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hipocrisia

Atire a primeira pedra!

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA!

Maria Madalena, prestes a ser apedrejada pelos seus erros

Uma multidão hipócrita e furiosa ansiosa para nela descarregar seus próprios pecados “escondidos”

Se Jesus tivesse dito pra ela denunciar todos que com ela pecaram para se “redimir”

Tipo uma delação premiada obtendo um desconto nas próprias falhas

Metade da multidão desistiria da acusação

Até encontrariam adjetivos positivos para a adúltera, que justificassem seus erros

A começar pelos que com ela pecaram, erraram, obtiveram vantagens

O erro dos outros sempre nos desperta para os nossos próprios

A atitude que tomamos a partir daí é que nos diferencia…

Se isso fosse posto em prática hoje, nosso congresso e STF estariam vazios,

Ou cheio de “santos” com as pedras nas mãos?

Tão antiga, tão atual essa história!

Falta apenas ouvirmos Jesus dentro de nós,

“Vá e não peques mais”!

Alda M S Santos

Como confiar?

COMO CONFIAR?

Como confiar num mundo em que o Merthiolate não arde

Nas delícias da Coca-cola que desentopem sanitários

Nas sandálias Havaianas que arrebentam as tiras tão facilmente

No leite que não vira coalhada depois de três dias fora da geladeira

No Bombril que não tem mais mil e uma utilidades?

Como confiar?

Como confiar numa justiça com tantos pesos e medidas

Na palavra dada que de nada vale se não for documentada

Nos amores que não duram até que a morte os separe

Nas brigas entre rosas e cravos em que ambos não saiam despedaçados

Num “te amo para sempre” apenas se você me amar?

Como confiar?

Como confiar nas compatibilidades de gêneros, ao invés das incompatibilidades de gênios

Que “primeiro as damas” é coisa de feminismo ou machismo

Que ter um quintal sem muro é apenas utopia de Roberto Carlos?

Como confiar?

Nas crianças que dançam “quadradinho” até o chão e não mais “Atiram o pau no gato”

Nos olhares dos pais que não são entendidos como alertas de perigo

Nos adultos isolados da infância e da velhice como seres inatingíveis?

Como confiar?

Como confiar na fé que se professa e não se vive

No ouro que não “compra” terreno no céu

Nos “homens de Deus” que têm doenças mundanas

Na felicidade encontrada apenas nas conquistas profanas?

Como confiar?

Nas amizades que, monetariamente, calculam perdas e ganhos

Na saudade que não dói, no machucado que não sangra

No abraço que não acalma, na família que não se enlaça

No beijinho que não cura qualquer mal?

Como confiar num mundo tão confuso, hipócrita e perdido?

Alda M S Santos

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