ROSAS
Maravilhosas são as rosas
Perfeitas em sua delicadeza,
Cores, perfumes, formas…
São quase unanimidade,
Quase!
Há os espinhos, necessitam muitos cuidados,
Poda, adubo, água, luz solar
Algumas cores não agradam também,
Uns incomodam-se com os insetos que elas atraem,
E têm curta durabilidade…
Prefiro ater-me às lindas cores
Delicadeza e perfume!
Espinhos? Todas têm!
Todos temos!
Mas somos belos e encantadores
Como criaturas do mesmo criador!
Alda M S Santos
DENOMINADOR COMUM
Qual é o verdadeiro denominador comum da humanidade?
O que realmente nos qualifica como seres da mesma espécie?
O que nos “evoluiu” de primatas para homo sapiens?
Homens e mulheres que nascem, crescem, se reproduzem e morrem? Primatas também.
A capacidade de raciocínio e de sentir emoções?
Muito simplista e vago!
Entre o nascer e o morrer é que está a incógnita.
Independente de gênero, idade, raça, credo, cultura ou nível social,
O que nos assemelha são os sonhos, as necessidades, a vontade,
As expectativas que criamos, os objetivos que projetamos.
Desde uma criança da Somália a um idoso do Japão,
Passando por um jovem craque das quadras
Ou por uma moça do crack dos becos
Uma gerente de multinacional ou uma gestora do lar
Todos, todos temos sonhos!
Pode ser desde a facilidade para encontrar o pão ou um teto,
Um emprego decente, uma família unida, amigos verdadeiros,
Um amor que nos complete, nos aqueça a alma e o coração,
A efetivação de uma nova invenção tecnológica,
Ou a descoberta da cura de uma doença fatal.
São diferentes, mas são sonhos. Todos eles!
Expectativas que procuramos concretizar.
Sonhos não morrem, sonhos hibernam em nós como ursos
Ao primeiro barulho acordam famintos e bravos
Prontos para buscar o que precisam para viver.
O dia em que os sonhos acabarem, acabará em nós o brilho,
Acabará em nós a vida e o amor.
Esse é nosso denominador comum!
Alda M S Santos
ELE PODERIA ESTAR ENTRE NÓS
Seríamos capazes de identificar um herói, um gênio, uma grande personalidade, até mesmo alguém especial entre nós?
Depois dos caminhos trilhados, fatos transcorridos, tramas esclarecidas, desfechos revelados, tudo torna-se claro, compreensível.
Porém, no momento em que a história está sendo construída, quantos de nós temos esse discernimento?
Quantas vezes algumas personalidades importantes em variadas áreas, admiradas e ovacionadas pelo mundo todo, não foram e não são reconhecidas entre os seus?
Como se precisássemos de um aval externo a dizer “vejam como fulano revolucionou a medicina, a educação, a política, a literatura, a arte, a fé”!
Isso aconteceu até mesmo com Jesus, “Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra”.(Marcos 6,4).
Necessário é que estejamos atentos. Retirar a venda dos olhos, aguçar o olhar, o coração. Pertinho de nós pode estar “crescendo” alguém que irá revolucionar o mundo, independente da área de atuação. Podemos contribuir, podemos usufruir.
Se Jesus nascesse novamente entre nós, ou se aparecesse no nosso meio, convivesse conosco, seríamos capazes de identificá-Lo? Em sua simplicidade? Aceitaríamos se Ele se destacasse? Teríamos que ver para crer?
O quanto de preconceito com o que, ou quem, é diferente de nós ou se destaca, há ainda em nós?
Sejamos sinceros!
Alda M S Santos
SERES MÚLTIPLOS
Uma mesma pessoa pode se tornar inúmeras, dependendo das necessidades e do olhar das outras com as quais interage. Podemos representar ao mesmo tempo tudo ou nada, amor ou rancor, alegria ou frustração, prazer ou insatisfação. Podemos atraí-las inspirando paz, felicidade, disposição, aconchego, carinho, ou podemos afastá-las, representando perigo, angústia, inveja, tristeza, desamor. Por isso, mesmo que difícil, não deveríamos nos surpreender ou entristecer com pessoas que se aproximam tanto e com outras que se afastam repentinamente. A conclusão é que somos para os outros aquilo que cada olhar, cada ser necessita em nós. Isso depende pouco de nós, mas depende muito da alma carente e das necessidades de cada um. A recíproca também é verdadeira. Precisamos nos concentrar no amor, na bondade, na autenticidade, na alteridade e na luz que temos, e prosseguir sempre em frente e com Deus no coração. Cercar-nos de pessoas iluminadas. Assim, nossa luz brilhará sempre. Alguns serão atraídos por ela, outros precisarão de tempo para se acostumar, já outros, simplesmente não poderão com ela. ♥♥Alda M S Santos
Observando o corre-corre da vida diária, seja na rua, na família, no trabalho, nos jornais ou na TV, ninguém seria capaz de negar o quanto as desigualdades são inúmeras. Vemos pessoas diferentes: altas, baixas, gordas, magras, brancas ou negras, entre outras. Possuem em comum o fato de serem seres humanos. Isso deveria, a princípio, dar a elas as mesmas condições de evolução física, psicológica, espiritual ou material. Na prática não é o que acontece. O que determina que algumas pessoas tenham mais habilidades, dons e capacidade de conquistas que outras? Veio em seu DNA? Recebeu de Deus? Foi desenvolvido?
Se veio no DNA, não escolhemos. Se recebemos de Deus, qual seria o critério por Ele utilizado para fazer tal distribuição, considerando-O um Deus de amor? Se é desenvolvido pelas pessoas, seria a partir de que base?
Sabemos que, via de regra, as pessoas com saúde física e mental, espiritualizadas e com algumas conquistas emocionais e materiais são mais felizes. Enfrentam com mais recursos as adversidades que se apresentam. Delas poderia ser “cobrada” uma atitude mais positiva perante a vida.
Mas, e aquelas que desde o nascimento já são acometidas pelos problemas: miséria física, material, emocional, espiritual? Vêm de um lar onde reina a pobreza extrema, em todos os aspectos da vida humana? Falta-lhes alimento para o corpo e para a alma. Seria justo que se cobrasse delas, com o mesmo rigor, a mesma evolução das demais?
Há aqueles que acreditam que somos um mesmo espírito vivendo em vários corpos, várias vidas, e que estaríamos, de acordo com a evolução de cada um, resgatando dívidas passadas, daí viriam as diferenças. Cada religião explicaria de uma forma diferente as desigualdades. Certo é que quem professa uma fé, conforma-se melhor com a própria situação e é até feliz.
Religiões à parte, o que temos pra lidar são as desigualdades que batem às nossas portas, invadem nossas casas, corpos e mentes de todas as maneiras. Independente de qual seja a causa das diferenças, podemos minimizá-las. Seja qual for a situação em que nos encontremos, sempre haverá alguém melhor ou pior que nós, que tem mais ou que tem menos, que pode mais ou que pode menos.
Cabe a nós, então, manter os olhos em trânsito: lá na frente, para crescermos sempre, lá atrás, para oferecer a mão a quem tem menos.
Se a humanidade que nos faz uma espécie única não for o bastante para ajudar, usando de tudo que possuímos, material, mental ou espiritual, que independente de religião, possamos nos lembrar que: ” A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”.(Lucas, 12-48)
Que possamos crescer em nossa humanidade, sempre.
Alda M S Santos
Basta sair de casa e rodar poucos quilômetros para no primeiro semáforo observá-los. O sinal fecha, os carros param, e eles vêm correndo. Colocam no retrovisor do carro uma tira de 5 paçocas. “Vai uma paçoquinha aí, moça? Só R$2,50.” O olhar tímido, às vezes desafiador. Não passa de oito anos. Pequeno, magro, expressão sofrida para uma criança. Em poucos segundos volta rapidamente recolhendo o dinheiro da venda, ou as paçocas, e sai correndo antes que o sinal abra.
Pouco à frente, no próximo semáforo, tempo mais longo, vem um senhor lentamente. Pipocas e garrafas d’água nas mãos. Cabeça branca, andar arrastado, não sei precisar a idade, talvez 70, semblante sério, carregado. Chega e oferece seus produtos. Sorri ao ouvir as músicas da década de 70 que ouço. O olhar carrega-se de saudade. “Bons tempos”, ele diz. Concordo e completo, “está sempre aqui”. “Sim, desde que me aposentei, pouco dinheiro, filhos desempregados, família grande, netos. É preciso ajudar.” Despede-se e vai pro próximo carro.
Sigo meu caminho para o trabalho ouvindo minhas músicas e refletindo. Que mundo é esse em que crianças que deveriam estar na escola ou jogando bola na rua estão vendendo paçocas no sinal? Que mundo é esse em que um senhor de 70 anos, aposentado que já fez tanto pela sociedade, que poderia estar lendo para os netos, brincando de cavalinho, curtindo um sítio, ainda se dispõe a ser ambulante de semáforos nas ruas quentes e barulhentas?
Que futuro estamos promovendo para nossas crianças? Que descanso estamos permitindo aos nossos velhos? Ao olharmos esses dois extremos devemos cuidar para o desânimo não tomar conta de nós. O senhor da pipoca pode ter sido um garoto da paçoca! Há alternativas? O que podemos fazer para que ao menos o garoto da paçoca torne-se, daqui a alguns anos, o senhor que estará lendo para os netos, brincando de cavalinho e cultivando flores num sítio?
Decido-me a continuar fazendo com amor e dedicação a parte que me cabe. A educação ainda é o melhor caminho, nossa melhor chance. Assim, vou ainda mais animada receber meus pequenos alunos. E que Deus nos abençoe!
Alda M S Santos
Quando queremos dizer que duas pessoas não combinam dizemos que parecem cão e gato. Mas será que isso é mesmo verdadeiro? Digo, os cães e os gatos.
Já vi muitos cães e gatos que brigam. É fato. Mas também já vi cães que brigam entre si, gatos que brigam entre si. E, o que pode parecer surpreendente para muitos, cães e gatos que combinam entre si, são afins, “amigos”, brincam juntos, se acariciam, comem e até dormem juntos.
Quem determinou que cães e gatos não combinam foram os seres humanos. E os animais ignoram isso e convivem bem, contrariando o ditado vigente. Salvo os casos em que uns pertencem à cadeia alimentar do outro.
Penso que não há norma ou poder que possa afastar dois seres que se propõem a conviver, se amar e se dar bem. Nem religião, política, futebol, raça, sexo, idade, nível social ou qualquer diferença que seja.
O que vai determinar que dois seres se atraiam, convivam bem, se tolerem ou se amem é a disposição de querer fazê-lo, ignorando preconceitos ou pré-disposições impostos e enraizados.
Se você é um gato, tenha um novo olhar para aquela cachorrinha. Mesmo ressabiado, chegue devagar, surpreenda , ensine e aprenda. A diversidade tem muito a nos ensinar!
Alda M S Santos
Basta um simples correr de olhos num grupo de pessoas: amigos, colegas de trabalho ou familiares para perceber o quanto podemos ser diversos em nossa humanidade. Alguém mais atento irá observar que há aqueles mais calados, que ficam nos cantos, silenciosos e, vez ou outra, esboçam um sorriso, aqueles que conversam, riem e brincam o tempo todo, os que preferem “provocar” os mais tímidos, os que falam alto, se exaltam, contam aventuras, os que adoram piadas, aqueles que sempre estão reclamando de algo. Há os que chegam receosos e, no máximo, dão um seco cumprimento. Em contraste, há aqueles que entram distribuindo sorrisos e abraços. Que parecem brilhar o tempo todo ofuscando os demais. Mas, um bom observador é capaz de ver o brilho existente em cada um.
Ser assim ou assado não nos faz melhores ou piores que ninguém. Todos nós podemos ter ou expressar algumas dessas características em algum momento, mas nossa essência é formada por algumas delas que são imutáveis. O mais interessante é que, mesmo que a gente critique, acaba sendo atraído pelas pessoas diferentes de nós. Isso se dá pela complementariedade. Alguém exatamente igual a nós não nos acrescentaria quase nada. Uma pessoa tímida, retraída e que esconde suas emoções, precisa de alguém mais expansivo por perto, desde que não a force ou invada. Outra, mais alegre e extrovertida, necessita do “controle” e capacidade reflexiva dos mais retraídos, e por aí vai… A capacidade de superação que adquirimos em vários momentos são motivadas por pessoas diferentes de nós.
Imaginemo-nos num grupo onde todos sejam iguais a nós! Como seria? Certa vez um amigo perguntou-me: “você acha que o mundo seria melhor ou pior se todos fossem iguais a você?”. Respondi que seria certamente pior, pois não haveria o que se encantar, o que aprender. Seríamos narcisos a nos observar num espelho. Ele surpreendeu-se.
Em meio à natureza, onde tudo é verde, há verdes e verdes. Penso que Deus possibilita essa diversidade para que possamos apurar nosso olhar, aprender e ensinar e, assim, melhorarmos como seres humanos. Que possamos nos lembrar disso ao nos defrontarmos com aquele amigo tão diferente de nós, que nos irrita, assombra, afasta, atrai e encanta ao mesmo tempo. E viva a diversidade!
Alda M S Santos