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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Tempestades

TEMPESTADES

Tempestades…

Elas chegam, quer a gente espere ou não

Goste ou tema, elas vêm.

Mas também sempre vão, cedo ou tarde.

O tempo de duração 

E o estrago deixado dependem de nós.

É preciso encontrar apoio pra enfrentá-la

Para não ficarmos ao sabor do vento.

Nunca é bom estarmos sós!

Em campo aberto,

Expostos à sua fúria, é risco certo.

Busquemos o ponto mais alto

Em nossos corações

No carinho de uma boa amizade,

Na doçura de um grande amor,

No aconchego de uma família unida,

No repouso do colo de nosso Pai,

Poderemos encontrar o apoio necessário.

Lá no alto, quando menos esperarmos

Veremos que o céu voltou a ser azul

O sol voltou a brilhar

A brisa é suave, a vista é linda…

O estrago foi pouco.

E nossos “apoios”, 

Preciosos em nossas vidas

Nos ajudarão a reconstruir. 

Alda M S Santos

Pare o mundo que eu quero descer

PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER

Pare tudo! Parece que há dias em que as notícias ruins são piores! 

E não é só o dólar que sobe, a bolsa que cai, a corrupção que aumenta, o desemprego que atinge índices galopantes, déspotas disfarçados de republicanos que assumem o poder.

Bem pertinho de nós amigos são assaltados, gente próxima passando fome, mulheres que sofrem violência em casa, avós que assumem netos e bisnetos, crianças esquecidas em sua infância, pessoas queridas estão longe, pessoas indesejadas muito perto…

Aumentaram mesmo ou eu que estou “escolhendo” ver por esse ângulo?

Pare esse mundo que eu quero descer! 

Quero ver coisas lindas! Quero a energia das crianças, as histórias das vovós, o abraço caloroso dos amigos, a compaixão e a bondade dos seres humanos, a paixão dos amantes.

Quero sentir a alegria brotar em mim!  

Quero levar o meu sorriso a qualquer humano que precisar…

E o mundo pode voltar a girar…

Alda M S Santos 

Somos muitos

SOMOS MUITOS

Somos muitos de nós por aqui

Para quando a energia de um se apagar

Acendermos a do outro

Somos muitos por aqui

Para quando nossas lágrimas jorrarem como rio caudaloso 

Os braços do outro nos ajudarem a nadar

Para quando nossa fé enfraquecer

Nosso irmão poder dizer: estou contigo

Somos muitos de nós por aqui

Não para uma disputa desenfreada

Tampouco para matar ou morrer

Somos muitos por aqui para montarmos nossa base aliada

Somos um time, uma equipe, uma tropa

Nosso objetivo é ser feliz, fazer feliz

Não alcança o objetivo quem deixa um companheiro caído para trás. 

Nossa batalha se fortalece e se ganha no amor e na união

 Deus é nosso general maior 

O comandante dessa tropa

E Ele não está fechado no quartel

Está conosco na linha de frente.

Pode ser esse companheiro caído ao nosso lado que estende a mão.

Depois de socorrê-lo, podemos seguir em frente! 

Marchando! 

Alda M S Santos

Desistir é preciso

DESISTIR É PRECISO

Tudo bem, persistência é uma virtude, coragem idem. Mas ter discernimento para saber a hora de parar de insistir em algo que nunca dá certo é sabedoria.

Muitas vezes insistimos em algo que não está funcionando. Mudamos as armas, as estratégias, os aliados, e não conseguimos o que almejamos. 

É como querer calçar um sapato menor ou vestir roupa maior.  

Além de machucar, ferir, causar bolhas, ou ficar parecendo um espantalho, acabamos por perder o amor-próprio. 

Até que percebemos que aquele calçado não era tão confortável, melhor é ficar descalço.

Aquela roupa não era para nosso tipo físico. Melhor vestir simples calça e camiseta. 

Isso vale para qualquer desejo: material, físico ou emocional.

Para aquele emprego, aquele carro, aquele curso, aquele amigo, aquela viagem, aquele amor…

Necessário é manter totalmente livre o coração para entender se o que queremos é realmente o que precisamos. Se não é apenas um luxo. 

O que queremos agora pode não ter nenhuma importância amanhã.

E o que insistimos hoje, amanhã pode ficar ultrapassado. 

Se existem duas certezas na vida são: a irreversibilidade do tempo e a sensação de não ter vivido tudo que havia pra viver e, consequentemente, arrependimento e frustração.

O caminho pode parecer longo, mas passa muito rápido. 

Portanto, busquemos e gastemos nossa energia e tempo somente no que vale realmente nosso esforço. 

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Não devemos ignorar qualquer sentimento que nos acometer. 

Todos têm sua razão de ser. 

Alguns iremos querer sentir

Outros sentiremos sem querer.

Só precisamos saber que muitos deles são compartilháveis, outros não. 

Alguns existem para ser curtidos, vividos e trabalhados com todos… 

Outros, somente conosco mesmos.

Ou por serem tão preciosos que não possam ser divididos, 

Ou tão mesquinhos que não mereçam ser extravasados.

Vivê-los é esgotá-los, esgotar-se…

Mas tudo sempre se renova…

Alda M S Santos

Eu escolho o amor

EU ESCOLHO O AMOR

Duas garotas se beijavam no meio da rua, sentadas no passeio, encostadas no muro, alheias ao que se passava à sua volta. Não passavam de 17 anos. Pareciam em completa sintonia. 

Os comentários de dois homens que caminhavam a minha frente: “pouca vergonha”, “não há mais decência”, “falta de homem”, “uma surra daria jeito”, “mundo perdido”, entre coisas piores. 

Observei as garotas. Sequer notavam quem passava por elas. Carinho imenso. Completavam-se, ao menos naquele momento. Imaginei as lutas interiores e exteriores para se exporem daquela maneira.

Mais à frente, vi os dois senhores saltarem sobre um mendigo maltrapilho, sujo, mal cheiroso, odor nauseabundo e de álcool. 

Ali, diante de uma visão de exclusão, um ser humano marginalizado, maltratado, sem amor, não demonstraram revolta, sequer piedade. 

Não deram um segundo olhar, a mínima atenção! 

Que mundo é esse que critica o amor, apenas por não seguir o padrão, e não se indigna com a marginalização, a mendicância, a fome, a miséria, o alcoolismo? 

Quais nossos valores, nossos parâmetros? 

Quis me abaixar, levantá-lo, oferecer ajuda. 

Porém, para uma mulher é complicado até ajudar. Somos frágeis física e moralmente nesses casos. Até ao ajudar podemos correr riscos e sermos mal interpretadas.

Ajudei como podia. Pedi a um amigo do AA que alertasse o grupo de abordagem a alcoólicos.

O amor das garotas choca pela força, por ser diferente, mas não me revolta. 

A miséria e exclusão me revoltam. Não poder ajudar como gostaria me entristece!   

Observar críticas e deboches de seres que se acham superiores, que julgam o amor, mas se omitem no desamor, me envergonha da raça humana. 

Eu escolho o amor, seja de que tipo for.

Alda M S Santos

Quando o coração fala

QUANDO O CORAÇÃO FALA 

Quando o coração fala

Há quem não ouça, por não entender.

Há quem ignore, por não saber. 

Há quem não o atenda, por não querer.

Há quem o afronte, por sua razão desconhecer.

Quando o coração fala

Há quem se alegre, mesmo sem entender.

Há quem o dê atenção, mesmo sem perceber. 

Há quem o acolha, mesmo sem conhecer.

Há quem corresponda, por livre vontade. 

Quando o coração fala

Usa linguagem singular, da emoção…

Usa sorrisos, lágrimas, silêncios ou gritos sussurrados. 

Usa a simplicidade de uma flor…

 O brilho do olhar, um andar vacilante, 

Braços que se enlaçam, lábios que se tocam.

Quando o coração fala

Palavras nem sempre são necessárias.

É diálogo de almas

Só almas afins compreendem. 

Alda M S Santos 

Afrontas

AFRONTAS

Ser inteligente é saber e aceitar que a força, a luz, a alegria e beleza do outro não existem para nos afrontar … 

O objetivo é agregar, não segregar…

Todos têm algo a oferecer…

Todos têm algo a receber. 

Quem foge do que o outro apresenta impossibilita o próprio crescimento. 

Aquele que não é receptivo para o novo e o diferente vive estacionado. 

Mesmo porque, ninguém é força, luz, alegria e beleza todo o tempo. 

Há dias que tudo é cinzento e apagado. 

Quem entende e aproveita as oportunidades de crescimento e as possibilita para o outro é mais feliz!

Alda M S Santos 

Liberdade

LIBERDADE

Liberdade: sonho, utopia, realidade?

De ser o que é, sem sofrer ou gerar preconceitos de qualquer tipo.

Com responsabilidade e compromisso. 

Primeiro, conquistada em nosso interior..

Respeito aos nossos sentimentos, desejos, vontades, limites.

Autoconhecimento, autoestima, autopreservação…

Só depois apresentá-la exteriormente! 

Assim poderemos ter respeito pelo que o outro representa para nós.

Liberdade: A base de qualquer felicidade duradoura!

 É uma conquista pessoal, não social! 

Alda M S Santos

Vitrine

VITRINE

Estamos diante de uma grande vitrine. Nela estão expostos todos os tipos de produtos que se quer “vender” ou “comprar”.

Observamos com mais atenção o que temos interesse em comprar.

Cada um de nós traz em si necessidades e vontades, “falhas” a serem compensadas.

E é nessa grande vitrine que encontraremos o que procuramos.

Há produtos para todo tipo de necessidades: grandes ou pequenas, físicas ou emocionais, fugazes ou duradouras. 

É preciso saber realmente o que se quer, o que precisa ser atendido. 

Um sapato brilhante, alto, lindo, dois números abaixo do nosso não atenderá a necessidade do trabalho. 

Uma pessoa carrancuda não atenderá nossa necessidade de humor.

Muitos podem nos enganar. Nem sempre há como devolver ou trocar os produtos. 

Os mais expostos e atraentes nem sempre serão os que irão nos atender. 

É preciso olhar com cuidado. Talvez o que precisamos está mais no cantinho da vitrine. Nem chama tanto a atenção. Pode precisar de polimento para ficar do nosso jeito, perfeito. 

Precisamos lembrar que ao mesmo tempo que estamos “comprando”, também estamos “vendendo”. 

Somos produtos nessa grande vitrine. 

Estamos vendendo o que realmente somos? Ou somos propaganda enganosa? 

Quanto mais fiéis formos nesse “comércio”, tanto para comprar quanto para vender, menos problemas teremos. Mais felizes seremos. 

Alda M S Santos

Bálsamos

BÁLSAMOS

Há dias em que nos sentimos muito sós, 

Queremos estar sós, ou pensamos assim…

 Ficamos à espera da ajuda divina.

Clamamos por Ela, mesmo que silenciosamente.

Sequer notamos um amigo que se aproxima, 

Um familiar que fala com carinho, 

Um sorriso ou abraço de um colega. 

Uma brincadeira de nosso amor…

Há pessoas que são bálsamos em nossas vidas. 

Vê-las, tocá-las, falar com elas, 

Até mesmo pensar nelas,

Nos acalma, nos alegra, 

Nos conforta, nos alenta, nos orienta…

Retomamos nosso rumo, nosso prumo! 

Percebemos que a ajuda pedida está ali. 

Deus atua através de nós mesmos.

Somos instrumentos do bem em Suas mãos.

Há mais bálsamos por aí que pensamos.

Buscamos bálsamos,

Somos bálsamos sem perceber! 

Alda M S Santos

Seguindo o fluxo

SEGUINDO O FLUXO

Ao volante, vidros abertos, cabelos ao vento, música no volume máximo. 

A estrada é longa, vários veículos à frente, atrás, outros no contra-fluxo.

E ela segue o fluxo… 

Canta algumas canções, tamborila e tenta dançar outras, dentro das possibilidades, sorri, sente dores, saudades, se impacienta, chora…

Começa a cansar daquele ritmo, daquela estrada, não quer seguir ninguém, quer estar só.

Desvia, ultrapassa um, outro, até tomar a dianteira. 

Uns reclamam, xingam, mas ela segue seu caminho. Pisa fundo, quer outras matas, outras metas, outros rios, outro céu. 

Quer encontrar seu destino…

No final das contas o destino final é o mesmo. Os caminhos, rotas, trilhas, desvios que pegamos ou caronas que oferecemos é que fazem a diferença. 

Às vezes, quando cansados, precisamos apenas passar para o banco do carona, nos recostar, dormir, confiar, e nos deixar levar.

Pode ser que a gente se surpreenda com a nova rota e o novo condutor. 

É muito bom conduzir, mas deixar-se conduzir por Aquele que nos ama é certeza de chegar bem ao destino. 

Alda M S Santos

Fragilidades

FRAGILIDADES

As fraquezas fazem parte do ser humano. Todos nós temos. Cada qual reconhece as suas, identifica os sinais anteriores, de fragilidade, entrega, e posteriores, de insatisfação e culpa. 

Negá-las é perda de tempo. Reconhecê-las, aceitá-las é o primeiro passo para identificar a melhor arma e munição para lutar contra elas.

Quem se considera infalível já está vencido.

 Se vencermos nossas próprias fraquezas, fragilidades, nossos monstros interiores, os exteriores encontrarão em nós um adversário à altura. 

Esse é o começo da força e do sucesso e alegria, quer seja profissional, pessoal, emocional ou espiritual.

Alda M S Santos 

Autópsia

AUTÓPSIA

Se pudéssemos acompanhar uma autópsia dos nossos corações, o que veríamos? 

Tudo bem, sei que autópsia se realiza em seres que já morreram.

Mas, e se fizéssemos, se fosse possível? 

Será que haveria diferenças de um coração para o outro? 

Talvez alguns fossem mais moles, maleáveis, daqueles que levaram a vida mais tranquilamente, sem grandes sobressaltos ou estresses, amores leves, pacíficos.

Outros poderiam estar mais firmes, endurecidos, rígidos, de difícil manuseio. Foram se enrijecendo como autodefesa, meio usado para suportar o sofrimento, o desamor, as mágoas e solavancos da vida. 

 A maior parte acredito que se assemelharia a uma colcha de retalhos, pedaços grandes, pequenos, coloridos e disformes, ou a um terreno muitas vezes remexido, um asfalto muitas vezes reparado, uma árvore muitas vezes podada. 

Apresentaria áreas quase intocadas, por receio, finas, frágeis, delicadas, imaturas, sem alegria.

Outras partes estariam endurecidas por cima, capa de proteção, e amolecidas por dentro, cicatrização à força. 

Haveria ainda aquelas áreas estriadas, fortes, porém, flexíveis, que começaram a endurecer, mas seu “dono”, sempre corajoso, insistia no uso, não permitindo a rigidez ou a moleza excessiva. 

Quantas dessas partes tem nossos corações? Façamos essa autópsia em vida! 

Não queremos um coração imaturo, tampouco rígido. Um coração mole parece não ser opcional, ou vem de fábrica ou nada feito. 

Resta-nos o coração colcha de retalhos. Parece bonito, não? Colorido, enfeitado. Cada pedacinho um amor vivido, outro perdido, uma amizade autêntica, outra que se foi, pais, filhos, irmãos, cônjuges, uma vida que passou por nós, que ficou em nós. E que passa mais ligeira que um passo de dança, tão rápida quanto um sorriso.  

Quero que quando minha “autópsia” for realizada de verdade, seja onde for, espero que demore, meu coração tenha muitas lindas histórias para contar.

Alda M S Santos 

Despedidas

DESPEDIDAS

Quase sempre a porta de entrada é a mesma da saída.

Por que ela sempre nos parece diferente? 

Cumprimentamos no mesmo lugar que nos despedimos.

Por que nunca é a mesma coisa? 

A entrada quase sempre carrega maior expectativa, alegria, ansiedade… 

O desconhecido apresenta possibilidades…

A saída traz consigo o peso da despedida, do adeus, da dúvida do retorno, da esperança…

O agora conhecido, quase sempre amado, gera saudades.

É diferente porque nós estamos diferentes! 

Quer seja a porta de uma casa, do trabalho, de um sítio, de um coração… 

O sentimento de alegria ou angústia é o mesmo. 

Estaremos melhores em algumas coisas, talvez piores em outras.

Deixaremos também melhorias, talvez alguns estragos.

A esperança de todos nós é que ao nos despedirmos, se necessário for, que deixemos o lugar melhor que encontramos. 

Que saiamos de lá seres humanos mais íntegros, mais completos, mais felizes, mesmo se houver feridas…

E que possamos voltar um dia!

Alda M S Santos 

Porteiras entreabertas

PORTEIRAS ENTREABERTAS

Somos porteiras, vemos porteiras

Tantas fechadas, trancadas, passadas à chave.

Outras abertas, entreabertas…

Umas atraentes, ainda que fechadas

Outras repulsivas, mesmo arreganhadas. 

Convidativas são as entreabertas

Insinuam, sem mostrar

Conquistam, sem nada dizer

Encantam, sem querer

Falam tudo, no silêncio…

“Entre para tomarmos um café!”

Passamos por todas elas, 

Vemos flores a enfeitá-las,

Ou cães a guardá-las

Ignoramos e entramos, 

Ou seguimos em frente. 

Nós também pareceremos fechadas, arreganhadas ou entreabertas, 

Alguns passarão direto por nós,

Outros deixaremos entrar. 

Vários já entraram, se assentaram, tomaram seus lugares.

Em tantas entramos e batemos um

bom papo. 

Que possamos ser e encontrar

Muitas porteiras entreabertas e convidativas por aí,

Que preencham positivamente nosso viver…

Alda M S Santos

Tempestades internas

TEMPESTADES INTERNAS

Toda tempestade costuma ser, se não anunciada, no mínimo, armada aos poucos. Muito calor, muita umidade, muita evaporação, aí é só aguardar.

Quanto mais tempo de evaporação, maior a quantidade de água na atmosfera, mais carregadas serão as nuvens

Quando vier o resfriamento, mais forte, torrencial, assustadora a chuva será.

Nossas tempestades internas também são anunciadas, armadas, formadas lentamente.

O problema é que as ignoramos. Às vezes, alguns nos alertam: de 

“Se trabalhar tanto vai adoecer”, “sorria mais e se estresse menos”, “não acumule angústias, raivas”, “desfrute de lazer, passeie”, “não gaste tanto, seu orçamento vai estourar”, “beba menos, vai desgastar sua imagem”, “evite tensões, ciúmes de qualquer tipo”, “ame e aceite amor”, “amor exagerado e não vivido também estoura”…

Tudo que vamos acumulando em nosso interior tem o mesmo efeito que as gotas d’água que evaporam e vão para a atmosfera.

Nossas nuvens emocionais estão agora negras e pesadas. Quando vier um resfriamento ou detonador qualquer nossa tempestade desabará torrencialmente. 

Pode fazer muito barulho, ou não, mas chama a atenção. Desabamos junto, literalmente. 

Muita água rola, muitas lágrimas, muita dor, rebeldia, revolta, depressão.

A diferença é que ninguém questiona a chuva. Ela é bem vinda, não presta contas a ninguém. 

Já nossa “chuva” é questionada por todos. Principalmente se vier forte e atingir terrenos alheios, o que quase sempre acontece.

Mas quando ela cair, não tem jeito. Deixe rolar… Chore tudo que tem direito, brigue, fale, se abra… Se aliviar, chore na chuva, as águas confundirão os curiosos! 

Para reparar os danos, depois das águas passarem, desculpe-se, procure um médico, um amigo, quem tiver que ser, se aprume e prepare-se. Sempre desabarão novas tempestades. 

Com a lição aprendida, poderemos reduzir a formação, amenizar a força e controlar os danos das próximas. 

Alda M S Santos 

Perspectivas 

PERSPECTIVAS

Tão importante quanto enxergar é a perspectiva que se tem do que é visto. 

Tudo que olharmos com um pouquinho mais de atenção, poderá nos dar diferentes perspectivas.

Um simples cacho de uvas, por exemplo. O primeiro de nosso “grande” parreiral. 

Vários poderão ser os olhares: “que lindo, como a natureza é perfeita”, “não fizemos nada e ela cresceu tanto”, “precisamos fazer um estaleiro”, “vai ocupar espaço demais”, “prefiro as roxinhas”, “nossa, isso vai dar muito trabalho”, “poderemos fazer vinhos deliciosos”, e por aí vai…

Em tudo na vida é assim. Sempre haverá olhares diferentes. 

Haverá olhares de espectadores, de admiração, de reclamação, de expectativas… 

Haverá quem queira curtir o momento, quem lamentará o passado, quem ignorará o que se apresenta, quem irá vislumbrar oportunidades para o futuro. 

Agimos assim diante das oportunidades que a vida nos apresenta. 

Quantas vezes só lamentamos o trânsito ruim, vemos problemas nos colegas de trabalho, reclamamos da quietude ou agitação de nossos filhos, nos rebelamos contra uma doença, brigamos com um parceiro ciumento ou insensível, xingamos uma pia cheia ou banheiro sujos, choramos um amigo ou amor distantes…

E brigamos…choramos, ficamos inertes, deixamos de caminhar…

Que tal tentarmos olhar com outra perspectiva, sob outra ótica? 

Está certo, não é fácil! Mas é preciso se quisermos crescer, aprender, evoluir. 

Tudo, tudo tem um ângulo melhor, uma posição em que parece mais leve, mais belo, menos doloroso, mais proveitoso. 

Precisamos apenas nos abrir para a vida… 

Que tal? 

Alda M S Santos

Cicatrizes

CICATRIZES

Sempre tidas como feias, indesejadas, até mesmo repulsivas, as cicatrizes podem despertar vários sentimentos. Tudo vai depender do nosso olhar. 

As cicatrizes são o que sobra após a cura de uma ferida que outrora esteve aberta, machucou, sangrou, doeu. 

Receptivos, aceitamos os cuidados, carinhos, lavamos, colocamos antissépticos, curativos, pomadas. Aguardamos a cura. 

Ela vem lentamente, até sobrar aquela marca mais forte ou uma simples linha tênue. 

Posteriormente, olharemos para ela e lembraremos de algo superado. 

Por que agimos diferente quando a ferida é no coração, na alma? 

Ela machuca, dói, sangra, gera lágrimas, tristeza, decepção, isolamento, até mesmo revolta. 

Por que nesses casos, diferentemente da ferida no corpo, nem sempre aceitamos ajuda, queremos resolver sozinhos, forçar e apressar a cura, ou ficamos cutucando a ferida, remoendo, dificultando a cicatrização? 

Quando a ferida for na alma, como no corpo, precisamos aguardar a cura vir aos poucos, de dentro para fora. Forçar a cicatrização de fora para dentro a tornará frágil e com risco de reabrir. Ferida reaberta é mais difícil de curar. E deixará uma cicatriz bem maior. 

Além disso, é fundamental que aceitemos as “pomadas”, os “curativos”, os “antissépticos” dos amigos. Claro que respeitando nossos limites e necessidade de tempo conosco mesmos.

Sempre é valioso lembrar que feridas e cicatrizes formam-se apenas em quem correu, subiu, caiu, amou, se arriscou, se decepcionou. 

Cicatrizes na pele são pequenas marcas…

Cicatrizes da alma são as saudades…

Ambas devem ser vistas como marcas de quem viveu e venceu…

Alda M S Santos 

O que cresce? 

O QUE CRESCE? 

Tudo, tudo mesmo nasce pequenininho. Começa com uma semente, uma raiz, galhos, folhas, frutos…

Até virar uma frondosa árvore, linda, desejada ou não, difícil de conter. 

Às vezes nasce o que não plantamos, mas para crescer é preciso regar, adubar, cuidar. 

É assim com plantas benéficas, mas com as daninhas também. 

Não é diferente com as situações, com os sentimentos, nossas vivências.

Aquela depressão começa com uma tristeza, aquela doença com uma febre, aquela apatia com uma simples preguiça, aquela raiva com uma mera implicância, aquela aversão com uma pequena antipatia, aquela amizade com uma atenção, aquela desconfiança com um leve ciúme ou insegurança, aquele amor com um carinho desinteressado. 

É preciso que estejamos atentos para regar, adubar e alimentar em nós somente o que queremos que cresça, tenhas fortes raízes, troncos firmes, lindas flores, frutos saborosos…

Depois da árvore frondosa, cultivar é fácil, cortar torna-se muito mais complicado. Arrancá-la causa danos ao terreno, ao seu entorno, a outras árvores e seres viventes, e sempre deixa marcas insuperáveis. 

Cuidemos do que andamos cultivando em nós! 

Alda M S Santos 

Grau máximo

 GRAU MÁXIMO

Há pessoas que tendem a ser o centro, a viver no olho do furacão. Nem sempre porque escolhem estar ali, mas por serem “levadas” por suas características. 

Há, obviamente, aquelas que gostam, que são estrelas, que sentem-se iluminando o firmamento.

Mas há aquelas que ali estão involuntariamente. Costumam esgotar os superlativos da “crítica”. 

Superlativos diversos, nem sempre positivos, muitas vezes invejosos, são dirigidos a elas: inteligentíssimas, lindíssimas, maravilhosas, sensualíssimas, perigosíssimas, falsérrimas, dificílimas…

Normalmente os superlativos são irreais. Não representam o que o outro é de verdade. São a opinião de alguém, a partir do que vê, do que pensa, de suas próprias fragilidades e traumas, do que ouve… São muitas as interferências. 

Quando ouvirmos sobre nós mesmos ou sobre alguém, ou emitirmos qualquer superlativo sobre qualquer pessoa, melhor duvidar, questionar. 

O jeito certo de jogar por terra qualquer superlativo sobre qualquer um é um bom bate-papo, olho no olho.

Se depois disso nosso encanto ou repulsa se mantiver, temos nossas explicações e defesas embasadas em algo sólido.

Mas isso é só pra gente demais corajosa. 

Alda M S Santos 

Válvulas de escape

VÁLVULAS DE ESCAPE

Há dias em que tudo parece estar fora do lugar. Nada parece se encaixar! Por que fui levantar hoje, nos perguntamos?

Acordamos atrasados, ou tomamos banho ou café, saímos na correria.

Nossa receptividade para o dia já fica comprometida: perdemos o ônibus, pegamos trânsito excessivo, não percebemos o sorriso sincero do amigo, não oferecemos ao outro nosso “bom dia” de sempre. E, atentos ao negativo, até esquecemos das orações costumeiras, comprometemos tudo que poderia acontecer de bom ao longo do dia.

Acabamos explodindo com alguém por algo aparentemente simples. A verdade é que aquele fato foi apenas a gota d’água. Estávamos cheios até a tampa. Nossa mente é seletiva e sábia. E tenta colocar pra fora o que não faz bem.

Quando vamos acumulando angústias, tristezas, preocupações, engolindo lágrimas e palavras, escondendo sentimentos, deixando tudo pra depois, sem um filtro, enchemos nossa mente de lixo emocional.

Para não entrar em pane, para não explodirmos, precisamos de válvulas de escape. Aquelas que vão liberando a tensão aos poucos. Como a válvula de uma panela de pressão. Sem ela a panela explode e causa muitos danos.

As válvulas são variadas. Cada um de nós tem a sua, ou tem várias, dependendo do tipo de tensão a ser liberada: física, emocional, sexual…

Pode ser uma leitura prazerosa, um bate-papo com amigos, uma atividade física, um bom filme, uma caminhada num parque, ouvir música no “talo”, futebol, namorar, cozinhar, brincar com amimais, cuidar de plantas, observar o por do sol, chorar até ficar de olhos inchados…

Não importa qual seja nossa válvula. Só não podemos abrir mão dela.

Uma panela que explode causa danos ao ambiente. Uma pessoa que explode pode destruir outras pessoas!

Alda M S Santos

O poder do verbo

O PODER DO VERBO

Nunca podemos desfazer do poder do verbo. Nunca! 

Aquilo que trazemos dentro de nós em forma de sentimento, positivos ou negativos, são expressos de diversas maneiras: sorrisos, carinhos, silêncios, palavras…

As palavras, quando bem ditas, têm o poder de acalentar, de animar, de acalmar, de apaziguar, de alegrar um coração. Podem levar consigo o calor de um abraço, a sinceridade de um sentimento ou a dor de uma saudade.

Por outro lado, quando impensadas, podem causar mágoas, dores, danos, remorso, lágrimas, retrocesso…

Toda positividade ou negatividade que deixamos emanar dos pensamentos, palavras ou ações transformam tudo a nossa volta e, como bumerangue, retornam em forma de felicidade e satisfação ou tristeza e desânimo. 

Beijo atrai beijo, abraço atrai abraço, palavras ruins atraem palavras ruins… Não há muita gente por aí disposta a dar a outra face! 

Cuidemos de nossos sentimentos, pois não convém a ninguém prendê-los, tampouco queremos que voltem para nós de forma negativa! 

Alda M S Santos

Caleidoscópio mágico 

CALEIDOSCÓPIO MÁGICO

Um lindo conjunto de imagens, informações, cores, luzes, sombras, brilhos. 

Tudo vai depender do modo como olhamos, para onde olhamos, em qual ângulo, sob qual ótica. 

É praticamente unanimidade que as imagens refletidas pelo caleidoscópio para nossa apreciação são maravilhosas. 

Podem vir meio distorcidas, incompletas, confusas, mas sempre são encantadoras. 

O mais interessante é que ele é formado por fragmentos de vidros coloridos, que refletem a luz através de espelhos inclinados. Quanto mais fragmentos, mais imagens, mais beleza. Quanto mais movimentos, maior a riqueza do espetáculo.

Nossa vida também costuma nos oferecer esse “show.” 

Tantas vezes tudo nos parece quebrado, confuso, misturado demais. Digno de se jogar no lixo. Não vislumbramos nada. Tampouco apreciamos. 

Nessas horas, vale lembrar a lição do caleidoscópio. Precisamos nos mexer, mudar de posição, trocar o olhar, nos movimentar. Assim, talvez possamos ver o que queremos e precisamos. 

Um caleidoscópio parado oferece poucas opções. A vida é um lindo caleidoscópio mágico. Quanto mais “quebrada”, mesmo que difícil, melhores as chances de vislumbrarmos nela uma linda imagem. Basta que nos movimentemos. 

Que tal olharmos por essa ótica? 

Alda M S Santos 

Nudez

NUDEZ
Nascemos todos nus. Todos. Corpo, mente, alma, coração. Ao longo de nossas vidas vamos nos vestindo. Nossos corpos, nossas mentes, nossos corações, nossas almas, todos vão ganhando adereços.
Apesar de não ser tão difícil cobrir o corpo, temos preferências por certas cores, modelos, estilos de roupas. Tanto que nos dizem: “vi um vestido que é a sua cara”!
Nascemos nus, corpos iguais, masculinos ou femininos, mas nos diferenciamos de acordo com nosso tipo físico e nossas preferências. Às vezes, aceitamos opiniões, conselhos, mas pouco mudamos.
A nossa mente é seletiva. Muitos acessórios tentam entrar, mas ela recusa o que é supérfluo ou pouco utilizado. Desperdício de memória.
Já nosso coração é bem confuso! Quer coisas que a mente recusa. Não aceita imposições da razão.
Há certas “vestimentas” que ficam grandes demais, escondem outras “peças”, cores cinzentas, desvalorizam o que ele já tem, apertam, machucam, dão calos, sangram.
Mas ele é insistente, de opinião! Quando quer algum “modelo”, não desiste! Não importa que todos digam que não ficou legal.
Como não deveria deixar de ser, acaba por se dar mal algumas vezes. Sofrem corpo, mente, coração.
Mas o tempo ensina. Como aprendemos que certas minissaias não ficam bem em alguns tipos físicos, também aprendemos que certos “amores” não cabem em nossos corações. Entendemos que não devemos colocar qualquer um pra dentro dele.
Todo aprendizado torna-se a vestimenta da alma. Clássica, não segue modas. Ela é leve e pacífica. Quanto mais vestes, mais leve fica. Como um buquê de rosas, mesmo cheinho, é leve, colorido, lindo, encantador. A simplicidade dita a beleza da nudez da alma.
E, diferentemente do corpo, sua nudez é muito seletiva. Não se mostra pra qualquer um.
Aí está nosso maior encanto!
Alda M S Santos

No alvo

NO ALVO
Em nossas vidas, sempre estamos em busca de algum objetivo.
Seja material, pessoal, profissional, espiritual ou amoroso…
Sempre temos um alvo no qual miramos nossas flechas.
Nossa capacidade de atingir as flechas nesse alvo vai depender de fatores diversos. Porém, nossa técnica vai sendo aprimorada ao longo desse esporte chamado vida. E passamos a acertar mais.
Aprendemos a nos posicionar melhor, a manter o equilíbrio, a esticar mais a corda, a manter a concentração e o foco, a calcular a interferência dos ventos, a regular a intensidade e potência dos disparos, dependendo de cada alvo e campo de tiro, a cuidar de nosso arco e flecha. Equipamento danificado não acerta o alvo tão facilmente.
Precisamos, acima de tudo, escolher melhor os alvos que iremos mirar e saber qual flecha usar para cada um.
Importante também é saber que todo o possível se faz antes do lançamento da flecha. Disparada, é torcer e aguardar. Se obtivermos êxito, ótimo. Caso contrário, novas flechas, novos alvos, novas posturas…
O esporte não termina porque uma ou duas flechas erraram o alvo. Talvez ele nem fosse tão interessante assim! E a experiência será válida para a próxima tentativa.
Lembremos disso quando não conseguirmos algo tão sonhado! Abandonar o esporte não é uma opção!
Alda M S Santos

Água, sempre

ÁGUA, SEMPRE

Quem chega primeiro bebe água limpa…

Pode ser, mas isso não quer dizer, necessariamente, que quem chega depois bebe água suja.

Apenas encontrará água em menor quantidade.

Talvez, por isso mesmo, ela seja mais valiosa, mais saborosa, mais seletiva dos seus usuários.

Na vida, não importa se chegamos primeiro ou por último, sempre há tempo.

Sempre há o que desfrutar.

Ela sempre tem algo a nos oferecer…

Basta ter disposição e estar de olhos e coração abertos.

Alda M S Santos

Atropelados pela vida

ATROPELADOS PELA VIDA
Tantas vezes somos atropelados pela vida. Caídos, outros “veículos” ainda passam por cima, caçoam, “filmam”, chutam cachorro morto. Quando tudo que queremos é um jornal para nos cobrir!
É, a vida pode ser cruel, às vezes. Imunidade baixa, todos os nossos monstros internos ganham força. Por isso parece que tudo vem ao mesmo tempo: desemprego, desilusão amorosa, brigas familiares, saúde frágil, caixa em baixa, amigos ausentes…
Pensamos em desistir… Entregar os pontos, jogar a toalha, aceitar o game over.
Tudo torna-se seco, cinza, sem vida! Fechamo-nos para o mundo.
Aí aparecem as almas caridosas com os velhos conselhos: vai passar, sacode a poeira, levante-se, chorar não vai adiantar…
E nossa vontade é gritar: pare, deixe-me com minha dor! Eu quero chorar, quero me entregar, quero ficar afundado nesse sofá por quanto tempo me aprouver!
Esse momento de “luto” é importante. Nele processamos o que perdemos, o que restou, o que devemos buscar. Fazemos nosso balanço interno antes de reabrir as portas para o público.
E nossa força, aos poucos, ressurge. E vai crescendo.
De onde vem essa força? O que a aciona? Quem dispara esse gatilho?
Cada um é cada um, mas vamos aprendendo técnicas para lidar com o sofrimento. Cada qual busca a sua: família, leituras, passeios, atividade física, chocolate, músicas, orações…
Duas ajudas são fundamentais e universais.
Primeiro: os amigos, aqueles mesmos, os dos velhos conselhos. Não sejamos tão duros com eles, não fazem por mal, do seu jeito, querem apenas ajudar.
Segundo: Deus. Ele é um só e olha por todos, independente do tamanho do nosso problema. Se nos incomoda, se pedirmos, Ele nos ajuda e nos atende.
Quando estivermos derrubados no meio da estrada, mesmo que seja difícil, tentemos lembrar disso. Pode diminuir o período de luto e irrigar a força. Ela brotará mais rapidamente.
Alda M S Santos

Barreiras emocionais

BARREIRAS EMOCIONAIS
Ao longo de nossas vidas, para nos protegermos dos outros ou de nós mesmos, vamos criando barreiras que cerceiam nossa natureza, nossas emoções, nosso modo de ser.
Alguns de nós mudam tanto que já nem se reconhecem. Somos apenas cópias autenticadas uns dos outros. Originalidade zero. Para agradar a todos, deixamos de ser nós mesmos, nos afastamos de nossa essência.
Existem barreiras e diques que formamos com bases tão fortes, tão resistentes, tão impregnadas que já foram absorvidas, são parte de nossa razão e acabam por estagnar as águas de nossas emoções…
Água parada não tem muita vida. Até parece bela, mas pode putrefar, não se renova, não circula o oxigênio que alimenta a vida que a mantém.
Barreiras e diques são importantes para haver um certo controle emocional, possibilitar nosso crescimento como seres humanos, evitar grandes estragos, mas é preciso manter ativos os vertedouros e abrir um pouco as comportas vez ou outra.
Nossos familiares e amigos mais próximos são essenciais e excelentes vertedouros.
Vamos usá-los! Uma barreira ou dique que se rompe, dependendo do momento, deixa ir embora muita coisa boa.
Alda M S Santos

Para viver

PARA VIVER

Para viver, há que se desejar

Com o pensamento, com o olhar

Com as palavras, com o silêncio…

Com as mãos, o orar ou caminhar…

Para seguir em frente ou desistir

Há que se desejar.

Mas, realizar…

Só se vier com a força e profundidade da alma e do coração…

Isso, só nós mesmos podemos buscar.

Alda M S Santos

Nossa humanidade

NOSSA HUMANIDADE

Um ser humano, no ápice de sua capacidade mental, pode ser capaz de dominar altas tecnologias, ter inteligência de gênio, viajar a jato, quase na velocidade da luz, desbravar outros mundos, outras galáxias, decodificar o mapa genético, eliminar os males físicos e mentais, controlar e entender a complexidade dos seres animais, vegetais e minerais, prever o futuro, ignorar o passado, prolongar a vida…

Porém, se não tiver olhos, alma e coração para conhecer-se a si mesmo a fundo, e para sentir o que o outro sente, tocá-lo, corpo e alma, dar carinho, afeto, com o intuito de auxiliar o irmão tão próximo que necessita, infrutíferas serão todas as demais habilidades.

Todas elas só valem se servirem para melhorar nossas vidas e dos nossos semelhantes, sem danificar essa magnífica natureza, que é presente divino.

Como disse o maior Mestre, que tenhamos vida, e a tenhamos em abundância!

Alda M S Santos

Só tem amor quem sabe amar “

“SÓ TEM AMOR QUEM SABE AMAR”
Quantas vezes na vida nos entristecemos, choramos, lamentamos um amor ofertado e não devidamente recebido, valorizado ou correspondido? Isso nos acontece desde a infância, quando nosso amigo preferido escolhe brincar com outro e ficamos emburrados.
Aprendemos? Não. Apenas aprimoramos o modo de lidar com a dor e a frustração para que não nos derrube.
Disfarçamos, buscamos outros interesses, olhamos para frente, tentamos ignorar aquela angústia lá no fundo de nós e partir para outra.
Por isso tantas pessoas mudam, tornam-se amargas, fechadas, desconfiadas, inseguras, resistentes ao amor e às demonstrações de carinho e afeto. É a autoproteção.
Outras, porém, permanecem do mesmo jeito. Amam, se entregam, demonstram carinho, são sinceras, sensíveis.
Não importam os envolvidos no ato de amar: entre pais e filhos, entre irmãos, entre amigos, entre casal.
Até podem sofrer por um tempo, mas percebem, sabiamente, que quem ama nunca perde. O amor é sublime, soberano, mágico. Quem o sente é privilegiado. Quem não soube receber é que ficou no prejuízo.
Nunca lamentemos por amar! A vida sem amor é vazia e seca. Não tem cor nem brilho. Amor é bumerangue! Amor se autoabastece. Quem não ama não sabe acolher o amor que bate à sua porta.
“Só tem amor quem sabe amar”!
Alda M S Santos

O quebra-cabeça e os relacionamentos

O QUEBRA-CABEÇA E OS RELACIONAMENTOS

Observando os relacionamentos à minha volta chego à seguinte conclusão: nós, e a pessoa que nos é destinada, somos compostos pelas peças de um mesmo quebra-cabeça. O objetivo na vida é encontrar qual pessoa tem as peças que irão nos completar e vice-versa.

Passamos a vida montando esse quebra-cabeças, encaixando as peças em lugar errado, retirando, tentando de novo, acertando e tornando a errar. O problema é que, às vezes, passamos boa parte da vida tentando encaixar peças erradas, peças que não se completam.

Imagina um cachorro tentando encaixar uma perna de gato. Fica manco! Por isso existem relacionamentos tortos! Passam a vida forçando peças não afins a se completarem.

Quando veem que não vai dar, partem para outra. Aí, as peças já estão desgastadas, desbotadas, e, ainda assim, lutam para se encaixar em outro quebra-cabeças…

Devemos fazer como as crianças que misturam peças de quebra-cabeças diferentes. Dá trabalho, mas vale a pena separá-las para poder brincar direito.

Resumindo: o que vale é se divertir nessa brincadeira. Rir e aprender juntos com os erros e comemorar os acertos. Como em toda brincadeira, se deixou de ser divertido é hora de parar de brincar antes de começar a briga…

Alda M S Santos

 

Autoboicote

AUTOBOICOTE
Boicotar é sabotar, agir contra, repudiar, impedir de algo, desfavorecer, desacreditar. Não parece bom. E autoboicote? O que seria?
Imaginem fazer tudo isso consigo mesmo!
Considerar-se incapaz de várias coisas, ficar estacionado, não agir é uma delas. Falta de autoconfiança, medo de enfrentar o novo.
Toda vez que surge uma oportunidade de crescimento e, junto dela, a coragem para enfrentar o medo, vem aquele sentimento de derrota para impedir: o autoboicote.
Perde-se um emprego promissor, uma amizade nova, uma viagem espetacular, uma aquisição lucrativa, o amor dos sonhos.
Com isso, a capacidade de confiar no outro também vai embora.
O autoboicote não aparece de uma hora para a outra. Acumulam-se críticas, autocríticas, punições e frustrações que vão nos limitando, nos desacreditando de nós mesmos, mudando nossa essência.
Pode advir de pais repressivos demais, professores severos, críticos e sem ética, amigos cruéis, um namorado infiel, um chefe autoritário.
As críticas vão se acumulando em nós, os fracassos também. E forma-se um círculo vicioso. Quanto mais fracassos, mais autoboicote. Quanto mais autoboicote, mais fracassos.
A autoconfiança atrai sucesso. Sucesso gera mais autoconfiança. Uma pessoa autoconfiante costuma atrair críticas positivas, pois sabe se autopromover. A pessoa que se autosabota perde essa chance. Ao não acreditar em si mesma, não conquista créditos de ninguém.
Algumas vezes aparecem pessoas que se aproximam, passam a conhecer o potencial de quem se autoboicota, tentam ajudar, mostrar do que o outro é capaz.
Assim, começam a sair da casca, a lustrá-la, a brilhar.
Todos temos momentos de autoboicote. Achamos que estamos nos preservando. Mas acabamos por cair na real e ver que estamos apenas tirando oportunidades de crescer e de ser feliz. Algumas vezes é normal, passa. Porém, não podemos deixar que isso tome conta de nós, que se torne patológico.
A cada vez que dermos desculpas demais para nós mesmos para não tentar algo, é hora de perguntar: o que disso tudo é verdadeiro? Não estou me autoboicotando?
Henry Ford dizia: “Se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo.”
Isso é o poder da mente sobre nosso corpo, nosso coração, nossas ações.
Nessas horas de autoboicote, o melhor a fazer é conversar com um amigo, alguém que nos ame, que nos jogue para cima. É o primeiro passo. Os outros logo virão.
Alda M S Santos

Frankenstein do amor

FRANKENSTEIN DO AMOR
Temos a tendência a buscar no outro algo que não somos nem nunca seremos: a perfeição.
Quantas vezes olhamos para o outro, tão próximo de nós, e lamentamos seus defeitos, ao menos aos nossos olhos, e desejamos que ele fosse diferente?
Ah, se ele tivesse a beleza do fulano, a simpatia do beltrano, a inteligência do sicrano?
Criticamos seu jeito expansivo de ser ou relaxado de se vestir. Lamentamos que não seja tão educado ou tão culto, ou ainda que não seja tão carinhoso ou apaixonado. Que não tenha bom humor ou sex appeal o bastante, ou mesmo que não seja habilidoso socialmente ou exímio administrador.
Muitos podem ser os defeitos que iremos encontrar no outro. Quanto mais tempo juntos, mais deles notaremos.
Essa nossa tendência em montar alguém ao nosso gosto, nosso Frankenstein amoroso, é perigosa e contraproducente.
Primeiro, porque é impossível de se conseguir. E se conseguirmos, não durará muito tempo.
Segundo, porque seria artificial. Por pior que seja o original, ele é melhor que o artificial. Alguém tão perfeito não existe! Caso existisse, não estaria conosco, a julgar por nossas imperfeições.
Isso não quer dizer que não queiramos “melhorar” um pouquinho o outro, ou melhorarmos para o outro que amamos. Isso é saber se relacionar. Para isso existem os relacionamentos. Para crescermos, sermos mais e melhores, evoluirmos em todos os aspectos: físicos, emocionais, mentais, comportamentais.
O tempo, nesse caso, pode ser benéfico. Aprendemos a aceitar o jeito de ser do outro e a amá-lo apesar disso, ou até por causa disso.
Quando olharmos para o outro com olhar tão crítico, querendo montar nosso Frankenstein, que tal nos perguntarmos se ele também não gostaria de fazer o mesmo conosco? Aceitaríamos?
Penso que quanto mais simples, mais natural, menos montado, mais bonito. A natureza nos mostra isso.
Só para constar, o monstro Frankenstein foi muito infeliz e não fez feliz seu criador.
E viva nossas imperfeições!
Alda M S Santos

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