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alegrias

Tá triste?

TÁ TRISTE?

Tristeza que ameniza com um abraço desinteressado

Numa manhã com eles, aprendendo como se faz um bom queijo

Amenizando conflitos “infantis”

Acalmando uma lindeza que queria dar chinelada na cuidadora que furou seu bumbum

Batendo um bom papo, rindo, dando atenção

Oferecendo e recebendo carinho

E ouvindo aquela idosa que diz que abraço de outra mulher dá choque dizer:

“Pode abraçar, você está cheirosa, e seu abraço não me dá choque”

Riu muito quando respondi: “será que estou virando homem”?

“Então tire esse vestido bonito”!

Eles me fazem muito bem!

Qualquer tristeza ameniza ao estar com gente que precisa da gente…

Alda M S Santos

Trocamos

TROCAMOS

Trocamos um quintal grande e arborizado, uma cisterna de águas límpidas e um cachorro fiel por um playground “seguro” de concreto, atrás de grades e muros altos

Trocamos caminhadas ou pedaladas até a escola ou trabalho por esteiras e aparelhos na academia

Trocamos frutas e verduras da horta ou pomar e quitandas de forno à lenha por produtos enlatados e industrializados

Trocamos as brincadeiras de pique-esconde e polícia -ladrão na rua por fases de jogos nos computadores

Trocamos uma amizade verdadeira e de confiança por outra mais “valiosa”, mais promissora, mais cordata, menos instigante

Trocamos uma paquera na praça do coreto, um namoro no alpendre, um relacionamento duradouro por outros imaginados, ilusórios e incertos

Trocamos chás de boldo e hortelã, um abraço amigo ou um desabafo choroso no colo de alguém querido e confiável por drogas alucinógenas e causadoras de dependências

Trocamos a responsabilidade por erros que cometemos, a oportunidade de crescimento, pela justificativa de “eu não fui atrás”, “eu não busquei”, “não é culpa minha”, enganando a nós mesmos

Trocamos a alegria do convívio com uma família grande, amorosa e até briguenta, por um trabalho qualquer que muito nos ocupe em busca de dinheiro que nem teremos tempo ou satisfação para gastar

Trocamos nossas alegrias e tristezas naturais por remédios tarja preta

Trocamos nossa essência para manter ou conquistar algo que nem sempre nos fará bem

Trocamos tanta coisa em busca de alta expectativa de vida, de facilidades e felicidade passageira

Para vivermos 75/80 anos, aos invés dos 50 de outrora

A que custo?

Alda M S Santos

A dor

A DOR

A dor é o óleo que deixa

As engrenagens do coração lubrificadas

E o tornam sensível e propício para viver

As posteriores alegrias intensamente,

Sem trepidações ou danos à sua mecânica.

Cuidado com a falta ou o excesso do óleo!

Alda M S Santos

Bipolar

BIPOLAR
Ou o Sol que racha, ou o breu da noite,
Ou o amor que aquece, ou a tristeza que gela,
Ou a chuva torrencial, ou a seca que desidrata
Ou amizades que acalentam, ou inimigos que as ofuscam
Ou a fome desvairada, ou a anorexia bulímica
Ou gargalhadas contagiantes ou lágrimas tempestuosas.
E o coração sempre no mesmo polo, sempre cheio!
Ainda que pareça sair pela boca,
Ou estar tão apertado que pareça nada conter.
Antes bipolar e cheio de vida,
Que num constante polo de tristeza!
Alda M S Santos

De que adianta?

DE QUE ADIANTA?
De que adianta uma linda voz
Se quando é preciso, ela se cala?
De que adianta um belo sorriso, se apenas se abre para alguns,
E tantos necessitados são excluídos?
De que adianta tamanha inteligência,
Se não sabe agir ao sabor da emoção?
De que adianta tanta beleza, se não é possível mergulhar mais fundo,
Sob pena de “bater a cabeça” em rasa profundidade?
De que adianta tanta “cultura”,
Se as palavras mais doces não fazem parte de seu vocabulário?
De que adianta braços fortes e ombros largos,
Se não servem de abrigo ou de colo a quem precisa?
De que adianta o amor preso dentro de si,
Se ele é uma flor que precisa do sol
Que existe no outro,
Para crescer, se abrir e encantar?
De que adianta?
Alda M S Santos

Desatinos

DESATINOS
De quantos desatinos se faz uma loucura?
De quantas loucuras se faz uma alegria?
De quantas alegrias uma vida precisa para ser feliz?
Alda M S Santos

Ônus e bônus

ÔNUS E BÔNUS

Como ser feliz? Não criar tantas expectativas sobre as coisas, tantos diriam! 

Acho isso tão frustrante!

É o mesmo que dizer a uma criança: se não quiseres esfolar os joelhos, ficar descabelada ou suja, não brinques na rua. 

É certo que não irá se machucar, assim como também não se machucarão aqueles que não criam expectativas, não sonham. 

Mas será esse nosso objetivo nessa vida? Aguardar dentro de casa, preservar-se, não se arriscar, não ir à luta, não sonhar? 

Posso dizer por mim, prefiro as cicatrizes nos joelhos, os cabelos rebeldes e os pés sujos à beleza artificial da criança que assiste as outras brincarem. 

Prefiro o rosto marcado pelas lágrimas, o coração dolorido de saudade, a alma impregnada de emoções à opacidade, nebulosidade e frieza de alguém que não criou expectativas, não sonhou, não lutou, não amou. 

Por medo de sofrer, não se arrisca..

Por medo de se arriscar, sequer vive! 

Se as lágrimas são o preço a se pagar por viver, não fico em dívida, eu pago! E ainda posso ter muitos sorrisos e alegrias de bônus! 

Alda M S Santos

Há receitas?

HÁ RECEITAS?

Para estar de bem com a vida
Não há receitas, não há tutoriais.
Cada pessoa exige ingredientes diferentes
O “ponto” de cada massa é diverso
O tempo que se leva para “assar” é variável
Mas há ingredientes que são unanimidade:
Boas companhias, um lugar agradável e Deus.

Alda M S Santos

Nas voltas da vida

 Hoje, numa formação em serviço com um contador de histórias, foi-nos pedido para construir uma árvore da vida. Nela, iríamos escrevendo pessoas que marcaram nossa infância, momentos bons e ruins, pessoas mais importantes, o que gostaríamos de ser ou fazer ainda. 

A árvore tornou-se um breve resumo de nossas vidas. Uns choraram, se emocionaram, se entristeceram ou se alegraram. 

Eu, feliz, percebi que quase não tenho momentos ruins tão marcantes, ou tantas coisas a mudar em mim ou realizar. Mas algo me intrigou. Lembrei das pessoas marcantes. Precisava selecionar três. Obviamente, marido e filhos. Porém, as outras não foram esquecidas. Apenas não foram registradas. 

Pus-me a pensar em todas as pessoas que marcaram minha vida, que eu tinha certeza que ficariam para sempre e não estão mais presentes, exceto por uma doce, terna e até dolorosa lembrança. Os amigos de esconde-esconde da infância, as confidentes para todo o sempre do colégio, o amor platônico, o beneficiário de nosso primeiro beijo, primeiro amor, juras eternas da adolescência… 

Tantos amigos que chegaram, ficaram, nos fizeram felizes por um tempo e se foram nos caminhos nem sempre retos da vida. 

Até hoje pessoas entram e saem de minha vida. Nunca me acostumarei. Não é que não seja agradecida às maravilhosas pessoas que amo, que me amam, que são o alimento diário de minhas alegrias. A questão é que em minha vida caberiam todas aquelas que entraram e se foram.

 A partida de alguém que amamos sempre é dolorosa. Alguns a gente reencontra, outros, talvez noutro plano. Porém, em mim, estão guardadas no coração. Remexer lá é doloroso, mas prazeroso. Cada qual tem seu lugar. Todas são insubstituíveis! 

A roda da vida está sempre girando. Trazendo e levando pessoas que foram ativas e importantes, que amamos. Só não há jeito para a morte. Penso que Deus as mandou para nós e nós para elas com um propósito. Se elas se foram é porque já o cumpriram. 

Como humanos emocionais resta-nos lembrar e reviver, ou esperar que nesse vai e vem da vida elas retornem e que a gente possa ser novamente feliz. 

Alda M S Santos

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