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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Apaixono?

APAIXONO?

Praia e mar já são um grande presente
Nem sempre ao alcance de todos, infelizmente
Aproveitar o encanto que há em cada canto
E saber curtir por aqui as belezas naturais
É algo que não dá para se furtar
A natureza sempre a nos surpreender e alegrar

Apaixono? Sim ou claro?

Quarta Praia de Morro de São Paulo, Bahia
Apresenta Piscinas Naturais, sonho e fantasia
Os peixes nos cercam em total harmonia
Extremal confiança, simplicidade e magia

Apaixono? Sim ou claro?

Preservação do que a Criação nos ofereceu de bandeja
É nossa obrigação, o que nossa alma almeja
Curto, me encanto, me regalo, me esbaldo
Mergulho, nado, aplaudo, é positivo meu saldo

Apaixono, sim ou claro?

Alda M S Santos

Tarde de veraneio

TARDE DE VERANEIO

Tantas vezes o destino parece inalcançável
É preciso lançar mão do que parece improvável
Por terra, por ar, por mar
Vale ir com fé, sorrir, sem desanimar
O caminho também faz parte do destino
Bom aproveitar cada parte, sem sofrer desatino
Certos voos trazem alguma turbulência
O desafio é relaxar, manter bons batimentos, boa frequência
Quero fazer disso aqui um suave passeio
Sem grandes solavancos, como uma tarde de veraneio
Seja no ar, na terra ou no mar vou seguir
Almejo ser paz, ser luz e o melhor disso tudo extrair

Alda M S Santos

Praia noturna

PRAIA NOTURNA

Sob as sombras da praia noturna
Coqueiros embelezam o lugar
O mar canta seus versos em ondas
Será que há gente a namorar?
O calor do dia ainda está na areia
Aposto que há em algum canto uma sereia
A cantar e encantar quem aporta por ali
Creio que ninguém é capaz de resistir
Teve sol, teve chuva, tem estrelas
Brilhando e convidando para o espetáculo
Não há quem não se encante ao vê-las
A Lua está imponente no céu
Ilumina os amantes, rasga seu véu
Brincando por aqui num alegre carrossel

Alda M S Santos

Vivendo do mar

VIVENDO DO MAR

Para uns a diversão, lazer, contemplação

Para outros o trabalho, a lida, o ganha-pão

Seja no pescado em alto-mar

Ou nas atividades à beira-mar

Muitos fazem dali seu dia a dia, seu lugar

Nativos já conhecem sua impar linguagem

Quando está bravo, de ressaca, qual sua mensagem

Quando a maré vai subir ou baixar

Se vai chover ou o quanto irá ventar

Sabem direitinho até onde se pode brincar

Respeitam a natureza, de onde vem seu sustento

A pele já castigada pelo sol, são gratos a todo momento

Turistas vêm para passear, conhecer, se apaixonar

Pela cultura, encantos naturais, querem fundo mergulhar

Se gostarem certamente irão voltar

Talvez até venham a fazer dali o seu novo lar

Bom mesmo é que nativos e turistas

Saibam cuidar, amar, preservar

Esses maravilhosos encantos que a Criação veio nos presentear…

Alda M S Santos

Mundo encantado

MUNDO ENCANTADO

À beira-mar ela segue seu caminhar

Cabelos ao vento, onda que é música no pensamento

Nada há melhor ali que na areia andar descalça

Sol que aquece, que é luz, que abraça

Segue chutando as águas, maré baixa, praia vazia

Parece outro mundo, foi transportada, pura magia

Quer seguir caminhando, nunca parar

Será onde depois da curva vai dar?

O desejo é de apenas seguir em frente

Afastar qualquer angústia ou medo da mente

Ir até um mundo encantado, magicamente habitado

Fadas, bruxas, duendes, sereias, anjos, enfim

Que digam “tá tudo bem, venha para junto de mim”

E ali eu me sentiria voltando para casa

Finalmente, sentaria e descansaria as asas…

Quer ir comigo?

Alda M S Santos

O mar e ela

O MAR E ELA

Parece o tempo todo em ebulição

Faz barulho, movimenta-se continuamente

Ora ritmadamente, ora em confuso compasso

Às vezes parece que para, silencia

Mas está apenas a buscar mais energia do fundo

Não se aquieta, borbulha, ferve

Espuma, transborda, encanta-se

E se desmancha na areia…

O mar ou ela?

Ah, tanto faz! São a mesma coisa…

O mar e ela…

Alda M S Santos

Sobre as águas

SOBRE AS ÁGUAS

Queria ser capaz de correr sobre as águas

Com toda a confiança de nunca afundar

Até chegar do outro lado do horizonte

Onde o mar se encontra com o céu

Ou sobrevoar as águas tal qual pássaro

E mergulhar vez ou outra em busca de um peixe

Num barco também não seria nada mal

Numa maré baixa deixar-me levar

Debruçar sobre ele e jogar água para todos os lados

Sei lá!

Sinto uma atração irresistível pela água

Uma atração que causa-me medo e prazer

Parece que ela me chama todo o tempo

Será que se eu atendesse esse chamado seria capaz de voltar?

Conseguiria? Quereria?

Daqui fico a observar, a sonhar, a imaginar

Com os pezinhos na areia

Na beira do mar…

Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Além do horizonte tudo parece mais belo

Mesmo que inalcançável, inatingível

Ainda que fique apenas no mundo das ideias

Pode ser atrás de uma densa mata

Além do mar, no alto de uma montanha

Sentindo o doce cheiro de natureza

A terra úmida, a areia quente, a clorofila ou a maresia

Levando-nos ao nosso estado humano natural

Apesar de estarmos meio desconectados do todo

Respiramos profundamente, mergulhamos fundo nessa imagem

Aquela que nos instiga a alçar voo

Ainda que seja apenas nas asas da imaginação…

Vamos?

Alda M S Santos

Pura sedução

PURA SEDUÇÃO

Ele vai, ele vem

Infinitamente, lindamente

Ora mais calmo, ora mais revolto

Leva o que encontra na areia da praia

O que em suas águas salgadas se dilui

Ou que serve de alimento a quem faz de suas águas seu habitat

Por lá se mistura, fica, se esvai …

O que faz mal ou é inútil ele devolve

Não quer para si…

Mar que recebe, atrai, absorve nosso olhar

Seduz-nos com seu encanto molhado, com seu canto ritmado

Olhar que grita silêncios que mais ninguém ouve

Silêncios que mais ninguém entende

Nossos pensamentos, nossos sentimentos ele escuta

Faz com eles uma bela sinfonia marítima

Por vezes transforma-os numa intensa e constante maresia

Noutras numa grande ressaca viciante

Mas ninguém passa incólume pelo mar…

Difícil é resistir ao desejo de ali ficar…

Pura sedução!

Alda M S Santos

Sempre mais divertido

SEMPRE MAIS DIVERTIDO

Há coisas que nunca mudam

Crianças são sempre crianças

De ontem, de hoje, de amanhã

Em todo e qualquer lugar…

Na praia querem fazer castelo de areia

Querem construir piscininhas de água do mar

Querem fazer barreiras de contenção

Sem necessidade de qualquer sofisticação

Outra criança que chega logo é um amiguinho

Usam brinquedos plásticos tanto quanto embalagens descartáveis

Ou somente as mãozinhas e a imaginação

E logo, logo um castelo está formado

Uma piscina para se divertir,

Uma barreira de contenção para se proteger

Para cedo ou tarde ser derrubada

Pelas águas nervosas do mar…

Crianças sabem sem precisar ensinar, sem grandes explicações

Que ter amigos para brincar é sempre mais divertido

Mostram-nos que de nada vale ter com o que brincar

Se não tiver com quem brincar…

Porque quando as águas da vida derrubam nossas barreiras de contenção

Destroem nossos castelos de areia

E nos deixam afogar em nossas “piscininhas” salgadas

São os amigos que nos ajudam a reconstruí-los, a sobreviver…

Alda M S Santos

A primeira vez

A PRIMEIRA VEZ

Minha primeira vez foi aos 21 anos num único fim de semana

Apaixonei-me perdida e irremediavelmente

Será que meu olhar foi assim tão belo

De prazer, êxtase, encanto, espanto, admiração?

Dois anos mais tarde eu o apresentei ao meu marido na lua de mel

Extasiante!

Seis anos depois foi a vez dos nossos filhos conhecê-lo

Mistura de expectativa, satisfação, aventura e um leve medo

Diante de tão extensa maravilha…

E muitas outras vezes vieram, muitas alegrias nele vividas…

Agora eu o apresento ao meu pai e me pergunto:

Como pôde ter se negado esse prazer até os 75 anos de vida?

Água, areia, sal, força, tudo impressionando…

Mas nunca é tarde para aqui chegar

Para conhecer o mar, esse oceano de lindas possibilidades …

Oh mar! Saudades de você!

Como na primeira vez, cá estou eu novamente

A paixão cresceu, amadureceu e se transformou num amor eterno…

Alda M S Santos

Ela caminha

ELA CAMINHA
À beira-mar ela caminha
Olha longe no horizonte
Sempre gostou muito de caminhadas
Nas avenidas, nas estradinhas de terra
Na beira de um rio, nas matas, montanhas…
O corpo é exigido, a mente trabalha, vai relaxando
A alma se abastece de belezas, de levezas
Busca um veleiro que navega sozinho ao longe
Quem estará ali? Será feliz?
Uma gaivota que mergulha atrás de alimento
Uma lancha de transporte de aluguel num cais improvisado
O vento desarruma seu cabelo, arranca o chapéu
Levanta sua saída de praia, refresca a alma
As ondas quebram a seus pés espumando e se recolhem de volta ao mar
“Tragam coisas boas, levem as ruins”, ela profetiza
Chuta a água, chuta os problemas, inspira e expira fundo
Sente os músculos sendo exigidos
Tensão, relaxamento, prazer…
Vê uma família de golfinhos nadando despreocupada
Um casal enamorado se exercita debaixo de um coqueiro
Como seria morar ali?
O encanto seria o mesmo?
Faria essa caminhada diária?
E ela segue…
Caminhando, chutando a água, refletindo
Sugando da natureza tudo que consegue de maravilhoso
Aprende com ela, seu ir e vir constante…
Enchendo-se de coisas boas, esvaziando-se do que faz mal…
Ela caminha…
Alda M S Santos 

É natural…

É NATURAL…

É natural amar e querer reciprocidade no amor

É antinatural exigir o que deve ser gratuito

É natural buscar a paz, a tranquilidade

É antinatural fazê-lo em detrimentos dos outros

É natural sorrir, encantar, contagiar, espalhar vitalidade

É antinatural querer que todos sejam iguais nesse processo

É natural conquistar, evoluir, crescer

É antinatural passar por cima dos outros para consegui-lo

É natural chorar, sofrer, sentir dor

É antinatural causar isso nos outros

É natural valorizar a saúde, a vida, a sobrevivência, nossa e dos outros

É antinatural colocar tudo isso em risco conscientemente

É natural confiar, acreditar, ter fé e esperança, se entregar

É antinatural desconfiar de tudo e de todos, temendo se prejudicar

É natural a vida que se impõe sempre

É antinatural não se importar com ela

Alda M S Santos

Onde há mar

ONDE HÁ MAR

Onde há mar, amar é fácil

Os sonhos são leves e a realidade vem em ondas calmas

Ou se vier forte e derrubar nossos castelos

Achamos divertido e construímos de novo

Onde há mar, amar é fácil

Se a maré ficar alta, mesmo havendo ressacas

Lembramos apenas das calmarias

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo “temperados” com tanto sal

As doçuras de cada um se sobressaem

Onde há mar, amar é fácil

À beira d’água qualquer caminho é leve e suave

E, se o cansaço chegar, um mergulho relaxante é o suficiente para se renovar

Onde há mar, amar é fácil

Debaixo de um céu tão intenso e tão azul

Nossas nuvens cinzentas ficam envergonhadas e se recolhem

Fazer amor é deliciosa e sutil consequência

Onde há mar, amar é fácil

Ainda que as águas estejam geladas

Mergulhamos fundo, saltamos ondas, lavamos a alma

Onde há mar, amar é fácil

Faça sol ou faça chuva,

O calor vem de dentro de nós

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo nas noites escuras, sentimos sua força, podemos ouvir seu chamado

Onde há mar, amar é fácil

Desde que tenhamos decidido à priori que seria assim

Que o amor seria prioridade…

Alda M S Santos

O belo de todo dia

O BELO DE TODO DIA

Encantada com tanta beleza

Fixo o olhar deslumbrada

Fico extasiada, embriagada pelo belo que se derrama

Deságua em mim em gotas salgadas

Num momento, observo moradores locais

Que têm perto de si toda essa riqueza

Ao alcance dos olhos…

E parecem sequer notar!

Quantas belezas temos pertinho de nós

E nosso olhar viciado não percebe mais?

O belo de todo dia não mais atrai nosso olhar?

O olhar deslumbrado do outro para o que temos

Pode, às vezes, nos acordar…

Alda M S Santos

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