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Esperando para ser feliz

ESPERANDO PARA SER FELIZ

“Depois de uma vida de trabalho, quando chega a hora de curtir, de viver, adoece”-ouvimos tantas vezes!

Ou “dedicou a vida aos outros, quando poderia ocupar-se de si mesma, perde tudo”…

Muitas são as histórias parecidas, mudam os protagonistas! 

Não quero fazer uma apologia ao egoísmo, ao modo inconsequente de vida, mas deixar de curtir, de viver, de ocupar-se de si, de se divertir, esperando o momento “ideal” não é boa pedida!

Esperar para ser feliz depois de qualquer momento: formatura, casamento, divórcio, um novo emprego, nascimento ou casamento dos filhos, uma herança, um salário melhor, aposentadoria, é contar com os ovos no fiofó da galinha. 

Nossa felicidade não pode ser depositada na conta de um evento ou momento. Ela precisa ser contínua. Debitada dia-a-dia em nossa conta-corrente. Enquanto há saldo. 

Todos os momentos são ideais! 

Necessário é encontrar um modo de ser feliz todo o tempo com o que tem, com o presente. Apenas ele é certo. 

Esses momentos “especiais” podem maximizar nossa felicidade, mas colocar todas as nossas fichas e esperança neles é dar um tiro pro alto, é nublar o sol dos momentos atuais!

Não esperemos! O amanhã é apenas expectativa.

E expectativas quase sempre são frustrantes!

Alda M S Santos

Relações light, diet ou zero? 

RELAÇÕES LIGHT, DIET OU ZERO?

Qual seu amor ou amigo mais antigo?

Num tempo de relações fugazes nos apegamos a quem?

Quem ainda tem um amigo de infância, da adolescência?

Quem ainda está com o amor da juventude?

Talvez mais recentes: quem convive com amigos da faculdade,

Os padrinhos de casamento, os compadres?

Até o convívio prazeroso com primos e irmãos muita gente não tem.

Quase sempre temos colegas ou conhecidos

Aqueles amigos confidentes ficaram nos meio-fios do passado

Os passeios de bicicleta viraram gifs nos smartphones

Os amores quentes, de beijos ardentes e amassos furtivos,

Ficaram nos alpendres das casas ou nos bancos da praça da igreja

E não vale culpar apenas o tempo, ou a falta dele.

A questão é que as relações são mesmo difíceis.

Nada é tão perfeito! São relações humanas!

Humanos são imperfeitos! E relacionar-se envolve dedicação, empenho.

Cada relação é construída dia-a-dia nas diferenças

Abraçando as semelhanças, aparando algumas arestas

Aceitando alguns pés ou olhares tortos,

Um sorriso murcho, uma gargalhada escandalosa

Um compromisso ou uma memória mais ou menos

O que não pode é carinho, afeto ou amor mais ou menos

São eles que dão a liga a toda relação feita para durar.

Relação exige alimento, coisas que deem substância

Num mundo onde tudo é light, diet ou zero

Uma relação de abraço forte, sorriso doce

E amor integral é quase uma ofensa!

Prefiro uma refeição completa, demorada, nada de fast food!

Antes viver “obesa” de amor e feliz!

Que ter que me contentar com amor “light” e amizades “zero”

FORA DIETAS!

Alda M S Santos

Simples livros?

SIMPLES LIVROS?

Todo bom leitor tem um jeito particular de ler

Sentado, deitado na cama, na rede, no ônibus.

Rápido, lentamente, grifando, voltando atrás

Dando umas puladas por curiosidade…

Quer interagir, sugerir, interferir, participar.

Dependendo do livro, fica triste com o final

Continua imaginando a história em sua mente

Cria outros finais mais felizes, retira personagens, acrescenta outros.

Quase sempre quer que outros leiam, empresta, doa

Ou sente ciúmes daquela história e quer guardá-la só para si.

Alguns livros ficam esquecidos num canto empoeirado da estante

Sob as almofadas do sofá, numa gaveta qualquer,

Ou, mais queridos, ficam na cabeceira da cama, na bolsa

Alguns, cuja história é especial, ficam guardadas na mente,

Na alma, no coração, para sempre.

Não precisam da versão impressa, estão impressos em nós.

Cada pessoa de nossa vida é como um livro que lemos.

Há histórias grifadas, mexidas e remexidas,

As complexas e densas, que não se deixam ler facilmente

As fáceis e agradáveis de ler e interagir, as engraçadas, as tristes.

Nossa mente e nossos corações são nossas estantes

Alguns desses livros não queremos mais ler, outros estão guardados com carinho,

Há aqueles que são revisitados no fundo das gavetas,

Outros se confundem com nossa própria história, se mesclam, se fundem.

E, os mais interessantes, ainda estão sendo escritos

Ainda que a gente não se dê conta, a história continua

E é uma obra aberta com participações especiais.

E quem disse que não gosta de ler?

Alda M S Santos

Nosso lugar

NOSSO LUGAR

Num jardim, como deveria ser, havia várias flores, todas lindas!

Numa parte reservada, algumas rosas recebiam água, nutrientes e eram protegidas das intempéries, de visitantes e invasores.

Eram perfeitas, poucas, lindas, mas qualquer vento as destruía.

Outras, mais à mostra, também eram cuidadas, podadas, adubadas, mas não se misturavam. 

Só ficavam entre suas iguais. Enfeitavam parte do jardim e tinham seus admiradores. 

Havia ainda outras que recebiam menos cuidados, estavam mais pro centro do jardim, enfrentavam o sol escaldante, a chuva, visitantes e algumas “pragas”. 

Todos podiam tocá-las, sentir seu perfume, admirar sua forma e cores.

Qualquer observador poderia ver que essas eram flores fortes, meio selvagens, que além de belas, cresciam e se alastravam.

Conosco também é assim. 

Quem muito se preserva, fica lindo, perfeitinho, mas, escondidos, falta-lhes algo, perde o melhor da festa. 

Não se misturar mantém a pureza, mas perde-se a possibilidade de crescimento com os demais.

 Quem está no meio da “bagunça”, no centro do canteiro, interage, perde folhas, flores, se espeta, espeta os outros, sofre nas tempestades, mas vive tudo de melhor que o jardim oferece.

Cada qual escolhe o lugar que melhor se adapta nesse jardim.

Alda M S Santos

Ponto de Equilíbrio

PONTO DE EQUILÍBRIO 

Quando tudo parecer desabar, pode procurar!

Um, ou vários, dos pontos de equilíbrio, nosso centro de apoio 

Estará empenado, ruindo ou já despencou.

É preciso observar e nos perguntar:

Em quais pontos se apoiam nossa segurança?

Nossa alegria, nosso sorriso, confiança, fé, prazer de viver?

O que ou quem perdemos?

Em quem ou em que não podemos mais confiar?

Precisamos identificar e reconstruir as bases desse tripé:

Amigos? Amores? Família?

Trabalho, saúde, fé?

Cada qual tem o seu. 

Ainda que precisemos nos apoiar em dois pés desse tripé por um tempo.

Sobrecarregá-los temporariamente nos ajudará a reconstruir o outro.

É preciso recuperar a alegria de viver, a autenticidade, a autoestima,

Sem elas, o restante corre sério risco de desabar tudo de uma só vez! 

Alda M S Santos

Despertar

DESPERTAR

Despertar…soninho depois do almoço.

Não basta acordar, abrir os olhos, ouvidos, Atenção! shshshsh…

É preciso acordar a alma! 

Tudo se ouve, tudo se vê, tudo se sente…

Família de canários que canta agitada sobre mim, batendo as asinhas,

Uma motosserra cruel ao longe, 

Um bando de maritacas escandalosas que sobrevoa pertinho,

Uma mãe que grita “Pedroooo”!

“Um dia a areia branca, seus pés irão tocar…”, Roberto Carlos canta romântico no sítio afastado,

Por aqui, um assiste baixinho, ao mesmo tempo, um filme no tablet e ao compacto do desfile das Escolas de Samba do carnaval,

Outro treina músicas no teclado usando fones,

Há aquela que, dedicada, cuida do jardim com seu alicate de poda, 

Um galo canta forte no quintal ao lado, 

O vento que anuncia chuva balança as árvores,

Mangas caem do pé num som seco, 

Calangos disputam corrida no telhado, 

Galinhas d’angola propagam sua fraqueza,

A cadelinha de todo mundo tenta lamber meus pés e emite ganidos querendo atenção,

Cigarras nervosas cantam anunciando- será sol ou chuva?

Um beija -flor barulhento e lindo beija a flor ao lado da minha rede. 

Isso aqui é um local de silêncio.

Quietinha e recém desperta, pude identificar cada som, em poucos minutos de observação,

Inclusive os silêncios que se agitam em mim.

Exercício de atenção!

Ao identificar os barulhos à nossa volta,

Treinamos para identificar os barulhos internos.

Fazemos sua classificação: descartar, ignorar, reavaliar, melhorar, dar mais atenção…

Alda M S Santos

Culpas e responsabilidades

CULPAS E RESPONSABILIDADES

Todos nós somos acometidos por elas em algum momento da vida.

Quanto mais regras e normas de conduta carregamos, 

Quanto mais corretos e precavidos tentamos ser, mais o risco de as carregarmos em nossas bagagens.

Ninguém está livre ou isento, posto que somos humanos!

Errar, machucar, machucar-se, consertar, tentar de novo, errar outra vez, sempre fará parte de todo aprendizado. 

Análises, julgamentos, veredictos: culpados!

Nós mesmos prevemos grandes punições e sanções.

Acreditamos que os outros merecem,

Acreditamos merecê-las! 

Temos em mente a lei do retorno, da colheita, do “aqui se faz, aqui se paga.”

Vale lembrar que o grande Mestre do amor apregoa o perdão.

Se Ele é capaz de nos perdoar, após arrependimentos e mudança de atitudes,

Deveríamos ao menos ser mais complacentes com os erros dos outros, 

E, particularmente, com os nossos, e tentar de novo, sempre.

O tempo vai nos ensinando de quais perigos nos manter afastados ou vigilantes: animais, situações, pessoas…

Por mais bonitos ou convidativos que possam parecer.

Bagagens carregadas de culpas atrasam nossa caminhada,

Não são bons materiais de construção,

Impedem vivências ricas e maravilhosas. 

Peso inútil, descartável!

Alda M S Santos 

Caça e caçador

CAÇA E CAÇADOR

Aprender a sentir a direção do vento,

A perceber a luz, a aproveitar a sombra

A desviar-se dos obstáculos, a usar a força do outro contra si mesmo

A andar leve e atento sobre terrenos perigosos,

A ser silencioso e se camuflar quando necessário, 

A fazer barulho para se proteger

A considerar o medo como alerta, a nunca subestimar o inimigo 

A ser ágil e veloz na fuga ou busca de algo

A saber focar seu alvo, ou desviar-se de sua mira,

A não desconsiderar as próprias fragilidades e respeitar os próprios limites, 

A adquirir força e resistência nessa empreitada, pois 

Ora somos caça, ora caçadores,

E a mesma luz do luar ou vento leve que favorece a caça, 

Também favorece o caçador. 

Vence o mais hábil e melhor preparado. 

Alda M S Santos   

Meditação

MEDITAÇÃO

Simples ato de afastar qualquer pensamento da mente 

Voltar-se para a própria respiração

Para dentro de si mesmo.

Aparentemente simples, básico e natural, 

Não é tão fácil assim!

Nossa mente está sempre carregada

Com os ruídos de fora

Com os movimentos constantes de dentro.

Necessário, porém, principalmente quando se busca algo.

Entendimento, discernimento, calma, soluções, aceitação.

Desenvolve a concentração, melhora a disciplina, reduz o estresse. 

Esse “esvaziar-se” de tudo

Abre espaço para novos brotos germinarem

Mais fortes, mais vivos…

É uma questão de acreditar e praticar.

Pode ser muito prazeroso e benéfico.

Pode crer! 

Alda M S Santos

A arte da comunicação

A ARTE DA COMUNICAÇÃO

Todo ser vivente possui habilidades de comunicação.

Ser capaz de entender, de fazer-se entender.

Variáveis, porém, são os níveis dessa habilidade.

Palavras ditas ou escritas transmitem muito, mas pode haver uma interpretação cruzada.

Expressão corporal é fiel, mas de difícil análise, se não houver certa intimidade.

Olhares falam muito, praticamente tudo, mas numa linguagem que não é qualquer um que sabe ler.

Sorrisos espontâneos dizem tudo, mas há muitos forçados por aí.

Lágrimas passam imagens de dor extrema, nem sempre reais. 

Um toque é um complemento importante de comunicação, ameniza a “força” das palavras ou as complementa. 

Um abraço ou um beijo dispensam quaisquer outros recursos.

No silêncio e intensidade de um abraço ou de um beijo somos capazes de dizer tudo que queremos.

Quanto mais demorados e mais silenciosos, maior a comunicação.

Não são sempre utilizados, pois desnudam o transmissor e receptor.

Não é admissível dizer que não se conhecem, duas pessoas que trocaram entre si um abraço ou um beijo sinceros.

A arte de se comunicar é desenvolvida: palavras, expressões corporais, olhares, sorrisos, lágrimas, toques, beijos e abraços…

Lamentável que muitos tentem disfarçá-las.

Isso torna o mundo mais confuso e triste. 

Alda M S Santos

Apenas uma gotinha

APENAS UMA GOTINHA

Somos apenas uma gotinha infinitesimal 

Em meio aos mais de sete bilhões de habitantes desse planeta.

Somos apenas mais um em meio a povos famintos de alimentos, de água, de saberes, de saúde.

Somos apenas mais um em meio a povos “evoluídos” intelectualmente, financeiramente, culturalmente…

Somos apenas mais um em meio a povos “religiosos” que se matam em nome de um Deus que acreditam obedecer.

De uma ponta a outra dessa Terra, podemos ser tão diferentes que nem pareceremos humanos uns perante os outros.

Mas uma coisa nos iguala: a necessidade de ser importante na vida de alguém.

Todos, todos nós buscamos isso, queremos isso, fazemos qualquer coisa por isso.

Passar por aqui e não ficar impresso na alma de alguém é ser finito.

Essa característica básica deveria ser capaz de nos aproximar mais uns dos outros, ao invés de nos afastar.

Selecionamos tanto, escolhemos tanto, afastamos muitos! 

Uma coisa é certa: não somos melhores que ninguém!

Apenas uma gotinha num vasto oceano.

Mas ser importante para alguém nos torna o próprio oceano.

Alda M S Santos

Na mente…

NA MENTE…

Será quantos possuem a habilidade de criar mentalmente o que desejam?

Capazes de antever o que se quer, se busca?

Projetar, mentalmente, ideias, pensamentos, objetivos, sonhos?

Esse “dom” antecipa de certa forma o futuro

Satisfatório e estimulante até certo ponto

Pode se tornar frustrante se gerar estagnação.

Por mais “real” que uma imaginação seja, rica e fértil

Estará sempre aquém do real. 

Ideal é a união de ambas: imaginação e realidade.

Alda M S Santos

Simplesmente, pessoas

SIMPLESMENTE, PESSOAS

Algumas pessoas são tranquilas, absortas em si mesmas, mundo particular, aparentemente desligadas do cosmo ao redor delas.

Quase nada as atinge.

Outras, sérias, demonstram aparente repugnância por tudo à sua volta. São nobres, “superiores”.

Não se misturam aos mortais.

Há aquelas que, alegres, se envolvem com todos. Empáticas, simpáticas, sorridentes, extrovertidas. Exalam amor.

Querem abraçar o mundo. Atraem a todos.

Também existem aquelas que são “astros”, possuem brilho próprio, encantam, encantam-se.

Muitos se sentem como satélites orbitando em volta delas.

Causam atração em muitos, inveja à maioria. 

Todos querem, de algum modo, como todo satélite, refletir parte de seu brilho.

Finalmente há aquelas de fases, como a lua. 

São todas pessoas, afinal! 

Nessa imensa galáxia, há lugar para todos. 

Todos têm importância e valor para a beleza e amplitude cósmica.

Interação aumenta a beleza. 

Perceber o lugar dos outros nos faz encontrar o nosso próprio espaço mais facilmente.

Alda M S Santos

Sob meu telhado

SOB MEU TELHADO

Vida que nasce, cresce, se desenvolve

Absorve tudo de bom à sua volta

Aprende, junta forças, coragem,

E se prepara para o primeiro voo.

Medos? Receios? Poucos.

Procura ignorar a imensidão lá fora 

Tão convidativa, tão amedrontadora!

Quantos pássaros temos em nós 

Encantados com o novo, desejosos de aventurar-se

Buscar aquilo que faz bem,

Mas com receio de voar?

Quantos ainda estão presos sob nossos “telhados”?

Alda M S Santos 

Sobre o amor

SOBRE O AMOR

O amor é o sentimento mais complexo que existe. 

Tanto que muitos não escolheriam vivê-lo, se pudessem.

Ele carrega consigo a carga da perfeição. E isso é muito difícil de lidar. 

Além do mais, há vários tipos, intensidades, além da necessidade de aliados para se manter. 

Outros são bem mais fáceis. 

Ódio é ódio e pronto! Feio, mas “puro”! Sem misturas. Não há tipos de ódio. Apenas um, e mortal. 

Amizade é amizade, linda, leve, plural, recíproca, verdadeira. Não exige nada. Quanto mais, melhor.

O amor tem vários tipos e é exigente. 

Há amor declarado, possessivo, amor secreto, amor platônico, amor duplo, egoísta. 

Pode ficar letárgico uma vida inteira, esperando um sopro de vida para acordar. Pode ser assassinado pelo descuido.

Amor exige reciprocidade, exige fidelidade, exige beleza, sensualidade, confiança, respeito, presença constante.  

Amizade pode ser muitas ao mesmo tempo, o amigo pode ser feio, rabugento, desde que te faça sorrir, fica lindo.

O amor exige atenção direta, que desperte paz de espírito e solte borboletas no estômago.

Exige que tenhamos gostos parecidos, romantismo, que caminhemos pro mesmo lado, que coloquemos o outro como prioridade e que nossos olhos tenham apreciação única.

Confunde a mente, aperta o coração, deixa a alma vazia, se não correspondido.

Tão imperfeito, porque vive dentro de seres imperfeitos!

Enquanto quisermos sua perfeição, sofreremos.

Essa é nossa falha! 

Apesar disso, é lindo e poderoso. 

Frágil e delicado como uma borboleta, insistente e barulhento como um grilo, forte e feroz como um leão. 

Pode estar à mão ou distante do nosso toque.

Uma vez sentido, nunca mais iremos querer dele abrir mão.

Uma vida sem amor é uma vida sem cor e sem brilho. 

Alda M S Santos

Que mal pode haver? 

QUE MAL PODE HAVER? 

Que mal pode haver em se fazer escolhas óbvias?

É bom mesmo ficar num ambiente conhecido, onde todos são amigos,

Ao invés de ter que debater, discutir, conquistar e se promover todo o tempo.

Delícia poder dormir a hora que der sono, acordar sem despertador,

Ao invés de ter horário para acordar, afetando, indiretamente , o horário de dormir.

Satisfação pura num banho quentinho, num lago calmo, ou uma rede na varanda,

Ao invés de um mar turbulento, um rio com correnteza ou um salto de paraquedas. 

Prazeroso ficar onde o amor é recíproco, mansinho, as dúvidas inexistem, a confiança é mútua, o abraço é doce, as lágrimas são de emoção,

Ao invés de precisar garimpar carinho, pedir atenção, exigir transparência, chorar de saudade ou incerteza.

Que mal pode haver em optar pela zona de conforto?

De vez em quando, nenhum.

Porém, se o que se deseja é novidade, aventuras, ela não possibilita crescimento, inovações, descobertas.

A zona de conforto é lugar do calmo, do pacífico, do tranquilo, do morno. Nada nela é “demais”.

Não há tristeza demais, dores demais, dúvidas demais, ansiedades demais.

Em contrapartida, também não há alegrias demais, tampouco amor demais, êxtase demais, vida demais! 

Na zona de conforto nao há surpresas, nem calor no coração, nem frio na barriga.

Que mal pode haver?

Apenas o de se viciar numa vida monótona e mais ou menos. Ao menos aos olhos dos mais aventureiros.

Zona de conforto é lugar para se visitar, não para morar…

Mesmo que, às vezes, a gente fique tentado a não sair mais de lá! 

Bom mesmo é respeitar o que o coração pede. Mesmo que isso signifique ficar em trânsito! Lá e cá!

Nisso não há mal algum! 

Alda M S Santos

Baile de Máscaras

BAILE DE MÁSCARAS

O quanto de nosso modo de ser pode ser captado pelo outro? 

Tantas máscaras, tantas maquiagens, perucas, fantasias…

Escondem olhares, disfarçam sentimentos, escondem o essencial

Em pleno carnaval é aceitável.

Porém, a quarta-feira de cinzas chega e o desfile de máscaras e fantasias continua.

Para quê? Autoproteção? 

Quem consegue ver através de tantas camadas?

Não superficialmente, mas perceber a essência? 

Somos sensíveis e observadores o bastante? 

E aqueles tão transparentes?

Quantas críticas! Autenticidade é crime!

Pedras e pedras são lançadas!

Críticas, juízos, muitas opiniões! 

Quase sempre, o número de pedras nas mãos dos “carrascos” é proporcional às máscaras que usam.

Para mim, carnaval dura quatro dias, se tanto.

Fora isso, cara lavada.

“Pedras? Junto todas. Um dia vou construir um castelo!”, já dizia Fernando Pessoa.

E completo: guardarei as lágrimas também.

Podem ser úteis na construção.

Alda M S Santos

Pais e filhos

 PAIS E FILHOS

Pais e filhos: uma relação única, especial, abençoada

Nasce do ventre, mas se alimenta do coração

Carinho que sobrevive e resiste a atritos, excessos, exageros, mágoas

Amor que, se faltar, deixa um vazio que não se preenche por nenhum outro amor.

Amor que se alia a respeito, perdão, união.

Compreendemos melhor o amor dos nossos pais, sendo pais

Na grande roda giratória da vida, “transferimos” aos poucos 

O cuidado aos nossos filhos, para o cuidado aos nossos pais.

Esses, cada dia mais dependentes, aqueles, cada vez mais independentes e autossuficientes.

Se pudermos olhar para nossos pais com menos crítica, com mais gratidão,

Se pudermos olhar para a vida de nossos filhos, com mais compreensão, menos imposição, 

Certamente teremos uma vida mais amorosa, mais leve e feliz.

Afinal, estamos na roda da vida e ela gira todo o tempo até a última parada para descermos.

Remorso e culpa são bagagens muito pesadas e dispensáveis!

Filhos, pais, avós são apenas fases do mesmo amor.

Que possamos viver cada uma da melhor maneira possível.

Alda M S Santos 

Onde estão?

ONDE ESTÃO?

Onde estão os abraços que precisamos?

Aqueles, cujo único interesse é ser e fazer alguém feliz?

Onde estão nossos sorrisos, nosso brilho?

Aqueles, que vêm de dentro e saem invadindo tudo?

Onde estão nossa empatia, nossa alteridade? 

Aquelas, que nos tornam capazes de sentir o que o outro sente? 

Onde estão nossa compaixão e solidariedade? 

Aquelas, que nos fazem ser mais gente, mais humanos?

Onde estão o amor, a amizade?

Aqueles, sem os quais não há vida?

Onde estão nosso sossego, nossa paz?

Aqueles, que buscamos nos outros, mas só encontramos em nós mesmos? 

Buscando em nós mesmos encontraremos todas as respostas! 

Os abraços eu encontrei, e como é bom!

Alda M S Santos

Solitude 

SOLITUDE

Reclusão e introspecção voluntária, benéfica

Disso precisamos quase tanto quanto água

Silêncio acolhedor, analítico, questionador

A capacidade de ouvir nosso interior, rasgar-nos, ao menos para nós mesmos

Encontrar nossos lagos, sombras, luzes e oásis internos

Sem buscar tantas respostas nos outros, nas palavras alheias

Quase sempre elas se encontram no silêncio, nas atitudes

As palavras podem ser duras, cruéis, ofender, magoar, matar

É preciso ausência de ruídos, de barulhos

No silêncio de nós mesmos

Em nossa companhia mais íntima estarão as respostas.

Antes de sermos de qualquer um, somos de nós mesmos.

Alda M S Santos

Entre eles

ENTRE ELES

Estar entre, no meio, comprimida, espremida

Mesmo com todas as habilidades adquiridas

Nunca é confortável!

Ora é o amor que espreme, ora é a dúvida,

As cobranças, ou a insensatez que comprimem.

Num puxa e repuxa, evita tomar partido

Maleável, flexível, resiliente, tenta sempre

Dialogar, falar, pedir com os olhos

Com as palavras, com os gestos,

Com o silêncio, com as lágrimas…

Ainda que tudo que precise e queira

Seja fazer parte, manter as partes unidas.

Mas se fere, se cansa, se machuca,

Dói!

A cada ferida que cicatriza sai mais forte.

Qual é o saldo?

O quanto perde de si mesma?

Será que sai mais feliz?

Alda M S Santos

Jardins

JARDINS

Não há quem não se encante com jardins

Quem não dê uma paradinha, tire uma foto

Faça um carinho ou aspire seu perfume.

Quanto mais cores, perfumes, formas, variedades

Raridade, espessura e textura das flores e folhas

Mais belo e encantador ele será.

Consequentemente, mais visitantes atrairá.

Para um observador casual tudo parece perfeito:

Um excelente jardineiro cuida e dedica seu tempo àquele jardim

Rosas viçosas, hortênsias carregadas, orquídeas singelas

Ervas daninhas e pragas controladas, húmus na medida certa

Borboletas, beija-flores e joaninhas vivem felizes ali.

Já um visitante mais sensível e detalhista notará diferenças.

Claramente perceberá as flores que recebem mais adubo,

Mais água, maior incidência de raios solares, terra mais fofa

Saberá quais as preferidas do jardineiro, com quais ele não se importa,

E quais ele prefere esconder…

Por não compreender, por não saber lidar bem com elas

Ou por saber que atrairiam atenção excessiva, ofuscando as demais,

Pondo em risco até seu próprio trabalho.

Um bom jardineiro cuida bem de todas as espécies de seu jardim

Estuda, dedica-se, faz com que floresçam e apareçam

Não irá deixar uma espécie rara relegada a segundo plano

Sabe que ela poderá se fortalecer e colocar em risco todo o jardim

Essa é a essência de todo jardim: ser belo e encantar com todas as suas espécies.

O jardineiro que entende isso e as ajuda será sempre querido e necessário.

Sabe que como não vive sem seu jardim,

Suas flores também não sobreviveriam longe dele.

Alda M S Santos

Os outros e nós

OS OUTROS E NÓS

Quando quero saber de um amigo o que ele gosta de ler

Se gosta de esporte, de poesia, de filme, de jogos

Quais passeios aprecia, como lida com a introspecção,

Que tipo de música curte, como reage às frustrações

Como aceita as perdas, com quais sentimentos interage melhor

Porque eles são tão rígidos e até duros com algumas coisas,

Tão extrovertidos, brincalhões ou “infantis” com outras

Descobrimos que há muitas coisas que admiramos e outras não.

Sem querer passar por psicóloga de botequim,

Apenas, sozinha, avaliando experiências próprias e observando os outros,

Percebo que quando analisamos o que não apreciamos em nossos semelhantes

E buscamos em nós a resposta para essa “aversão”,

Quase sempre descobrimos que parte do problema está em nós também.

Muitas vezes temos dificuldade em lidar com determinado sentimento

Não porque ele existe no outro, mas por seu antagonismo em nós.

O que o outro é desperta reações negativas em nós

Talvez porque nos alerte para alguma falta, ou nos aponte alguma falha.

Coisas que gostaríamos que não fossem expostas nem para nós mesmos.

Queríamos ser diferentes? Iguais a eles? Talvez sim, talvez não.

E ninguém é completo, melhor ou perfeito.

Somos todos diferentes, e isso é extremamente rico.

Vale lembrar que todos temos algo a desenvolver.

Conviver com o diferente de nós possibilita receber algo, oferecer algo.

E nessa troca se dá o autoconhecimento, o mergulho em nós mesmos.

A melhor maneira de conhecermos e aceitarmos a nós mesmos

É buscar conhecer e aceitar o outro.

A verdadeira aceitação do que somos e do que o outro é com respeito.

“Aceita-me tal como eu sou. Só então poderemos descobrir-nos um ao outro.”(Federico Fellini)

Aprendizagem longa, difícil, nem sempre vitoriosa, porém necessária e prazerosa.

Alda M S Santos

Antecipações

ANTECIPAÇÕES
Dizem que o melhor da festa é esperar por ela
As expectativas que criamos,
Nosso figurino, nossa companhia,
Quem poderemos rever para matar as saudades
A playlist que será tocada
Com quem iremos dançar, as boas conversas
O vislumbre do que poderá vir a ser,
Torna tudo mais agradável, prazeroso
Cria uma ansiedade boa.
Aguardamos uma festa, antecipamos um feriado
Esperamos pelas férias, ansiamos por um encontro
Organizamos uma viagem de fim de semana,
Aquele happy hour com as amigas…
Tudo baseado nessas sensações antecipadas.
Muitas vezes o que antecipamos é melhor do que o real.
Benéfico na medida que prolonga a sensação prazerosa
Prejudicial se fizer sombra à realidade.
Mas ninguém pode nos tirar essa capacidade imaginativa
Tão nossa, tão singular, tão necessária!
Que possamos dar asas a ela e ser felizes,
Afinal, só pode haver sombras onde a luz brilha!
Alda M S Santos

Pequenos prazeres

PEQUENOS PRAZERES 

Um beijo de “bom dia, princesa”, 

A roseira que desabrocha pela primeira vez

O pão quentinho e o café fresquinho

O abraço gostoso de uma amiga

O sorriso gentil de um desconhecido qualquer

O ônibus que passa na hora certa

A música preferida bem alta

Aquele lindo filme tantas vezes reprisado

Andar semi nua pela casa sem se preocupar com olhares curiosos

A gargalhada de uma criança sapeca

A satisfação de um velhinho que se distrai com o plástico bolha

O fim de um livro perfeito

A soneca depois do almoço

O balançar na rede debaixo de uma árvore

A canção entoada pelos pássaros

Pessoas que nos amam ao nosso lado…

São tantos os pequenos prazeres…a todo o tempo.

Eles fazem a alegria de nossas vidas.

Quem muito espera pelos grandes acaba por perder os pequenos prazeres,

Deixa a vida ir e fica para trás com sua rabugice.

Alda M S Santos

No palco

NO PALCO

Todos gostamos de apreciar os grandes espetáculos que acontecem continuamente nos palcos por aí

Satisfação, surpresa, admiração, desgosto, sustos, sorrisos, lágrimas…

Várias são as emoções vivenciadas. 

Mas os espetáculos da vida não acontecem só nos palcos.

Bastidores, camarins e plateias também têm suas histórias

Muito ricas e admiráveis! 

Esperar estar no palco para viver 

Ou acreditar que só se é feliz sob aplausos é ilusão

Podemos também ser protagonistas estando na plateia

Valorizar e aplaudir nosso próprio show

Fora de foco, das luzes da ribalta, grandes emoções acontecem

Quem está atento as aproveita em sua totalidade.

Alda M S Santos

Quanto custa?

QUANTO CUSTA? 

Vivemos num grande, maravilhoso e, por vezes, enganador comércio.

Quase sempre o preço a pagar é em dinheiro, nas várias modalidades que ele se apresenta.

E vivemos comprando: alimento, vestuário, teto, estudo, medicamentos, lazer…

Outros, a aquisição se dá pela troca, o bom e velho escambo.

Um olhar por um sorriso, um abraço por um beijo,

Uma palavra amena por outra bem sábia

Lágrimas por ombro, ombro por colo…

Há outras trocas que se equiparam: amigo por amigo, cuidado por cuidado, ternura por ternura, amor por amor…

No comércio, atenção é fundamental a três coisas:

Estamos comprando o que precisamos? 

Pagamos um preço justo?

Não nos endividamos além da conta? 

Muitas vezes, compramos sem necessidade, por capricho!

Outras tantas, pagamos além, ou aquém, do real valor. Alguém ficará insatisfeito!

Há itens nesse maravilhoso comércio que não temos cacife para comprar! Simples!

Se o preço a pagar, por mais desejado e importante que seja o produto, for nossa consciência, nossa paz de espírito ou daqueles que amamos, não é um preço justo! Não podemos arcar com essa despesa.

Melhor fazer como uma criança que olha na vitrine um brinquedo que não pode ter: brinca com outra coisa, tenta esquecer.

Aquele brinquedo sempre será desejado, será sempre especial.

Ficará na caixa dos sonhos e desejos lindos.

Talvez uma fada um dia o tire de lá e a gente perceba que já pode pagar por ele.

No comércio é preciso paciência e perseverança, como na vida…

Quanto custa ser feliz?

Alda M S Santos 

Denominador comum

DENOMINADOR COMUM
Qual é o verdadeiro denominador comum da humanidade?
O que realmente nos qualifica como seres da mesma espécie?
O que nos “evoluiu” de primatas para homo sapiens?
Homens e mulheres que nascem, crescem, se reproduzem e morrem? Primatas também.
A capacidade de raciocínio e de sentir emoções?
Muito simplista e vago!
Entre o nascer e o morrer é que está a incógnita.
Independente de gênero, idade, raça, credo, cultura ou nível social,
O que nos assemelha são os sonhos, as necessidades, a vontade,
As expectativas que criamos, os objetivos que projetamos.
Desde uma criança da Somália a um idoso do Japão,
Passando por um jovem craque das quadras
Ou por uma moça do crack dos becos
Uma gerente de multinacional ou uma gestora do lar
Todos, todos temos sonhos!
Pode ser desde a facilidade para encontrar o pão ou um teto,
Um emprego decente, uma família unida, amigos verdadeiros,
Um amor que nos complete, nos aqueça a alma e o coração,
A efetivação de uma nova invenção tecnológica,
Ou a descoberta da cura de uma doença fatal.
São diferentes, mas são sonhos. Todos eles!
Expectativas que procuramos concretizar.
Sonhos não morrem, sonhos hibernam em nós como ursos
Ao primeiro barulho acordam famintos e bravos
Prontos para buscar o que precisam para viver.
O dia em que os sonhos acabarem, acabará em nós o brilho,
Acabará em nós a vida e o amor.
Esse é nosso denominador comum!
Alda M S Santos

Abrir mão

ABRIR MÃO
Desde pequenos, somos ensinados a lutar pelo que queremos
Mas pouco nos ensinam a abrir mão, a desistir, a deixar pra lá.
Nossa natureza é, quase sempre, lutadora, guerreira.
Porém, isso não elimina a necessidade de aprendermos a abrir mão.
Em retrospecto, podemos calcular quantas vezes, ao longo da vida,
Tivemos que lutar bravamente após várias quedas ou quase nocautes,
E outras, em que fomos obrigados pelas circunstâncias a abrir mão do que queríamos.
Sabemos que recuar, dar um passo atrás, pode ser um modo de reabastecer as energias.
Dar uma trégua, reavaliar estratégias ou planos de combate faz parte de toda luta.
Guerreiros natos afirmam que é preciso perder uma batalha para ganhar a guerra.
Ou que em toda luta alguns soldados acabam por ser sacrificados.
Porém, atrás de uma barricada segura, precisamos saber quais combates vale a luta.
Muitas estratégias boas vão para o brejo por causa de táticas mal aplicadas ou de soldados mal preparados.
Saber a hora de desistir é tão importante quanto a hora de prosseguir.
Abrir mão de uma conquista de território, de espaço ou de qualquer bem precioso,
Exige muita perspicácia, intuição, treino, sabedoria e abnegação.
Voltar para o quartel, para a base de controle, pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Duas questões se fazem necessárias: Pelo que temos lutado? Do que temos abrido mão?
A primeira delas deve ter um número maior de itens.
A segunda não deve causar tanta dor, sob pena de voltar pra linha de combate.
Alda M S Santos

Água

ÁGUA!

Sempre fui apaixonada por água

Não nado bem, tampouco bebo o bastante

Mas ela exerce verdadeiro fascínio em mim

Não importa como se apresente:

Rio, cachoeira, mar, lagoa, chuva, nascentes…

Posso ficar horas admirando!

Água tem o poder de me acalmar

Molho os pés, a nuca, lavo o rosto, sento à beira

Ouço o barulho suave do rio ou furioso da cachoeira ou tempestade,

Mergulho, sinto seu frescor, lavando tudo.

Tudo é encanto! 

Quero ali ficar até tudo de negativo ir embora

Encher-me de positividade

Restabelecer a confiança, o amor

A fé no ser humano, na vida, em mim mesma

Enquanto houver água correndo,

Haverá encanto, haverá vida. 

Água que nasce, que brota

Que corre, que cai, que vai, me leva…

Em busca de outros caminhos

De outras águas,

Em busca de mim…

Alda M S Santos

Olhar sem vergonha

OLHAR SEM VERGONHA

Há olhos e olhos, modos e modos de enxergar

Já não notamos aquela nuvem que se modela,

A sombra engraçada à nossa frente

As flores viçosas naquele jardim na calçada cimentada

Um casal idoso de mãos dadas

Os olhares opacos de quem passa, o mendigo à margem

A pessoa ao nosso lado, as rugas no rosto de nossos pais

Se um observador atento diz “que lindo o dia”

Ainda pensamos, às vezes, “onde, tá louco”?

Sequer olhamos nosso próprio rosto!

Nosso olhar não se fixa mais, exceto no vazio.

Ou para recriminar e fazer críticas negativas  

O feio está cada dia mais feio,

E o bonito tornou-se corriqueiro.

Acredito que precisamos “deseducar” nosso olhar,

Afastar a superficialidade, o ver sem ver.

Olhar sem vergonhas, sem princípios,

Sem direções, sem tutoriais, sem vícios.

Precisamos olhar com olhos infantis, olhos puros,

Olhos fixos, profundos e deslumbrados…

Olhos que descobrem, desvendam, olhos da alma.

Só assim, o muito visto, se nos apresentará como novo…

E encontraremos beleza em todos os cantos e recantos.

Alda M S Santos

Apenas nosso

APENAS NOSSO

Nascemos sós, morremos sós

É o que sempre ouvimos dos pessimistas!

Outros ainda completam: vivemos sós!

Para esses, digo “nem sempre”.

Como seres gregários, passamos a vida em busca de companhias.

Queremos estar cercados de gente, crescer, caminhar ao lado de alguém

Dividir as tristezas, multiplicar as alegrias, compartilhar o prazer.

Nesse caminho buscamos a harmonia e a sintonia com nossos semelhantes.

Mesmo que seja uma busca infrutífera ou inglória.

Mas há caminhos bem individuais, muito particulares, só nossos.

Aqueles que ninguém é convidado a entrar, a participar.

Ainda que tentem, não encontram porta de entrada.

Nele mergulhamos, buscamos trilhas novas, atalhos,

Ou pegamos o trajeto mais longo mesmo…

Encontramos áreas devastadas pela seca, outras floridas

Irrigamos com lágrimas parte do caminho, e seguimos…

É nele que encontramos as mais belas e prazerosas paisagens,

Dele depende muito o caminho que será traçado quando acompanhados,

Dele advêm nossos maiores prazeres e frustrações,

E é nele que muitas vezes nos perdemos: no fundo de nós mesmos.

Alda M S Santos

Entrega

ENTREGA 

A maioria de nós é muito dona de si mesma.

Autoconfiante, sabe de seus próprios valores, não se deixa intimidar facilmente pela opinião alheia. 

Muitas vezes tida como uma qualidade, pode vir a se tornar um limitador de alegrias, de prazer, de vida.

Os autoconfiantes têm muita dificuldade para confiar em algo além si mesmos. 

Normalmente, os donos de si não adquirem a capacidade de entrega, tão necessária em momentos de prazer, de êxtase.

Fechados em si mesmos, incapazes de se abrir, impedem que o outro chegue, se aproxime, entre.

Acreditam ser um ato de fraqueza precisar ou depender do outro.

Temem se expor à avaliação, à crítica, à dor.

Pode também ser o contrário. Autoestima tão baixa que preferem não se arriscar. 

Um pouco de autocuidado e autopreservação não fazem mal a ninguém.

Porém, uma das maiores alegrias da vida consiste em compartilhar o que temos, o que somos…

Entregar-se, abrir-se para o outro, para o mundo, para a vida pode realmente trazer dores, mágoas e decepções, mas também traz muito amor e alegrias.

A outra alternativa pode ser tranquila demais, morna demais, uma quase morte, uma semivida.

Que tenha sorrisos e lágrimas, amor e decepções…

Que tenha vida!

Alda M S Santos

 

Esculturas na areia

ESCULTURAS NA AREIA

Somos feitos de muitos materiais

Moles ou duros, firmes, ou nem tanto.

Podemos ter a dureza de uma rocha,

A maleabilidade e força da água,

Outras vezes, a resiliência da areia

Que aceita a deformação causada pela brisa

Pelas águas, pelas tormentas,

Mas sempre volta ao seu estado natural

Está ali, vivendo e deixando-se viver…

Certamente sente, se encolhe, se recolhe

Magoa-se, revolta-se, rebela-se,

Muitos entulhos, coisas desnecessárias, pesadas

Podem recair sobre si,

Porém, entende que tudo vem para acrescentar

Ainda que venha carregado de decepções

Sabe que a maior decepção que pode sofrer

É aquela causada por si mesma.

A perda da fé e do amor-próprio.

A perda de sua essência.

Aprendeu que tudo serve para moldá-la

Para criar lindas esculturas!

E segue acreditando que, com sol ou com chuva,

É ela que faz seu próprio brilho!

Alda M S Santos

Escuridão

ESCURIDÃO
As estrelas brilham mais
Numa noite mais escura
Há benefícios na escuridão!
A luz é benéfica, mas, se forte demais, cega nossos olhos.
Distrai nossa mente,
Impossibilita que a gente enxergue algo próximo e, muitas vezes, óbvio.
Na escuridão, somos obrigados a acionar outros sentidos.
Que possibilitem ver o que precisamos
E que não estão ao alcance dos olhos,
Mas dos sentimentos, da nossa alma.
Na escuridão, um pequeno foco de luz que encontramos no fundo de nós,
Tal qual vagalume no breu da noite,
É valioso e ilumina tudo
Lá fora, ou cá dentro…
Alda M S Santos

Fim

FIM

Se existe algo pelo qual ninguém passa inerte, incólume, é o fim.

Qualquer fim. Coisas maravilhosas ou coisas ruins.

Sempre deixarão um vazio, um vácuo, algo a preencher.

Um trabalho cansativo ou prazeroso, o curso na faculdade, 

Uma amizade espontânea, uma visita inesperada,

Um amor possessivo, impossível ou irreal,

Uma viagem na imaginação, um sonho, uma esperança, uma expectativa…

Quanto maior o espaço ocupado em nós, 

Quando chega o fim, 

Maior será o vazio, maior a necessidade de preenchimento.

Não precisa ser ruim, é preciso saber lidar com os finais.

Alguns ofendem, magoam, maltratam, ameaçam,

Decepcionam, morrem, matam, deixam de viver.

Muitas vezes algo que foi prazeroso, vivo, verdadeiro, mas que mudou,

É jogado no mesmo lixo, sem coleta seletiva, tudo no pacote do fim.

Urge saber que há “lixos” aproveitáveis, 

Particularmente o que envolve sentimentos.

Sentimentos se transformam e o fim pode ser apenas um recomeço.

Basta fazer uma boa reciclagem, reduzir a bagagem, reutilizar, reaproveitar

Manter um bom foco e voltar a viver.

Alda M S Santos

Está pesado? 

ESTÁ PESADO?

Engraçado observar o quanto as pessoas pesam

Não é preciso balança alguma, apenas um olhar atento.

Um senhor que parece puxar um caminhão invisível amarrado aos pés,

Uma mulher que aparenta ter alguém sentado sobre seus ombros,

Rapazes que carregam tristeza e ansiedade no rosto,

Meninas que trazem no caminhar o peso da beleza, ou “ausência” dela.

Crianças irritadiças em meio a inúmeras “obrigações”…

Como estamos todos pesados!

Pesam o desejo de crescer, de ser sucesso, de ter muitas coisas,

No menor período de tempo possível.

Pesam em nós as malas de ontem, problemas do passado,

Arriam nossos ombros acontecimentos do porvir,

Carregamos em nós o peso de sentimentos diversos,

Trazemos na bagagem o desejo secreto de agradar aos outros,

Sem, contudo, desagradar a nós mesmos,

E isso pesa mais ainda…

Pesos, pesos e pesos…

Precisamos esvaziar as malas, levar apenas o que for leve.

Passado deve ficar lá atrás, futuro lá na frente,

Presente bem aqui, levinho como uma borboleta…

Se está pesando ou desagradando, é hora de esvaziar as malas.

Deixar apenas o que dá prazer e alegria, ultraleves!

Sentimentos e pessoas boas não pesam…

Tocam em nós como o doce beijo de um beija-flor,

Sentimos apenas a leve brisa, frescor e perfume,

E a paz que deixa em seu lugar quando se vai…

Alda M S Santos

Resisto

RESISTO

Está me olhando, espiando, sempre,

Insistentemente!

Às vezes de longe, outras, bem de pertinho.

Quer me tocar, me levar

Digo “não, não quero”,

Resisto…

Tenta outros artifícios, quer conquistar, convencer, seduzir…

Faz sua auto-promoção.

Cansada, quase cedo, quase me entrego, 

Porém, resisto…

Mas temo, não sou tão forte assim, 

Retribuo o sorriso: “não, obrigada”!

Mais uma vez, resisto.

Acompanha-me em meu dia-a-dia, 

Olho pro lado e lá está!

Quando passeio, me divirto, me alimento,

Quando vou pra caminhada, pra academia ou pra Yoga,

Quando deito ou me levanto, 

Resisto…

Quis ir até pro banho!

Mas hoje dei um basta! 

“Chega, não vou com você”! 

Afinal, estou muito jovem e animada ainda 

Para acompanhar aquela que se apresenta como “melhor idade”. 

Melhor idade o caramba! 

Cheia de limitações, isso sim!

Irritada, mando-a catar coquinhos, 

“Se sua coluna deixar”! 

“Volte mais tarde, bem mais tarde, daqui uns 20 anos, talvez”!

“Nada pessoal, chegará sua hora”!

Temos que resistir, ser firmes.

Ou, possessivos, grudam-se em nós e não querem mais largar.

Enquanto puder,

Resistirei…

Para quando tiver que acompanhá-la, ir sem reclamar,

Sem deixar dívidas ou coisas mal resolvidas…

Melhor idade somos nós que fazemos! 

Quando nos aceitamos, damos nosso melhor,

Com qualquer idade!

Alda M S Santos

Mergulhos

MERGULHOS

Tantos os caminhos,

Mas, às vezes, não os enxergamos..

Olhos tristes, opacos, submersos em nós mesmos.

Porém, vamos tentando,

Indo, fugindo, mergulhando…

Nas profundezas da imaginação

Nem sempre tranquila, nem sempre clara

Mas sempre possível! 

Quem sabe dela pode vir a nascer

Uma trilha linda e prazerosa?

Alda M S Santos

Linha tênue

LINHA TÊNUE

Sentimentos e situações antagônicas fazem parte de nosso dia-a-dia.

A bondade e a tolice, a tristeza e a depressão

A firmeza e a intransigência, o medo e a covardia…

São, quase sempre, dois lados da mesma moeda. Muito confundidos! 

A sensualidade e a vulgaridade, o ciúme e a possessividade, 

A liberdade e a libertinagem, a coragem e a estupidez…

Tentamos manter o equilíbrio e a sabedoria enquanto fazemos nossas escolhas, muitas vezes, inconscientemente. 

A inteligência e a altivez, a obediência e a subserviência

A humildade e a submissão, o amor e o ódio…

Esses que oscilam com mais rapidez!

A moeda é lançada o tempo todo.

Precisamos estar atentos às alternativas.

Há uma linha muito tênue a separar lados antagônicos,

Apesar de sermos, a vida toda, crianças grandes que gostam de colo e aprovação, 

Procuremos seguir nosso coração e ficar do lado certo! 

Alda M S Santos

Backup de nós

BACKUP DE NÓS

Assistindo ao filme “Diário de uma Paixão”

Reflito sobre a fragilidade de nossa existência.

Independente do tempo que vivemos por aqui,

Todos acumulamos muitos dados, muitas memórias.

Possuímos um disco rígido muito potente: o cérebro.

Assim como os computadores com seus HDs.

Como eles, também somos uma “máquina”.

Com o tempo, também podemos apresentar defeitos, avarias.

O HD pode não abrir, não permitir acesso, travar, deletar alguns dados, ou apagar de vez.

Todo especialista da informática aconselha: manter vários backups atualizados.

O mesmo vale para o nosso HD central.

E o fazemos sem perceber de um modo muito especial.

Em cada pessoa que convivemos vamos deixando arquivos

“Salvamos” nelas um pouco de nós: pais, filhos, cônjuge,

Amigos, amores, colegas, vizinhos, até em nossos desafetos

Em todos eles fazemos um pequeno backup de nós

Se um dia nosso HD vier a falhar podemos ser neles “restaurados”

Se ele se apagar de vez, nossa história estará registrada

Em todos aqueles que amamos, que nos amaram.

Devemos cuidar para fazer backups primorosos.

Voltando ao filme: vale a pena assistir.

Uma linda história de amor e backups!

Alda M S Santos

Como as estrelas

COMO AS ESTRELAS

Nossa vida é cercada de pessoas que irradiam luz, 

Que brilham, que aquecem

Como as estrelas…

Somos envolvidos por elas, por seu encanto

Absorvemos com avidez parte de seu brilho, beleza e calor

E, assim, também encantamos,

Como as estrelas…

Mas, tudo que é vivo, tem um tempo de vida útil

Depois se vai, morre…

Assim se dá com as pessoas encantadoras

Elas se vão, morrem, e levam seu brilho consigo

Como as estrelas…

Quanto mais uma estrela emitir luminosidade,

Ou seja, quanto mais liberar energia,

Menos tempo ela durará.

Porém, ainda que se apaguem no cosmo,

Nós só perceberemos anos mais tarde, 

Pois estão a anos-luz de distância nas galáxias

Assim se dá com as pessoas-estrela

Mesmo depois de irem embora, de se apagarem

Sentiremos sua energia dentro de nós, sua presença, seu brilho

E seremos por elas iluminados por muito tempo

Sorte de quem tem ou teve esse privilégio de convívio

Com as estrelas…

Alda M S Santos

Solidão

SOLIDÃO

Solidão não é estar só, mas sentir-se só, mesmo cercado de pessoas.

É como sofrer de insuficiência respiratória, mesmo sabendo que há oxigênio por todos os lados.

É como estar em alto mar, cercados de água, e morrer de sede. 

Não é que falte pessoas, oxigênio ou água.

A questão é que por inadequação das pessoas, do ar ou da água que se apresentam, não conseguimos absorvê-los.

O ar pode estar rarefeito, a água imprópria para consumo, as pessoas sem sintonia, sem comunhão de ideias, sem afinidades entre si. 

O problema pode estar em nós: por deficiência orgânica ou emocional, não conseguirmos processar o ar, a água, as pessoas à nossa volta.

Certo é que não vivemos sem ar, sem água, sem as pessoas. 

Portanto, em prol da vida, jamais podemos desistir de buscá-las.

“Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.”João 4:14

Uma ajuda do Alto também é sempre bem vinda e necessária. 

Alda M S Santos

Processo de Cura

PROCESSO DE CURA

Todos sabemos o quanto dói uma ferida aberta

Um mal ativo, em fase crítica, aguda.

Todo cuidado é pouco para evitar uma patologia permanente.

Precisamos limpar, fazer curativos, trocá-los

Usar cicatrizantes, anti-inflamatórios, antibióticos…

Nessa fase vai doer muito, sangrar.

Não podemos ser masoquistas e ficar cutucando.

Serão necessários técnica e perícia ao tocar.

Depois seca, cicatriza, fica uma marca e apenas uma lembrança.

Porém, se não se passar por esse processo de cura,

O mal pode se tornar crônico e sofrermos com ele a vida toda.

Com os males emocionais dá-se o mesmo.

Ferida aberta na alma não se mexe, se trata.

Com medicamentos ora suaves, ora fortes, 

Com amor, com carinho, com perseverança.

Com amigos, com família, com fé.

Leve o tempo que levar,

As cicatrizes deixadas nos lembrarão que superamos.

Pode ser que se torne um mal crônico

Daqueles que tenhamos que aprender a conviver

Como uma hipertensão ou uma saudade

Que exige tratamento de controle a vida toda.

Vez ou outra se tornam ativos, agudos e exigem de nós força

E medidas à altura.

Assim são os males crônicos.

Assim é a vida…

Alda M S Santos

Força Motriz

FORÇA MOTRIZ

Que sejamos movidos pelo desejo, sempre…

Desejo de viver, de trabalhar

Desejo de ajudar, de ser a mão que se estende

Desejo de abraçar, de ser colo que acolhe

Desejo de aprender, de crescer

Desejo de ensinar, se doar

Desejo de entender, de atender

Desejo de seguir, de recomeçar

Desejo de de ser luz, de ser paz

Desejo de fazer o bem, de ser o bem

Desejo de amar,

Sempre…

Alda M S Santos

Encaixes

ENCAIXES

Quase tudo nessa vida depende de combinações e encaixes perfeitos

Bola na cesta do basquete, na raquete do tenista, na rede do gol

Veículos na pista, altitudes dos voos, barcos nas rotas

Portas nas casas, fechaduras nas portas, chaves nas fechaduras

Sapatos nos pés, roupas no corpo, alimentos no organismo

O anel no dedo, uma mão na outra, cabecinha no ombro

As palavras nas frases, as frases nos textos, os textos nos contextos

Passamos a vida buscando essas combinações

Afinando a percepção, aperfeiçoando esses encaixes

Mas nem tudo é tão prático e fácil assim

Alguns encaixes exigirão uma perícia maior

A fé e o indivíduo, o cidadão e sua profissão,

Uma pessoa com a outra, o indivíduo consigo mesmo

Mente, alma, coração num só corpo

Sorriso no rosto, alegria na alma, um abraço que se enlaça

Um corpo no outro… uma alma na outra.

Como crianças com seus Legos, vamos tentando

Encaixando, montando, desmontando, aprendendo

E, se possível, nos divertindo enquanto brincamos

Enquanto vivemos…

Alda M S Santos

O que fazemos nessa nau? 

O QUE FAZEMOS NESSA NAU? 

Há dias, períodos e fases que queremos jogar tudo para cima.

Chutar o balde, rodar a baiana, subir nas tamancas. 

Ou, diferentemente disso, enfiar debaixo das cobertas, atrás de uns óculos escuros num canto qualquer, sermos invisíveis.

De verdade: quantas vezes nos perguntamos a que viemos, o que estamos fazendo nessa nau? 

Milagrosamente, algo sempre nos tira de lá. Desse buraco escuro do nosso existir.

É preciso sempre acreditar que é apenas fase. Que vai passar. Por mais difícil que pareça.

Muita gente desistindo na primeira pedra ou buraco do caminho.

Não sabem que muitos caminhos, aparentemente errados, difíceis ou sombrios foram dar em veredas maravilhosas!

Tenhamos fé! Em nós mesmos, Naquele que nos enviou, nos acompanhantes que nos deu. 

Alda M S Santos

Ping-pong

PING-PONG

Nossa vida se assemelha a um jogo de ping-pong ou frescobol. 

Mas um jogo por brincadeira, não por competição. 

Divertido é manter a bola no ar. Lancá-la de um modo que o outro receba e rebata de volta para nós, assim sucessivamente.

É frustrante quando não atinge seu objetivo, não volta.

Prazeroso é acertar o alvo, ser o alvo.

Vencem ambos se a bola é rebatida e se mantém no ar.

Perdem ambos se ela for mal lançada e cair ao chão.

Se não a lançarmos bem, o outro terá dificuldade para receber e relançar. A recíproca também é verdadeira. 

Se cair ao chão sucessivamente cansamos da brincadeira e partimos para outra.

Somos assim. Muitas vezes lançamos palavras, boas ou ruins, carinhos, sentimentos. 

Algumas vezes voltam, outra não.

Iremos preferir a brincadeira correspondida. 

Brincar sozinho não tem graça! 

Pensemos nisso! 

Alda M S Santos

No banco de trás 

NO BANCO DE TRÁS

Nossa vida passa por momentos de alternância, muitas vezes sem percebermos. 

Nossa maneira de lidar com esse revezamento natural determina nossa paz diária.

Numa fase, temos o controle de nossas vidas, estamos ao volante, guiamos para onde queremos, do jeito que queremos.

Nossos filhos viajam atrás, confortáveis em suas cadeirinhas, ou já sentados no banco de trás. 

Aceitam o destino por nós escolhido. Confiam, se entregam, observam, aprendem. 

Sonham com o dia em que ocuparão o banco do carona ou, melhor ainda, do motorista. 

E chega a hora em que eles passam para a frente, nós passamos para o banco de trás. 

Aí muita sabedoria é necessária. De motoristas e passageiros. 

Passageiros precisam confiar no novo motorista, nos ensinamentos que eles receberam e relaxar. Não interferir tanto. 

O “controle” de certa forma está com eles. 

Motoristas necessitam saber que os passageiros, outrora motoristas, ainda que estejam menos ágeis ou espertos, não desaprenderam o que sabiam. Ainda podem ensinar algo.

São necessários aqui muita tolerância, respeito, gratidão.

Essa relação acontece dentro dos veículos e fora deles. 

Pais e filhos precisam reconhecer que à medida que crescem e envelhecem a situação pode se inverter ou, no mínimo, mudar. 

Aceitar que em qualquer idade todos podem aprender, podem ensinar. 

Num dado ponto notamos que não há supremacia de um sobre o outro, apenas admiração e amor. 

E um pouco de bom humor também não faz mal a ninguém. 

Sabemos que chegará o instante em que nem estaremos mais nesse carro. 

Outras crianças estarão no banco de trás e o ciclo recomeçará. 

Boa viagem! 

Alda M S Santos 

Chapéu de tolo

CHAPÉU DE TOLO

Decepções…

Não temos como fugir delas.

Ouvimos que a decepção é nossa,

Que o outro não é responsável por nos decepcionar,

Nós é que esperamos demais deles…

Isso não diminui em nada aquela insatisfação e tristeza que sentimos.

Ninguém vive sem criar expectativas,

Sem acreditar no outro.

Quanto mais próximas as pessoas,

Quanto mais gostamos delas, mais expectativas criamos.

Portanto, maior risco de tombo, de decepção.

Colocamos o chapéu de tolos, desfilamos por aí cabisbaixos até a próxima.

Uma decepção também não precisa eliminar a pessoa de circulação.

Todos podemos errar, ter fraquezas, decepcionar alguém.

A outra alternativa é não acreditar, não aprofundar.

Viver boiando na superfície, não mergulhar. 

Sem amor, sem expectativas, sem decepções,

Sem vida! 

Muito obrigada! Continuarei a usar o chapéu de tola por aí, como palhacinha.

Quem nunca usou que atire a primeira piada! 

Alda M S Santos

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