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Escritora?

ESCRITORA?

“Nossa, você é escritora! É a primeira que conheço!”

Ouvi certa vez, sem perceber ao certo, se era crítica ou apreço

Já fui acusada de excessivamente romântica

Até mesmo piegas, pura semântica

Apontada por outros como extremamente sensível, poética e habilidosa

Pois “não é pra qualquer um escrever poema ou prosa”

Questionada de vários modos de onde vem tanta inspiração

Digo apenas que tudo é despertado, fruto da emoção, da imaginação

Com o veredicto de maluca, pois ninguém gosta de fazer redação se não for obrigação

Aceito qualquer penalidade, desde que o hospício permita caneta e papel à mão

Trocadilhos, brincadeiras, versos e rimas à parte

Quem escreve sabe bem, escrever é nossa mata, nosso oxigênio, sabe-se dependente, não consegue viver sem a catarse dessa arte

Escrever é apenas mais um modo de respirar, de amar, de viver, de se comunicar

Nem melhor, nem pior, correndo ainda o risco de se decepcionar

Tudo que é dito através das palavras cantadas pela alma, nada mais suplanta

O que a alma diz, a razão pode até interpretar, mas é o coração que compreende,

É outra alma afim que se encanta…

Alda M S Santos

Queria voltar àquele tempo

QUERIA VOLTAR ÀQUELE TEMPO

Queria voltar àquele tempo

Onde os desejos eram simples e facilmente satisfeitos

Chupar bala puxa-puxa, subir em árvores, andar descalça, brincar na rua, tomar banho de bacia, dividir a cama com o irmão

Tempo de sentimentos puros e perfeitos…

Queria voltar àquele tempo

Onde os amigos eram menos virtuais, mais reais

Estavam do outro lado da cerca de bambu

A apenas um abraço de distância

Tempo de amigos leais…

Queria voltar àquele tempo

Onde os amores eram mais verdadeiros

Confidências, sorvete na pracinha, beijos roubados, “pegas” no portão

Tempo de amores mais parceiros…

Queria voltar àquele tempo

Onde as músicas eram pura poesia

Dançantes ou não, tocavam corpo e alma

Tempo de melodias que refletiam o que a gente sentia…

Queria voltar àquele tempo

Onde até sofrer era uma forma “doce” de viver

Sem precisar recorrer a antidepressivos

Tempo de magia, encanto e prazer…

Queria voltar àquele tempo,

E me sentir plenamente reviver…

Alda M S Santos

Confissões

CONFISSÕES

Quantas confissões são necessárias para a leveza de nossa alma?

Ao diretor espiritual, aos pais, aos amigos, ao cônjuge, aos filhos, a desconhecidos

Ao terapeuta, a Deus, ao travesseiro, apenas a nós mesmos?

Quantas confissões são verdadeiras, corações rasgados,

Regadas a lágrimas, alma nua?

Admitir um erro, uma fragilidade, uma raiva, uma inveja, um amor

Quase nunca é fácil!

Assumir e confessar a responsabilidade num fracasso

Ou a inabilidade em lidar com algo ou alguém

É humanamente difícil!

As confissões que envolvem sentimentos e emoções são as mais complicadas!

Posso não ter amado ou me dedicado o suficiente a alguém

Demonstrado dificuldade ao admitir ou confessar o amor

Mas nunca disse amar, sem ter amado verdadeiramente

Nunca deixei que outro assumisse um erro que era meu

Mesmo assim, erros, medos e fragilidades confesso mais ao travesseiro…

Essas confissões nos deixam nus perante o outro

São difíceis, porém, as mais importantes

Esse “peso” retirado da alma, dividido com alguém, ainda que conosco mesmos

Nos faz mais leves para seguir em frente

Com mais sabedoria para aceitar a nós mesmos e ao outro

Com as qualidades e defeitos inerentes a todo ser humano

Procurando acertar mais que errar

Fugindo das canoas furadas que já conhecemos

E buscando, ainda que inadvertidamente, os melhores caminhos…

Alda M S Santos

O amor na ausência

O AMOR NA AUSÊNCIA

O amor é sentimento tão ímpar

Que é sempre identificado

Ainda que na sua ausência.

Onde ele encontra morada

Tudo é luz, brilho, resplandecer

Cor, forma, contágio, alegria

Visível até aos mais incrédulos

Onde ele não é percebido

Notamos as pegadas de sua ausência:

Secura, tons acinzentados, amargor

Opacidade, escuridão, tristeza

Lágrimas, espaços vazios, vácuos

Mas ele está lá, em forma de semente

Pronta para germinar à primeira gota d’água

Ao calor do primeiro raio de sol

Ao cuidado de um mínimo gesto de reciprocidade

Vira broto, desenvolve raiz, cresce

Torna-se flor, árvore frondosa

Sem precisar fazer sombra ou derrubar outras “árvores”…

Alda M S Santos

Ninhos vazios?

NINHOS VAZIOS?

Um ninho vazio, aparentemente um emaranhado, muito bem tecido

Fios, fiapos, pequenas linhas e folhas, galhos, tudo bem escolhido

Montado com o máximo capricho e cuidado

Amor e proteção em cada mínimo detalhe

Para realizar desejos, receber bênçãos, dar vida ao que foi sonhado

Há pouco eram só penugem, fome, pios, bicos abertos

Carinho ao alcance das mãos, ou melhor, dos bicos famintos

E logo se transformaram em penas, força, canto, asas, voo

Inseguro, a princípio, raso, baixo, assustado

Seguido de força, coragem, beleza e encanto

Proporcionando muito orgulho àqueles que no ninho ficaram

E, paradoxalmente, uma alegria salpicada de tristeza, de saudade

O amor tem o dom de alimentar quem trata de alimentar o outro

E o alimento parece faltar a quem não tem mais os alimentandos

Aquele ninho não é mais útil, não os cabe mais

Não para a mesma finalidade, ficou apertado para o tamanho de suas asas

O alimento dali já não é nutritivo o bastante

Mas quem aprendeu a se alimentar nesse bico

Quem cultivou o amor no pulsar desse coração

Quem ali desenvolveu os músculos das asas e alçou o primeiro voo

Não se esquece…

E se lembrará quando novo ninho for tecer

Com o mesmo amor e cuidado

Vida e amor se renovam

E mantêm os ninhos sempre cheios…

Alda M S Santos

Ruínas

RUÍNAS

Mergulhar no que acreditamos serem nossas ruínas

Limpar áreas empoeiradas de nossa alma

Quase nunca visitadas, negligenciadas, até temidas

Pode nos levar a encontrar objetos esquecidos

Partes importantes de um quebra-cabeças que julgávamos perdido

Uma figurinha que faltava no nosso álbum de vida

Uma flor desidratada dentro de um livro que irriga nossos olhos

Uma dedicatória significativa e estimulante, que injeta ânimo e coragem

Coisas que julgávamos mortas e sepultadas que ressuscitam

Como uma criança que revisita o quartinho de brinquedos velhos

E volta de lá feliz com muitas coisas “novas” ou perdidas

Para voltar a brincar…

Ruínas podem ser muitas vezes

Apenas partes de nós

Que, se bem avaliadas e cuidadas ,

Podem voltar à vida e brilhar tanto ou mais do que antes…

Alda M S Santos

Mal acostumados?

MAL ACOSTUMADOS?

Um dia, aguando o jardim fui alertada a reduzir a irrigação

“Não pode molhar todos os dias, vão se acostumar e sentir falta depois…”

Quantas vezes usamos esse raciocínio para a vida?

O quanto de bom somos privados para não ficarmos mal acostumados?

Um alimento, um passeio, noites de sono, descanso

Companhias, risadas, carinho, amor…

Claro, toda mudança é sentida

Particularmente quando algo de bom é retirado

Cuidar para não criar dependência do que é impossível manter é sábio

Mas privar-se de algo prazeroso pra não sentir falta depois

Não me parece muito inteligente.

E as flores recebiam felizes a água que eu as oferecia diariamente,

Amanhã é outro dia. Incerto.

Se precisarem buscarão reservas no solo

Como nós buscamos reservas em nossa alma quando precisamos

Se ela estiver bem nutrida,

A vida segue florida…

Alda M S Santos

Bosque particular

BOSQUE PARTICULAR

Se nossa vida fosse resumida num bosque, numa mata

Como ela seria?

Quantas árvores frondosas, antigas

De copa acolhedora, troncos maciços, galhos grossos e retorcidos teríamos conservado?

Seria fechada, cheiro de terra úmida, cantos de pássaros

Insetos, vento soprando suavemente?

Teria nesgas de luz do sol a passar insistente entre os galhos e iluminando o chão repleto de folhas e frutos?

Haveria árvores novas crescendo felizes entre as matriarcas?

Seria uma mata convidativa ou amedrontadora?

Teríamos arrancado alguma árvore antiga ou impedido uma nova de crescer?

A majestade de uma mata está na diversidade, na segurança

Na capacidade de acolhimento que nos fornece gratuitamente

Conservar árvores antigas é manter a possibilidade de se recostar e descansar

Cultivar árvores novas é a capacidade de seguir em frente, de nos renovarmos sempre

Natureza que sempre ensina…

Alda M S Santos

Precisamos acreditar em nós

PRECISAMOS ACREDITAR EM NÓS

Precisamos acreditar que tudo podemos se lutarmos

Mas não nos abater tanto quando algo não sair como o planejado

Precisamos acreditar que há amizades verdadeiras, amores eternos, vivos dentro da gente, que não caem ao primeiro vento

Mas não desistir da vida e dos relacionamentos se uma amizade ou um amor, por motivo qualquer, se for

Precisamos acreditar que construímos nossos caminhos, que fazemos nossas escolhas

Mas não nos punirmos ao ser preciso voltar quando um caminho se mostrar sem saída, ou uma escolha não for apropriada

Precisamos agradecer por sermos importantes, a “vida” de alguém, por termos pessoas importantes, nossas vidas

Mas não estacionarmos quando precisarem viver suas vidas além de nós

Precisamos acreditar nas cores da vida, no brilho, na sua capacidade de nos atrair

Mesmo quando enxergamos apenas cinza, através do brilho das lágrimas, da saudade ou da desilusão

Precisamos acreditar que tudo passa, bom ou ruim, cedo ou tarde

E que nossa flexibilidade perante os acontecimentos nos torna mais aptos a enfrentá-los

Precisamos acreditar que os melhores caminhos são os abertos a ferro e fogo, ou com carinho, em nossas rochas internas, que levam a recantos secretos, mágicos

São eles que precisamos percorrer quando algo se complica, por onde passam as águas que nos trazem vida

E é de onde buscamos forças para prosseguir

Precisamos aceitar que somos seres errantes, imperfeitos, que estamos aqui para aprender

Precisamos acreditar em nós!

Alda M S Santos

Rachaduras

RACHADURAS

Somos feitos de gretas, falhas, rachaduras, frestas

Pelas gretas é que entram os amores, desavisadamente

Num momento de distração ou fragilidade, tomam posse

E são a liga que une o que há de melhor em nós ao outro

Mantendo-nos estáveis, mesmo sob constantes balanços

Pelas rachaduras é que saem as decepções, amarguradamente

Quando estão nos sufocando buscam ar, aos goles, aos borbotões

E deixam extravasar os excessos, permitindo novo respirar, sobrevivência

Pelas frestas podemos antecipar maremotos e nos preparar

Essas falhas em nossa rocha permitem a água passar sem grandes danos

Tapar nossas gretas e rachaduras não é muito sábio

Uma estrutura sem gretas, sem rachaduras, sem frestas, sem “falhas”

Que permitam que nosso prédio interno se ajeite, se estabilize, se reorganize, dilate

Nos balanços das grandes tempestades

Pode ruir, implodir, explodir, desmoronar…

Alda M S Santos

Em casa

EM CASA

Sinto-me em casa quando posso ser quem sou

Sem constrangimentos, andar descalça, descabelada, ou não

Nua em pelo, de corpo e alma

Ou num moletom desbotado e nada sexy

Sem temer julgamentos ou represálias, sem falsos pudores

Com a certeza de ser aceita como sou

Dizer tudo que aprouver, ouvir sem resistência, com prazer

Ou silenciar, sem causar lacunas desagradáveis

Usar aquele baby-doll confortável que mais parece um abraço

Aqueles chinelos gastos como as memórias

Ouvir e cantar a música preferida bem desafinada, não importa

Esparramar na rede, ler um bom livro,

Entregar-me às boas memórias, às saudades, aos sonhos

Assistir um filme no sofá com um pote grande de pipoca

Ouvindo a chuva cantarolar feliz no telhado

Numa sintonia perfeita com minha alma

Aceitação total de quem sou, sem amargar culpas

Aceitando as pedras que aparecerem como oportunidade de superação

Sem ferir ou machucar ninguém, ajudando, se possível

Sabendo que Alguém lá em cima me ama e olha por mim

Isso é estar em casa!

Qualquer lugar ou pessoa que nos faça ser ou sentir diferente disso

São, no máximo, tolerados…

Estar em casa é um estado de espírito de graça

De simplicidade, harmonia e paz…

Alda M S Santos

Quando lagartas

QUANDO LAGARTAS

Difícil quem ache nelas beleza

Nas atemorizantes e assustadoras lagartas…

Amam as borboletas, matam as lagartas

Sem elas, contudo, não há o leve voo de extrema delicadeza

Das lindas e coloridas borboletas…

Somos muito assim

Nossa fase lagarta muitas vezes amedronta

Aos outros, a nós mesmos

Outras vezes não queremos sair, como afronta

E estacionamos na fase lagarta, no estágio casulo nos prendemos

Sentimos falsa proteção no “conhecido”

Não deixamos a vida fluir

Impedimos a metamorfose

E perdemos a beleza que cada fase tem

Se quisermos apreciar uma borboleta, sermos uma borboleta

Precisamos encarar de frente e com coragem nossas lagartas…

Alda M S Santos

Quanto vale uma vida?

QUANTO VALE UMA VIDA?

Uma pergunta difícil : quanto vale uma vida?

Uma vida vale tudo, mas não há nada que pague.

Também não vale nada, visto que não há valor material que possa sustentá-la

E tantas vezes parece estar presa a um único fio…e perdura

E outras, parece forte… e se perde

Vale o tamanho do nosso amor, da dor que fica

Da ausência deixada, da lacuna não preenchida

Como amor não tem medida, a vida também não tem…

Qualquer vida que se perde

Que permitimos que se vá

Que não conseguimos impedir a partida

É uma perda irreparável,

Independente de quem foi

Sexo, idade, classe social, instrução, religião, profissão…

É sempre um projeto de Deus interrompido…

E uma vida nunca pode substituir a outra

Cada vida é única e especial

Algumas são mais preciosas para a gente que outras

São aquelas que Deus nos entregou nas mãos e disse

“Cuida, confio em você”!

São aquelas pelas quais seremos cobrados

São aquelas que trazem tudo de bom que temos

Que fazem a nossa própria vida ser preciosa

Que nos alimentam de sorrisos e lágrimas

Que nos fazem acender, manter e fazer valer nossa porção divina…

Alda M S Santos

Céu e inferno

CÉU E INFERNO

Ansiamos pelo céu, tememos o inferno

Mas ambos estão muito pertinho de nós

Na verdade, ambos estão dentro de nós, ou nós dentro deles

Estamos no paraíso quando experimentamos boas sensações

Amor correspondido, amizade sincera, família unida

Corpo e mente saudáveis, paz conosco mesmos

Tudo lá fora torna-se lindo, colorido, brilhante, mesmo com raios e trovões, gelo ou nuvens pesadas…

Isso é paraíso.

Experimentamos o inferno quando não temos sintonia conosco, com os outros

Quando faltam empatia, amor, amizade, sossego

Quando sobram culpas, autoflagelos, dores, males físicos e mentais

Autopiedade, desconfianças, desamor, escuridão

Lá fora pode ser um espetáculo maravilhoso, sol quente, amor, natureza viva

E nós de olhos cerrados nos sentindo destruídos …

Isso é inferno.

O céu e o inferno, se fossem um lugar específico

Se tivessem que ser localizados num mapa

Seriam dentro de nossa própria mente, de nossa consciência

No mais íntimo de nossa alma

E depende de nós entrar ou sair de cada um deles

Fazer malas, mudar, deixar pra trás o que fere, ainda que com sofrimento

Mudanças sempre são dolorosas

E não precisamos morrer para isso…

Alda M S Santos

Medo de não ter medo

MEDO DE NÃO TER MEDO

Sentir medo é uma sensação desagradável

Hormônios liberados como a adrenalina causam mal estar e ansiedade

Medo de perder pessoas amadas

Medo de ser roubado, invadido

Medo de perder a saúde

Medo de não se sentir amado ou querido

Medo de fazer mal aos outros

Medo de não se encantar perante a beleza da natureza ou um ato de bondade

Medo de não amar, não sentir saudade

Não se sensibilizar perante os sofrimentos alheios

Medo de perder a fé em Deus

São muitos os medos que podem nos assolar…

Mas, mesmo desagradáveis,

Meu pior medo é o de não sentir qualquer medo

Seria sinal de que nada tenho de valioso a perder

Indiferença perante a vida

Esse sim é um medo perigoso

Isso seria quase morrer…

Alda M S Santos

Sobras de um amor

SOBRAS DE UM AMOR

Pequenos pedaços de fotos queimadas

Um sorriso numa, um beijo noutra, abraços rasgados ao meio

Partes de uma paisagem linda

Porta-retratos quebrados, cartões de aniversário amassados

Souvenirs, uma pulseira com o símbolo do infinito

CDs de músicas, filmes, poemas, vidros de perfume,

Entre as cinzas de uma fogueira, partes de uma história

Tentativa vã de apagar o amor vivido queimando símbolos

Ao rasgar, queimar, destruir as “provas” do vivido

Espera-se esfriar o que queima e machuca por dentro

Um modo de dizer: fim, acabou

Logo percebe-se que o que ocupou 100% de seus dias

Não se finda numa fogueira, não vira cinzas tão facilmente

Enquanto não se fizer as pazes consigo mesmo, com sua história

Aquela que está registrada nos corações, na alma

Permanecerá em fogo brando

Ainda que tudo tenha sido queimado lá fora…

Alda M S Santos

O amor é autoexplicativo

O AMOR É AUTOEXPLICATIVO

O amor, se verdadeiro, ensina sempre, se autoexplica

Ensina a leveza, mesmo sob pressão

A sorrir, mesmo com lágrimas nos olhos

A abrir mão, a proteger, a querer o bem do outro

Amor que é amor não se impõe, não invade espaço alheio

Não consegue se esconder,

Não tem necessidade de se esconder

Brilha, irradia, ilumina tudo

Nada exige, ao contrário, se doa, sem medidas

Democrático, contempla a todos,

Independente de raça, credo, sexo, espécie ou qualquer coisa…

Amor nasce em ambientes inóspitos, floresce,

Se bem cuidado nos faz crescer como pessoas

Amor constrói pontes, derruba muros, cria asas

Não se firma ou cresce sob bases frágeis ou falsas, confia

Pode quase tudo, mas não faz propaganda enganosa

Não precisa de autopromoção, aceita o outro como ele é

Não faz promessas vazias,

Amor supera obstáculos, encontra caminhos, abre trilhas

Amor constrói famílias, une pessoas, nunca destrói, renasce das cinzas

Amor traz bem estar, nunca culpas, não se envergonha

Se machuca muito, se machuca o outro

Ou se depende de derrubar quem quer que seja,

Certamente está distorcido.

Amor que é amor está firmado em bases fortes e duradouras

Naquelas que Ele, o mestre do amor, nos ensinou…

Alda M S Santos

Caminhos buscados

CAMINHOS BUSCADOS

A certeza de trilhar o caminho certo

Torna a travessia mais leve, prazerosa

A brisa suave torna-se carinho

Barulhos diversos tornam-se música

Tons acinzentados ganham cor

Sol forte é animador, chuva é refrescante

Companhias são bênçãos

Pedras são apenas obstáculos a nos fazer mais fortes

Ao contrário, no caminho errado tudo torna-se difícil

Mesmo que pareça brilhante e cheio de luz

Nos cega, é cinzento, doloroso, amargurante

Cedo ou tarde, sai caro, a conta chega, e alta…

E mais que saber desviar das pedras,

É fundamental não se tornar uma pedra

A emperrar o próprio caminho ou o caminho dos outros

Muitas vezes é difícil saber qual o trajeto certo

Ele não faz propaganda, não se impõe como o melhor

Muitas vezes exige sacrifícios, pode doer

Mas traz prazeres inigualáveis…

Precisamos buscá-lo dentro de nossa consciência…

Alda M S Santos

Saudade é bichinho intrometido

SAUDADE É BICHINHO INTROMETIDO

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

Mesmo que você o afaste firmemente

Ele costuma achar buraquinhos ou brechas

E ali se acomodar…

Se é num livro, ele torna-se personagem

Se for num filme, ele faz parte da cena

Num poema é a rima que falta

Numa canção é a harmonia da melodia

No sorriso é a dor camuflada

Nas lágrimas é o alívio desejado

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

E ali se acomodar…

Nas companhias, às vezes é a ausência

Nas ausências faz-se presença

No jardim é o mais suave perfume

No barulho é o silêncio dolorido,

No silêncio é o grito contido,

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

E como borboleta, ali se aboletar…

Cansado de tanto se impor,

Esse bichinho de nome saudade

Nas orações torna-se pedido

De ali ficar e morar para sempre…

Alda M S Santos

O que sobra de mim?

O QUE SOBRA DE MIM?

O quanto há dos outros em mim

E o quanto há de mim nos outros?

Quando alguém amado ou bem próximo morre ou se afasta

Sabemos que ali com eles foi uma boa parte de nós…

Morremos um pouco na morte ou afastamento de entes queridos: familiares, amigos, mentores

E porque não dizer também dos desafetos?

O que sobra de mim,

Sem a parte de mim que os outros carregam?

O quanto de mim é, na verdade, baseado no que sou para os outros,

No que eles são para mim?

Minha história seria a mesma

Se fossem retiradas pessoas que a ajudaram a compor?

Nossas vidas são entrelaçadas a outras vidas

Se um fio é retirado, todo o novelo se modifica!

O fio original já não sabemos mais qual é

Está emaranhado no todo.

Seria como retirar o ovo de um bolo pronto.

O que é ovo, leite, farinha, e o que é bolo?

Alguns fios são como o fio base que sustenta toda a estrutura do novelo

Somos fios estruturais na vida de algumas pessoas

E a recíproca também é verdadeira

Cada qual tem o seu: pais, filhos, amores, amigos…

Daí o tanto que balançamos com as perdas da vida…

Morremos um pouco ao morrer cada ser que amamos

O que sobraria de mim sem você?

O que sobraria de você sem mim?

Um novelo, que falta fios, talvez sem cor, frágil

Mas, ainda assim, um novelo…

Alda M S Santos

Refrigérios

REFRIGÉRIOS

Um banho de cachoeira para refrescar o corpo

Uma brisa de bons pensamentos e lembranças doces para limpar a mente

Uma chuva de boas ações para nutrir o coração

Uma tempestade de nós para nós mesmos

Para sintonizar no amor e alegrar a alma

Conosco e com os demais

E encontrar a paz…

Alda M S Santos

Templos

TEMPLOS

Escolas são templos, hospitais são templos,

Igrejas são templos!

Hospitais curam os doentes do corpo,

Escolas curam os “doentes” do conhecimento,

Igrejas, independente de qual seja, curam os doentes da alma

Uma igreja recusar acolher um pecador

Seria o mesmo que uma escola fechar as portas ao analfabeto

Ou um hospital não atender uma vítima baleada

Detentores do conhecimento não precisam de escolas,

Saudáveis não necessitam de hospitais

Igrejas não são casas de santos!

Igrejas, todas elas, devem abrigar pecadores e sofredores da alma.

Templos servem para nos fazer melhores do que somos,

Desenvolver o maior templo de todos: nós mesmos

O templo do amor!

Vamos acolher a quem precisa

Seja qual for o templo!

Alda M S Santos

Nos braços do Juquinha

NOS BRAÇOS DO JUQUINHA

Onde ele viveu, como ele viveu

Cercado das serras de Minas

Na Serra do Cipó, grande atração eternizada numa estátua

Parada obrigatória para se maravilhar com a vista

Saborear um frango com quiabo ou tropeiro numa taberna

E estar nos braços do Juquinha

Aquele que, gentil, entregava flores às moças

Andarilho, amante da natureza, apegado às montanhas

Que, uma vez morto, voltou e viveu mais um pouco, cataléptico,

Maravilhosas estradas de Minas,

Onde hoje, José Patrício, o Juquinha, tornou-se lenda…

Alda M S Santos

Faltam Cristãos, sobram religiosos

FALTAM CRISTÃOS, SOBRAM RELIGIOSOS

A fé que nos move e nos sustenta

Muitas vezes está atrelada a alguma religião

Mas ser um sujeito religioso, independente de qual religião seja

Não tem implicado em sermos, necessariamente, boas pessoas

Saber todos os ritos e dogmas da fé memorizados, cultuá-los

Participar de todos os eventos e celebrações dentro da igreja

Só fará sentido se isso nos tornar bons cristãos

Ser religioso e ser cristão não estão naturalmente ligados

O ideal seria que fosse, mas não é!

Sou um bom cristão quando consigo ser humano

E, mesmo falho, compreender as falhas dos outros.

Mesmo colocando minha vida como prioridade,

Buscando minha felicidade, meu bem estar,

Fazê-lo sem com isso causar mal ao meu próximo.

A termos que optar, melhor sermos bons cristãos que bons religiosos…

Alda M S Santos

Nos bancos da calçada

NOS BANCOS DA CALÇADA

Casinhas simples, receptividade gigante, janelas na divisa com a rua

Ao sabor do vento, do sol, da chuva

E dos olhares curiosos de quem passa…

Terreiros grandes que costumam dar num ribeirão

Muitas vezes com hortas, galinheiros, pomares, chiqueiros, cisternas…

Na calçada, banquinhos de todo tipo

Madeiras, troncos de árvores, tijolo, concreto, não importa

A prosa dos fins de tarde após a lida que eles possibilitam é que interessa

O tempo que virou, o filho que não apareceu, o netinho precisando benzer

As galinhas que pararam de botar, o Bingo da igreja,

A comadre que está ruim das vistas ou a teimosia do compadre

A filha que se formou, o neto que nasceu nos Estados Unidos e começou a andar

O prefeito que está envolvido em mais uma falcatrua ou corrupção

A sobrinha que foi para Belo Horizonte com o filhinho doente,

A Maria do João Neto que doou um bezerro para a rifa da festa de Nossa Senhora Aparecida…

Entre os estrepes dos pés e os estrepes da vida

Tudo é compartilhado nos bancos da calçada

E a vida se torna mais leve,

Numa boa prosa de fim de tarde olhando a rua,

Aguardando aquela visita ou telefonema que nem sempre chegam…

Alda M S Santos

Como água

COMO ÁGUA

As mesmas duas moléculas de hidrogênio ligadas à uma de oxigênio: água

Mas o que é capaz de fazer sempre irá depender daquilo que encontrar pela frente

Com quais outras substâncias irá se associar

Dos obstáculos que enfrentará, das aglutinações,

Pode ser capaz de produzir, construir, transformar ou destruir,

Até mesmo brotar de áreas inesperadas, das pedras

Somos como água!

Sempre contornando obstáculos, desviando de áreas difíceis,

Encontrando composições atraentes, repelindo o negativo

Até mesmo uma queda tão alta, que pode aparentar total destruição

Pode gerar energia, vida,

E seguir abrindo caminhos em leitos de rios caudalosos por aí,

Desde que, como ela, sempre tenhamos preservadas nossas “moléculas”, nossa essência,

Independente das associações ou quebras da vida…

Alda M S Santos

Minha terrinha

MINHA TERRINHA

Se um dia eu me perder

Aqui sempre será um bom lugar para juntar pedaços de mim

Olho para minha avó, 95 anos, suas rugas, sua frágil força, seu carinho contido,

Quantas histórias!

Tios, primos, parentes e amigos vários

“Troquei suas fraldas, curei seu umbigo, cuidei muito de você”

“Brincamos muito juntos, tenho saudades”

“Já exploramos uma boa parte disso tudo aqui”

“Você não mudou nada, mesmo sorriso, mesma carinha”

Todos têm algo a lembrar, a contar, a saudar

Cada cantinho, cada casa, cada espaço natural, cada montanha, mina d’água,

Aromas, o jeitinho de ser de cada um

Ver que todos envelhecemos, mas que nossa essência permanece

A despeito, ou até mesmo por causa, dos tropeços e entraves da vida

Dizem que uma parte de nós sempre fica onde se enterra nosso umbigo

E que irá ajudar a nos lembrar quem somos, nossos valores

A não nos esquecermos de nós,

Independente do que o mundo lá fora tenha feito conosco.

Sempre é bom voltar…

Alda M S Santos

Arrependimentos

ARREPENDIMENTOS

Eu o observava de longe, parecia cabisbaixo

Cheguei até mais perto daquele idoso de 74 anos no asilo, ele me olhou, segurou minha mão.

Ressaltei que estava triste, perguntei pelo sorriso, falou em arrependimentos.

“Estou arrependido de não ter namorado todas que me quiseram”- e sorriu zombando.

“Acha mesmo que seria mais feliz assim”?- perguntei, séria.

Ele teve uma esposa que o traiu e abandonou.

Tem um filho que nem lembra que ele existe.

Cego de um olho, uma cicatriz de tiro na testa.

“Pra dizer a verdade, penso que você deveria é ter escolhido uma boa mulher”.

“Você tem razão, moça, mas as que me quiseram depois, eu não quis destruir a vida delas.

Eu não seria feliz assim, sei como machuca”!

Conversamos um bom tempo!

Todos temos arrependimentos, carregamos pesos nas costas.

Mas, mesmo simples como ele é, sabe que não existe peso maior para carregar que a tristeza de alguém!

Não pode ser leve e duradoura uma felicidade construída sobre a base frágil da infelicidade do outro!

Arrependimentos todos temos, mas algumas nuvens negras sobre nossas cabeças podem bem ser evitadas!

Alda M S Santos

Tempestades

TEMPESTADES

Ainda que nosso céu pareça claro

Azul, brisa suave, águas limpas

Tempestades podem se aproximar, molhar tudo

Lançar raios e trovões sobre nossas paredes internas

Vendavais de areia cegar nosso olhar

Balançar nossa estrutura, nos lançar contra as pedras…

Fugir delas nem sempre é possível

Encarar, absorver o que der, abstrair-se do que for possível

Esperá-la passar, sempre passa!

E receber de braços abertos novo céu azul…

Alda M S Santos

Um amor e uma cabana?

UM AMOR E UMA CABANA?

Com amor basta uma cabana!

Uma cabana torna-se palacete

Quando há nos olhos o filtro dos bons sentimentos

No teto há estrelas, no chão há “pedrinhas de brilhantes”

Um palacete torna-se uma prisão de ouro

Se nos corações não há alegria

Se a alma não reflete o amor

Há cabanas e cabanas, palacetes e palacetes

Mas, cabanas e palacetes à parte

O que torna verdadeiramente valioso um lugar

São as companhias que carregamos conosco

Aquelas que fazem parte de nós,

Que “são” verdadeiramente da gente, que gostam de ser da gente

E trazemos conosco e nos levam com elas

Na mente, na alma, no coração…

Alda M S Santos

Nas ondas

NAS ONDAS

Num ir e vir infinito

Ora calmas, ora bravias

Sempre em movimento, barulhentas

As ondas acalmam, relaxam

Encantam, amedrontam…

Deixam ir o que incomoda, levam pra longe

Trazem de volta o que alegra, o que faz bem

Vão e vêm, vão e vêm…

Hipnotizam …

Quem sabe num desses ires e vires

Não trazem de volta um pedaço de nós perdido por aí?

Alda M S Santos

Um ponto de paz

UM PONTO DE PAZ

Entre tantos altos e baixos dessa vida

O segredo é manter a estabilidade

Em cima, para não cair rápido demais

Embaixo, para gerar forças para nova subida…

Mas bom mesmo seria encontrar um ponto no meio desse caminho

Sem grandes euforias, sem grandes baques!

Simplesmente, um ponto de paz…

Alda M S Santos

Sem você

SEM VOCÊ

Em todos os espaços você faz falta,

Na brisa que passa, no sol que racha

Num perfume bom, no cheiro de um alimento qualquer

Nas tiradas engraçadas ou mesmo nas rabugices ou implicâncias

Na música que toca, no silêncio oportuno

Tudo que acontece, principalmente no que não acontece

Lembro-me de você…

Sem você não tem a mesma graça, meu anjo

Você faz falta em tudo lá fora

Mas a maior falta você faz aqui dentro!

Alda M S Santos

Que eu me importe

QUE EU ME IMPORTE…

Que eu me importe com o outro

O bastante para ajudá-lo nas tristezas, nas dores, nas necessidades mais prementes

Sem sufocá-lo ou parecer superior…

Que eu me importe com o outro

O bastante para me alegrar com suas alegrias

Sem invejar ou me enciumar, se possível,

Ainda que a felicidade dele não mais me inclua…

Que eu me importe com o outro

O bastante para valorizar bons momentos, guardar no coração, respeitar

Aquilo que hoje já não é mais como antes…

Que eu me importe com o outro

O bastante para dar a ele aquilo que não consigo dar nem pra mim mesma

Pois é algo que a gente só encontra fora de nós…

Que eu possa ser assim para o outro: verdadeira, inteira, amorosa

E que ele também possa ser desse grau e magnitude para mim,

Pois para isso fomos feitos: nos fazer bem…

Que nos importemos o bastante!

Alda M S Santos

Mais amor, por favor!

MAIS AMOR, POR FAVOR!

Entre tantas as falhas humanas

Entremeados das contradições a que nos submetemos todos

A pior de todas elas seria julgar o comportamento, o “erro”alheio,

Sentados no trono dos santos, encastelados na torre dos puros a julgar os mortais pecadores.

Enquanto isso, sabemos bem citar as escrituras quando nos convém:

“Aquele que for livre de pecados que atire a primeira pedra”.

Justificamos, assim, nossa companhia no erro, no pecado!

Porém, muitas vezes nos esquecemos do complemento

“Ninguém te condenou? Vá e não peques mais”.

Somos humanos, por essência falhos, contraditórios,

Mas também, por essência, dotados de inteligência para não repetir um erro.

Julgar o outro, carregar pedras nas mãos, não nos faz menos pecadores,

Apenas um pecador ocupado com a vida alheia!

O que nos faz menos pecadores é ser mais humanos e menos “deuses”!

Mais amor, por favor!

E pra quem gosta das escrituras

Eu prefiro essa: “Ame a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”!

Alda M S Santos

Malas prontas

MALAS PRONTAS

Não importa para onde vamos

Se é logo ali ou atravessando o oceano

Malas arrumadas é fundamental

O que vai, o que fica,

Quem vai, quem fica?

Malas cheias, coração abarrotado…

Expectativas de diversão e alegria

Se necessário, mudamos o destino final(?),

E que possamos trazer mais que levamos

Uma alma mais leve, em sintonia com as demais

Em paz…

Vamos?

Alda M S Santos

Quem sofre mais?

QUEM SOFRE MAIS?

Eu era ouvinte involuntária de um debate

Quem sofre mais:

Aquele que, sabendo-se culpado, paga sua pena

Ou o que paga uma pena sendo inocente?

Em defesa do inocente: nada é pior que sofrer por algo que não fez!

Em defesa do culpado: nada é pior que o peso da própria consciência acusadora!

O primeiro sente-se injustiçado, mas a alma está leve

O segundo tem o de fora e o de dentro a martirizá-lo

Que pesa mais, a injustiça ou a consciência?

Quem sofre mais?

E o debate seguia…

Alda M S Santos

Sempre amor

SEMPRE AMOR

Um grupo com um objetivo: levar alegria

A razão que trouxe cada um é variável

Todos parecem felizes, profissões variadas, vidas diferentes

Unidos no desejo de ajudar os outros, os idosos, particularmente

Olho para cada rosto desses palhacinhos, cada sorriso

Sei um pouco a história de alguns

Histórias de lutas secretas, sofrimentos, nem sempre vitoriosas

Muitos carregam angústias, frustrações e dores

Não doam o que lhes sobra, mas aquilo que mais precisam

Aquilo que valorizam, que sabem precioso

No prazer de levar amor, encontram uma razão a mais para lutar…

Para viver…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Chama acesa

CHAMA ACESA

A chama interna de cada um de nós necessita ser mantida

Ela que garante nosso prazer de viver

Que nos faz levantar da cama todos os dias e seguir…

Cada qual tem um combustível próprio: família, trabalho, amigos, Deus

Às vezes, meio apagadinha, outras, labareda

Ideal que dependamos o menos possível de combustíveis alheios.

Passar a vida buscando combustível do outro,

“Furtando” combustível, oxigênio alheio,

Dependendo de diminuir ou apagar a chama dos outros

Mesmo involuntariamente, para manter a nossa acesa

Não faz uma chama bonita e duradoura!

Nossa chama deve iluminar o outro, e vice-versa, alastrar-se

Há algo muito errado se nossa chama acesa apagar a de alguém!

Que encontremos nossa luz!

Alda M S Santos

Não é pressa, é saudade!

NÃO É PRESSA, É SAUDADE!

Saudade que aperta, que oprime, que leva a falhas

Saudade que embaça o para-brisas, o olhar

Saudade que gera velocidade, imprudência

De noite ou de dia, faça chuva ou faça sol

Saudade que se arrisca, que põe o outro em risco

Saudade que visa apenas satisfazer-se

Saudade que, na (preça), fere o Português

Saudade que ignora castas ou classes

Saudade que mata quilômetros e quilômetros de rodovias

Saudade que se mata, finalmente, num olhar, num sorriso,

Se satisfaz num abraço, num colo quentinho

Saudade que tudo justifica, que se autojustifica,

Até começar tudo de novo, nas lembranças…

Alda M S Santos

Quem é ela?

QUEM É ELA?

Ela olha aqueles carros que se vão rua abaixo e acena

Levam consigo dois seres amados

Há pouco tempo desciam essa rua “quebrados” numa bike

Hoje seguem seu caminho sozinhos e ela fica

Coração apertado, lágrimas nos olhos

Tenta conciliar o orgulho pelos filhos bem criados e encaminhados

E a saudade da época em que estavam consigo todo o tempo

Pertinho, sendo cuidados, amados, protegidos…

É o caminho natural da vida, ela sabe bem

Difícil separar o que é, que sempre foi e está dentro de si

Do que ficou dentro deles e eles levam embora…

Sempre foi tantas mulheres, tantas coisas, que não sabe mais quem é de verdade!

Tenta não se abater, concentrar-se no orgulho de vê-los bem.

Não é mais tão necessária!

Precisa confiar, esperar e aceitar novos tempos

Eles sabem que sempre serão amados, protegidos e cuidados quando precisarem

A vida tem sua maneira de encaixar tudo em seus devidos lugares…

Alda M S Santos

Universo paralelo

UNIVERSO PARALELO

Na balança da vida oscilei bastante

Sempre em busca do equilíbrio, do ponto neutro

Sorri muito, chorei bastante

Fui necessária a alguns

Precisei de tantos outros

Sem intenção, atraí ou afastei pessoas, situações

Trabalhei, me doei, mergulhei de cabeça

Acertei, errei, me decepcionei

Acreditei estar num universo paralelo

Vivendo num mundo do qual não faço parte

Fiquei perdida, um navio encalhado, à deriva

Caí, machuquei, levantei,

Sempre em busca do equilíbrio, da paz interior

Olho longe, olho para dentro de mim mesma

Busco conexões, elos perdidos

Encontro amigos, família, Deus…

Apenas um pedido:

Que no próximo ano vocês todos estejam comigo

E eu com vocês!

Feliz 2018!

Alda M S Santos

Moradas

MORADAS

Posso querer viajar o mundo inteiro

Encontrar várias pousadas

Instalar-me em palácios ou palacetes

Cabanas ou choupanas

No alto da montanha ou no pé da serra

Sozinha ou acompanhada

Mas a melhor morada

Onde preciso me encaixar perfeitamente

É dentro de mim mesma…

Sem espaços vazios, sem sobras, sem apertos

Só assim caberei em qualquer lugar,

Serei capaz de dar pouso para outro alguém

E ser feliz…

Alda M S Santos

Desejos

DESEJOS

Desejo que encontremos a harmonia da vida que há dentro de nós

E que possamos levá-la a todos os lugares, a todas as criaturas

Vida harmônica repleta de amor, de amizade, de paz

A cada flor, a cada bicho, a cada ser humano que cruzar nosso caminho

Que a gente sintonize com todos eles,

Ignorando decepções, descartando tristezas,

Que no balanço da vida saibamos neutralizar ou anestesiar o que machuca, que fere,

Que a dor arrefeça, que o amor prevaleça, que a vida aconteça

Atraindo carinho, refletindo luz

Numa comunhão universal e divina!

Alda M S Santos

Há esperança na humanidade

HÁ ESPERANÇA NA HUMANIDADE

Um mendigo disfarçado de cuidador de veículos

Sujo, descalço, dormindo nos passeios a qualquer hora

Vive do que recebe da caridade dos que transitam por ali

Abandonado, largado, entregue ao mundo?

Mas é um ser humano!

Alcoolizado sempre, não sei se outros entorpecentes também

Sempre me compadeço de sua situação

Vejo-o todos os dias na rua da academia

Já perguntei uma vez se precisava de ajuda quando estava largado na calçada

Hoje vi uma mulher dando banho nele no meio da rua

Jogava água contida em algumas garrafas pet, ensaboava, esfregava

Ele aceitava a ajuda a contragosto, alcoolizado.

Um misto de sentimentos me invadiu

Feliz por alguém ter ajudado, uma mulher se arriscando

Triste por um ser humano precisar desse tipo de ajuda de desconhecidos

Envergonhada por eu mesma não ter tido essa coragem, essa iniciativa!

Orgulhosa dessa mulher que conheço e deu um exemplo de bondade…

O amor precisa ser convertido em ações!

Há esperança na humanidade!

Alda M S Santos

Inspiração

INSPIRAÇÃO

Um jovem escritor pediu-me ajuda, sugestão de temas para poemas….

Que posso dizer a ele?

Que os “temas” vêm de dentro de nós, que não são impostos?

Que poemas são nossa percepção do mundo, dos outros, de nós mesmos?

Que poemas são a expressão de nossa sensibilidade em palavras, em versos?

Que quem gosta escreve por todos os motivos, como um dependente?

Se está feliz, escreve, triste, escreve, se tem algo a dizer, escreve, se não pode dizer, escreve também.

Se tem medo, fé, admiração, amor, saudade…escreve…

Tudo torna-se motivo ou inspiração!

E quando começa, qualquer sentimento vira verso…

E jorra todo o tempo…

Alda M S Santos

Como um beija-flor

COMO UM BEIJA-FLOR

Entre muitas cores e sons

Tons, nuances, texturas …

O olhar transita entre o próximo

O distante e o longínquo

Ora apenas fixa longe sem nada ver

Ora quer trazer para dentro de si as belezas distantes,

Acalentá-las num cantinho qualquer de nossa alma,

Somos assim…incertos…

Como um beija-flor que suga sem cessar

Precisamos parar, descansar, observar calmamente a grandeza à nossa volta,

Absorver tudo de bom que pudermos conseguir…

Abastecer-nos de riquezas,  estocar para as horas de carestia,

Corpo, mente, alma, coração…

Sabedoria da natureza: tudo aproveitar, nada desperdiçar,

Como um beija-flor…

Alda M S Santos

Certeza do fim

CERTEZA DO FIM

Se houvesse a certeza de que amanhã seria o fim de tudo

Por qualquer dos métodos escabrosos de auto-destruição que nós mesmos criamos

Qual seria nosso maior arrependimento?

Qual seria nosso maior orgulho?

Existe algum lugar especial em que gostaríamos de estar?

Algo específico que gostaríamos de fazer?

Ou alguém especial para estar junto, abraçadinho?

As respostas a essas três perguntas

Também responderá qual o arrependimento e o orgulho

E poderá direcionar nossos passos seguintes

Qual seria nosso cartão de visitas no céu?

Sempre há os crédulos na proximidade do fim

Isso pode ser ideia de algum insano

Ou de alguém bastante lúcido

Podemos escolher em qual acreditar…

Alda MS Santos

Aquieta meu coração

AQUIETA MEU CORAÇÃO

Quero um coração em paz, confiante

Em harmonia com a vida do entorno

Em equilíbrio com a vida de dentro

Trocas do bem, curas do mal

Olhos que saibam ver além da superfície

Corações que se amem independente da distância

Pés que saibam de cor o caminho

Mãos que se deem, se doem, que se autovalorizem

Quero uma alma que sintonize com outras almas

E que ali se aquiete, se acalme, se encontre…

Alda M S Santos

Um dia especial

UM DIA ESPECIAL

Hoje é dia de emoções afloradas

Dia de extremos: muita alegria ou muita dor

Dia de saudades, de gratidão, de compaixão

Natal é o ápice do ano, onde tudo de bom ou ruim retorna

Retrospectivas, reavaliações

Em forma de cobranças, arrependimentos ou satisfação…

Reencontros…

Crianças, jovens, adultos e velhos num mesmo espaço

Choque saudável de gerações, sem segregações

Desconsiderando os excessos e comércio

É uma época de amor, de corações solidários, de perdão

Por que não pode sempre ser um dia de Natal?

Podemos renascer junto Dele naquela manjedoura todos os dias!

Que todos os dias sejam especiais!

Feliz Natal, amigos!

Alda M S Santos

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