VOCÊ NÃO SABE!
O frio que enfrentei nas noites longas, os curtos e finos cobertores que não aqueciam
Você não sabe…
As lágrimas que derramei, aquelas que engoli, quase sufoquei
Você não sabe!
Os sorrisos forçados, olhos úmidos, embaçados, disfarçando os medos
Você não sabe!
O cansaço que pesava as costas, arriava a fé, o desânimo fazendo desacreditar num futuro
Você não sabe!
A contraditória alegria e peso da responsabilidade em ser a “vida”, a motivação ou exemplo de alguém
Você não sabe!
A solidão que invade e a baixa autoestima tantas vezes assustadora
Você não sabe!
Os caminhos difíceis, secos, repletos de pedregulhos que machucaram meus pés
Você não sabe!
Aqueles que surgiram para dificultar minha caminhada, levantar dúvidas, desviar do caminho
Você não sabe!
Quantas vezes foi preciso desistir, reavaliar, recuar, redirecionar para não cair, não machucar ninguém
Você não sabe!
Quantas vezes foi necessário ser forte e buscar apoio nos ombros da fé
Você não sabe!
O que você sabe de mim é o que eu te deixo ver, que consigo mostrar
Assim somos todos! Não sou especial ou diferente!
O que sabemos de todos, o que eles sabem de nós
É apenas aquilo que foi filtrado nos pequenos furos da peneira da autoproteção
Ou por cuidado e proteção de terceiros
Não dá para saber…
Você não sabe! Eu não sei!
De nós mesmos, só nós sabemos…e Deus
Dos outros, só podemos imaginar…
Preferencialmente, sem julgar…
Alda M S Santos
UM GRANDE EVENTO
A vida se faz de pequenos grandes eventos
Da nossa habilidade de eternizar momentos
Gravá-los no disco rígido de nossa memória
Tatuá-los na pele delicada de nossa alma
E ativá-los a qualquer tempo
Uma caminhada tranquila num fim de tarde
Uma conversa no banco da praça admirando o por-do-sol
Um mergulho no mar de nossas emoções mornas, quentes, calmas ou agitadas
Um choro de alegria e alívio depois de fortes emoções
Um lanche no carrinho de cachorro-quente
Um piquenique à beira de uma cachoeira gelada
Um abraço de carinho e saudade de alguém amado
Daqueles que te levantam do chão nas pontas dos pés
Um “eu te amo”, tão verdadeiro e desejado
Um beijo quente, de amor, de entrega, de confiança
Uma “taquicardia” de prazer diante de alguém que é importante para nós
Uma bala trocada que adoça a boca do outro
Um jantar na grama sob o céu salpicado de estrelas
Sonhos, desejos e planos antecipando alegrias
Um filme abraçadinhos no tapete comendo pipocas com batom
Um simples sorriso, um cumprimento ou beijo soprado de longe que a tudo contagia
Uma vida repleta de pequenos grandes eventos
Grandes, maravilhosos e eternos eventos…
Alda M S Santos
ACUMULADORES DE EMOÇÕES
Uma caixa enorme com várias caixas menores dentro
Cada qual com algo precioso, único, especial
Que não pode ser descartado
Lembranças de uma época: livros, poemas, mensagens
Souvenirs, rosas secas, fotografias, cartões
Por mais que se arrume ou se ajeite
Muito pouco é descartado, e com pesar
Quase tudo volta para as caixas, para as malas, para os porta-trecos
Talvez um pouco mais organizado em suas prateleiras
Por ordem de importância, necessidade ou prioridade
O “interior” dos acumuladores de emoções é assim
Caixas e mais caixas, gavetas e mais gavetas
Um verdadeiro relicário que só eles entendem
O real valor de cada “peça” tão preciosa
Todo cuidado é pouco, pois são relíquias frágeis e interligadas
Uma que é remexida ou retirada gera efeito cascata
Bagunça e inunda toda a “organização” emocional presa por um fio
E pode afogar-se ou afogar a todos…
Alda M S Santos
NOSSO MAIOR FRACASSO
Todos temos um sucesso ou vitória retumbante
Aquela que nos dá orgulho, nos motiva a seguir em frente
Um trabalho prazeroso que enobrece
Um jardim bem cuidado, um lar encantado
Uma família presente e abençoada
Filhos que são reflexo do amor e ensinamentos recebidos
Um amor correspondido e parceiro de vida…
Costumam ser esses apontados como nossos maiores sucessos
E nossos fracassos?
Seriam o oposto disso tudo?
Nosso maior fracasso não seria aquele onde mais investimos e perdemos?
O médico que não curou, o advogado que não defendeu um inocente
O religioso que não obteve a compaixão que pregou,
O professor que não ensinou o que é valioso aprender e reter
Não aos outros, não a terceiros
Mas o médico que não pôde curar a si mesmo
O advogado que foi seu próprio carrasco
O religioso que não amou sequer a si mesmo
O professor incapaz de aprender e praticar o que tanto ensinou…
Todos lutamos dia a dia para não sermos nosso próprio e maior fracasso
Para não falharmos conosco mesmos naquilo que somos especialistas…
Alda M S Santos
NÃO PODE SER DO MAL
Não pode ser do mal
Aquele que diz que “odeia” esse mundo injusto e cruel
Mas compõe ou toca lindas e emocionantes canções
E inspira gerações e mais gerações
Não pode ser do mal
Aquele que diz ter desistido da humanidade
E salva vidas em seu trabalho habilidoso, seja ele qual for
Não pode ser do mal
Aquele que diz não confiar nas pessoas, não acreditar no amor
E, em cada olhar, em cada sorriso, em cada toque
É afeto em forma de poesia
Ninguém é do mal pelo que diz
Somos do bem ou do mal pelo nosso fazer que “denuncia”
Aquilo que somos verdadeiramente
No trabalho prazeroso, nas atitudes de amor e compaixão
Nos olhos piedosos diante da dor do irmão
Ou quando a “eficácia” e presteza em julgar o modo de ser do outro
Cresce na mesma proporção que a inaptidão em mudar a si mesmo
Somos do bem cada vez que pintamos na alma uma tela colorida, mesmo sem querer
E iluminamos a vida de um alguém
Sem, contudo, escurecer ou borrar a tela de ninguém…
Alda M S Santos
EM CADA CRIATURA…
Amor não tem cor, não tem raça, não tem sexo
Não tem idade, não tem padrão
Amor não tem classe, filo, gênero ou espécie
Amor está na flor perfumada, nos frutos saborosos
Na copa verde ou nas folhas secas que caem
Nas sementes que se alastram carregadas pelo vento
Sobretudo na raiz que parece em repouso debaixo da terra
Mas trabalha em silêncio todo o tempo,
Irriga, protege, cuida do amor que prevalece
Amor se propaga, está nos olhos de quem vê
Amor está na terra, no ar ou no céu, passe o tempo que passar
Amor verdadeiro fica “dentro” sempre
Amor é sempre amor, qualquer um é capaz de reconhecer
É infinito, está nãos mãos do Criador
Que repassou para cada criatura
Portanto, não há lugar em que ele não tenha sido plantado
Conservar e frutificar depende de cada uma delas…
Alda M S Santos
O QUE RETÉNS DE MIM EM VOCÊ
O que reténs de mim em você
Passa por dois filtros, mais ou menos poderosos: meu e seu
O que reténs de mim em você
Depende do que eu deixo transparecer do meu modo de ser
E do que você foi capaz de enxergar com sua alma receptiva ou não
O que reténs de mim em você
Depende do que, de acordo com suas capacidades, necessidades e limitações, deixou passar por seu filtro
O que reténs de mim em você
Depende do muito ou pouco que pude ou fui capaz de te dar
O que reténs de mim em você
Depende do que foi capaz de entender, aceitar e absorver
O que retemos dos outros em nós
Depende muito deles, mas depende mais ainda de nós mesmos…
O que retemos dos outros em nós é um terceiro elemento: o que eles são, misturado ao que nós somos.
Alda M S Santos
QUEM ESTÁ AQUI DENTRO DA CAIXA?
Aqui dentro está uma pessoa muito importante e especial
É uma pessoa muito linda!
Ela é muito importante para todos nós!
Sem ela esse mundo não seria digno de ser vivido.
É uma pessoa forte, guerreira e muito lutadora.
Já passou por muita coisa nessa vida e nunca desistiu.
Já ganhou, já perdeu, e ainda está aqui com muita fé.
Eu amo conviver com essa pessoa maravilhosa e tê-la em minha vida.
Para o mundo ser melhor essa pessoa nunca poderia ser deixada de lado.
Ela é a pessoa mais importante da sua vida.
Adivinha quem é?
(A reação de cada um ao se ver no espelho)
Alda M S Santos
#carinhologos
PERDER É UMA M*
Dizem que o importante é o prazer de jogar
Ganhar ou perder é apenas detalhe circunstancial
Uma ova!
Saber jogar é importante, ganhar é o máximo
Mas perder é uma m*! Mesmo se for uma derrota honrosa
Tudo bem que quem não sabe perder perde duas vezes
O jogo, a moral, a simpatia, o nome, a autoestima
Fica com o coração na mão, apertado, triste
E cada derrota é uma derrota diferente, mas sempre dói
Pode-se perder muitas vezes e nunca a derrota se tornar mais fácil
Independe qual seja ela: no jogo, no amor, na vida…
Culpar o tempo, o rival, o juiz, o azar, a Deus, a vida
Desacreditar as habilidades e valor do adversário
Chorar até desidratar, rir de nervosismo, fazer piadas de frustração
Desistir do jogo, da luta, da vida
Tudo faz parte das fases da dor da derrota
Mas ela só produz algo de benéfico e produtivo
Só deixa de ser uma completa m*
Quando se assume a própria responsabilidade na perda
Quer seja no jogo, no amor, na vida…
Alda M S Santos
ENQUANTO ISSO…
Enquanto o rio não corre para cima
Vou descendo nas suas loucas corredeiras
Enquanto não conseguimos tirar leite de pedras
Vou amaciando uns corações mais flexíveis e receptivos
Enquanto vamos brigando por um mundo mais justo e fraterno
Vou estendendo a mão, desviando dos buracos, ajudando, sendo ajudada
Enquanto procuro pela rosa mais cheirosa, bonita e perfeita
Vou cuidando das lindas flores do meu jardim
Enquanto a escuridão da noite cai sobre todos
Busco uma estrela cadente e faço um pedido
Enquanto o amor não vence todos os obstáculos
Percebo que o impossível é especialidade Dele
Enquanto a tempestade assustadora não passa
Observo sua beleza, seu poder de destruição e reconstrução
E escrevo um poema…
Alda M S Santos
OS CHOQUES DA VIDA
Muitos choques assustadores: sépticos, anafiláticos, hipovolêmicos, cardiogênicos
Causados, quase sempre, por excessos que levam a faltas
E nos ameaçam o viver
Descargas elétricas que queimam, doem, machucam
Todos eles têm algo em comum: nos matam ou nos acordam para a vida
Para o cuidado, para eliminação do que é tóxico, venenoso
Para recuperação do ritmo adequado, manutenção do que é positivo
Como os desfibriladores a nos lembrar que é preciso bater no ritmo certo, desacelerar
Como aquela situação ou alguém que nos tira da mesmice, do tédio
Assusta, irrita, balança estruturas, choca
E diz: “você não é tudo isso”, ou “você pode fazer melhor”, ou “não tá na hora de desistir”!
O choque de realidade que desmancha ilusões, eletrocuta sonhos, desperta verdades
Que abre caminhos para novas construções
E nos alerta para qualquer risco de novo choque destrutivo
“Gato eletrocutado tem medo até do focinho de um porquinho”
Certo é que depois de um choque ninguém é mais o mesmo…
Alda M S Santos
(DES)HUMANAS OU (IN)EXATAS?
Você é da área das humanas ou das exatas?
Busca a exatidão nas (des)humanas ou a humanidade nas (in)exatas?
Conformou-se com a inexata desumanidade da vida
Ou ainda busca o valor de X que, perdido, não quer ser encontrado?
Para você é confortável saber que zero é zero, um mais um são dois,
Ou gosta de saber que nem sempre zero quer dizer ausência, e que um mais um pode ser diferente de dois?
Gosta de sim ou não, ou o talvez, pode ser, depende, às vezes, mais ou menos, jamais, te agradam mais?
Prefere lidar com quadrados perfeitos, saber exatamente a área que te cabe nos triângulos
Ou gosta da questão ampla e filosófica de se inserir num círculo do qual desconhece o início e o fim?
Sua perspectiva de ângulo é multifocal ou é simétrico demais para admirar as multiplicidades de questões sem respostas?
Entende bem uma questão que tenha uma resposta racional, se possível resolvida na calculadora,
Ou prefere aquelas que se resolvem nos caminhos incertos e inexatos escritos poeticamente no coração?
Gosta de ter traçado todo o caminho com gastos calculados e previsão certa de chegada
Ou prefere as deliciosas surpresas naturais que “atrasam” seu caminho?
A “frieza” descalculada das exatas é tão forte quanto a inabilidade de lidar com emoções.
O “descontrole” emocional das humanas é tão forte quanto a incapacidade de calcular o tempo para sair desse labirinto.
Tão diferentes e tão necessitados uns dos outros…
Sou das humanas, tentando resolver a inexata complexidade das equações vitais, usando as ferramentas do coração…
Deu para entender?
E você está mais perto das (des)humanas ou das (in)exatas questões?
Alda M S Santos
AINDA ASSIM, É MÁGICO
É mágico viver
Aspirando o verde brilhante da esperança que sempre brota
Ainda que esteja semeada no solo árido de outros corações
É mágico viver
Invadidos pelo bálsamo do amor que acalma o nosso interior
Ainda que precisemos enfrentar a acidez diária de uma alma ferida
É mágico viver
Mesmo escondidos atrás de barricadas do “tô nem aí”
Protegendo-nos de balas nada doces lançadas contra nós
É mágico viver
Colando cada pedacinho que se quebra, que matam em nós a cada decepção
Mesmo sabendo que colar não nos protegerá de novas trincas e cicatrizes
É mágico viver
Lendo os textos da vida, nossos, dos outros, tentando compreender seus contextos
Ainda que os pretextos ouvidos não se encaixem muito bem
É mágico viver
Fazendo de cada amanhecer um rio de novas oportunidades
Ainda que nosso sol se esqueça de brilhar e as sombras sejam assustadoras
É mágico viver
Buscando pintar no rosto e na alma uma história colorida, bonita e encantadora
Ainda que em nossa paleta falte cores primárias
E precisemos criar e ousar…
É mágico viver
Corajosamente, sabendo que a única certeza que temos é do morrer
E sendo, por isso mesmo, grandes palhaços do viver…
Ainda assim, é mágico viver!
Alda M S Santos
NA CAMA, NA GRAMA OU NA LAMA…
Na cama nos deitamos, relaxamos, dormimos, descansamos, sonhamos
Na cama também sofremos de insônia, reviramos para lá e para cá
Temos pesadelos, medos, traumas, choramos
Na cama amamos, nos amamos ou odiamos, fazemos amor
Na cama ficamos doentes, convalescentes, imóveis, em repouso, entregues
Não há lugar bom ou ruim por si só
Há pessoas em paz que tornam bons todos os lugares que vão
Seja na cama, na grama ou na lama…
Alda M S Santos
COISINHA BEIJOQUEIRA
-Já vem você né, coisinha?
Ela diz entre a braveza e a surpresa escondida num meio sorriso.
– Oi! Sou eu! Estava com saudades- digo, me aproximando devagar.
-Pode ficar aí. Não chega aqui, não!- diz ajeitando os cabelos.
– Quero ver você de perto. Só conversar. Sabe que te amo, amor da minha vida?
– É? Amor da minha vida?- um sorriso divertido abre as portas e eu chego.
– Como você está?- abraço a idosa e beijo suas bochechas.
Ela sorri, conta suas dores e fantasias, pergunta se fui de carro, pede para levá-la a minha casa.
Tento convencê-la a tomar um banho:
– Pra ficar mais linda, cheirosa!
– Você é a coisinha beijoqueira!
– Sim! Mas só beijo porque te amo! 💕
Ela sorri feliz em meio às suas lamúrias, mas nada de aceitar o banho…
Mas eu a amo assim mesmo!
Quanto sofrimento ela deve ter suportado nessa vida?
Não importa por quanto tempo dure o sorriso, o importante é despertá-lo!
Lá e cá!
Alda M S Santos
CORAÇÃO PESADO
Coração é como balão
Foge à lei da física
Se vazio pesa muito
Murcha, cai, se esvai…
Coração é como balão
E segue a lei do amor
Se cheio do que faz bem
Como o ar rico em oxigênio
Ou carinho sem pudor
É leve, voa, flutua
Coração é como balão
Se cheio do elemento errado
Como água para este
Indiferença para aquele
Pesa, cai, estoura…
Ploft!
E era uma vez um balão
Ou um coração!
Alda M S Santos
ONDE ESTÁ O TEU TESOURO?
Busque todo o tempo suas relíquias
Procure em seu dia a dia o que lhe dá ânimo e disposição
Invista sempre naquilo que te dá força e coragem pra seguir
Preferencialmente, algo que envolva o outro, que espalhe amor
Encontre nesse agir o teu tesouro diário
Pois ali está o teu maior estímulo, o seu coração
Uma razão pela qual vale a pena viver
“Onde está o teu tesouro, ali também está teu coração”
Alda M S Santos
#carinhologos
TEM GENTE QUE SE DIVERTE
Tem gente que se diverte praticando esportes
Há os que se divertem fazendo-se fortes
Tem gente que se diverte em reviver lembranças
Renovando em sua alma a esperança
Tem gente que se diverte em constante animação
Há os que se divertem em tranquila meditação
Tem gente que se diverte trilhando afoito um novo caminho
Buscando paz nesse eterno redemoinho
Tem gente que se diverte fazendo-se palhaço
Mascarando assim o cansaço
Há os que se divertem despertando um sorriso
Encontrando noutro alguém seu próprio paraíso
Tem gente que se diverte sendo amargo, mordaz
Percebendo que essa é alegria fugaz
Há os que se divertem simplesmente por existir
Descobriram que a felicidade consiste simplesmente em estar aqui…
.
Alda M S Santos
APRENDI COM A NATUREZA
Aprendi com a natureza que quando o sol se põe aqui
Ele nasce e ilumina o outro hemisfério terrestre
Quando um lado nosso anoitece, escurece
Bom é valorizar nossa parte “dia”, iluminada
Sempre haverá um lado com luz forte e quente
Enquanto o outro estiver escuro e frio
Aprendi com a natureza a aceitar e apreciar todas as nossas estações
O perfume suave que nos anima e encanta quando tudo são flores em nossas primaveras
O calor de nossos verões com leveza e intensidade nos instigando a mergulhar no frescor da vida
As cores de terra, as perdas de “folhas” de nossos outonos para preservar as raízes, tempo de reflexões e plantio
O frio e hibernação no recolhimento de nossos invernos, tempo de esperança, gestando uma nova vida…
Somos assim também: fases que se interligam e se intercalam
Fases que se completam e se precisam
Fases que não têm fim, apenas rotatividade
Estou aprendendo com a natureza a lidar com seus paradoxos e antagonismos
A lidar com seca e cheia, sombra e luz, flor e fruto, vida e morte
Aprendendo com a natureza a lidar com as dicotomias humanas
Amor e ódio, alegria e tristeza, sorriso e lágrimas, interesse e indiferença, prazer e dor
Aprendi com a natureza que é preciso parecer morrer para poder nascer mais belo e mais forte
Tudo isso são apenas duas faces da mesma moeda
A moeda valiosa do viver…
Alda M S Santos
SOU A FAVOR DO BRASIL!
Não sou contra a seleção brasileira
Sou contra a seleção de alguns brasileiros
Em qualquer esfera: política, econômica, social, religiosa, esportiva…
Inclusive no futebol!
Sou contra brasileiros bitolados
Que não sabem diferenciar e separar as coisas
Que mergulham a cabeça nos campos gramados do futebol
Nos púlpitos religiosos, na câmara política, nos palcos da hipocrisia
E se fecham para o resto, bom ou ruim
Esquecem que todos nós escrevemos o Brasil!
Tal qual avestruzes, enfiam as cabeças nas areias do egoísmo
Ou se justificam com “isso é Brasil”, como se não fizessem parte
Torcer contra a seleção brasileira de futebol
Não ajuda a eliminar as outras seleções mal feitas!
Futebol é futebol, política é política, religião é religião
A cada um o seu aplauso
Ou não!
Alda M S Santos
PÁSSAROS FAMINTOS
Nas trilhas da vida vamos sempre seguindo
Como pássaros migrando em busca de novo verão
Querendo saciar a fome, a sede, almejando algo melhor
Tal qual João e Maria, deixamos migalhas de pão
Para marcar o caminho de volta
Se lá na frente for inverno, estiver pior
Acabamos nos perdendo na densa floresta
Nos ares gelados, nas nuvens espessas
Não há mais alimento suficiente que satisfaça
Ansiamos por regressar…
Voltamos em busca da trilha de migalhas deixadas
“Pássaros” famintos comeram, o caminho se perdeu…
Mas, se atentos olharmos, migalhas deixadas estão camufladas aí
Estão escondidas em cada pessoa que encontramos e deixamos no caminho
Que das nossas “migalhas” de amor e de afeto se alimentaram
Ou que se amargaram sob nossos atos, às vezes, indigestos,
Enquanto nos alimentávamos das migalhas nem sempre doces dos que seguiam à frente.
Para nos encontrarmos, para voltar ao ponto de partida
Precisamos seguir o rastro deixado em cada um
E descobrir o ponto onde tudo começou a desandar
E voltar…
Voltar para refazer uma trilha e poder seguir em frente
Cientes de que o alimento da vida está nas “migalhas” nem sempre valorizadas
Da nossa dianteira e também da nossa retaguarda…
Alda M S Santos
COLCHA DE RETALHOS
Sou tal e qual colcha de retalhos
Variados pedaços unidos para formar um todo
Nem sempre harmônico, nem sempre belo, nada perfeito
Muitas cores vibrantes, outras apagadas
Tecidos finos, macios, outros grossos e resistentes
E que juntos se unem para formar uma colcha
Vários pedaços tão diferentes entre si
Formando uma única peça que tenta se harmonizar
Para poder passar a imagem de totalidade numa colcha
E cumprir seu papel de enfeitar uma cama, cobrir pessoas
Aquecer corpos, relaxar quem nela se deitar
Alguns verão os tecidos grossos e apagados
Outros verão os finos, delicados e coloridos
Há ainda os que verão a colcha, não importando os detalhes
Se estes estão novos ou velhos, inteiros ou rasgados
Também cuidam para não estragar toda a peça
E passam a renovar e cerzir os buracos e falhas
Assim também é comigo, conosco
Vemos e somos vistos de acordo com nossas ausências e presenças
Também do que falta ou sobra em quem nos vê
Para uns seremos a colcha “perfeita”, na medida certa
Para outros, um pano roto qualquer sem utilidade nenhuma
Para vermos melhor as outras “colchas”
Precisamos ver melhor a nós mesmos primeiro
Somos muitos pedaços formando um todo meio desconexo
Tentando entender e aceitar o todo também desconexo que são os outros…
Até mesmo as colchas inteiriças e, aparentemente, perfeitas
Se passadas pelo crivo do julgamento de um olhar crítico e, por vezes, falho
Acabarão por se mostrar retalhadas e imperfeitas
E, ainda assim, belas em sua imperfeição
E a vida segue tecendo e costurando suas tramas
Com as linhas se embolando, arrebentando e bordando histórias
Usando todos os “retalhos” e colchas que encontra por aí…
Alda M S Santos
PEDIDOS DE SOCORRO
O mundo pede socorro
Quem é capaz de ouvir?
Pedidos tão barulhentos quanto uma sirene
Ou tão silenciosos como uma lágrima que cai
Crianças precoces sempre de agenda lotada e irritadiças
Jovens perdidos em tantas “opções” de vida moderna
Trancados em seus quartos, “góticos”, marcas roxas debaixo de lenços
Idosos “protegidos” em suas fantasias e remédios
Sorrisos, lágrimas, saudades, abandono
Adultos espremidos entre a infância e a velhice
Solitários entre tantas obrigações e cobranças, entre tanta gente necessitada
Escondidos em suas tarefas, fugindo em seus smartphones
Atrás de amigos virtuais nas telas dos PCs na solidão da madrugada
Todos “gritando” por socorro
Quem é capaz de ouvir?
Cada qual gritando sua dor de um modo
No andar, no olhar, no se esconder, no se mostrar
Na solidão autoimposta, nas atividades excessivas
Nas rebeldias constantes, nas drogas lícitas ou ilícitas
Na irritação desmedida, nos vícios diversos
Quem é capaz de ouvir?
A dor atinge a todos, o grau é variável, de “normal” a patológico
No sentir e no demonstrar
Mas há sempre uma “droga” a nos salvar
Até que não haja mais salvação
Quem é capaz de ouvir?
“Ouvir” a dor do outro é um modo de nos enxergarmos também
E, talvez, conseguirmos nos salvar…
É preciso olhar devagar, demorar-se na dor do outro
Mergulhar fundo na própria dor
Até não mais temê-la, até conseguir diluí-la…
É preciso a pureza e confiança de uma criança para “herdar o reino do céu”
O mundo pede socorro
Quem é capaz de ouvir?
Alda M S Santos
ESPÍRITO VERDE/AMARELO ENTERRADO A 7 PALMOS
O espírito da copa do brasileiro está enterrado no 7 x 1
Não só naquele que todos queríamos esquecer
Está enterrado a 7 palmos de decepções e angústias
7 gols que tomamos todos os dias
Nossa camisa canarinho está rota, rasgada, esfarrapada pelos usos e abusos dos 7:
Educação, saúde, violência, transporte, desemprego, miséria
E para jogar a pá de cal, corrupção/ladroagem
Mas ainda há aquele gol a favor, afinal foram 7 x 1
Aquele único gol que representa resistência, sinal de vida
A fé do brasileiro, aquele que é forte, mesmo nas adversidades
Alegre e solidário, carinhoso e lutador mesmo na lona
Compreensível que esteja enfraquecido e descrente
Desanimado e desesperançoso, quase entregue às hienas
Aceitável que não queira mais investir nessa válvula de escape que é o futebol
Mas enterrar o patriotismo, inclusive declarando-se anti-brasileiro,
Não ajuda em nada o nosso “time”
Não a seleção de futebol, mas o time de brasileiros guerreiros do dia a dia
Que, independente dos gols que tomam, ou que cometem contra si mesmos,
Continuam nessa disputa até o fim
Países de primeiro mundo que tanto aplaudimos ou aqueles paupérrimos são extremamente patriotas desde o berço, de ouro ou de palha.
Matar o patriotismo é matar nossa chance de melhorar
Não se joga o que tem de bom fora, porque o restante está com sérias avarias
Não destruímos a audição quando a visão escurece
A hora é de ativar o que temos de bom e forte
E se agora é o futebol que nos fortalecerá, que seja
Sabendo, é claro, que ele não pode vendar nossos olhos
Ao contrário, deve servir para dar ânimo para lutar por outras questões:
Aquelas 7, lembram?
Precisamos vencê-los(as)!
Por cada um de nós!
Alda M S Santos
PREVISÃO DO TEMPO
Tempo propenso a grandes instabilidades físicas e emocionais
O ar úmido e quente vindo dos trópicos alheios pode nos atingir em cheio
Avariando corpo, mente, alma e coração
Maré alta em nossos oceanos acabam por provocar grandes tormentas, frustrantes e dolorosas ressacas
Umidade interna intensa e sujeita a transbordamento ocular
Nebulosidade ao longo do dia turvam a visão ocasionando temporais isolados e destrutivos
Ventos polares fortes trazem a conhecida, terrível e viral massa de ar frio
Causadoras de males pulmonares, circulatórios e cardíacos
Agasalhe suas emoções! Movimente-se!
No oeste há chuvas torrenciais, cuidado com inundações e os lixos trazidos
Lembre-se do guarda-chuvas!
Granizos de variados tamanhos podem machucar, causar grandes danos e deixar marcas
Aproveite para colocar na enxurrada o que não mais lhe serve
No leste, chuva fina intermitente, daquelas que aguam o passado, baixam a resistência no presente, comprometem o futuro
No Sul possibilidade de alta luminosidade, sol forte e calor
Abra as janelas da alma, deixe a brisa suave e o sol entrar, aqueça-se
Coloque os guardados para tomar um ar
Tome um ar você também, inspire fundo, expire…
O tempo é só o tempo: mutável e instável
O clima é o que fazemos dele…
Escolha um clima bom para você viver!
Alda M S Santos
INOCÊNCIA, INGENUIDADE
Inocência, ingenuidade
Credulidade, confiança
Quando se perde na vida
Tão bonita cumplicidade?
Inocência, ingenuidade
Pureza, sorriso solto, iluminado
Quando se perde na vida
Tão agradável docilidade?
Inocência, ingenuidade
Transparência, curiosidade
Quando se torna ambiguidade
O olhar que era pura afinidade?
Inocência, ingenuidade
Sinceridade, esperança
Quando se perde na vida
Tão humana liberdade?
Inocência, ingenuidade
Carinho, naturalidade
Quando isso se transforma em
Tão adorável sensualidade?
Inocência, ingenuidade
Paz, gratuita amorosidade
Quando se perde na vida
Tão almejada felicidade?
Certamente, digo,
Quando se perde a simplicidade
Tudo isso fica na saudade…
Alda M S Santos
SOMOS MÚSICAS
Somos músicas na vida uns dos outros
Músicas de todo tipo, ritmos e duração
Suaves, bem românticas, de dançar agarradinho
Bem quentes, agitadas, de suar e liberar a energia
Umas para cantar e ouvir bem alto, junto dos outros
Outras para curtir sozinhos e silenciosos
Ou aquelas de letra marcante, verdadeira declaração de amor
Vestem como uma luva nosso estado de espírito
Podemos ser daquelas da parada de sucesso
Chegam rápido, fazem o maior auê
E se vão tão velozes quanto chegaram
Ou daquelas que se tornam clássicas pela beleza e poesia
Como canto incessante de pássaros
Nunca se perdem no tempo, relíquias, preciosas, saudosas
Podem ter décadas e décadas, e de “vez em sempre” voltam
Chegam devagarzinho, grudam na nossa mente
E mesmo depois que passam nos pegamos cantarolando
Ainda que apenas em nosso interior…
E há aquela que é nossa verdadeira música, nossa trilha sonora especial
Aquela gravada no vinil da nossa alma
Que toca na nossa vitrola, com agulha personalizada, sensível
Músicas e pessoas são marcantes
São melodia, são poesia na vida da gente.
Alda M S Santos
ERRO DE DEUS?
“Se há algo que Deus errou ao criar o mundo foi tê-lo entregue à “administração” masculina.”
A vendedora ambulante me dizia quando fui comprar toucas de lã e meias de cano longo.
Afirmou que quase não vendiam por serem usadas com botas e homens não queriam saber de trabalhar.
Falei que precisaria das meias longas, pois seriam brindes para a Festa Junina dos idosos dos asilos que meu grupo ajudava.
“Aposto que são apenas mulheres que ajudam!”
Expliquei que havia alguns homens no grupo, mas que a maioria era mesmo mulheres.
“Tenho minhas dúvidas quanto a Deus ter criado Eva a partir da costela de Adão.”
Sorri solidária.
“Como pode parte da costela ser algo bem melhor?”- não se conformava!
Apesar de brincar, parecia muito chateada e certamente carregava nas costas algum homem preguiçoso e folgado.
“O mundo será melhor quando as mulheres puderem tomar a frente de tudo”!
Consegui algumas meias e um bom desconto nas toucas.
“Para ajudar”- ela disse!
Fui embora pensando naquilo, quase esbarrei no carrinho de picolé de um senhor bem velhinho, bem pequeno, sorridente.
“Um picolé, moça distraída?”
Sorri e agradeci. Olhei para seus pés. Elogiei as botas que usava…
Pus-me a pensar nos homens e mulheres ao longo de minha vida.
O mundo seria melhor se fosse mais feminino.
Era mesmo uma questão de gênero!
Não de gênero físico, mas de gênero da alma.
Almas femininas são mais sensíveis e fortes, paradoxalmente, e administrariam bem melhor esse mundo!
Alda M S Santos
SENTIA FRIO…
Todos os dias levantava cedinho
Sentia frio sempre, muito frio…
O sol chegava tão devagar quanto ele, parecia não aquecer
Buscava um banco na praça onde os raios já iluminavam
Queria se esquentar, se aquecer, fazer correr calor em suas veias
Sentia frio sempre, todo o tempo…
Encolhido em si mesmo, pele enrugada tanto quanto suas emoções
Olhos ao longe observava as crianças barulhentas, agitadas, aquecidas
Será que tinha saudade de sua meninice?
No outro banco um casal de namorados parecia uma só pessoa
Ficou um tempo a observá-los
Havia calor ali…
Mas ele sentia frio, muito frio…
Daquele que atinge os ossos, todo o interior
Aquele frio que nenhum cobertor, chá ou escalda-pés resolvia
Voltou-se para dentro de si buscando calor de outras épocas
Queria se aquecer novamente!
Um calor recheado de afeto e carinho como colo de mãe
Um calor adocicado e suave como sorriso melado de criança
Um calor intenso e molhado como beijo da mulher amada
Queria que o frio fosse embora
Queria aquecer a alma…
Alda M S Santos
NADA TÃO HUMANO
Nada tão humano quanto a necessidade de aprovação
Quanto o desejo de agradar, de ter atos e pensamentos admirados
Ser aceito pelo que demonstra de si mesmo
Até naquilo que tenta esconder
Nada tão humano quanto a necessidade de ter atos corroborados
De parecer bem e correto aos olhos dos outros
Ser aprovado é ser aceito, ser aceito é ser amado
Nada mais humano que a necessidade de ser aprovado e amado
Por si e por seus semelhantes, ter companhia e apoio
Porque essa necessidade é sinal de incompletude, de imperfeição própria
E o que é mais humano que a imperfeição?
Alda M S Santos
VIVER É CONTAGIOSO
Mau humor e dor contagiam tanto quanto vírus
Frieza e indiferença são transmissíveis no ar
Alegria “pega”, tristeza “pega”
Basta estar perto e aberto e respirar
Se não podemos escolher com o que ser contaminado
Temos alguma escolha naquilo que queremos contaminar
Escolhemos contagiar o mundo de coisas boas, de amor
Basta de tristeza e dor
Abraços e carinho são profiláticos
“O amor é contagioso”!
Alda M S Santos
#carinhologos
#abracosgratis
HOJE, NÃO!
Hoje quero ver o lado bom das pessoas
Aquele que muitos preferem não ver
Não quero enxergar as falhas, os egoísmos, as covardias
Não, hoje não!
Hoje quero me alegrar com o sol que brilha
E possibilita nossa própria fotossíntese
Não quero reclamar do calor ou do frio, da chuva ou da seca
Não, hoje não!
Hoje quero me fixar nas saudades boas, nas risadas gostosas, no amor vivido
Não quero lembrar das decepções, dos medos, das ingratidões
Não, hoje não!
Hoje quero ser grata ao passado que me formou,
Ser ativa no presente que me mantém, esperançosa no futuro que me aguarda
Não quero ser daquelas que se enfurnam na tristeza e se afogam nas próprias mágoas
Enquanto buscam culpados para o lago sujo que se forma a sua volta
Não, hoje não!
Hoje quero ser o bem, fazer o bem, levar alegria pelo caminho
Hoje quero fazer essa travessia mergulhada em sorrisos
Não quero esperar muito do mundo, apenas me doar e ser grata ao que vier
Não, hoje não quero reclamar de nada!
Hoje quero ser paz e fazer apenas um pedido
Todos os dias podem ser como hoje?
Alda M S Santos
QUE FAZEMOS COM NOSSOS LIXOS?
Cuidar do meio ambiente é também cuidar de nossos lixos: tóxicos ou não
Que temos feito com nossos lixos?
Jogamos nas águas rasas humanas, contaminando o ambiente alheio?
Enterramos em nós mesmos, bem fundo, contaminando nossos lençóis freáticos?
Reciclamos, transformando dor em pérolas, o nocivo em algo útil para nós e para todos?
Bom lembrar que todo lixo que jogamos “fora” circula e volta para nós
Produzir menos lixo, menos sentimento tóxico é importante
Mas saber transformar o lixo produzido em arte é fundamental
Reciclar os cacos de vidro cortantes que recebemos dos outros
Transformando-os em amor é habilidade especial
É um modo de preservar nosso meio ambiente
É uma maneira de conservar nossa alma viva!
Que você tem feito com seus lixos?
Alda M S Santos
FLORES NO CAMINHO
São flores, doces, lindas, coloridas
Enfeitam, perfumam, ocupam todos os espaços possíveis
Alegram os caminhos nem sempre fáceis ou justos
São vida!
Pelo olhar adentram a alma, invadem recônditos escuros
Deixam uma suave fragrância de vida onde passam
Abrem um sorriso iluminado onde tocam, em quem presenteiam
Fazem minar nos olhos gotas brilhantes como orvalho
Mas também precisam ser podadas, cortadas
Ou podem sufocar tudo a sua volta, matar por asfixia
A sabedoria consiste em identificar o momento certo da poda
E o quanto é possível cortar sem matar
E seguir o caminho …
Na esperança de novo broto, mais forte e mais bonito
Nos ciclos vitais da natureza que brotam dentro de nós
A primavera vem mais bonita para quem soube apreciar o inverno
Não somente tolerá-lo!
Alda M S Santos
CAIU, QUEBROU…E AGORA?
Bela, frágil, delicada
Caiu, quebrou, vários pedaços cortantes
Entornou, molhou, feriu, machucou, sangrou
E agora?
Junta tudo, enrola num jornal, põe para o lixeiro
Cristal quebrado não tem conserto!
Caiu, quebrou…e agora?
Guarda todos os cacos num cantinho como lembrança, revisita, faz um concerto dentro de si
Afinal, teve seus dias de glória, conta uma história especial e bonita
Caiu, quebrou…e agora?
Segue faltando pedaço, adapta-se ao que restou, meio vazio, meio cheio, entornando por aí
Caiu, quebrou…e agora?
Cola cada pedacinho como der, com cuidado para não mais se ferir
E continua a servir o doce vinho, o amargo Campari
Ou a borbulhante champanhe
Celebrando a vida…
Cada “cicatriz” a torna única, original, ímpar
Sinal de queda, mas também de vitória, aprendizado e sobrevivência…
Caiu, quebrou…e agora?
Cole! Seja o cristal ou a vida!
Alda M S Santos
CAÍ NO POÇO
-Caí no poço!
-Quem te tira?
-Meu bem!
-Seu bem é esse? É esse?
-Que você quer dele? Maçã, pera, uva ou salada mista?
E as crianças brincavam na rua, felizes, escolhendo seus “pares”
Ganhando beijos, abraços, apertos de mão
Sem saber que a brincadeira era “preconceituosa e sexista”
Que formava pessoas dependentes, inseguras e frágeis
Hoje, para ser politicamente correto, seria mais ou menos assim:
– “Caí no poço!”
– Tem certeza? Ninguém cai assim! Quem te jogou? Não aceite! Denuncie!
– “Quem te tira?”
– Seu “bem” que nada! Não dependa de ninguém, aprenda a se virar, empodere-se!
– “Seu bem é esse?”
– Nada isso! Você é seu próprio bem! Abra os olhos! Veja bem onde está se metendo! Não se iluda!
– “Que você quer dele?”
– O quê? Ninguém dá nada para ninguém! Devemos conquistar o que queremos e não esperar nada do outro, além de respeito!
Assim, o mundo vai ficando cada dia mais sem graça
Cessam as brincadeiras de rua, com amigos reais, que nos divertiam
Nos faziam crescer, nos ensinavam a lidar com diversidades e adversidades
E nos preparavam para enfrentar um mundo, cada dia mais chato e cruel
E não recebemos nada melhor em troca…
Com pretensões de não ser excludente, de se tornar mais justo e igualitário
O “novo mundo” exclui, e muito, nossa capacidade de lidar com ele
E com aqueles que o habitam, independente de gênero, cor, raça, cultura ou sexo…
-Caí no poço! Quero ajuda! Quem me tira?
E quero salada mista!
Alda M S Santos
MIRAGEM
Como sonâmbulo, você andava num espaço bonito, porém frio e nebuloso
Passava por muita gente e não enxergava ninguém
Alguns lhe estendiam as mãos, sorriam, cumprimentavam
Outros nem te percebiam ou pareciam bravos contigo
Você não via, parecia ter outro objetivo
Olhos sem brilho, “adormecido”, opacos
Mas seguia…sem parar para nada
Eu observava de longe, encolhida num canto, chorosa
Você chegou até mim, os olhos brilharam, acordaram
Estendeu-me as mãos, levantou-me do chão
Pediu desculpas, chorou, me abraçou demoradamente
“Eu sempre te amei… sempre”-afirmou muitas vezes
E sumiu numa nuvem de fumaça
Como miragem…desapareceu…
Sentei-me novamente no canto
Você voltou para a vida
Eu continuei ali de onde não poderia sair…
Um sonho perturbador!
Alda M S Santos
UMA BRISA LEVE
Saudade só é boa quando a lembrança não dói mais
Quando traz alegria e não tristeza
Quando fazemos as pazes com quem ou o que foi embora
Quando a partida do outro ou de um tempo bom
Nos irriga de alegria, de gratidão, faz-nos bem por ter existido
Enquanto alimentarmos raiva, tristeza, revolta ou decepção
A saudade será como um desastre ambiental dentro de nós
Daquele tipo que percebemos a chegada
Mas não temos forças para evitar…
Saudade não pode ser uma tempestade destruidora
Saudade deve ser como uma brisa leve e suave
A balançar nossos cabelos, aquecer nossos corações
Arrepiar de prazer nossa pele, iluminar nosso sorriso de amor
Fazer brilhar nos olhos o reflexo de uma alma em paz…
Alda M S Santos
CASA BAGUNÇADA
Em nossa casa nos acostumamos com nossas bagunças e desordens
Quase sempre nos encontramos, com alguns tropeços, nas coisas esparramadas
É onde podemos ser nós mesmos, sem necessidade de impressionar ninguém
Onde nos sentimos bem, independente da simplicidade ou confusão
Conhecemos cada teia de aranha, cada móvel fora de lugar
Aqueles desgastados pelo uso ou empoeirados pelo desuso
Os que de nada valem mais, exceto pela lembrança de quem os usou
As toalhas molhadas sobre a cama, o perfume nas roupas no armário
Os chinelos sob os móveis, os pés de meia perdidos
A torneira da pia que pinga sem cessar, a trempe do fogão com defeito
A temperatura oscilante do chuveiro que não impede o banho demorado
O barulho estranho da geladeira como um alerta de sobrevida
Aquela quina onde sempre acertamos os dedos dos pés descalços
A poltrona preferida, o lugar marcado na mesa
O jeito secreto de girar a chave na fechadura que só nós sabemos
O livro lido e relido na rede, a estante cheia, a despensa quase vazia por distração
A cortina que pouco escurece, o vidro da janela manchado pela última chuva
A TV sempre ligada sem ninguém ouvir, o sol que entra pela fresta de tardinha e cria imagens mágicas
O tapete escorregadio, as roupas amarrotadas no varal
A lâmpada que pisca como boate, o cheiro de saudade grudado no travesseiro
O silêncio frio da noite em contraste com nossos barulhos
A manhã que traz esperança, sol e calor sob os lençóis…
Seja como for, essa “casa” é nossa…
Somos responsáveis por ela, cuidamos como podemos
Não queremos ter que “esconder” nada de visitantes
Precisamos ficar à vontade com quem chega
Sem nos sentirmos envergonhados por ser o que somos
Visitas com pretensões de se tornar moradores precisam fazer parte desse caos
E só nos sentiremos bem com alguém que aceite nossas bagunças
Ou, no mínimo, nos ajude a arrumá-las sem descaracterizá-las…
Alda M S Santos
UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA
Não se faz justiça quando igualamos o que é distribuído, mas quando equalizamos
A justiça não se faz quando todos ganham o mesmo pedaço de pão
Mas quando o pão que recebem mata sua fome, sem falta ou desperdício
A justiça não se faz quando todos recebem a mesma quantidade de afeto, de beijos e abraços
Mas quando o carinho recebido é na medida certa para suprir sua escassez
A justiça não se faz quando todos recebem o mesmo cobertor, o mesmo calor
O mesmo afago e o mesmo amor
Mas quando é observado o frio de cada um, a carência de amor de cada um
A justiça não se faz dando tudo no mesmo formato e quantidade
A justiça se faz quando cada qual, diferentes no modo de ser e agir
Recebe de acordo com suas necessidades…
Alguém que “recebe” o que não precisa
Alguém que toma o que não lhe pertence
Está deixando um outro necessitado
Um ser humano consciente sabe disso, sente isso
E tenta equilibrar a balança
Como um pai cuidadoso e observador faz com os filhos
Como o Pai, Mestre do Amor, faz conosco…
Alda M S Santos
SINTO, LOGO…
Sinto tanto, sinto muito, sinto com força
Dor, tristeza, mágoa, decepção
Sinto, logo…sofro!
Sinto tanto, de todas as formas e grandezas
Vontades, desejos, saudades, lembranças
Sinto, logo…espero!
Sinto tanto sem querer, por querer, quase desisto
Descrença, desânimo, desalento, descaso
Sinto, logo…resisto! Choro, sorrio…
Sinto tanto a qualquer hora, a qualquer tempo, a todo tempo
Cheiro de flor, cheiro de amor, de encanto, de alegria e fé
Sinto, logo…vivo!
Alda M S Santos
NO FUNDO DE UM OLHAR
Atravessar a grossa camada de gelo que o separa do mundo
Passar pela névoa densa que o protege, deixando-o opaco e sem brilho
Mergulhar na espessa, escura e profunda liquidez
No fundo de um olhar
E lá ficar…
Sondar espaços e ambientes, enxergar nesgas de luz
Buscar um novo ângulo, nova perspectiva, nova compreensão
Estender a mão, o abraço, um amasso, o perdão
No fundo de um olhar
Arriscando não mais voltar…
Perder-se em obscuridades e labirintos confusos
Vencendo saudades, medos, culpas e inseguranças
Reconstruir trilhas desfeitas, derrubadas
No fundo de um olhar
E novamente se encontrar…
Trazer à luz a paz retida no fundo da alma
Abrir as persianas que sombreiam a retina
Iluminar o verde da esperança que Ele nos dá
No fundo de um olhar
Resgatar a alegria
Fazê-lo novamente brilhar!
Alda M S Santos
DEUS NOS QUER CRIANÇAS
Na infância somos crianças autênticas e felizes
Encontramos alegria nas pequenas coisas…
Um bichinho de estimação, uma brincadeira qualquer…
Crescemos, buscamos felicidade onde não se encontra
Esquecemos o quanto é simples ser feliz
Deus nos torna pais e mães para nos relembrar
O quanto a felicidade se encontra no brilho de um sorriso puro e inocente
Os filhos crescem…
Deus manda os netos, sobrinhos-netos, para exercerem o mesmo papel
Renovarem a fé, alegria e esperança
Uma aula de reforço de simplicidade e pureza
Quando não conseguimos mais notar ou acompanhar as crianças
Nós mesmos nos tornamos crianças na velhice…
Deus quer pra nós a alegria, pureza, simplicidade, confiança e inocência das crianças…
Ele sabe o que é bom para nós!
Alda M S Santos
AMOR INEXPLICÁVEL!
Quando uma mulher se torna mãe
Sua vida, que julgava sua, deixa de lhe pertencer
Suas alegrias passam a depender da felicidade dos filhos
Suas lágrimas escorrem na mesma proporção que as dos filhos
Sua vontade de viver, medo de morrer
Tem tudo a ver com a vida que julga ser dependente da sua
Quando, na verdade, a vida de toda mãe é que é dependente da vida do filho
Seu coração bate em outros peitos que não o seu
Torna-se capaz de realizar as maiores loucuras para protegê-los
De abrir mão de loucos desatinos em benefício deles, visando seu bem estar
Para que no futuro, fortes, confiantes e corajosos
Eles possam recomeçar novo ciclo de vida
Cometendo suas próprias “loucuras” e desatinos
Sendo felizes…
Amor de mãe, em grandeza, forma, incondicionalidade
O amor mais próximo do amor de Jesus: inexplicável!
Amo vocês além do infinito, eternamente…
Alda M S Santos
NÃO FAZ SENTIDO?
Quando estivermos meio perdidos
Sem conseguir encontrar o sentido da vida
Talvez estejamos procurando no lugar errado
Melhor afastar um pouco o foco de nós mesmos
Lançar o olhar para fora, para o outro, perto ou longe de nós
O sentido pode estar no que podemos fazer por eles
E encontrando-o ali, como mágica
O encontramos novamente em nós
Tudo volta a fazer sentido…
Alda M S Santos
#carinhologos
AMOR: COSTURADO E BORDADO A DOIS
Pedimos a Deus mais paciência
Mas ignoramos as situações nas quais Ele nos coloca para desenvolvê-la
Pedimos a Deus corpo e mente saudáveis
Mas intoxicamos nosso organismo com os venenos dispensáveis do dia a dia
Pedimos a Deus um trabalho bem remunerado e prazeroso
Mas não buscamos estudar e nos aprimorar
Pedimos a Deus mais justiça e paz nos nossos convívios
Mas brigamos no trânsito, nos irritamos nas filas de banco, no transporte coletivo
Pedimos a Deus que nos proteja de todo mal
Mas muitas vezes dispensamos os anjos enviados para nos proteger
Pedimos a Deus que nos perdoe de nossas falhas, que nos dê nova chance
Mas insistimos em navegar em canoas furadas, cometendo os mesmos erros
Pedimos a Deus relacionamentos verdadeiros, que nos aceitem e valorizem como somos
Mas a recíproca de nossa parte nem sempre é verdadeira
Pedimos a Deus um amor só nosso, na nossa medida
Mas não somos capazes de nos flexibilizar para crescer e amar
Ignoramos que amor na medida é construção diária, costurado e bordado ponto a ponto, a dois
É preciso buscar, não se encontra em pronta-entrega, tampouco há delivery…
Mas somos sortudos e abençoados
Deus nunca desiste de nós!
Alda M S Santos
BRINCAR DE SER FELIZ
Brincar…de ser feliz
Dançar, pular, correr
Chupar picolé até se lambuzar
Sorrir até a barriga doer
Despertar um sorriso em alguém
Brincar…pra ser feliz
Sentar no chão, gargalhar
Voltar a ser criança, confiar
Agarrar um bichinho de estimação
Aspirar o perfume de uma rosa
Brincar…de ser feliz
Namorar, abraçar, beijar, amar
Pedir colo, ser colo, fazer amor
Ser o amor de alguém
Chorar se der vontade, inútil engolir o choro
Dormir de conchinha, sonhar
Ler um livro, escrever um poema, ser a poesia
Brincar… pra ser feliz
Mergulhar numa cachoeira gelada
Cantar alto, rezar baixinho
Tomar um banho quentinho
Assistir filme no tapete, debaixo de edredom
Se empanturrando de pipoca
Brincar… de ser feliz
Declarar o amor, apaziguar a dor
Responder a um bom dia, contar uma piada
Rir de si mesmo, sorrir para o outro
Retirar os pesos das costas, ser leve
Perdoar, acreditar que ainda vale a pena…
Brincar de ser feliz…
Brincar pra ser feliz…
Brincar para fazer feliz…
Alda M S Santos