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Contradições (des)humanas

CONTRADIÇÕES (DES)HUMANAS

Silenciar, quando o desejo é gritar

Conformar-se, quando a sombra deixada pede luz

Acreditar, quando há tantos incrédulos e mentirosos

Justificar um erro, apoiado em erros alheios

Agir de modo contrário ao que se apregoa

Querer o que é eterno, destruindo eternidades

Gostar de jardim florido, mas não regar, não cuidar da terra

Mascarar para si mesmo o que está óbvio para todos

Insistir no mesmo erro infinitas vezes

Apontar no outro uma falha que é sua

Querer colher aquilo que não plantou

Plantar ou construir em terreno que não é próprio, que não pode colher

Fazer ao outro o que não aceitaria que fizessem consigo

Confiar, gerando desconfianças

Querer mudanças, sem ações concretas, sendo sempre o mesmo

Amar, mesmo sendo derrubado infinitas vezes.

Viver, mesmo que a “morte” se insinue todo o tempo

Somos assim, humanos carregados de desumanidades, em evolução…

Alda M S Santos

Em casa

EM CASA

Sinto-me em casa quando posso ser quem sou

Sem constrangimentos, andar descalça, descabelada, ou não

Nua em pelo, de corpo e alma

Ou num moletom desbotado e nada sexy

Sem temer julgamentos ou represálias, sem falsos pudores

Com a certeza de ser aceita como sou

Dizer tudo que aprouver, ouvir sem resistência, com prazer

Ou silenciar, sem causar lacunas desagradáveis

Usar aquele baby-doll confortável que mais parece um abraço

Aqueles chinelos gastos como as memórias

Ouvir e cantar a música preferida bem desafinada, não importa

Esparramar na rede, ler um bom livro,

Entregar-me às boas memórias, às saudades, aos sonhos

Assistir um filme no sofá com um pote grande de pipoca

Ouvindo a chuva cantarolar feliz no telhado

Numa sintonia perfeita com minha alma

Aceitação total de quem sou, sem amargar culpas

Aceitando as pedras que aparecerem como oportunidade de superação

Sem ferir ou machucar ninguém, ajudando, se possível

Sabendo que Alguém lá em cima me ama e olha por mim

Isso é estar em casa!

Qualquer lugar ou pessoa que nos faça ser ou sentir diferente disso

São, no máximo, tolerados…

Estar em casa é um estado de espírito de graça

De simplicidade, harmonia e paz…

Alda M S Santos

Volta por cima

VOLTA POR CIMA

“Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”

Tão necessário nas trilhas da vida

Lema dos vencedores!

Nas grandes quedas, aquelas das quais não conseguimos levantar tão rapidamente

Todo cuidado é pouco para não derrubar mais ninguém

Além de quem já foi derrubado e de nós mesmos

Se uma volta por cima implicar em jogar poeira nos olhos dos outros

Ou lançar alguém para a “volta de baixo”

O melhor mesmo é ficar dignamente onde está…

Alda M S Santos

Modo de fazer

MODO DE FAZER

A receita parece simples, os ingredientes são conhecidos:

Ser fiel a si mesmo, respeitar os próprios limites

Não fazer ao outro o que não gostaria que fizessem consigo

Deixar o coração comandar, acompanhado da razão

Viver intensamente com retidão e disposição

Escolher sempre os melhores caminhos

Aprender com os erros, evitando repetí-los,

Doar amor, aceitar o amor,

Ser solidário, ter fé e esperança…

Na prática o “modo de fazer” complica-se um pouco

Os ingredientes parecem diferentes,

Muito líquidos ou “perdidos”, fora de validade,

O coração se engana, a razão exagera

Os caminhos não são tão claros

O amor declarado se transforma,

Os medos e traumas surgem

As escolhas parecem difíceis…

A disposição, esperança e fé minam…

E o bolo não cresce, encrua!

Isso é ser humano!

Testar receitas, criar a própria receita!

Isso é viver!

Cada receita vira um novo prato dependendo do gourmet…

Ou como uma planta que adormece, se fortalece

E floresce em apenas algumas épocas,

Assim, vamos seguindo

Acreditando que Alguém sempre olha por nós,

E faz nosso bolo crescer…

Alda M S Santos

Embaladas a vácuo

EMBALADAS A VÁCUO

É sabido que as pessoas são diferentes

Consequentemente, lidam de modo diferente com ganhos e perdas

Mas queria entender como algumas pessoas

Conseguem parecer embaladas a vácuo

Parecem isoladas do mundo externo,

Quase nada as atinge,

Superam, esquecem qualquer coisa facilmente

Mesma postura, mesmo perfil

Passe uma brisa ou um furacão

Amor ou desamor, alegria ou decepção

Sucesso ou fracasso, vida ou morte

Nada muda para elas!

Como máquinas, acolhem ou descartam “dados” sem danos

E seguem…

Não é inveja ou despeito,

Nem que eu queira ser exatamente assim!

É para saber como “pegar” ao menos um pouquinho disso!

Alda M S Santos

Os meus, os seus, os nossos erros

OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS ERROS

Erros sempre serão erros

Ainda que venham disfarçados de acertos

Mesmo que a gente, não muito sabiamente, insista neles

Que tente justificá-los para nós mesmos, para os outros

Eles não costumam ser muito diferentes

Mudam casa, nome, endereço, mas os erros são similares

Quando não mais resistem de pé e desmoronam

Os danos causados costumam ser grandes, dolorosos…

Isso quando não vão além de nós mesmos

E desmoronam outras vidas!

Aí tudo anoitece em nós!

Pior é ver quem a gente ama cometê-los

Saber com certeza que estão errados

E não conseguir impedi-los!

Isso porque temos mais facilidade de identificá-los nos outros que em nós mesmos.

Alguns erros têm como ser corrigidos, outros não,

Mas uma coisa importante todos os erros têm em comum

Os meus, os seus, os nossos erros

Eles ensinam!

Com amor ou com dor!

E cada qual tem o “direito” de cometer o seu

Até de, não muito inteligentemente, repeti-los!

Alda M S Santos

Catapulta

CATAPULTA

Não é preciso nem um extremo nem outro

Não preciso sorrir todo o tempo, tampouco chorar

Posso ter energia bastante para lutar

Mas posso querer hibernar por uns tempos

A alegria pode ser rara, a tristeza também

Mas não preciso nem um extremo e nem outro

Não quero viver na zona de confronto todo o tempo

Mas a zona de conforto também não é satisfatória

O amor não necessita ser daqueles de contos de fadas

Mas também não precisa ser de conto policial

Não preciso nem um extremo e nem outro

O trabalho pode ser intenso e prazeroso

Mas a inércia também pode fazer parte, ser necessária

Ou posso optar por deixar-me levar pela letargia

Vez ou outra preciso me desligar de tudo

Antes que tudo se desligue de mim

Não é preciso nem um extremo nem outro

Mas se chegar a qualquer dos extremos

Que eu possa me encontrar em qualquer um deles

E ser catapultada de volta ao prumo!

Alda M S Santos

Miopia

MIOPIA

Somos um mundo de míopes

Que não enxerga a poucos metros dos próprios narizes

Se notamos algo, nada questionamos, não temos tempo

Um sorriso será sempre alegria

Uma lágrima é fraqueza que logo passará

O silêncio é de pessoa antissocial

Os gritos são de neuróticas!

Todo mundo rotulado, questionar para quê?

Um desconhecido que quer “sofrer em paz”,

Aquele vizinho que foi detido por agressão à esposa

O colega de trabalho que surtou e suicidou-se

Ou aquele amigo/a que trai, que vira as costas, que não é de confiança…

Mas como? Fulano? Ah, bem que ele era estranho!

E a vida segue…

Os problemas estão ao nosso redor, dentro das pessoas

Atrás de sorrisos sociais, de lágrimas antissociais

De “bom dia” por obrigação

De trabalho sem tesão, sem animação

Do silêncio gritado ou do grito calado

E que nossa miopia não nos permite ver!

Não há modo melhor de nos curar que ajudando na cura alheia!

Se não enxergamos, cheguemos mais perto, olhemos mais atentamente!

Pode ser nossa chance de curar a “miopia”, entre outras anomalias e patologias…

Alda M S Santos

Como palmeira

COMO PALMEIRA

Como os galhos de uma palmeira

Ao sabor da brisa leve ou vento forte

Vou deixando-me levar…

Ora me envergo toda para um lado,

Ora quase caio para o outro

Na tentativa constante de manter o prumo

Uma palmeira se fortalece diante das tempestades que enfrenta

E que ninguém sente, sequer percebe

Apenas admira sua beleza e força frente à natureza

E a palmeira cumpre seu propósito de produzir e encantar…

Alda M S Santos

Somos uma fraude?

SOMOS UMA FRAUDE?

Quantas vezes nos decepcionamos nessa vida

Com os outros, conosco mesmos?

Aquelas vezes em que a realidade é cruel

Diante do que esperamos dos outros ou de nós…

Quando esperamos coragem e nos acovardamos,

Quando esperamos audácia e fraquejamos,

Quando esperamos alegria e entristecemos,

Quando esperamos parceria e não encontramos,

Quando esperamos força e sucumbimos,

Quando queremos colo e ele nos falta,

Quando esperamos fé e a montanha não se move…

Somos uma fraude? Para os outros, para nós mesmos?

Talvez sejamos como crianças grandes emburradas porque perderam o doce…

Ou somos apenas seres humanos errantes e temerários

Em busca de aprendizado, evolução e amor?

Somos uma fraude quando mais precisam de nós?

Somos uma fraude quando mais precisamos de nós?

Alda M S Santos

Rituais de passagem

RITUAIS DE PASSAGEM

Andar, falar, nos expressar além do choro

Nossos primeiros rituais de passagem

Da primeira para a segunda infância

Ler, escrever, descobrir o mundo alfabetizado

Outro importante ritual de passagem

Descobrir o sexo oposto, nos apaixonar

Sofrer, achar que o mundo despencou

Também é outro ritual que nos leva para a vida adulta

Uma vocação, uma profissão, o trabalho

Amar, se envolver, casar, ter filhos

Não necessariamente nessa ordem, dirão alguns,

Mas vários são os rituais de passagem nessa vida…

Qual é o ritual que nos leva para a velhice?

Aquele ao qual se chega e pensa: “é, mudei de fase”!

“Atravessei uma ponte que não tem mais volta”

Será que existe essa ponte, essa travessia?

Será tão importante identificá-la? Atravessá-la?

A vida é uma continuidade, sempre algo ficará para trás

Mas enquanto houver sonhos, a vida continuará

Não há esse e o outro lado!

Independente de atravessarmos ou não essa ponte imaginária

O caminho continua…com aquilo e aqueles que levarmos conosco

E somos nós que o tornaremos belo, ou não!

Alda M S Santos

Desfocada

DESFOCADA

Como você me vê?

De perto ou de longe, como enxergar?

Se corrijo a visão de longe, embaço a de perto

Se corrijo a de perto, desfoco a de longe

A vida já é bastante difícil de entender

Para se ter visão monofocal

Se foco muito em mim, corro o risco de não ver os outros

Se foco muito nos outros embaço a visão de mim mesma

Quero uma visão multifocal!

Quero equilíbrio!

Preciso enxergar o mundo!

Preciso me enxergar!

Como você me vê?

Alda M S Santos

Inspire, expire!

INSPIRE, EXPIRE!
Inspire o ar que te cerca, rico em oxigênio
Expire o ar de dentro de si, carregado de gás carbônico
Inspire a luz e a energia boa à sua volta
Expire a escuridão e o medo lá de dentro
Inspire confiança, sabedoria, fé
Expire a raiva, a decepção e a desesperança
Inspire amor e amizade em forma de sorrisos e abraços
Expire a tristeza e a desilusão junto às lágrimas
Inspire, expire! Expire, inspire!
Às vezes tudo parece se inverter
Inspiramos dor, desamor, desconfianças e medos
Somos frágeis, somos humanos, erramos, sofremos…
Temos o direito de não sermos sempre fortes!
Mas como humanos não desistimos, insistimos
E acabamos, cedo ou tarde, aprendendo a respirar corretamente.
Em qualquer lugar que estiver…
Inspire, expire!
Alda M S Santos

E o niver passou…

E O NIVER PASSOU…

Questionada porque não fiz nada,

– Não quis nada!- respondi

-Justo você que sempre organiza comemorações para todos?

-Não tive vontade!

Não é que seja mal agradecida!

Algumas pessoas queridas longe,

Muitas de perto e de longe, que se importaram, enviaram palavras belas e votos de felicidade,

Foi o bastante para uma segundona!

A Deus agradeci a vida e tudo que Ele me proporcionou até hoje,

E que me permita viver o que julgar necessário para ajudar os que se aproximarem de mim.

Que a minha estrela, meu sol interno, mesmo quando houver nuvens

Possam brilhar para mim e para aqueles que amo,

De perto ou de longe!

Que as más águas passem, que levem o que for ruim

E que novas águas tragam sempre coisas boas!

Preciso só disso!

Alda M S Santos

Responsável pelo que cativas

RESPONSÁVEL PELO QUE CATIVAS
“Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas!”
Meio pesado, porém, contém alguma verdade
Mal damos conta de nossas ações e sentimentos
Não podemos ser responsabilizados pelas ações dos outros
Tampouco pelo que sentem ou deixam de sentir
Mas, se bem avaliarmos, notaremos certa responsabilidade
Na esperança que ora alimentamos nos outros
Nas promessas que fizemos e deixamos de cumprir
No que fomos ou deixamos de ser para alguém
Ainda que sem saber…
Não somos totalmente “inocentes” no que despertamos no outro
Exupéry, então, tem razão com seu Pequeno Príncipe:
Somos, de certa forma, responsáveis pelo que cativamos!
Alda M S Santos

Troco

TROCO

Troco meu sorriso por suas lágrimas

Meu bem-estar pela sua dor

Minha energia pelo seu desânimo

Minha alegria pela sua tristeza

Minha saúde pelos seus males

Minha paz por seu desassossego

Não é que eu seja boazinha ou tola

Talvez seja até egoísmo

É porque sei lidar melhor com as lágrimas, a dor, o desânimo

A tristeza, os males, o desassossego

Quando estão em mim

Do que quando estão naqueles que amo!

Troco, inclusive, meu amor por seu “desamor”

Quem sabe nessa troca a gente não se equilibre melhor?

Alda M S Santos

A música que a vida toca

A MÚSICA QUE A VIDA TOCA
A vida é um grande musical
Toca músicas animadas, dançantes
Também toca músicas tristes, frustrantes
Tantas vezes aprendemos o ritmo, dançamos com prazer
Mas a música que a vida toca nem sempre irá nos satisfazer
Muitas vezes teremos vontade de chorar
Outras, até desejo de partir, não mais bailar
Mas precisaremos aprender a dançar
Porque a vitrola da vida não para de tocar
Podemos dançar sozinhos
Mas melhor mesmo é quando dançamos com um par…
Com o outro aprende-se nova coreografia
A dançar a dois com harmonia
Rimos dos erros e tropeços
Até novas canções passamos a tocar
Uma dança aos pares ou em grupos
Tem muito mais magia…
Posso até ter minha canção favorita
Mas ela só fará mais sentido
E se tornará ainda mais prazerosa e bonita
Se tiver alguém que aceite dançá-la comigo…
Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

Devolve meu interruptor

DEVOLVE MEU INTERRUPTOR

Há caminhos que trilhamos sozinhos

Entre luzes e sombras

Precisa ser assim!

Apenas nossa luz interior o ilumina

Mas é necessário ficarmos atentos.

Para não caminharmos na escuridão,

Precisamos tirar o interruptor das mãos dos outros.

Nossa luz precisa depender mais de nós mesmos!

Alda M S Santos

Arco-íris ao longe

ARCO-ÍRIS AO LONGE

Sempre visível depois das chuvas, das tempestades

Cores lindas, vibrantes, energizantes

De um lado a outro do céu

Onde quer que a gente esteja

É possível vê-lo,

Se não nos concentrarmos nos obstáculos.

É preciso olhar além, mais à frente, no horizonte

Por perto, pode ainda haver os estragos da tempestade

As cercas farpadas que machucam, sangram

E vendam nossos olhos para as lindas cores adiante…

Se quisermos o “pote de ouro” que há além do arco-íris

Precisamos desfocar a cerca

E caminhar…

Alda M S Santos

Meu Sol me abandonou

MEU SOL ME ABANDONOU

Meu Sol hoje não me acordou

Não me chamou carinhosamente para a vida

Não me mostrou a beleza que há lá fora

Não me garantiu que essa dor passará

Que essa parte do caminho é válida

Não admirou meu sorriso ou secou minhas lágrimas

Não me convidou a passear no jardim

Não sinto seu calor a me aquecer lentamente

Não vejo seus raios dourados

Não percebo sua energia brotando dentro de mim

E ainda ontem se punha tão lindo em meu horizonte

E irradiava de manhã num maravilhoso alvorecer interno

Não quero me levantar enquanto não senti-lo!

Quero o escuro debaixo de meus cobertores

A segurança de minha cama

O apoio de meus travesseiros

Se não vejo cores, não sinto o calor

Não percebo a beleza, fico aqui

Até que ele possa me acordar de novo todas as manhãs

Abrir as janelas de minha alma

Ou que consiga me mostrar

Que a nebulosidade e a chuva

E a vida em cinza

Também podem ser vida…

Alda M S Santos

Im ou explosão

IM OU EXPLOSÃO?

Implosão, explosão, ambas destruidoras

Derrubam, desmancham, apagam, zeram

Em se tratando de pessoas

Qual a que causa menos mal?

Explodir, quase sempre com os outros

E tudo que nos incomoda, machucar

Queimar tudo!

Implodir, para dentro de nós mesmos,

Estourar para o nosso interior,

Arrefecer por falta de alimento, de oxigênio, ferir-se

Como aqueles espirros contidos…

Qual o menos danoso?

Im ou explodir?

Alda M S Santos

Quando não estou em mim

QUANDO NÃO ESTOU EM MIM

Procuro-me em todos os cantos

Tento me identificar, me localizar

Saber onde me encontro

Quando não estou em mim.

Se eu não estivesse mais aqui

Onde poderia ser mais facilmente encontrada?

O que remeteria as pessoas diretamente a mim?

O que olhariam e diriam: isso me faz lembrar dela!

Uma cachoeira, uma mata densa, pássaros, borboletas, flores?

O mar, um rio, a chuva, as estrelas, a Lua cheia?

Certamente, sinto-me em casa junto a tudo isso.

Um sorriso, um abraço, uma palavra, um poema? Identifico-me.

Meus filhos? Claro, partes mais lindas de mim.

Meus pais? Sim, sou parte deles.

Meu amor, meus amigos? Alguns deles, os que me amaram, me entenderam, sintonizaram comigo.

Em cada pessoa que passou por minha vida, que me agregou valores, me fez feliz, me fez sofrer?

Sim, foram também partes de mim.

Estou em muitos lugares, em cada pedaço de chão que pisei

No ar que respirei, mas, principalmente, no amor que doei.

Se quiserem me encontrar, procurem em tudo isso,

Também no sorriso de uma criança,

Na nostalgia de um idoso, no abraço de um casal apaixonado…

De preferência, num dia de chuva.

Eu estarei lá!

Quando não estou em mim estou naqueles que amo,

Onde quer que estejam.

E estar neles, é um modo de estar em mim.

Alda M S Santos

Primaveras de dentro

PRIMAVERAS DE DENTRO

Quem vê a beleza de uma rosa,

Sua frescura, sua cor e perfume

Intensa delicadeza e suavidade

Não imagina quantos obstáculos rompeu

Quantas dores sofreu, sede passou,

Insetos e pragas enfrentou,

Ou quanta persistência foi necessária

Para chegar a mostrar tamanho esplendor.

De tantas lutas ficaram os espinhos,

Lembrança de que nada se alcança,

Por mais delicada e bela, sem lutas.

Foi inverno, é primavera!

Mas nada dura para sempre!

Nem os invernos, nem as rosas, nem as primaveras,

Fora ou dentro da gente.

Alda M S Santos

Sou feita, não perfeita!

SOU FEITA, NÃO PERFEITA!

Sou feita de tudo aquilo que me cerca

Dos carinhos que recebo, das lágrimas que verto

Da luz que emito, da escuridão em que me meto,

Das emoções que compartilho, dos sonhos desfeitos,

Das esperanças que nutro, das decepções que engulo,

Dos topos que atinjo, dos tombos que levo…

Sou feita, estou sendo feita!

Sou feita, não perfeita!

Alda M S Santos

Ultrassensível

ULTRASSENSÍVEL 

Aqueles dias que você sente que bastariam

A última gota d’água

Uma única faísca

Uma simples palavra 

Um breve olhar

Um suave toque, 

Um abraço singelo,

Para você: 

Cair no choro, na gargalhada

Querer sumir no mundo, desaparecer,

Explodir de raiva 

Alegria ou prazer…

Alda M S Santos

Veja

VEJA

Veja no andar vacilante, ou excessivamente confiante, não apenas uma fraqueza física ou emocional, 

Mas o peso de uma história linda que desconhece.

Veja na beleza exterior tão à flor da pele e gritante, não uma pessoa que deseja mostrar-se superior,

Mas alguém carente e receoso de se mostrar interiormente.

Veja nos sorrisos constantes e claros, não só uma pessoa que parece feliz,

Mas alguém que precise estar alegre para não se afogar nas tristezas.

Veja na seriedade e olhar triste, não apenas alguém introspectivo ou inseguro,

Mas alguém que se esconde com medo de se machucar nos tombos da vida.

Veja no modo de ser tão aparente e “ofensivo”, não o desejo de ser “mais” na visão do outro, 

Mas a necessidade meio distorcida de ser alguém “além” para si mesmo.

Veja em cada modo de ser, não apenas algo tão diferente do que você é,

Mas alguém que, como você, procura manter sua essência, sua originalidade, num mundo de falsificações. 

Alda M S Santos 

Reflexões

REFLEXÕES

Reflexões: a base de nossa essência que nos torna racionais. 

Aquilo que nos faz humanos.

Será?

Basta refletir e raciocinar para sermos espécie humana?

Acredito que a essência humana passa pelas emoções.

Pela capacidade de sentir e expressar sentimentos. 

Pela alteridade, pela capacidade de nos colocarmos no lugar do outro.

Pelo desejo verdadeiro de ajudar, de fazer parte, de sentir-se parte do outro. 

Pela vontade de levar respostas onde a dúvida paira. 

Pela ânsia quase incontrolável de levar ao menos um abraço onde há dor, seja ela qual for.

Pela necessidade quase física de levar amor, onde a indiferença tenta tomar conta. 

Refletir qualquer um pode.

Emocionar-se, importar-se só um verdadeiro homem ou mulher são capazes!

Alda M S Santos

Origens: Fazemos parte

ORIGENS: FAZEMOS PARTE

Várias coisas nos remetem às nossas origens

Um lugar com seus cheiros e cores, por mais que ele mude

Uma música com sua poesia encantadora

Um livro com sua história real ou ficcional

Um sorriso que nos recepciona…

Mas nada melhor que aquele abraço apertado e beijo estalado,

Para nos emocionar e dizer:

Você faz parte desse lugar,

Dentro e fora…

Alda M S Santos

Ruínas

RUÍNAS
Um prédio ou monumento que desaba

Um navio que afunda,

Uma floresta que ardeu nas chamas…

Uma vida entregue à depressão e aos medos…

Tudo aparenta um cenário de pura destruição. 

Mas quando menos se espera

Algo de valioso é retirado sob os escombros dos monumentos

Tesouros são encontrados nos navios,

Um pequeno broto surge na floresta em cinzas…

Medos são vencidos milagrosamente.

Deus age nas adversidades e nos mostra maravilhas.

De nossas fraquezas, cinzas e ruínas,

Faz surgir uma nova vida

Mais linda e mais forte.

Alda M S Santos

É melhor…

É MELHOR…

Melhor que adormecer é fazê-lo suavemente nos ombros de alguém

Melhor que sorrir, é ter alguém especial para oferecer nosso sorriso

Melhor que acordar, é ter a luz do olhar de alguém a nos desejar bom dia

Melhor que nos aquecer numa xícara de chá quente, é ter alguém que nos aqueça num abraço

Melhor que não correr riscos, é ter alguém que nos ofereça proteção e cuidados, 

Melhor que ser forte, é nos dar o direito de fragilizar, de ter onde nos apoiar

Melhor que não cair, é encontrar um ponto de equilíbrio em qualquer situação

Melhor que levantar para a vida, é ter alguém que nos dê um bom motivo para viver…

Mas melhor mesmo que tudo isso, 

É termos a nós mesmos,

Sermos nosso melhor motivo para viver…

Alda M S Santos

Represas

REPRESAS

Somos uma grande represa!

Vamos acumulando em nós tudo que recebemos

Coisas maravilhosas, coisas boas e coisas ruins.

Elas entram, mas precisam sair.

O bom, porque não é justo ficar só para nós,

O ruim, nocivo, não é aconselhável que se guarde.

Fazer essa seleção exige habilidade.

Toda represa precisa de um vertedouro!

Há pessoas que possuem excelentes vertedouros:

Lazer, fé, leitura, amigos, amores…

Retribuem o que recebem de bom,

Não sem antes guardar um pouquinho na alma.

Assim, aquilo que vem de ruim, quase nunca entra,

E, se entrar, encontra processadores à altura,

Que logo neutralizam o negativo

Ou o revertem para o ambiente.

Represas sem vertedouros, ou que falham quando precisam, podem romper,

E causar sérios danos!

Alda M S Santos

Cheios de faltas

CHEIOS DE FALTAS

Tantas vezes parecemos cheios, repletos, transbordantes.
Mas podemos estar cheios de faltas, de vazios.

Sorrisos, aparentemente abertos, dentes à mostra. 

Podemos estar apenas tentando manter o equilíbrio, sem importar como.  

Ausências ocupam tanto espaço que enganam, como o ar em um balão,

E impedem algo mais produtivo de chegar.

Desocupar espaços ociosos ou pseudo-ocupados,

Tarefa tão árdua quanto necessária!

Alda M S Santos

Amadurecer

AMADURECER

Envelhecer é sentir que o tempo que resta é pouco

Para o tamanho dos sonhos que se quer realizar.

Amadurecer é sonhar todos os sonhos possíveis,

E notar que o tempo se faz ao realizar cada um deles…

Alda M S Santos

Tá difícil

TÁ DIFÍCIL

Tá difícil? 

Sorrir, divertir, conformar-se?

Mudemos o olhar, a posição, 

O foco, a perspectiva, qualquer coisa, 

Mas mudemos…

Nessa aventura chamada vida

Pode haver filas em dados momentos

Saber esperar o instante exato das coisas é sabedoria

O movimento nos determina, mesmo que seja interno.

Não vale é ficar parado!

A roda da vida está girando…

Alda M S Santos

Escalas

ESCALAS 

A viagem da vida não acontece sem escalas

Não é voo direto!

Pode ter várias escalas, paradas, conexões,

E, nelas, reavaliarmos o trajeto, o destino

A necessidade de retornos, mudanças de aeronaves

De tripulação e novos reembarques.

Não podemos é ficar muito tempo estagnados

Sob pena de perder o embarque.

Apertemos nossos cintos e boa viagem!

Alda M S Santos

Mais e mais perguntas

MAIS E MAIS PERGUNTAS… 

São muitas as perguntas, 

Inúmeras as questões… 

Várias ainda sem respostas.

Doloroso, frustrante, às vezes, desanimador

Mas, quase sempre, instigante.

Ter todas as respostas pode parecer bom

Mas nem sempre são respostas corretas 

Certas certezas são paralisantes.

Prossigo com meus eternos questionamentos… 

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

O que em nós é passível de mudanças?
Pensamentos, sentimentos, ações?
Sobre quais deles temos controle?

Pensamentos podemos, não sem esforço, desviar, redirecionar.

Ações podemos modificar, amenizar, amplificar ou adequar.

Sentimentos são os mais complicados.

Podemos tentar sobrepor outros a eles, tirá-los de foco, reduzir a importância.

Sentimentos necessitam de alimento,

Quase sempre advindos dos pensamentos e ações.

Redirecionar pensamentos, modificar ações

São meio caminho para sufocar sentimentos,

Ou matá-los por inanição,

Visto que se retroalimentam.

Vale avaliar quais partes de nós esses sentimentos alimentam ou sustentam,

Pois podemos, antes de matar o sentimento,

Desmoronarmos ou matarmos a nós mesmos.

Alda M S Santos

Roseiras

ROSEIRAS

Todos somos capazes de admirar uma roseira

Mas muito poucos se dão ao trabalho de conhecê-la

De saber do que ela precisa para se manter tão linda

Viçosa, com brilho e cor intensos e perfumada.

Precisa de água, de terra fértil, de adubo, de luz solar

De carinho do jardineiro, de uma boa poda.

Mas não há jardineiro que possa querer ofuscar seu brilho, apagar sua cor, 

Secar seu perfume, sequer arrancar seus espinhos…

Rosa que é rosa tem cor forte,

Brilha, perfuma e espinha.

Aí está seu encanto!

Todo bom jardineiro sabe a hora da poda ou de dar nutrientes básicos.

Todo bom jardineiro potencializa as qualidades de suas flores.

Rosa é rosa, cravo é cravo, jasmim é jasmim.

E há gostos para cada uma delas.

E as flores reconhecem bem o toque de seu jardineiro

E sentem sua falta! 

Cuidemos de nossas canteiros com amor.

Alda M S Santos

Figurinha repetida

FIGURINHA REPETIDA

 Valorizemos o que temos de diferente em nós

Em nossas vidas, em nossas amizades.

E pernas pra que te quero…

Não se completa um álbum com figurinha repetida.

Alda M S Santos

Tu, que és professor

TU, QUE ÉS PROFESSOR
Tu, que és professor, ensina-me a fugir dos holofotes, sem contudo, ficar na escuridão.
Tu, que és professor, ensina-me a brincar com a vida, sem contudo, desvalorizá-la.
Tu, que és professor, ensina-me a priorizar as lições, a me esforçar, a não desistir.
Tu, que és professor, mostra-me os caminhos, ajuda-me a dar o primeiro passo.
Tu, que és professor, pega na minha mão quando eu tiver muitas dificuldades.
Tu, que és professor, deixa-me caminhar, meio trôpego, às vezes, mas caminhe comigo um pouco!
Tu, que és professor, mostre-me a maravilha do novo, sem contudo, descartar o velho.
Tu, que és professor, mostre-me as janelas das possibilidades, ajuda-me a fechar as que não mais renovam o ar.
Tu, que és professor, ensina-me a usar minhas asas, e que voar não é só teoria.
Tu, que é professor, ensina-me a aceitar que retroceder pode ser uma boa estratégia, que chorar pode clarear caminhos.
Tu, que és professor, ensina-me que problema que se resolve junto, a solução é mais rápida e mais confiável.
Tu, que és professor, ensina-me a ter amigos, parceiros, mas a valorizar sempre minha própria companhia.
Tu, que és professor, ensina-me a sonhar, encoraja-me a realizar.
Tu, que és professor, ensina-me a aceitar o amor em todas as suas vestes, sem contudo, torná-lo démodé.
Tu, que és professor, ensina-me a ser independente de você, sem contudo, deixar de amá-lo.
Tu, que és professor, sendo grande, aprenda suas próprias lições.
Alda M S Santos

Aniversários

ANIVERSÁRIOS

Quando somos meninas, tudo que queremos é ter 14, 18, 20 anos…

Realizarmos tudo que queremos, grandes sonhos, grandes projetos.

Conquistamos o mundo, conquistamos a admiração dos outros, alçamos voos altos, realizamos nossos sonhos.

 Um pouco mais para a frente, percebemos que o mais valioso é conquistarmos a nós mesmos,

Mantermos nossa própria admiração, nosso próprio respeito, nossa essência.

O mais interessante é que, mantendo isso, conquistamos o amor de quem, verdadeiramente, vale a pena.

Percebemos que o melhor e mais valioso voo é que nos mantém próximos de quem amamos e não nos afasta de nós mesmos.

E, isso, ninguém nunca poderá nos tirar. 

Alda M S Santos

Na mesma morada

NA MESMA MORADA
Eram várias e bem diferentes entre si,
Moravam juntas, viviam bem, quase sempre.

A mais sapeca ria e brincava com tudo,

Sorriso cativante, alegria contagiante.

Atraía amigos e alguns invejosos.

Costumava implicar com a introspectiva,

Que queria ficar reclusa, pensativa, nem ser vista.

A mais liberal não temia quase nada.

Queria tudo que tinha direito e o que não tinha também,

Seria capaz de enfrentar o mundo, sozinha ou acompanhada.

A “certinha” criticava, ameaçava, fazia terrorismos com ela. Difícil de aguentar.

A ponderada e mais vivida compreendia, avaliava, aconselhava. Sempre com um sorriso terno e um abraço carinhoso.

A caseira queria se enroscar nos lençóis, comer pipoca e assistir um filme na Netflix. Ora organizava tudo em modo turbo, ora não lavava nem um copo.

A aventureira queria atravessar o oceano em grandes projetos. Junto com a festeira, gostava de se arrumar, dançar e se divertir.

A cheia de energia, eletricidade pura, amava dias de sol, caminhar, pedalar, nadar…

Andava rápido, cabelos ao vento, vestidos esvoaçantes…

Amava boas conversas, gente inteligente, interação.

A tranquila era fã de dias de chuva e nublados para mergulhar num livro, na poesia.

Ficar o dia todo de pijama, de short, cabelos revoltos, deitar na rede, olhar o céu. Gostava também de roça, de bichos, de mato.

A mais filósofa questionava a vida e suas vicissitudes, se contrapondo à toda light que deixava a vida a levar…

A mais amorosa, que era extremamente dedicada a todos, à família, aos amigos, a Deus. Era muito querida.

A profissional, pontual, correta, trabalhava mesmo doente, muito dedicada e perfeccionista.

A mais “mulher” que gostava de se enfeitar, perfumar, maquiar, ser carinho, dar carinho, namorar.

Moravam juntas, num mesmo corpo, brigavam, às vezes, mas aprenderam a conviver entre si.

Todas tinham algo em comum: a extrema necessidade de amar e ser amada.

A vontade louca de abraçar o mundo com apenas dois braços e um grande coração, de ajudar, de estar presente. A tristeza e angústia em não ser capaz de fazê-lo.

Isso, por si só, as tornava uma, única, unidas num mesmo propósito: viver e ser feliz.

Alda M S Santos

Próximo do nocaute

PRÓXIMO DO NOCAUTE

Ver, mesmo de olhos cerrados,

Sentir, mesmo com o coração fechado,

Dizer, mesmo sem palavras,

Ouvir, mesmo os gritos ou sussurros dos silêncios, 

Acreditar, mesmo que tudo pareça ruir,

Abraçar, ainda que os braços pesem,

Sorrir, mesmo entre lágrimas, 

Lutar, mesmo próximo do nocaute,

Beijar, mesmo com lábios ressequidos pela distância, 

Prosseguir, mesmo com a sensação de andar para trás,

Viver, mesmo que a vida pareça pertencer a todos, menos a nós mesmos. 

Alda M S Santos

Golpes

GOLPES

Golpes: ensinamentos que só compreenderemos 

A importância, o valor, a necessidade,

Quando nos levantarmos e olharmos para trás,

E vermos que, apesar de terem machucado muito e não doerem mais, 

Nos tornaram quem somos:

Mais fortes, mais resistentes, mais sábios,

E, quem sabe, até mais felizes?

Enquanto isso, é se firmar e aguardar,

A sucessão de golpes se esgotar, 

Tal qual flor que tudo recebe e sempre volta a brotar, a encantar…

Alda M S Santos

Desabrochar

DESABROCHAR

Tempo de aquecer e umedecer o solo para a semente germinar

Tempo de crescer, desenvolver, fortalecer

Tempo de floração, beleza e encanto,

Tempo de frutificar e alimentar a todos,

Novas sementes surgem,

E o ciclo recomeça…

Assim é nossa vida! 

Algumas áreas estamos em semente, outras em flor, em frutos…

E há os períodos de repouso para nova germinação. 

É preciso saber esperar e respeitar essa natureza que temos em nós.

Alda M S Santos 

Saber envelhecer

SABER ENVELHECER

É preciso saber envelhecer…

Como também é preciso saber “infanciecer”,

Adolescer, “adultecer”,

Falar, andar, crescer,

Amar, sofrer, conviver…

Não há receitas, teorias ou tutoriais perfeitos.

Aprende-se a envelhecer, envelhecendo,

A viver, vivendo…

Alda M S Santos.

 

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