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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Quando a gente cresce

QUANDO A GENTE CRESCE

A vida muda quando a gente cresce
Tudo parece diferente quando se amadurece
Talvez o brincar já não seja tão espontâneo
Já nao é tao fácil o prazer momentâneo

O Sol lá fora era o bastante com um amiguinho
Criança fazia seu dia, sua alegria, seu caminho
Adulto precisa de várias boas combinações
Para não mergulhar em dolorosas situações

Precisamos aprender a valorizar a simplicidade
Deixar fluir nas relações a verdade
Esconder sentimentos não é boa pedida, é maldade

Vamos nos encantar com a natureza
Criar em nosso entorno mais beleza
Agradecer a Deus o que recebemos de bandeja

Alda M S Santos

Templos de várias estações


TEMPLOS DE VÁRIAS ESTAÇÕES

Passa o tempo bem contadinho
Marcado em vários pedacinhos
Verões de luz, sol, energia que seduz
Primavera de flores, quentes amores
Outonos e invernos chegando de mansinho
Um desafio para coração que está sozinho

A mente viaja, passeia, quase naufraga
Lembra de outros tempos, se embriaga
Lá fora as estações estão bem demarcadas
Cá dentro tentamos entender essa invernada
Os momentos em que nosso jardim perfumava
Tudo era cor e leveza, suavidade que encantava

Em qual ponto as folhas começaram a cair
Desnudando nossa alma, quase fazendo desistir
Tempos de mergulhos em nosso rico interior
Hibernando, evoluindo para encarar o exterior
A consciência da natureza que há em nós
A riqueza de entender e desfazer os nós

Somos também templos de várias estações
Descobrindo a beleza de nossos corações
Indo de encontro a nossa própria compreensão
Seja em outono, inverno,  primavera ou verão
É bom saber que temos a nós mesmos por aqui
Isso dá forças e esperança para poder prosseguir

Alda M S Santos

Céu e inferno

CÉU E INFERNO
Ansiamos pelo céu, tememos o inferno
Mas ambos estão muito pertinho de nós
Na verdade, ambos estão dentro de nós, ou nós dentro deles
Estamos no paraíso quando experimentamos boas sensações
Amor correspondido, amizade sincera, família unida
Corpo e mente saudáveis, paz conosco mesmos
Tudo lá fora torna-se lindo, colorido, brilhante, mesmo com raios e trovões, gelo ou nuvens pesadas…
Isso é paraíso.
Experimentamos o inferno quando não temos sintonia conosco, com os outros
Quando faltam empatia, amor, amizade, sossego
Quando sobram culpas, autoflagelos, dores, males físicos e mentais
Autopiedade, desconfianças, desamor, escuridão
Lá fora pode ser um espetáculo maravilhoso, sol quente, amor, natureza viva
E nós de olhos cerrados nos sentindo destruídos …
Isso é inferno.
O céu e o inferno, se fossem um lugar específico
Se tivessem que ser localizados num mapa
Seriam dentro de nossa própria mente, de nossa consciência
No mais íntimo de nossa alma
E depende de nós entrar ou sair de cada um deles
Fazer malas, mudar, deixar pra trás o que fere, ainda que com sofrimento
Mudanças sempre são dolorosas
E não precisamos morrer para isso…
Alda M S Santos

Como criança

COMO CRIANÇA

Quisera ter a almejada e permanente confiança
Aquela que há no sorriso de uma criança
De que será firmemente  segurada
Quando for para o alto lançada

Como criança queria não temer chorar
Ou poder falar tudo que machucar
Questionar o que não está tão legal
E buscar uma brincadeira que não faça mal

Quisera saber derrubar os muros do coração
Pedir ajuda se o joelho esfolado doer de montão
E buscar colo, arrego, quando pedir a emoção

Ter a agilidade infante de escalar a árvore no quintal
A inocência e alegria de se molhar num temporal
E saber que tudo passa,  como todo vendaval

Alda M S Santos

No banco de trás 

NO BANCO DE TRÁS

Nossa vida passa por momentos de alternância, muitas vezes sem percebermos. 

Nossa maneira de lidar com esse revezamento natural determina nossa paz diária.

Numa fase, temos o controle de nossas vidas, estamos ao volante, guiamos para onde queremos, do jeito que queremos.

Nossos filhos viajam atrás, confortáveis em suas cadeirinhas, ou já sentados no banco de trás. 

Aceitam o destino por nós escolhido. Confiam, se entregam, observam, aprendem. 

Sonham com o dia em que ocuparão o banco do carona ou, melhor ainda, do motorista. 

E chega a hora em que eles passam para a frente, nós passamos para o banco de trás. 

Aí muita sabedoria é necessária. De motoristas e passageiros. 

Passageiros precisam confiar no novo motorista, nos ensinamentos que eles receberam e relaxar. Não interferir tanto. 

O “controle” de certa forma está com eles. 

Motoristas necessitam saber que os passageiros, outrora motoristas, ainda que estejam menos ágeis ou espertos, não desaprenderam o que sabiam. Ainda podem ensinar algo.

São necessários aqui muita tolerância, respeito, gratidão.

Essa relação acontece dentro dos veículos e fora deles. 

Pais e filhos precisam reconhecer que à medida que crescem e envelhecem a situação pode se inverter ou, no mínimo, mudar. 

Aceitar que em qualquer idade todos podem aprender, podem ensinar. 

Num dado ponto notamos que não há supremacia de um sobre o outro, apenas admiração e amor. 

E um pouco de bom humor também não faz mal a ninguém. 

Sabemos que chegará o instante em que nem estaremos mais nesse carro. 

Outras crianças estarão no banco de trás e o ciclo recomeçará. 

Boa viagem! 

Alda M S Santos 

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