SATURANDO
A dor nem sempre é aguda como os raios que riscam de prata o céu escuro
A dor nem sempre faz barulho como os trovões que fazem tremer tudo abaixo das nuvens
A dor nem sempre é de devastação pontual e rápida como tornado ou tsunami
A dor, muitas vezes, pode ser crônica, fininha, contínua, persistente
Como a chuvinha silenciosa que cai insistente na terra já saturada
Atinge fundo, vai encharcando pouco a pouco
Com avisos ignorados ela vai pesando, trincando, rachando, devastando
Até que provoca grandes deslizamentos dos morros e encostas mais resistentes…
Quem vigia apenas as grandes tempestades
Acaba sendo atingido, levado pela garoa insistente e persistente
Como as dores crônicas físicas ou emocionais nossas de todo dia…
Alda M S Santos