FASES: JOGANDO
Somos feitos de fases. Todos nós. Como num jogo.
A cada uma delas que é vencida, outra logo se segue.
Como nos jogos eletrônicos, nos viciantes vídeo games.
E ela não quer saber se estamos preparados ou não.
Vem com tudo, novas dificuldades e provações
Que exigirão habilidades já desenvolvidas,
E também muitas outras a desenvolver.
Não há sequer tempo de comemorar a fase anterior superada.
A seguinte se impõe logo como dona da vez.
Se não ficarmos atentos, é morte súbita, game over.
Sem dó ou piedade!
E mesmo com tantos viciados nos vídeo games
Nem mesmo eles estão preparados para o jogo da vida.
Ela não permite pausar o jogo.
O jogador pode até estagnar, mas o jogo continua à sua revelia.
Aliás, enquanto jogam viciantemente, outro jogo segue em paralela.
O jogo de suas próprias vidas.
Alda M S Santos
NOSSO PAÍS PRECISA DE MÃES
Nosso país precisa de lições maternas:
Nos lares, nas escolas, nas igrejas, nos (des)governos.
Seu direito termina onde começa o do outro.
Respeite os mais velhos e experientes.
Levantar a voz é perder a razão.
Se não é seu, deixe onde está.
Guarde o que usar, lave o que sujar, feche o que abrir, apague o que acender.
Procure acertar, se errar, desculpe-se e aprenda a lição.
Ajude os mais fracos, não se mostre superior quando for mais forte.
Seja confiável, mas não confie em todos.
Pegou emprestado, devolva, deu, tá dado.
Mantenha distância de estranhos.
Não prejudique ninguém e procure caminhar pra frente.
Será que nossos governantes tiveram mães?
Como parece que não receberam as mesmas lições, vale lembrar mais duas:
Lute por seus direitos.
Não procure briga, mas também não apanhe, saiba se defender!
Nosso povo precisa dessas duas momento.
Alda M S Santos
APRENDENDO A AMAR
Nós, humanos, nascemos com grandes potenciais.
Todos precisam ser desenvolvidos:
Alimentar, falar, andar, ler, escrever…
Aprendemos também a amar.
Cercamo-nos de pessoas que nos ensinam
A falar, a andar, a ler, a escrever, a nos alimentar.
Aprendemos tudo isso na prática diária.
Com o amor não é diferente,
Aprendemos a amar, sendo amados,
Aprendemos a amar, amando cada dia um pouco mais.
Descobrimos que o amor é antídoto para muitos males,
Que em qualquer “luta”, ele é o vencedor,
Que tem aliados importantes, que cativa outros bons sentimentos,
Se a lição for mesmo bem aprendida,
Sabemos que ele nunca é um mal, é voluntário, gratuito, nunca imposto.
As pessoas que mais sofrem e fazem sofrer nesse mundo têm carência dessa preciosa lição,
Não receberam amor o suficiente, não aprenderam o suficiente.
Seu aprendizado começa bem cedo, antes mesmo do nascimento,
No ventre de nossas mães já estamos praticando.
E nunca, nunca acaba!
Nesse círculo vamos girando, amando sempre,
Ensinando e aprendendo, enquanto houver vida!
Alda M S Santos
TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos
OUTONO
As folhas caem, o ar se veste de tons amarronzados,
A brisa suaviza, esfria, galhos ficam seminus,
O clima resseca, a natureza se protege para a temporada gelada.
Sábia, antevê tempos difíceis, reserva energia.
Para muitos, a beleza e alegria se perdem no outono,
Para outros, elas apenas ficam camufladas, protegidas, resguardadas.
Um outono verdadeiro é muito mais lindo que uma primavera forçada.
Quantas vezes precisamos ser outono, nos resguardar, fortalecer,
E insistimos em ser primavera, desperdiçando energia valiosa?
Quando encaramos de frente os outonos de nossas vidas,
O inverno torna-se menos pesado e retornamos com esplendor redobrado,
Deixando a primavera desabrochar no tempo certo,
Com novo brilho, novas cores, novas flores, novos amores,
Nova vida!!!
Alda M S Santos
MOTIVAÇÕES
Outro dia, numa das minhas caminhadas ao anoitecer, avenida muito cheia,
Passa correndo por mim uma jovem mãe empurrando um carrinho de bebê.
Vestida para malhar, o bebezinho deitado no carrinho todo satisfeito e protegido,
Participava da vida da mãe enquanto ela praticava sua corrida.
Pus-me a pensar em “quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa”.
Sabe-se lá o que essa mãe não teve que fazer para estar ali se exercitando?
Ou do que precisou abrir mão?
Penso que isso vale para tudo na vida. Tudo depende da nossa força de vontade.
Obviamente a vontade sozinha não resolve tudo, mas é mais da metade do caminho.
Tanta gente se entregando a doenças, vícios, males dos mais variados…
Sem querer minimizar o problema de ninguém, é preciso buscar a vontade dentro de si.
Buscar amigos, família, ajuda profissional, Deus, o que se fizer necessário.
Parece óbvio, mas só colhemos aquilo que plantamos.
Há pessoas que passam a vida fumando como chaminé, quando um médico diz: “ou para agora ou morre”, milagrosamente a força de vontade aparece.
Quando uma mãe diz: “ou arruma uma ocupação ou acabou televisão, computador e mordomias”, um emprego aparece.
Quando uma esposa diz: “ou as bebedeiras ou eu”, a escolha é feita, ainda que sejam as bebedeiras. Nem sempre as pessoas gostam de si mesmas.
O que falta na vida das pessoas para gerar mudanças importantes e significativas é a motivação, a força de vontade, o medo de perder algo.
Muita ajuda pode vir de fora, mas a primeira marcha somos nós mesmos que engatamos, quando percebemos que só estamos andando em marcha-à-ré.
É pra frente que se anda!
Alda M S Santos.
CONSTRUINDO
Passamos a vida a construir. Somos construtores natos:
Uma casa, uma profissão, um lar, uma família, um amor, uma amizade…
Li certa vez que há pessoas que sofrem da síndrome do arquiteto
Planejam, constroem, dedicam-se a algo com afinco e amor,
Quando a obra planejada fica pronta não a habitam,
Partem para nova construção.
Pessoas inquietas, nômades, em trânsito, que não se prendem a nada ou ninguém.
Encontram prazer no construir, no conquistar, no realizar, no poder possuir.
Objetivo atingido, obra pronta, buscam novas emoções.
Acredito que nossas conquistas precisam ser curtidas.
As construções precisam ser habitadas!
Deus construiu o mundo aos poucos até chegar a seu objetivo máximo.
E parou para descansar e admirá-lo.
Acho que todos devemos chegar nesse ponto.
Porém, o ideal é que encontremos prazer na construção e na morada.
E sempre podemos reformar, quebrar uma parede aqui, mudar a cor ali.
Aumentar uns espaços, vitalizá-los, trocar portas e janelas…
Um bom construtor sempre encontra um jeito,
Sem ser preciso novas construções.
Deus até hoje mexe na sua obra, mas não desistiu dela.
Ele habita em nós todo o tempo.
Alda M S Santos
MELANCOLIA
Melancólicos ficamos quando percebemos que a vida, por vezes,
É muito cordão para pouca pérola…
Escolhe daqui, procura dali,
Muitas pérolas falsas, pouquíssimas verdadeiras.
Pérolas à venda, pérolas dos outros,
Fica difícil montar um colar.
Ainda assim, cuidemos de nosso cordão e das pérolas que possuímos.
Mesmo que demore, outras virão.
Sua raridade é que as faz tão valiosas…
Tão especiais!
Alda M S Santos
PRECONCEITOS? CANSEIRA!
Preconceito hoje em dia virou palavra da moda, aquele que se forma sem fundamento, um pré-conceito, ou seja, formado sem exame crítico e sem conhecer algo do que se examina antes de defini-lo.
Sempre existiram, os mais diversos: de gênero, de opção sexual, de condição financeira, culturais, religiosos, contra os deficientes, de raça…
Hoje em dia, a lei “protege” as vítimas de preconceitos, mas isso, definitivamente, não garante que ele seja eliminado, sequer diminuído.
Os que estão sempre em “alta” são os raciais e os de opção sexual: racismo e homofobia.
A última manchete é: “advogado de 70 anos agride e chama cabeleireira de macaca em BH”.
“Pessoas próximas queriam dar uma surra nele, advogados queriam minimizar o problema.”
Nunca consegui conceber o que leva uma pessoa a julgar a outra inferior por qualquer razão que fosse, mas a questão racial é a mais revoltante e inconcebível.
Acredito ser de uma baixeza profunda: de caráter, de coração, de alma.
Vindo de uma pessoa de boa formação (?), vivida (!), conhecedora das leis terrenas (?) é ainda mais inaceitável.
Muitos diziam: não sabe que é contra a lei?
A questão não é essa! A lei maior não deve ser a dos homens, mas a de Deus: somos todos iguais perante Ele, irmãos entre nós.
Somos um país “liberto” da escravidão há 135 anos, mas continuamos escravizados por pensamentos mesquinhos e desumanos.
Ainda somos “senhores”, “capatazes”, ainda que em nossas veias corra o sangue mestiço de uma raça lutadora e guerreira.
A cada vez que a mídia divulga um caso desses, mais gente se amedronta, outros se revoltam dizendo que “não se pode fazer mais nada que é preconceito”.
Não consideram o quanto nossa dívida histórica com os negros é gigante, vergonhosa.
Enquanto nossa mente for pequena e limitada precisaremos de leis para coibir certas desumanidades.
O preconceito está entranhado em nós e da pior forma, velado.
Quando olharmos para os diferentes de nós e não julgá-los inferiores pelo que quer que seja, poderemos nos ver livres dessas leis.
Enquanto isso, prisão, ônus financeiro, vergonha para quem tiver essas atitudes. É o mínimo!
Alda M S Santos
SENTINELAS
Reclamamos muito dos juízes e carrascos da vida, que não são poucos!
Porém, muitas vezes, somos nós mesmos que nos julgamos, condenamos e executamos a pena: juízes, jurados e carrascos.
Por medo, preconceitos, desconhecimentos, falta de habilidade ou tato, por preguiça ou covardia, nos excluímos da vida.
Aquele curso, trabalho, empreendimento, ou proposta interessante que recusamos.
Uma atividade física que melhoraria nossa saúde e humor e não fazemos.
Uma viagem, um passeio, um convívio familiar dos quais não tomamos parte.
Novas amizades ou amores que abrimos mão, que fugimos, julgamos não merecer.
Nós mesmos abrimos mão, desistimos de algo que nos faria apenas o bem.
Somos nós mesmos, com nossa mente conturbada e volúvel, ora leão feroz e corajoso, ora ratinho amedrontado e covarde, que fazemos os caminhos de nossa vida.
Muitas vezes nós, como carrascos, não matamos de imediato, apenas somos sentinelas da cela nas quais nos colocamos.
Alda M S Santos
DE VOLTA PARA O ÚTERO
Vontade enorme de me enroscar em mim mesma
Ficar quietinha, respirar suavemente, pensar em nada
Preocupações e sensações zero, apenas o “inexistir”.
Colocar-me em modo voo, gastar pouca energia
Não atender a ninguém, nem a mim mesma.
Tudo nos ajustes “inativos”, “não perturbe”.
Voltar para o útero, encolhidinha,
Ambiente aquecido, solitário,
Dentro d’água, sons amortecidos.
Alimentada, nua, nem respirar precisa…
Apenas um carinho suave vez ou outra,
E nada podendo me fazer mal ou causar dores.
Faço X nessa opção!
Alda M S Santos
DORES NA SIMPLICIDADE E NO LUXO
Numa semana, num lar de idosos de classe baixa, na outra, num núcleo luxuoso para a maturidade.
Ambos com idosos colocados ali para serem cuidados, tratados, terem sua dignidade preservada.
Espaços limpos, pequenos e simples de um, destoam dos espaços amplos, muito bem decorados e bem aproveitados de outro.
Idosos em seus melhores trajes para receberem as visitas.
Um banho e roupas simples e ausência de acessórios de um, roupas e calçados finos, colares, brincos, maquiagem, chapéus, penteados, cabelos bem pintados e unhas bem feitas do outro.
No primeiro, poucas atividades além da rotina diária: refeições, banho, TV, pátio, sono, medicamentos.
No segundo, agenda cheia: leituras, músicas, visitas agendadas, apresentações, artes, convidados de todo tipo.
Mulheres interagem mais. Os homens, ou são galanteadores ou ranzinzas, muito calados, ou quase incapazes.
O que há de semelhante além de serem homens e mulheres idosos entre 70 e 100 anos de idade?
São como crianças! Olhos sem muita vivacidade, mas com brilho úmido, carentes de afeto. Todos eles!
Abraçam-nos e agradecem a nossa atenção e dedicação como algo precioso.
Querem ser tocados, ouvidos, compreendidos. Precisam do nosso tempo.
Cantamos músicas da sua época (com nossas vozes maravilhosas), deixamos a vergonha em casa, dançamos, tentamos ignorar os mais rabugentos, trazê-los para nós. Quase sempre conseguimos.
Em ambos, poucas visitas recebem. Alguns, ninguém os procura.
O mais triste é que, mesmo aqueles cercados de gente, de atividades, de “amigos”, de tarefas, falta-lhes algo.
Recebem amor, mas querem aquele amor especial, aquele amor específico, aquele que grudou na alma e dói a ausência.
Como me disse uma idosa sabiamente, eles têm muitas presenças, mas uma ou duas ausências impedem definitivamente a felicidade.
Concordo com uma senhora trovadora, residente do lar, autora de livros de outrora:
“Saudade, com tanto lugar lá fora, porque você insiste em doer aqui dentro?”
Divirto-os, me divirto e agradeço a cada um deles a oportunidade de me tornar uma pessoa melhor.
Alda M S Santos
CARNE FRACA?
Até onde eu estava acostumada a ouvir
“Carne fraca” era a justificativa dos pecados da luxúria
Aqueles que envolvem libido em alta e caráter em baixa.
Quanto ao que se refere hoje, Operação Carne Fraca,
Envolve crime de adulteração de carnes em putrefação
Com produtos químicos altamente danosos para maquiá-las,
Mistura de água para aumentar o peso, entre outros absurdos.
Marcas “acima de qualquer suspeita” envolvidas nessa fraude
Personalidades “importantes”, propinas, negociatas,
Dando aval a carnes com produtos cancerígenos!
Pessoas que deviam zelar pelo bem da coletividade
Envolvidas num crime de abrangência mundial.
Até onde chega a maldade e falta de caráter humanos?
Uma população carente, que pouco tem acesso a esse luxo
Paga caro por um produto que as leva para o caixão.
Ambas as “carnes fracas”, esta e a primeira,
Traem, enganam, mentem, se acovardam,
E matam!
Alda M S Santos
DIANTE DO ESPELHO
Diante do espelho eis a questão:
Quem é essa que me retribui o olhar?
Que olha além do brilho úmido, do tom castanho?
Dos cílios negros, do piscar intermitente?
Que tenta atravessar, ver em 3D, do outro lado?
O que vê? O que quer? Do que precisa?
Corajosa, mantém o olhar fixo em mim.
Mergulho profundamente, navego ali, temo me perder.
Vasculho recantos escondidos, cutuco pontos doloridos
Áreas obscuras, fechadas, há muito trancadas.
Retiro descartes jogados num canto, recupero itens da lixeira,
Troco “objetos” de lugar, demoro-me junto a alguns sentimentos
Sento, converso com eles, negocio, tento compreendê-los,
Aceitá-los, aproveitá-los, reativá-los ou descartá-los.
Tanta gente que já se foi e está ali. Reencontros, sorrisos. Para sempre serão amadas.
Vejo muito, vejo tudo, entendo tanto!
Hora de voltar!
Ela continua a me olhar. Lágrimas escorrem ali…
Lubrificaram o caminho difícil.
Encaram-se. Sorriem.
Não foi difícil encontrar o caminho de volta.
Bastou seguir o amor, como migalhas de pão, deixado nas trilhas.
Apesar de tudo, são vitoriosas.
Lembram de um verso que leram:
“Perdoa o que tiver que perdoar, abrace o que tiver que amar e o resto deixa, que a vida se encarrega de afastar”- (Tati Zanella)
Ou trazer de volta.
Alda M S Santos
VENTOS
Uma brisa, um ventinho leve, uma ventania
Aprecio seus efeitos estimulantes ou calmantes.
Se felizes, senti-lo na pele é extremamente prazeroso.
Causa euforia, animação, energia.
Se tristes, tem o poder de relaxar, de acalmar.
Um desânimo, uma alma angustiada, um coração apertado
Uma saudade, uma mente inquieta, um corpo cansado…
Na sacada, no alto de um prédio,
No alto de uma montanha, sentados na relva.
Na rede, na varanda, de madrugada, olhando a lua
Pedalando furiosamente numa estrada qualquer
Numa motocicleta, sem capacete, com cuidado.
No lombo de um cavalo trotando em trilhas na mata.
Num carro, vidros abertos, música alta, velocidade máxima…
Apertando o pé e seguindo em frente.
Sentindo o vento secar as lágrimas insistentes
Desarrumando os cabelos já rebeldes.
Levando embora o que é ruim, trazendo o que é bom!
Arrumando as gavetas da alma e do coração…
Alda M S Santos
ADAPTAÇÕES 💔
Sempre me impressionou a capacidade de adaptação dos seres humanos.
Quantas mutilações podem sofrer e continuar em frente.
Transferem a tarefa ou função perdida para outra área, outro membro, outro órgão.
Perdem pés, pernas, mãos, braços, articulações, órgãos diversos.
Usam outros em substituição, adaptam-se, sobrecarregam outra área. Basta ver uma paraolimpíada.
Diminuem a capacidade, arrefecem a vitalidade, mas a vida continua.
A vida sempre se impõe!
Até o cérebro pode “perder” certas partes e continuar ativo.
Mas se existe uma parte cuja adaptação é complicada é o coração.
Transplanta-se coração, tudo bem. O músculo coração pode ser substituído.
Porém, seu conteúdo, aquele gravado na alma, não se substitui facilmente.
Um filho, os pais, irmãos, amigos, amores…
Quem perde algo ou alguém importante tem sérias dificuldades para continuar.
Aqueles cuja alma já registrou como parte de si,
Quando se vão, saem levando um pedaço da própria alma em que grudou.
Substituição ou complementariedade de alma eu nunca vi.
A saudade até tenta compensar, mas não faz um trabalho muito bom.
Ao mesmo tempo em que pode alegrar, pode também ferir.
Esse tipo de adaptação o ser humano ainda precisa aprender.
Alda M S Santos
MANTENHA DISTÂNCIA PARA SUA SEGURANÇA
Sabe aqueles dias em que estamos dando choque em nós mesmos?
Pois é! Aqueles nos quais deveríamos carregar pendurada no pescoço e nas costas uma placa com a frase de para-choque de caminhão:
“Mantenha distância para sua segurança”.
Estamos impacientes, tristes, inseguros, insatisfeitos, decepcionados, com raiva até!
Ideal que nem saíssemos do quarto para evitar maiores danos ao “patrimônio” próprio e alheio! Risco de curto-circuito! Pane total.
Mas a vida chama! Trabalho, estudo, família, amigos, afazeres diversos.
Felizmente!
Lá fora, mesmo emburrados, escondidos atrás de uns óculos escuros, tentamos acordar.
Devagarzinho, vamos começando a enxergar as coisas belas e boas, que são muitas, e retribuir.
Fazendo o levantamento dos males que nos atingem, deixando todos eles, um a um, pelo caminho.
Com calma, com alma, respeitando nossos próprios limites, dores e lágrimas.
Aceitando os sorrisos, os carinhos, o amor que se apresenta.
Como “diz” outro caminhão:
“Nas curvas da vida, entre devagar…”
Se não quisermos atropelar ou ser atropelados.
Que aproveitemos a paisagem e as companhias.
Boa viagem!
Alda M S Santos
A DONA ARANHA
“A Dona Aranha subiu pela parede, veio a chuva forte e a derrubou”…
Insistentes muitos de nós agimos como a dona aranha, subimos, escalamos, sob forte sol, com a confiança de chegarmos lá em cima.
Vem uma “chuva” forte e nos derruba.
E parece tudo desabar!
“Já passou a chuva, o sol já vai surgindo e a dona aranha continua a subir”.
Baqueamos, mas fortes e guerreiros que somos não ficamos ali parados.
O sol volta a brilhar, novas paredes, novas aranhas, novas companhias…
Continuamos a subir!
“Ela é teimosa e desobediente, sobe, sobe, sobe, nunca está contente!”
Afinal a chuva derrubou a aranha, não a parede.
Enquanto houver paredes ela irá acreditar que é possível subir.
Não é qualquer chuva que derruba de vez uma aranha!
Não é qualquer coisa que derruba uma pessoa determinada.
Alda M S Santos
NÃO É UMA BOA!
A inversão de valores de nossa sociedade beira à insanidade.
Um jovem goleiro promissor, Bruno, é condenado a 22 anos e 3 meses pelo assassinato e ocultação de cadáver da ex-companheira e pelo sequestro e cárcere privado do filho.
Cumpre 4 anos, é liberado da prisão, e logo tem convites de times para que possa atuar novamente.
Errar é inerente à condição humana. Não há santos! Todos erramos! Todos! Erros existem para nos ensinar. Sair de um erro e cometer o mesmo em seguida é burrice, falta de caráter.
Bruno “pagou” pelo seu crime, se é que há meios de se pagar por uma vida que se tira. Pagou, tem direito a ser recebido de volta à sociedade, reconstruir sua vida!
Mas a sensação de impunidade grita aos olhos de todos. Foi um crime hediondo, cumpriu poucos anos, volta à sociedade como se nada tivesse acontecido!
Qual a imagem que se passa para nossas crianças e jovens? Aqueles que têm pais e mães desempregados há anos, que estão também desempregados! O crime compensa?
Homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver.
Isso não é qualquer coisa, qualquer crime, qualquer erro!
A juíza do caso afirmou que a personalidade de Bruno “é desvirtuada e foge dos padrões mínimos de normalidade” e destacou que “o réu tem incutido na sua personalidade uma total incompreensão dos valores”.
Muitas piadas circulam por aí. Que ele tirou um diploma na prisão, que falta isso nos currículos dos desempregados…
É o modo do brasileiro de encarar o que o atinge. Brincando, fazendo piada.
Alguns patrocinadores do time “Boa”, que o contratou, retiraram o patrocínio. Não querem seus nomes envolvidos em tamanha sujeira.
Ontem foi recebido como celebridade por torcedores do time.
Um país em que praticamente todas as crianças sonham com o futebol, em ser jogadores, qual o exemplo que estão recebendo?
Que ídolos nossos filhos estão aplaudindo?
Nosso papel de pais e educadores torna-se ainda maior para se contrapor a tudo isso.
Fugir da questão não será uma “boa”.
Alda M S Santos.
AMOR/AMIGO
O que se espera de um amigo/a?
Mais ainda do que se espera de um amor.
Pois a amizade é um amor especial, diferente, mais leve,
Sem tantas cobranças, ciúmes ou desatinos.
Amizade tem confiança, confidências, lamentos, congratulações.
Não há necessidade de impressionar, há naturalidade, transparência.
Há ouvidos atentos, braços abertos, ombros largos, expressão calorosa.
A alegria na companhia do outro salta aos olhos de qualquer um, por mais diferentes que sejam entre si.
Onde há ao menos dois amigos/as juntos há risadas, gargalhadas, zombarias.
Também há papos sérios, conselhos,
puxões de orelhas, lágrimas, logo enxugadas pelo outro.
Há carinhos, abraços, toques, sorrisos…
Acima de tudo, os amigos acreditam uns nos outros.
Defendem-se perante tudo e contra todos.
Conhecem todos os seus defeitos e qualidades.
E tudo faz parte do mesmo pacote de amor.
Qualquer coisa boa ou ruim que lhes aconteça pensam logo nos amigos/as. Sabem que nunca os decepcionarão.
Torcem pelo sucesso um do outro e as competições, se houver, são saudáveis!
Um amor para ser completo precisa ser um amor/amigo.
Já a amizade basta por si só, pois o amor incondicional é sua essência.
Amizade verdadeira assim é coisa de alma!
Muito raro de encontrar!
Alda M S Santos
NOSTALGIA DO VOO
Qual o objetivo de se aprender a voar?
Obviamente, ser capaz de realizar o voo sem ajuda.
Voo solo. Sem supervisão ou orientações, independente.
Todos que se dispõem a ensinar algo sofrem da nostalgia do mestre.
É a nostalgia do voo solo.
Aqueles que de alguma forma se dedicam a ensinar
A orientar, estimular, curar, possibilitar o crescimento
Apagando mágoas, traumas e inseguranças
Querem que seus pupilos cresçam e apareçam
É o caso dos professores, dos médicos, dos psicólogos
De modo mais pessoal, dos pais, das mães,
Dos amantes, dos amigos…
Veem dia-a-dia a evolução de seus aprendizes
O passo a passo do aprendizado, as lutas
As quedas, a impotência, os avanços, as vitórias
E chega o dia deles voarem sozinhos, longe dos “mestres”.
Mostrar que a lição foi válida, a que vieram,
Para que tanto se dedicaram e se esforçaram.
Alegres, seguem seus caminhos, voam alto.
Aos mestres, cabe o sentimento de orgulho e de dever cumprido
Mesclados à imensa saudade e sensação de perda.
Os alunos superaram os mestres e se foram.
Os mestres devem se recolher e ficar em segundo plano,
Muitas vezes até sair de cena. Deixá-los voar.
Como as aves, as borboletas e os beija-flores.
Seres feitos para voar não podem ser mantidos presos.
Se as lições foram mesmo aprendidas
Saberão que é bom ter pouso entre voos,
E um dia retornarão para um abraço.
Os alunos, os pacientes, os filhos, os amantes, os amigos…
Alda M S Santos
POESIA
Dia Nacional da Poesia
Dia de todos nós…
Cada ser carrega em si a magia
O encanto, a beleza poética.
Em estado de dormência, de latência,
À espera dos “poetas” de plantão para despertá-la.
Uns a transformam em poemas.
Outros apenas vivem a poesia que encontram nos outros
Em forma de sorrisos, de carinhos, de abraços, de saudades,
De trabalho, de vida, de doces beijos e muito amor.
Desperte a poesia que há no outro,
Desperte a poesia que há em você!
Alda M S Santos
MARCADO A FERRO
Estava de camiseta estilo nadador
Ombros e braços à mostra,
Uma bela tatuagem de uma garota de longos cabelos nas costas
E um nome que não pude ver.
Malhava no aparelho ao lado do meu
“Nem precisa registrar assim, não é?”
O quê?
“A tatoo. É minha garota!”- disse aquele senhor mais velho.
Há outros tipos de registros, concordei.
“As pessoas escrevem suas histórias em nós de diversas formas”. – disse sorrindo.
Certamente! Umas escrevem a lápis, logo se apaga e não deixam marcas.
Outras escrevem à caneta, demora um pouco mais, mas também desmancham e deixam algumas marcas.
“E há aquelas que registram a ferro. Nunca mais conseguimos apagar”- ele completou.
Sim. Ficam impregnadas em nós. Registradas na pele, no coração e na alma. Nem que a gente queira consegue extirpar.
“É o caso dessa garota, minha filha, nem precisaria estar nas minhas costas. Ela se foi, mas está registrada a fundo lá dentro”.
Todos temos histórias registradas em nós!
“Você tem a pele limpa, mas certamente tem muitas histórias marcadas a ferro”.
Todos nós, senhor! Todos nós!
Alda M S Santos
LOBOTOMIA
“Por que a gente fica velha e lembra só de coisas que machucam o peito da gente?” -Perguntou-me uma idosa, lágrimas a escorrer no rosto enrugado, olhos cheios de histórias!
Pessoas jovens também, querida! Precisamos levar a mente a pensar nas coisas boas que todos temos, respondi.
“Mas até coisas boas ferem o coração, porque não existem mais”.
Sei que não é fácil, mas a mente é flexível, precisamos levá-la para bons lugares. Curtir a saudade boa. Interagir com as companheiras, participar mais, digo.
“Quero não, perdi o gosto, estou aqui esperando pra morrer e sozinha. Queria fazer aquela operação que apaga o cérebro da gente, como chama mesmo”.?
Lobotomia?
“Essa mesmo! Aí a gente não sofre, apaga o que dói!”
Eu a abracei e brinquei: gosta de abraço? Não gosta de cantar? Vamos cantar? Se fizer lobotomia irá esquecer os abraços, as músicas!
Ela riu e disse: “vou tentar lembrar do que é bom! Quando você volta?
Quantos de nós não temos vontade de “apagar” em nós o que nos machuca?
O risco é apagar o que há de bom também!
Melhor mesmo é conviver com nossas dores, nossos amores, nossas amizades, nossos atropelos.
E tentar produzir mais sorrisos que lágrimas, equilibrando a balança.
Alda M S Santos
RESPOSTAS
Muitas são as questões nessa vida,
Maiores ainda as variedades de respostas!
Quando a questão é a indiferença, a tristeza, a apatia
Nossas respostas podem ser idênticas à questão,
Ou também podem vir em forma de revolta, bom humor, energia
Se a questão que se apresenta for a raiva, a rebeldia, a intolerância,
Pode-se obter esses mesmos itens como resposta,
Mas é possível haver também o silêncio, a calma, a alteridade.
Quando a questão é o carinho ou o amor acontece o mesmo.
Muitos responderão com carinho e amor em diferentes intensidades.
Porém, há aqueles que responderão com indiferença, repulsa
Afastamento e até mesmo certa rispidez.
As respostas que damos ao que se nos apresenta
Dependerá, em parte, de quem nos faz o questionamento
E, a maior parte, do que temos em nós.
Questões quase sempre são as mesmas
Existem para nos instigar, nos provocar, nos acordar
O que difere nas respostas que oferecemos
São as fórmulas e dados de que dispomos para resolvê-las em nós.
Quem não aprecia a raiva ou indiferença,
Dificilmente responderá com raiva ou indiferença.
Quem não “reconhece” o carinho ou o amor,
Terá sérias dificuldades em reconhecê-lo numa “questão”
Para oferecer resposta à altura.
Porém, uma vez aprendido, sentido e reconhecido
Ninguém ficará imune a ele.
É contagioso e incurável.
Ainda bem!
Alda M S Santos
AI, QUE VONTADE QUE DÁ!
Uma fonte numa linda praça no centro da cidade
Um calor de lascar, uma criança seminua a correr na água e voltar
Um ciclista a se refrescar
Jovens “malucos” a correr na água e a sorrir…
Ai, que vontade que dá!
Uma senhora que te abraça e te aperta
Que segura sua mão, conta sua história e se lamenta, carente de afeto
Quer você, precisa de você, confia em você,
Como se te conhecesse a vida toda.
Ai, que vontade que dá!
Uma criança que te sorri, te chama a brincar, a pular, a contar-lhe uma história.
Ai, que vontade que dá!
Um amanhecer claro, ensolarado, poucas nuvens brancas a correr no azul do céu,
Deitar-se no chão, sentir o calor do sol aquecer cada parte de seu corpo e agradecer a vida.
Ai, que vontade que dá!
Um domingo inteiro pela frente, sem nenhuma programação, livre, a ser preenchido como quiser…
Ai, que vontade que dá!
Alda M S Santos
VOCABULÁRIO
Três jovens conversavam no metrô
Fiquei deveras encabulada com a riqueza do vocabulário
“Catiando, pagar vecha, cair na pilha, pera, os cana, fulerage”
Fiquei na dúvida se era mesmo o português que falavam!
Tudo bem! Se eu estivesse envolvida no papo,
Se o contexto me dissesse algo, até poderia entender.
Alguns vocábulos eram mais comuns:
“Tá ligado, sacô, birita, mina, pinta, carango, pela saco…”
Mas “sapeco, larica, cabrito, bobó…”
Desisto!
Dois rapazes e uma moça se faziam entender.
Riqueza de vocabulário? Talvez!
Fiquei a me perguntar se conseguiriam se comunicar de modo mais “normal”,
Ou se, na verdade, eu é que estava fora do padrão.
Olhei para os lados, ninguém parecia se importar.
Fones nos ouvidos, olhos fechados, digitando nos celulares…
O trem parou e um rapaz saiu:
“Dá um rolé, seco numas marola”!
“ Vá lá noiado”!
Tchau, até mais, adeus, até a próxima…
Alda M S Santos
OUTRO OLHAR
Outro dia li que devemos ver as coisas que não nos agradam sob uma nova perspectiva.
Sempre deveríamos tentar um ângulo novo, outro olhar, uma nova possibilidade.
Tentei aplicar esse “conselho” ao que via naquele momento.
Um ser humano jazia no asfalto, virava e se ajeitava, fazia-o de cama.
Passei, olhei, pensei: “tristeza viver assim, dói na gente”.
Uma avenida perigosa, carros, motos, ônibus e caminhões para todo lado.
Pessoas passavam apressadas, como eu.
Retornei, quis tentar um novo olhar.
Deve ser uma possibilidade para eu fazer algo, pensei.
Bem assim na minha frente! E não é a primeira vez!
Pensei no meu marido a dizer para não me meter, tomar cuidado, que tudo é perigoso!
Cheguei mais perto, devagar. Abaixei-me, chamei, cutuquei.
Ele se virou, se ajeitou, como se estivesse sobre seus travesseiros macios.
Chamei outra vez. Ele abriu os olhos, mas não parecia me ver.
Perguntei se precisava de algo. Claro que precisava!
Mas a gente fica meio impotente, sem saber o que dizer.
Ele riu meio sem entender e tentou se levantar.
Perguntei se queria que o ajudasse a ir para casa, onde morava.
“Por aí! Pode me pagar uma branquinha, branquinha?”
Riu da própria associação e repetia: uma branquinha, branquinha!
Falei: “Pago um prato de comida, te ajudo a ir pra casa, mas pinga não pago.”
“Então, não quero nada, branquinha! Me deixa dormir quieto aqui!”
Resmungando enrolado se ajeitou de novo em sua “cama”.
Segui meu caminho meio inconformada.
Ouvi ainda umas pessoas dizerem: “é bêbado, deixa para lá, moça!”
Mas venci meu medo e tentei ver com outro olhar.
Um dia dá certo! Pra mim e pra eles.
Alda M S Santos
DE QUANTAS HISTÓRIAS SE FAZ NOSSA HISTÓRIA?
Rimos de chorar esses dias, minhas irmãs e eu!
Extremamente prazeroso lembrar episódios da infância
As artes, as birras, as surras, a cumplicidade de irmãos
As rixas, os ciúmes, as dificuldades, o amor acima de tudo.
Ou da adolescência, as incertezas, os medos, a baixa autoestima,
A incerteza do ser adulto ou ser infantil, espremido entre ambos.
Os amigos confidentes, os primeiros beijos e paixonites
A vida adulta, os compromissos, as responsabilidades…
Tantas são as histórias! Tão ricas de emoções!
Relembrá-las é viver de novo, com uma nostalgia boa
Sem os sofrimentos! Se possível com quem as viveu conosco.
Estes, mesmo se lembrados, já não doem tanto.
O que ficou foi a certeza de ter vivido algo especial
Com pessoas especiais,
Ainda que não façam mais parte do nosso convívio!
Minha história é feita de muitas histórias,
E muitos e valiosos personagens!
E a de vocês?
Alda M S Santos
SOMOS RESPONSÁVEIS!
Tinha um homem no meio do caminho
Não um caminho especial,
Ou bonito, arborizado, gramado ou fresquinho
Piso de cimento quente, sob o sol, atrás de veículos,
À vista de todos
Sem ser realmente visto por ninguém!
Não era um ser humano, um alguém
Era um homem qualquer
Jogado num caminho qualquer,
Abandonado por outros seres humanos(?) quaisquer,
Somos responsáveis!
Alda M S Santos
AVALIAÇÃO FÍSICA
Fazer uma avaliação física e de condicionamento pode ser meio desconcertante,
Mesmo com todo o cuidado do profissional e desenvoltura da paciente.
Conversas amenas, faz-se uma anamnese, histórico físico e de saúde geral.
Mas o fisioterapeuta avalia cada detalhe
Frente, verso, laterais, pra cima, pra baixo,
Andando, indo, voltando, abaixando, esticando, dobrando,
Quase do avesso…
Olhar atento, clínico, profissional, mas incomoda.
Procura por defeitos, por falhas, algo que não se encaixa
Ou que se encaixa inadequadamente.
Aperta aqui; dói? Aperta ali: e aqui?
“Claro, caramba! Tá apertando!”
A verdade é que não é agradável ficar sob escrutínio.
Hiperlordose lombar, cervicalgias, joelhos valgos, desnível dos ombros
Ixi! Virei um ET e não percebi!
Bicicleta ergométrica, um calor de matar, suor escorrendo.
Batimentos cardíacos medidos em atividade e em repouso.
Medição de massa magra e de gordura.
“Você está ótima. Pressão normal, coração batendo, não apanhando,
Musculatura forte. Precisa apenas fortalecer mais um pouco os músculos,
Talvez perder uns três quilos. Continue a hidroginástica.
Comece musculação e pilates”.
Ah, bom! Três coisas só! Se estivesse mal iria morar na academia.
Brincadeiras à parte, a saúde vai bem, obrigada.
Apenas desgastes que o tempo causa e a gente deve cuidar.
Toda “máquina” precisa de reparos e manutenção.
Cuidar é nossa obrigação!
Alda M S Santos.
E O DIA DO HOMEM?
Perguntaram-me: por que Dia da Mulher, se não existe Dia do Homem?
Ao longo da existência humana a mulher sofre tudo quanto é tipo de preconceitos e estereótipos.
De criatura menos inteligente, inferior, objeto e serva do homem, percorreu um longo caminho para ter hoje direito a vez, voz, voto, valor…
Tem uma profissão, seu espaço como cidadã, mãe, esposa/amante.
É um ser independente física, financeira e emocionalmente.
Não sou feminista e não prego superioridade de qualquer dos gêneros.
Sou feminina, de rosa ou azul, pilotando o fogão ou um carrão e, como tal, defendo que homens e mulheres são seres iguais em direitos e deveres, cada um com suas semelhanças, diferenças e individualidades.
Ambos são complementares entre si, não apenas em sua anatomia, mas em todas as áreas.
Hoje, o desafio da mulher é enfrentar as inúmeras cobranças, inclusive as próprias, de indivíduo multifuncional.
Não exigir tanta perfeição de si mesma como mãe, esposa, profissional, amante, dona de casa…
E, além de tudo, estar sempre magra, linda, perfumada e sorridente. O dia é de reflexão para todos.
Um VIVA A TODAS AS MULHERES e homens que se amam como filhos do mesmo Criador e se respeitam acima de tudo.
Alda M S Santos
MULHER!
Ser humano do sexo feminino
Bela, mas que pode ser fera
Encantadora, mas que assusta
Frágil, mas de força descomunal
Levanta ou derruba com um olhar
Capaz de ser colo enquanto pede colo
Emoções de tirar o fôlego ou devolver o ar.
Submissa? Só se quiser!
Parceira? Pra quem merecer!
Inteira, mas que se faz metade
Para ter o prazer de completar e completar-se,
Sendo a metade de outro alguém.
Simplesmente, Mulher!
Alda M S Santos
NEM TUDO QUE RELUZ É OURO
Quando queremos valorizar algo falamos que reluz
Que brilha, que tem o tom certo, que ofusca os demais
Gostamos de brilho!
Porém, nem tudo que reluz é ouro.
Há muito caco de vidro por aí se fazendo passar por diamante.
Devemos tomar cuidado, não nos entusiasmar demais.
Muito entusiasmo pode botar tudo a perder
Cegar nossa percepção visual, emocional
Impedir de ver o brilho e valor interno
Há pedras preciosas foscas aos montes
E, quase sempre, são mais valiosas
Que os cacos de vidro por aí.
Estejamos atentos!
Alda M S Santos
UM PASSO DE DANÇA
Sentir-se flutuar, fazer parte do ar
Estar dentro, mas livre
Estar fora, mas presa na magia
Em cada acorde, um movimento em sincronia
Em cada passo, uma expressão, um dizer com o corpo
A comunhão é do corpo com a música
A harmonia é da alma com a melodia
Afinam-se enquanto se completam
Até nos erros sintonizam-se.
Precisam-se!
Ela e a melodia tornam-se uma só
Num simples passo de dança…
Alda M S Santos
ENTRE PINGAS E RESPINGOS
São oito horas da manhã, terça-feira
Descalço, sem camisa, bermuda suja, larga e caindo
Pernas abertas, cambaleia de um lado a outro pela padaria
Fala alto, ri, ininteligível, fala para si mesmo.
Tenta alcançar uma água tônica na prateleira
Trabalho difícil, exige muita concentração e equilíbrio
Itens em falta!
Quase cai sobre mim
Alcanço a água tônica e a entrego a ele
Sorri, sorriso vazio, de dentes e de alegria.
Um senhor o interpela
“Bêbado a essa hora, José?”
Ao que ele retruca alto e sorridente:
“Bê-ba-do, não! Tô fe-liz”!
E sai porta afora medindo os cantos da rua.
Entre pingas e respingos vai vivendo
Não tem sexo, idade, trabalho ou identidade, é um bêbado.
Tudo perdeu…
Mas, “tô feliz”!
Que tipo de vida ruim tem uma pessoa para se considerar melhor assim?
Tô triste! Respinga em mim!
Alda M S Santos
APENAS O QUE TEMOS
O que somos capazes de doar?
Oferecer gratuitamente a conhecidos ou desconhecidos?
A familiares, amigos, amores?
Um sorriso acolhedor, um olhar compreensivo?
O ombro, o colo, o silêncio?
Um abraço, um beijo, um pão com queijo?
Palavras de conforto e estímulo?
Um chocolate, um beijinho melado, uma rosa, uma oração?
Um teto, uma cama, um lar, um coração onde morar?
Tudo isso, nada disso? Apenas dinheiro?
Por mais desejo que a gente tenha
Só podemos doar aquilo que temos em nós.
Risco de ficar desabastecido não há.
O que se doa, multiplica-se!
Alda M S Santos
DE PEITO ABERTO
De peito aberto, cara lavada, coragem
A melhor maneira, o jeito certo de enfrentar a vida
Mesmo que não haja tanta coragem assim
Nem sempre é o “ser alguma coisa” que resolve
Acreditar que se é, pode valer tanto quanto
Cabeça baixa, medos e covardias
Não nos ajudam em nada!
Acreditar-se lindo, forte, amado
Cheio de energia, saúde e sabedoria
Nos leva ao menos até a metade do caminho.
E tendo descoberto o trajeto
O restante torna-se bem mais leve e prazeroso.
Descobri que só nós mesmos podemos barrar nossos passos!
Alda M S Santos
O QUE TIRA SEU SONO?
Sempre fui boa de cama, de sofá, de rede, de cadeira de balanço…
Deito e apago!
Acordo descansada e cheia de energia na manhã seguinte.
E sonho. Sonho muito mesmo!
Pra me tirar o sono tem que ser algo de grandes proporções,
Ao menos para mim.
Preocupações: essas são as primeiras da lista.
Quero “resolver” tudo de madrugada
Acordar com a equação, senão resolvida, ao menos destrinchada.
Mágoas e decepções: aquelas causadas por quem a gente ama
Daquelas que nos fazem dormir chorando, acordar à noite chorando.
Levantar chorando, querer sair porta à fora, ir embora, mandar embora…
Doenças e males físicos: aqueles crônicos que nem todo remédio resolve.
Tomamos toda a variedade possível, chás e unguentos diversos.
Doenças da alma: tristeza, insatisfações diversas, desamor, falta de perspectivas.
Esses, os mais difíceis de resolver. Precisam da ajuda externa.
Uma atenção, um abraço, um carinho.
Necessitam de amor.
Fora isso, NADA me tira o sono.
E você? O que tira seu sono?
Alda M S Santos
EM PRETO E BRANCO
Quando não conseguirmos ver as cores da vida
Apreciemos o preto e o branco
São únicos, extremos
Têm suas belezas, seus tons, suas escalas…
Nosso olhar pode ver o encanto, o brilho
Em preto e branco, em sua mesclagem
Em todas as suas matizes
Porque somos nós que damos o tom que queremos
Ao que nos é apresentado…
E os tornamos belos!
Alda M S Santos
SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE
Um garotinho chorava e andava atrás da mãe apressada no supermercado.
Pequeno, uns dois anos, no máximo. Passos ainda inseguros.
Uma menininha, pouco mais velha, aguardando o pai que estava na fila do açougue, onde eu me encontrava, cutucou o pai, apontou para a criança. O pai não notou. Fiquei observando. Adoro ver as atitudes infantis.
Olhou para o pai e saiu devagarzinho, sempre olhando para trás para conferir se o pai não iria impedir seu afastamento.
Chegou perto do garoto que chorava, fez-lhe um carinho limpando as lágrimas e o abraçou.
Não ouvi o que dizia. A menininha falou algo e estendeu o bichinho de pelúcia que carregava.
O garotinho o segurou, deu aquela suspirada funda e parou de chorar. A menininha voltou saltitante para perto do pai.
Pouco depois, vem a mãe com o garotinho no colo e fala para o pai: “acho que é da sua filha”!
A menininha mais do que depressa: “é porque ele estava triste”!
Todos ao redor se emudeceram! Sorrisos amarelos, até meio envergonhados.
Será que pensaram no quanto também precisavam de um ursinho de pelúcia?
Quem sabe refletiram em quantas vezes poderiam ter feito o mesmo por alguém?
Cá entre nós, quantos ursinhos de pelúcia mantemos guardadinhos dentro de nós?
Vale lembrar que carinhos foram feitos para circular.
Guardados perdem o efeito!
Amo “ursinhos de pelúcia”!
Dar ou receber.
Alda M S Santos
CONFUSÃO INTERNA, CARINHO EXTERNO
Ela acordou meio down. Um dia cheio a aguardava. Adorava dias cheios, mas nem isso a animava a sair da cama.
Espreguiçou-se longamente e levantou. Escovou os dentes e nem quis se olhar no espelho. Seria assustador! A bagunça interna estaria em seus olhos.
Resolveu fazer o que toda mulher faz nessas ocasiões: cuidaria do exterior primeiro. Seria mais fácil. Aumentaria a autoconfiança e a atenção poderia ser total à bagunça interna.
Unhas, cabelos e pele tratados, partiu para a mente e o coração.
Conversou com amigos e familiares queridos.
Leu um livro que gostava, escreveu um pouco.
Partiu a ajudar os outros…
Talvez quando terminasse, a bagunça nem seria mais tão importante!
Alda M S Santos
ESTAREI CONTIGO
Quantas vezes ouvimos essa frase ou as similares: conte comigo, não vou te deixar, estaremos sempre juntos, não vou a lugar algum…
Talvez o mesmo número de vezes em que precisamos e os autores não estavam mais lá.
Não estamos fazendo nos entender, ou são desentendidos mesmo?
A quem fiz essas mesmas promessas? Tenho estado atenta?
Minha avó de 94 anos, que vive sozinha, sempre diz: “nascemos sozinhos e pelados, morremos também sozinhos, o que vier no intervalo é lucro”.
E ainda completa: “não espere nada de ninguém”!
Algumas pessoas lidam melhor com a individualidade, gostam de se isolar, não compartilhar, sabem e até preferem se virar melhor sozinhas.
Outras, porém, precisam de gente, necessitam sentir que têm apoio por perto, ainda que não os utilize!
E ainda há aquelas que partilham apenas os bons momentos e alegrias. Nas tristezas e baixo astral preferem se isolar.
Não sou pessimista como minha avó, mas, a cada dia mais percebo que, por mais promessas que recebamos, por mais gente que tenhamos por perto, o que vale mesmo é que nós nos ajudemos.
Poder buscar e encontrar dentro de nós, pois sempre estará lá, o que se faz necessário, é a maior dádiva.
Podemos contar com Alguém que nos prometeu ajuda, “que estaria conosco até o fim dos tempos”…
Ele não nos abandonará nessa busca.
Que possamos senti-Lo!
Alda M S Santos