a capítulo, verso a verso
Não adianta fugir, mesmo em momentos controversos
Dá para atuar, colocar nossos dons, nossa especialidade
Criar um caminho de nossas crenças e verdades
Se prefere sonhar, sonhe, mas acorde
A luta da vida espera no mundo real
Aquele no qual os sonhos acontecem, afinal
E nos fazem mais felizes, vivendo de modo natural
Tentando fazer do hoje, nossos sonhos de ontem
Sendo por aqui uma vida de amor sem igual…

Alda M S Santos

De que vale?

DE QUE VALE?

Há tantas coisas por aqui valiosas
Muitos bens que lutamos para alcançar
Conquistas que nos parecem preciosas
Vamos fazendo de tudo para acumular

Mas de que vale tudo isso sem amor?

A fartura traz alegria, prazer
Nosso objetivo é evoluir, crescer
Será que há felicidade se houver falta
Onde a dor grita, nos assalta?

De que vale nosso prazer se o outro padecer?

Há muitas trilhas nessa viagem
É preciso escolher com coragem
Eu escolho o amor, peço reciprocidade
Ofereço calor, carinho, paz, bondade

De que vale um viver se não houver solidariedade?

Não sabemos a hora de voltar
O passeio nessa nau é um leve divagar
A qualquer hora podemos despertar noutro lugar
É preciso fazer valer esse caminhar

De que vale tudo isso, sabe dizer?

Alda M S Santos

Nunca é tarde

NUNCA É TARDE

Nunca é tarde demais para preservar bom hábitos
Tampouco para novos hábitos criar…

Nunca é tarde demais para se arrepender e os erros corrigir
E um novo caminhar na vida seguir…

Nunca é tarde demais para encarar o fim como estágio vencido
E recomeçar a viver com novo sentido…

Nunca é tarde demais para ser jovem
A idade do coração e a juventude da alma é que nos movem…

Nunca é tarde para ser de verdade parte desse mundão
E aprender a viver em comunhão…

Nunca é tarde demais para reaprender a amar, ser mais
Pois, quase sempre, a vida vai embora cedo demais…

Alda M S Santos

Nas Minas Gerais

NAS MINAS GERAIS

Se é nas serras de Minas Gerais tem cachoeira
Se tem alma aventureira, não dê bobeira
Em toda cidadezinha, de manhã ou tardezinha
Dá para se banhar em água bem fresquinha

Se tem fé, magia, estrada real, é Minas Gerais
Alegria e simplicidade que não acabam mais 
Trilhas na mata, subida na serra
Renovam o prazer de viver nessa terra

Cantos de pássaros e sussurro do vento
A queda d’água se ouve a todo momento
Atiçando a imaginação e o pensamento

Natureza que é vida, é inspiração
Poetas mergulham nessa doce sensação
E renovam em si a magia da criação

Alda M S Santos

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