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Depressão

A ausência de nós

A AUSÊNCIA DE NÓS

Depressão é não sentir presente

O aliado que nunca poderia faltar: nós mesmos

Aquele sem o qual todos os outros perdem o valor

A ausência de nós mesmos nos impede de identificar outras presenças

Muitas vezes, e inclusive, a presença da vida

Depressão nos rouba de nós mesmos

Nos faz nos desconhecer

É o roubo mais cruel que pode haver

É retirar o fluido vital, a alegria, a satisfação, o prazer

De um corpo que insiste em ficar de pé sem combustível

Mas age robótica e mecanicamente

Curar um depressivo é encontrar e devolver a ele

Esse fluido essencial que não se sabe onde está ou para onde foi

Perdido dentro de si mesmo…

Alda M S Santos

#setembroamarelo

#prevencaoaosuicidio

#disque188

Fim de semana

FIM DE SEMANA

Sexta, sábado e domingo

Dias da semana associados a prazer e alegria

Fugida da rotina, da corrida frenética por não se sabe o quê

Descanso, sossego, lar, soneca, churrasco, família para alguns

Baladas, noitadas, bebidas, passeios, viagens, grandes programas para outros

Solidão, televisão, um livro, igreja, músicas para outros

Um novo vocábulo surge: “sextou”

Dando início a algo “novo e maravilhoso”

Euforia total que leva muitos que não seguem a corrente ao desespero

À tristeza com gosto amargo de solidão e abandono

A medicamentos controlados, alucinógenos, drogas

É quando o autoextermínio mais aumenta

Entre aqueles que se enfurnam a fazer um balanço da vida

E, frustrados, “invejam” o que os outros “têm” ou estão fazendo

Em quantos se divertem, comem pipoca debaixo do edredom

Vão a cinemas, viajam, fazem amigos, fazem amor…

Mas a balança estraga, pesa só o negativo para si e o positivo para os outros

E, paradoxalmente, os vazios são muito mais pesados

Focar no que é, aparentemente, presença no outro

É evidenciar a ausência em si mesmo

E isso acaba sendo doentio e ineficaz

Não existe nada e nem ninguém tão feliz e tão completo

Nem tão infeliz e tão incompleto

Comparações não são benéficas, são contraproducentes

Nada há de errado com o fim de semana de ninguém

Desde que nele se busque estar em paz consigo mesmo, sem ferir ninguém

Independente das vidas alheias

Todos estamos nesse grande barco aprendendo a remar, a nadar…

Até o cais final…

Alda M S Santos

Trem de doido

QUE TREM DE DOIDO!
“Trem de doido” é algo impressionante, surpreendente, fora do comum
Isso no bom sentido que tomou…
Uma expressão de mineiro,
surgida em Barbacena
Trens de doidos eram chamados os vagões que despejavam centenas de “loucos”,
Ou aqueles que fugiam aos padrões sociais, nos pavilhões do manicômio de Barbacena.
Trem de doido era o transporte que levava aqueles que fugiam ao “normal”,
Assustador, desumano, cruel.
Trem de doido é a capacidade do ser humano de excluir uns aos outros
Trem de doido é o modo como tratavam esses seres segregados
Trem de doido é a ausência de indivíduo, de ser humano, apenas um bloco de pessoas
Eu disse pessoas?
Trem de doido é carregar o peso de terapias de eletrochoque e lobotomia
Trem de doido é a sensação de aperto que fica no peito
Por não poder reverter o curso dessa história (des)humana
Trem de doido é querer voltar no tempo e limpar tanta sujeira
Trem de doido é imaginar Aparícios, Josés, Marias e Marianas
Da nossa família, ou não, chegando nos trens ou nos lombos de cavalos
Apenas um nome num livro gigante e amarelado, data de internação e falecimento
Informações nem sempre confiáveis
Trem de doido é tentar impedir as lágrimas que rolam sem cessar
Trem de doido é ver o quanto estão presos dentro de si, como parte daquele lugar
Trem de doido é sentir que bastaria ser diferente
Para ser ali jogado, esquecido e realmente ensandecer.
Trem de doido é saber quantos “perdidos” dentro de si
Apenas por serem diferentes
Ainda hoje são considerados insanos!
Que trem de doido!
Alda M S Santos

Pedidos de socorro

PEDIDOS DE SOCORRO

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Pedidos tão barulhentos quanto uma sirene

Ou tão silenciosos como uma lágrima que cai

Crianças precoces sempre de agenda lotada e irritadiças

Jovens perdidos em tantas “opções” de vida moderna

Trancados em seus quartos, “góticos”, marcas roxas debaixo de lenços

Idosos “protegidos” em suas fantasias e remédios

Sorrisos, lágrimas, saudades, abandono

Adultos espremidos entre a infância e a velhice

Solitários entre tantas obrigações e cobranças, entre tanta gente necessitada

Escondidos em suas tarefas, fugindo em seus smartphones

Atrás de amigos virtuais nas telas dos PCs na solidão da madrugada

Todos “gritando” por socorro

Quem é capaz de ouvir?

Cada qual gritando sua dor de um modo

No andar, no olhar, no se esconder, no se mostrar

Na solidão autoimposta, nas atividades excessivas

Nas rebeldias constantes, nas drogas lícitas ou ilícitas

Na irritação desmedida, nos vícios diversos

Quem é capaz de ouvir?

A dor atinge a todos, o grau é variável, de “normal” a patológico

No sentir e no demonstrar

Mas há sempre uma “droga” a nos salvar

Até que não haja mais salvação

Quem é capaz de ouvir?

“Ouvir” a dor do outro é um modo de nos enxergarmos também

E, talvez, conseguirmos nos salvar…

É preciso olhar devagar, demorar-se na dor do outro

Mergulhar fundo na própria dor

Até não mais temê-la, até conseguir diluí-la…

É preciso a pureza e confiança de uma criança para “herdar o reino do céu”

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Alda M S Santos

Medo da morte

MEDO DA MORTE

Morte, tão desconhecida e tão temida

Aquela que, mesmo sendo perda de tempo, por natureza, lutamos contra

É destino certo de todos nós

Ao menos a morte física

Mas mal sabemos que morremos todos os dias

Que tiramos vida de nós e dos outros

Quando não confiamos, quando fugimos, quando traímos

Quando acreditamos em mentiras,

Quando não nos tocamos com o sofrimento do outro

Quando alimentamos discórdias e tristezas

Quando criamos muralhas em torno de nós

Quando ignoramos a luz brilhante que se apresenta

Tantas vezes por temer a morte nós a atraímos mais e mais

Morremos quando evitamos a vida para não morrer

Morremos quando lamentamos a vida que não temos

Morremos quando invejamos ou desejamos a vida do outro

Ignorando a vida que está presente em nós

Morremos quando deixamos de amar, de nos entregar para não sofrer

De enxergar a vida que nos cerca por todos o lados

Em forma de pessoas, de seres vivos, de natureza, de sentimentos…

A vida pulsa no centro de nós como um milagre diário, não nos isolemos

A morte, apesar de certa, não precisa nos levar antes da deterioração do corpo

Não precisamos desejá-la!

Muitas vezes morremos por dentro, muito antes do corpo

Morremos diante de nosso corpo vivo

Essa morte é assustadora!

Alda M S Santos

Insanas produções

INSANAS PRODUÇÕES

Sofrer é um modo louco, insano de viver

Foge ao controle de qualquer ser humano

Cada qual lida como consegue, como suporta

Compulsivamente, muitas vezes, amargamente, noutras

Fechando-se em si mesmos, usando alucinógenos variados

Exigindo muito de si, fisicamente, em atividades esportivas

Hibernando, mergulhando no mais escuro e profundo do ser

Criando, desenhando, pintando, compondo

Plantando ideias de amor, de fé, de compaixão

Sofrimento insano gerando obras de artes

Plásticas, da literatura, da música…

O quanto de lindo deixado para a posteridade não é fruto de sofrimento produtivo

Como ostra produzindo lindas pérolas

Como lagartas em casulo transformando-se em borboletas leves e coloridas?

Não temos como fugir ao sofrimento

Inclusive ao sofrimento de quem amamos, que dói muito também em nós

Mas podemos usá-lo como combustível, inspiração, força

Escolher o que queremos fazer com ele:

Insanas e lindas produções artísticas

Ou loucas produções bélicas, destruições próprias e alheias…

Na verdade, fingir que o sofrimento não existe

É que é o modo mais insano, doloroso e improdutivo de sofrer…

Alda M S Santos

O fim do mundo

O FIM DO MUNDO

“Esse fim do mundo me decepciona”

Ouvi certa vez e pus-me a refletir

O que seria a decepção maior nesse caso:

O modo cruel, traiçoeiro e torturante como o fim se aproxima?

A angústia pela demora ou ausência real de um fim tão proclamado e profetizado?

A tristeza tão profunda de alguém por permanecer aqui enquanto aguarda ansiosa por esse fim que “nunca chega”?

A tortura da espera por algo tão doloroso que não se cumpre

Só pode ser assim tão decepcionante

Se o agora estiver mais temerário que o fim apocalíptico!

Triste viver!

Alda M S Santos

A dor mais doída

A DOR MAIS DOÍDA

A dor mais doída é certamente a que sentimos no momento

Podemos até com certa sensibilidade imaginar a dor do outro

Mas, se nunca a sentimos, não dá para mensurar com precisão

Porém, penso ser unanimidade:

A dor mais doída é aquela que remédio não cura

Uma ida à farmácia e uma cesta de medicamentos não amenizam

Para as dores do corpo há remédio: agudas ou crônicas

Mas para as dores da emoção, da alma, do coração

Não há ida à drogaria que cure!

Aquela mágoa com o outro que aperta o coração

Aquela decepção que inunda olhos e alma

Aquela culpa ou frustração que minam a autoconfiança

A saudade daqueles que se foram sem volta

As dores mais doídas dentro da gente ninguém mensura

As dores mais doídas são as da tristeza e mágoa

Escurecem os olhos, apagam o sorriso, afastam-nos de nós mesmos

A ida à farmácia deve ser substituída por um passeio longo dentro de nós, todos os recantos…

E acreditar que encontraremos um caminho claro e bonito

E seguir…

“A tristeza é como um rio

Se estancada, ela aprofunda.(Pe Fábio de Melo)

Alda M S Santos

Socorro

SOCORRO

“Socorro! Help-me!”

Quantos pedidos de socorro ouvimos, atendemos

Quantos ignoramos, não entendemos?

Nem sempre tão traduzidos assim em palavras

Uns muito óbvios, gritados, implorados, verbalizados claramente,

Telefonemas, mensagens, bilhetes, lágrimas

Outros calados nos lábios, gritados nos olhos, nas ausências, no silêncio, nos vícios

Nas mudanças de comportamento, na depressão…

E notamos apenas em retrospectiva, quando algo grave ocorre

Como uma tempestade que dá muitos sinais antes do aguaceiro desabar e inundar tudo

Nuvens negras, raios, trovões, vendavais

E corremos a procurar abrigo…

Sabemos dos estragos de outros tsunamis!

Tempestades internas se formam perto de nós

Dentro daqueles que amamos, dentro de nós

E não somos tão astutos para fechar as janelas, recolher as roupas, desviar, fugir, nos preparar

Muitas vezes, sem perceber, nos expomos, deixamos que se exponham a elas

Não nos atentamos para os pedidos de socorro, os alertas do tempo…

A meteorologia pode ser uma boa aliada se quisermos salvar vidas!

Alda M S Santos

Foto: Everaldo Alvarenga

E ele esperava

E ELE ESPERAVA

Debaixo daquele dilúvio ele esperava

Olhos distantes, completamente encharcado por fora

Sozinho numa mesa de bar na calçada

Por dentro tudo parecia opaco, seco, sem vida

Um guarda-chuva ao lado esquecido

Que importava? Ele também estava esquecido por todos

Girava nas mãos o copo de pinga

Mexia-se apenas para pedir para enchê-lo novamente

Queria molhar-se tanto por dentro quanto por fora

E esperava…

Não se sabe pelo quê ou por quem

Se interpelado, sorria triste, com olhos vermelhos

“O mundo ainda acaba em água”…

Dias, semanas, meses e anos foram sedimentando a tristeza ali

Estava preso naquele calabouço “seguro”

Cuja fechadura só abria por dentro

Mas a chave tinha que vir de fora, da fé que não tinha mais em ninguém

Da fé em si mesmo afogada em mágoas

E mantinha sua vida parada no sinal vermelho daquela esquina…

E ele esperava…

Alda M S Santos

Dores

DORES

Ponho-me a observar uma borboleta que borboleteia feliz no jardim

Os pássaros que cantam em total diversão e voam dos galhos das árvores para o comedouro

Cachorros cochilando na varanda, ora correm, ora saltam, balançando o rabo, alegres e fiéis

Irracionais, parecem não ter qualquer tipo de dor ou angústia

Concluo que deve haver algo de muito sagrado nas dores humanas

Posto que não há humano que viva sem elas

Certamente é uma forma de “purificação” a que os animais estão isentos

Estamos sempre a lutar contra uma delas

As dores físicas, orgânicas, são inúmeras

As famosas cefalalgias e diversos tipos de “algias”

Aquelas que sabemos apontar onde dói e medicar

Há ainda as dores de tristeza, de angústia, de saudade, de desamor

Dores que ferem lá no fundo e não identificamos a origem

Dores psicológicas, mentais, emocionais, existenciais

Aquelas que o médico não encontra no RX ou na tomografia

As mesmas que a maioria das pessoas olha e diz

“Fulano é feliz, não tem problemas, sempre sorrindo”…

Há ainda as dores do outro que carregamos como nossas

São do outro, mas ele está tão dentro da gente,

Que dói em nós também…

Por essa perspectiva, se tudo que dói em nós

Dói naqueles que nos amam

Dá pra calcular o sofrimento de Jesus

Ao sofrer com nossas dores

Particularmente aquelas autoinflingidas, que nós mesmos buscamos

Por desconhecimento, ignorância, descuido, ou autoflagelo…

Sei lá!

Mas que às vezes dá vontade de ser uma borboleta

Ah, isso dá!

Alda M S Santos

Muitas maneiras de estar sozinho

MUITAS MANEIRAS DE ESTAR SOZINHO

Um dos grandes temores de todos nós: a solidão

Tantas são as maneiras de se estar só

Cercados de gente, numa festa ou num bar

No trabalho, na academia, no lar ou na igreja

Pode-se estar mais só que sozinho no quarto,

No alto de uma montanha, num hospital, numa casa de repouso ou numa praia deserta

Solidão é estado interior, é negação da própria presença

Se dentro estiver vazio ou mal preenchido

Se não houver amor próprio e boas lembranças

Consciência limpa e fé no caminhar, no porvir

Podemos nos cercar de tudo e de todos

Que a sensação de solidão persistirá

Antes de buscar superar a solidão com companhias

Transferir para o outro a responsabilidade de nos preencher, que é nossa

Precisamos estar bem com nossa própria pessoa,

É com ela que sempre poderemos contar…

Alda M S Santos

Janeiro Branco: Saúde Mental

JANEIRO BRANCO: SAÚDE MENTAL
Qual nosso primeiro pensamento numa foto dessas
No alto das pedras, o mar revolto lá embaixo,
Céu de intenso azul, brisa gostosa nos cabelos,
Água morninha a acariciar a pele,
Alguns banhistas, um sol brilhante e quente?
Ou sequer notamos esses detalhes?
Como nos imaginamos ali?
A saúde de nossa mente permite vários modos de ver e sentir essa imagem
O quanto ela é capaz de nos tocar, animar, alegrar, enternecer, entristecer…
Aquela pessoa sorridente perto de nós pode estar precisando de ajuda!
Pode estar sofrendo calada!
Depressão, ansiedade excessiva, fobias não são para se brincar!
Estenda a mão! Seja a ponte!
E nós mesmos? Como estamos?
Alda M S Santos

Angústia

ANGÚSTIA

Peito apertado, vontade de ficar apenas deitado

Ou sair de cena, desligar por uns tempos, hibernar

Sensação de angústia, vontade de chorar…

Quantas vezes nos sentimos assim

Sem sequer saber exatamente quais os reais motivos, as razões?

Os modos de lidar conhecidos não funcionam

Ler, escrever, assistir filme, dormir, ouvir música…

Quando conversar com alguém, rezar, ajudar os outros, pouco auxiliam.

Tudo parece fora de lugar, desconectado!

Lá fora parece tão grande, mas não nos cabe

Cá dentro está apertado e nos machuca…

Queremos apenas um cantinho na nossa medida

Que tenha chuva e tenha sol,

Que tenha lágrimas, mas também tenha sorrisos

Que tenha Deus, prazer de viver

Que tenha quem nos ame,

Que tenha quem amamos

Que a gente se encontre de novo nessa nau…

Alda M S Santos

Chuva e lágrimas

CHUVA E LÁGRIMAS

Escorria ininterruptamente no para-brisas sem cessar

O limpador passava rapidamente, meio furioso e limpava

Escorria intermitente no rosto dela o tempo todo

Ela sequer pensava em limpar, deixava escorrer…

Chuva e lágrimas, o carro e ela

Embaçando o vidro, embaçando dentro dela

O mundo lá fora seguia seu curso

Uma linda canção parecia traduzir tudo

Que se passava no exterior e no interior

Do carro e dela…

Combinação cinzenta harmônica e perfeita

Chuva e lágrimas insistentes lavando, limpando, irrigando

Na esperança de desembaçar e trazer novo brilho

Nova vida…

Alda M S Santos

Vida e Morte

VIDA E MORTE

Nascer e morrer, morrer e nascer

Extremos de uma mesma história,

Ou parceiros nessa caminhada?

Partes comuns de uma mesma vida,

Ou pontos antagônicos?

Por que temos tanta dificuldade em lidar com a morte?

Ela está perto de nós todo o tempo

Quase tanto quanto a vida!

A vemos na natureza: plantas e bichos, água, ar, fogo, terra

E vezes demais entre os humanos também: renovação

A diferença é que morte entre plantas e bichos quase sempre vemos como “natural”.

Aceitar a ideia da morte não significa, necessariamente, desvalorizar a vida!

Acostumar com a morte pode nos fazer ter uma vida plena

Da qual sabemos que terá fim a qualquer momento,

Independente de nossas vontades ou desejos.

O que não é natural é desejá-la mais que a vida.

A morte não deveria nos meter mais medo

Mas a vida nos meter mais coragem!

Alda M S Santos

Meu Sol me abandonou

MEU SOL ME ABANDONOU

Meu Sol hoje não me acordou

Não me chamou carinhosamente para a vida

Não me mostrou a beleza que há lá fora

Não me garantiu que essa dor passará

Que essa parte do caminho é válida

Não admirou meu sorriso ou secou minhas lágrimas

Não me convidou a passear no jardim

Não sinto seu calor a me aquecer lentamente

Não vejo seus raios dourados

Não percebo sua energia brotando dentro de mim

E ainda ontem se punha tão lindo em meu horizonte

E irradiava de manhã num maravilhoso alvorecer interno

Não quero me levantar enquanto não senti-lo!

Quero o escuro debaixo de meus cobertores

A segurança de minha cama

O apoio de meus travesseiros

Se não vejo cores, não sinto o calor

Não percebo a beleza, fico aqui

Até que ele possa me acordar de novo todas as manhãs

Abrir as janelas de minha alma

Ou que consiga me mostrar

Que a nebulosidade e a chuva

E a vida em cinza

Também podem ser vida…

Alda M S Santos

À beira do abismo

À BEIRA DO ABISMO

Todos podem, por vezes, sentirem-se à beira do abismo

Andando na corda bamba

Sob o fio da navalha

Pisando em ovos…

Qualquer pisada em falso

Um momento de distração

Uma brisa mais forte

E tudo vai para o brejo

Cai-se para o fundo do abismo,

A corda se parte, a navalha corta

Os ovos se quebram…

Nem sempre é adrenalina, quase nunca é divertido

Desgaste que vai cansando,

Levando ao recolhimento, à introspecção,

E tantos caem no escuro da depressão!

Quantos pertinho de nós podem estar assim?

Saberíamos se fôssemos nós a ficar assim?

Alda M S Santos

Quase morrer

QUASE MORRER

Não se expor, não falar, não demonstrar, não pedir ajuda,

Não se expressar, se fechar, se calar, se esconder, ser forte…

Ficar cada um na sua! Bem pequenino, quase invisível!

Recolher-se para dentro de si mesmo!

Essa é a ordem! Que nos impõem, que nos impomos.

Até quando?

Até esquecermos como é ser autêntico.

Ou até esse mundo insano entender que vida não se oprime,

Que vida oprimida é quase morrer, ou matar!

Quantas mortes são necessárias para se valorizar uma vida?

Alda M S Santos

Um dia de cada vez: só por hoje!

UM DIA DE CADA VEZ: SÓ POR HOJE!

A máxima dos grupos de ajuda

Das pessoas que sofrem qualquer mal

Quer seja mal físico, emocional, dependência química, vícios, é:

Um Dia De Cada Vez.

Só por hoje!

Só por hoje vou ser forte!

Só por hoje vou resistir!

Só por hoje não vou querer!

Só por hoje terei coragem!

Só por hoje não terei saudade!

Só por hoje não vou sentir medo!

Só por hoje não vou sofrer!

Amanhã será novo dia e novamente: só por hoje.

Assim fica mais fácil vencer qualquer dor, tristeza, sofrimento, saudade…

Pensar em lutar contra algo para sempre é tempo demais!

E se houver recaídas, tudo parte novamente daí.

Humanos erram, caem, levantam e seguem…

Humanos acreditam, mesmo sofrendo!

Por isso, quase sempre vencem…

Alda M S Santos

Perdas

PERDAS

Sempre sabemos lidar com perdas: as perdas alheias.

Para elas sempre temos algo a dizer, a aconselhar.

Mas quando a perda é com a gente, tudo muda de figura.

Não importa que tipo de perda seja: material, pessoal, humana…

Sempre irá doer, sempre irá machucar!

Perde-se emprego, casa, saúde, animais de estimação,

Amigos, familiares, amores…

Perde-se a paz, o sossego, a fé, a alegria!

Por que nunca somos ensinados a perder?

A família, a escola, a igreja, todos nos ensinam a conquistar.

Isso porque a teoria da perda de nada vale!

E, quase sempre, é essa teoria que passamos para os amigos “perdidos”.

Mas somente quem vivencia a perda é capaz de aprendê-la na prática.

Aprende-se a perder, perdendo: chorando, gritando, se recolhendo, sofrendo.

Não é lição que se ensina, é lição que se aprende só!

E o tempo que leva para se recuperar,

Depende do modo de ser de cada um.

Alguns rapidamente superam, esquecem, e a vida segue normal.

Outros demandam muito mais tempo, muitas lágrimas, muita tristeza…

Respeitar o próprio jeito, a própria dor, é fundamental no processo de cura!

Alda M S Santos

Minando

MINANDO

Algumas coisas têm o dom de nos minar as forças

De sugar nossas energias, de nos deixar no caos:

Dores físicas nos tiram o foco, o raciocínio,

Sustos nos atropelam, nos lançam fora de órbita,

Sorrisos excessivos nos mantêm na “alegria” forçada,

Lágrimas intensas ou represadas nos deixam secos, apagados,

Dores da alma são capazes de nos lançar no fundo do poço.

Mas, tudo isso, se bem trabalhado e respeitando o tempo de cada um,

Pode ser extremamente benéfico e trazer nova luz e alento.

Afinal, somos baldes nessa vida: um eterno descer e subir de poços.

Alda M S Santos

Decepções

DECEPÇÕES

Decepções são como nuvens escuras, carregadas

Passam, deixam uma tempestade de lágrimas

Vão embora, o Sol volta a brilhar

Mas nunca mais sobre as mesmas criaturas!

A tempestade lava a inocência

O Sol vem para secar as má(aguas)

E manter a vida em curso…

Alda M S Santos

Labirintos

LABIRINTOS

Não encontrar a saída

Não conseguir voltar ao início

Andar em círculos, avaliar

Revisitar espaços, tontear

Buscar a infância perdida

Ora estar feliz, ora triste

Até esse labirinto se tornar

A única realidade palpável

A morada mais próxima de um lar

Que existe dentro de si mesmo!

Alda M S Santos

Abandonados

ABANDONADOS

Sensação ruim entrar num lugar onde tudo está coberto,

Fechado, seco, inerte.

Até as cores parecem ter se acinzentado.

Como nos filmes de catástrofes da natureza, cenas apocalípticas.

Impressão que nada restou, sequer oxigênio.

Cheira a tristeza, a cinzas.

Se o lugar for conhecido, íntimo, pior se torna.

Lembranças de momentos de vida, de barulho, agitação, alegria.

Certa vez um amigo definiu assim a depressão,

E eu disse a ele:

Qualquer cor combina com cinza,

Vá colocando uma cor de cada vez, sem pressa, e tudo voltará a se colorir novamente.

Um sorriso, por exemplo, é azul como o céu,

Sorri pra ele. E ele sorriu…

Tudo pode melhorar, basta acreditar, investir e aceitar ajuda.

Alda M S Santos

Cansaço

CANSAÇO

Tudo bem que há pessoas e pessoas, modos diferentes de ser, 

Mas, às vezes, cansa…

Ser a pessoa que sempre engata a primeira marcha,

A que gira a chave na fechadura,

Ser a pessoa que abre a porta, escancara as janelas,

A que dispara o saque, que dá o primeiro pontapé,  

Aquela que busca, que vai atrás, que se empenha, dedica,

Ser sempre a primeira a dar o bom dia,

Aquela que lança os sorrisos,

Ser aquela que diz “tudo bem”?

Aquela que propõe passeios ou aconchegos,

Ser aquela que inicia uma conversa, 

A primeira pessoa que estende a mão, que oferece o abraço.

Sensação de que se fechar a boca, para palavras e sorrisos,

Não abrir portas, deixar a vida no ponto morto,

O mundo pararia à sua volta,

Cheira a descaso, a desvalorização…

A primeira a sempre fazer tudo pode se cansar,

E ser a primeira a chutar o balde!

Alda M S Santos

Dores

DORES

Uma sombra escura, uma luz que não clareia,

Um sorriso que não ilumina, uma palavra que nada diz,

Uma fome insaciável, uma sede não identificada,

Um silêncio inoportuno, uma distância forçada,

Uma mágoa contida, um olhar apagado,

Um amor não correspondido, um desejo represado,

Um sonho tão sonhado, não realizado,

Um tempo tão longo, tão improdutivo,

Uma realidade dura, crua, não digerível,

Uma esperança que morre, por fim.

Ausências, ausências, ausências…

Uma energia que se esvai e se esgota,

De onde tudo deveria brotar…

Alda M S Santos

Esconde-esconde

ESCONDE-ESCONDE
Sabem aquela sensação de estar sempre só
Em meio a tantas pessoas?
Sentimento de não ser compreendido ou aceito,
De não encontrar seu reflexo em ninguém?
Tal culpa ou responsabilidade
Não pode ser imputada a ninguém.
Ninguém, exceto a nós mesmos.
Quando não nos encontramos em nós,
Não “permitiremos” que ninguém nos encontre.
Não chega a ser dolo, apenas culpa.
Não há intenção de nos esconder de nós mesmos,
Tampouco dos outros.
Apenas falta perícia para nos fazermos achar,
Habilidade de nos refletirmos em nós mesmos,
Para encontramos nosso reflexo no outro.
Brincadeira de esconde-esconde de adulto
Nem sempre é divertida!
Alda M S Santos

Pare o mundo que eu quero descer

PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER

Pare tudo! Parece que há dias em que as notícias ruins são piores! 

E não é só o dólar que sobe, a bolsa que cai, a corrupção que aumenta, o desemprego que atinge índices galopantes, déspotas disfarçados de republicanos que assumem o poder.

Bem pertinho de nós amigos são assaltados, gente próxima passando fome, mulheres que sofrem violência em casa, avós que assumem netos e bisnetos, crianças esquecidas em sua infância, pessoas queridas estão longe, pessoas indesejadas muito perto…

Aumentaram mesmo ou eu que estou “escolhendo” ver por esse ângulo?

Pare esse mundo que eu quero descer! 

Quero ver coisas lindas! Quero a energia das crianças, as histórias das vovós, o abraço caloroso dos amigos, a compaixão e a bondade dos seres humanos, a paixão dos amantes.

Quero sentir a alegria brotar em mim!  

Quero levar o meu sorriso a qualquer humano que precisar…

E o mundo pode voltar a girar…

Alda M S Santos 

Estoque de amor

ESTOQUE DE AMOR

Nosso organismo é perfeito. Mantemos um estoque de reserva. 

O que vem em excesso em alimentação, após metabolismo e geração de energia, acumulamos em forma de gordura para períodos de vacas magras. Precisou, o corpo libera a energia reservada automaticamente. 

Mas, e quanto ao nosso coração, nossas emoções, nossa alma? 

Temos conseguido, após usar e usufruir, estocar, reservar sorrisos, carinho, atenção, amor, companheirismo, doces palavras, beijos e abraços? 

Se analisarmos que um alimento, após metabolizado, é descartado, e que o bem estar advindo de um abraço não se perde, deveria ser mais fácil usar esses que aqueles. 

Mas não é o que acontece! 

A diferença é que o estoque emocional precisa ser buscado conscientemente. Momentos bons vividos, que ficam gravados em nossa alma, podem e devem ser acionados. 

Nos momentos em que o coração doer, a tristeza e apatia quiserem fazer morada em nós, busquemos em nossa alma um estoque de sorrisos, carinhos, amor e doçura. 

A alma é mais sábia que nosso organismo. Nada descarta. Mas precisamos buscar.

Que saibamos também abastecê-la de sentimentos maravilhosos! 

Somente assim estaremos salvos quando o período for de balanço e reconstrução. 

Alda M S Santos 

Atropelados pela vida

ATROPELADOS PELA VIDA
Tantas vezes somos atropelados pela vida. Caídos, outros “veículos” ainda passam por cima, caçoam, “filmam”, chutam cachorro morto. Quando tudo que queremos é um jornal para nos cobrir!
É, a vida pode ser cruel, às vezes. Imunidade baixa, todos os nossos monstros internos ganham força. Por isso parece que tudo vem ao mesmo tempo: desemprego, desilusão amorosa, brigas familiares, saúde frágil, caixa em baixa, amigos ausentes…
Pensamos em desistir… Entregar os pontos, jogar a toalha, aceitar o game over.
Tudo torna-se seco, cinza, sem vida! Fechamo-nos para o mundo.
Aí aparecem as almas caridosas com os velhos conselhos: vai passar, sacode a poeira, levante-se, chorar não vai adiantar…
E nossa vontade é gritar: pare, deixe-me com minha dor! Eu quero chorar, quero me entregar, quero ficar afundado nesse sofá por quanto tempo me aprouver!
Esse momento de “luto” é importante. Nele processamos o que perdemos, o que restou, o que devemos buscar. Fazemos nosso balanço interno antes de reabrir as portas para o público.
E nossa força, aos poucos, ressurge. E vai crescendo.
De onde vem essa força? O que a aciona? Quem dispara esse gatilho?
Cada um é cada um, mas vamos aprendendo técnicas para lidar com o sofrimento. Cada qual busca a sua: família, leituras, passeios, atividade física, chocolate, músicas, orações…
Duas ajudas são fundamentais e universais.
Primeiro: os amigos, aqueles mesmos, os dos velhos conselhos. Não sejamos tão duros com eles, não fazem por mal, do seu jeito, querem apenas ajudar.
Segundo: Deus. Ele é um só e olha por todos, independente do tamanho do nosso problema. Se nos incomoda, se pedirmos, Ele nos ajuda e nos atende.
Quando estivermos derrubados no meio da estrada, mesmo que seja difícil, tentemos lembrar disso. Pode diminuir o período de luto e irrigar a força. Ela brotará mais rapidamente.
Alda M S Santos

Quero ficar aqui!

QUERO FICAR AQUI! 

Ah, quero ficar aqui. 

Coração angustiado, cabeça pesada, corpo dolorido, vontade de hibernar como um urso. Tempo indeterminado.

É preciso que o desejo de nos “levantarmos” apareça primeiro no coração, na mente, para que o corpo obedeça.

Vontade de ficar aqui! 

Por quê? Sei lá! 

Ignoro o -“Vamos, um lindo dia te aguarda lá fora!”- que ouço de uma vozinha interior. 

Quero o direito de me entristecer, de chorar, de me lamentar, de gritar, de ter dúvidas, de ser preguiçosa, se for o caso. 

Quem disse que precisamos ser fortes todo o tempo? 

Quero virar para o canto, enfiar-me embaixo do edredom, voltar-me para mim mesma. 

Tantas vezes precisamos dessa limpeza! Que seja à base de orações, reflexões, lágrimas ou cama! 

Que o trabalho espere! Que o mundo espere! 

Eu sem mim mesma não sou nada para ninguém! 

Até breve! 

Alda M S Santos 

Valorizando a vida

Setembro Amarelo: quantos indivíduos sabem o que isso quer dizer?

Temos visto divulgados na mídia casos de suicídio que nos alarmam e impressionam. Pais de família que matam esposa e filhos e se matam em seguida, jovens que têm “tudo” e, do nada, tiram a própria vida. Tantas vezes, para nós “normais”, por motivos banais. Os dados são alarmantes. Apenas no Brasil são 32 suicídios por dia, segundo dados do CVV(Centro de Valorização da Vida). Mais que mortes por câncer ou Aids.  

A morte por suicídio tem sido estigmatizada, como foram as mortes por sífilis e Aids. Evita-se falar do assunto. Considera-se fraqueza moral, não doença.

O Setembro Amarelo vem como uma campanha de alerta para salvar as pessoas dessa morte anunciada. 

Ninguém se mata de uma hora para a outra. Essa ideia vem germinando na mente dos indivíduos, crescendo, sendo alimentada, amadurecendo por uns tempos. Podemos ter ao nosso lado, todos os dias, uma bomba relógio, prestes a explodir, e sequer percebermos. 

Num mundo em que parece que temos tudo à mão, acesso às informações, educação, lazer, saúde, recursos materiais, físicos, tecnológicos e terapêuticos, nos falta o principal: o recurso humano. 

Com tantas facilidades conquistadas seria de se esperar que a vida fosse mais valorizada. Mas o tiro tem saído pela culatra. Conquistar e manter certos bens e direitos tem criado dois grandes problemas. Primeiro, é um terreno propício para germinar muitas doenças mentais que levam ao suicídio, como depressão, bipolaridade e dependências químicas. Segundo, cria seres alienados, com viseiras, que olham só para frente e não veem o olhar do ser humano ao seu lado que grita por socorro. Quando vê, ignora, não quer se envolver, não tem tempo, paciência ou habilidade, ou ainda reclama: ” fulano só anda emburrado e de mau humor”. São exatamente esses que ficam mais abismados com tantos casos de suicídio. 

O Setembro Amarelo vem pra cutucar mesmo, provocar, induzir os doentes a buscar ajuda e os saudáveis a oferecê-la. Sem pretensão de querer prever o futuro, uma hora podemos ajudar, noutra podemos precisar de ajuda. Precisamos aprender a identificá-los e ajudá-los. 

Vamos preservar a vida: a nossa, a dos outros. 

Alda M S Santos

Vontade de sumir

Quem nunca teve essa vontade, em alguma fase da vida, que atire a primeira acusação. 

Não importa a causa, a razão ou a ausência de motivação… Nem se para o outro não é motivo bastante. O que devemos considerar é que quando temos esse pensamento estamos sofrendo. Estamos lidando com algo que, ao menos no momento, julgamos que seja superior às nossas forças. Várias podem ser as causas: um prejuízo financeiro, perda de emprego, de um amor, de uma amizade, uma doença… 

Somos únicos e lidamos de modo único com nossos problemas. Pode ser que tenhamos acumulado coisas demais e a gota d’água tenha sido uma briga com o companheiro. Desse modo, pode parecer que o desejo de sumir seja sem propósito e repentino, mas só quem o vive sabe o peso que tem.

Há, obviamente, os casos graves de depressão, em que esse desejo de fugir surge com mais frequência. Esses casos, além da ajuda de familiares e amigos, torna-se necessário também o tratamento terapêutico e espiritual. 

Mas quando ocorre entre os dito “normais”, apenas alguns cuidados devem ser tomados. 

Precisamos respeitar esse grito de nossa alma. A vontade de sumir é um pedido de socorro, um grito de pare, me dê um tempo. Muitas vezes, tudo que precisamos é fugir para dentro de nós mesmos. Pode haver coisas demais em conflito lá dentro, precisando sair, se organizar… Fazermos uma faxina emocional. Descartar coisas, guardar outras com carinho, tirar algumas de evidência. Talvez precisemos de ajuda externa, mas muitas vezes precisamos só de nós mesmos. Chorar, gritar, ouvir música bem alto, orar, isolar-se, dirigir sem rumo, até mesmo viajar por uns tempos. Respeitar nosso tempo. Até nos encontrarmos conosco mesmos. A vontade de sumir é a vontade de nos reencontrarmos. No fundo, sabemos que nosso lugar é onde estão aqueles que amamos e que nos amam. 

Muitas vezes, ao ouvir isso de alguém, nossa tendência é “segurar” os que desejam ir. Não adianta. Eles precisam de tempo para se encontrar. Devemos apenas estar por perto para ampará-los, abraçá-los, amá-los, quando voltarem.

Certo é que onde quer que a gente vá, levaremos conosco nossa mente, nosso coração, nossa alma…e tudo e todos que lá estiverem. Que a gente vá, se encontre e volte ainda mais forte! 

Alda M S Santos

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