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Pedra, papel e tesoura

PEDRA, PAPEL E TESOURA

Pedra, papel e tesoura

Nessa divertida brincadeira de criança

Que aprendemos no grande quintal da infância

E, gostando ou não, levamos para os “tabuleiros” da vida

Buscando sempre o aliado mais forte

Para poder vencer e cantar vitória

Melhor é não ficar de bobeira, pois a vida é passageira

A sorte conta um pouco, a sabedoria vale mais

No vai e vem, no se esconde e se mostra

Vence aquele que não acredita-se invencível

Que não subestima o adversário

Que sabe que todos têm pontos fortes e frágeis

E que a vitória é transitória e temporária como brisa

Depende do adversário a enfrentar

E, muitas vezes, não vale o preço a pagar

Se custa nossa paz de espírito ou se destrói a de alguém

Pedra, tão dura, tão forte

Destrói a tesoura, que corta o papel

Mas perde para o papel que, maleável, a embrulha…

Todos podemos vencer

Todos podemos perder

Nada nem ninguém é tão forte

Que nunca possa perder

Nada nem ninguém é tão frágil

Que nunca possa vencer

Pedra, papel ou tesoura?

Tudo vai depender de você!

Alda M S Santos

Presente

PRESENTE

“Abre bem as portas do seu coração

E deixe a luz do céu entrar…”

A harmonia é conquistada no dia a dia

Na fé e na esperança que se demonstra

No carinho compartilhado, nas bênçãos recebidas

Na capacidade de doação e entrega

No respeito mútuo e na aceitação do que somos, do que temos

Deus nos presenteia todo o tempo

Muitas vezes com o mesmo presente, que tantas vezes desconhecemos

Vamos abrir nosso embrulho diariamente

Nossa família, nossa vida, nosso amor…

Alda M S Santos

Cultivando amizades

CULTIVANDO AMIZADES

Amava a terra, a natureza

Cuidar de sua horta, suas galinhas

Plantando árvores, colhendo frutas

Cultivando amizades, distribuindo simpatia

Sempre original com seu bigode e seu chapéu

Cuidadoso e carinhoso com os cachorros de “todo mundo”

Atencioso com todos, carinho sem igual com filhos e netos

Nosso moço da água, responsável, brincalhão

Pegando grama para ninhos das galinhas, matando cobras

Fazia parte daquele lugar

Descendo a rua a passear com a esposa

Subindo seu terreno ao lado do nosso

E sempre um cachorrinho atrás

Um bate papo atencioso com quem encontrava

Como só pessoas de lugares lindos e simples

E de almas grandiosas são capazes…

Foi chamado para cuidar de outras terras, do outro lado

Antônio dos Santos não será o mesmo lugar sem você

Se puder, apareça por lá vez ou outra…

Vá em paz, amigo Walmir!

Se Deus o levou, que possa amparar quem ficou!

ABRAÇOS CARINHOSOS DA FAMÍLIA SANTOS

Alda M S Santos

A ausência de nós

A AUSÊNCIA DE NÓS

Depressão é não sentir presente

O aliado que nunca poderia faltar: nós mesmos

Aquele sem o qual todos os outros perdem o valor

A ausência de nós mesmos nos impede de identificar outras presenças

Muitas vezes, e inclusive, a presença da vida

Depressão nos rouba de nós mesmos

Nos faz nos desconhecer

É o roubo mais cruel que pode haver

É retirar o fluido vital, a alegria, a satisfação, o prazer

De um corpo que insiste em ficar de pé sem combustível

Mas age robótica e mecanicamente

Curar um depressivo é encontrar e devolver a ele

Esse fluido essencial que não se sabe onde está ou para onde foi

Perdido dentro de si mesmo…

Alda M S Santos

#setembroamarelo

#prevencaoaosuicidio

#disque188

Orquestra

ORQUESTRA

Muitos são os tipos de instrumentos

Violões, pianos, violinos, teclados e baterias

Saxofones, oboés, flautas, tambores

Tão diferentes entre si, mas com o mesmo propósito

Produzir um som melodioso e harmônico

Cativar, encantar, maravilhar…

Não importa qual tipo de instrumento é:

De corda, de sopro, de percussão…

Todos são importantes, todos podem fazer uma bela “apresentação”

O que dá o diferencial numa orquestra é a harmonia entre os instrumentos

A afinação e sintonia que fazem uma bela canção

Sob a batuta do maestro experiente que extrai o melhor de cada um

E os utiliza nos momentos mais adequados

Graves ou agudos, grandes ou pequenos, altos ou baixos

Todos são essenciais…

Entendêssemos e aplicássemos essa complementariedade de uma orquestra às nossas relações

Usando a batuta de modo harmônico às diferenças dos “instrumentos” de nossa vida

Teríamos um viver mais belo, em sintonia e harmônico

Mais feliz e encantador…

Alda M S Santos

*foto: meu filho Pablo tocando

Um vento passou por aqui

UM VENTO PASSOU POR AQUI

Um vento passou por aqui

Aproveitou as janelas abertas e invadiu

Quebrou trancas e tramelas, portas destruiu

Muita coisa bagunçou, outras embora levou

Derrubou esperanças, sorrisos apagou, portas fechou

Um vento passou por aqui

Misturou o certo e o errado, o doce e o salgado, a autoconfiança minou

Mentiras criou, verdades questionou, inimigos levantou

Debates inventou, calados despertou, falantes calou

Um vento passou por aqui

O que era rígido, mas frágil, caiu e quebrou

O que era firme, forte, mas flexível balançou e se solidificou

O que era verdadeiro e leve flutuou e se eternizou…

Um vento passou por aqui

Entre tantas desordens que causou

Entre tanto que trouxe e levou

Algo de novo possibilitou, coisas antigas reafirmou:

Solidez não rima com rigidez,

A água tudo contorna, não pelo peso, mas pela persistência e fluidez

Amor e simplicidade têm primazia sobre qualquer ventania

Um vento passou por aqui…

E sua marca deixou… o sorriso replantou…

Alda M S Santos

Muletas e braços

MULETAS E BRAÇOS

Ora braços, ora muletas

Esse é o rodízio, essa é a alternância da vida

Quem está acostumado a ser apenas braços

Terá dificuldades quando precisar se tornar muletas

E a recíproca também é válida

Braços se apóiam, precisam da segurança da muleta

Para manterem firme o corpo todo

Precisam confiar no apoio que recebem para se entregar

Para não tombar…

Muletas precisam ser fortes e aguentar o peso

Suportar com firmeza o corpo que recai sobre elas

Enquanto forem necessárias!

E a vida segue sempre em frente

Ora braços, ora muletas

Ora caminhos, ora caminhantes

Ora fragilidade, ora força

Ora ombros, ora cabecinha…

Alda M S Santos

Malas esquecidas

MALAS ESQUECIDAS

Malas esquecidas aos pés, um abraço que se eterniza

Ignoram o burburinho que possa haver por ali

Mergulhados no pescoço um do outro, lágrimas insistentes

Será uma ida ou uma volta?-perguntariam os curiosos

Que pode ser mais triste ou doloroso

Mais alegre ou emocionante:

As malas de quem chega ou de quem vai?

A ida ou a volta, a partida ou o retorno?

O olhar que se tem sobre a ida ou a volta

A razão que leva a uma ou a outra é que determina o peso que fica na alma

Coração repleto, tão cheio quanto as malas

Escorre pelos olhos, nos toques, no desejo de parar o tempo

Malas prontas, esquecidas sob um abraço: chegando ou partindo?

Malas esquecidas, mas a bagagem mais importante será eterna no coração

Quem chega ou quem parte determina um recomeço

Sempre!

Para quem vai e para quem fica, esperança

E recomeços são uma oportunidade de fazer diferente

De fazer melhor…

E isso já é motivo para as lágrimas serem de alegria!

Boa viagem: de ida ou de volta!

Alda M S Santos

Blindados?

BLINDADOS?

Há como nos blindar dos golpes da vida

Ou sempre existirá algo a nos ferir

Até mesmo dentro de uma bolha

Para onde, vez ou outra, preferimos fugir?

Um amigo doente, alguém querido ausente

O emprego que falta, a injustiça que maltrata

Famílias que tentam se preservar, unidos para não tombar

Velhos esquecidos, largados, crianças com um péssimo legado

Alguém que decepciona, a fé que às vezes abandona

A morte que não tem critérios, a vida com poucos refrigérios

Humanos vivendo blindados pelo egoísmo

Humanos atingidos pelo próprio individualismo

Blindados?

Até quando vamos querer nos blindar da vida

Sabendo que é assim, absorvendo tudo que ela apresenta

Do jeito que damos conta, golpeando ou sendo golpeados

Que ela é verdadeiramente vivida?

Alda M S Santos

Nublado

NUBLADO

Quero um dia inteirinho de chuva

Daqueles cujo céu fique totalmente encoberto

Chuvinha constante, ora fininha, ora mais intensa

Daqueles que nos “autorizem” a ficar o dia todo sob as cobertas

Sem precisar justificar, sem precisar de um porquê

A nostalgia e introspecção comuns desses dias nos liberam para tal

Eles são, por si só, a razão do recolhimento

Sentindo o friozinho úmido lá de fora, as gotas da chuva escorrendo na janela

Cheirinho de terra molhada, flores agradecidas, pessoas correndo

Escondendo-se sob as marquises, dividindo guarda-chuvas

Umas felizes, outras praguejando, esbravejando

Os abraços molhados, os encontros, os reencontros

O amor, a saudade de infância que sempre fica no ar…

Crianças sempre amam, andam nas enxurradas, nada temem

Adoro observar as pessoas em dias assim

O cinza molhado ativa as cores ou ausência delas nas pessoas

Os cães sequer saem das casinhas

O bem-te-vi por certo também está em “casa”

Um pijama macio, uma meia velha, cabelos revoltos, uma xícara de chá

Um livro, um filme ou uma música

Uma história para escrever…

Sei lá…

Dias nublados e chuvosos são dias muito produtivos

Ainda que o produto seja apenas interno e invisível aos olhos de fora…

Alda M S Santos

Essa força estranha

ESSA FORÇA ESTRANHA

De onde vem essa força?

A força que faz tantos carregarem um peso

Muitas vezes maior que o próprio?

De onde vem essa força

Que faz sorrir, onde tantos derramam rios de lágrimas?

De onde vem essa força

Que nasce, cresce, se espalha e se renova

E a tantos contagia, surpreende?

De onde vem essa força

Que brota em terrenos aparentemente áridos e inférteis?

De onde vem essa força

Que cresce nos vazios alheios que preenche

De onde vem essa força estranha

Se não de dentro de nós mesmos?

É sempre lá que a força está,

Sempre!

Pode estar em repouso, mas existe

Pode ser leve como uma esperança, voar, flutuar

Apenas precisa de algo que a acione

Em alguns é um sorriso, um abraço, uma família

Um trabalho prazeroso, uma mão que se estende

Uma amizade sincera, um amor incondicional

Talvez até uma grande decepção ou tristeza

Palavras de fé e estímulo, um olhar amoroso

Até mesmo por ter alguém que deles necessitem

Atividades de amor, solidariedade e compaixão, Deus…

A força está em cada um de nós

Cada qual tem algo especial que a faz mirrar ou crescer

De onde vem sua força?

Alda M S Santos

Qual nosso limite?

QUAL NOSSO LIMITE?

Numa única vida, de um único ser

Existe um limite daquilo que ele consegue lidar, suportar

Sem se derrubar, sem pedir trégua?

Quantas causas consegue abraçar

Quantas amizades é capaz de dar atenção, tempo, cultivar

Quantos necessitados logra ajudar, se preocupar, estender a mão

Quantas lutas tem forças para travar

Quantas guerras dá conta de apaziguar

Quantas decepções e mágoas consegue abrandar sem ensandecer

A quantas pessoas está apto para amar, se entregar, se doar

Tudo isso de modo verdadeiro e intenso, sem enlouquecer

Sem detonar a si mesmo, sem deixar ninguém na mão?

Existe um estoque que vai baixando

Ou é como mina d’água que, se protegida pelas matas ciliares, jorra sem parar?

Temos matas ciliares o bastante, temos lençol freático extenso?

Qual nosso limite?

Alda M S Santos

Estou viva!

ESTOU VIVA!

Estou no perfume doce e inebriante da flor

Também nos espinhos que a protegem e nos causam dor

Estou no calor escaldante do sol a brilhar

Também na chuva fria que cai fininha sem cessar

Estou na paz e inocência do sorriso infantil

Também na ternura do olhar de um idoso senil

Estou no beijo de um casal apaixonado

Também na saudade de um amor do passado

Estou na brisa suave que acalma, refresca, arrepia a pele e os cabelos balançam

Também nos ventos fortes dos vendavais que assustam e tudo bagunçam

Estou nos acordes suaves da empolgante canção

Também nos corpos grudados que dançam sensuais pelo salão

Estou na claridade da lua cheia ao anoitecer

Também na nebulosidade de um dia em que o sol esqueceu de nascer

Estou na finalização que nos traz todo entardecer

Também na esperança que renasce verdejante em cada alvorecer

Estou no amor vivido, na dor cortante, frustrante

E na vida que se renova no silêncio de paz dos amantes

Estou viva, sou a poesia

E, vez ou outra, me transmuto em versos, em poemas, em magia…

Alda M S Santos

Natural é querer viver…

NATURAL É QUERER VIVER…

O saudável é querer viver

O natural, até instintivo, é preservar a vida

A alegria em se renovar, em gerar brotos e buscar o sol

Em renascer em cores a cada decepção cinzenta

Em querer brilhar ainda que haja sombras

Em buscar oxigênio quando se sentir sufocar

Em estender raízes em busca de hidratação e nutrientes

Quando tudo parecer seco e sem esperanças

Perder umas folhas e galhos e manter raízes

É típico de tudo que vive, mesmo depois de parecer morrer …

O corpo se reabastece, fecha feridas, cicatriza, se fortalece

A mente se refaz em inúmeros circuitos, conecta-se com o bem

A alma resplandece de prazer, paz e luz

O coração clama por amor!

Uns momentos, horas, dias, temporadas de tristeza são normais

Talvez até necessários para tornar a vida mais valiosa

O que não é normal é desprezar o viver

Fazer dele um tanto faz como tanto fez

O que não é natural ou saudável é preferir o morrer

Isso é patológico, carece tratamento, não é fraqueza

É uma doença das mais cruéis: a da alma

Lutar pela vida é dever de todos nós

Pela nossa e pela dos outros que nos são caros

Ou simplesmente que estão por perto…

Somos todos responsáveis!

Alda M S Santos

#setembroamarelo

Onde mora seu prazer?

ONDE MORA SEU PRAZER?

Quanto mais largo o leque de opções simples

Quanto maior o número de delicadezas a nos despertar sorrisos

Quanto mais amor tivermos em nosso entorno

Entrando ou saindo de nós

Menos dependeremos de grandes expectativas

Ou da realização de grandes sonhos

Para nos mantermos bem, fazermos o bem

Quanto menos ovos colocarmos numa cesta só

Menor o risco de perder tudo

Menos iremos nos decepcionar

Menor probabilidade de deixar escapar entre os dedos

Todo o prazer de viver

E, assim, sermos mais felizes…

Alda M S Santos

Descompasso

DESCOMPASSO

Em qual estação estamos lá fora?

E cá dentro?

Estamos no mesmo compasso

Ou há flores perfumadas, cores vivas e macias na primavera lá fora

Enquanto cá dentro perdemos folhas e poupamos a raiz em secos e terrosos outonos?

Em qual estação estamos?

Mergulhamos em mornos oceanos e cachoeiras refrescantes

No verão quente, colorido e cheio de energia lá de fora

Ou hibernamos em longos, frios e escuros invernos cá dentro?

Somos atingidos pela força e vitalidade da estação lá de fora

Flores, perfumes, cores, calor, animação e alegria

Ou somos contagiados apenas pelo frio, pela neve, pelo repouso, pelas ventanias?

Dançamos, brincamos e amamos na chuva

Ou apenas fugimos das tempestades?

Esse constante descompasso entre a estação interna e externa

Tem sido capaz de promover a dança da vida

Ou passamos a festa toda sentados numa cadeira?

Viver todas as estações em plenitude é que importa

Independente se estamos no mesmo compasso da música lá de fora

A música cá de dentro é que precisa tocar e nos satisfazer…

Alda M S Santos

Viver e deixar viver…

VIVER E DEIXAR VIVER…

Ser sorridente não é estar sempre disposta ou feliz

Ser amorosa não é ser tola

Ser intensa não é ser incansável

Ser amiga não é aceitar tudo

Ser responsável não é assumir falhas alheias

Ser inteligente não é ser infalível

Ser família não é ser excludente, esquecer dos outros

Ser confiante não é ser assim tão facilmente enganada, como pensam

Ter esperança, ter fé não é ser bitolada, desprovida de raciocínio

Ser amor, ter um amor, não é se anular

Ao contrário, é ver no amor do outro

Motivo para ainda mais se amar…

E se doar…

Ser mulher, humana, é encontrar a si mesma

Em todas as suas fragilidades e forças, erros e acertos

É transformar lágrimas em aprendizado

É se regalar nas alegrias, mas não negar a dor, a saudade

É sofrer se preciso for, pelo tempo necessário para se recompor

Mas nem por isso estacionar…

É usar as decepções como liga para nova construção

É ser carinho sempre, é usar a arma mais poderosa do universo:

O amor!

Aquela que só nós podemos carregar, destravar, apontar, atirar

Viver e deixar viver…

Alda M S Santos

Coringa

CORINGA

Uma carta coringa assume qualquer valor

Habilidade de encaixar-se, de se sobrepor

Coringas são neutros, adaptam-se sem qualquer pudor

Uma roupa coringa cai bem em qualquer ocasião

Um prato coringa que atende qualquer refeição

Um programa coringa que alegra qualquer coração

Um sentimento coringa que lida bem ou substitui qualquer emoção

Uma pessoa coringa que acalma ou anima com prazer, sem razão, com paixão

Um palhaço que alegra, mesmo chorão

Que encanta, mesmo bobalhão

Que alegoricamente malicioso, da sua inteligência não abre mão…

Ser ou ter um coringa? A pergunta não é se…

Mas quando lançaremos mão dessa enigmática representação

Que muitas vezes nos salva de nossas próprias tolices, boas ou não…

Alda M S Santos

#carinhologos

A um abraço de distância

A UM ABRAÇO DE DISTÂNCIA

Para que precisamos buscar tantas coisas?

Para que nos desgastamos tanto para adquirir objetos que nem necessitamos

Roupas, carro, casa, passeios

Para quê?

Para que lutamos tanto por pessoas ou situações que não são nossos

Não precisam de nós, não nos querem

Se tudo isso sozinho de nada vale e traz sofrimentos

Para quê?

Se tudo que nos faz bem, nos faz felizes

Se tudo que acalenta nossa alma carente de verdades e simplicidade

Enternece nosso coração, alarga nosso sorriso

Não estiver a um abraço de distância

Ao alcance de nossos braços quentes

Cuidado com carinho em nossa mente e coração?

Alda M S Santos

#carinhologos

Um grupo, um violão

UM GRUPO, UM VIOLÃO

Um grupo, várias vozes, um violão

Uma roda, ao ar livre, numa tarde gostosa no sabadão

Nem precisa ser muito afinado, não

Basta que tenha vontade, carinho, amor e atenção

Que as músicas sejam de uma época saudosa, refinada seleção

Que tragam boas lembranças e animação

Que despertem desejo de cantar, de dançar pelo salão

Que haja poesia nos versos singelos e amorosos da canção

Que sequer se importem com qualquer limitação

Que a gente perceba em cada voz que vibra o pulsar do coração

Em cada sorriso que se abre a luz que brota da gratidão

Em cada palavra terna a sincera satisfação

Em cada abraço, a troca do amor precioso, o amor irmão!

Alda M S Santos

#carinhologos

Anti-Gênio

ANTI-GÊNIO

Chateada com a vida ela tropeça numa lâmpada e a chuta longe.

Sem esfregadinha a lâmpada se acende e logo um gênio cansado aparece.

“Oba! Já sei! Tenho direito a três pedidos!” -ela diz

“Sou o Anti-Gênio, vou retirar três coisas de você!”- ele fala impassível.

“Como assim?”- ela se assusta

“Vou levar três coisas suas, mas deixo você escolher quais.”- retruca

“Mas não tenho nada valioso que você possa querer”

Ela reclama, pede, implora…e nada…

“Se você não escolher eu levo o que quiser”- rebate.

E na lâmpada vão aparecendo as cenas da sua vida

Presas na lâmpada longe dela tudo que pretende destruir

Com as pessoas que ele pretende levar:

Seus pais cuidando dela com carinho

Os irmãos brincando com ela na rua de terra

Os amigos queridos da escola, da igreja

Seu casamento, seu parceiro de todos os dias

Os filhos queridos, tão lindos, tão seus, tão pequenos ainda…

A saúde, a disposição para o trabalho

As amigas sempre presentes…

A cada cena que passava ela chorava e dizia: “isso não”!

“Por que você não procura alguém com muitos bens”?- desabafou

“Isso eu já tenho, quero coisas valiosas”…

“Mas tudo isso é valioso apenas para mim! De que servirão para você”?

“São valiosos para você? Achei por aí….”- pergunta o Anti-Gênio

Ela não sabia o que dizer temendo afirmar que sim, que eram muito valiosos

E ele levar a todos…

“São tudo que eu tenho, não quero mais nada, apenas que fiquem comigo”…

Ela estendeu a mão e foi tocando com carinho as cenas na lâmpada

Cada uma que tocava ia desaparecendo

Voltavam para dentro de si…

E o Anti-Gênio, sem nada mais dela preso em sua lâmpada,

Foi em busca de outras coisas valiosas perdidas de seus donos…

Tudo é tão leve, tão fugaz

E pode escapar de nossos dedos e ir embora a qualquer momento…

Alda M S Santos

Matemática aplicada

MATEMÁTICA APLICADA

Não dá para encontrar resultados diferentes

Para qualquer incógnita, de qualquer problema

Se não mudarmos as variáveis.

Nas equações da vida obteremos os mesmos valores

Positivos, negativos, inteiros ou fracionários

Até mesmo zero, neutro, nulo

Se não adicionarmos um elemento diferente.

Ou mudamos as equações, os problemas,

Ou mudamos o modo de resolvê-los.

A razão, a lógica, podem ser elementos adicionais importantes, ou não

Nas equações que envolvem emoção nossas e dos outros.

Não dá para adicionar qualquer número, fazer qualquer operação

Quando há vidas em risco.

Matemática aplicada à vida!

Até quem é inapto com números entende essa lógica…

Alda M S Santos

Farol

FAROL

Luz forte no alto de uma torre na escuridão total

Serviam de guia, de alerta, de aviso aos navegadores solitários

Desviavam navios de perigos vindos de montes de terra que irrompiam em alto mar

E poderiam fazê-los perecer

Fachos de luzes intermitentes, potentes, constantes, brilhantes

Refletidas a longas distâncias

Mas nem toda luz livra do perigo ou do mal

Até mesmo os faróis tiveram os seus “afundadores”

Aqueles que se passavam por alertas do bem

Quando na verdade era luz falsa que emitiam

Para atrair navios para zonas perigosas e saqueá-los

Cacos de vidro se passando por diamantes

Até mesmo a luz pode enganar, pode cegar

Podemos muitas vezes enxergar melhor em exígua luz

Ou até mesmo na escuridão em que a vista se acostumou

Do que numa forte luz enganosa…

A luz que vem de dentro é a que ilumina verdadeiramente!

Alda M S Santos

Noite estrelada

NOITE ESTRELADA

Há sonhos belos como uma noite escura

Como um céu salpicado de estrelas brilhantes, reluzentes

Atraindo, despertando esperanças, expectativas

Mas, como as estrelas, “apagam-se” ao amanhecer

Seu brilho não se sustenta perante à dura realidade do dia

Assim como as estrelas se escondem

Diante do brilho intenso dos raios de sol

Muitos sonhos se escondem atrás dos medos

E covardias que tiram seu brilho

Alda M S Santos

Na calada da noite

NA CALADA DA NOITE

Tudo é silêncio, parece silêncio

Na escuridão o mal se agiganta

Medos e traumas antigos parecem maiores

Forças minam, a fé luta para prevalecer

Gatos miam, tomam o que julgam seu sobre os telhados

Gatas dão o que fingem “amarrar”

Cães ladram e tentam proteger o que parece perdido, ameaçado

Casais se amam, namoram sob os telhados

Uns nascem, renascem, outros matam, morrem

Munidos das mais variadas armas: brancas, de fogo, da confiança, da desesperança

Gatunos de colarinhos brancos, becas, batas, ternos

Disfarçados, vestidos de seres do bem, mascarados de “amor” e bondade

Invadem casas, veículos, escolas, igrejas, pessoas

Quebram janelas, estouram fechaduras, aproveitam uma fissura qualquer

Às vezes arrombam, outras são convidados a entrar

Nas TVs abertas ou fechadas, nas ondas do rádio, na web conquistam adeptos e seguidores

Pilham, roubam, amarram, matam

Amealham dia a dia tudo que se tem de bom

Sequestram o corpo, torturam a mente

Aliciam corações e almas carentes, sofridas

“Protegidos” pelas sombras o mal age calado

Na calada da noite…

Usurpam a vida, destroem sonhos

Roubam a inocência de infantes e adultos, ameaçam

Desestruturam famílias, passam-se por amigos, por anjos de Deus

Enquanto os anjos dormem…

Será que dormem?

Será que ainda haveria vida por aqui se não estivessem acordados, agindo?

Na calada da noite o mal se agiganta

Na calada da noite é que os anjos mais trabalham…

Na calada da noite não podemos nos calar

À luz do dia devemos nos fortalecer e gritar…

Alda M S Santos

Fugas

FUGAS

Fugas muitas vezes são vistas como desistência

Apontadas como covardia, escolha mais fácil

Será mesmo?

Pode-se fugir de medos de escuro, acendendo a luz

Pode-se fugir de traumas à base de calmantes e ansiolíticos

Pode-se fugir de culpas se afogando em álcool ou outras drogas

Pode-se fugir do amor apontando os outros como problemáticos

Pode-se fugir da vida, com intuito de protegê-la

Pode-se fugir da desesperança mergulhando na fé, na religiosidade

Pode-se fugir da dor, evitando viver

Pode-se evitar confrontos fugindo de algumas pessoas, de várias ou de alguma em especial

Pode-se mudar o nome, o rosto, os convívios

Pode-se mudar de país, de sentimentos

Pode-se entupir-se de coisas lindas e valiosas

Pode-se até tentar fugir de si mesmo, ignorando sentimentos

Fingindo que está tudo bem, que tudo é belo

Pode-se fugir de si mesmo usando os mais diferentes subterfúgios

Mas será como crianças pequeninas brincando de esconde-esconde

Tapando apenas o rosto e acreditando que estão protegidas…

Até que ponto esconder de si mesmo é valentia ou covardia

Força ou fragilidade, medo ou coragem?

Não dá para se esconder de si mesmo para sempre…

Pode-se ficar camuflado, nunca escondido

O que se é carrega-se consigo em qualquer fuga,

Para qualquer lugar que se vá

É sempre um caminho longo e doloroso encontrar-se

Mas quando o rosto for destapado

Apesar do susto, dos medos, o sorriso pode aparecer e brilhar

Como na brincadeira de esconde-esconde infantil…

Alda M S Santos

De quantos?

DE QUANTOS?
De quantos nãos se faz uma decepção
De quantos medos se faz uma coragem
De quantos abandonos se constrói uma muralha
De quantas valentias e covardias se fazem um herói 
De quantos tanto faz se faz um desistir
De quantos passos trôpegos se faz uma marcha firme
De quantos cuidados o amor se alimenta
De quantos sorrisos se faz um encanto
De quantas lágrimas a saúde emocional sobrevive
Quantos abrir mão o amor é capaz de suportar
Quantas descargas emocionais o coração aguenta sem sofrer um colapso
De quantas promessas não cumpridas se faz um desamor
Quantos “felizes para sempre” somos capazes de destruir, incólumes
De quantos mergulhos rasos se faz uma vida superficial
De quantos “tudo bem” se molda uma máscara
De quantas demolições internas e externas precisamos para reconstruir
De quantas saudades se faz um existir?
De quantos(as)?
Gostaria de saber…
Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS

Numa mansão numa ilha paradisíaca,

Numa casinha branca à beira do rio

Numa gangorra na roça, descalça

Num barracão no morro do cafezal

Pilotando uma lancha veloz,

Um barquinho de pescador

Ou na suíte de um transatlântico

Não importa… o local é secundário

Prioritário é estarmos em nós mesmos

Estarmos bem encaixados em nossos direitos e avessos

Lidando bem com feridas e cicatrizes

Aceitando nossas imperfeições e inadequações

Nos perdoando de confiança excessiva, exposição exagerada de sentimentos

Ou de medos e traumas que nos travam

Sabendo que, independente dos outros,

Nós precisamos nos entender e aceitar

Destrinchar alegrias e dores, mágoas e regozijos

Onde estivermos por completo, inteiros

Onde nos sentirmos em total sintonia conosco

Sem máscaras, sem falsas alegrias ou autopiedade

Onde pudermos ser verdadeiramente

Corpo, mente, alma, coração

É que estaremos bem de verdade…

Alda M S Santos

Brotos de vida

BROTOS DE VIDA

Aquela flor que precisa “morrer”

Suas raizes em batatas necessitam do repouso do solo

Do calor do sol a aquecer a terra

Da água que chega na hora certa

Para que possa romper-se em brotos

E buscar a luz do sol

O sorriso de satisfação de quem por ela esperou

De quem nela acreditou, ou não

Como fênix que renasce das cinzas

Como urso que desperta pós inverno e longo hibernar

Como o sol que se “apaga” e se acende todas as manhãs

Como o amor que mantém-se vivo em meio a tanto desamor

Sabe o momento de se proteger na distância ou na indiferença

E, como flor, procura preservar a raiz das tempestades

Recolher-se é necessário, é sabedoria

Parecer morrer é juntar energia

Para renascer mais forte

A luz brilha mais intensamente onde antes foi escuridão

Para quem tem no coração a força que vem da esperança…

Alda M S Santos

Quem não entende

QUEM NÃO ENTENDE

Quem não entende um olhar

Tampouco entenderá uma longa explicação,

Diz Mário Quintana.

Um olhar é capaz de dizer praticamente tudo

Para pessoas dotadas de sensibilidade

Ainda que não possam ler tudo escrito naquelas “linhas” do olhar

Que muitas vezes se desvia

Podem sentir, imaginar, calcular, intuir

Particularmente se é um olhar já conhecido

Um coração que dividiu consigo sonhos, esperanças e medos

E, a partir daí, conversar, agir, sorrir, chorar

Brigar, cobrar, orientar, sofrer junto

Estar perto, oferecer o ombro, o colo, a compreensão

Quem no olhar, ou no tom de voz, identifica uma dor

Num “tudo bem” vê um “to sofrendo”

Num silêncio ouve gritos

Nos gritos ouve a alma despedaçada que silencia

Numa meia palavra entende todo o texto

Num sorriso alegre para muitos

Percebe a sombra dolorosa que tira o brilho

É quem sequer precisaria de palavras para ajudar

Apenas abraça, se não for possível, protege na oração

Almas afins…

Alda M S Santos

Não seria roça!

NÃO SERIA ROÇA!

Não seria roça se não faltasse energia

E se não fosse preciso esquentar água no fogão à lenha

Para tomar banho de bacia

Não seria roça se o céu não fosse mais limpo e tivesse mais cor

As estrelas mais numerosas, brilhantes e cadentes

A despertar nas mocinhas um pedido de amor

Não seria roça se os pássaros não se banhassem na terra

Se não cantassem nos galhos da ameixeira ou no alto da serra

Não seria roça se não tivesse uma rede na varanda

Uma música caipira tocada na viola por violeiro cheirando a fumo e lavanda

Não seria roça se não tivesse quitanda quentinha no forno de barro branco batido

Ou um mingau de fubá fumegante com queijo derretido

Não seria roça se o café não fosse coado na hora no coador de pano

Servido em caneca esmaltada

E se não tivesse banho no rio de criança sapeca e pelada

Não seria roça se a galinha d’angola não estivesse sempre fraca, o galo não cantasse animado

Ou o leite não fosse tirado das tetas inchadas das vacas por um vaqueiro cansado

Não seria roça se não tivesse prosa nas noites geladas em torno da fogueira

Um cão vira-latas a vigiar a porteira

E uma criança a se balançar na gangorra na mangueira

Não seria roça se a gente não se sentisse na roça

Não seria roça se a gente não fosse um pouco roça também…

Alda M S Santos

Visitas breves

VISITAS BREVES

Quase sempre chegam de surpresa

Elegantes, desconfiadas, sondando o terreno que julgam seu

Medo de se ferir, se machucar, serem alvejadas

Encantados e saudosos as recebemos

Comemoramos internamente a visita, aproveitamos a doce presença

Enchem o espaço de alegria, novidade, beleza

Dedicamos carinho, amor e atenção

E num voo rápido se vão… para outros quintais…

Deixam vazios e esperança de retorno

Deixam saudades…

Saudade não se tem daquilo que se foi

Saudade é o que sentimos daquilo que ficou depois da partida

Apenas mudou de lugar

Do espaço antes ocupado pelo que os olhos viam, mãos tocavam

Agora ocupados apenas no cantinho especial no coração

Onde apenas a alma toca…

Alda M S Santos

Onde está escrito?

ONDE ESTÁ ESCRITO?

Onde está escrito

Que a vida é mais feliz

Quando o amor é mais companheiro

Que o olhar reflete o que o coração diz

E que a paz não se paga com dinheiro?

Onde está escrito

Que amor com amor se paga

Que o sorriso conquista, se sincero

Que a fé é o fogo que o bem propaga

E que tudo que é bom é sempre terno?

Onde está escrito

Que a simplicidade é o lar da felicidade

Que quem doa sempre tem

Que o bem mais valioso é a amizade

Pois é com compaixão/ação que vivemos no bem?

Onde está escrito? Em nós!

Naquele olhar que conquista, no sorriso que cativa

Naquela alma que ouve “te amo”, encantada

Na bondade que fascina e nunca se esquiva

Na saudade que faz de nosso coração sua eterna morada!

Alda M S Santos

Superamos?

SUPERAMOS?

É preciso superar e seguir em frente, todos dizem

Mas quando se pode dizer que superamos?

Quando o problema foi eliminado, deixou de existir

Ou quando não o deixamos mais nos atingir?

Quando a ferida foi da alma apagada

Ou quando a lembrança já vem sem doer, está liberada?

Quando nominamos todos os responsáveis pelo bem e pelo mal

Ou quando já não se culpa mais ninguém pelo vendaval?

Quando as ausências já não são tão grandes, foram preenchidas

Ou quando optamos por deixá-las ter seu próprio espaço, acolhidas?

Quando podemos dizer que superamos?

Será que é quando se desiste de esquecer o que passou, bom ou ruim

E decide carregar ambos na bagagem; o ruim como aprendizado e o bom como saudades?

Será que é quando perdoa-se falhas cometidas por quem quer que seja

E aceita-se o porvir como presente?

Ainda que o brilho no olhar nem sempre venha dos sorrisos,

Mas das lágrimas saudosas que possam irrigar as lembranças e o viver?

Estarmos vivos quer dizer que superamos, que fomos mais fortes que tudo?

Sempre penso nisso ao fixar no olhar de todos eles…

Superaram? Superamos?

Alda M S Santos

#carinhologos

Tudo gera lágrimas

TUDO GERA LÁGRIMAS

Que há quando quase tudo

Nos toca, sensibiliza, emociona?

Se alguém querido diz algo que nos magoa

Nos debulhamos em lágrimas

Se a pessoa se toca, se justifica, se desculpa

As lágrimas rolam mais intensas ainda

Se alguém amado não nos valoriza, não se lembra de nós, choramos

Se tem carinho, cuidado, atenção, choramos também

Se os outros são desligados e indiferentes ao que fazemos, choramos

Se alguém demonstra gratidão, reconhecimento, as lágrimas brotam sem cessar…

O sol que arde, a chuva que cai

Alguém que sofre, outro que é feliz

O frio que martiriza, o calor que enerva

Uns que chegam, outros que se vão e deixam saudades

Uns que nos encantam, outros que nos decepcionam

A vida que segue indiferente a todos, implacável

Como ondas num mar gigante que vão e vêm

E as lágrimas sempre, sempre brotando…

Será que estão lavando o terreno das impurezas e parasitas

Para um novo broto renascer?

Alda M S Santos

(Retro)visão

(RETRO)VISÃO

Diante do vidro para-brisa se descortina o caminho

O olhar o tem à frente, independente se o vemos limpo ou embaçado

Claro, escuro, livre ou interrompido por desvios

Ele esta lá, quer pisemos fundo no acelerador da vida

Ou brequemos forte nos freios, desanimados

O olhar volta para o retrovisor, vê o caminho lá atrás

Ora bonito, florido, iluminado, feliz

Com abraços apertados e beijos doces

Ora escuro, empoeirado, esburacado, triste

Com dores, lágrimas, medos e decepções

Sentimos saudades, por vezes queremos voltar

Mesmo passado, nem sempre bom, ele carrega em si a prerrogativa de ser conhecido

Mas o caminho à frente se impõe no grande para-brisa, o novo

Desconhecido, apenas imaginado, gera insegurança e expectativas

E nesse vai e vem de olhares, a visão precisa se manter à frente

As dimensões desproporcionais entre retrovisor e para-brisa

Significam que é bom olhar para trás, vez ou outra

Trazer grudado no coração e na alma o que o passado agregou

O amor recebido ou perdido, os afetos doados, os aprendizados

Os buracos em que caiu ou que “jogou” alguém

As vidas que salvou, ou as que não conseguiu

Mas sabe que a vida segue é para frente…

Pisa mais calmamente no acelerador e segue

Todo cuidado é pouco,

Luz forte cega tanto quanto escuridão

Não quer deixar quem queira seguir junto sozinho no caminho

Não há pressa…

O presente acontece para quem não fica parado

E o futuro, se chegar, já será presente …

Alda M S Santos

Loucos e sãos

LOUCOS E SÃOS

Saiu do ensaio e subiu a rua de volta para casa

Um carro escuro a seguiu, ela correu, gritou

Mas a voz não saía, os pés não se moviam

O carro parou e duas mãos fortes a jogaram lá dentro

Uma sensação de reviver aquele pesadelo passado retornou

Olhou para aquele rosto (des)conhecido que a ameaçava com o olhar

De onde o conhecia, mesmo?-ela refletia.

“Que vai fazer comigo?”- perguntou estranhamente calma, lágrimas rolando

“Não vou te matar, apenas fazer você ser esquecida, sair do meu caminho”

“Mas quem vai para o Hospital de Barbacena não volta”- parecia adivinhar o que ele queria

Ele expressou aquele sorriso malvado

“Isso mesmo, “anjinha”, você não atrapalhará mais a minha vida”

Uma camisa de força parecia frouxa

Mas o aperto vinha de dentro, sufocava

Viu uma foto no painel do carro, dois jovens sorridentes

Sabia que os conhecia, onde estariam?

Será que enlouquecera mesmo?

Estava toda encharcada de suor e lágrimas que escorriam e nem sentia

O carro parou na entrada de um presídio que era “Barbacena”

Foi retirada do carro, levada para dentro, lugar gelado e sombrio

Aquele lugar ela sabia ter visitado antes numa ilha, os doentes ficavam ali de quarentena quando chegavam de Portugal

Ali a receberam com carinho excessivo, estranhou, parecia falso

Nas paredes, leu algo que soou como piada “Deus é Fiel, Jesus Vive”

“Sim”, ela pensou, “certamente vive, mas não nesse lugar”…

Olhou para fora, o carro daquele (des)conhecido que amara fora embora

Uma nova vida “começava”, o peito apertava muito, doía, o ar faltou

Desmaiou…

Alda M S Santos

Ruínas do presídio de Lazareto Ilha Grande(fotos)

Decantar para não desencantar

DECANTAR PARA NÃO DESENCANTAR

Diante da turbidez de nossas águas

Das impurezas acumuladas em nosso dia a dia

Tudo misturado, leve e pesado, transparente e escuro

Coisas que atraímos, outras que são jogadas em nós

Ou resultado do viver intenso, de afluentes gerados

Tornando difícil o nadar, o navegar, o respirar, o viver

É preciso um processo de decantação

Antes que nos desencantemos desse nado

Depois de tanto agito, parar um pouco, acalmar nossas águas

Deixar que se separem os elementos incompatíveis

Usar a fé, a sabedoria, a alegria de viver como decantadores

Tudo ficará mais claro, bem separado

O essencial e importante do supérfluo e desnecessário

Aí poderemos retirar os “excessos”

E voltar a nadar livremente…

Alda M S Santos

Pedro negou “só” três vezes

PEDRO NEGOU “SÓ” TRÊS VEZES

Diante de um medo profundo

Covardia, mau caráter, falha humana, fraqueza

Para cumprir o que diziam as escrituras

A razão em si não nos importamos tanto

O que ficou para todos nós foi que Pedro O negou três vezes

Diante do risco iminente de prisão e morte

Ele se acovardou, negou O amigo, O protetor

Que se encontrava em apuros

Aquele que o amou e o ensinou a amar acima de tudo

Somos tão bons para julgar!

E nós?

Quantas vezes o temos negado

Ao virar as costas a um necessitado

Ao dizer que uma criança carente é problema do governo

Ao abandonar nossos idosos ou não estender a mão, podendo fazê-lo

Ao priorizar nosso bem estar independente dos outros

Ao desistir de amigos e familiares

Ao abandonar quem em nós confiou

Quem muito de nós esperou?

Quantas vezes fugimos por medo ou covardia?

Quantas vezes seguidas mais destruímos que construímos

Nas nossas vidas e nas vidas dos outros?

Pedro negou Jesus três vezes somente

Quantas vezes O temos negligenciado em cada irmão que Ele habita?

Quantas vezes não nos misturamos na precariedade que Ele sempre encontra morada?

Afinal, somos “superiores”, já fizemos “nossa parte”

Nos salvamos. Será?

Seria menos vergonhoso se fôssemos Pedro!

Alda M S Santos

Feridas abertas

FERIDAS ABERTAS

Aquela ferida profunda no dedo

Machucou fundo, doeu, sangrou muito

Ora fratura, atinge nervos importantes

Limpamos, higienizamos, medicamos, repousamos

Isolamos como podemos do ambiente externo

Por vezes são necessárias suturas, enfaixamento para fechamento e cura

E ausência de limitação de movimentos e cicatrizes grandes posteriores

Mas tudo parece atingi-la em primeiro lugar

O dedo ferido “chama” para si todo atrito

Encosta em tudo que atiça novamente a ferida

E, frágil, sequelado, sangra novamente…

Algo em nós que foi machucado ou ferido

Sempre será frágil, sempre terá marcas profundas

Sempre necessitará de cuidados especiais e controle

Sempre será atingido por coisas aparentemente banais

Vale para feridas da carne, do coração, da mente ou da alma…

Alda M S Santos

A “maldição” do quase

A “MALDIÇÃO” DO QUASE

Sempre esteve tão perto, quase conseguiu, foi por pouco

Sente que a vida toda esteve dependurado nos “quase”

Quase ganhou o campeonato de futebol

Quase foi coroado Rei do Amendoim

Quase conquistou a menina mais linda da escola

Quase passou no vestibular

Quase casou-se com o amor da sua vida

Quase conseguiu o emprego dos sonhos

Quase aprendeu a falar inglês

Quase montou o negócio tão almejado

Quase foi morto num assalto-um quase benéfico

Quase morreu afogado no mar- outro nada mal

Quase ganhou na Mega-Sena , ficou na quadra

Quase curou um mal genético

Achava que sua vida se resumia à maldição dos quase

Mas acabou aceitando que de quase em quase a vida segue

E aprendeu a maior lição:

A vida acontece com aquilo que a gente faz nos “quase”

Porque, apesar de existir quase morrer ou matar

Nunca ouviu falar de quase viver…

Alda M S Santos

Histórias ao vento

HISTÓRIAS AO VENTO

No princípio era assim: vários livros, pessoas e suas histórias

Ainda desconhecidas, a serem vividas, mas organizadas nesse livro

Um anjo, o Brincalhão, soltou todas as páginas de todos os livros

Um outro bem arteiro, Sapeca, soprou forte, bem forte

E os papéis voaram na ventania

Folhas, capítulos para todos os lados, terra, mar, montanhas, cachoeiras, campo, cidades

Áreas irrigadas e desertas, próximas e longínquas

E nossas histórias estão todas por aqui, espalhadas

Nosso papel é juntar novamente todas as páginas

Reescrever nossa história, começo, meio e fim,

Entrelaçar a outras histórias, encadernar nosso livro…

Os anjos foram mandados para arrumar a bagunça feita

Mas histórias “erradas”se misturaram e, às vezes, parecem bonitas desse jeito para uns

Mas nem tanto para outros…

Os anjos Brincalhão e Sapeca sopram de novo quando tudo parece desarrumado

Na tentativa de ajudar…

Arcanjos, querubins e serafins interferem, reorganizam

Somos autores construindo essas histórias que ora alegram, ora doem

Ora instigam, ora desanimam

Ora são puro amor e encanto

Ora são desilusão e sofrimento

E os anjos, atrapalhados e traquinas, tentam nos ajudar

Colam páginas erradas, outras certas, misturam enredos

E para desfazer e refazer dá muito trabalho, causa sofrimentos

Será que estamos com a página de alguém

Um capítulo que não é nosso

De uma história que não é nossa?

Onde estão nossas páginas para aquelas histórias que não encaixam bem

Aparentemente sem nexo, sem sentido, sem um fim no nosso livro?

Quantos capítulos que eram nossos abandonamos sem uma conclusão?

O Editor-Chefe assiste a tudo e observa nossas habilidades

E o que fazemos com o material que temos…

Afinal, Brincalhão e Sapeca nos deram oportunidades de crescimento

Que tipo de história há em nosso livro?

Um romance, terror, dramas, comédias?

Somos mesmo os autores de cada capítulo?

O quanto escrever nossa história tem implicado em apagar a história de alguém?

Se parecer sem sentido, se machucar, olhemos para o alto, “sopremos”

E um anjo virá nos ajudar…

Alda M S Santos

Transformações

TRANSFORMAÇÕES

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”…

Segundo essa lógica de Lavoisier, nada perdemos, apenas transformamos

Vivemos transformando decepções em aprendizado ou revolta

Tristezas e lágrimas em crescimento ou negativismo

Trabalho árduo em alegria ou apenas cansaço

Ilusões e expectativas frustradas em força ou medos

Injustiças em solidariedade e compaixão ou indiferença

Amor “perdido” em amizade, carinho, esperança ou descrenças e desconfianças

Jovialidade e força em maturidade e sabedoria

Tudo que parece perdido em nós, para nós, se olharmos bem

Na verdade foi transformado com nossa efetiva participação

Tudo se transforma, mas não à nossa revelia

O modo de lidar com nossas “perdas” é o ingrediente base para o que fica

Para aquilo de precioso que trazemos como memórias e saudades

Podemos fazer dessas transformações apenas tristes demolições

Ou grandes e maravilhosas construções…

Alda M S Santos

Um dia nosso sol irá se por

UM DIA NOSSO SOL IRÁ SE POR…

Um dia nosso sol irá se por

Seu brilho descerá calmamente atrás da serra

Com cores lindas se apagando no firmamento

Um dia nosso sol irá se por

Nossos dias serão um entardecer infinito

Com ou sem arrependimentos por quem aqueceu ou deixou de aquecer

E isso não mais irá importar

Um dia nosso sol irá se por

Nossos sorrisos não iluminarão mais nossos rostos

Nossa alegria não mais irrigará nossos corações

Um dia nosso sol irá se por

Levará consigo o chiado de quando quase se afogou em nossas lágrimas

Sem expectativas de um amanhecer por aqui

Deixando um rastro de luz, vida e brilho por onde passou

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje

E quando isso acontecer, não irá doer

Não importarão as partes escuras enfrentadas

As lembranças nas sementes que fez germinar

E a luminosidade que deixou noutros corações

Serão o suficiente para nascer noutro lugar

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje…

Um dia, quando eu me apagar por aqui

Espero nascer um pouco em você, em vocês

Que me amaram e que eu um dia amei…

Alda M S Santos

Moldados pela vida

MOLDADOS PELA VIDA

Não há nada que nunca mude, que nunca se transforme

Até mesmo as pedras, as rochas, inertes e imóveis no mar

Sofrem total interferência do meio

Aparentemente firmes e fortes, a água, o sol, o sal, os ventos

A matéria orgânica, animal e vegetal a modificam

A água abre reentrâncias, provoca sulcos, invade espaços

Quando não há, contorna, passa por cima e, ainda assim, é atingida

Adquire novas cores, novas formas, novo relevo

Muitas vezes nocivo, que corta fundo quem se aproxima

Causa dores, escorregões e tombos

Uma pedra nunca está totalmente isolada por estar parada no mesmo lugar, inerte

Cedo ou tarde, ela será “outra” pedra

Somos pedras sendo moldados pelas águas da vida em seu ir e vir incessante

Ora turbulentas, ora calmas, ora violentas e sempre incansáveis da vida…

Podemos escolher fazer parte, ou sermos modificados à nossa revelia…

Alda M S Santos

Ele nasceu e eu vi

ELE NASCEU E EU VI…

O Rei Sol nasceu às 06:28, 26/07/18 e eu vi

Não como o percebo, sem notar, nos outros 364 dias do ano

Mas no alto do Pico do Papagaio, a 982 m de altitude na Ilha Grande, Angra dos Reis

Despertei à 1:30 da manhã para uma trilha de 7000m de subida íngreme na mata

Para essa caminhada que teve início às 2:17h foram 10 trilheiros valentes

7 nacionalidades: Brasil, França, Alemanha, Bélgica, Canadá, Chile, Argentina

3:30h mais tarde, muitas árvores, troncos, rios, pedras,

Vagalumes, lua, esquilos, suor, pequenas paradas de 2minutos

Respiração ofegante, parcerias, goles d’água, apoio de um cajado

Chegamos às 5:45h no cume do pico, vento forte, frio de gelar

Mas a vista maravilhosa na madrugada escura

Calava qualquer cansaço, qualquer dor, qualquer desconforto

Corações acelerados, todos sentados numa pedra escorregadia e perigosa

Aguardavam ansiosos ao nascer do sol mais lindo de nossas vidas

Às 6:28h ele começou a despontar e logo reinava grandioso

Lindo, sabedor de sua grandeza e poder

Várias línguas o saudaram…

Rei da vida, rei do céu, criado pelo Rei dos reis

E nós, desafiando nossos limites e a natureza

O homenageamos com nosso deslumbramento…

Às 7:20h, aos 51,8 anos de idade, num grupo cuja média era 30 anos

Superei meus limites, agradeço a Deus

E iniciamos a descida forte já sob ele, enxergando tudo, terminando às 9:45h.

A nós todos nota 10!

Quem disse que números são frios?

Eles podem ser emocionantes!

E viva o Sol e seus súditos!

Alda M S Santos

 

Onde há mar

ONDE HÁ MAR

Onde há mar, amar é fácil

Os sonhos são leves e a realidade vem em ondas calmas

Ou se vier forte e derrubar nossos castelos

Achamos divertido e construímos de novo

Onde há mar, amar é fácil

Se a maré ficar alta, mesmo havendo ressacas

Lembramos apenas das calmarias

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo “temperados” com tanto sal

As doçuras de cada um se sobressaem

Onde há mar, amar é fácil

À beira d’água qualquer caminho é leve e suave

E, se o cansaço chegar, um mergulho relaxante é o suficiente para se renovar

Onde há mar, amar é fácil

Debaixo de um céu tão intenso e tão azul

Nossas nuvens cinzentas ficam envergonhadas e se recolhem

Fazer amor é deliciosa e sutil consequência

Onde há mar, amar é fácil

Ainda que as águas estejam geladas

Mergulhamos fundo, saltamos ondas, lavamos a alma

Onde há mar, amar é fácil

Faça sol ou faça chuva,

O calor vem de dentro de nós

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo nas noites escuras, sentimos sua força, podemos ouvir seu chamado

Onde há mar, amar é fácil

Desde que tenhamos decidido à priori que seria assim

Que o amor seria prioridade…

Alda M S Santos

Mar aberto

MAR ABERTO

Em mar aberto, água em movimento lento e sensual por todos os lados

Céu azul abrigando asas fortes de pássaros a plainar, certos de sua beleza e liberdade

Ou de vento forte a nos dar a sensação de paz, cabelos aos vento

Sol a aquecer a pele, o balanço calmante da lancha

A rasgar as águas velozmente em busca de uma ilha

Sob nós, nas águas verdes e convidativas, peixes e toda espécie marinha

Cercados de vida por todos os lados

Seguimos, cada qual no seu habitat

Sentindo sua força e fragilidade

Vidas fortes e seguras em seus espaços

Vidas frágeis e em risco se tiradas dali

Peixes fora da água, pássaros fora do céu,

São como humanos fora do chão, coração vazio

Bastaria um mergulho na direção errada

Do pássaro, do peixe ou do homem

Para tudo se acabar

Flertamos com a morte todo o tempo

Só não podemos nos deixar atrair pelo desconhecido

Só não podemos nos apaixonar…

Em mar aberto, ou em qualquer lugar

Sempre de coração aberto para a vida…

Alda M S Santos

Chave e fechadura

CHAVE E FECHADURA

Sonho de cem entre cem pessoas:

Encontrar alguém que lhes “complete” em todos os aspectos:

Físico, emocional, espiritual…

O que muitos desconhecem, e sofrem, é que isso não é imediato

Talvez apenas o físico, mas é, sim, uma construção diária.

Trabalho para toda a vida!

Para cada fechadura, o seu segredo

Para cada segredo, a sua chave

A chave e a fechadura podem muitas vezes emperrar

Perder o jeito, o lado certo, o modo de encaixar

Não casar adequadamente

Mas se for limada com jeito e perseverança

O encaixe poderá se dar, sem machucar

As portas da felicidade e da paz serão abertas

Se de todo modo não encaixa, a fechadura não é essa

A chave é outra, pertence a outro.

O amor é a chave universal.

A única que sabe qual porta pode ser aberta.

Infelizmente, alguns a esquecem no chaveiro, perdida entre tantas outras

Ou estragam chaves e fechaduras em impróprias, erradas e vãs tentativas!

Alda M S Santos

Fios invisíveis

FIOS INVISÍVEIS

Imagino a vida assim

Repleta de fios invisíveis saindo de nós

Em forma de energia e calor

Como as luzes de sensores infravermelhos

Em paralelas, diagonais, transversais

Perpendiculares,

Atraindo alguns, repelindo outros

Gerando luz ou descargas elétricas, curto-circuitos

Ligando seres afins, unindo pessoas

Conectando almas, acionando a vida que há em nós

Vida que precisa de recarga diária…

Conecte-se à fonte do amor!

Alda M S Santos

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