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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Harmonia

Orquestra

ORQUESTRA

Muitos são os tipos de instrumentos

Violões, pianos, violinos, teclados e baterias

Saxofones, oboés, flautas, tambores

Tão diferentes entre si, mas com o mesmo propósito

Produzir um som melodioso e harmônico

Cativar, encantar, maravilhar…

Não importa qual tipo de instrumento é:

De corda, de sopro, de percussão…

Todos são importantes, todos podem fazer uma bela “apresentação”

O que dá o diferencial numa orquestra é a harmonia entre os instrumentos

A afinação e sintonia que fazem uma bela canção

Sob a batuta do maestro experiente que extrai o melhor de cada um

E os utiliza nos momentos mais adequados

Graves ou agudos, grandes ou pequenos, altos ou baixos

Todos são essenciais…

Entendêssemos e aplicássemos essa complementariedade de uma orquestra às nossas relações

Usando a batuta de modo harmônico às diferenças dos “instrumentos” de nossa vida

Teríamos um viver mais belo, em sintonia e harmônico

Mais feliz e encantador…

Alda M S Santos

*foto: meu filho Pablo tocando

Aquela tela branca

AQUELA TELA BRANCA

Aquela tela que parece branca

Onde imaginamos muito espaço para pintá-la a nosso modo

Traz consigo cores sensíveis ou vibrantes

Claras, fortes, foscas, disfarçadas, aparentes ou nem tanto

E foi desse jeitinho que ela nos atraiu

Querer que ela se apague, que torne-se inócua

Para receber novas cores a nosso bel prazer

Seria desfazer o que ela tem de próprio e belo

Seria desfazer o que nós temos de nobre e original

Somos, às vezes, tão narcisos que só mergulhamos fundo

Se virmos no outro a nossa imagem refletida

Artista e tela precisam se harmonizar para produzir uma bela obra de arte

EU e TU precisam gerar uma nova obra

EU e TU que gera NÓS, sem descaracterizar ninguém

Essa é a obra perfeita…

Alda M S Santos

Emparelhar

EMPARELHAR

Andar lado a lado, sintonizar

Emparelhar com alguém

Tarefa tão difícil quanto desejada

Encaixar, harmonizar,

Buscar pontos comuns é tão importante

Quanto valorizar o que é diferente

Preto ou branco, grande ou pequeno

Audaz ou receoso, falante ou introvertido

Carinhoso ou contido, animado ou quieto

Aceitar e respeitar o diferente é ser humano

Nas diferenças há também harmonia

Se o coração sintonizar no amor…

Alda M S Santos

Desejos

DESEJOS
Quero o silêncio, não qualquer silêncio, mas aquele que traz reflexões.
Quero amigos, não colegas, amigos que me ouçam, sorriam e chorem comigo,
Que puxem-me as orelhas, mas que me aceitem como sou.
Quero ser amiga, solidária, pra toda hora, necessária, valorizada.
Quero solidão, propícia e oportuna, que possibilite o crescimento.
Quero companhias alegres, tristes, fortes ou frágeis, mas autênticas.
Quero saudade! Pode até doer um pouquinho, mas que me alegre o coração e me instigue a buscar algo.
Quero trabalho, que eu produza, mas me divirta acima de tudo.
Quero o amor, não qualquer amor, mas aquele que tenha muito carinho, respeito e reciprocidade.
Quero paz! Aquela que vem com o silêncio, a solidão, os amigos, o trabalho, a saudade, o amor e… Deus.
Quero Deus comigo sempre.
Quero e, querendo, eu posso!
Alda M S Santos

Acordando

ACORDANDO

Acordar, preparar um café, ir à padaria.

Sol alto, quente, brilhante

Domingo, poucos se levantaram,

Menos ainda estão nas ruas.

Sem correrias, observar quem passa.

Uns ainda sonolentos, meio emburrados.

Aqueles que dão o bom dia, sorridentes.

Outros que parecem vir de uma noite na farra,

E os que já trabalham, me recebem na padaria. 

Lanço um olhar “avaliador” sobre cada um e questiono:

Qual será o olhar que lançam sobre mim? 

O que veem?

O que pareço a cada um deles? 

Cheios de pré-conceitos, tantas vezes olhamos assim nossos irmãos. 

Julgamos.

Nesse lindo domingo,

Só dois pedidos a fazer:

Que eu possa ver cada um como Jesus vê: além da aparência,

Na impossibilidade, que possa tratá-los como Deus trata.

Se merecedora, que seja também digna desse olhar e tratamento.

Bom dia, filhos de Deus! 

Alda M S Santos

Quando o amor não é o bastante

QUANDO O AMOR NÃO É O BASTANTE

Quando vemos tantas pessoas que amam e, ainda assim, sofrem, podemos chegar a uma difícil conclusão: o amor é supervalorizado.

Vejamos uma mãe que luta dia após dia por um filho dependente químico, que o ama, acredita, investe, recomeça incansavelmente e, ainda assim, ele retorna ao vício, maltrata-a, maltrata-se. O amor dela se mantém, porém, nem sempre alcança seu objetivo.

O amor de um filho pelos pais que o ignoram, que não assumiram a função tão sublime recebida de Deus, deixando-os crescer à própria sorte. Mesmo assim, tantos filhos tentam, pelo amor, tirar os pais de vidas desregradas e infelizes.

Uma esposa que, independente dos adjetivos que receba de todos, insiste no amor ao marido que em nada a dignifica, que trai, que ofende física e psicologicamente, que não a completa, ou em nada ajuda relacionado aos filhos, ao lar ou à família.

Uma pessoa que trabalhe num asilo, que dedique seus dias a dar amor, atenção, carinho, e só vê simples rasgos de brilho naqueles olhos cansados e nebulosos pela tristeza do abandono.

Finalmente, talvez o maior de todos, alguém que ame outro alguém, romanticamente, e espera que esse amor seja o bastante para fazê-los estar juntos, porém, não é o que acontece. Muitas vezes não há reciprocidade, noutras há empecilhos diversos que impedem a aproximação. Tantas vezes o momento não é o adequado, ou a distância, a saúde, as famílias, o trabalho…

Certo é que o que mais vemos, até mais que amores plenos, são amores frustrados. Será que isso acontece porque supervalorizamos o amor, ou porque esperamos que ele faça milagres?

Avaliando essas situações chego a três conclusões.

Primeiro, o amor não poderia resolver tudo sozinho. Não salva um filho das drogas, os pais da infelicidade, os idosos do abandono, a esposa amargurada ou os amantes frustrados.

Segundo, o amor faz, sim, muitos milagres. O filho drogado, os pais desregrados, os idosos abandonados, os amantes, todos estariam muito piores se não fosse o amor que recebem, sentem ou distribuem.

E terceiro, quem recebe amor é privilegiado, mas quem é capaz de senti-lo ou doá-lo é quem sai no lucro, verdadeiramente. Pode até não obter grandes resultados, pois depende de vários sentimentos que estão no outro, dos quais não tem controle, mas impede que a situação do outro seja ainda pior.

Há também muitos que se salvaram com o amor recebido; pais, filhos, cônjuges, idosos, amantes. O amor é incansável!

Jesus sempre pregou o amor acima de tudo. Sempre sofreu e deu o máximo do amor por nós: Sua Vida.

O amor que se doa sempre retorna em dobro. Coração que ama está sempre cheio, vivo, vibrante, ainda que seja de lágrimas ou saudades.

Supervalorizar o amor pode parecer ingênuo, porém, subestimar sua força e seu poder certamente não é muito inteligente!

Alda M S Santos

Mais no meu blog http://www.vidaintensavida.wordpress.com

Pessoas normais adoram a chuva

PESSOAS NORMAIS ADORAM A CHUVA

Desde criança quando digo que amo um dia de chuva ouço que não sou normal. Se completo que quanto mais barulhenta mais eu gosto, dizem que sou caso perdido.

Pequena, já gostava de andar na chuva, na enxurrada e de ouvir as goteiras nos baldes espalhados pela casa. Ficava no basculante da sala, nas pontas dos pés, vendo a água cair, as pessoas passarem correndo. Chegava ao colégio com as congas encharcadas e a alma lavada. Estava tudo perfeito.

Na juventude andava de motocicleta com chuva. Isso sim é liberdade! Os pingos queimavam no rosto!

Gosto de dormir com chuva, acordar, ir trabalhar, passear, assistir filme debaixo do edredom, ler, namorar… Tudo é melhor com chuva. Nadar também! As águas do mar, rio ou piscina ficam “quentinhas” quando chove.

Não sei exatamente o porquê dessa paixão! Nem considero os motivos óbvios de sobrevivência. Tampouco desconheço os malefícios das enchentes e alagamentos. Meu avô morreu eletrocutado por um raio numa noite de tempestade, dentro de casa. Sofremos com enchentes na infância e até hoje há riscos. Porém, isso não é a chuva que causa, mas o abuso, descuido e descaso dos homens.

A chuva potencializa em mim bons sentimentos. Fico mais terna, doce, romântica, mais apta a absorver e distribuir coisas boas por aí.

O cheiro de terra molhada, as gotas caindo nas poças d’água, os bichos procurando abrigo ou se esbaldando. A aparente fúria dos trovões e relâmpagos é um espetáculo a mais. Chuva leva à introspecção. Traz Deus pra mais perto. Tempo para repor energias mentais, reavaliar situações, sonhar, planejar…

Sou daquelas que já se alegram por antecipação com a previsão de chuva. Logo imagino um filme bem romântico com um lindo casal a dançar na chuva, um livro bom, uma música suave, um passeio de ônibus sentada na janela observando tudo. Mas nada, nada se compara ao prazer de caminhar na chuva, olhar para o céu e senti-la no rosto, encharcar-se, deixar escorrer água pelos cabelos, correr e pular feito criança levada. Quando a chuva passa, sair a observar as plantas e bichos. A luminosidade agradecida de todo ser vivente.

Se sentir-se assim é ser anormal, sou uma anormal feliz. Muito prazer!

Alda M S Santos

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?
Cada dia que passa as pessoas têm procurado mais a vida no campo. Uns querem apenas desfrutar de suas belezas e conforto, por um fim de semana ou férias. Outras, querem voltar às origens, retornar ao passado que ficou lá atrás e, após um tempo, volta com tudo, especialmente após os 40 anos. Há também aquelas que nunca tiveram experiência com a vida rural, e se encantam ao primeiro contato.

Outro dia, numa sala de espera de um consultório médico, dois senhores conversavam sobre isso. Um dizia que o médico tinha recomendado procurar uma vida mais calma para afastar o estresse. O outro sugeriu que comprasse um sítio, ao que ele respondeu que não se acostumaria àquele silêncio todo e à vida dura de trabalhos braçais.

Daí surgiu todo um relato da nova vida que passou a levar após um infarto. Passou a viver num sítio, cujos familiares se opuseram veementemente. Acharam que era mania de velho, visto que nunca tinha demonstrado interesses pela área rural. Acabaram por ceder, visando preservar a saúde do patriarca da família. Compraram um sítio não muito longe da cidade. Todos os dias, esposa e filhos dirigiam 50km para ir para o trabalho.

Reclamaram muito no início, mas se acostumaram. Sentiram falta das regalias da cidade no início: pizzarias, cinemas, celulares, internet, shoppings… Mas acabaram por se encantar pela pureza do ar, as cores dos jardins, o contato com a terra, a horta, as árvores frutíferas, os animais que passaram a criar, o rio.

A família ia e voltava todos os dias. Não acreditava que quisessem ficar lá para sempre. Quanto a ele, não abria mão daquela vida. Gostava de acordar cedo, ver o sol nascer, alimentar seus bichos e cuidar de suas plantas. Quem diria que teria forças para usar a enxada? Gostava das caminhadas nas trilhas de terra, de sentar-se à beira do rio, ouvir os pássaros, cochilar à tarde, ouvir música em seu mp3 velho… Sentia prazer nas mínimas coisas. Num bate-papo com os poucos vizinhos que encontrava quando ia ao pequeno comércio na região, nas leituras prediletas, no violão que gostava de tocar à noite… Voltou a escrever poemas, hábito da juventude, abandonado pelos atropelos da vida.

Só ia à cidade para realizar consultas periódicas com o cardiologista. Logo o médico o chamou. Despediu-se do amigo e foi recebido pelo médico com carinho. “Estou precisando ir para o campo também! Que saúde, vigor e alegria você demonstra”! O outro senhor atendeu ao celular, ficou vermelho e concluiu: “Preciso mesmo dar um novo rumo à minha vida”!

Saí de lá pensando no privilégio que é poder ter as duas opções: o campo e a cidade. Mas o fundamental é desacelerar, adquirir hábitos mais simples, menos consumismo, adquirir paz interior. O campo, com suas dificuldades geográficas e de consumo, pode aumentar os problemas se não mudarmos nosso interior “urbano” e estressado. Mudar nosso interior antes de nos mudarmos para o interior.
Alda M S Santos

 

 

Trocas

Vida!

Minhas orquídeas:

Pode não haver flores todo o tempo, mas há vida!

Há raízes, folhas, força interna.

Cultivadas no interior,

Cedo ou tarde as flores aparecem,

mais maravilhosas que nunca.

Sabedoria da natureza à disposição de todos.
Alda M S Santos

Entre cães e gatos

Quando queremos dizer que duas pessoas não combinam dizemos que parecem cão e gato. Mas será que isso é mesmo verdadeiro? Digo, os cães e os gatos. 

Já vi muitos cães e gatos que brigam. É fato. Mas também já vi cães que brigam entre si, gatos que brigam entre si. E, o que pode parecer surpreendente para muitos,  cães e gatos que combinam entre si, são afins, “amigos”, brincam juntos, se acariciam, comem e até dormem juntos. 

Quem determinou que cães e gatos não combinam foram os seres humanos. E os animais ignoram isso e convivem bem, contrariando o ditado vigente. Salvo os casos em que uns pertencem à cadeia alimentar do outro. 

Penso que não há norma ou poder que possa afastar dois seres que se propõem a conviver, se amar e se dar bem. Nem religião, política, futebol, raça, sexo, idade, nível social ou qualquer diferença que seja. 

O que vai determinar que dois seres se atraiam, convivam bem, se tolerem ou se amem é a disposição de querer fazê-lo, ignorando preconceitos ou pré-disposições impostos e enraizados. 

Se você é um gato, tenha um novo olhar para aquela cachorrinha. Mesmo ressabiado, chegue devagar, surpreenda , ensine e aprenda. A diversidade tem muito a nos ensinar! 

Alda M S Santos

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