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Somos ancestrais


SOMOS ANCESTRAIS

Parte de mim é o que meus ancestrais deixaram
Construíram, destruíram, ignoraram
Lutaram, se rebelaram, concordaram
Aquilo em que eles acreditaram e investiram
Nossos ascendentes abriram uns caminhos
Também fecharam muitas trilhas
Certo é que somos ancestrais das novas gerações
O que estamos construindo ou destruindo
Para que possam existir no futuro?
Há algo que ao olhar para trás possam dizer: 
Puxa vida, eles foram “os caras”!

Alda M S Santos

Quase um século

QUASE UM SÉCULO

Minhas lembranças mais remotas e saudosas

Vêm do cheirinho da casa dela

De sua comida no fogão a lenha

Do quintal gigante e da água do poço

Completa hoje 96 anos a minha avó Dudu

Com uma descendência grande de 44 pessoas

Mas não tão longa quanto suas histórias

E o carinho e amor contido, quase nunca declarado, por cada um dos seus

No interior das Minas Gerais, Guanhães, em especial

Ela cumpre dignamente sua passagem por aqui

Casos a contar, lutas, vitórias, derrotas, sobrevivência

Seis filhos, dezenove netos, dezoito bisnetos, uma tataraneta

Cada qual seguindo seu caminho, sua trajetória

Tão pequenina, miúda, cabeça boa, frágil

Um abraço parece que irá quebrá-la

Frágil? Que nada!

Poucos chegam a quase um século de vida

Tão bem quanto ela

Quem a vê tão magrinha e meio encurvada

Se engana ao pensar que é dependente

Sequer a imagina se virando sozinha com suas necessidades básicas

Se perguntada, diz que não está valendo nada

Que já era e não passa de hoje

Mas não quer seguir ninguém, gosta de seu cantinho

Seu ninho, mesmo fisicamente vazio

Quem a pode criticar?

A vida é assim mesmo: ora carregamos, ora somos carregados

Mas enquanto aguentamos, andamos por nossas próprias pernas

Que Deus dê a ela muita saúde, tranquilidade, resignação

E dignidade para vencer seu caminho junto aos seus

Felicidade, Dindinha! Te amo!

Alda M S Santos

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