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Tenho medo

TENHO MEDO

Tenho medo de qualquer posicionamento extremo, radical

Sem qualquer apologia às “folhas de bananeiras”

Que balançam ao sabor do vento

E ora estão de um lado, ora do outro

Ter uma opinião formada não quer dizer que precise ser engessada, inflexível

Mudar o modo de ver algumas coisas só nos engrandece

Tenho medo das consequências negativas do radicalismo, dos preconceitos

Tenho consciência que até o amor, a maior e mais eficaz arma do mundo

Se usada de modo radical é prejudicial

Sou a favor da flexibilidade, do saber ouvir, do se fazer entender

Mas, principalmente, do saber respeitar

Intolerâncias geram violências que nos desumanizam

Verdades são apenas opiniões de pessoas diferentes entre si

E ter uma opinião diferente não faz ninguém melhor ou pior que os demais

O que difere os seres humanos é o modo pacífico ou agressivo de se manifestar

O que hierarquiza as pessoas é o respeito que demonstram diante do diferente de si

Porque a quem nos parece diferente

Certamente também pareceremos estranhos

E uma conversa respeitosa faz com que todos cresçam como seres humanos

O que é impossível sentados no trono que julga e condena o que é diferente

Tenho medo! Muitos medos!

E isso vale para qualquer esfera da vida

Social, familiar, política, amorosa, artística, religiosa, esportiva…

Com habilidades e cuidado somos capazes de a tudo conquistar

Precisamos todos de mais amor e respeito

Menos insultos, menos julgamentos…

Mais humanidade!

Alda M S Santos

Antes ou depois?

ANTES OU DEPOIS?

Vidas que se dividem entre o antes e o depois

Que se separam entre dois marcos estáveis

Como naquelas fotos pareadas e em “evolução”

Antes e depois de um corte de cabelo

Antes e depois de uma reeducação alimentar

Antes e depois de um procedimento cirúrgico

Antes e depois de qualquer tratamento estético

O antes sempre pior, o depois sempre melhor

E os antes e depois do lado de dentro?

Fotos pareadas da nudez da alma

Marcos de uma alma nua e em evolução

Antes e depois da faculdade

Antes e depois do casamento

Antes e depois dos filhos

Antes e depois do trabalho social

Antes e depois daquela viagem

Antes e depois da aposentadoria

Antes e depois daquela perda irreparável

Antes e depois de uma tragédia ou trauma

Antes e depois de um amor ou amizade…

Antes ou depois?

Dicotomias da vida em que buscamos evoluir

Nos quais os depois nem sempre são melhores

Mas não podem representar estagnação

Existe um “entre” a ligar os antes e os depois

Um “entre” em que toda dor ou alegria ocorre

E o que acontece nesse making-off

É tão ou mais importante que as tão valorizadas imagens congeladas antes/depois

Nossa vida é um continuum

E é nessa continuidade que o mais valioso ocorre…

Antes ou depois?

Eu prefiro o durante…

Alda M S Santos

Errar é humano?

ERRAR É HUMANO?

Errar é tão humano que há erros para todos os tipos de humanos

O erro inovador, aquele que se comete ao enfrentar algo diferente do costumeiro

“Isso tudo é novo para mim”

O erro insistente, velho conhecido, aquele que bate na mesma tecla, não desiste

“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”

O erro ingênuo, aquele que espera sentado ser contemplado nas voltas do mundo

“O que for meu virá até mim…”

O erro otimista, aquele que treina e teima no mesmo propósito

“A prática leva à perfeição”

O erro pessimista, aquele que desistiu de lutar

“A vida é cruel, tentar pra quê?”

O erro revoltado, injustiçado, aquele que se julga o preterido do mundo

“Nada cai do céu, tomo o que eu quero!”

O erro anjo da guarda, bom samaritano, aquele que erra em prol dos outros

“Era apenas para ajudar ou proteger fulano”

O erro vidente, aquele que prevê o final desastroso e insiste

“Eu sabia que só poderia dar nisso”

O erro original, aquele que só você é capaz de cometer

“Tantos erros novos para cometer, para que insistir no mesmo?”

O erro avalanche, aquele que sai derrubando e levando todos a sua volta

“Sai da frente que estão me empurrando…”

O erro “solidário”, aquele que não gosta de errar sozinho, sempre carrega alguém consigo

“Mas não fui só eu que errei”

E o erro reincidente, persistente, vítima, travestido, cigano e volúvel

Aquele que parece ser novo, mas muda apenas o endereço e o parceiro envolvido

O erro continua o mesmo…

“Eu não queria isso! Como vou explicar para os outros?

Errar é mesmo humano

Aprendemos muito mais com erros do que com acertos

Desde que saibamos aproveitar suas lições

Caso contrário, apenas mudaremos os erros de lugar

E envolveremos novas pessoas…

Errar é humano, mas não é legal que se torne desumano!

Alda M S Santos

Pronta para servir

PRONTA PARA SERVIR

Junte um sorriso, alegria de viver e fé em Deus

Misture bem

Acrescente confiança, carinho e compaixão

Dissolva todo o tempo

Enfrente as decepções, os medos, a tristeza, o abandono

Descarte os excessos, aquilo que azedaria a massa

Regue com lágrimas e faça um bolo único

Reserve

Deixe em repouso até crescer

Unte a forma com aprendizado e sabedoria

Cubra com muito amor sincero

Pincele novamente com um sorriso

Polvilhe mais fé em Deus e alegria de viver

Está pronta uma pessoa forte!

Pronta para servir

Junto da família e dos verdadeiros amigos

Alda M S Santos

Coringa

CORINGA

Uma carta coringa assume qualquer valor

Habilidade de encaixar-se, de se sobrepor

Coringas são neutros, adaptam-se sem qualquer pudor

Uma roupa coringa cai bem em qualquer ocasião

Um prato coringa que atende qualquer refeição

Um programa coringa que alegra qualquer coração

Um sentimento coringa que lida bem ou substitui qualquer emoção

Uma pessoa coringa que acalma ou anima com prazer, sem razão, com paixão

Um palhaço que alegra, mesmo chorão

Que encanta, mesmo bobalhão

Que alegoricamente malicioso, da sua inteligência não abre mão…

Ser ou ter um coringa? A pergunta não é se…

Mas quando lançaremos mão dessa enigmática representação

Que muitas vezes nos salva de nossas próprias tolices, boas ou não…

Alda M S Santos

#carinhologos

Manuais

MANUAIS

Não quero manuais, não quero receitas

Tampouco tutoriais ou passo a passo

Eles são bons para os outros

Ou assim acreditamos

Na prática, para nós mesmos, são cansativos

Nunca funcionam!

Inexperiência, impaciência ou desejo de aprender fazendo

Não importa!

Funcionariam para seres iguais, medidas idênticas, habilidades idem

Somos diferentes, a começar pelas digitais, DNA atesta e confirma

Prefiro ir na base da tentativa e erro

Aperto daqui, vou, volto, sigo

Acrescento ingredientes, deixo em repouso, boto para crescer

Escrevo, apago, refaço, reescrevo minha história

Ainda que fique borrada onde não foi possível apagar marcas deixadas

Capítulos inacabados, páginas viradas, personagens perdidos, sem destino

É tão simples que se torna complexo

Nenhum manual saberia guiar individualidades

Manuais lidam com acertos, não preveem erros

Aqueles nos quais ficamos dependurados, tentando nos equilibrar para não cair

E a vida acontece quase sempre entre um erro e outro…

Alda M S Santos

Anti-Gênio

ANTI-GÊNIO

Chateada com a vida ela tropeça numa lâmpada e a chuta longe.

Sem esfregadinha a lâmpada se acende e logo um gênio cansado aparece.

“Oba! Já sei! Tenho direito a três pedidos!” -ela diz

“Sou o Anti-Gênio, vou retirar três coisas de você!”- ele fala impassível.

“Como assim?”- ela se assusta

“Vou levar três coisas suas, mas deixo você escolher quais.”- retruca

“Mas não tenho nada valioso que você possa querer”

Ela reclama, pede, implora…e nada…

“Se você não escolher eu levo o que quiser”- rebate.

E na lâmpada vão aparecendo as cenas da sua vida

Presas na lâmpada longe dela tudo que pretende destruir

Com as pessoas que ele pretende levar:

Seus pais cuidando dela com carinho

Os irmãos brincando com ela na rua de terra

Os amigos queridos da escola, da igreja

Seu casamento, seu parceiro de todos os dias

Os filhos queridos, tão lindos, tão seus, tão pequenos ainda…

A saúde, a disposição para o trabalho

As amigas sempre presentes…

A cada cena que passava ela chorava e dizia: “isso não”!

“Por que você não procura alguém com muitos bens”?- desabafou

“Isso eu já tenho, quero coisas valiosas”…

“Mas tudo isso é valioso apenas para mim! De que servirão para você”?

“São valiosos para você? Achei por aí….”- pergunta o Anti-Gênio

Ela não sabia o que dizer temendo afirmar que sim, que eram muito valiosos

E ele levar a todos…

“São tudo que eu tenho, não quero mais nada, apenas que fiquem comigo”…

Ela estendeu a mão e foi tocando com carinho as cenas na lâmpada

Cada uma que tocava ia desaparecendo

Voltavam para dentro de si…

E o Anti-Gênio, sem nada mais dela preso em sua lâmpada,

Foi em busca de outras coisas valiosas perdidas de seus donos…

Tudo é tão leve, tão fugaz

E pode escapar de nossos dedos e ir embora a qualquer momento…

Alda M S Santos

É bom?

É BOM?

É bom quando nos torna pessoas do bem, quando desperta nossa melhor versão,

Mas se é algo que nos impede de ser ou fazer o que gostamos

Se é algo que nos desestrutura, mais entristece que alegra

Não é bom!

É bom quando aumenta nossa fé em Deus e na humanidade, aproxima pessoas e nos orgulhamos em fazer parte,

Mas se é algo que nos envergonha, frustra, amedronta

Não é bom!

É bom quando nos desperta para o amor e a solidariedade, a compaixão e a fraternidade,

Mas se nos faz criar “dívidas” sociais, familiares e emocionais muito pesadas,

Não é bom!

É bom quando queremos e podemos divulgar em “rede nacional”, contagiar a todos e levar a paz, amor e segurança que sentimos,

Mas se nos afasta dos outros, daqueles que amamos e nos querem bem

Mas, principalmente, se nos leva para longe de nós mesmos,

Para um lugar dúbio e sem volta

Se nos distancia daquilo que sempre tivemos orgulho em ser e fazer

Não! Definitivamente não é bom!

Oscilando entre o que é bom e o que não é, vamos vivendo

Caindo menos, derrubando menos ainda, ajudando, aprendendo, seguindo…

Viver é bom quase sempre!

Alda M S Santos

#carinhologos

Nocaute

NOCAUTE

A vida vai bater, muitas vezes bem forte

Golpes diretos, cruzados, ganchos certeiros

“Vence” quem tiver o coração mais leve

Você vai se machucar, se ferir, ferir os outros

Sentir-se atordoado, talvez perder a noção do certo e errado

Vai querer revidar pancadas, usar golpes baixos

Aguente firme, equilibre-se, desvie de alguns diretos

Proteja-se!

Fortaleça sua musculatura, absorva alguns “socos”

Transforme-os em energia para prosseguir

Se cair, respire fundo, beba água

Ajeite o protetor bucal, o protetor emocional

Levante-se!

Evite revidar golpes duros

Eles sempre retornam mais fortes

Risco de nocaute…

Os golpes mais traumáticos virão de onde você menos esperar

Te lançarão na corda, te derrubarão na lona

A vontade de ali ficar será grande…

Mas…levante-se!

Sofra o que tiver de sofrer, cure as feridas

Dê-se um tempo de “luto”, de repouso

Aprenda, prossiga!

Cuidado com golpes já conhecidos

Não golpeie com aquilo que sabe o quanto machuca

Se tiver que revidar, que seja a bondade e o amor

No mais, golpe nenhum merece revide

No ringue da vida quando alguém vai à nocaute

Na verdade mais de um perde

Ninguém ganha!

Será que fomos prevenidos antes de vir para esse ringue?

3,2,1…levante-se!

Alda M S Santos

Mas não sou só eu!

MAS NÃO SOU SÓ EU!

As crianças montam seus castelos cuidadosamente na areia.

Escolhem os moldes, carregam água, dedicam-se parte por parte

Olham, admiram o feito, sorriem

Num tropeço, num descuido o castelo do menino desmorona, despenca, trabalho perdido

A menina olha e diz “faz outro”

E continua a montar o seu com dedicação e cuidado

O menino, chateado, destrói “sem querer” o castelo da menina

Como se dissesse “se eu não tenho, você também não tem”…

E chegam as mães para ensinar e apaziguar…

São crianças, estão aprendendo a viver com perdas.

Mas há tantos adultos assim!

Por não conseguirem algo, ou perderem

Passam a vida invejando ou destruindo os castelos alheios

Ou impedindo que sejam construídos

Perdendo um tempo precioso que poderia ser gasto com um novo castelo…

Castelos iniciados e abandonados pelo caminho…

Talvez um jeito inconsciente, até patológico, de resolver sua própria frustração.

Ao perceber que o mal que o atinge, que as dificuldades que tem

Não são só dele!

Como se dissessem: caí, mas outros caem também

Ou: acontece com todo mundo

O fracasso do outro justificando o seu próprio…

O desafio da vida adulta é enfrentar os próprios desmoronamentos

Se possível, evitá-los, aprendendo a poupar seus próprios castelos

E daqueles que lhes são caros…

Alda M S Santos

Na calada da noite

NA CALADA DA NOITE

Tudo é silêncio, parece silêncio

Na escuridão o mal se agiganta

Medos e traumas antigos parecem maiores

Forças minam, a fé luta para prevalecer

Gatos miam, tomam o que julgam seu sobre os telhados

Gatas dão o que fingem “amarrar”

Cães ladram e tentam proteger o que parece perdido, ameaçado

Casais se amam, namoram sob os telhados

Uns nascem, renascem, outros matam, morrem

Munidos das mais variadas armas: brancas, de fogo, da confiança, da desesperança

Gatunos de colarinhos brancos, becas, batas, ternos

Disfarçados, vestidos de seres do bem, mascarados de “amor” e bondade

Invadem casas, veículos, escolas, igrejas, pessoas

Quebram janelas, estouram fechaduras, aproveitam uma fissura qualquer

Às vezes arrombam, outras são convidados a entrar

Nas TVs abertas ou fechadas, nas ondas do rádio, na web conquistam adeptos e seguidores

Pilham, roubam, amarram, matam

Amealham dia a dia tudo que se tem de bom

Sequestram o corpo, torturam a mente

Aliciam corações e almas carentes, sofridas

“Protegidos” pelas sombras o mal age calado

Na calada da noite…

Usurpam a vida, destroem sonhos

Roubam a inocência de infantes e adultos, ameaçam

Desestruturam famílias, passam-se por amigos, por anjos de Deus

Enquanto os anjos dormem…

Será que dormem?

Será que ainda haveria vida por aqui se não estivessem acordados, agindo?

Na calada da noite o mal se agiganta

Na calada da noite é que os anjos mais trabalham…

Na calada da noite não podemos nos calar

À luz do dia devemos nos fortalecer e gritar…

Alda M S Santos

De quantos?

DE QUANTOS?
De quantos nãos se faz uma decepção
De quantos medos se faz uma coragem
De quantos abandonos se constrói uma muralha
De quantas valentias e covardias se fazem um herói 
De quantos tanto faz se faz um desistir
De quantos passos trôpegos se faz uma marcha firme
De quantos cuidados o amor se alimenta
De quantos sorrisos se faz um encanto
De quantas lágrimas a saúde emocional sobrevive
Quantos abrir mão o amor é capaz de suportar
Quantas descargas emocionais o coração aguenta sem sofrer um colapso
De quantas promessas não cumpridas se faz um desamor
Quantos “felizes para sempre” somos capazes de destruir, incólumes
De quantos mergulhos rasos se faz uma vida superficial
De quantos “tudo bem” se molda uma máscara
De quantas demolições internas e externas precisamos para reconstruir
De quantas saudades se faz um existir?
De quantos(as)?
Gostaria de saber…
Alda M S Santos

Quem não entende

QUEM NÃO ENTENDE

Quem não entende um olhar

Tampouco entenderá uma longa explicação,

Diz Mário Quintana.

Um olhar é capaz de dizer praticamente tudo

Para pessoas dotadas de sensibilidade

Ainda que não possam ler tudo escrito naquelas “linhas” do olhar

Que muitas vezes se desvia

Podem sentir, imaginar, calcular, intuir

Particularmente se é um olhar já conhecido

Um coração que dividiu consigo sonhos, esperanças e medos

E, a partir daí, conversar, agir, sorrir, chorar

Brigar, cobrar, orientar, sofrer junto

Estar perto, oferecer o ombro, o colo, a compreensão

Quem no olhar, ou no tom de voz, identifica uma dor

Num “tudo bem” vê um “to sofrendo”

Num silêncio ouve gritos

Nos gritos ouve a alma despedaçada que silencia

Numa meia palavra entende todo o texto

Num sorriso alegre para muitos

Percebe a sombra dolorosa que tira o brilho

É quem sequer precisaria de palavras para ajudar

Apenas abraça, se não for possível, protege na oração

Almas afins…

Alda M S Santos

Superamos?

SUPERAMOS?

É preciso superar e seguir em frente, todos dizem

Mas quando se pode dizer que superamos?

Quando o problema foi eliminado, deixou de existir

Ou quando não o deixamos mais nos atingir?

Quando a ferida foi da alma apagada

Ou quando a lembrança já vem sem doer, está liberada?

Quando nominamos todos os responsáveis pelo bem e pelo mal

Ou quando já não se culpa mais ninguém pelo vendaval?

Quando as ausências já não são tão grandes, foram preenchidas

Ou quando optamos por deixá-las ter seu próprio espaço, acolhidas?

Quando podemos dizer que superamos?

Será que é quando se desiste de esquecer o que passou, bom ou ruim

E decide carregar ambos na bagagem; o ruim como aprendizado e o bom como saudades?

Será que é quando perdoa-se falhas cometidas por quem quer que seja

E aceita-se o porvir como presente?

Ainda que o brilho no olhar nem sempre venha dos sorrisos,

Mas das lágrimas saudosas que possam irrigar as lembranças e o viver?

Estarmos vivos quer dizer que superamos, que fomos mais fortes que tudo?

Sempre penso nisso ao fixar no olhar de todos eles…

Superaram? Superamos?

Alda M S Santos

#carinhologos

Infiltrações

INFILTRAÇÕES
Trincas nas paredes, rachaduras nas calçadas
Buracos no asfalto, aberturas nos canteiros
Fendas nos quintais, fissuras nos jardins
Permitem a entrada gradativa de água 
Possibilitam infiltrações e o lento, nocivo
E quase imperceptível ceder do terreno
Abalam as estruturas, derrubam edifícios
Jogam ao chão monumentos, grandes construções
Como as rachaduras em nossa emoção
Aquelas pequeninas, que quase ninguém vê
Uma decepção aqui, uma indiferença ali, um descaso acolá
Frestas que nem nós notamos
Vão deixando entrar elementos perigosos
Que abalam nossas estruturas
Derretem a liga que nos sustenta
Urge tapar essas gretas: na rua, nos quintais, nos lares, em nós
Deixar apenas a abertura suave das persianas e dos sorrisos
Por onde entra ou sai a luz do sol e do amor
Que nos aquece, nos mantém inteiros, de pé
E de braços abertos para a vida!
Alda M S Santos

Tempestades de fora e de dentro

TEMPESTADES DE FORA E DE DENTRO

A tempestade parece devastar o mundo lá fora

Barulho ensurdecedor, ventos uivantes

Granizo forte e gelado, doloroso

Atinge em cheio tudo que encontra pela frente

Destrói, amassa, assusta

Mais assustadora por ser fora de época

Relâmpagos riscando de luz o céu escuro

Uns, dormindo, acordam assustados

Outros sequer acordam…

Muitos, expostos nas ruas, tentam se abrigar, se proteger

Outros, caminham na chuva, se encharcam, levam “pedradas”

Será que também não acordaram?

Ou será exatamente por terem acordado? Não sei…

Muitos questionam o porquê dessa tempestade em pleno inverno

Sequer lembram que a loucura das tempestades se deve às insanidades humanas

Quantas vezes nós mesmos ignoramos alertas

Destruímos nosso planeta, poluição gerando superaquecimento global

Descuidos conosco gerando indiferenças

As tempestades não surgem do nada

Sempre vão dando sinais que fingimos não ver

Tanto aquelas no mundo lá fora ou no mundo cá dentro

E quando ela chega a gente se abriga e espera passar

Salva o que puder salvar

Ou sai às ruas e enfrenta o vendaval e as pedradas…

De todo modo, danos sempre existirão pós-tempestade

Avaliar o que restou, reconstruir o que foi destruído

Acostumar-se, “superar” o que não puder ser reconstruído

Devido a terrenos arenosos e frágeis

E aguardar a próxima, mais experientes para enfrentá-la

Com mais cuidados e proteção, sem os mesmos erros

Certamente parecerá menos dura, menos devastadora

Apenas uma chuva refrescante e deliciosa na qual vale a pena dançar

E amar…

Será?

Alda M S Santos

Em pergaminho, uma vida

EM PERGAMINHO, UMA VIDA

Num pergaminho de pontas queimadas e amareladas

Escreveu em versos simples e singelos sua vida num poema

Na contramão da era digital, online, devastadora

Uma vida tão sonhada, desejada e não realizada

Foi escrita a pena, a duras penas, regada a lágrimas

Enrolada, amarrada em laço e numa garrafa colocada

Lançou ao oceano aqueles sonhos para a posteridade

Quem sabe quem a encontrasse não se inspirasse

E fizesse daquele poema meloso, piegas e fictício

Uma linda poesia da vida real…

Alda M S Santos

Propaganda enganosa

PROPAGANDA ENGANOSA

Diz-se quanto o divulgado não corresponde ao real

Quando a teoria não funciona na prática

Quando o exposto na vitrine é belo e maravilhoso só ali

Quando o dito ou gritado em bom som

Se cala diante da realidade nua e crua

Quando o lustrado parece mais resistente do que é na verdade

Não suporta, arrebenta, diante da constante batida ou monotonia do cotidiano

Quando o que parece forte e protetor se encolhe aos primeiros trovões

Quando o que parece aquecer desaparece ao primeiro frio

Quando o que promete refrescar se derrete ao primeiro calor escaldante

O que está na vitrine é para ser vendido ou apreciado

Saiu dali, o valor de mercado cai drasticamente

Passou do almejado ao conquistado, do desejado ao adquirido

Além da propaganda enganosa para “vender”

Em nossa práxis, temos o mau hábito de priorizar o que não é nosso

Em detrimento daquilo que já temos…

Quase sempre o que está na vitrine está maquiado, engomado

Até por autoproteção e conservação.

Quem é usuário conhece o produto.

É preciso ver além dos filtros, atrás dos vidros, sem as fortes luzes que fazem parecer tudo belo!

Alda M S Santos

Dança Circular

DANCA CIRCULAR

Dança Circular é um trabalho antigo e tradicional.

Através de movimentos em roda, em pé ou sentados, libera a energia, canta, interage e se diverte…

Com idosos é ainda mais produtivo, pois os faz resgatar a autoestima, a alegria e o prazer de viver, principalmente em grupo.

Independentemente de saudades ou problemas de saúde.

Foi o que fizemos no Abrigo Frei Otto Ssvp, com Luka Benjamim e #carinhologos

Alda M S Santos

💕❤️😍🙏

Decantar para não desencantar

DECANTAR PARA NÃO DESENCANTAR

Diante da turbidez de nossas águas

Das impurezas acumuladas em nosso dia a dia

Tudo misturado, leve e pesado, transparente e escuro

Coisas que atraímos, outras que são jogadas em nós

Ou resultado do viver intenso, de afluentes gerados

Tornando difícil o nadar, o navegar, o respirar, o viver

É preciso um processo de decantação

Antes que nos desencantemos desse nado

Depois de tanto agito, parar um pouco, acalmar nossas águas

Deixar que se separem os elementos incompatíveis

Usar a fé, a sabedoria, a alegria de viver como decantadores

Tudo ficará mais claro, bem separado

O essencial e importante do supérfluo e desnecessário

Aí poderemos retirar os “excessos”

E voltar a nadar livremente…

Alda M S Santos

No limite

NO LIMITE
A vida no limite é intensa
Por vezes animadora, noutras cansativa
Será que vai sendo gasta, se esvaindo
Ou sendo reenergizada, reabastecida?
Se ela se esvai, se desgasta
Gostaria de não viver tanto no limite
Ter mais espaço, mais folga, mais liberdade de movimento
Dentro do meu “pequeno” interior
Não estar tão próxima da linha tênue
Que separa o bem do mal estar
Os sonhos doces dos pesadelos amargos
A realidade fria do calor do realmente desejado
Que separa a alegria da tristeza
Os medos da coragem, a confiança da desconfiança
O sorriso das lágrimas, a fé da descrença
Que separa a sanidade da loucura
O amor do desamor, a vida da morte!
Mas se a intensidade reenergiza, autoabastece
Que eu aprenda a andar na corda bamba
A me divertir nos altos e baixos, a dançar nos desequilíbrios
Ou que eu encontre mais espaços dentro de mim
Ou os ocupe de modo mais organizado
Sempre com mais e mais equilíbrio, alegria e fé
E que consiga carregar comigo quem quiser ou merecer…
Alda M S Santos
Ilha Grande- Angra dos Reis

A “maldição” do quase

A “MALDIÇÃO” DO QUASE

Sempre esteve tão perto, quase conseguiu, foi por pouco

Sente que a vida toda esteve dependurado nos “quase”

Quase ganhou o campeonato de futebol

Quase foi coroado Rei do Amendoim

Quase conquistou a menina mais linda da escola

Quase passou no vestibular

Quase casou-se com o amor da sua vida

Quase conseguiu o emprego dos sonhos

Quase aprendeu a falar inglês

Quase montou o negócio tão almejado

Quase foi morto num assalto-um quase benéfico

Quase morreu afogado no mar- outro nada mal

Quase ganhou na Mega-Sena , ficou na quadra

Quase curou um mal genético

Achava que sua vida se resumia à maldição dos quase

Mas acabou aceitando que de quase em quase a vida segue

E aprendeu a maior lição:

A vida acontece com aquilo que a gente faz nos “quase”

Porque, apesar de existir quase morrer ou matar

Nunca ouviu falar de quase viver…

Alda M S Santos

Banquetes e migalhas

BANQUETES E MIGALHAS

Mais vale uma migalha benéfica, saudável

Abençoada, constante, verdadeira

Oferecida ou recebida com amor, lealdade e carinho

Mas que nos abastece e alimenta

Que um banquete rico, porém pagão

Transitório, falso, ilusório, que não é nosso

Que satisfaz e engana nossa fome por uns tempos

E nosso apetite volta renovado.

Há quem faça de suas migalhas um verdadeiro banquete

E há quem torne um grande banquete nada mais que migalhas ou sobras inúteis…

Alda M S Santos

Depois do fim

DEPOIS DO FIM
Irei até aquela curva lá na frente
Com esse propósito, sigo sem parar na caminhada à beira-mar
Areia macia a afundar meus pés deixando pegadas
Sempre me lembro da parábola “Pegadas na Areia” quando o faço
Na curva, o caminho, que parecia acabar, continua…
Que há depois daqueles coqueiros?
E aquele coqueiro envergado pelo vento é meu próximo objetivo
Entro no mar, devagar, água fria na pele quente, gostoso…
Choque térmico de vida!
Fujo correndo de uma onda enorme
Umas pessoas riem, de mim ou para mim?
Não importa, retribuo e sigo até o rochedo, o coqueiro ficou para trás
As rochas disformes seriam o fim da caminhada
Subo nas pedras, as ondas ali arrebentam agitadas
Parecem querer despertar as pedras para a vida
Ajudá-las a sair dali, arrancá-las da mesmice, andar pelo mundo
Piso devagar, são cortantes e escorregadias
Sento, reflito, cair dali seria o fim, muito alto e perigoso
Quantas pessoas já pularam dali querendo ir além disso aqui?
Do outro lado o caminho continua com areia, coqueiros, rochas e curvas…
Depois do fim sempre há outro caminho
Ainda que a gente não consiga vislumbrá-lo
Olho para trás lá embaixo, minhas pegadas se apagaram
Queria tanto estar no colo Dele!
Uma brisa suave balança meus cabelos, acaricia minha pele
Sim! Ele está aqui!
Retomo meu caminho de volta, não estou só!
Alda M S Santos

Praia de Lopes Mendes-Ilha Grande- Brasil

Transformações

TRANSFORMAÇÕES

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”…

Segundo essa lógica de Lavoisier, nada perdemos, apenas transformamos

Vivemos transformando decepções em aprendizado ou revolta

Tristezas e lágrimas em crescimento ou negativismo

Trabalho árduo em alegria ou apenas cansaço

Ilusões e expectativas frustradas em força ou medos

Injustiças em solidariedade e compaixão ou indiferença

Amor “perdido” em amizade, carinho, esperança ou descrenças e desconfianças

Jovialidade e força em maturidade e sabedoria

Tudo que parece perdido em nós, para nós, se olharmos bem

Na verdade foi transformado com nossa efetiva participação

Tudo se transforma, mas não à nossa revelia

O modo de lidar com nossas “perdas” é o ingrediente base para o que fica

Para aquilo de precioso que trazemos como memórias e saudades

Podemos fazer dessas transformações apenas tristes demolições

Ou grandes e maravilhosas construções…

Alda M S Santos

O sol brilha para todos

O SOL BRILHA PARA TODOS

No céu, no mar, na terra

Há espaço para todos

Aviões bimotores, helicópteros, teco-tecos, supersônicos

A enfrentar os ventos no céu

Barquinhos a vela, lanchas, escunas, navios e grandes veleiros

A navegar em águas calmas ou bravias

Bicicletas, motocicletas, carros, caminhões e ônibus

A trafegar no solo firme debaixo de nossos pés

O espaço, democrático, abriga a todos

Nossos corações também deveriam ser assim

Forte como o céu, a água ou a terra

Não excluir nada ou ninguém a priori

Elástico, deveria caber a todos que quisessem entrar e fazer dele sua morada

Como o sol que sempre brilha para todos

No céu, no mar, na terra…

Alda M S Santos

 

Ilha deserta

ILHA DESERTA!

Estar numa ilha, ser uma ilha, desejar uma ilha…

Ilha sempre desperta o romantismo em nós

Ilha levanta questões de sobrevivência

Ilha nos leva à doce e confusa adolescência

Ao romantismo e sonhos exacerbados

“Quem você levaria para uma ilha deserta”?

E sempre pensávamos naquele nosso amor platônico

Muito longe, tanto ele quanto nós, da Brooke Shields e Christopher Atkins

Da venerada, ilusória e reprisada Lagoa Azul

Mas “Ilha” sempre terá para nós essa visão nostálgica

De náufragos em busca de algo, de alguém, de pureza, de amor

Ainda que seja a busca de nós mesmos

O quanto nos afastamos dos sonhos da Lagoa Azul?

Ainda gostaríamos de ir com alguém para uma Ilha deserta?

Quem levaríamos hoje para a Lagoa Azul?

Não vale levar e deixar lá!

Amadurecer não implica necessariamente em não acreditar em paraísos!

Amadurecer é tornar nossa ilha um paraíso, deserto ou habitado!

Alda M S Santos

Barquinho de papel

BARQUINHO DE PAPEL

Somos um barquinho de papel descendo na enxurrada

Vamos velozes, “casco” sendo danificado nas águas que desconhecem paradas

Por vezes, encalhamos nos entulhos do caminho

Ou naqueles que se desfizeram invadidos pelas águas

Ora esbarramos noutro barquinho desfalecido e diminuímos a velocidade

Ora preferimos seguir juntos, lado a lado

Com quem nos aprecia, admira e encara conosco essa travessia

Não sabemos a rota, por onde iremos passar

Ou se seremos interrompidos antes de lá chegar

O destino é o mar

Quando ou se chegaremos, não sabemos

Tampouco se gostaremos do que iremos encontrar

Por isso, vamos valorizando cada curva do caminho

Cada criança sorridente a brincar

Cada companhia saudável que surge

O que vale é tentar não afundar e não afundar ninguém

O que vale é navegar…

Alda M S Santos

Você chegará ao seu destino

VOCÊ CHEGARÁ AO SEU DESTINO

Escolha sua rota! Coloque os cintos!

Dirija com cuidado! Vamos!

Siga em frente por 25 Km até rodovia BR 040

Radar reportado à frente, atenção!

Fiscalização eletrônica semafórica em 300m

Mantenha-se à direita para saída 108 A para Angra dos Reis

Via de tráfego intenso, não se esqueça dos faróis

Acidente reportado no quilômetro 85

Cuidado! Veículo tombado à frente

Pegue acesso lateral para Arco Metropolitano

Polícia reportada à frente

Reduza a velocidade, declive acentuado

Área de intensa nebulosidade, mantenha faróis de milha acesos

Desvio à esquerda, via interditada

Tempo estimado no engarrafamento: 9 minutos

Atenção! Animal ferido e morto na pista

Uma estrada, uma viagem, muitos caminhos

A ansiedade, o desejo de chegar

Um guia do Waze…

Tudo torna-se mais fácil e seguro

Rota e destino pré-calculados

Previsão de chegada e revisão de rota

Perigos antecipados com prazo para reação

Alerta de avanço de sinais, áreas proibidas e fiscalizações

Sugestões para abastecimento e descanso

O medo de ficar perdido é quase nulo

A sensação de “conhecer” o desconhecido tranquiliza

E, se errarmos, ele recalcula e nos coloca novamente nos trilhos

Devíamos todos ter um guia assim acoplado ao cérebro

Não vá por aí, pode se acidentar na pista

Alerta amarelo aceso, atenção

Via sem saída, retorne e retome seu destino

Trânsito proibido, área privativa e reservada

Não estacione, parada proibida

Siga em frente por longos anos

Se não der pra ir de carro, vá de avião, de barco

Voe, nade, se arraste, mas prossiga!

Você chegará ao seu destino…

Alda M S Santos

Camuflagens

CAMUFLAGENS

Habilidade de passar despercebido onde quer que esteja

Meio de se proteger, assemelhando-se ao ambiente para não chamar a atenção

Tornar-se um igual a tantos outros iguais

Apagar algum brilho ou cor, acender outras

Gritar onde se grita, silenciar onde tudo é silêncio,

Ser cinza onde tudo é cinzento, desligar-se onde tudo está em off

Mexe daqui, mexe dali, e…pronto!

Tudo homogêneo, nada se destaca, todos uniformizados

Um bloco de iguais!

O risco é acabar esquecendo o que se é

E, na tentativa de se autoproteger ou agradar aos outros,

Acabar por não ser mais nem um e nem outro…

Pior, perder até o prazer de ser o que se é!

Alda M S Santos

Mata adentro

MATA ADENTRO

Quanto mais para dentro da mata, mais queremos entrar

Mata adentro as trilhas diminuem

O caminho torna-se mais difícil

É preciso abrir espaços à foice

Mas o desejo de mergulhar no silêncio é grande

A pureza do ar quase sufoca, as árvores tornam-se mais grossas

A impressão de estar sendo vigiado aumenta

A sensação de invadir o desconhecido é animadora e aterradora

Nesgas de luz passam por entre os galhos e copa das árvores

Anjos e fantasmas se apresentam, a gente escolhe

A gente se abraça ou se enfrenta

O céu azul e branco continua lá em cima a insistir: prossiga!

Não se sabe o que buscar, apenas que é preciso seguir

Quando for chegado o que procura, saberá

E poderá descansar em paz!

Alda M S Santos

Tornou-se crônico

TORNOU-SE CRÔNICO

“Terá que aprender a conviver”-diz o médico taxativo!

Passou da fase aguda para a crônica

Aquela dor que não passa, ora evolui, ora estaciona

Aumenta, diminui, mas não vai embora

Vira para um lado, dói, remexe para o outro, dói também

Deitado ou de pé, andando ou parado

Dormindo ou acordado, sozinho ou acompanhado

Medicado ou não, sorrindo ou chorando

Quer seja evolutiva ou estacionada

Não tem solução!

Não importa se é dor ou mal do corpo, da mente ou do coração

Com mal crônico precisamos aprender a conviver

Não tem cura!

O que podemos desenvolver é a habilidade e tolerância

Para lidar com ele e não se deixar abater

Agudo ou crônico, intenso ou leve, intermitente ou constante

Nós é que precisamos reagir e tornar nossa alegria e força um bem crônico também…

Alda M S Santos

Fios invisíveis

FIOS INVISÍVEIS

Imagino a vida assim

Repleta de fios invisíveis saindo de nós

Em forma de energia e calor

Como as luzes de sensores infravermelhos

Em paralelas, diagonais, transversais

Perpendiculares,

Atraindo alguns, repelindo outros

Gerando luz ou descargas elétricas, curto-circuitos

Ligando seres afins, unindo pessoas

Conectando almas, acionando a vida que há em nós

Vida que precisa de recarga diária…

Conecte-se à fonte do amor!

Alda M S Santos

Não vale a pena

NÃO VALE A PENA

Não vale a pena vitória sem dignidade

Beleza sem conteúdo, palavras sem verdade, força sem fragilidade

Não vale a pena amor sem reciprocidade

Amizade sem lealdade, paixão sem sensualidade, sorriso sem ingenuidade

Não vale a pena inteligência sem sensibilidade

Alegria sem profundidade, união sem sinceridade, fé sem bondade

Não vale a pena prazer sem intimidade

Lágrimas sem aprendizado, loucura sem afinidade, sonhos sem realidade

Não vale a pena maturidade sem liberdade, viver sem vontade

Amor sem uma dose de insanidade, aceno sem proximidade, vida que não deixa saudade…

Alda M S Santos

Nosso maior fracasso

NOSSO MAIOR FRACASSO

Todos temos um sucesso ou vitória retumbante

Aquela que nos dá orgulho, nos motiva a seguir em frente

Um trabalho prazeroso que enobrece

Um jardim bem cuidado, um lar encantado

Uma família presente e abençoada

Filhos que são reflexo do amor e ensinamentos recebidos

Um amor correspondido e parceiro de vida…

Costumam ser esses apontados como nossos maiores sucessos

E nossos fracassos?

Seriam o oposto disso tudo?

Nosso maior fracasso não seria aquele onde mais investimos e perdemos?

O médico que não curou, o advogado que não defendeu um inocente

O religioso que não obteve a compaixão que pregou,

O professor que não ensinou o que é valioso aprender e reter

Não aos outros, não a terceiros

Mas o médico que não pôde curar a si mesmo

O advogado que foi seu próprio carrasco

O religioso que não amou sequer a si mesmo

O professor incapaz de aprender e praticar o que tanto ensinou…

Todos lutamos dia a dia para não sermos nosso próprio e maior fracasso

Para não falharmos conosco mesmos naquilo que somos especialistas…

Alda M S Santos

Não pode ser do mal

NÃO PODE SER DO MAL

Não pode ser do mal

Aquele que diz que “odeia” esse mundo injusto e cruel

Mas compõe ou toca lindas e emocionantes canções

E inspira gerações e mais gerações

Não pode ser do mal

Aquele que diz ter desistido da humanidade

E salva vidas em seu trabalho habilidoso, seja ele qual for

Não pode ser do mal

Aquele que diz não confiar nas pessoas, não acreditar no amor

E, em cada olhar, em cada sorriso, em cada toque

É afeto em forma de poesia

Ninguém é do mal pelo que diz

Somos do bem ou do mal pelo nosso fazer que “denuncia”

Aquilo que somos verdadeiramente

No trabalho prazeroso, nas atitudes de amor e compaixão

Nos olhos piedosos diante da dor do irmão

Ou quando a “eficácia” e presteza em julgar o modo de ser do outro

Cresce na mesma proporção que a inaptidão em mudar a si mesmo

Somos do bem cada vez que pintamos na alma uma tela colorida, mesmo sem querer

E iluminamos a vida de um alguém

Sem, contudo, escurecer ou borrar a tela de ninguém…

Alda M S Santos

Batata quente

BATATA QUENTE

Batata quente, quente, quente

A regra é clara, seja rápido e preciso

Passe a batata quente para frente

Não há tempo para lamúrias ou reflexões

Se segurar muito tempo, se queima

Se estiver com ela na mão quando a “música” parar

Uma prenda irá pagar

Batata quente, quente, quente

Passe para frente, não a deixe cair ou irá se queimar

Outra prenda irá pagar

Batata quente, quente, quente

Assim aprendemos, assim fazemos

Assim vamos “brincando”…

Passando para frente nossas batatas quentes

Recebendo outras tão quentes quanto

E vamos pagando nossas prendas no caminho

Batata quente, quente, quente

Queimou!

Até aprendermos a nos livrar tão facilmente quanto os outros das batatas quentes

Ou até não querermos ou não mais conseguirmos pagar a “prenda”

Decidimos descascar nossas próprias batatas

Não passarmos para frente

Optarmos por não receber batatas alheias, por mais apetitosas que possam parecer

Sair dessa brincadeira e ir pular Amarelinha

Pulando e se equilibrando ora num pé só , ora nos dois

Pulando até o céu!

Alda M S Santos

Eram três todo o tempo

ERAM TRÊS TODO O TEMPO

Eram três e caminhavam quase sempre juntas

Menina, jovem, idosa…

Ontem, hoje e amanhã

O ontem como a antiga (menina) doce e sonhadora, nada temia

O amanhã como uma criança (velha), desconhecida, sendo gestada

O hoje, uma jovem senhora, caminhando no fino e longo fio que une menina e idosa

O passado na pessoa da menina sorridente a martelar insistentemente cobrando e estimulando

O futuro na pessoa da idosa entre medos e expectativas do vir a ser, a lembrar que o tempo é curto

O presente, o único elo entre elas, às vezes se perde, retorna ou avança desenfreadamente

Lutando para não deixar morrer os sonhos de outrora

Para poder conquistar cada um deles

Sem comprometer a velhice temerosa

Sem decepcionar a criança sorridente

O hoje, uma mulher madura, tentando se equilibrar nesse fino elo entre elas

Desejando torná-las uma só, harmônica e em paz

Tentando se firmar, não cair e ser feliz no presente, que é o que existe de real!

Alda M S Santos

(Des)humanas ou (In)exatas?

(DES)HUMANAS OU (IN)EXATAS?

Você é da área das humanas ou das exatas?

Busca a exatidão nas (des)humanas ou a humanidade nas (in)exatas?

Conformou-se com a inexata desumanidade da vida

Ou ainda busca o valor de X que, perdido, não quer ser encontrado?

Para você é confortável saber que zero é zero, um mais um são dois,

Ou gosta de saber que nem sempre zero quer dizer ausência, e que um mais um pode ser diferente de dois?

Gosta de sim ou não, ou o talvez, pode ser, depende, às vezes, mais ou menos, jamais, te agradam mais?

Prefere lidar com quadrados perfeitos, saber exatamente a área que te cabe nos triângulos

Ou gosta da questão ampla e filosófica de se inserir num círculo do qual desconhece o início e o fim?

Sua perspectiva de ângulo é multifocal ou é simétrico demais para admirar as multiplicidades de questões sem respostas?

Entende bem uma questão que tenha uma resposta racional, se possível resolvida na calculadora,

Ou prefere aquelas que se resolvem nos caminhos incertos e inexatos escritos poeticamente no coração?

Gosta de ter traçado todo o caminho com gastos calculados e previsão certa de chegada

Ou prefere as deliciosas surpresas naturais que “atrasam” seu caminho?

A “frieza” descalculada das exatas é tão forte quanto a inabilidade de lidar com emoções.

O “descontrole” emocional das humanas é tão forte quanto a incapacidade de calcular o tempo para sair desse labirinto.

Tão diferentes e tão necessitados uns dos outros…

Sou das humanas, tentando resolver a inexata complexidade das equações vitais, usando as ferramentas do coração…

Deu para entender?

E você está mais perto das (des)humanas ou das (in)exatas questões?

Alda M S Santos

Raízes fortes não bastam

RAÍZES FORTES NÃO BASTAM

Uma árvore gigante, tricentenária…

Quantas intempéries já enfrentou

Quantas vidas acolheu nos ninhos em sua copa

A quantos corpos cansados deu o descanso de sua sombra

Quantas histórias de amor presenciou, início e fim

A quantas mentes indecisas propiciou boas reflexões

Quantas almas e corações sofridos aconchegou em seu tronco, como abraços

Quantas lágrimas absorveu em seu solo

São raízes fortes que a mantêm assim, de pé

Mas raízes fortes protegidas sob o calor da terra

Raízes expostas, por mais fortes que sejam

Fragilizam, cedem, tombam…

Raízes expostas causam dores nevrálgicas

Dores que abalam tronco, galhos, flores e frutos

E nos jogam ao chão…

Podemos perder folhas, flores e frutos todo o tempo

Eles se renovam…

Raízes necessitam proteção, são únicas

E só nós ou quem nos ama verdadeiramente pode nos oferecer.

Alda M S Santos

Quando a cidade dorme

QUANDO A CIDADE DORME

Quando a cidade dorme tudo está em suspenso

O dia amanhece, mas todos dormem

A vida está parada, o ar está carregado

O mundo parece ter acabado, só eu estou aqui

Lugares sempre intransitáveis pela superlotação

São amedrontadores agora pelo isolamento

Mas quando a cidade dorme, há sempre um lado acordado

Que aos poucos observamos e a mantém funcionando

Aquele que limpa, solitário, o chão, ou que abrirá o portão mais tarde

Que guarda entradas fechadas sem ninguém para entrar

Que mantém acesas as luzes que receberão os que dormem

Aqueles que agem sorrateiros “protegidos” na escuridão da noite

Outros escondidos atrás de olhares que nada veem, nada dizem

Não parecem ser daqui, mente abduzida

Alguns, meio zumbis, perdidos entre o adormecer e o acordar

Na linha tênue que separa o viver do morrer

Quem somos nós quando a cidade dorme?

Que fazemos aqui?

Alda M S Santos

Plagiando a vida

PLAGIANDO A VIDA

Já nascemos plagiando, independente de nossa vontade

“Copiamos” sangue, nome, traços físicos, um código de DNA

E seguimos plagiando a personalidade daqueles que nos cercam

Daqueles que nos dão amor ou indiferença, cuidado ou desprezo

“Plagiamos”, incorporamos ao nosso modo de ser aquilo que gostamos

E que pensamos nos tornar uma pessoa única, admirável

Ainda que aos nossos próprios olhos carentes

Escolhemos o que nos representa ou identifica melhor

Na música, na arte, na religião, na literatura, na culinária, na ciência…

Infelizmente, nem sempre coisas boas ou valiosas

E fazendo nosso aprendizado, imprimimos nosso modo de ser até a morte

Aprendemos e ensinamos todo o tempo, sem sequer perceber

Rindo, chorando, sofrendo, nos escondendo, amando, odiando

Fugindo, guerreando, nos divertindo, errando, acertando

Lendo, escrevendo, cantando,

Profetizando, sendo profetizado, ajudando ou sendo ajudado…

Os “professores” estão aí todo o tempo

Usando dos mais variados recursos.

Que estamos “plagiando” todo o tempo não há dúvida

A questão é escolher bem o que e como plagiar

A Bíblia, por exemplo, é uma só

E cada qual a plagia de acordo com seu entendimento

Somos grandes plagiadores da vida…

Plagiando, melhor dizendo, parafraseando Esopo

“Ninguém é tão pequeno que não tenha nada pra ensinar e nem tão grande que não tenha nada a aprender”.

Alda M S Santos

Colcha de retalhos

COLCHA DE RETALHOS

Sou tal e qual colcha de retalhos

Variados pedaços unidos para formar um todo

Nem sempre harmônico, nem sempre belo, nada perfeito

Muitas cores vibrantes, outras apagadas

Tecidos finos, macios, outros grossos e resistentes

E que juntos se unem para formar uma colcha

Vários pedaços tão diferentes entre si

Formando uma única peça que tenta se harmonizar

Para poder passar a imagem de totalidade numa colcha

E cumprir seu papel de enfeitar uma cama, cobrir pessoas

Aquecer corpos, relaxar quem nela se deitar

Alguns verão os tecidos grossos e apagados

Outros verão os finos, delicados e coloridos

Há ainda os que verão a colcha, não importando os detalhes

Se estes estão novos ou velhos, inteiros ou rasgados

Também cuidam para não estragar toda a peça

E passam a renovar e cerzir os buracos e falhas

Assim também é comigo, conosco

Vemos e somos vistos de acordo com nossas ausências e presenças

Também do que falta ou sobra em quem nos vê

Para uns seremos a colcha “perfeita”, na medida certa

Para outros, um pano roto qualquer sem utilidade nenhuma

Para vermos melhor as outras “colchas”

Precisamos ver melhor a nós mesmos primeiro

Somos muitos pedaços formando um todo meio desconexo

Tentando entender e aceitar o todo também desconexo que são os outros…

Até mesmo as colchas inteiriças e, aparentemente, perfeitas

Se passadas pelo crivo do julgamento de um olhar crítico e, por vezes, falho

Acabarão por se mostrar retalhadas e imperfeitas

E, ainda assim, belas em sua imperfeição

E a vida segue tecendo e costurando suas tramas

Com as linhas se embolando, arrebentando e bordando histórias

Usando todos os “retalhos” e colchas que encontra por aí…

Alda M S Santos

Eternidades que fazem de nós sua morada

ETERNIDADES QUE FAZEM DE NÓS SUA MORADA

Uma suave canção de ninar, braços suaves a nos embalar

Um brinquedo inseparável, cheiro de segurança quase palpável

Uma turma de amigos malucos, uma força a mais ao arrombar as portas pesadas do mundo adulto

Um primeiro amor impossível, uma paixão a nos ensinar as primeiras dores do coração

Um olhar, uma sintonia, almas que se encontram, se beijam, se afinam em deliciosa harmonia, parceria para a vida

Um choro, um pequeno ser, uma vida a nós entregue para cuidar e dia a dia nos refazer

Uma amizade, uma mão que se oferece, um olhar de apoio, aceitação que nos envaidece

São marcas, lembranças, memórias, saudades

Infância, adolescência, relacionamentos, maternidade, amizades

Pequenas grandes delícias que se eternizam em nosso ser

E nos fazem estar vivos quando tudo parecer morrer…

Alda M S Santos

Zero a zero

ZERO A ZERO

-Zero a zero! -Pra quem?

A piada não é tão sem sentido!

Ficou zero a zero, ninguém ganhou, ninguém perdeu

Placar chocho, sem graça, desestimulante

Ou tranquilo, pacífico, satisfatório?

Como encaramos o placar neutro?

Tudo irá depender do investimento em tempo, preparação, dedicação

Da qualidade de nossos “jogadores”

Do nome que temos a zelar no ranking “esportivo”

Da equipe de apoio que levamos conosco

De todos aqueles que dependem de nós

E da expectativa criada sobre o jogo

Se muito se havia a perder

Zero a zero é placar vitorioso

Significa ausência de perdas

Se muito se havia a ganhar

Zero a zero é placar de derrota

Entre todas as chances, ganho zero…

Nos jogos da vida quais têm sido as expectativas que criamos,

Qual nosso estímulo para continuar em campo?

Honramos ou maldizemos? Louvamos ou reclamamos?

Nos placares da vida nada é tão absoluto

Um placar neutro pode ser um prêmio digno de medalha entre tanto a perder

Uma derrota honrosa pode valer mais o troféu que uma vitória roubada, ilícita

Qual tem sido nosso placar no jogo da vida?

Alda M S Santos

Previsão do tempo

PREVISÃO DO TEMPO

Tempo propenso a grandes instabilidades físicas e emocionais

O ar úmido e quente vindo dos trópicos alheios pode nos atingir em cheio

Avariando corpo, mente, alma e coração

Maré alta em nossos oceanos acabam por provocar grandes tormentas, frustrantes e dolorosas ressacas

Umidade interna intensa e sujeita a transbordamento ocular

Nebulosidade ao longo do dia turvam a visão ocasionando temporais isolados e destrutivos

Ventos polares fortes trazem a conhecida, terrível e viral massa de ar frio

Causadoras de males pulmonares, circulatórios e cardíacos

Agasalhe suas emoções! Movimente-se!

No oeste há chuvas torrenciais, cuidado com inundações e os lixos trazidos

Lembre-se do guarda-chuvas!

Granizos de variados tamanhos podem machucar, causar grandes danos e deixar marcas

Aproveite para colocar na enxurrada o que não mais lhe serve

No leste, chuva fina intermitente, daquelas que aguam o passado, baixam a resistência no presente, comprometem o futuro

No Sul possibilidade de alta luminosidade, sol forte e calor

Abra as janelas da alma, deixe a brisa suave e o sol entrar, aqueça-se

Coloque os guardados para tomar um ar

Tome um ar você também, inspire fundo, expire…

O tempo é só o tempo: mutável e instável

O clima é o que fazemos dele…

Escolha um clima bom para você viver!

Alda M S Santos

Time completo?

TIME COMPLETO?

Prontos para entrar em campo

Os times seguem em frente, esperançosos ou nem tanto

Almejam a vitória, mas sabem que só um será campeão, só um levará a taça…

Desfalcados ou completos, nós também estamos nesse gramado chamado vida

Defesa vazada muitas vezes, deixando passar bem mais que uma bola

Ataque fraco nos impedindo de avançar rumo ao gol

Ou agressivo demais, acabando por conseguir faltas graves e expulsões

Meio campo sem boa visão do jogo todo, perdendo oportunidades

Treinador ignorado, ora por ser muito exigente, ora por não cobrar o bastante

Técnico inexperiente ou senhor de si, mas que não harmoniza as posições em campo

Goleiro que deixa passar bolas já conhecidas e nos colocando em apuros

E, mesmo que o time esteja totalmente em sintonia, tudo pode acontecer

No gramado ou na vida, incidentes são comuns, “zebras” acontecem

E, contundidos ou inteiros, precisamos seguir…

Mas todos podem sair vitoriosos

Independente do resultado final em campo

Vale o que cada um trouxe para si de valioso

O que deixou de aprendizado, a consciência de ter feito o melhor

A certeza de que nesse gramado chamado vida

O que realmente vale é participar ativamente do jogo

Deixando e levando boas lembranças, mesmo sem medalhas …

Bom jogo a todos nós!

Alda M S Santos

Sentia frio…

SENTIA FRIO…

Todos os dias levantava cedinho

Sentia frio sempre, muito frio…

O sol chegava tão devagar quanto ele, parecia não aquecer

Buscava um banco na praça onde os raios já iluminavam

Queria se esquentar, se aquecer, fazer correr calor em suas veias

Sentia frio sempre, todo o tempo…

Encolhido em si mesmo, pele enrugada tanto quanto suas emoções

Olhos ao longe observava as crianças barulhentas, agitadas, aquecidas

Será que tinha saudade de sua meninice?

No outro banco um casal de namorados parecia uma só pessoa

Ficou um tempo a observá-los

Havia calor ali…

Mas ele sentia frio, muito frio…

Daquele que atinge os ossos, todo o interior

Aquele frio que nenhum cobertor, chá ou escalda-pés resolvia

Voltou-se para dentro de si buscando calor de outras épocas

Queria se aquecer novamente!

Um calor recheado de afeto e carinho como colo de mãe

Um calor adocicado e suave como sorriso melado de criança

Um calor intenso e molhado como beijo da mulher amada

Queria que o frio fosse embora

Queria aquecer a alma…

Alda M S Santos

Nada tão humano

NADA TÃO HUMANO

Nada tão humano quanto a necessidade de aprovação

Quanto o desejo de agradar, de ter atos e pensamentos admirados

Ser aceito pelo que demonstra de si mesmo

Até naquilo que tenta esconder

Nada tão humano quanto a necessidade de ter atos corroborados

De parecer bem e correto aos olhos dos outros

Ser aprovado é ser aceito, ser aceito é ser amado

Nada mais humano que a necessidade de ser aprovado e amado

Por si e por seus semelhantes, ter companhia e apoio

Porque essa necessidade é sinal de incompletude, de imperfeição própria

E o que é mais humano que a imperfeição?

Alda M S Santos

Nos caminhos da vida

NOS CAMINHOS DA VIDA

Nos caminhos da vida, se olharmos para baixo, para nossos pés

Perderemos as belezas do horizonte colorido adiante

Os lindos contrastes de sombra e luz que nos estimulam

Nos caminhos da vida, se olharmos só para frente

Os aclives acentuados, a poeira, a distância do destino

Podem ser desanimadores e nos fazer desistir

Nos caminhos da vida, se olharmos para dentro de nós

Dependendo dos labirintos escuros que encontrarmos

Poderemos nos perder, escorregar nas desculpas esfarrapadas e medos e estacionar

Nos caminhos da vida, se olharmos para trás

Veremos todo o caminho já vencido, as dificuldades superadas, lutas e conquistas

Retomamos parte do ânimo, da coragem, obtemos um refrigério

Nos caminhos da vida, se olharmos para um dos lados

Veremos uma das razões para seguirmos

De termos chegado até ali: os companheiros de jornada pelos quais fazemos tudo

Nos caminhos da vida, se olharmos para o outro lado

Veremos a força que nunca nos abandona: Deus

Mais um passo à frente, mais firme e seguro, sorriso no rosto cansado

Humanamente, seguimos…

Alda M S Santos

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