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Amor

Templos

TEMPLOS

Escolas são templos, hospitais são templos,

Igrejas são templos!

Hospitais curam os doentes do corpo,

Escolas curam os “doentes” do conhecimento,

Igrejas, independente de qual seja, curam os doentes da alma

Uma igreja recusar acolher um pecador

Seria o mesmo que uma escola fechar as portas ao analfabeto

Ou um hospital não atender uma vítima baleada

Detentores do conhecimento não precisam de escolas,

Saudáveis não necessitam de hospitais

Igrejas não são casas de santos!

Igrejas, todas elas, devem abrigar pecadores e sofredores da alma.

Templos servem para nos fazer melhores do que somos,

Desenvolver o maior templo de todos: nós mesmos

O templo do amor!

Vamos acolher a quem precisa

Seja qual for o templo!

Alda M S Santos

Nos braços do Juquinha

NOS BRAÇOS DO JUQUINHA

Onde ele viveu, como ele viveu

Cercado das serras de Minas

Na Serra do Cipó, grande atração eternizada numa estátua

Parada obrigatória para se maravilhar com a vista

Saborear um frango com quiabo ou tropeiro numa taberna

E estar nos braços do Juquinha

Aquele que, gentil, entregava flores às moças

Andarilho, amante da natureza, apegado às montanhas

Que, uma vez morto, voltou e viveu mais um pouco, cataléptico,

Maravilhosas estradas de Minas,

Onde hoje, José Patrício, o Juquinha, tornou-se lenda…

Alda M S Santos

Faltam Cristãos, sobram religiosos

FALTAM CRISTÃOS, SOBRAM RELIGIOSOS

A fé que nos move e nos sustenta

Muitas vezes está atrelada a alguma religião

Mas ser um sujeito religioso, independente de qual religião seja

Não tem implicado em sermos, necessariamente, boas pessoas

Saber todos os ritos e dogmas da fé memorizados, cultuá-los

Participar de todos os eventos e celebrações dentro da igreja

Só fará sentido se isso nos tornar bons cristãos

Ser religioso e ser cristão não estão naturalmente ligados

O ideal seria que fosse, mas não é!

Sou um bom cristão quando consigo ser humano

E, mesmo falho, compreender as falhas dos outros.

Mesmo colocando minha vida como prioridade,

Buscando minha felicidade, meu bem estar,

Fazê-lo sem com isso causar mal ao meu próximo.

A termos que optar, melhor sermos bons cristãos que bons religiosos…

Alda M S Santos

Revoada

REVOADA

Eram alguns atrás da queda d’água, céu azul anil, mata fechada

Deitados nas pedras, víamos o bater de asas, ouvíamos o canto,

Reduzido pelo som da cachoeira

Foram chegando outros e outros, “grudando” na parede de pedra molhada

Parecia uma grande reunião ali

Asas fortes a enfrentar o peso da água e do vento

Num repente, começaram a voar em círculos, cantando

Rodeando a queda d’água, pela frente e por trás

Como se tivessem ensaiado o espetáculo

Um ritual sempre praticado

E eu a admirar tudo de dentro d’água, bem abaixo deles

Eram dezenas, talvez mais de uma centena

Criando um espetáculo coreográfico extasiante

A cachoeira Witu era o palco , a natureza, o cenário

Muitos coadjuvantes e, nós, quase fomos um.

Show terminado, saíram todos em maravilhosa revoada

Imaginamos o fechar das cortinas e os aplausos,

E nós ali arrebatados com tão grande leveza

Agraciados por tão estrondosa beleza…

Alda M S Santos

Minha avó

MINHA AVÓ

Pequena, magrinha, miudinha mesmo

Um abraço parece que irá quebrá-la

Minha avó, cabeça branquinha até onde minha memória alcança

Ela tem 95 anos, 6 filhos, 19 netos, 18 bisnetos e uma tataraneta

Olhos fundos, uma vida de força escondida ali!

Geniosa, contadora de casos, vida sofrida, cismada

Sempre trajando saia e blusa de mangas compridas, trabalhadeira

Faça frio ou calor, sol ou chuva

Mora sozinha por opção, sempre na janela a olhar quem passa,

Cuida da horta, das galinhas, da casa

Deita-se junto com o sol e levanta-se com ele

Nunca tira fotos, dificilmente sai de casa

Não usa perfume, tem cheiro gostoso de vó, aroma da minha infância!

Econômica na demonstração de afetos, de emoções

Mas quem a conhece reconhece o brilho no olhar

Quando estão perto quem ela ama

E a opacidade que toma conta quando vão embora

Até a janela da frente se fecha em protesto

Junto com o semblante e o coração

Fala muito na morte para espantar o medo que sente dela, do desconhecido

Bem humorada, diz que tem três coisas: velhice, feiúra e ruindade recolhida

Pra mim tem outras: força, fé, coragem e muito amor contido

Nas minhas lembranças mais antigas de vida, ela está

E ficará para sempre…

Te amo, vó!

Alda M S Santos

Minha terrinha

MINHA TERRINHA

Se um dia eu me perder

Aqui sempre será um bom lugar para juntar pedaços de mim

Olho para minha avó, 95 anos, suas rugas, sua frágil força, seu carinho contido,

Quantas histórias!

Tios, primos, parentes e amigos vários

“Troquei suas fraldas, curei seu umbigo, cuidei muito de você”

“Brincamos muito juntos, tenho saudades”

“Já exploramos uma boa parte disso tudo aqui”

“Você não mudou nada, mesmo sorriso, mesma carinha”

Todos têm algo a lembrar, a contar, a saudar

Cada cantinho, cada casa, cada espaço natural, cada montanha, mina d’água,

Aromas, o jeitinho de ser de cada um

Ver que todos envelhecemos, mas que nossa essência permanece

A despeito, ou até mesmo por causa, dos tropeços e entraves da vida

Dizem que uma parte de nós sempre fica onde se enterra nosso umbigo

E que irá ajudar a nos lembrar quem somos, nossos valores

A não nos esquecermos de nós,

Independente do que o mundo lá fora tenha feito conosco.

Sempre é bom voltar…

Alda M S Santos

Confidências

CONFIDÊNCIAS

Confidenciar algo é inerente aos seres humanos, seres gregários

Alguns são especialistas em fazer, outros em ouvir

Não importa se é algo que cause orgulho, medo, repulsa ou vergonha

Quem faz confidências acredita na discrição do outro

E oferece o mesmo em troca

Quer seja um diretor espiritual, pais, cônjuges ou amigos

Confiar é dizer: conto com você, não me decepcione

E o outro não precisa dizer nada, apenas ouvir

Ao dizer, divide com o outro algo pesado ou precioso

Torna a carga mais leve, aprende, cresce

Ser alvo da confiança de alguém é privilégio

Num mundo cada vez mais individualista

Ter essa confiabilidade quebrada é ter a porta arrombada

Para trancá-la a sete chaves e talvez nunca mais voltar a abri-la,

Apenas confidenciando a Deus…

Alda M S Santos

Um amor e uma cabana?

UM AMOR E UMA CABANA?

Com amor basta uma cabana!

Uma cabana torna-se palacete

Quando há nos olhos o filtro dos bons sentimentos

No teto há estrelas, no chão há “pedrinhas de brilhantes”

Um palacete torna-se uma prisão de ouro

Se nos corações não há alegria

Se a alma não reflete o amor

Há cabanas e cabanas, palacetes e palacetes

Mas, cabanas e palacetes à parte

O que torna verdadeiramente valioso um lugar

São as companhias que carregamos conosco

Aquelas que fazem parte de nós,

Que “são” verdadeiramente da gente, que gostam de ser da gente

E trazemos conosco e nos levam com elas

Na mente, na alma, no coração…

Alda M S Santos

Nas ondas

NAS ONDAS

Num ir e vir infinito

Ora calmas, ora bravias

Sempre em movimento, barulhentas

As ondas acalmam, relaxam

Encantam, amedrontam…

Deixam ir o que incomoda, levam pra longe

Trazem de volta o que alegra, o que faz bem

Vão e vêm, vão e vêm…

Hipnotizam …

Quem sabe num desses ires e vires

Não trazem de volta um pedaço de nós perdido por aí?

Alda M S Santos

Ilha dos Desejos

ILHA DOS DESEJOS

Numa Ilha dos Desejos

Que buscamos?

Desejos que brotam, que crescem, sufocam, aumentam até o horizonte

Onde o mar encontra o céu

Numa linha azul que se funde, se confunde, degradè?

Ilha dos Desejos

Que buscamos?

Desejos que se suavizam, se arrefecem, se amortecem em ondas tranquilas

Até esmorecer e sumir na areia da praia?

Ilha dos Desejos…

Que encontramos?

Desejos despertados ou satisfeitos, realizados?

Olho para tanta beleza e impotência dessa ilha

Desse mar azul, céu anil, coqueiros ao sabor do vento

E constato, afinal, que a verdadeira Ilha dos Desejos

Capaz de fazer nascer e morrer todo e qualquer desejo

É aquela que só nós temos a chave

Mas que nem sempre controlamos a entrada:

Nossos corações!

Alda M S Santos

Queria apenas saber

QUERIA APENAS SABER

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele pelo qual produzimos mais lágrimas

Ou o que mantém vivos nossos sorrisos?

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele que sente necessidade de proximidade

Ou o que nos preenche mesmo de longe?

Queria apenas saber

Qual o amor “mais” verdadeiro

Aquele cuja ausência nos causa a “morte”

Ou aquele cuja simples existência é vida?

Queria apenas saber…

Alda M S Santos

Um ponto de paz

UM PONTO DE PAZ

Entre tantos altos e baixos dessa vida

O segredo é manter a estabilidade

Em cima, para não cair rápido demais

Embaixo, para gerar forças para nova subida…

Mas bom mesmo seria encontrar um ponto no meio desse caminho

Sem grandes euforias, sem grandes baques!

Simplesmente, um ponto de paz…

Alda M S Santos

Sem você

SEM VOCÊ

Em todos os espaços você faz falta,

Na brisa que passa, no sol que racha

Num perfume bom, no cheiro de um alimento qualquer

Nas tiradas engraçadas ou mesmo nas rabugices ou implicâncias

Na música que toca, no silêncio oportuno

Tudo que acontece, principalmente no que não acontece

Lembro-me de você…

Sem você não tem a mesma graça, meu anjo

Você faz falta em tudo lá fora

Mas a maior falta você faz aqui dentro!

Alda M S Santos

Emparelhar

EMPARELHAR

Andar lado a lado, sintonizar

Emparelhar com alguém

Tarefa tão difícil quanto desejada

Encaixar, harmonizar,

Buscar pontos comuns é tão importante

Quanto valorizar o que é diferente

Preto ou branco, grande ou pequeno

Audaz ou receoso, falante ou introvertido

Carinhoso ou contido, animado ou quieto

Aceitar e respeitar o diferente é ser humano

Nas diferenças há também harmonia

Se o coração sintonizar no amor…

Alda M S Santos

Que eu me importe

QUE EU ME IMPORTE…

Que eu me importe com o outro

O bastante para ajudá-lo nas tristezas, nas dores, nas necessidades mais prementes

Sem sufocá-lo ou parecer superior…

Que eu me importe com o outro

O bastante para me alegrar com suas alegrias

Sem invejar ou me enciumar, se possível,

Ainda que a felicidade dele não mais me inclua…

Que eu me importe com o outro

O bastante para valorizar bons momentos, guardar no coração, respeitar

Aquilo que hoje já não é mais como antes…

Que eu me importe com o outro

O bastante para dar a ele aquilo que não consigo dar nem pra mim mesma

Pois é algo que a gente só encontra fora de nós…

Que eu possa ser assim para o outro: verdadeira, inteira, amorosa

E que ele também possa ser desse grau e magnitude para mim,

Pois para isso fomos feitos: nos fazer bem…

Que nos importemos o bastante!

Alda M S Santos

Mais amor, por favor!

MAIS AMOR, POR FAVOR!

Entre tantas as falhas humanas

Entremeados das contradições a que nos submetemos todos

A pior de todas elas seria julgar o comportamento, o “erro”alheio,

Sentados no trono dos santos, encastelados na torre dos puros a julgar os mortais pecadores.

Enquanto isso, sabemos bem citar as escrituras quando nos convém:

“Aquele que for livre de pecados que atire a primeira pedra”.

Justificamos, assim, nossa companhia no erro, no pecado!

Porém, muitas vezes nos esquecemos do complemento

“Ninguém te condenou? Vá e não peques mais”.

Somos humanos, por essência falhos, contraditórios,

Mas também, por essência, dotados de inteligência para não repetir um erro.

Julgar o outro, carregar pedras nas mãos, não nos faz menos pecadores,

Apenas um pecador ocupado com a vida alheia!

O que nos faz menos pecadores é ser mais humanos e menos “deuses”!

Mais amor, por favor!

E pra quem gosta das escrituras

Eu prefiro essa: “Ame a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”!

Alda M S Santos

Malas prontas

MALAS PRONTAS

Não importa para onde vamos

Se é logo ali ou atravessando o oceano

Malas arrumadas é fundamental

O que vai, o que fica,

Quem vai, quem fica?

Malas cheias, coração abarrotado…

Expectativas de diversão e alegria

Se necessário, mudamos o destino final(?),

E que possamos trazer mais que levamos

Uma alma mais leve, em sintonia com as demais

Em paz…

Vamos?

Alda M S Santos

Sempre amor

SEMPRE AMOR

Um grupo com um objetivo: levar alegria

A razão que trouxe cada um é variável

Todos parecem felizes, profissões variadas, vidas diferentes

Unidos no desejo de ajudar os outros, os idosos, particularmente

Olho para cada rosto desses palhacinhos, cada sorriso

Sei um pouco a história de alguns

Histórias de lutas secretas, sofrimentos, nem sempre vitoriosas

Muitos carregam angústias, frustrações e dores

Não doam o que lhes sobra, mas aquilo que mais precisam

Aquilo que valorizam, que sabem precioso

No prazer de levar amor, encontram uma razão a mais para lutar…

Para viver…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Não é pressa, é saudade!

NÃO É PRESSA, É SAUDADE!

Saudade que aperta, que oprime, que leva a falhas

Saudade que embaça o para-brisas, o olhar

Saudade que gera velocidade, imprudência

De noite ou de dia, faça chuva ou faça sol

Saudade que se arrisca, que põe o outro em risco

Saudade que visa apenas satisfazer-se

Saudade que, na (preça), fere o Português

Saudade que ignora castas ou classes

Saudade que mata quilômetros e quilômetros de rodovias

Saudade que se mata, finalmente, num olhar, num sorriso,

Se satisfaz num abraço, num colo quentinho

Saudade que tudo justifica, que se autojustifica,

Até começar tudo de novo, nas lembranças…

Alda M S Santos

Eu te amo!

EU TE AMO!

Um grupo de pessoas ia embora para um lugar sem volta.

Ora parecia um portão de embarque de aeroporto, ora o portão de São Pedro.

Uma fila se formava, alguns queriam retornar, resolver pendências,

Outros insistiam em levar as bagagens.

Um “São Pedro” controlava a entrada.

“Só libero por alguns segundos e por um motivo apenas : para perdoar ou pedir perdão a alguém”!

Uns pediam, imploravam, se enraiveciam…e nada conseguiam!

Chegou minha vez, eu chorava calada, ele me olhou e disse:

“Para isso você não precisa retornar”!

“Mas eles precisam saber!” – eu insisti.

“Não! Todos que você amou sabem bem. Você disse ‘eu te amo’ incansáveis vezes por palavras e atitudes”!

“Quero me desculpar por ir embora”! -tentei.

“Não se preocupe! Os que te amaram entenderão, e vocês voltarão a se encontrar logo!”

Ele abriu o portão e eu entrei sozinha, mas esperançosa.

Uma paisagem paradisíaca de muito verde e lindos lagos se descortinava à minha frente, e segui…

Acordei com o coração apertado e indagando:

Demonstro mesmo meu amor por palavras e atitudes,

Ou isso seria uma advertência?

Quantas vezes digo “eu te amo”?

E você?

Alda M S Santos

Maturidade

MATURIDADE

Que faz a maturidade?

Ensina a silenciar, a saber a hora de se calar, mesmo a contragosto,

Ou leva à ousadia de dizer tudo que quiser ou precisar, evitando sufocar,

E assumindo as consequências do dito, sem medos?

Que faz a maturidade?

Ensina a caminhar em passos mais lentos, sabendo que devagar também se chega,

Ou faz com que se tenha mais urgência, querendo viver o que ficou para trás, percebendo que o tempo urge?

Que faz a maturidade?

Ensina a ser mais cauteloso, respeitoso, evitando decepções a si e sofrimento aos outros,

Ou faz ter mais autoconfiança, agindo sem receios?

Que faz a maturidade?

Ensina a ser forte, resiliente, não deixando-se abater por qualquer coisa,

Ou torna-se mais sensível e frágil, magoando-se facilmente e chorando por quase tudo?

Que faz a maturidade?

Ensina a cuidar melhor de si e dos próprios desejos,

Ou a valorizar mais o outro, a protegê-lo, a cuidar de quem se aproxima?

Que faz a maturidade?

Ensina a ser mais paciente e tolerante,

Ou a exigir essa paciência e tolerância do outro?

Uma coisa é certa, todos dizem que a maturidade chega sem percebermos,

Que ao atravessarmos essa ponte, não tem volta…

Mas só não chega lá quem morre antes!

Então, viver ao máximo cada fase, sendo mais compassivo consigo mesmo, é o segredo!

Alda M S Santos

Podar ou arrancar?

PODAR OU ARRANCAR?

Eu podava umas plantas na cerca e um garotinho do sítio vizinho apareceu

“Por que você está cortando as flores todas”?

“Não! Estou cortando os matos e podando as flores”- respondi!

“Mas mato também é da natureza”!

“Sim, mas matos sufocam as flores que precisam ser podadas para crescerem mais bonitas e fortes”!

“Mas você está cortando as flores, elas são bonitas ”-ele acusou!

Expliquei o que era podar, e pus-me a pensar na nossa conversa.

Em nossa natureza humana, somos feitos de matos e flores.

Nossa tendência é sempre arrancar nossos matos: os sentimentos negativos.

As flores, lindas e perfumadas, nossos sentimentos nobres, queremos deixar livres!

Todo cuidado é necessário para não cultivar matos e arrancar flores.

Mas, mesmo sentimentos bonitos precisam ser educados, podados, contidos.

Como as rosas, por exemplo, mesmo que a gente se machuque ao podá-las, é preciso!

Se deixados livres demais, tomam conta de tudo e sufocam a gente.

Até mesmo o amor em excesso pode nos sufocar!

Alda M S Santos

Duas imagens

DUAS IMAGENS

No porta-retratos a imagem era de uma mulher madura

Meio corpo para fora da piscina, sorridente, feliz

Exalava energia e saúde

Contrastando com aquela senhora que estava numa cama hospitalar

Pálida, envelhecida, enfraquecida, doente

Sondas e apetrechos médicos variados ligados a seu corpo

Cochilava, boca aberta, muito magrinha

Fiz um carinho em seus cabelos, em seu rosto, dei-lhe um beijo

Ela abriu os olhos e me encarou

Desejei um Ano Novo de alegrias, saúde e paz

Entreguei umas lembrancinhas, li um cartão

Sorriu para mim com os olhos em agradecimento

Tornou a fechá-los…

A vida se esvaía ali naquele lar de idosos

Que passava em sua mente?

Arrependimentos, decepções, mágoas,

Ou alegrias, amores vividos, saudades?

Visitava mentalmente lugares queridos?

A foto era como queriam se lembrar dela

Alegre, jovial, saudável…

Mas o choque era grande para quem não a conheceu antes!

Associar as duas imagens era desconcertante

A sensação que fica é de que a vida é fluida

E quase sempre termina de um modo bem triste…

Precisamos valorizar a saúde que temos

A vida que há em cada um de nós,

Antes do fim…

Alda M S Santos

Quem é ela?

QUEM É ELA?

Ela olha aqueles carros que se vão rua abaixo e acena

Levam consigo dois seres amados

Há pouco tempo desciam essa rua “quebrados” numa bike

Hoje seguem seu caminho sozinhos e ela fica

Coração apertado, lágrimas nos olhos

Tenta conciliar o orgulho pelos filhos bem criados e encaminhados

E a saudade da época em que estavam consigo todo o tempo

Pertinho, sendo cuidados, amados, protegidos…

É o caminho natural da vida, ela sabe bem

Difícil separar o que é, que sempre foi e está dentro de si

Do que ficou dentro deles e eles levam embora…

Sempre foi tantas mulheres, tantas coisas, que não sabe mais quem é de verdade!

Tenta não se abater, concentrar-se no orgulho de vê-los bem.

Não é mais tão necessária!

Precisa confiar, esperar e aceitar novos tempos

Eles sabem que sempre serão amados, protegidos e cuidados quando precisarem

A vida tem sua maneira de encaixar tudo em seus devidos lugares…

Alda M S Santos

O que ganhamos e o que perdemos

O QUE GANHAMOS E O QUE PERDEMOS

Livros, filmes, poemas e canções

Grandes clássicos da literatura ou da música

A lamentar o amor que se doou a quem não mereceu, não valorizou

Amores pagos com sangue ou sofrimento

Ou aqueles vividos da abnegação, da proteção ao outro

As tragédias são muitas,

Os contos de fada também…

Pode ser triste e doloroso

Mas, pior que amar quem não soube corresponder

É não ter amado o bastante quem mereceu, precisou e foi digno

Amor existe mesmo para ser doado…

Quem ama sempre perde menos! Sempre!

E amor de verdade nunca se apagará, nunca!

Lágrimas e sorrisos, saudades e dores

São apenas efeitos colaterais

São “apenas mais uma de amor”

“O que eu ganho e o que eu perco

Ninguém precisa saber…”

Canta, sabiamente, Lulu Santos

Alda M S Santos

Sobre o amor

SOBRE O AMOR

De tudo deduzimos três pontos irrefutáveis sobre o amor:

A certeza de que ele sempre vale a pena

A clareza de que ele faz brotar forças inimagináveis em cada ser

A consciência de que ele, se verdadeiro, nunca morre, nunca mesmo, apenas adapta-se ao ambiente…

Alda M S Santos

Há-braços, abraços…

HÁ-BRAÇOS, ABRAÇOS…

Sinceridade que desarma, carinho que surpreende

Afeto que toca, sorriso que encanta

Há braços, abraços…

Quentes, longos, pipoca

Na pontinha dos pés, perfumados

Encolhidinhos no peito, de ladinho

Receosos, no colo, sensuais,

Apertadinhos, ou que não querem largar…

Acompanhados de doces palavras, silenciosos,

Qualquer que seja ele, necessário!

Há braços, abraços

Marcantes, inesquecíveis, saudosos…

Que possamos oferecê-los

Que saibamos recebê-los!

Alda M S Santos

Amparo

AMPARO

Em retrospectiva, vislumbramos momentos

Estágios e situações da vida que enfrentamos

E não acreditamos que algumas coisas foram reais

De onde tiramos força e coragem para superar cada revés

Vencemos medos, risco de morte, ameaças, doenças,

Angústias, perdas, decepções, mudanças, saudades,

Ou ao menos estamos aprendendo devagarzinho a conviver…

Como conseguimos? Simples! Deus!

Fé e esperança! Enfrentamento! Não nos escondendo, mesmo sofrendo.

Ainda que a gente não tenha percebido nas ocasiões

Deus nos permite viver somente o que nos fará aprender e crescer.

Se Ele nos submete a algo, ele nos ajuda e nos ampara

Como um pai que coloca rodinhas na bicicleta dos filhos

Depois tira uma, a outra, segura a bicicleta e, finalmente, o deixa ir

Mas seu olhar sempre cuidadoso acompanha e ampara o filho

Saber disso nos dá forças para não estacionar, prosseguir

Mesmo que a gente ainda se aventure demais por aí,

Leve alguns tombos nos mesmos lugares de antes

Nas curvas, se esfole, sofra, chore…

Mas só compreendemos mais tarde

“Para ver a ilha como um todo é preciso estar minimamente fora dela”

Alda M S Santos

Que eu não perca!

QUE EU NÃO PERCA!

Posso até perder o emprego,

Mas que eu não perca a vontade de trabalhar

Posso adoecer, às vezes,

Mas que eu não perca a saúde física, a sanidade mental

Posso perder amigos, companheiros, familiares,

Ver pessoas importantes se distanciarem,

Mas que eu não perca a boa lembrança de todos e o desejo do reencontro

Posso até me decepcionar, derramar rios de lágrimas,

Mas que eu não perca a esperança e a fé Naquele que cuida de mim diariamente

Posso ver diluir-se no tempo até 50% do prazer de viver,

Mas que eu não perca a gratidão pelos 50% que restarem

Finalmente, que possa sempre reencontrar em mim mesma

A vontade imperiosa de viver e fazer sempre o bem,

De proteger os que me cercam, que de mim se aproximarem,

Deixar Deus agir através de mim,

Até independente de mim mesma, se necessário

E, em qualquer circunstância, dar o meu melhor

Para os outros, para os que amo, para os que me amam

Para mim mesma…

Alda M S Santos

Há esperança na humanidade

HÁ ESPERANÇA NA HUMANIDADE

Um mendigo disfarçado de cuidador de veículos

Sujo, descalço, dormindo nos passeios a qualquer hora

Vive do que recebe da caridade dos que transitam por ali

Abandonado, largado, entregue ao mundo?

Mas é um ser humano!

Alcoolizado sempre, não sei se outros entorpecentes também

Sempre me compadeço de sua situação

Vejo-o todos os dias na rua da academia

Já perguntei uma vez se precisava de ajuda quando estava largado na calçada

Hoje vi uma mulher dando banho nele no meio da rua

Jogava água contida em algumas garrafas pet, ensaboava, esfregava

Ele aceitava a ajuda a contragosto, alcoolizado.

Um misto de sentimentos me invadiu

Feliz por alguém ter ajudado, uma mulher se arriscando

Triste por um ser humano precisar desse tipo de ajuda de desconhecidos

Envergonhada por eu mesma não ter tido essa coragem, essa iniciativa!

Orgulhosa dessa mulher que conheço e deu um exemplo de bondade…

O amor precisa ser convertido em ações!

Há esperança na humanidade!

Alda M S Santos

Como um beija-flor

COMO UM BEIJA-FLOR

Entre muitas cores e sons

Tons, nuances, texturas …

O olhar transita entre o próximo

O distante e o longínquo

Ora apenas fixa longe sem nada ver

Ora quer trazer para dentro de si as belezas distantes,

Acalentá-las num cantinho qualquer de nossa alma,

Somos assim…incertos…

Como um beija-flor que suga sem cessar

Precisamos parar, descansar, observar calmamente a grandeza à nossa volta,

Absorver tudo de bom que pudermos conseguir…

Abastecer-nos de riquezas,  estocar para as horas de carestia,

Corpo, mente, alma, coração…

Sabedoria da natureza: tudo aproveitar, nada desperdiçar,

Como um beija-flor…

Alda M S Santos

Aquieta meu coração

AQUIETA MEU CORAÇÃO

Quero um coração em paz, confiante

Em harmonia com a vida do entorno

Em equilíbrio com a vida de dentro

Trocas do bem, curas do mal

Olhos que saibam ver além da superfície

Corações que se amem independente da distância

Pés que saibam de cor o caminho

Mãos que se deem, se doem, que se autovalorizem

Quero uma alma que sintonize com outras almas

E que ali se aquiete, se acalme, se encontre…

Alda M S Santos

Um dia especial

UM DIA ESPECIAL

Hoje é dia de emoções afloradas

Dia de extremos: muita alegria ou muita dor

Dia de saudades, de gratidão, de compaixão

Natal é o ápice do ano, onde tudo de bom ou ruim retorna

Retrospectivas, reavaliações

Em forma de cobranças, arrependimentos ou satisfação…

Reencontros…

Crianças, jovens, adultos e velhos num mesmo espaço

Choque saudável de gerações, sem segregações

Desconsiderando os excessos e comércio

É uma época de amor, de corações solidários, de perdão

Por que não pode sempre ser um dia de Natal?

Podemos renascer junto Dele naquela manjedoura todos os dias!

Que todos os dias sejam especiais!

Feliz Natal, amigos!

Alda M S Santos

Arte de viver

ARTE DE VIVER

A arte de bem viver consiste em estar preparado

Para perder tudo o que se tem

Mas acreditar que isso não irá acontecer…

Estar preparado para viver sem o que se tem

Sem, contudo, deixar de ser o que se é!

Equilíbrio entre o temido e o improvável,

Entre o desejado e o possível…

Alda M S Santos

Famílias

FAMÍLIAS

As famílias são as meninas dos olhos de Deus.

Tanto que Jesus nos veio no seio de um lar…

Na família está nossa fonte de força

Ou nossas maiores fraquezas

Geradora de alegrias, de lágrimas, de crescimento!

Entre os membros de uma família pode haver

Grandes abnegações e sacrifícios, atos de extremo amor

Ou as maiores crueldades que a humanidade é capaz.

Tudo dentro de uma família potencializa, bom ou ruim.

Qualquer um sabe o valor de uma família

Da sua ou das alheias, e a falta que faz…

A cada família que se destrói, que se permite destruir

Que chora, uma estrela morre no céu, Deus sofre junto…

As famílias são o ninho de Deus onde se aprende a amar

Um ninho que precisamos para sempre…

Alda M S Santos

Pagamos o preço

PAGAMOS O PREÇO

Pagamos o preço de tudo nessa vida! Tudo!

Algumas custam nossa saúde física ou mental

Outras custam nossa consciência, nossa paz de espírito

Nossa autoestima, nosso coração,

Nossa alma, nossa alegria de viver

As mais baratas custam apenas dinheiro!

Pagamos, avalizamos, por amor,

Até ônus que não são nossos

Apenas para proteger ou ver felizes quem amamos,

Sem eles sequer desconfiarem!

Somos nós que escolhemos o que “comprar”, o que “pagar”

Por nós ou pelos outros,

À vista, ou parcelado infinitamente…

Alda M S Santos

O que os olhos não veem

O QUE OS OLHOS NÃO VEEM

O que os olhos não veem

O coração imagina

E, dependendo do teor,

Sofre e chora

Ou se alegra e sorri…

Alda M S Santos

No pódio, o amor

NO PÓDIO, O AMOR

E esse ano o prêmio máximo novamente é dele

O amor expresso em palavras e ações

Ou até mesmo aquele existente no silêncio

O amor que se permitiu viver, partilhar

Ou até mesmo aquele que se acovardou

O amor solidário, que se multiplicou, que estendeu a mão

Ou até mesmo aquele que ficou na vontade

O amor que foi correspondido, dividido,

Ou até mesmo aquele que sobreviveu sozinho

O amor que produziu sorrisos, frutos, que se doou

Ou até mesmo o que deixou lágrimas e saudades

O amor que abdicou de si mesmo para proteger o outro

Ou até mesmo aquele que não soube se cuidar

O amor que lutou, que soube esperar e até se afastar

O amor que foi filho, pai, o amor que foi amigo,

Ou até mesmo aquele que nada pareceu ser além de dor…

No pódio: o amor

Porque amor é soberano, simplesmente por ser amor

O menor dos amores, ainda semente, engatinhando, é maior

Que qualquer outro sentimento árvore frondosa

Pois, se cuidado, enraíza-se e atinge alturas inimagináveis…

No pódio: o amor!

Alda M S Santos

Em casa

EM CASA

Verdadeiro fascínio, admiração, encanto pelas árvores

Preciso delas para viver

E não me refiro a oxigênio ou alimentação

Tenho necessidade emocional

Posso ficar horas sob algumas

Apenas a observar os detalhes, o movimento

E não há nenhuma que não me desperte o desejo

De subir, escalar seus galhos e troncos

Se um dia eu me perder,

Física ou emocionalmente de mim mesma,

Que seja entre árvores frondosas,

De alguma forma estarei em casa…

Alda M S Santos

Ausências

AUSÊNCIAS

A gente percebe que não é autossuficiente

Quando começa a sofrer de ausências

Ausências de gente do bem conosco

Percebemos que somos essenciais uns aos outros

Quando começamos a “exigir” presenças

Presenças do amor e da alegria

Do carinho, do sorriso, da atenção

Aquelas que quando se vão fazem falta, a gente chora

Mas que sorri ao lembrar da marca que deixou

Por menor que tenha sido o convívio…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Nosso papel, nossa escolha

NOSSO PAPEL, NOSSA ESCOLHA!

Eram seis homens idosos numa mesa a jogar cartas

Num clube tradicional e caro da cidade

Observamos e comentamos sobre a vida tranquila

Diversão num clube numa terça-feira de manhã

Olharam para nós de longe, talvez estranhando

Aquelas pessoas vestidas de palhaço numa terça-feira

Distribuindo abraços grátis, um sorriso, palavras doces.

Concluímos que eram aposentados, vida ganha…

E seguimos nossa atividade ali.

Ao sair, dirigindo o carro com cinco palhaços

Num semáforo adiante, outro idoso vinha trôpego

Camisa torcida e mal abotoada vendendo balas de goma

Passou por nós, olhou, sorrimos, sorriu

Ganhou um cartão de coração, um Feliz Natal e nosso carinho

Não conheço nem aqueles idosos e nem esse

Não sei o que determinou que uns estariam lá no clube

E que outros estariam a vender balas no semáforo

Berço? Escolhas? Trabalho? Dedicação? Sorte? Fé?

Sei que a nós não cabe julgar! Uns não são melhores que os outros!

Levar a todos aquilo que pudermos oferecer, sem preconceitos

Esse é nosso papel, nossa escolha!

Alda M S Santos

#carinhologos

No tribunal do amor

NO TRIBUNAL DO AMOR…

Parecia uma grande catedral e várias pessoas estavam sentadas em semi-círculos

Jovens e velhos, homens e mulheres, de todas as raças e classes

Religiosos, ateus, políticos, cientistas, pensadores e trabalhadores braçais

Apenas as crianças passavam direto por uma catraca

E a pergunta que estava gigante num telão era: o que você fez com sua vida?

A princípio, as pessoas ficavam num burburinho nervoso

Em seguida, silenciavam contritas

Novas perguntas se desenrolavam no telão:

Como você usou os dons divinos que recebeu?

Soube amar e proteger a sua família?

“Desinquietou” as famílias dos outros inserindo a discórdia, traição, desconfianças, medos, drogas?

Soube usar o amor como Eu lhes ensinei?

Muitas e muitas perguntas se desenrolavam…

E cada uma despertava desculpas ou auto-acusações nos presentes.

Choros, tristezas e arrependimentos de alguns

Revolta, rebeldia e autopromoção de outros

Uma imagem de puro amor surgiu no telão

Os olhos brilhavam e atravessavam as pessoas ali hipnotizadas

Olhos silenciosos: “nada precisam dizer, pois Eu conheço os vossos corações

Não há necessidade de desculpas, não necessita defesas, Eu os conheço!“

Uma mulher se levantou: “existe algo que possa jogar uma vida inteira de amor por terra?

Ou algo que possa salvar uma vida de discórdia?”

“Somente o se doar por amor, valorizar a vida, a família…”

Respondeu um homem mais velho, chorando…

Na balança desse tribunal não havia barganha

Mas o amor que se doou era “moeda” capaz de neutralizar certas coisas ruins…

Somente o amor poderia ser usado em defesa própria, somente ele! -concluíram.

As ações realizadas por amor, com amor, em favor do amor.

E cada qual teve seu próprio veredicto nesse tribunal.

Tudo que reinava e ficou ali foi a verdade e o amor…

Os demais foram embora!

Alda M S Santos

Belo Horizonte

BELO HORIZONTE

Belo Horizonte, 120 anos

Nossa centenária e querida cidade

Tão lembrada por alguns, esquecida por outros

BH da Igrejinha e Lagoa da Pampulha, dos bares da Savassi, das Casas de Baile

BH das Feiras Populares, dos vendedores ambulantes, dos artesãos

BH das iguarias do Mercado Central, da natureza do Parque Municipal

BH da periferia, do povo trabalhador, do alto dos morros

BH da Serra do Curral e Parque das Mangabeiras

BH das avenidas sofridas, dos alagamentos, da miséria que se esconde aos olhos de muitos

BH do Mineirão, do Mineirinho, de pão-de-queijo quentinho

Belo Horizonte de muitas praças, parques e jardins

BH de Centros Culturais e Museus

Belo Horizonte de lindos e amados horizontes

De clima ameno, de coração empático, onde sempre cabe mais um

Que seja cada dia mais receptiva e acolhedora

E mais democrática e acessível a todo seu povo

Que a tem como cidade do coração!

Que venham muitos centenários

E que sempre honre e seja digna desse lindo é convidativo nome:

BELO HORIZONTE

Alda M S Santos

Quando o ímã é o carinho

QUANDO O ÍMÃ É O CARINHO

Nenhum ser vivo se aproxima de outro por acaso

Quando o ímã é o carinho

Não importa a espécie, classe filo, gênero

Origem, ordem, reino, família, habitat

Se anda, voa, se arrasta ou se não sai do lugar

Criatura atrai criatura

Vegetal ou animal, racional ou irracional

Afinidades que apenas são sentidas

Não se explica, se curte se sente falta!

Alda M S Santos

Bela panorâmica

BELA PANORÂMICA

Vista abrangente, vista definitiva, vista bela e encantadora

Olhar distante, até onde a vista alcança

Capacidade relaxante e revigorante

Uma vista panorâmica nos permite ver a beleza distante e nos abstrair dos problemas

Ou focar em pequenas partes sem perder a visão geral

E do quanto somos apenas parte de um todo,

Do quanto somos interligados, mas apenas um

Nesse maravilhoso multiverso!

Alda M S Santos

Tanto faz!

TANTO FAZ!

Tanto faz se é dia ou se é noite, se faz chuva ou se faz sol

Se as horas correm ou se arrastam-se

Tanto faz se rimos ou se choramos

Se o outro nos machuca ou nos faz bem

Tanto faz se ontem foi bom, se hoje não é

Ou se o amanhã é pura incerteza

Tanto faz se exercitamos o amor no outro ou se o guardamos apenas em nós

Tanto faz como tanto fez!

Modo estranho de viver,

Se esse “tanto faz” se aliar à indiferença e descaso…

À ausência de tesão pela vida!

Ideal seria se o tanto faz se devesse sempre ao prazer de viver

Independente do externo

Pois o que é bom e nos mantém vivos de verdade

Brota de dentro de nós como flores em dias de chuva…

Como o amor que não carece de nada

Apenas de existir para já fazer o bem…

Alda M S Santos

Amor sazonal?

AMOR SAZONAL?

O amor quando é real e verdadeiro

Não é amor sazonal

Pode até se intensificar em algumas épocas

Mas é amor de todo o tempo

É amor que dura, que perdura

Que se multiplica em qualquer estação!

Alda M S Santos

#carinhologos

Entre Belas e Feras

ENTRE BELAS E FERAS

Na dicotomia entre extremos: Belas e Feras

E a perfeição e imperfeição física e de atitudes

Há, na verdade, muitas Feras e muitas Belas

Que “amam” e não aceitam o modo de ser do outro

Que “amam” e querem se impor ao outro

Não somos só Belas ou só Feras

Somos Belas Feras e Feras Belas, humanos!

Com o “encanto” do viver

Cheios de erros e acertos, lutas e desencontros

Bailes e reencontros

Na tarefa árdua e prazerosa de aprender, se quisermos…

Alda M S Santos

E a vida segue…

E A VIDA SEGUE…

Dia: sol, luz, insegurança, amor, coragem, expectativas,

Vida que segue…na leveza ou peso do que somos

Noite: escuridão, medos, perseguições, ameaças, desconfianças, acusações…

Morte que tudo interrompe…na leveza ou peso do que carregamos

Sonhos e pesadelos…

Tudo cinzento e cruel!

Alegrias que fortalecem

No brilho do amor e amizade

Lágrimas que lavam a alma

Força que renasce da coragem e fé

E a vida segue…

Na linha tênue que a separa da morte!

Alda M S Santos

Saudades

SAUDADES…

Saudades…

Sentimento ambíguo, pois só se tem saudade do que é ou foi bom

Mas que dói, maltrata, machuca

Nostalgia, tristeza, desejo do reencontro

Bom mesmo é quando podemos saciá-la

Aí é euforia, prazer, êxtase!

Caso contrário, as lembranças tentam suprir a falta

Saudade vive da expectativa do reencontro

Saudade rima com esperança

Esperança rima com amor!

Alda M S Santos

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