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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Que imagem carrega consigo?

QUE IMAGEM CARREGA CONSIGO?

Qual imagem carrega consigo na tela do celular,

Na carteira, no bolso, na bolsa, na mochila, tatuada na pele,

Entre as páginas de um livro como uma rosa eternizada?

Aquela que ao encarar sorri para você, por você,

Que tira você do eixo, do prumo, do esquadro,

Que fez da sua vida uma bagunça, sinalizou com uma reviravolta

Te ensinou a fazer malabarismos, a viver na corda bamba

Te fez acreditar que tudo pode ser melhor,

Te colocou numa via, tantas vezes, de mão-dupla, perigosa

Outras, mão-única, sem retorno

Que você deixou em casa, no trabalho, na escola,

Ou simplesmente jogada por aí em qualquer lugar?

Aquela imagem que não precisa de celular,

De carteira, bolso, bolsa, mochila ou livro,

Pois essa imagem você carrega gravada na mente,

No coração, na alma…

Qual imagem carrega consigo e é sua fonte vital?

Alda M S Santos

Diante do espelho

DIANTE DO ESPELHO

Diante do espelho eis a questão:

Quem é essa que me retribui o olhar?

Que olha além do brilho úmido, do tom castanho?

Dos cílios negros, do piscar intermitente?

Que tenta atravessar, ver em 3D, do outro lado?

O que vê? O que quer? Do que precisa?

Corajosa, mantém o olhar fixo em mim.

Mergulho profundamente, navego ali, temo me perder.

Vasculho recantos escondidos, cutuco pontos doloridos

Áreas obscuras, fechadas, há muito trancadas.

Retiro descartes jogados num canto, recupero itens da lixeira,

Troco “objetos” de lugar, demoro-me junto a alguns sentimentos

Sento, converso com eles, negocio, tento compreendê-los,

Aceitá-los, aproveitá-los, reativá-los ou descartá-los.

Tanta gente que já se foi e está ali. Reencontros, sorrisos. Para sempre serão amadas.

Vejo muito, vejo tudo, entendo tanto!

Hora de voltar!

Ela continua a me olhar. Lágrimas escorrem ali…

Lubrificaram o caminho difícil.

 Encaram-se. Sorriem.

Não foi difícil encontrar o caminho de volta.

Bastou seguir o amor, como migalhas de pão, deixado nas trilhas.

Apesar de tudo, são vitoriosas.

Lembram de um verso que leram:

  “Perdoa o que tiver que perdoar, abrace o que tiver que amar e o resto deixa, que a vida se encarrega de afastar”- (Tati Zanella)

Ou trazer de volta. 

Alda M S Santos

Espelhos

ESPELHOS

De vez em quando aparecia em minha sala de aula alguma colega a se olhar no grande espelho.

Diziam: “gosto desse espelho, ele me emagrece”. 

Nós sabemos o que somos, mas por alguma “deficiência” qualquer, gostamos de ver refletida no outro uma imagem positiva de nós, que corrobore nossos pensamentos e ideias.

Os outros são nossos espelhos. Nós nos mostramos diante deles. E aguardamos o reflexo.

O que for refletido pelo outro ajudará na construção de nossa identidade, de nossa autoimagem, de nossa autoestima.   

Obviamente, nem sempre gostaremos do reflexo que iremos receber. 

Ninguém quer o espelho da madrasta da Branca de Neve, mas também não precisa ser um espelho de parque de diversões.

Há espelhos côncavos ou convexos demais, que irão distorcer nossa imagem. 

Também há aqueles espelhos que refletem apenas nossas rugas, assimetrias, falhas. Ou que nos mostram coisas de um modo que nos farão sentir vergonha. 

Eles são importantes, mas não são agradáveis.

Espelhos humanos têm que ter equilíbrio e sensibilidade.

Como humanos, falhos e carentes de aprovação, acabamos por nos afastar dos espelhos irreais ou reais em demasia.

Como diz outra colega, “Gosto desse espelho, porque ele ao menos não me engorda mais. Já sou gorda o bastante.”

O espelho não precisa ser “bonzinho”, não sendo “mentiroso” já gostaremos dele.

E, mesmo inconscientemente, seremos atraídos por espelhos que emitem os melhores reflexos de nós.

Rubem Alves está certo: “Amamos as pessoas não pela beleza que existe nelas, mas pela beleza nossa que nelas aparece refletida. Por isto, somos mendigos de olhares. Olhos são espelhos…”

Alda M S Santos

Traços indefinidos 

TRAÇOS INDEFINIDOS

A vida, por vezes, é composta por cores vibrantes, brilho, traços firmes e bem definidos e clareza de informações.

Outras vezes, há apenas um simples esboço, traços leves, inseguros e indefinidos, um grafite, um borrão. 

Quase sempre são difíceis de entender, pois nos passam dados ambíguos, riscos duplos ou quase apagados. 

Exigem inteligência, empenho, sensibilidade, boa vontade, determinação.

Ainda há quem rabisque por cima, distorça dados, cruze informações com o intuito de dificultar.

Há quem queira nos desacreditar e diminuir nossa capacidade.

Cabe a nós ignorar os maldosos, afastar o irreal, interpretar o que se apresenta e reforçar os traços. 

Talvez refazê-los. Com ou sem ajuda.

Felizmente há quem nos apoie e ajude a escolher as cores e a pintar essa maravilhosa aquarela.

É nosso papel a cor dar à imagem que recebemos. 

A vida vale o esforço! 

Alda M S Santos

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