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Estruturas frágeis

ESTRUTURAS FRÁGEIS

Nem todo mal, dano ou dificuldade

Daqueles que abalam as nossas vidas

Devastam tudo, destroem, “roubam” o que temos de mais valioso

Chegam de uma só vez, como uma tragédia da natureza

Derrubando tudo como furacões ou tsunamis

Muito do que abala nossa estrutura física, mental, emocional

Chega devagarzinho, vai dando pequenos sinais

Nem por isso o mal é menor ou menos doloroso

Como um vazamento subterrâneo de água

Ou um formigueiro que cria buracos no solo

Que, se não interrompido a tempo, derruba uma casa inteira, uma via pública, uma cidade

Aparecem trincas, ignoradas, afundamentos, não percebidos

Abalos sísmicos, não considerados…

O físico, a mente, as emoções também dão sinais quando nossas estruturas internas estão em risco

Dores, febres, esquecimentos, angústias, tristezas excessivas

Sono que não passa ou insônia constante

Insatisfação com tudo, falta de estímulo, desânimo, vícios

Tudo precisa ser considerado para manter firmes nossas estruturas

Somos um prédio com várias conexões interligadas e interdependentes

Muitas vezes com outras estruturas de outros prédios dependentes de nós

Uma delas que falha pode comprometer e ruir tudo

E tornar difícil ou impossível a recuperação

Ao vermos um belo prédio não enxergamos a estrutura que o sustenta

Se está suficientemente forte ou cheia de trincas

Ou se apenas um sopro pode derrubá-lo

Pois talvez o mal esteja comprometendo justamente a percepção dos sinais, do perigo que nos ronda

E costumamos enxergar melhor falhas nos outros que em nós mesmos

Saibamos cuidar de nós mesmos e, melhor ainda, identificarmos isso nos outros

Assim, evitamos criar rachaduras comprometedoras nas estruturas alheias..

Alda M S Santos

Rachaduras

RACHADURAS

Somos feitos de gretas, falhas, rachaduras, frestas

Pelas gretas é que entram os amores, desavisadamente

Num momento de distração ou fragilidade, tomam posse

E são a liga que une o que há de melhor em nós ao outro

Mantendo-nos estáveis, mesmo sob constantes balanços

Pelas rachaduras é que saem as decepções, amarguradamente

Quando estão nos sufocando buscam ar, aos goles, aos borbotões

E deixam extravasar os excessos, permitindo novo respirar, sobrevivência

Pelas frestas podemos antecipar maremotos e nos preparar

Essas falhas em nossa rocha permitem a água passar sem grandes danos

Tapar nossas gretas e rachaduras não é muito sábio

Uma estrutura sem gretas, sem rachaduras, sem frestas, sem “falhas”

Que permitam que nosso prédio interno se ajeite, se estabilize, se reorganize, dilate

Nos balanços das grandes tempestades

Pode ruir, implodir, explodir, desmoronar…

Alda M S Santos

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