EMENDAS
Rasgar o verbo pode ser um modo inteligente
De ter um bom motivo para remendar a própria vida
Costurar aquelas bandas que estão separadas
Cerzir partes que estão puídas
Cortar sobras e pares desalinhados
Fazer bainha no que está sobrando
Ajustar o que está frouxo e deformado
Abrir partes para ter melhor caimento
Customizar o que já está repetitivo
Arrumar fechos, pregar ou arrancar botões de vez
Bordar umas flores, árvores ou montanhas
Um sol, um luar, uma praia, um mar..
Sei lá! Enfeitar!
Aproveitemos as oportunidades para nos renovar
Pois quando se trata de nós
Não dá pra jogar fora e comprar um novo viver…
Alda M S Santos
CAIU, QUEBROU…E AGORA?
Bela, frágil, delicada
Caiu, quebrou, vários pedaços cortantes
Entornou, molhou, feriu, machucou, sangrou
E agora?
Junta tudo, enrola num jornal, põe para o lixeiro
Cristal quebrado não tem conserto!
Caiu, quebrou…e agora?
Guarda todos os cacos num cantinho como lembrança, revisita, faz um concerto dentro de si
Afinal, teve seus dias de glória, conta uma história especial e bonita
Caiu, quebrou…e agora?
Segue faltando pedaço, adapta-se ao que restou, meio vazio, meio cheio, entornando por aí
Caiu, quebrou…e agora?
Cola cada pedacinho como der, com cuidado para não mais se ferir
E continua a servir o doce vinho, o amargo Campari
Ou a borbulhante champanhe
Celebrando a vida…
Cada “cicatriz” a torna única, original, ímpar
Sinal de queda, mas também de vitória, aprendizado e sobrevivência…
Caiu, quebrou…e agora?
Cole! Seja o cristal ou a vida!
Alda M S Santos