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Amor

Backup de nós

BACKUP DE NÓS

Assistindo ao filme “Diário de uma Paixão”

Reflito sobre a fragilidade de nossa existência.

Independente do tempo que vivemos por aqui,

Todos acumulamos muitos dados, muitas memórias.

Possuímos um disco rígido muito potente: o cérebro.

Assim como os computadores com seus HDs.

Como eles, também somos uma “máquina”.

Com o tempo, também podemos apresentar defeitos, avarias.

O HD pode não abrir, não permitir acesso, travar, deletar alguns dados, ou apagar de vez.

Todo especialista da informática aconselha: manter vários backups atualizados.

O mesmo vale para o nosso HD central.

E o fazemos sem perceber de um modo muito especial.

Em cada pessoa que convivemos vamos deixando arquivos

“Salvamos” nelas um pouco de nós: pais, filhos, cônjuge,

Amigos, amores, colegas, vizinhos, até em nossos desafetos

Em todos eles fazemos um pequeno backup de nós

Se um dia nosso HD vier a falhar podemos ser neles “restaurados”

Se ele se apagar de vez, nossa história estará registrada

Em todos aqueles que amamos, que nos amaram.

Devemos cuidar para fazer backups primorosos.

Voltando ao filme: vale a pena assistir.

Uma linda história de amor e backups!

Alda M S Santos

Como as estrelas

COMO AS ESTRELAS

Nossa vida é cercada de pessoas que irradiam luz, 

Que brilham, que aquecem

Como as estrelas…

Somos envolvidos por elas, por seu encanto

Absorvemos com avidez parte de seu brilho, beleza e calor

E, assim, também encantamos,

Como as estrelas…

Mas, tudo que é vivo, tem um tempo de vida útil

Depois se vai, morre…

Assim se dá com as pessoas encantadoras

Elas se vão, morrem, e levam seu brilho consigo

Como as estrelas…

Quanto mais uma estrela emitir luminosidade,

Ou seja, quanto mais liberar energia,

Menos tempo ela durará.

Porém, ainda que se apaguem no cosmo,

Nós só perceberemos anos mais tarde, 

Pois estão a anos-luz de distância nas galáxias

Assim se dá com as pessoas-estrela

Mesmo depois de irem embora, de se apagarem

Sentiremos sua energia dentro de nós, sua presença, seu brilho

E seremos por elas iluminados por muito tempo

Sorte de quem tem ou teve esse privilégio de convívio

Com as estrelas…

Alda M S Santos

A cada um

A CADA UM…

A cada pássaro, sua leveza, seu canto

A cada flor, sua cor, seu perfume

A cada estrela, seu brilho, sua beleza 

A cada sentimento, sua força e intensidade

A cada ser, sua sabedoria e encanto

A todos, a capacidade de ser e fazer feliz..

Alda M S Santos

Processo de Cura

PROCESSO DE CURA

Todos sabemos o quanto dói uma ferida aberta

Um mal ativo, em fase crítica, aguda.

Todo cuidado é pouco para evitar uma patologia permanente.

Precisamos limpar, fazer curativos, trocá-los

Usar cicatrizantes, anti-inflamatórios, antibióticos…

Nessa fase vai doer muito, sangrar.

Não podemos ser masoquistas e ficar cutucando.

Serão necessários técnica e perícia ao tocar.

Depois seca, cicatriza, fica uma marca e apenas uma lembrança.

Porém, se não se passar por esse processo de cura,

O mal pode se tornar crônico e sofrermos com ele a vida toda.

Com os males emocionais dá-se o mesmo.

Ferida aberta na alma não se mexe, se trata.

Com medicamentos ora suaves, ora fortes, 

Com amor, com carinho, com perseverança.

Com amigos, com família, com fé.

Leve o tempo que levar,

As cicatrizes deixadas nos lembrarão que superamos.

Pode ser que se torne um mal crônico

Daqueles que tenhamos que aprender a conviver

Como uma hipertensão ou uma saudade

Que exige tratamento de controle a vida toda.

Vez ou outra se tornam ativos, agudos e exigem de nós força

E medidas à altura.

Assim são os males crônicos.

Assim é a vida…

Alda M S Santos

Força Motriz

FORÇA MOTRIZ

Que sejamos movidos pelo desejo, sempre…

Desejo de viver, de trabalhar

Desejo de ajudar, de ser a mão que se estende

Desejo de abraçar, de ser colo que acolhe

Desejo de aprender, de crescer

Desejo de ensinar, se doar

Desejo de entender, de atender

Desejo de seguir, de recomeçar

Desejo de de ser luz, de ser paz

Desejo de fazer o bem, de ser o bem

Desejo de amar,

Sempre…

Alda M S Santos

Encaixes

ENCAIXES

Quase tudo nessa vida depende de combinações e encaixes perfeitos

Bola na cesta do basquete, na raquete do tenista, na rede do gol

Veículos na pista, altitudes dos voos, barcos nas rotas

Portas nas casas, fechaduras nas portas, chaves nas fechaduras

Sapatos nos pés, roupas no corpo, alimentos no organismo

O anel no dedo, uma mão na outra, cabecinha no ombro

As palavras nas frases, as frases nos textos, os textos nos contextos

Passamos a vida buscando essas combinações

Afinando a percepção, aperfeiçoando esses encaixes

Mas nem tudo é tão prático e fácil assim

Alguns encaixes exigirão uma perícia maior

A fé e o indivíduo, o cidadão e sua profissão,

Uma pessoa com a outra, o indivíduo consigo mesmo

Mente, alma, coração num só corpo

Sorriso no rosto, alegria na alma, um abraço que se enlaça

Um corpo no outro… uma alma na outra.

Como crianças com seus Legos, vamos tentando

Encaixando, montando, desmontando, aprendendo

E, se possível, nos divertindo enquanto brincamos

Enquanto vivemos…

Alda M S Santos

O que fazemos nessa nau? 

O QUE FAZEMOS NESSA NAU? 

Há dias, períodos e fases que queremos jogar tudo para cima.

Chutar o balde, rodar a baiana, subir nas tamancas. 

Ou, diferentemente disso, enfiar debaixo das cobertas, atrás de uns óculos escuros num canto qualquer, sermos invisíveis.

De verdade: quantas vezes nos perguntamos a que viemos, o que estamos fazendo nessa nau? 

Milagrosamente, algo sempre nos tira de lá. Desse buraco escuro do nosso existir.

É preciso sempre acreditar que é apenas fase. Que vai passar. Por mais difícil que pareça.

Muita gente desistindo na primeira pedra ou buraco do caminho.

Não sabem que muitos caminhos, aparentemente errados, difíceis ou sombrios foram dar em veredas maravilhosas!

Tenhamos fé! Em nós mesmos, Naquele que nos enviou, nos acompanhantes que nos deu. 

Alda M S Santos

Ping-pong

PING-PONG

Nossa vida se assemelha a um jogo de ping-pong ou frescobol. 

Mas um jogo por brincadeira, não por competição. 

Divertido é manter a bola no ar. Lancá-la de um modo que o outro receba e rebata de volta para nós, assim sucessivamente.

É frustrante quando não atinge seu objetivo, não volta.

Prazeroso é acertar o alvo, ser o alvo.

Vencem ambos se a bola é rebatida e se mantém no ar.

Perdem ambos se ela for mal lançada e cair ao chão.

Se não a lançarmos bem, o outro terá dificuldade para receber e relançar. A recíproca também é verdadeira. 

Se cair ao chão sucessivamente cansamos da brincadeira e partimos para outra.

Somos assim. Muitas vezes lançamos palavras, boas ou ruins, carinhos, sentimentos. 

Algumas vezes voltam, outra não.

Iremos preferir a brincadeira correspondida. 

Brincar sozinho não tem graça! 

Pensemos nisso! 

Alda M S Santos

No banco de trás 

NO BANCO DE TRÁS

Nossa vida passa por momentos de alternância, muitas vezes sem percebermos. 

Nossa maneira de lidar com esse revezamento natural determina nossa paz diária.

Numa fase, temos o controle de nossas vidas, estamos ao volante, guiamos para onde queremos, do jeito que queremos.

Nossos filhos viajam atrás, confortáveis em suas cadeirinhas, ou já sentados no banco de trás. 

Aceitam o destino por nós escolhido. Confiam, se entregam, observam, aprendem. 

Sonham com o dia em que ocuparão o banco do carona ou, melhor ainda, do motorista. 

E chega a hora em que eles passam para a frente, nós passamos para o banco de trás. 

Aí muita sabedoria é necessária. De motoristas e passageiros. 

Passageiros precisam confiar no novo motorista, nos ensinamentos que eles receberam e relaxar. Não interferir tanto. 

O “controle” de certa forma está com eles. 

Motoristas necessitam saber que os passageiros, outrora motoristas, ainda que estejam menos ágeis ou espertos, não desaprenderam o que sabiam. Ainda podem ensinar algo.

São necessários aqui muita tolerância, respeito, gratidão.

Essa relação acontece dentro dos veículos e fora deles. 

Pais e filhos precisam reconhecer que à medida que crescem e envelhecem a situação pode se inverter ou, no mínimo, mudar. 

Aceitar que em qualquer idade todos podem aprender, podem ensinar. 

Num dado ponto notamos que não há supremacia de um sobre o outro, apenas admiração e amor. 

E um pouco de bom humor também não faz mal a ninguém. 

Sabemos que chegará o instante em que nem estaremos mais nesse carro. 

Outras crianças estarão no banco de trás e o ciclo recomeçará. 

Boa viagem! 

Alda M S Santos 

Chapéu de tolo

CHAPÉU DE TOLO

Decepções…

Não temos como fugir delas.

Ouvimos que a decepção é nossa,

Que o outro não é responsável por nos decepcionar,

Nós é que esperamos demais deles…

Isso não diminui em nada aquela insatisfação e tristeza que sentimos.

Ninguém vive sem criar expectativas,

Sem acreditar no outro.

Quanto mais próximas as pessoas,

Quanto mais gostamos delas, mais expectativas criamos.

Portanto, maior risco de tombo, de decepção.

Colocamos o chapéu de tolos, desfilamos por aí cabisbaixos até a próxima.

Uma decepção também não precisa eliminar a pessoa de circulação.

Todos podemos errar, ter fraquezas, decepcionar alguém.

A outra alternativa é não acreditar, não aprofundar.

Viver boiando na superfície, não mergulhar. 

Sem amor, sem expectativas, sem decepções,

Sem vida! 

Muito obrigada! Continuarei a usar o chapéu de tola por aí, como palhacinha.

Quem nunca usou que atire a primeira piada! 

Alda M S Santos

Coração paradoxal

CORAÇÃO PARADOXAL 

Coração é sempre paradoxal

Sempre tão grande, tão repleto

Mas capaz de sentir-se tão apertadinho

E com espaço para recrutar ainda mais moradores

Quase sempre forte, a enfrentar batalhas pungentes

Mas sensível, frágil, emotivo

Tão cercado de gente, de emoções, 

Mas por um pode sentir-se 

abandonado num planeta vazio 

Tão iluminado, alegre, brilhante, seguro

Mas pode ser esmagado pela escuridão de alguns medos

Pode parecer irreal, irracional, duvidoso, invisível

Mas é real como a eletricidade ou a brisa suave

Que podem apenas ser sentidas.

Nessa vida de emoções enviesadas

Paradoxalmente, o coração sobrevive.

Alda M S Santos

Please, dont’go!

PLEASE, DONT’GO

Bastaria uma análise preliminar

Para percebermos quantas pessoas perdemos ao longo da vida. 

Muitas se foram de nosso convívio…

Independente do motivo, fizeram falta.

Pessoas importantíssimas:

Um amigo da infância, 

Do amanhecer ao anoitecer.

Amigos/irmãos da adolescência,

Que aturavam nossas paixonites e segredos.

Colegas de faculdade, namorados grudados.

Amigos de todas as horas.

Pais, irmãos, cônjuge, filhos, familiares…

Quantos foram?

Imaginávamos o afastamento?

Que um dia não contaríamos mais com eles? 

Se tivéssemos pedido, teriam ficado? 

Quisera poder revisitá-los.

E aqueles ao nosso redor hoje?

Por quanto tempo ficarão? 

Ou também se perderão no tempo, nas lembranças? 

Qual a finalidade de cada um deles? 

Será que já vêm com tempo pré-estabelecido? 

Ou se pedíssemos,

Please, dont’go!

Eles ficariam?

Alda M S Santos

Quanto tempo?

QUANTO TEMPO? 

Em menos de duas horas ela arruma suas coisas …

Doa materiais, joga fora o descartável

Separa para si o inseparável

Quanto tempo leva para se desfazer de uma vida?

Muitas lembranças…

Uma vida inteira ali

Muitos amigos, colegas

Abraços, carinhos, sorrisos, desavenças

Tudo parece impregnado em suas células

 Seu lugar já foi ocupado

Brinca ao sentar no colo de sua substituta

“Você fará muita falta!”- dizem. 

“Tem você em cada cantinho daqui”.

“Lembrarei de você para sempre”. 

Será? Promessas já foram dívidas

Hoje, quase sempre, são palavras ao vento

Foram 27 anos ali. 

Quanto tempo leva para sermos apagados de vez? 

Quanto tempo leva para a rotatividade nos levar para longe?

Quanto tempo leva para esquecer?

A vida segue…

Mas ela sabe e responde por si: 

Nem todo o tempo do mundo! 

Dentro dela nada jamais se apaga.

Alda M S Santos

Redemoinho

REDEMOINHO

Tudo se passa em câmera lenta

Chega, olha em volta

Espaço grande, luz forte 

Muitas pessoas conhecidas ali 

Recebe as boas vindas

Parece perdida, descalça, meio assustada 

Procura alguém…

Olha nos olhos de cada um que passa

Todos fixam nela o olhar meio encabulados

Continua a circular

Procura alguém, não sabe quem

Mergulha num redemoinho de imagens

Chora, senta, soluça

Alguém cobre seus ombros com uma colcha

“Esse vestido é fino, transparente, vai congelar.”

Reconhece a voz, o olhar, o cuidado

Levanta-se, vira-se e ele desaparece pela porta 

Vai atrás, chega numa porta e só vê nuvens, como de dentro de um avião. 

Sem medo, lança-se espaço abaixo…

Para as nuvens…

E tudo é paz! 

Alda M S Santos

Na estação

NA ESTAÇÃO

O trem partiu…

Ela ficou ali, sentada sobre as malas carregadas, como num filme antigo.

Seu bilhete ia só até ali.

Olha o trem se afastando lentamente

Tem medo, não queria ficar, queria seguir 

Domina o impulso de correr atrás.

Esse não volta.

Será o fim da viagem? 

A linha continua, não para ela.

Tantos já desceram, não os vê…

Outros tantos, queridos, seguem naquele trem…

Ficar parada ali não é opção

Estação é passagem, não destino

Olha para as demais linhas,

Há bifurcações, outros destinos,

Encaminha-se lentamente para o guichê.

Escolhe um destino desconhecido e aguarda.

Novos passageiros, nova viagem

Recomeços…

Alda M S Santos

Promessas

 PROMESSAS

Promessas: quantas ouvimos, quantas fizemos na vida? 

Mais importante que isso, quantas cumprimos ou quantas foram vazias, da boca para fora? 

“Seremos melhores amigos para sempre”, uma criança promete ao amiguinho, inocentemente. 

“Nunca vou deixar você, mamãe”, o filhinho amoroso promete.

Tudo bem, são crianças, desconhecem as voltas da vida, as implicações.

“Amo você e nunca te abandonarei”, diz o adolescente apaixonado. 

“Seremos melhores amigas para a vida toda”, prometem garotas confidentes. 

A essas muitas promessas se seguem: “até que a morte nos separe”, “sempre estará em minha mente”, “não irei embora”, “seu lugar no meu coração está reservado”, “nos encontraremos sempre”, “ligarei todas as noites”, “essa é a última vez que faço isso”, “amarei você para sempre”, “enfrentaremos tudo juntos”, “terão que passar por cima de nós dois”, “se não te salvar, morremos juntos”, “não deixarei que enfrente tudo sozinha”, “nunca te esquecerei”, e por aí vai…

E a vida segue, novos caminhos, curvas, trajetos, obstáculos e medos. 

E as promessas não acompanham…

Acontecem entre amigos, pais e filhos, casais… Deveríamos nos acostumar… 

Porém, alguém sempre sai ferido, magoado.

Colecionamos decepções, lágrimas, desilusões, palavras vãs, dizeres abstratos, falsos juramentos. 

Promessas são compromisso com o dito ao outro. 

A lógica diz que é melhor não prometermos, se houver qualquer impossibilidade de cumprir. 

Mas quando se envolve a emoção, a razão passa longe. 

Concordo com Francois de La Rochefoicauld quando diz que: “Prometemos conforme as esperanças e agimos conforme os medos.” 

Ao fazermos promessas não pensamos em não cumpri-las.

Além do mais, muitas podem ser cumpridas sem que o outro se dê conta. Apenas no silêncio de nossas almas.

Somos imperfeitos e isso é parte de nossa humanidade.

Mas tem uma promessa válida: “Estarei com vocês todos os dias até o fim dos tempos”. (Jesus Cristo). 

Nessa podemos confiar! 

Alda M S Santos 

Amor de Narciso

AMOR DE NARCISO

É muito fácil conviver com “iguais”,

Mas nada instigante!

O conforto aparente acaba por se tornar cansativo.

Sermos iguais na integridade, no caráter, 

Na bondade, na dignidade,

Isso é fundamental! 

Mas bom mesmo é conviver com as diferenças, 

Ainda que seja difícil, desafiador.

Não para torná-las semelhantes a nós, 

Não para nos impor a elas,

Mas para aprendermos a tolerância, o respeito, o amor.

O diferente de nós nos completa, 

Necessidade básica, 

Por isso, o diferente é atraente.

Somos iguais na maneira de sermos diferentes! 

Por mais sutil que seja, toda diferença é convidativa.

Gêmeos, geneticamente idênticos, completam-se nas diferenças.

Um buquê de rosas possui cores diferentes, mas harmônicas…

Não há supremacia de um sobre o outro, apenas diferenças. 

Amar apenas o igual é amar a si mesmo em excesso. 

É apenas buscar o próprio reflexo, aplausos, autoafirmação.

É olhar e admirar-se num espelho como Narciso, meio doentio.

Estamos aqui para sermos bons e cada vez melhores, 

Não que os outros, mas que nós mesmos.

Essa possibilidade encontra-se nos nossos relacionamentos,

Naqueles que possam nos “transformar no melhor que pudermos ser”.

Alda M S Santos

Carências

CARÊNCIAS

Pessoas bondosas, solidárias, amorosas e generosas ajudam os outros, dão aquilo que não usam mais. 

Sempre oferecem aos necessitados aquilo que lhes sobra, que não é utilizado, supérfluo.

Não acumulam nada, passam para frente qualquer excesso. 

Certo? Também!

Porém, o grande desafio que se impõe, a prova maior de amor é dar o que temos, ou que buscamos, que usamos, precisamos. 

Não necessariamente apenas bens materiais ou recursos financeiros. 

Quem ama verdadeiramente compartilha, doa até o que não tem, o que não dispõe, o que precisa buscar dentro de si. 

Distribui aquilo que não se compra, pois não tem preço.

Paciência, tempo, compreensão, carinho, diálogo, amor…

Dão mais que um prato de comida ou uma veste, alimentam a alma. 

Compartilham aquilo que multiplica quando se doa. Benefício bumerangue.

Tantas vezes flanamos por aí contrafeitos, “superiores”, com um verniz de alegria…

Contudo, muitas são as carências humanas, mas a maior delas, a que todos temos e nem sempre são visíveis, se supre com algo que o dinheiro não paga: 

AMOR!

Alda M S Santos 

Amor genérico

AMOR GENÉRICO?

Na onda dos genéricos, o que temos visto por aí são muitos amores genéricos.

Será que surtem o efeito esperado? 

É de conhecimento amplo que os medicamentos genéricos devem produzir o mesmo efeito que o de marca a um preço mais acessível.

O mais importante é que possua a bioequivalência, ou seja, que o princípio ativo seja idêntico e na mesma proporção pra surtir o resultado esperado: eliminar a dor, reduzir os sintomas, curar a patologia.

Nessa mesma linha, surgem os amores genéricos, atraentes, convidativos, prometendo resolver todos os males a um custo irrisório, se comparado ao amor de referência.

E o que se consegue, muitas vezes, depois de um princípio de euforia, são efeitos colaterais graves e cronicidade do mal. 

Ao invés de possibilitar alegrias, sorrisos, prazer, vigor, rosto corado, satisfação pessoal, provocam dores, frustrações e mágoas. 

Há que se lembrar que um medicamento não age sozinho, ele depende da resposta do organismo do paciente.

Também é necessária atenção à dosagem ministrada, à periodicidade, às interações medicamentosas, às doenças pré-existentes. 

Em matéria de saúde física, mental e emocional valem os mesmos princípios: escolher o melhor. Com saúde não se brinca. 

Mesmo que o meu melhor não seja o seu.

E, se for percebido que não surte o resultado prometido, troca-se o produto, a fórmula, o fornecedor, a indústria…

Ainda que no caso do “medicamento” amor não haja marca de referência a se equiparar. 

Nesses casos, vale atenção aos efeitos: estamos melhor e mais felizes com ele? Ou nos tornamos amargos, céticos e descrentes?

O medicamento amor, genérico ou não, é de uso contínuo, aceita-se leves efeitos colaterais e interações com outros medicamentos. 

É o único de que se tolera certa co-dependência química, pois o “mal” que ele cura é crônico e inato.

Nem chega a ser um medicamento, mas um alimento para prevenir outros males.

Sequer aconselho usar com moderação, apenas com critério! 

Saúde!

Alda M S Santos

Espectros

ESPECTROS

Sempre fiquei encabulada com as pessoas idosas que vão perdendo a memória. 

Entre os muitos males que acometem os mais velhos, o que mais me intriga e amedronta é a perda da lucidez, da memória recente.

Meu avô, no final da vida, não se lembrava dos filhos, chamava minha mãe pelo meu nome, misturava dados importantes.

Nosso cérebro é ainda um mistério para a Ciência.

O que faz com que algo de nosso passado distante esteja nítido e algo dos últimos anos se apague? 

Será que “escolhemos”, inconscientemente, o que lembrar? 

Será que o que fica é a melhor parte, o que mais nos marcou ou o que não causa dor? 

Se fosse possível realmente escolher, quais momentos gostaríamos de eternizar em nós? 

Há realmente algo que desejemos apagar sem nos descaracterizar?

Ainda que estejamos marcados nas vidas daqueles que amamos, que convivemos, acho cruel essa perda das lembranças. 

Penso que ao se extraí-las, vão nos apagando aos poucos, viramos um espectro de nós mesmos. 

Pior que isso, só sermos apagados da mente daqueles que amamos. 

Exceto se morrermos cedo, certamente não estaremos incólumes! 

É consenso que ninguém quer perder nada.

Porém, sei que há dissenso, mas, a ter que perder algo, opto em manter minha mente, minha lucidez, minhas memórias.

 E, se possível, minha visão, para ler e escrever. 

Ah! Esqueci que não nos cabe escolher…

Alda M S Santos

Amor sob reforço 

AMOR SOB REFORÇO

Amor é como vacina, precisa de reforços periódicos para se proteger,

Proteger das inseguranças, desconfianças e más interpretações.

Amor é retribuição, é troca, é doação, é interação

De papos, de passeios, de beijos, abraços e carinhos,

Para manter-se em atividade e não se apagar.

Amor “exige” bilateralidade

De palavras e olhares de apoio, de admiração, de incentivo, de desejo,

Para não se embaçar e tornar-se fosco nas tempestades da vida.

Amor que se propõe à eternidade

É só aquele que vem acompanhado da reciprocidade

Não aquela silenciosa, que se cala, que deixa o outro adivinhar ou perceber por si só,

Mas a que demonstra, que verbaliza, que não permite que se desmanche, e não se envergonha do amor que sente. 

Alda M S Santos

Lembranças

LEMBRANÇAS

Muitas lembranças são associativas, quer dizer, nos remetem a algo ou alguém.

E isso as torna mais fortes, prazerosas e duradouras.

Aquela música suave ou dançante e letra tocante, 

O perfume que traz nítida à mente a pessoa ou situação,

Pés e pernas entrelaçados na areia,

Namoro e amassos na varanda,

O cheiro de bolo no forno, de churrasco no domingo, 

Cabelos esvoaçantes, um andar seguro, 

Um olhar penetrante, um estilo de ser e vestir…

Uma voz mais calma, um jeito rebelde e meio cri cri, o raciocínio rápido,

O sorriso contagiante, sincero e cativante,

Um filme com pipoca no sofá da sala, um livro na rede, poemas românticos,

Um bate papo demorado no portão,

Aquela pracinha, um sorvete ou açaí, uma carona, um beijo soprado

O último pedaço de pizza, a bala de hortelã passada num beijo,

A cerveja gelada e espumando, a coca com limão,

Um mingau de fubá com queijo, chá de capim cidreira, chuva no telhado, 

A leveza e o prazer de uma taça de vinho ou champagne,

Mensagens e SMS de carinho e cuidado,

Um abraço na pontinha dos pés que aperta o corpo e o coração…

Cada coisa nos remete a alguém…

Lembranças se associam às pessoas que foram importantes. 

Memórias que veem à tela da mente a qualquer hora e se fazem saudosas e eternas…

Alda M S Santos

Lugares incríveis 

LUGARES INCRÍVEIS

Lugares especiais, incríveis, espaços preciosos em nossas vidas…

Quero um para me acomodar e ficar quietinha! 

Quais são? O que os define?

O luxo, a simplicidade, a localização, a beleza, a emoção que despertam? 

A casa da vovó com seu cheirinho de quitandas?

O quintal de um amigo de infância? 

O banco da pracinha, debaixo da árvore frondosa, onde tivemos um beijo roubado?  

A rua onde brincamos de esconde-esconde?

Os corredores do prédio onde trabalhamos ou estudamos a maior parte dos nossos dias e fizemos valiosas amizades?

A rede onde namoramos? 

O lar onde criamos nossos filhos? 

Uma cachoeira, uma praia, um sítio onde passamos férias?

O que os torna especiais são os momentos neles vividos! 

Não é o tamanho, localização ou beleza.

Os sons, cheiros e sabores que deixaram impressos em nossa alma que os tornam únicos.

Basta fechar os olhos que poderemos acessá-los. 

Porém, o melhor lugar de todos, o mais incrível e especial, onde sempre gostaremos de estar, mesmo apertadinhos, é no coração daqueles que amamos. 

Esse é o melhor lugar para morar, não de favor, mas por direito adquirido pelo amor, em qualquer época da vida!

Devaneios? Não! Todos merecemos!

Alda M S Santos

Propósitos

PROPÓSITOS

Qual nosso propósito nessa vida? 

Se o tivéssemos bem definido tudo se tornaria mais fácil.

Mas quem o tem?

Namorar, casar, criar bons filhos?

Manter uma legião de amigos?

Conhecer o mundo?

Exercer uma profissão dignamente?

Dedicar-nos a alguém em especial? 

Fazer caridade?

Ser uma personalidade internacional?

Lutar por uma causa?

Ser essencial na vida de alguém?

Ser fiel a nossos princípios? 

Tudo isso? Nada disso? 

Propósito é algo que, infelizmente, só descobrimos quando o tempo passou

Quando fazemos retrospectivas

Ao sentirmos certo vazio existencial

Quando algo deixa de existir

Tendo-os claros, ou não, eles precisam existir

Uma vida sem propósitos é triste e sem sentido 

É propósito humano geral, simples, porém grandioso: fazer feliz, sendo feliz, em contrapartida.

Sob uma árvore, debaixo de um lindo céu

Reflexões…

Redirecionamentos de uma vida…

Alda M S Santos

Percepções

PERCEPÇÕES

Há olhos muito sensíveis, tudo percebem

Veem o olhar pidão e leal de um cachorrinho

A dimensão do amor de uma mãe que amamenta

A pureza de um abraço infantil

A chuva atrás de uma brisa úmida

A tempestade que se arma com o calor

A magia na dimensão e beleza das ondas do mar

A tristeza atrás de um sorriso que não se reflete nos olhos

As palavras escondidas a gritar no silêncio

A vontade que move um ser que aparentemente nada tem

A dor e a fé daquele que ora e pede de joelhos

O amor que sobrevive num mundo de sorrisos e lágrimas

A paz de uma parceria em fim de tarde ao por do sol

Olhos que percebem tudo

São os olhos treinados pela alma.

Alda M S Santos

Medida do amor

MEDIDA DO AMOR

Há como medir um sentimento? 

Qual parâmetro usar?

O nosso? De algum conhecido? De Deus? 

Para o parâmetro divino perderemos sempre. 

Não chegamos a tal grau de desprendimento.

É maior o amor que está junto todos os dias?

Ou aquele que ama de longe, cuida, ajuda?

O que aguenta os arranca-rabos diários?

Ou o que se mantém mesmo na distância sem o prazer do convívio?

É maior o que dá carinho, conforto, apoio?

Ou o que briga, cobra, puxa as orelhas?

Cada coração é único! 

Tamanhos, capacidades e intensidades variadas.

O maior é o que dá tudo de si, repleto, que preenche, de longe ou de perto…

E sobrevive em meio às tempestades.

Ainda que seja mandado embora, que seja apagado, que chore

É teimoso e insistente.

Ouvirá desaforos e atrevimentos e seguirá firme.

Isso é amor grande e verdadeiro.

Esse não morre.

Talvez um dia se aproxime umas centenas de quilômetros do amor divino.

Alda M S Santos  

Ame, do seu jeito, mas ame.

AME, DO SEU JEITO, MAS AME!

“Vou te ensinar a amar”, pensamos, superiores, ou ouvimos, meio tristonhos.

Existe um modo único e certo de amar?

Crer nisso já é meio caminho perdido.

Tudo bem, algumas características são inerentes a todo modo de amar.

Querer o bem do outro, cuidar, incentivar, desejar, preocupar-se, colocá-lo como prioridade…

Porém, algumas características são bem individuais.

Há amor expansivo, que extravasa, carregado de carinhos e mimos.

Há amor meio possessivo, ciumento, controlador, cuidadoso. 

Há amor carente, que cobra, que liga, que pede, que chora. 

Há amor sensual, que aquece, que dá prazer, que satisfaz.

Há amor contido, calado, introspectivo, tipo “não tô nem aí”.

Há amor incondicional, acima de todas as qualidades e defeitos, é “superior”.

As pessoas são diferentes entre si, portanto, o amor que sentem será sempre diferenciado.

Cobrar do outro um amor igual ao nosso é minimizá-lo.

Porém, precisamos perceber o que o outro “precisa” e tentar nos aproximar disso.

Amor é complementaridade. Quem ama quer ser feliz fazendo o outro feliz. Isso é parte de sua felicidade. 

Aceitar as diferenças implica em aceitar os modos diferentes de amar.

O que nos torna humanos mais completos é o amor. 

Sendo assim, ame, do seu jeito, mas não deixe de amar. 

Alda M S Santos

Sorrisos

SORRISOS

Há sorrisos de todo tipo:

Sorriso tímido, olhar baixo, inseguro

Sorriso amarelo, sem graça, envergonhado

Sorriso largo, sem censura, contagiante

Sorriso triste, sofrido, saudoso

Sorriso falso, que repele

Sorriso nervoso, tenso, preocupado

Sorriso sensual, que atrai,

Sorriso com os olhos, que traz a alma junto e nos cativa

Sorriso carinhoso, solidário, amigo, que conforta 

Sorriso de amor, que vem do coração e nos abraça forte.

São sorrisos…Todos.

Distribuímos os nossos criteriosamente

Recebemos dos outros, nem sempre como gostaríamos.

De qualquer modo, já dizia o poeta:

“Não que a vida esteja assim tão boa,

Mas um sorriso ajuda a melhorar…”

Que sejamos mais democráticos ao distribuí-los e recebê-los.

Alda M S Santos 

Marcas de praia

MARCAS DE PRAIA

E a viagem acabou…

Será? O que restou?

Trazemos mais que marquinhas de biquíni no corpo,

Mais que uma pele dourada ou cabelos rebeldes,

Mais que fotos maravilhosas e sorridentes,

Mais que uma concha, tattoo ou souvenir,

Muito mais do que se pode ver.

Vai além do que está aparente.

Trazemos marcas impressas na alma,

Energia renovada, lembranças boas,

Carinho de um povo interessante e lutador,

Uma cultura diferenciada, lugares lindos.

Tudo isso vira massa a se moldar dentro de nós.

E o que ela se tornará só depende de nós mesmos,

Da combinação do que já somos com o que recebemos.

Nunca voltamos os mesmos de uma viagem.

Felizmente!

Alda M S Santos

Sobrevivência

SOBREVIVÊNCIA

Após toda tempestade fazemos um levantamento minucioso dos prejuízos, verificamos o que não foi levado pelo vento ou pelas águas, o que ficou de pé, intacto, ou apenas com pequenas avarias.

Buscamos o que sobrou, o que precisa ser reconstruído e o que não vale a pena trazer de volta.

Queremos encontrar sobreviventes.

Nas nossas próprias tempestades acontece o mesmo.

Como náufragos, sós, buscamos o que restou.

Tentamos sobreviver!

Boas pessoas são levadas. Tantos bons sentimentos parecem morrer, se extinguir, deixam de existir ou não são aparentes mais…

Como em toda tempestade, o que é forte e verdadeiro fica, não é levado pelas águas ou circunstâncias alheias a nós.

Podem sofrer danos, se arranhar, machucar, tornar-se fosco, mas um pouco de limpeza, atenção e cuidado trará o brilho novamente. Pode ser um móvel, imóvel, pessoa, amizade, amor…

Não adianta tentar salvar o que está danificado demais ou que não quer ser salvo. Perda de tempo e energia.

Toda tempestade tem seu propósito. Uma casa, carro, pessoas ou sentimentos que não enfrentaram tempestades, não tiveram sua força e resistência postas à prova. Não têm garantia de durabilidade.

O que não queremos que seja levado pela tempestade fortalecemos suas bases, alimentamos suas raízes.

Importante saber que toda tempestade deixa algo de bom, irriga nossas emoções, aproxima do que é verdadeiro.

O que não nos mata nos fortalece, nos torna mais fortes e sábios para as próximas tormentas.

Somos sobreviventes!

Alda M S Santos

Dá pra ser feliz

DÁ PRA SER FELIZ

Dá pra ser feliz navegando em alto mar

Mergulhando nas ondas altas

Molhando-se na beira da água

Caminhando à beira-mar

Sentado debaixo de um coqueiro admirando a paisagem.

Em todo tempo, lugar e companhias…

Desde que seja nossa escolha,

Não resultado da imposição do medo 

Ou da vontade de terceiros…

Pra ser feliz é preciso seguir o próprio coração.

Alda M S Santos

ADEUS

ADEUS

Tudo tem começo, meio e fim, 

Tempo contado, prazo de validade

Não importa!

O que vale é aproveitar, curtir, mergulhar fundo

Esgotar as possibilidades

E não se lamentar

Apenas agradecer!

À vida, a Deus, gratidão.

A essa terra, a esse mar maravilhoso, adeus! 

Até breve! 

Alda M S Santos

Parcerias

PARCERIAS

Parcerias, sempre buscamos…

Obtemos várias ao longo da vida.

Parcerias profissionais, parcerias de amizade, 

De família, parcerias de alma…

Umas rápidas, porém, intensas,

Algumas passageiras e leves,

Outras duradouras e tranquilas.

Há aquelas que não vingam, não dão certo

Que estão sempre nos sonhos, nos desejos

E as que são eternas no coração da gente…

Eterna troca de amor.

Devemos curtir, aproveitar, pois

“Somos nós que fazemos a vida, 

Como DER, ou PUDER ou QUISER”…

Alda M S Santos

Marcas

MARCAS

Na desconhecida extensão de minha jornada

Vou imprimindo minha marca

Forte, leve, às vezes insegura

Só ou acompanhada,

Feliz ou nem tanto

Sempre carinhosa e intensa.

Até quando o Criador permitir…

Alda M S Santos

Como o mar

COMO O MAR

Seja em maré alta ou baixa

Lua cheia, nova, minguante ou crescente

Ondas que vão e que vêm

Trazem muito com elas

Levam outro tanto consigo

Boas ou ruins…

Assim é o mar,

Infinitamente.

Assim é a vida, dia após dia. 

Quem ama o mar o aceita assim

Quem ama a vida aprende a conviver com seu vai-e-vém.

E a ama, apesar de tudo. 

Alda M S Santos

Melhor caminho

MELHOR CAMINHO

Deixemos transbordar do coração 

Ficar repleta a alma 

A mente sugar toda essa magia 

Todo o nosso ser será belo

Não haverá outro caminho para nossos pés

Que não seja o do amor.

Alda M S Santos

Brisas

BRISAS

Brisa…

O tempo todo ela sopra por aqui…

Não há o que eu mais goste no mar que a brisa que vem dele.

Cheiro característico, som calmante, 

Toque maravilhoso na pele, 

Suave, refrescante

Alterna-se com o calor do sol

Arrepia, dá prazer.

Democrática, atende a todos.

Fechando os olhos, deixamo-nos levar…

Permitimos que leve o que não desejamos 

E que traga o que precisamos

Pra mente, pro coração, pra alma…

Reabastecemos as forças, curtimos.

Sabendo que ela pode transformar-se em ventania ou vendaval a qualquer hora…

E tudo revirar! 

Alda M S Santos

Área de turbulência

ÁREA DE TURBULÊNCIA

 “Senhores passageiros, pedimos que permaneçam sentados, poltronas na vertical, cintos de segurança afivelados e compartimentos de bagagens fechados.

Estamos atravessando uma área de turbulência.”

Faltou apenas dizer: se possível, não pensem, não respirem, ou poderão ser tragados.

Tantas turbulências na vida… 

Será que essas regras de voo valem para todas? 

Podemos querer deitar e dormir.

Correr, chorar, gritar…

Ficar livres, voar pra longe, sem nada a nos afivelar…

Enfrentar a turbulência, aguardá-la passar…

Ou nos deixar levar por ela.

Uns solavancos e frios na barriga podem até fazer bem!

Nos voos aceitamos! 

Fora deles, cada um de nós define as regras de “segurança” mais adequadas à própria turbulência.

Não precisaremos de aviso que a área de turbulência passou.

Isso todo mundo sabe!

“Obrigada por voar conosco”.

Por nada! 

Alda M S Santos

A mais linda melodia

A MAIS LINDA MELODIA

Musicista e seu instrumento fazem parte um do outro.

Mãos que tocam e retiram das cordas a vibração desejada

Baquetas que bem movimentadas produzem sons graves, agudos, longos, suaves 

Dedos que se alternam nas teclas e geram a resposta pretendida  

Bocas que sopram no ritmo e momento certo, fazendo que o movimento do ar produza maravilhas musicais.

Um instrumento não “existe” sem o instrumentista

O instrumentista sem o instrumento não produz uma linda melodia. 

São interdependentes.

Assim também são os amantes…

Como músicos e seu instrumento,

Um produzindo no outro a mais linda canção.

A beleza da melodia dependerá da afinidade e sintonia entre ambos. 

Por mais perfeito que seja o instrumento, sem um bom instrumentista torna-se desperdiçado.

Em contrapartida, o desempenho de um músico torna-se sofrível se o instrumento não estiver à sua altura. 

Contudo, juntos, a prática, o treino, a persistência e o amor pelo que faz

Formam bons músicos.

Produzem bons amantes. 

Criam a mais linda melodia: a que vem do amor. 

Alda M S Santos 

Os muros do amor

OS MUROS DO AMOR
Por Alda M S Santos
Há muitos e muitos anos atrás, um rei muito bondoso, preocupado com a fome que assolava todo seu povo, e com a taxa de natalidade que crescia assustadoramente, baixou um decreto polêmico.
Com o intuito de estabilizar a natalidade e reduzir a fome, dividiu seu reinado com uma muralha. A partir dos quinze anos de idade, todas as moças e rapazes deveriam ficar em lados opostos dos muros. Não teriam qualquer contato com o sexo oposto. Exceto seus pais, que poderiam transitar pelos dois lados.
Assim, moças e rapazes passaram anos e anos convivendo apenas com outros do mesmo gênero.
A taxa de natalidade caiu muito e a fome foi controlada. A tristeza impedia uma alimentação mais consistente e a própria procriação dos casais já formados.
Passado algum tempo de isolamento, a taxa de mortalidade entre esses jovens cresceu assustadoramente, principalmente entre os rapazes, agora homens, o que preocupou bastante o rei.
Um médico foi chamado e nada se notou de doença física que pudesse ter causado tais males.
Teve início uma análise profunda da mente dos jovens remanescentes, os que estavam em melhor estado e aqueles que estavam em tristeza profunda.
Observou-se que a morte tinha ocorrido entre parcelas dos jovens que tinham mantido uma relação mais próxima com outro do sexo oposto antes do confinamento.
Porém, uma parcela menor, que também manteve contato com o gênero diferente do seu, estava em bom estado de saúde emocional.
Nesses, os médicos concentraram seus esforços e o que descobriram mudou toda a história.
Uma jovem, todas as manhãs, ao acordar, dava “bom dia” ao sol numa reverência, e “”boa noite” à lua. Muitas das outras a consideravam louca.
Questionada pelo médico, ela explicou que ao fazer aquilo sentia-se próxima do seu amado que tinha ficado do outro lado do muro. Antes de serem separados à força, todos os dias e noites ambos reverenciavam juntos o sol e a lua de mãos dadas: “Que esse sol que nos ilumina e aquece, mantenha sempre em nós o brilho do nosso amor”. O mesmo era dito à lua.
Ainda em dúvida, o médico verificou entre os rapazes que o que estava em melhor estado era o beneficiário do amor da jovem em questão. Ele também fazia o mesmo ritual.
O doutor acabou por verificar vários outros casos similares: jovens que cultivavam rosas, escreviam poemas, liam livros, nadavam ou exerciam alguma atividade que os conectasse, de alguma forma, aos parceiros do outro lado. Tendo a comunicação cerceada, os jovens arranjaram uma forma de manterem viva a sintonia entre eles.
Diagnóstico: causa mortis: tristeza e saudade. A natureza masculina e feminina necessitava uma da outra para manter sua vitalidade, sua saúde física e emocional.
O rei, arrependido do decreto, mandou que os muros fossem derrubados e que a natureza fosse restabelecida.
Os lindos casais formados tomavam todo cuidado para não formar um muro invisível entre eles.
Aprenderam, a duras penas, que em matéria de amor, tão importante quanto a proximidade física, é manter a comunicação, a sintonia, a proximidade emocional.

Cuidados de amor

CUIDADOS DE AMOR

Pode ser um olhar penetrante, sapeca ou uma leve piscadela …

Um abraço apertado, que te levanta do chão, um tipo conchinha ou, simplesmente, que dure dois segundos a mais…

Um beijo longo e demorado, um selinho ou beijinho soprado de longe… 

Um leve toque no rosto, mãos que se dão, dedos que se cruzam…

Um bom dia ou boa noite, uma mensagem a qualquer hora, um telefonema…

Um botão de rosa, bombons, um livro, um perfume…

Um “se cuide”, “fique bem”, “Deus te proteja”…

Um “lembrei de você”, “achei a sua cara”, “estou com saudades”…

Um “não se vá”, “fique”, “senti sua falta hoje”, “como está?”…

Um “preocupado com você”, “quero ajudar”, “conte comigo”…

Uma parte maior da pizza, do edredom ou do sorvete…

O poema, a música, o filme ou livro preferidos de surpresa…

Sua foto na carteira, na tela do celular, num arquivo secreto, na mente, no coração…

Aquela apertadinha safada, uma bobagem sussurrada no ouvido, dentes cerrados para não morder…

Um apelido carinhoso, aquela brincadeira ou código que só ambos entendem, cúmplices…

Não há desculpas…

Muitas são as maneiras de dizer “eu te amo”! 

Ainda assim, as palavras são importantes. 

Vão direto ao coração, sem escalas! 

Não permitem a solidão ou abandono.

Já disse “eu te amo”, hoje? 

Alda M S Santos

Quem se importa?

QUEM SE IMPORTA? 

Uma marquise no centro da cidade barulhenta.

Noite de forte tempestade, manhã de chuva fina.

Quem se importa?

Camas improvisadas, cobertas que mal cobrem os corpos semi-nus.

Num canto, uma “cabana” com seus pertences. 

Ali é sua casa: dormem, comem, se alimentam, brincam, fazem amor.

Metade da manhã se foi.

Ainda dormem, alheios à correria à sua volta. 

Certamente acostumados a ignorar os comentários:

“Marginais, podem nos assaltar a qualquer momento.”

“São fortes, podem trabalhar”.

“Preguiçosos, enfeiam a cidade e afastam os clientes”.

Num canto, um deles me flagra os observando.

Sustento o olhar do senhor, cicatrizes na alma, tristezas profundas se encontram.

“Bom dia”, digo, sem saber o que dizer.

Firme no meu olhar responde: “Jesus te abençoe”. 

Choro…

Por eles, por suas dores.

Pela minha inércia, apesar da vontade de sentar,bater um bom papo, ouvir aquela história. 

Tenho vontade, tenho medo, tenho pressa. 

Na volta, esmolavam em vários cantos. 

“Vá com Deus, menina bonita”, ele grita para mim e acena. 

“Fique com Ele”. 

Seguimos nossos caminhos…

A cidade também…

Quem se importa? 

Alda M S Santos

Primeiros socorros

PRIMEIROS SOCORROS

Diante de casos emergenciais de saúde, o pronto atendimento é fundamental para garantir a vida de um indivíduo.
Nesse âmbito, a correta utilização do socorro inicial pode ser decisiva.
O objetivo dos primeiros socorros é aplicar procedimentos que estabilizem o paciente e afastem o risco iminente de morte.
Batimentos cardíacos, pressão arterial, atividade pulmonar e cerebral, ausência de hemorragias, estabilidade da coluna vertebral, tudo é verificado.
Assim, todos os recursos disponíveis são utilizados para garantir a vida: desfibriladores, traqueostomias, drogas potentes, torniquetes, incisões diversas…
Invasivos ou não, são necessários, ainda que deixem sequelas.
Passada a emergência, avalia-se o quadro, evoluções e retrocessos, e prescreve-se novos procedimentos para o pronto restabelecimento do paciente.
O mesmo se aplica às emergências emocionais.
Nossa psique é tão ou mais sensível que nosso corpo e necessita de cuidados à altura.
Diante de um trauma, um susto, uma decepção, uma perda, um luto, uma tristeza profunda, um choque emocional, também são necessários primeiros socorros.
Mantém-se a integridade física e cuida-se das lesões, nem sempre aparentes, da mente, do coração, da alma.
O ouvido é o melhor instrumento nesses casos. Deixemos falar! Improvisemos divãs!
Muitos tendem a querer abafar, esquecer, deixar pra trás. “Não chore, vai passar”.
Isso é como colocar esparadrapo numa infecção aberta. Ela voltará com força total.
Extravasar é fundamental para estabilizar as emoções. Cada um reage de um modo, mas colocar pra fora: chorar, falar, esbravejar, é o começo da cura. Trata-se de limpar a ferida purulenta.
Só depois entram os medicamentos e curativos, a análise racional, as conversas sérias, os abraços poderosos, o ombro amigo, o colo gostoso, as mãos dadas, as palavras sábias, a busca de soluções.
Nas emergências orgânicas ou emocionais, sufocar não é procedimento padrão. Pode gerar males crônicos.
Primeiros socorros mal aplicados podem matar o paciente ou torná-lo imprestável para a vida tanto quanto desconsiderar a gravidade do quadro e relegá-lo a segundo plano.
Ninguém está livre de ter que aplicar ou receber.
Estejamos atentos!
Alda M S Santos

Transbordando 

TRANSBORDANDO 

Quando não cabe dentro, enche
Quando está cheio, transborda

Seja o que for; bom ou ruim
Sai nos olhares, nos sorrisos
Nas lágrimas, nas expressões corporais
Nas palavras ditas ou escritas
Em telas, papéis ou muros…
E invade o mundo alheio.
Cada um percebe e se apodera do que quer
Do que precisa,
Do que melhor lhe aprouver.
E recomeça o ciclo…
Assim vamos enchendo o mundo de poesia…
Alda M S Santos

Entrelaçar

ENTRELAÇAR
Amar é se entrelaçar
Sempre…
Não só entrelaçar as pernas, os corpos
Bem mais que isso!
Amar é grudar nos pensamentos,
É juntar as emoções,
Partilhar desejos e sonhos
Entrelaçar almas em sintonia
Mesmo que não se entenda
Que não se explique
Apenas se sinta…
Entrelaçar no amor é
Formar laços entre dois seres
A ponto de não se identificar onde começa um
ou termina o outro.
Alda M S Santos

Nossos anjos

NOSSOS ANJOS 

Se passarmos um filme em retrospectiva de nossas vidas

Poderemos observar algo que irá sempre se repetir

Mudam o local, o cenário, os atores, a trilha sonora, até o roteiro

Porém, a história é a mesma em várias versões

Desafios e obstáculos superados.

Talvez não pareça vitória ou superação,

Mas, entre as opções existentes, nos saímos bem.

Muitos foram os buracos em que caímos, 

Os vãos em que nos esprememos.

Inúmeros desvios de obstáculos, 

Incontáveis escorregadas em falsos amigos,

Bastantes as vezes em que corremos do amor ou para o amor,

Ou nos sentamos, choramos, reabastecemos energias,

Restauramos as forças…

Veremos que em todos esses momentos havia alguém especial conosco

Enviado por Ele para nos fortalecer. 

Como essa é uma história aberta, em construção,

Quais são os obstáculos de agora, nossos “inimigos” atuais?

Quem é nosso anjo especial? 

Nunca estamos sós! 

Alda M S Santos

Saudades de mim

SAUDADES DE MIM

Saudades de mim…

Do tempo em que eu me bastava

Não por autossuficiência,

Mas por saber o que buscar

Como, porque, quando.

Saudades de mim…

Do tempo em que eu era o bastante

Não para todos, 

Mas para aqueles que me são caros…

Saudades de mim…

Do tempo em que eu sempre estava aqui.

Que me atendia prontamente ao primeiro chamado

E não era preciso gritar tão alto.

Ou me encontrar no silêncio mais profundo de mim mesma.

Saudades de mim…

Alda M S Santos

Quem ama, mata!

QUEM AMA, MATA!
Matou por amor.
Tão paradoxal que beira à insanidade.
Nossas crianças e jovens ouvem e veem isso todos os dias.
Crescerão acreditando que quem ama mata.
Basta não se sentir amado, ser contrariado ou não ter seus desejos atendidos.
Que é natural matar “por amor”.
Quem ama mata! Todos os dias, todo o tempo.
Não a morte do corpo, não a morte da alma.
Mata a necessidade de companhia, mata a ânsia de se ver belo no olhar do outro, mata o desejo de fazer amor, de sorrir e conversar juntos, mata a solidão…
Quem ama vive, gera vida, para si, para o outro.
Quem ama não mata, não mutila ou deforma o corpo, não ameaça, não amedronta a alma, não tira a luz do olhar, o brilho do sorriso.
Quem acredita que quem ama mata seu “objeto” de amor, literalmente, está matando aos poucos o amor no outro.
E já matou o amor dentro de si há muito tempo.
Alda M S Santos

Tão fácil!

TÃO FÁCIL! 

Aparentemente tão fácil! 

Encontrar um companheiro para voar juntos

Descobrir novos espaços, novos ares,

Namorar!

Novo céu, azul intenso, sol mais brilhante…

Um lar, um ninho, simples e caprichado.

Materiais retirados da natureza!

Uma família sonhada, constituída, alimentada e amada…

Ali encontram todos os alimentos que precisam.

Têm de sobra: confiança que tudo vem

Têm em falta: preocupações e ansiedades. 

O que importa têm em fartura: 

Alegria para viver e cantar!

Tão fácil!

Em qual parte complicamos, se somos “superiores” e racionais? 

Alda M S Santos

Fazendo o caminho

FAZENDO O CAMINHO

Hoje pode estar lindo e calmo

Sol, cores e alegrias

Amanhã, nuvens e tempestades

Não esperemos um caminho suave, florido e belo todo o tempo.

Estando preparados para intempéries, caminharemos com mais alegria e disposição.

Não esperemos um caminho pronto, pois

“É caminhando que se faz o caminho”…

Alda M S Santos

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