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Quanto tempo?

QUANTO TEMPO? 

Em menos de duas horas ela arruma suas coisas …

Doa materiais, joga fora o descartável

Separa para si o inseparável

Quanto tempo leva para se desfazer de uma vida?

Muitas lembranças…

Uma vida inteira ali

Muitos amigos, colegas

Abraços, carinhos, sorrisos, desavenças

Tudo parece impregnado em suas células

 Seu lugar já foi ocupado

Brinca ao sentar no colo de sua substituta

“Você fará muita falta!”- dizem. 

“Tem você em cada cantinho daqui”.

“Lembrarei de você para sempre”. 

Será? Promessas já foram dívidas

Hoje, quase sempre, são palavras ao vento

Foram 27 anos ali. 

Quanto tempo leva para sermos apagados de vez? 

Quanto tempo leva para a rotatividade nos levar para longe?

Quanto tempo leva para esquecer?

A vida segue…

Mas ela sabe e responde por si: 

Nem todo o tempo do mundo! 

Dentro dela nada jamais se apaga.

Alda M S Santos

Redemoinho

REDEMOINHO

Tudo se passa em câmera lenta

Chega, olha em volta

Espaço grande, luz forte 

Muitas pessoas conhecidas ali 

Recebe as boas vindas

Parece perdida, descalça, meio assustada 

Procura alguém…

Olha nos olhos de cada um que passa

Todos fixam nela o olhar meio encabulados

Continua a circular

Procura alguém, não sabe quem

Mergulha num redemoinho de imagens

Chora, senta, soluça

Alguém cobre seus ombros com uma colcha

“Esse vestido é fino, transparente, vai congelar.”

Reconhece a voz, o olhar, o cuidado

Levanta-se, vira-se e ele desaparece pela porta 

Vai atrás, chega numa porta e só vê nuvens, como de dentro de um avião. 

Sem medo, lança-se espaço abaixo…

Para as nuvens…

E tudo é paz! 

Alda M S Santos

Promessas

 PROMESSAS

Promessas: quantas ouvimos, quantas fizemos na vida? 

Mais importante que isso, quantas cumprimos ou quantas foram vazias, da boca para fora? 

“Seremos melhores amigos para sempre”, uma criança promete ao amiguinho, inocentemente. 

“Nunca vou deixar você, mamãe”, o filhinho amoroso promete.

Tudo bem, são crianças, desconhecem as voltas da vida, as implicações.

“Amo você e nunca te abandonarei”, diz o adolescente apaixonado. 

“Seremos melhores amigas para a vida toda”, prometem garotas confidentes. 

A essas muitas promessas se seguem: “até que a morte nos separe”, “sempre estará em minha mente”, “não irei embora”, “seu lugar no meu coração está reservado”, “nos encontraremos sempre”, “ligarei todas as noites”, “essa é a última vez que faço isso”, “amarei você para sempre”, “enfrentaremos tudo juntos”, “terão que passar por cima de nós dois”, “se não te salvar, morremos juntos”, “não deixarei que enfrente tudo sozinha”, “nunca te esquecerei”, e por aí vai…

E a vida segue, novos caminhos, curvas, trajetos, obstáculos e medos. 

E as promessas não acompanham…

Acontecem entre amigos, pais e filhos, casais… Deveríamos nos acostumar… 

Porém, alguém sempre sai ferido, magoado.

Colecionamos decepções, lágrimas, desilusões, palavras vãs, dizeres abstratos, falsos juramentos. 

Promessas são compromisso com o dito ao outro. 

A lógica diz que é melhor não prometermos, se houver qualquer impossibilidade de cumprir. 

Mas quando se envolve a emoção, a razão passa longe. 

Concordo com Francois de La Rochefoicauld quando diz que: “Prometemos conforme as esperanças e agimos conforme os medos.” 

Ao fazermos promessas não pensamos em não cumpri-las.

Além do mais, muitas podem ser cumpridas sem que o outro se dê conta. Apenas no silêncio de nossas almas.

Somos imperfeitos e isso é parte de nossa humanidade.

Mas tem uma promessa válida: “Estarei com vocês todos os dias até o fim dos tempos”. (Jesus Cristo). 

Nessa podemos confiar! 

Alda M S Santos 

Traços indefinidos 

TRAÇOS INDEFINIDOS

A vida, por vezes, é composta por cores vibrantes, brilho, traços firmes e bem definidos e clareza de informações.

Outras vezes, há apenas um simples esboço, traços leves, inseguros e indefinidos, um grafite, um borrão. 

Quase sempre são difíceis de entender, pois nos passam dados ambíguos, riscos duplos ou quase apagados. 

Exigem inteligência, empenho, sensibilidade, boa vontade, determinação.

Ainda há quem rabisque por cima, distorça dados, cruze informações com o intuito de dificultar.

Há quem queira nos desacreditar e diminuir nossa capacidade.

Cabe a nós ignorar os maldosos, afastar o irreal, interpretar o que se apresenta e reforçar os traços. 

Talvez refazê-los. Com ou sem ajuda.

Felizmente há quem nos apoie e ajude a escolher as cores e a pintar essa maravilhosa aquarela.

É nosso papel a cor dar à imagem que recebemos. 

A vida vale o esforço! 

Alda M S Santos

Lembranças

LEMBRANÇAS

Muitas lembranças são associativas, quer dizer, nos remetem a algo ou alguém.

E isso as torna mais fortes, prazerosas e duradouras.

Aquela música suave ou dançante e letra tocante, 

O perfume que traz nítida à mente a pessoa ou situação,

Pés e pernas entrelaçados na areia,

Namoro e amassos na varanda,

O cheiro de bolo no forno, de churrasco no domingo, 

Cabelos esvoaçantes, um andar seguro, 

Um olhar penetrante, um estilo de ser e vestir…

Uma voz mais calma, um jeito rebelde e meio cri cri, o raciocínio rápido,

O sorriso contagiante, sincero e cativante,

Um filme com pipoca no sofá da sala, um livro na rede, poemas românticos,

Um bate papo demorado no portão,

Aquela pracinha, um sorvete ou açaí, uma carona, um beijo soprado

O último pedaço de pizza, a bala de hortelã passada num beijo,

A cerveja gelada e espumando, a coca com limão,

Um mingau de fubá com queijo, chá de capim cidreira, chuva no telhado, 

A leveza e o prazer de uma taça de vinho ou champagne,

Mensagens e SMS de carinho e cuidado,

Um abraço na pontinha dos pés que aperta o corpo e o coração…

Cada coisa nos remete a alguém…

Lembranças se associam às pessoas que foram importantes. 

Memórias que veem à tela da mente a qualquer hora e se fazem saudosas e eternas…

Alda M S Santos

A vida cozida em fogo brando

A VIDA COZIDA EM FOGO BRANDO

Parece, tantas vezes, que perdemos tempo

Que estamos sendo “cozidos” em fogo brando,

Que nada muda, que a terra parou em torno de nós.

Para pessoas que são da rapidez de fogo a gás,

Ágeis como as panelas de pressão! 

Práticas como os fornos de micro-ondas.

Fogão à lenha torna-se provação.

Queremos fogo forte, ação, resultados rápidos!

Talvez sirva-nos como consolo

Saber que os pratos mais deliciosos são cozidos em fogo brando.

Num, não tão prático, mas simples, fogão à lenha!

O resultado final compensa as mãos sujas e a espera prolongada.

Bom apetite! 

Alda M S Santos  

A impaciência nossa de cada dia 

A IMPACIÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

As coisinhas corriqueiras do dia-a-dia nos levam à impaciência ou nossa impaciência que torna intoleráveis essas “chatices” cotidianas?

Basta abrir os olhos ao amanhecer e já começam. Principalmente se dormirmos mal, a impaciência às mínimas coisas nos atingem. 

Começam em casa: um bom dia resmungado, uma palavra mal interpretada, um pedido insistente de um filho…

E são levadas às ruas: os berros dos apressados ou lentos demais no trânsito, o metrô lotado, a fila no banco, a chuva, o sol quente, a risada de alguém, a música…

Reagimos a tudo isso com resmungos ou mau humor, cara fechada, brigas. E tudo parece mais sério do que é.

Se conhecemos bem o mau humorado ou ranzinza, aprendemos a abstrair, desligar, respirar fundo pra não aumentar a bola de neve e cessar o círculo vicioso.

O problema é que muitas vezes sequer olhamos para o outro. A ideia quase sempre é revidar. Grito com grito, palavrões e empurrões com palavrões e empurrões. 

Dar a outra face é coisa de otário. Deixar passar os apressados é ser trouxa. Ceder o lugar a alguém mais necessitado, bobagem. 

Nesse constante e crescente egoísmo vamos reduzindo nossa humanidade, tornando-nos mais amargos e tristes. 

Tantas vezes bastaria uma gentileza para quebrar esse círculo!

Apenas o que aprendemos com nossos pais e avós: as palavras mágicas: “desculpe, foi acidental”, “por favor, me ajude”, “com licença”, “muito obrigada”, ” pode passar”, “bom dia”! 

E poderemos nos surpreender com o poder de um sorriso, um toque, um abraço, uma lembrança, um “eu te amo”! Todos precisamos: falar e ouvir.

Não importa se são as chatices que nos tiram a paciência ou se nossa impaciência gera as chatices. 

Certo é, que se podemos mudar algo é o que sai de nós e controlar o que entra.

Precisamos saber que nosso sorriso e bom humor pode quebrar qualquer rabugice do outro. 

Se não o fizer, garantiremos ao menos nossa saúde mental.

Ah! Eu te amo!

Alda M S Santos 

Coragem

CORAGEM

Sabe aquela história de que “desistir foi meu maior ato de coragem”? 

Pode parecer balela, desculpa esfarrapada, coisa de covardes, mas não é.

Muitas desistências são, sim, falta de vontade, de coragem ou persistência. 

Porém, quase toda desistência de algo implica que outra opção foi feita. Por n motivos.

Pode ser que o abrir mão de algo, aparentemente precioso, tenha ocorrido para benefício próprio, para proteger algo ou alguém amado, para o bem familiar ou coletivo…

Quer seja uma escolha profissional, pessoal, familiar, amorosa, não importa. 

Ao escolhermos trilhar o caminho A, sabemos que abrimos mão dos caminhos B e C. Ainda que eles permaneçam em nossas memórias por tempo indeterminado. 

Algumas bifurcações são muito estreitas e de decisão sofrida. 

Tantas vezes são escolhas difíceis, quase sempre dolorosas. 

Como temos apenas vaga ideia do porvir, decidimos com base no hoje, e só o tempo dirá se foi o caminho mais acertado.

Alguns caminhos não têm volta, mas de muitos deles é possível retornar e recomeçar, se se perceber que não foi a escolha mais acertada. 

Afinal, nossa vida não vem com GPS. E mesmo que viesse, poderíamos ser direcionados para caminhos errados.

Quando ouvirmos alguém dizer “desistir foi meu maior ato de coragem”, “abri mão por amor”, “optei em prol de alguém”, é melhor acreditar e se solidarizar. 

Ninguém está a salvo desse ato de coragem!

Alda M S Santos

À beira-mar

À BEIRA-MAR

Caminhar é muito bom

Sensação de ir andando e deixando para trás tudo que faz mal

Buscar à nossa frente coisas novas, novos ares…

À beira-mar, prazer inenarrável.

A brisa ajuda a empurrar para trás o negativo

A areia macia dificulta os passos, acelera os pensamentos

Ajuda a mente a esquecer o que machuca 

A processar o novo que bate à nossa porta sempre

A água que vez ou outra nos convida a brincar

Como criança correndo, indo e vindo, barulhenta

Sol gostoso que aquece

Água fresca que molha

Numa troca boa de sensações…

Algumas pessoas para lá, outras para cá

Parecem fazer o mesmo

Umas acompanhadas, outras sós

Cada uma atrás de seus óculos escuros, mergulhadas em seu mundo particular

Para completar essa catarse

O convite para brincar é aceito

Saída de praia, chapéu e óculos na areia

Observam o mergulho naquelas águas que revitalizam

Se pensassem perceberiam o risco de serem ali abandonadas para todo o sempre…

Alda M S Santos

Quem se importa?

QUEM SE IMPORTA? 

Uma marquise no centro da cidade barulhenta.

Noite de forte tempestade, manhã de chuva fina.

Quem se importa?

Camas improvisadas, cobertas que mal cobrem os corpos semi-nus.

Num canto, uma “cabana” com seus pertences. 

Ali é sua casa: dormem, comem, se alimentam, brincam, fazem amor.

Metade da manhã se foi.

Ainda dormem, alheios à correria à sua volta. 

Certamente acostumados a ignorar os comentários:

“Marginais, podem nos assaltar a qualquer momento.”

“São fortes, podem trabalhar”.

“Preguiçosos, enfeiam a cidade e afastam os clientes”.

Num canto, um deles me flagra os observando.

Sustento o olhar do senhor, cicatrizes na alma, tristezas profundas se encontram.

“Bom dia”, digo, sem saber o que dizer.

Firme no meu olhar responde: “Jesus te abençoe”. 

Choro…

Por eles, por suas dores.

Pela minha inércia, apesar da vontade de sentar,bater um bom papo, ouvir aquela história. 

Tenho vontade, tenho medo, tenho pressa. 

Na volta, esmolavam em vários cantos. 

“Vá com Deus, menina bonita”, ele grita para mim e acena. 

“Fique com Ele”. 

Seguimos nossos caminhos…

A cidade também…

Quem se importa? 

Alda M S Santos

Câmera lenta

CÂMERA LENTA

O mundo está em câmera lenta

Passos lentos, trôpegos, olhar apagado, corpo encurvado pelo peso da tristeza

Olhos onde brilham apenas lágrimas, 

Que se confundem com a chuva que cai,

Em câmera lenta.

No intenso vai e vem

Pelas ruas da cidade se vão

Ela e tudo que carrega naquele corpo pequeno

Mal são notadas pelo intenso burburinho de início de manhã

Ouve buzinas ao longe e segue lentamente

Os olhos da cidade nada veem além de si mesmos

Cada qual com sua própria bagagem e peso

Tudo é cinza, opaco, lento, vácuo.

Uma trombada, um “olha onde anda”!

Está molhada por fora e por dentro

Quem se importa?

As lágrimas correm livres, 

Ao contrário dela, presa em suas divagações.

E a vida continua

Em câmera lenta…

Alda M S Santos

Primeiros socorros

PRIMEIROS SOCORROS

Diante de casos emergenciais de saúde, o pronto atendimento é fundamental para garantir a vida de um indivíduo.
Nesse âmbito, a correta utilização do socorro inicial pode ser decisiva.
O objetivo dos primeiros socorros é aplicar procedimentos que estabilizem o paciente e afastem o risco iminente de morte.
Batimentos cardíacos, pressão arterial, atividade pulmonar e cerebral, ausência de hemorragias, estabilidade da coluna vertebral, tudo é verificado.
Assim, todos os recursos disponíveis são utilizados para garantir a vida: desfibriladores, traqueostomias, drogas potentes, torniquetes, incisões diversas…
Invasivos ou não, são necessários, ainda que deixem sequelas.
Passada a emergência, avalia-se o quadro, evoluções e retrocessos, e prescreve-se novos procedimentos para o pronto restabelecimento do paciente.
O mesmo se aplica às emergências emocionais.
Nossa psique é tão ou mais sensível que nosso corpo e necessita de cuidados à altura.
Diante de um trauma, um susto, uma decepção, uma perda, um luto, uma tristeza profunda, um choque emocional, também são necessários primeiros socorros.
Mantém-se a integridade física e cuida-se das lesões, nem sempre aparentes, da mente, do coração, da alma.
O ouvido é o melhor instrumento nesses casos. Deixemos falar! Improvisemos divãs!
Muitos tendem a querer abafar, esquecer, deixar pra trás. “Não chore, vai passar”.
Isso é como colocar esparadrapo numa infecção aberta. Ela voltará com força total.
Extravasar é fundamental para estabilizar as emoções. Cada um reage de um modo, mas colocar pra fora: chorar, falar, esbravejar, é o começo da cura. Trata-se de limpar a ferida purulenta.
Só depois entram os medicamentos e curativos, a análise racional, as conversas sérias, os abraços poderosos, o ombro amigo, o colo gostoso, as mãos dadas, as palavras sábias, a busca de soluções.
Nas emergências orgânicas ou emocionais, sufocar não é procedimento padrão. Pode gerar males crônicos.
Primeiros socorros mal aplicados podem matar o paciente ou torná-lo imprestável para a vida tanto quanto desconsiderar a gravidade do quadro e relegá-lo a segundo plano.
Ninguém está livre de ter que aplicar ou receber.
Estejamos atentos!
Alda M S Santos

Blindagens

BLINDAGENS
São tantos os projéteis, armas, mísseis
Inúmeros os morteiros inimigos, fogo amigo
Petardos de força inexplicável
Minas terrestres, bombas de gás
E as blindagens cada dia mais comuns
Acabam isolando do exterior
Nada deixam entrar, nada deixam sair
Tornamo-nos tão duros e secos
Que, com ou sem blindagem, somos a mesma coisa
Inertes e alheios ao que se passa além de nós.
Quanto mais frágil o ser
Mais forte faz-se necessária a blindagem
Isolados do mundo, da vida
Morremos por doença autoimposta
Morremos por asfixia emocional.
Alda M S Santos

Nossos anjos

NOSSOS ANJOS 

Se passarmos um filme em retrospectiva de nossas vidas

Poderemos observar algo que irá sempre se repetir

Mudam o local, o cenário, os atores, a trilha sonora, até o roteiro

Porém, a história é a mesma em várias versões

Desafios e obstáculos superados.

Talvez não pareça vitória ou superação,

Mas, entre as opções existentes, nos saímos bem.

Muitos foram os buracos em que caímos, 

Os vãos em que nos esprememos.

Inúmeros desvios de obstáculos, 

Incontáveis escorregadas em falsos amigos,

Bastantes as vezes em que corremos do amor ou para o amor,

Ou nos sentamos, choramos, reabastecemos energias,

Restauramos as forças…

Veremos que em todos esses momentos havia alguém especial conosco

Enviado por Ele para nos fortalecer. 

Como essa é uma história aberta, em construção,

Quais são os obstáculos de agora, nossos “inimigos” atuais?

Quem é nosso anjo especial? 

Nunca estamos sós! 

Alda M S Santos

Deficiências

DEFICIÊNCIAS

Ah, se todas as deficiências fossem tão aparentes!

Muitos de nós não sairíamos de casa.

Braços, pernas, mãos…

Esses todos vemos, sabemos lidar com eles, aceitar, ajudar… 

Quantas “deficiências” se escondem atrás de um sorriso bonito,

De um “bom dia” simpático,

De palavras animadoras, 

De um corpo atraente…

Psicopatias, patologias controláveis, outras não, compulsões, obsessões… 

Falhas graves de caráter,

Aquelas que, muitas vezes, depois de um ato inesperado dizemos:

“Fulano? Nossa, quem diria! Não esperava!”

Antes de apontarmos falhas em qualquer um, olhemos para dentro de nós mesmos,

Encontremos nossas próprias deficiências, 

Ou daqueles tão próximos de nós e que pensamos saber tudo! 

Alda M S Santos

Hibernar é preciso

HIBERNAR É PRECISO

Hibernar é preciso!

Um sono induzido…

Poupar as energias, as emoções

Baixar a temperatura, desacelerar o coração 

Quando há pouca oferta externa

Confusas opções internas

Hibernar é preciso!

Redistribuir nutrientes emocionais. 

Encher de calor a alma

Hibernar é preciso,

Em todas as estações! 

Alda M S Santos

Quem ama, mata!

QUEM AMA, MATA!
Matou por amor.
Tão paradoxal que beira à insanidade.
Nossas crianças e jovens ouvem e veem isso todos os dias.
Crescerão acreditando que quem ama mata.
Basta não se sentir amado, ser contrariado ou não ter seus desejos atendidos.
Que é natural matar “por amor”.
Quem ama mata! Todos os dias, todo o tempo.
Não a morte do corpo, não a morte da alma.
Mata a necessidade de companhia, mata a ânsia de se ver belo no olhar do outro, mata o desejo de fazer amor, de sorrir e conversar juntos, mata a solidão…
Quem ama vive, gera vida, para si, para o outro.
Quem ama não mata, não mutila ou deforma o corpo, não ameaça, não amedronta a alma, não tira a luz do olhar, o brilho do sorriso.
Quem acredita que quem ama mata seu “objeto” de amor, literalmente, está matando aos poucos o amor no outro.
E já matou o amor dentro de si há muito tempo.
Alda M S Santos

Prazeres simples 

PRAZERES SIMPLES

Mais que poder ignorar o despertador, 

Prazer é ter uma cama onde continuar dormindo

Ou deitado…

Observar o dia amanhecer tranquilamente

Os raios de sol atravessando a janela

Aquecendo nosso corpo sobre a cama

Ouvir a paz que reina no silêncio da aurora

Sons do silêncio… 

Esses permitem ouvir nossos corações

Agradecidos, esperançosos, repletos de desejos…

E um dia lindo pela frente a convidar:

Vamos?

Alda M S Santos

Um bom dia para morrer

UM BOM DIA PARA MORRER

Qual seria um bom dia para morrer? 

Parece óbvio, nenhum, visto que ninguém quer morrer.  

Mas, sabendo que é a única certeza da vida, não seria “justo” que pudéssemos escolher? 

Tanta gente vai embora depois de muita luta, doenças e sofrimentos. Quase até podem imaginar o momento da partida.

Outras são subtraídas da vida no auge dela, em plena alegria e vigor, independente da idade.  

Quando criança ouvia e me impressionava muito sobre o quase fim do mundo com o dilúvio, e profecias sobre o próximo fim ser com fogo. Tinha muito medo! Falava que queria morrer dormindo e logo me arrependia pois, se Jesus, sendo perfeito, tinha morrido sob tortura, quem era eu para desejar moleza?

Mas qual seria o melhor momento? 

Depois de adquiridos todos os bens? Ter viajado muito? Gargalhado até a barriga doer? Trabalhado incansavelmente? Feito incontáveis amigos? Filhos independentes e criados? Ajudado aos mais necessitados? Vivido plenamente o amor que sentiu, que se apresentou? 

Seria melhor ir em plena saúde e energia, ou depois de ter corpo e mente definhados? 

Logo após uma grande alegria e conquista, ou num momento de perda e dor? 

Quando estamos no auge da alegria, amor, prazer, sequer pensamos nela. Tudo é vida! Pareceria injusto sair no melhor da festa! 

Quando sofremos por qualquer mal, nos entristecemos, não temos perspectivas, estamos doentes, pensamos nela com mais frequência. Não parece injusta ou assustadora. Até a encararíamos como uma amiga bem vinda! 

Sem fatalismos ou mau agouro, se ela chegasse hoje, o que pensaríamos? O que “diríamos” em nossa defesa? Ou a seguiríamos tranquilos?

Verdade é que, salvo exceções, não estamos preparados para ela.

Apesar de ninguém querer ficar entrevado numa cama, dependente dos outros, sempre pensaremos que ainda nos falta muito a viver. 

Fomos criados para defender a vida em qualquer circunstância, com ou sem sofrimentos, com 8, 18, 50 ou 80 anos! 

Ainda que em vários momentos tenhamos vontade de jogar a toalha, dizer que cansamos dessa brincadeira, que não está tão divertido assim, que queremos voltar pra casa…

Olhando por esse ângulo não é injusto não termos poder de escolha! Não saberíamos fazê-lo.

Sendo assim, seja qual for o momento que estivermos vivendo, melhor fazê-lo da melhor maneira possível. Se bom ou produtivo, intensamente, se triste ou ruim, fazendo nossa parte e torcendo para passar logo, pois, mesmo que não pareça, sempre passa.

Ideal seria que vivêssemos de tal modo a não temê-la, sequer lamentá-la! 

Ir, ou deixar ir, permitir que a luz se apague, de bom grado e com a certeza de ter feito o melhor que pudemos. 

Um bom dia para morrer? Qualquer um! Só Ele sabe! 

Alda M S Santos

Um, dois, três…Lá vou eu! 

UM, DOIS, TRÊS…LÁ VOU EU! 

Caminhando, fim de tarde, estradinhas de terra, cheiro de mato, brisa suave, sons de pássaros, vista de muito verde. 

Uma cadelinha de “todo mundo” nos acompanha feliz. 

No caminho nos deparamos com várias crianças correndo. Ouço uma delas contar: 1, 2, 3, 4… Procuro de onde vem o som. 

Vejo-a agachada sobre um tronco, olhos tapados, ela é o pegador da vez. 

Parei pra observar. Havia umas dez delas. Blusas e shorts simples, descabeladas, descalças, suadas, sorridentes e felizes. 

Deviam ter entre 7 e 13 anos. O sítio de onde saíram tinha meia dúzia de cachorros agitados. Uma senhora estendia roupas nos varais.

A menininha grita a plenos pulmões: “30, lá vou eu, quem escondeu, escondeu…”.

Há quanto tempo não via crianças brincando de esconde-esconde na rua, como eu fazia! Nostalgia gostosa! 

A modernização, a tecnologia, os avanços urbanos trouxeram muitas melhorias para a vida de todos, mas a perda para a segurança e a liberdade de adultos e, principalmente das crianças, foi devastadora! 

Essa alegria de brincar na rua, ter muitos amigos “reais”, jogar bola, soltar pipa, andar de bicicleta, bater papo sentado no meio-fio, acender fogueira, brincar de jogo da verdade, as crianças de hoje não têm! 

Não há vídeo-game, smartphones, TVs, computadores, tablets ou academias que substituam! 

Falta contato humano!

Vivemos presos em prédios, blocos de concreto, atrás de grades e de medos! 

Meus filhos já não tiveram tanto como eu tive. O que será de meus netos quando vierem? 

Quem pode proporcionar aos seus, e valoriza, faz um esforço e leva-as aonde as brincadeiras e a vida acontecem “de verdade”.

Um deles grita: “1, 2, 3, salvo todos!”. Outra responde: “Mais umas só, que logo vai escurecer e não vai dar”. 

Aqui não tem iluminação pública. Ficar na rua, à noite, só na lua cheia ou com fogueiras. 

Retomo meu caminho, pensativa e faço uma prece silenciosa. 

Que possamos reavaliar o que temos feito de nossas crianças, acreditando estar fazendo o melhor. 

E que Deus permita que os danos não sejam muitos! 

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

Mudanças sempre são possíveis, sempre.

Só é preciso uma força motriz: desejo, vontade.

Se não temos os recursos materiais necessários, usemos o que dispomos.

Se não estamos no melhor lugar, podemos dar início partindo de onde estamos. 

Se não temos os ajudantes que queremos, transformemos em aliados quem está próximo. 

Mas, o mais importante, com o que somos, e nem sempre botamos fé, podemos fazer a diferença, ser o começo da mudança, seja ela qual for.

Qualquer mudança tem que ser sonhada, planejada e iniciada dentro de nós! 

Alda M S Santos

Imensidão 

IMENSIDÃO

Uma imensidão lá fora…   

Em nossa introspecção, conformar- se é proibido! 

Liberado, quase exigido, é sonhar, ter objetivos, projetos, desejos… 

Necessário é agir! 

A imensidão interna se expande e se une à externa…

E gera vida, muita vida! 

Alda M S Santos 

Arrumando as malas

ARRUMANDO AS MALAS

Arrumar malas exige critério, seleção, paciência.

Não se pode levar tudo!

Mudas de roupas de acordo com a estação, artigos de higiene, calçados…

Depende do tempo que ficaremos longe.

Costumamos colocar também expectativas: passeios, diversão, descanso, família, amigos, amor, novos lugares e pessoas.

Quase sempre boas, dependendo também

das companhias a bordo, do motivo da viagem e do destino pretendido.

Para uma viagem curta, tudo é mais tranquilo e fácil.

Se for uma viagem longa ou definitiva, torna-se mais difícil saber o que levar, o que deixar…

Um modo fácil de saber é anotar tudo que usamos, tudo que necessitamos, todos em quem pensamos durante um ou dois dias.

Tudo da lista é importante, fará falta. Se der pra levar, ótimo!

Há coisas e pessoas que só irão no pensamento, no coração.

 Lá haverá substitutos para alguns. Para outros, o jeito é aguardar o retorno ou cultivar boas lembranças. 

Isso faz parte de toda viagem…

No ar, no mar, na terra ou na imaginação.

É preciso aceitar e aproveitar. 

Boa viagem!

Alda M S Santos

Apenas uma carona

APENAS UMA CARONA

Uma ida à cidadezinha, sol a pino. Calor de derreter os miolos, um senhor subindo a pé. 

Observo. Estranho. Mais velho, dificuldade no andar. 

Paro: “quer uma carona?”

Ele entra: “Que bênção! Estou com um cravo no pé me matando.”

Conta uns casos, fala de seu sitiozinho, seus bichos, do tempo… Simpatia interiorana. 

Andamos uns 2 km e ele desce, muito agradecido.

Pus-me a pensar. Se fosse na cidade, eu teria dado carona para um homem estranho? 

O que tem esse lugar que nos faz confiar nas pessoas? 

Ou o que tem nas cidades grandes que nos faz desconfiar? Nos impede de ser solidários?

Temos tanto medo de assédios de todo tipo, físicos, morais, financeiros, sexuais, que pensamos milhares de vezes antes de oferecer uma mínima ajuda. Pode ser algum maníaco com uma tara qualquer…

 E assim, vamos nos afastando das pessoas, nos distanciando de nossa humanidade. 

Vamos perdendo a capacidade de nos condoer com o sofrimento alheio, de atender às mínimas necessidades dos outros.

O que será que Deus vê em nós quando nos afastamos de um semelhante, desconfiados? 

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” vale só para as cidadezinhas do interior? 

Estamos nos perdendo da essência humana. Triste constatação! 

Alda M S Santos

Incompatibilidades

INCOMPATIBILIDADES

Todos queremos fugir de incompatibilidades

Mas elas estão sempre a nos cercar…

Mal estar sem remédio

Choro sem ombro amigo

Gripe sem cama quente

Trabalho sem dinheiro

Filme sem amor

Doença sem cura

Portas sem chaves

Amigos sem risadas

Janelas sem sol

Noites sem estrelas

Sucesso sem esforço

Chuva sem cabelos molhados

Pássaros sem canto

Crianças sem alegria 

Sonhos sem realização

Sexo sem tesão

Amor sem reciprocidade…

Vida sem vontade…

Se se resolve esse último

Para todos os outros há saída 

Desejo de viver torna tudo compatível! 

Alda M S Santos

Ele estará conosco

ELE ESTARÁ CONOSCO

Fim de ano. Tempo de retrospectivas.

Análise de vitórias, atropelos, 

Alegrias e lágrimas. 

Tempo de colocar a vida na balança, de fazer balanço.

Do amor que foi dado, 

Da amizade partilhada, 

Dos sorrisos distribuídos, 

Das dores causadas, 

Das gentilezas poupadas… 

Do amor perdido…

Amor perdido? 

Amor nunca é déficit na balança emocional,

Amor sempre será superávit, capital de giro, gerador de vida.

É tempo de renovação, de planos, de recomeço. 

Lamentar é perda de tempo. 

Bom mesmo é sentar no balanço silencioso de uma praça, 

No meio do mato ou da mata,

Conversar com Ele, agradecer e confiar. 

Sem sermos carrascos de nós mesmos. 

Ele entende nossas falhas, nossas lutas, nossos desejos. 

Vamos engolir o choro,

Abrir um sorriso.

Esse ano Ele esteve conosco… 

Ano que vem, Ele estará também!

Feliz Ano Novo! 

Alda M S Santos

Liberdade x Prisão

LIBERDADE X PRISÃO

Ser sempre o “certinho”, o exemplo apontado a seguir, por mais prazeroso que pareça, é prisão.

Ser sempre o “errado”, por pior que todos o encarem, aquele de quem não esperam muito, é liberdade. 

Liberdade ou prisão? 

O certinho está proibido de qualquer deslize: “nossa, o fulano?”

O errado, mesmo chacota, pode acertar vez ou outra: “beltrano fez isso, parabéns”?

Entre erros e acertos, bom mesmo é ser “normal”.

Nem tão livre, nem tão preso à opinião dos outros.

Se se erra ou se acerta, quase ninguém nota

Sem grandes aplausos, sem grandes decepções. 

Apenas liberdade de ação e contas a prestar perante a própria consciência.

Isso já dá trabalho bastante. 

Liberdade é caminho que se trilha sozinho

Liberdade é conquista diária! 

Alda M S Santos

Deixando brotar

DEIXANDO BROTAR

De onde menos se espera surgem grandes coisas, improváveis…

Num corpo frágil e pequeno está o coração mais solidário e altruísta que existe: Madre Teresa de Calcutá.

De uma simples ostra surge uma peça dura, resistente e linda como a pérola.

Das mãos defeituosas de Aleijadinho surgiram as mais lindas obras e esculturas de imagens Cristãs.

Mesmo com sua surdez, Beethoven criou maravilhas musicais.

De mentes “débeis” na infância surgiram gênios, o maior físico existente: Einstein.

O maior genocida de todos os tempos: Hitler.

Da “guerra ” sem violência surgiu a luta pela desigualdade racial de Martin Luther King, Nobel da Paz. 

De uma simples manjedoura surgiu o Salvador do Mundo: Jesus.

Muitas são as histórias de luta, superação, vitórias e solidariedade pós decepções e limitações.

De toda dor, de toda lágrima, de toda dificuldade, de todo problema,

Algo sempre irá brotar, irá renascer, irá crescer.

Bom ou ruim, produtivo ou não…

Somos nós que decidimos o que fazer com elas.

Cuidemos do que andamos regando em nossas mentes, em nossos corações,

Plantando em nossa alma…

Alda M S Santos

Que seja o bastante

QUE SEJA O BASTANTE 

Para uns, pura energia, para outros, espevitada 

Para uns, piegas, sentimental, para outros, carinho e emoção.

Para uns, encrenqueira, para outros, inteligente, questionadora.

Para uns, amiga, atenciosa, para outros, xereta e meio atrevida.

Audaciosa ou covarde, insegura ou dona da verdade, 

Egoísta ou altruísta, fria ou sensual, 

Seca ou amorosa, bondosa ou “aparecida”, 

Extrovertida ou tímida, forte ou chorona…

Todo o tempo, não sou nem um, nem outro.

Dispenso rótulos.

Eternamente em mudança, aprendendo, crescendo…

Nunca serei o que esperam de mim

Sequer serei o que espero de mim

Cada um vê em mim o que sua percepção permite captar

Cada um recebe de mim aquilo que conseguiu conquistar…

Enquanto estiver por aqui

Tentarei ser mais que ontem, menos que amanhã…

Parafraseando Carl Jung, “quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, acorda.”

Tentando sempre ambos…

Espero que seja o bastante.

Alda M S Santos

Sem convicções

SEM CONVICÇÕES

Chega um ponto da vida em que o melhor é não ter certezas

É questionar…

Não as pessoas, exatamente

Mas as situações, a nós mesmos. 

Certezas, convicções nos travam, nos impedem de evoluir

O que possibilita o crescimento é a dúvida

O que permite que algo se acrescente é o vazio

O que nos faz novos e melhores

É o mergulho em nós mesmos

É buscar aquilo que nos agrega, nos completa

Aceitar o que nos atrai sem culpas

Afastar o que nos repele sem preconceitos

E esquecer o que não nos acrescenta, não faz bem

Simplesmente não dar importância, não despender forças  

Poupar energia vital! 

Certezas? Poucas!

Dúvidas? Muitas!

Respostas? Vou buscar!

Se não encontrar, não vou sofrer

Aprendi que cedo ou tarde o tempo ensina. 

Alda M S Santos

Lamúrias

LAMÚRIAS

O mau hábito de se lamuriar, reclamar e lamentar de tudo tem o poder de sugar uma energia importante que poderia ser usada para encontrar saídas e resolver problemas. 

Arrumar culpados para nossos problemas mina a resistência, adoece a mente, trava o raciocínio.

Rir de si mesmo e das situações ativa o cérebro e o coração. 

Mostra a maturidade emocional do indivíduo.

Boas ideias surgem.

E caminhos novos são vislumbrados! 

Bom humor é fundamental! 

Alda M S Santos 

Quero colo e calor

QUERO COLO E CALOR

É sabido que toda planta precisa de água, de chuva.

Também não é novidade que elas necessitam da luz e calor do sol.

Se, para as protegermos, as colocarmos dentro de casa, elas definham, secam.

Se, expostas ao tempo, recebem a chuva fria que cai,

E os raios do sol que as aquecem,

São nítidos o crescimento, a beleza, o viço. 

E ficam fortes para enfrentar períodos de seca ou tempestades.

Nós também temos nossos períodos de abastecimento, de reserva e de carestia.

Luz e calor, água e umidade, sol e chuva…

Carinho e amor, amigos e família, atenção e afeto são nosso sol, nossa chuva.

Fortalecidos, enfrentamos tempestades de vento, areia, ciclones e tsunamis…

E permanecemos inteiros. 

Esconder não cria resistência, fugir não fortalece. 

Exposição nos engrandece…

Vamos pra fora! Sair de dentro de nós mesmos.

Enfrentar o mundo além da “segurança” de dentro! 

Podemos nos deparar com tombos e machucados,

Mas nos arriscaremos a encontrar colo e calor.  

Alda M S Santos

Memórias

MEMÓRIAS 

Somos uma caixinha de memórias e lembranças

Todas bem guardadinhas!

Há uma certa ordem nessa arrumação.

A cada vez que uma delas é lembrada e revivida, ela fica por cima, na superfície.

Como numa busca virtual, mais fácil de ser acionada.

Aquelas que quase nunca mexemos ficam lá no fundo, últimas.

Quanto mais se mexe, mais se lembra.

Quanto mais se lembra, mais se vive. 

Daí a importância de lembrarmos das coisas boas.

Momentos de alegria e vitórias,

Lembranças de amor e prazer,

Períodos de amizade e carinho…

Instantes de abraços apertados e sorrisos falantes…

E estaremos formando novas boas lembranças.

Deixando as dores, medos e traumas submergirem.

Quando assustarmos, as coisas negativas quase não virão à tona.

Estarão no fim da busca, no fundo da caixa,

Sufocadas pelo poder da alegria e do amor. 

Um domingo frio, neblina, amor e cobertor,

Um sábado de sol, clube e amigos 

Ou uma segunda-feira de cansaço, risadas e trabalho,

Se tornarão deliciosas rotinas reais e da memória.

Se a busca na caixinha for feita com alguém que se ama, mais rica ela será.

Alguma lembrança boa?

Alda M S Santos

Renascimento

RENASCIMENTO

Tantos preocupam-se se há vida após a morte…

O problema não é se há vida ou esperança após a morte, a questão é que só podemos tê-la antes de morrer. 

Se há algo por fazer, que faça-se. 

A natureza nos mostra que mesmo quando, aparentemente, já não há vida, tudo renasce.

Tantas plantas ficam sem folhas, sem flores, apenas galhos. 

Mas as raízes estão lá, fortalecendo-se.

Ursos hibernam, alheios ao resto do mundo, apenas seguem sua natureza. 

Há um tempo de reserva de energias e retorno para dentro de si mesmo para voltar mais forte. 

Conosco não é diferente. Há períodos de introspecção. Mergulho profundo em nossas emoções, em nossos silêncios. Tempo de lamber nossas feridas. 

Esse tempo é só nosso. Alguns podem até ajudar, mas sem invasões. 

Nosso interior é propriedade nossa. Possui áreas virgens, desconhecidas. Precisamos desbravá-las, ou outros, menos hábeis ou cuidadosos, o farão.

A esperança de vida e renovação está aqui.

Uma alma leve e rica se dará bem antes ou depois daqui, antes ou depois da morte.

Aprendamos!

Alda M S Santos

O quanto você aguenta?

O QUANTO VOCÊ AGUENTA?

O quanto de tons de verde ou de azul do céu eu aguento?

Por quanto tempo eu suporto o silêncio que vem de fora?

O quanto de sossego sou capaz de aturar? 

Por quanto tempo consigo ficar sem ouvir a voz dos outros?

O quanto eu aguento de sons de pássaros, cigarras, galinhas d’angola, galos, macacos?

O quanto eu tolero dessa brisa que acaricia minha pele, disputando espaço com os mosquitos?

Por quanto tempo ficaria deitada aqui, apenas a observar?

O quanto de cores e sons eu preciso para viver? 

Tudo depende de quanta paz interior eu tenha!

Tudo depende da minha capacidade de conviver comigo mesma!

Tudo depende da minha (in)dependência dos outros. 

O quanto você aguenta?

Alda M S Santos

Por quê?

POR QUÊ?

Por que é tão fácil achar soluções para os problemas dos outros e tão difícil aplicá-las a nós mesmos?

Por que os filhos crescem, os pais envelhecem?

Por que o perto pode estar longe e o longe pode estar perto?

Por que a saudade dói, se o vivido foi bom?

Por que o amor chega, aparentemente, fora de hora?

Por que sofremos tanto por amor, se amor é bênção?

Por que sempre estamos querendo algo fora de nosso alcance?

Por que derramamos tantas lágrimas pelo que não vale a pena?

Por que poupamos sorrisos e carinhos?

Por que damos tanto ouvido a quem não nos interessa?

Por que perdemos tanto tempo com coisas sem valor?

Porque isso é a vida! 

Quando tivermos todas as respostas, provável que estejamos próximos do fim, ou não mais por aqui.

Não precisamos de todas as respostas. 

Precisamos de vida e, como tudo que é belo, ela é uma eterna e adorável incógnita!

Alda M S Santos

Superiores? 

SUPERIORES?

A sabedoria da natureza é demonstrada dia-a-dia em gotas de gratidão, fé e esperança. 

Faça chuva, sol ou ventania… 

Tempestade, seca, geada ou calmaria…

Ela enfrenta o que aparece com resiliência.

E amanhece sempre linda e forte, ainda que tenha perdido algumas folhas, frutos ou galhos. 

Tem fé que tudo é passageiro e que o Criador de todas as coisas olha por elas. 

Podemos aprender muito observando-a.

Quantas folhas, galhos ou frutos somos capazes de perder sem sofrer morte ou sérios danos à raiz? 

Não deveríamos ser mais fortes, visto que somos racionais, “superiores”?

Há muita coisa a se aprender nesse nosso “multiverso”! 

Não desanimemos! 

Alda M S Santos
 

Parceiros de caminhada

PARCEIROS DE CAMINHADA
Nós, humanos, somos praticamente “iguais” fisicamente. Pouquíssima coisa nos diferencia uns dos outros.
O corpo é formado das mesmas partes, para as mesmas funções…
Então, o que faz com que achemos algumas pessoas mais belas, tenhamos mais afinidades, prazer na companhia, numa conversa, num carinho de umas do que de outras?
O que nos faz precisar uns dos outros?
O que determina que algumas sejam tão necessárias e outras até dispensáveis?
Qual a beleza que tanto atrai e realmente importa?
É aquela que vem de dentro, as emoções, a luz que cada um irradia, a simpatia, o carisma, a espontaneidade, o sorriso, o prazer em viver.
E isso é único em cada uma, como uma digital.
Por isso, sentimo-nos atraídos pelas qualidades que nos são afins.
Essa escolha é inconsciente, não se explica. A gente sente e só.
Por isso, as pessoas precisam-se, sim. Precisam-se para trocar amor, carinhos, alegrias, boas energias, sonhos, divergências que possibilitem crescimento, paz…
Para trilharem juntas um caminho que, sozinho, não teria a menor graça.
Alda M S Santos

Não gosto

NÃO GOSTO

Não gosto de saber

Dessa vida tão passageira

Não gosto de não saber

Das necessidades não atendidas

Não gosto de querer

Impossibilidades

Não gosto de não querer aquilo que me cabe

Não gosto de me envolver naquilo que não tem sentido

Não gosto da ausência de respostas

Não gosto de estar à parte do que tem verdadeira importância!

Não gosto de parecer mal agradecida

Não gosto de não gostar

Tento muito gostar

Mesmo do que não mereça meu gosto, meu gozo, meu prazer…

Gostando ou não gostando,

Vou seguindo meu caminho

Fazendo meu viver

Enquanto não perecer.

Alda M S Santos

Despertar

DESPERTAR

Sorrir é prazeroso, receber sorrisos, idem

Ver sorrisos onde antes reinavam a tristeza

A amargura, a dor e o sofrimento é divino

Saber que você despertou tal sensação

Traz uma leveza no coração

Uma vontade de sair só fazendo coisas boas por aí! 

Despertar sorrisos, fé, amor,

Confiança que nem tudo está perdido

É incomparável. 

Alda M S Santos 

Dezembro

DEZEMBRO

O mês de dezembro sempre inspira coisas boas: 

Conclusão de etapas trabalhadas o ano todo 

Festas de amigos, trabalho, estudos, grupos, família…

O clima do Natal, a solidariedade, Jesus Menino nos nossos corações.

A expectativa pelas férias,

Retrospectivas, autoavaliações, 

Planos, muitos planos!

Saber que é apenas calendário

Um dia após o outro…

Não faz diferença.

Porque, no final das contas, 

Pra nós é sempre possibilidade de recomeços. 

Que seja lindo e produtivo! 

Alda M S Santos 

Estímulos

ESTÍMULOS

Especialistas afirmam que nosso modo de ser e agir é o resultado, a nossa resposta a estímulos externos e internos, ou seja, do ambiente e do nosso organismo. 

Mas acredito que, na verdade, a resposta que damos a esses estímulos, nossa maneira de expressar sentimentos, emoções, nosso modo de agir frente às mais variadas situações, são, afinal, respostas a estímulos internos. 

Isso porque, frente aos mesmos estímulos externos, podem haver as mais variadas respostas, das diferentes pessoas, ou a inércia completa. 

Sendo assim, os desejos, sentimentos, necessidades e emoções que expressamos são um processo interno, só nosso. 

Tudo, afinal, é interno.

Passa para o exterior e afeta o interior de todos.

Cuidemos de nossas emoções, de nosso interior! 

Alda M S Santos

48 horas

48 HORAS

Das 48 horas que certos dias parecem conter

Muitas delas passamos em transe

São aqueles dias cujas emoções são tantas

Que superariam nossas forças, 

Abalariam nossa estrutura

Não fossem a presença amiga

A mão que se estende

O abraço que consola

O sorriso que compreende…

Talvez a gente nem perceba

Mas ao final dele, ao encostar a cabeça no travesseiro. 

A mente diz “ufa”, o corpo pesa, a alma, mesmo agradecida, muito contida, chora,

E dormem…

Mais confiantes ainda num poder Superior que a tudo acompanha 

Flores, bichos, principalmente a nós, seres humanos tão falhos. 

Que outros dias possam vir!

Com 12, 24, 36 ou 48 horas…

E não estaremos sós! 

Alda M S Santos

Persistência

PERSISTÊNCIA

Há duas coisas em comum entre todos os humanos, 

Antes ou depois de Cristo, 

Aborígenes ou filósofos, 

Religiosos ou ateus, 

Inteligentes ou simplórios, 

Intelectuais ou braçais

Homens ou mulheres, 

Livres ou escravos: 

Todos querem a felicidade.  

Todos inventam inúmeros problemas e são complexos demais para encontrá-la na simplicidade que se apresenta debaixo de seu nariz! 

Felizmente, somos persistentes

E temos um Pai que não desiste de nós!

Alda M S Santos

Reformas

REFORMAS

Temos sempre a tendência de reformar tudo. Somos engenheiros naturais. 

Em tudo vemos possibilidades de melhoria, de renovação. 

Até aí, tudo bem! 

Compramos ou alugamos uma casa. Mesmo perfeita, queremos novas paredes, nova pintura, trocamos pisos, janelas. Queremos que fique a nossa cara, mais arejada e confortável. 

Um novo carro ganha adereços e acessórios que o tornem mais vistoso e prático.

Uma roupa nova pode precisar de ajustes, encurta daqui, aperta dali, coloca uma manga, um cinto…

Nosso próprio quarto sofre mudanças constantes…

E nossos amigos, filhos, cônjuge, familiares?

Também queremos mudá-los, adaptá-los, adequá-los, melhorá-los? Quase sempre! 

Algumas características que não julgamos positivas, ou que não combinam conosco, ou  julgamos que não fazem bem a eles, ou a nós mesmos, queremos extraí-las, minimizá-las ou disfarçá-las. 

Querermos melhorias, para nós e para aqueles que nos cercam, é natural. Faz-se, porém, necessária a questão: o que motiva esse desejo de mudança? 

Se a resposta for o bem estar e o amor, é válida. 

Ressalta-se, porém, a importância de manter as características naturais. 

Uma casa não pode ter certas paredes mexidas, sob pena de abalar a estrutura. 

Um veículo não pode receber acessórios que comprometam sua potência.

Uma roupa não pode sofrer tantos ajustes que pareça outra. 

Uma pessoa precisa manter sua essência, ou perderá a própria identidade.

Vale a velha dica das casas; se necessário for mudar tanto, melhor jogar no chão e começar do zero. 

Se para nos atender for preciso mudanças radicais, seja na casa, no carro, nas roupas, nas pessoas, precisamos refletir: ou mudamos um pouco a nós mesmos, também, ou buscamos nova casa, carro, roupas ou pessoas. O trabalho, tempo e custo para mudar não valerá o resultado. 

Apesar de não haver medida perfeita, sempre haverá por aí objetos, coisas e pessoas que combinem exatamente conosco.

Basta ter paciência e saber procurar. 

Alda M S Santos 

Fazenda do Quartel- GUANHÃES- MG

Quem não tem cão caça com gato

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO

Sempre achei esse ditado frustrante.

Se não conseguimos o que queremos, 

Devemos nos satisfazer com o “possível”.

Ele é limitante, nos estaciona, paralisa

Impede de buscar o que realmente importa.

QUEM NÃO TEM CÃO, QUE BUSQUE-O

O gato será sempre o gato

É delicado, manhoso, ágil, 

Tem sete vidas, mia, caça

Mas é gato!

Não vai latir nunca!

Se o que queremos é um cão,

Precisamos determinação e coragem! 

Há muitos cães por aí!

Inclusive aquele cão específico

Que nos proporcionará a “caçada” ideal.

Alda M S Santos

O que temos pra hoje?

O QUE TEMOS PRA HOJE? 

Eu quero poder escolher:

Aquele abraço apertado logo cedo, 

Um beijo de surpresa na nuca, 

Um sorriso largo de bom dia!

Palavras doces, olhar terno, humor positivo…

Se não for possível, 

Devemos vencer o que nos impossibilita

A “fera” que existe dentro de nós…

Uma missão quase impossível! 

Mas são três as opções:  

Enfrentá-la todos os dias, vencendo alguns rounds e perdendo outros, 

Aprendermos a conviver pacificamente com ela, 

Ou sermos totalmente dominados…

Apenas quando a controlarmos Saberemos enfrentar as feras dos outros que se apresentarem. 

O dia está aí…lindo…

Cheio de possibilidades.

Cabe a nós aproveitá-las ou passar a vez. 

Que Jesus nos abençoe! 

Alda M S Santos

Na dança

NA DANÇA

Dizem que na dança o cavalheiro conduz a dama. Nunca concordei muito com isso. Gosto de “participar”. 

Às vezes, é a dama que melhor conduz, guia, faz melhores passos, gira, tem maior jeito e desenvoltura.

Por que deveria esperar pra ser conduzida por alguém que não sabe muito bem como fazê-lo? 

Há pares e pares. E nem sempre o cavalheiro é apto o suficiente na condução, a dama o faz melhor e ele precisa aprender a deixar-se levar para fazerem um bom número.

Na dança da vida acontece justamente isso. Ambos revezam-se na condução. 

A dama pode ser apta na condução de alguns “ritmos” e “estilos”: samba, pop, rock. 

O cavalheiro pode sobressair-se na valsa, tango, bolero, danças de salão! 

Saber qual o momento de conduzir e de ser conduzido, tomar as rédeas da situação ou deixar-se levar, é um aprendizado importante e que facilitará nossos relacionamentos.

Assim, tanto a dança de salão como a dança da vida tornam-se lindas e harmônicas! 

Alda M S Santos

Esqueça

ESQUEÇA

Esqueça! 

A angústia que aperta o peito

A saudade que dói

Aquela necessidade que não passa.

Há coisas que só esquecendo!

Esqueça!

 O trabalho que só te suga

A amizade que não era tão verdadeira

O amor não correspondido.

Melhor não lembrar!

Esqueça!

A ingratidão que recebeu em troca

O afastamento de alguém especial

O amor que te magoou…

Aquele sonho inalcançável! 

Lembrar cansa!

Esqueça!

Mas se for impossível, 

Lembre-se!

Ative a coragem, a força

E lute!

Essa luta possui muitos rounds! 

E jogar a toalha antes da vitória ou do nocaute

Não demonstra espírito esportivo!

1, 2, 3, 4…! 

Alda M S Santos 

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