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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Por onde a vida flui…

POR ONDE A VIDA FLUI

Uns aprendem a andar, outros a correr

Uns aprendem a cair, outros a levantar

Uns aprendem a subir, outros a descer

Uns aprendem a ir, outros a voltar

Uns aprender a descansar, outros a trabalhar

Uns aprendem a sempre seguir, leves, sem “pesos”, a nada se prendem

Sequer olham para trás, para quem porventura deixou

Ou tenha sido deixado pelo caminho…

Querem apenas chegar, sem atrasos ou contratempos

Outros aprendem que nesses vaivéns, aparentemente antagônicos,

Estão a marcha da vida, a linha do trem

Por onde a vida flui, nem sempre veloz

Nem sempre silenciosa, nem sempre fácil

Porém, mais certa da chegada, a qualquer tempo…

Alda M S Santos

Conchas e pérolas

CONCHAS E PÉROLAS

Conchas ou pérolas?

Corajosos e afoitos atrás das pérolas preciosas

Mergulham fundo, arriscam-se

Cautelosos e ponderados na areia da praia, na superfície

Encantados com suas conchinhas

Ou sonhando com as pérolas do fundo desconhecido

Que seria das conchinhas da areia

Se todos mergulhassem atrás das pérolas?

Quantas conchinhas lindas esquecidas

Por aqueles que as perdem em busca da incerteza das pérolas?

Quantas pérolas já temos nas mãos e não as reconhecemos, descartamos?

Façamos de nossas conchas nossa pérola particular e preciosa ….

Alda M S Santos

Acumuladores de emoções

ACUMULADORES DE EMOÇÕES

Uma caixa enorme com várias caixas menores dentro

Cada qual com algo precioso, único, especial

Que não pode ser descartado

Lembranças de uma época: livros, poemas, mensagens

Souvenirs, rosas secas, fotografias, cartões

Por mais que se arrume ou se ajeite

Muito pouco é descartado, e com pesar

Quase tudo volta para as caixas, para as malas, para os porta-trecos

Talvez um pouco mais organizado em suas prateleiras

Por ordem de importância, necessidade ou prioridade

O “interior” dos acumuladores de emoções é assim

Caixas e mais caixas, gavetas e mais gavetas

Um verdadeiro relicário que só eles entendem

O real valor de cada “peça” tão preciosa

Todo cuidado é pouco, pois são relíquias frágeis e interligadas

Uma que é remexida ou retirada gera efeito cascata

Bagunça e inunda toda a “organização” emocional presa por um fio

E pode afogar-se ou afogar a todos…

Alda M S Santos

Nosso maior fracasso

NOSSO MAIOR FRACASSO

Todos temos um sucesso ou vitória retumbante

Aquela que nos dá orgulho, nos motiva a seguir em frente

Um trabalho prazeroso que enobrece

Um jardim bem cuidado, um lar encantado

Uma família presente e abençoada

Filhos que são reflexo do amor e ensinamentos recebidos

Um amor correspondido e parceiro de vida…

Costumam ser esses apontados como nossos maiores sucessos

E nossos fracassos?

Seriam o oposto disso tudo?

Nosso maior fracasso não seria aquele onde mais investimos e perdemos?

O médico que não curou, o advogado que não defendeu um inocente

O religioso que não obteve a compaixão que pregou,

O professor que não ensinou o que é valioso aprender e reter

Não aos outros, não a terceiros

Mas o médico que não pôde curar a si mesmo

O advogado que foi seu próprio carrasco

O religioso que não amou sequer a si mesmo

O professor incapaz de aprender e praticar o que tanto ensinou…

Todos lutamos dia a dia para não sermos nosso próprio e maior fracasso

Para não falharmos conosco mesmos naquilo que somos especialistas…

Alda M S Santos

Não pode ser do mal

NÃO PODE SER DO MAL

Não pode ser do mal

Aquele que diz que “odeia” esse mundo injusto e cruel

Mas compõe ou toca lindas e emocionantes canções

E inspira gerações e mais gerações

Não pode ser do mal

Aquele que diz ter desistido da humanidade

E salva vidas em seu trabalho habilidoso, seja ele qual for

Não pode ser do mal

Aquele que diz não confiar nas pessoas, não acreditar no amor

E, em cada olhar, em cada sorriso, em cada toque

É afeto em forma de poesia

Ninguém é do mal pelo que diz

Somos do bem ou do mal pelo nosso fazer que “denuncia”

Aquilo que somos verdadeiramente

No trabalho prazeroso, nas atitudes de amor e compaixão

Nos olhos piedosos diante da dor do irmão

Ou quando a “eficácia” e presteza em julgar o modo de ser do outro

Cresce na mesma proporção que a inaptidão em mudar a si mesmo

Somos do bem cada vez que pintamos na alma uma tela colorida, mesmo sem querer

E iluminamos a vida de um alguém

Sem, contudo, escurecer ou borrar a tela de ninguém…

Alda M S Santos

Em cada criatura

EM CADA CRIATURA…

Amor não tem cor, não tem raça, não tem sexo

Não tem idade, não tem padrão

Amor não tem classe, filo, gênero ou espécie

Amor está na flor perfumada, nos frutos saborosos

Na copa verde ou nas folhas secas que caem

Nas sementes que se alastram carregadas pelo vento

Sobretudo na raiz que parece em repouso debaixo da terra

Mas trabalha em silêncio todo o tempo,

Irriga, protege, cuida do amor que prevalece

Amor se propaga, está nos olhos de quem vê

Amor está na terra, no ar ou no céu, passe o tempo que passar

Amor verdadeiro fica “dentro” sempre

Amor é sempre amor, qualquer um é capaz de reconhecer

É infinito, está nãos mãos do Criador

Que repassou para cada criatura

Portanto, não há lugar em que ele não tenha sido plantado

Conservar e frutificar depende de cada uma delas…

Alda M S Santos

Um brinde aos heróis

UM BRINDE AOS HERÓIS

Heróis nem sempre usam capas mágicas

Carros ultra velozes, super visão, audição ou força

Na maioria das vezes usam apenas a força do amor e da oração

De longe ou de perto, parecem nossos anjos

E são talvez tão necessários quantos os tubos de oxigênio

Que nos retiram dos mergulhos lamacentos da vida

E sequer imaginamos quantas vezes salvaram-nos da morte

Em detrimento das suas próprias vidas,

Como o mergulhador Saman Kunan que morreu ao levar suprimentos para os Javalis Selvagens na caverna da Tailândia

Quantos heróis será que temos por aí

Dia a dia nos protegendo dos perigos que nos rondam

Nas cavernas escuras que muitas vemos nos metemos sem perceber?

Um brinde aos heróis que ninguém vê!

Alda M S Santos

Best seller

BEST SELLER

Aquela história bonita que a gente tem escrita

E guardada nas gavetas de nossas estantes interiores

Em letras miúdas, frases curtas, versos simples

Longas orações subordinadas, muitas vezes sem nexo

Onde mocinhas encantadoras e seus pares românticos se encontram

Ou os vilões malvados, (in)felizes para sempre

Se misturam nas páginas coloridas como flores amarelas de nosso coração

Passam para os capítulos ilustrados e perfumados de nossa alma

E ficam presas na edição cinzenta de nossa mente

Ora fria e racional demais, ora confusa, medrosa e inerte

Que, ou nada entende, ou nada consegue traduzir

Para um bom Português

Assim, histórias bonitas estão presas por aí

Humor, suspense, romance, ficção, dramas, biografias

Aguardando um bom escritor e editor

Para torná-las uma obra de arte eternizada

Nos best sellers da biblioteca de alguém…

Alda M S Santos

O que não te mata…

O QUE NÃO TE MATA…

“O que não te mata te fortalece”

Afirma o dito que ninguém esquece

Ou será que apenas te entorpece

E o medo sempre prevalece

Escondido para não parecer que enlouquece?

Na luta de fracos e fortes que se estabelece

Quem vence: aquele que não esmorece

Ou ao menos a todos parece

Que sua alma não se enfraquece

E, apesar de tudo, o coração não endurece?

Será mesmo que carece

Sustentar algo que por muito pouco se esvanece

No claustro frio e escuro que te enrijece

Quando na verdade tudo que te apetece

Seria uma vida simples e iluminada que sempre amanhece?

De que vale se para os outros a força é algo que enriquece

Se para você a cada vez que anoitece

Mais e mais essa força sua alegria apodrece?

Não percebem que o que na verdade te rejuvenesce

E tudo que precisa, e seu sorriso resplandece

É apenas de um abraço forte e verdadeiro que te aquece?

Alda M S Santos

Desertos e seus oásis

DESERTOS E SEUS OÁSIS

Imagine o que é ouvir de alguém

“Hoje sei que sou importante

Mas nem sempre foi assim

Já me achei doente, a problemática, descartável

Já me acharam um nada, uma qualquer

Já quis morrer, já quiseram que eu morresse…”

Se já é doloroso ouvir isso de um ser humano

Imagine para quem viveu, para quem compartilha, agora, tal sentimento

Imaginar-se passando por um deserto desses

Seco, sem trilhas, sem vida, irrigado apenas por lágrimas

Despertadas pelas tempestades de areia quente que enfrentou

Onde os possíveis acompanhantes eram “inimigos”

Imagine, então, o que seria causar esse deserto em alguém

Ou, pior, ter retirado os oásis que ela poderia recorrer pelo caminho

Para irrigar os lagos secos dentro de si e renovar a vida?

Qual nossa responsabilidade de ouvinte?

Ser, senão a água ou o camelo que a retira de lá

Tentar ser, pelo menos, os arbustos do caminho

Onde possa se abrigar do sol quente e descansar sob seus galhos

Ser a fonte de energia que ela precisa para prosseguir

Ser apenas outro ser humano que entende de desertos, de oásis

Mostrando que, devagar, um passo de cada vez

É possível sair de lá e, mais que sobreviver

Querer viver!

Alda M S Santos

O que reténs de mim em você

O QUE RETÉNS DE MIM EM VOCÊ

O que reténs de mim em você

Passa por dois filtros, mais ou menos poderosos: meu e seu

O que reténs de mim em você

Depende do que eu deixo transparecer do meu modo de ser

E do que você foi capaz de enxergar com sua alma receptiva ou não

O que reténs de mim em você

Depende do que, de acordo com suas capacidades, necessidades e limitações, deixou passar por seu filtro

O que reténs de mim em você

Depende do muito ou pouco que pude ou fui capaz de te dar

O que reténs de mim em você

Depende do que foi capaz de entender, aceitar e absorver

O que retemos dos outros em nós

Depende muito deles, mas depende mais ainda de nós mesmos…

O que retemos dos outros em nós é um terceiro elemento: o que eles são, misturado ao que nós somos.

Alda M S Santos

Apenas um dia normal, mas…

APENAS UM DIA NORMAL, MAS…

O relógio despertou, o sol nasceu brilhante e forte do mesmo jeito

Um banho, a padaria, o café da manhã, trocar-se e se preparar para o trabalho

Um “bom dia” displicente, a correria de sempre

Era apenas um dia normal…

Nenhum aviso de que algo poderia ser diferente, nada

Um tchau apressado, um beijinho rápido

Nem um “eu te amo”, ou “se cuida”

Nem um olhar mais demorado para aqueles que queria bem

Tampouco um abraço apertado e quentinho

Apenas um “não se esqueça de passar no banco”

Afinal, era apenas um dia normal…

Nem uma mensagem ou cuidado especial ao longo do dia, não teve tempo

Apenas queria concluir tudo rapidamente e voltar para casa

O dia chegou ao fim, mas ele não chegou em casa, não na casa terrena

Não pôde mais rever os que amava,

Nada mais de abraços, beijos, cuidados, ou gastar os “eu te amo” economizados

Afinal, não era um dia tão normal assim…

Foi o último dia de vida desse amigo

E de tantas outras pessoas nesse mundo

Soubesse antes teria feito alguma diferença?

Coisas boas, coisas ruins, tragédias ou bênçãos

Todas acontecem em dias aparentemente normais

Como está nosso dia hoje?

Alda M S Santos

Quem está aqui dentro da caixa?

QUEM ESTÁ AQUI DENTRO DA CAIXA?

Aqui dentro está uma pessoa muito importante e especial

É uma pessoa muito linda!

Ela é muito importante para todos nós!

Sem ela esse mundo não seria digno de ser vivido.

É uma pessoa forte, guerreira e muito lutadora.

Já passou por muita coisa nessa vida e nunca desistiu.

Já ganhou, já perdeu, e ainda está aqui com muita fé.

Eu amo conviver com essa pessoa maravilhosa e tê-la em minha vida.

Para o mundo ser melhor essa pessoa nunca poderia ser deixada de lado.

Ela é a pessoa mais importante da sua vida.

Adivinha quem é?

 (A reação de cada um ao se ver no espelho)

Alda M S Santos

#carinhologos

Perder é uma m*

PERDER É UMA M*

Dizem que o importante é o prazer de jogar

Ganhar ou perder é apenas detalhe circunstancial

Uma ova!

Saber jogar é importante, ganhar é o máximo

Mas perder é uma m*! Mesmo se for uma derrota honrosa

Tudo bem que quem não sabe perder perde duas vezes

O jogo, a moral, a simpatia, o nome, a autoestima

Fica com o coração na mão, apertado, triste

E cada derrota é uma derrota diferente, mas sempre dói

Pode-se perder muitas vezes e nunca a derrota se tornar mais fácil

Independe qual seja ela: no jogo, no amor, na vida…

Culpar o tempo, o rival, o juiz, o azar, a Deus, a vida

Desacreditar as habilidades e valor do adversário

Chorar até desidratar, rir de nervosismo, fazer piadas de frustração

Desistir do jogo, da luta, da vida

Tudo faz parte das fases da dor da derrota

Mas ela só produz algo de benéfico e produtivo

Só deixa de ser uma completa m*

Quando se assume a própria responsabilidade na perda

Quer seja no jogo, no amor, na vida…

Alda M S Santos

Arquirrivais

ARQUIRRIVAIS

Perder não tá com nada, nada mesmo

Mas perder para arquirrivais é pior

Cruzeiro e Atlético, Superman e Lex Luthor

Flamengo e Fluminense, Sêmele e Hera

Brasil e Argentina, Davi e Golias

Tom e Jerry, Batman e Coringa, Piu-piu e Frajola

Brutus e Popeye, Davi e Golias

Elsa e Ariel, Afrodite e Perséfone…

São muitos! Cada qual sabe de seus arquirrivais

Nem existe racionalização nisso tudo

É uma questão bem mais de emoção, de coração

No trabalho, no esporte, no amor, na vida…

Cada qual sabe o quanto dói perder

O quanto dói perder para os adversários mais temidos

Cada qual com seu time, suas preferências pessoais de vida ou amorosas

Mas cruzeirenses e atleticanos, arquirrivais clássicos

Tornam-se torcedores de um time só nessa época: Brasil

E, afinal, todo cuidado é pouco ao lutar nessa guerra “mitológica”que é a vida

Podemos até querer “matar” uns argentinos ou aquele rival que só nós conhecemos

Mas isso não nos fará verdadeiros vitoriosos

Mesmo porque, somos nossos maiores adversários!

E, afinal, todos fazemos parte do mesmo time:

O time de Deus! Ou não?

Alda M S Santos

Na dolorosa despedida

NA DOLOROSA DESPEDIDA…

Chegou a hora de ir, tinha medo, não se sentia pronta ainda.

-Não posso ficar mais um tempo aqui?

-Você é quem escolhe, mas sabemos que é chegada a hora.

-Tenho medo! E se eu errar, me perder, cair, te decepcionar?

-Poderá sempre recorrer a mim, poderá aprender, mudar!

-Olhando daqui tudo parece fácil, claro, tenho você, mas lá fora é assustador!

-Confie! Você é fruto do amor, aprendeu muito, é perspicaz.

-Será? E se me ferir, machucar os outros, não conseguir consertar as coisas, cair nos mesmos buracos deles?

-Olhe para dentro de si, ore, busque tudo de bom e amoroso que tem aí dentro!

-Mas você não estará lá comigo! E quando me sentir desamparada?

-Você está levando anjos preciosos contigo! Cuide deles! Deixe-se cuidar!

-Mas lá é nebuloso, há outros que nos enganam, que querem nos levar para longe de nós, de ti.

-Eu sempre estarei contigo todo o tempo, dentro de você!

-E se eu não conseguir vê-lo? Como saber?

-Procure-me naqueles que precisarem de você. Se forem do bem, você me verá neles.

-E se forem do mal não devo me demorar neles…

-Sim. Ajude até o ponto em que tenha certeza do que é certo e não corra riscos…

-E se eu quiser voltar? Se me cansar, estiver ferida, quiser colo, sentir saudades?

-Estarei aqui. Conheço sua força e seus limites. Saberei o momento de te trazer de volta!

-E vá logo, minha filha, e lembre-se: EU AMO VOCÊ!

Ela recebeu um abraço demorado, um olhar de puro amor de PAI MISERICORDIOSO, e desceu.

Alda M S Santos

Nos braços de Morfeu

NOS BRAÇOS DE MORFEU

Deitou-se à beira mar num fim de tarde de outono

O Sol se punha belo e multicor no horizonte

As ondas vinham leves e mornas sob seus pés, puxando a areia

Um céu de azul profundo, gaivotas a voar

As crianças brincavam felizes, despreocupadas

Olhos querendo fechar, embalados pelos sons e cheiro de maresia inebriantes

Não posso dormir- pensou! Perigoso!

Entregou-se aos braços de Morfeu, sem perceber

Noite alta, despertou sem ar, quase se afogando

Queria nadar de volta à praia, tudo escuro como breu, nada via

Sensação claustrofóbica terrível

Água por todos os lados em círculos, pedia ajuda, ninguém ouvia

Nadava e sentia-se afundar, ouvia barulhos de gente

Procurava por seus entes queridos, gritava e a voz não saía

Chamava por seus amigos e familiares e…nada, ninguém a socorria

Sentia-se afundar, olhos ardendo do sal do mar e das lágrimas

As forças minavam, faltava oxigênio, pensou em Deus…

Os olhos se abriram, clarearam, a areia da praia apareceu, nadou de volta

Esgotada, entregue, chorou, agradeceu…

Alda M S Santos

Rumo certo ou à deriva?

RUMO CERTO OU À DERIVA?

Tão claro, tão certo, a princípio seguimos o rumo de olhos fechados

Carregamos qualquer peso, corremos, caminhamos

Mergulhamos, sem saber nadar

Saltamos qualquer obstáculo dignos de atletas

Voamos, se preciso for…

Enfrentamos leões, caminhamos sobre brasas

Sorrimos, choramos, vibramos, mas o rumo a seguir não deixa dúvidas

O barco segue seu curso sem bússolas

Dores, doenças, tristezas, não há, ou são superadas rapidamente

Qualquer pirata ou atravessador é vencido

Os caminhos podem variar, mas o rumo é certo!

Criar os filhos, bênçãos que recebemos como presentes

Que nos foram confiados e são tão dependentes de nós

Não deixa qualquer dúvida quanto ao caminho a seguir

É tudo por eles, para eles e pronto!

Saúde, educação, diversão, tudo em função deles

Ter vidas para cuidar é um objetivo nobre que nos motiva e dá sentido ao existir!

De repente, eles aprenderam o ensinado, ficaram independentes

Não precisam mais tanto de nós, buscam seus próprios rumos

E nosso rumo que era tão claro fica meio nublado

Nosso barco fica meio à deriva

Um mundo tão cheio parece se esvaziar, o peito aperta muitas vezes

As dores, doenças e tristezas já não passam tão rapidamente

Reaprender caminhos leva tempo, acostumar-se a não tê-los grudados, idem

Encontrar o rumo novamente, sem tantos “afazeres”, até automáticos, demora

Mas a certeza de tê-los deixado num caminho tranquilo

Nos permite ter paz e orgulho

Sensação de dever cumprido!

Novos rumos aparecerão…e o farol estará sempre aqui.

Alda M S Santos

Virtudes e pecados

VIRTUDES E PECADOS

Numa vida de virtudes, há pecado que nos condenaria?

Numa vida de pecados, há virtude que nos salvaria?

Que há de tão bom em nós que neutralizaria qualquer mal?

Que poderia haver de tão ruim que anularia qualquer bem?

Que carregamos de tão leve, feito balãozinho no jardim, que teria peso positivo?

Que carregamos de tão pesado, feito esponja encharcada, que pesaria negativamente na balança?

Pudéssemos julgar a nós mesmos com os mesmos critérios que julgamos os outros

Nas mesmas leis, pelo mesmo peso e medida

Com direito às mesmas atenuantes e defesas

Sob o mesmo júri implacável

Qual seria nosso veredicto, inocentes ou culpados

Qual penalidade receberíamos?

Teríamos direito de recorrer?

Virtudes e pecados, pecados e virtudes

Qual humano está isento a ponto de ser capaz de julgar?

Alda M S Santos

Enquanto isso…

ENQUANTO ISSO…

Enquanto o rio não corre para cima

Vou descendo nas suas loucas corredeiras

Enquanto não conseguimos tirar leite de pedras

Vou amaciando uns corações mais flexíveis e receptivos

Enquanto vamos brigando por um mundo mais justo e fraterno

Vou estendendo a mão, desviando dos buracos, ajudando, sendo ajudada

Enquanto procuro pela rosa mais cheirosa, bonita e perfeita

Vou cuidando das lindas flores do meu jardim

Enquanto a escuridão da noite cai sobre todos

Busco uma estrela cadente e faço um pedido

Enquanto o amor não vence todos os obstáculos

Percebo que o impossível é especialidade Dele

Enquanto a tempestade assustadora não passa

Observo sua beleza, seu poder de destruição e reconstrução

E escrevo um poema…

Alda M S Santos

Sou eu?

SOU EU?

Os caminhos parecem mais longos e estreitos

Ou sou eu que mudei o modo de caminhar?

As pessoas parecem mais perdidas e carentes

Ou sou eu que mudei o ângulo do olhar?

Há menos perspectiva, menos esperança e mais decepções

Ou sou eu que fiquei mais criteriosa?

Os outros estão mais individualistas e indignos de confiança

Ou sou eu que deixei de ser tão crédula?

Há mais fugas que coragem e persistência

Ou sou eu que ando mais amedrontada?

Há mais barulho e alvoroço que felicidade real

Ou sou eu que tenho tido apreço por silêncios verdadeiros?

Há mais alegria comprada, “roubada”, ilegal, finita

Ou sou eu que prefiro alegrias conquistadas por direito, gratuitas?

Há mais sorrisos fabricados e palavras sem sentido

Ou sou eu que estou mais sensível?

Há mais estradas percorridas e menos caminhos a percorrer

Ou sou eu que estacionei em algum momento?

Está mesmo tudo muito mudado

Ou fui eu que mudei e nem vi?

Alda M S Santos

Me leva

ME LEVA

Me leva com você para os caminhos que já trilhou

Para que possas me ensinar a ser feliz no conhecido

E a me alegrar com o que passou sem sofrimentos

Me leva com você por caminhos novos

Para que possas encantar-se junto a mim com novas descobertas

E fazer delas uma boa opção

Um rio de águas cristalinas a molhar os pés cansados

Me leva, melhor ainda,

Siga-me por caminhos que só eu conheço

Aqueles cujas trilhas marcadas por sulcos de sorrisos e lágrimas

Estão bem dentro de mim

Esperando por bons caminhantes

Me leva por qualquer caminho, qualquer um,

Havendo tristeza ou alegria, não pare!

Mas não me deixe na mão, não me desampare…

Me leva todos os dias, vida,

Com você poderei sempre aprender

Mas não me deixe ao léu

Ensina-me teus segredos

De continuar a existir

Quando tudo no entorno parecer ruir …

Me leva…

Alda M S Santos

Ah…a felicidade, há felicidade?

AH…A FELICIDADE, HÁ FELICIDADE?

Ela não tem segredos

Varia muito pouco de um para o outro

Sensação de paz, de bem-estar, de fé e esperança

A despeito de qualquer problema

Pode estar entremeada de momentos tristes

Mas duas coisas são comuns a todos que se dizem felizes:

São saudáveis e não sofrem dor

São e sentem-se prioridade na vida daqueles

Que são prioridade em suas vidas

Ser especial para quem nos é especial é o desejo de todos

Somos todos crianças grandes, carentes de amor e atenção

E onde isso falta

Não há felicidade não!

Alda M S Santos

Batata quente

BATATA QUENTE

Batata quente, quente, quente

A regra é clara, seja rápido e preciso

Passe a batata quente para frente

Não há tempo para lamúrias ou reflexões

Se segurar muito tempo, se queima

Se estiver com ela na mão quando a “música” parar

Uma prenda irá pagar

Batata quente, quente, quente

Passe para frente, não a deixe cair ou irá se queimar

Outra prenda irá pagar

Batata quente, quente, quente

Assim aprendemos, assim fazemos

Assim vamos “brincando”…

Passando para frente nossas batatas quentes

Recebendo outras tão quentes quanto

E vamos pagando nossas prendas no caminho

Batata quente, quente, quente

Queimou!

Até aprendermos a nos livrar tão facilmente quanto os outros das batatas quentes

Ou até não querermos ou não mais conseguirmos pagar a “prenda”

Decidimos descascar nossas próprias batatas

Não passarmos para frente

Optarmos por não receber batatas alheias, por mais apetitosas que possam parecer

Sair dessa brincadeira e ir pular Amarelinha

Pulando e se equilibrando ora num pé só , ora nos dois

Pulando até o céu!

Alda M S Santos

Sorry!

SORRY!

Pelas vezes em que, acreditando ser útil, mais atrapalhei

Pelas vezes em que briguei e me rebelei sem motivos

Sorry!

Pelas vezes em que tentando ser forte e especial, tornei-me frágil

Por achar-me “superior”, capaz de ajudar, quando eu que precisava de ajuda

Sorry!

Pelas vezes que te culpei por não me aceitar, não cuidar de mim

Quando na verdade eu que me descuidava

Sorry!

Pelas vezes em que não reconheci que você me conhece como ninguém

Por não notar que sabe tudo de mim, que lê meus pensamentos

Sorry!

Pelas vezes em que não aceitei suas mãos estendidas

Por ter cobrado mais que de fato merecia

Sorry!

Pelas vezes em que caí e não percebi as oportunidades de crescimento

Pelas estradas escuras do caminho em que me recusei a abrir os olhos

Sorry!

Pelas vezes em que não valorizei ou cuidei tão bem daquilo tão precioso que me confiou

Por não ter percebido que se eu fraquejasse, outros fraquejariam comigo

Sorry!

Pelas vezes em que mais destruí que construí o que mais aprecia

Por não ter visto seu pedido de amor naqueles que de mim careciam

Sorry!

Por ainda, às vezes, acreditar não merecer tanto amor

Por não ter ainda entendido que me amas acima de tudo

Sorry!

Por ainda cair, por julgar seu amor de acordo com meus parâmetros humanos falhos

Por não ter notado em cada gesto, mesmo duro, uma prova de amor incondicional

Sorry!

Pelas vezes em que deixei que fosse embora de mim

Por nem sempre te buscar por estar nua, por medo ou vergonha

Sem perceber que exatamente aí que você age

Sorry!

Por ter deixado que “meu brilho” te ofuscasse para os outros

Sorry!

Obrigada!

Por nunca desistir de mim, meu Deus!

Obrigada! Eu te amo! Eu confio em ti!

Alda M S Santos

Estoque baixo?

ESTOQUE BAIXO?

Estender a mão é sempre um risco

É submeter-se à avaliação, é dar a cara a tapas

Ora rotulados de superiores, de “ego enorme”

Ora de inferiores, carentes e de baixa autoestima

Na verdade, estender a mão ao outro é estendê-la a nós mesmos

E nos reconciliarmos com nossas próprias falhas

Nossos vazios e necessidades

Enxergar o que o outro precisa é ter sentido aquela falta em algum momento

É temer evidenciar aquilo num futuro

É abastecer duas almas simultaneamente

Estender a mão oferecendo algo é dúbio

Pode ser doar aquilo que temos sobrando em estoque

Mas também é, por vezes, um modo de receber

Aquilo que estamos necessitados no hoje

Ou não queremos deixar baixar o estoque para o futuro…

Alda M S Santos

#carinhologos

Os choques da vida

OS CHOQUES DA VIDA

Muitos choques assustadores: sépticos, anafiláticos, hipovolêmicos, cardiogênicos

Causados, quase sempre, por excessos que levam a faltas

E nos ameaçam o viver

Descargas elétricas que queimam, doem, machucam

Todos eles têm algo em comum: nos matam ou nos acordam para a vida

Para o cuidado, para eliminação do que é tóxico, venenoso

Para recuperação do ritmo adequado, manutenção do que é positivo

Como os desfibriladores a nos lembrar que é preciso bater no ritmo certo, desacelerar

Como aquela situação ou alguém que nos tira da mesmice, do tédio

Assusta, irrita, balança estruturas, choca

E diz: “você não é tudo isso”, ou “você pode fazer melhor”, ou “não tá na hora de desistir”!

O choque de realidade que desmancha ilusões, eletrocuta sonhos, desperta verdades

Que abre caminhos para novas construções

E nos alerta para qualquer risco de novo choque destrutivo

“Gato eletrocutado tem medo até do focinho de um porquinho”

Certo é que depois de um choque ninguém é mais o mesmo…

Alda M S Santos

De corpo e alma

DE CORPO E ALMA

A cada corpo cabe sua beleza, atraente e transitória

Aquela “trabalhada” nas atitudes de cuidado

De alimentação saudável, de sono tranquilo, belezas “malhadas” nas academias

A cada alma a sua beleza encantadora e eterna

Aquela “malhada” nas atitudes de amor para consigo

E, principalmente, para com o outro

No trabalho produtivo e prazeroso

No reconhecimento e gratidão de todo amor recebido

Na alegria bumerangue percebida em cada afeto doado

E que reflete melhor no corpo, no sorriso sincero, na pele viçosa

Na autoconfiança que encanta outras almas

Valem mais que aquelas adquiridas no “puxa-ferro” das academias…

Só seremos completamente belos, quando nos entendermos unos: corpo, mente e alma

Uno que se une a outro uno tornando -se duo, sem perder a unidade

E essa consciência só vem com atitudes de amor compartilhadas com todos que nos rodeiam

Todos que passam por nossas vidas e oferecemos o melhor de nós

Sem qualquer cobrança…

Alda M S Santos

Gosto assim…

GOSTO ASSIM…

Gosto de olhos que tocam docemente com carinho

Quando a autoconfiança inala a frieza ácida da tristeza e da dúvida

Gosto de silêncios com sabor adocicado de mel

Ou de palavras que apaguem o calor destrutivo do fel

Gosto de pessoas letradas em ler o brilho molhado que vaza nos olhos

Quando eles estão embaçados pelo vapor amargo das decepções

Gosto do perfume doce, macio e inebriante dos abraços, da proteção amorosa que aquece

Que anestesiam qualquer grito perturbador e confuso que se cala na alma

Gosto de quem ouve o não-dito nas palavras, não acusa, acolhe

De quem lê e entende o que não está escrito em letras

De quem fala por sorrisos, compreende os não sorrisos da distância

Gosto de sentir vibrar na pele o som do amor que arrepia,

Que nasce nos pequenos desejos feito cachoeira na serra

E cresce, alimentado e protegido pelas matas ciliares do cuidado

Desce feito rio manso e cada vez mais caudaloso

Abastecido pelas águas poderosas da reciprocidade

Segue seu curso certeiro, sem guias, rumo ao mar

Exalando perfume suave de alfazema em suas cores quentes de fim de tarde

E, na imensidão do oceano, se mistura, mesmo escondido, vive e se faz infinito e eterno

Alda M S Santos

Eram três todo o tempo

ERAM TRÊS TODO O TEMPO

Eram três e caminhavam quase sempre juntas

Menina, jovem, idosa…

Ontem, hoje e amanhã

O ontem como a antiga (menina) doce e sonhadora, nada temia

O amanhã como uma criança (velha), desconhecida, sendo gestada

O hoje, uma jovem senhora, caminhando no fino e longo fio que une menina e idosa

O passado na pessoa da menina sorridente a martelar insistentemente cobrando e estimulando

O futuro na pessoa da idosa entre medos e expectativas do vir a ser, a lembrar que o tempo é curto

O presente, o único elo entre elas, às vezes se perde, retorna ou avança desenfreadamente

Lutando para não deixar morrer os sonhos de outrora

Para poder conquistar cada um deles

Sem comprometer a velhice temerosa

Sem decepcionar a criança sorridente

O hoje, uma mulher madura, tentando se equilibrar nesse fino elo entre elas

Desejando torná-las uma só, harmônica e em paz

Tentando se firmar, não cair e ser feliz no presente, que é o que existe de real!

Alda M S Santos

(Des)humanas ou (In)exatas?

(DES)HUMANAS OU (IN)EXATAS?

Você é da área das humanas ou das exatas?

Busca a exatidão nas (des)humanas ou a humanidade nas (in)exatas?

Conformou-se com a inexata desumanidade da vida

Ou ainda busca o valor de X que, perdido, não quer ser encontrado?

Para você é confortável saber que zero é zero, um mais um são dois,

Ou gosta de saber que nem sempre zero quer dizer ausência, e que um mais um pode ser diferente de dois?

Gosta de sim ou não, ou o talvez, pode ser, depende, às vezes, mais ou menos, jamais, te agradam mais?

Prefere lidar com quadrados perfeitos, saber exatamente a área que te cabe nos triângulos

Ou gosta da questão ampla e filosófica de se inserir num círculo do qual desconhece o início e o fim?

Sua perspectiva de ângulo é multifocal ou é simétrico demais para admirar as multiplicidades de questões sem respostas?

Entende bem uma questão que tenha uma resposta racional, se possível resolvida na calculadora,

Ou prefere aquelas que se resolvem nos caminhos incertos e inexatos escritos poeticamente no coração?

Gosta de ter traçado todo o caminho com gastos calculados e previsão certa de chegada

Ou prefere as deliciosas surpresas naturais que “atrasam” seu caminho?

A “frieza” descalculada das exatas é tão forte quanto a inabilidade de lidar com emoções.

O “descontrole” emocional das humanas é tão forte quanto a incapacidade de calcular o tempo para sair desse labirinto.

Tão diferentes e tão necessitados uns dos outros…

Sou das humanas, tentando resolver a inexata complexidade das equações vitais, usando as ferramentas do coração…

Deu para entender?

E você está mais perto das (des)humanas ou das (in)exatas questões?

Alda M S Santos

Ainda assim, é mágico

AINDA ASSIM, É MÁGICO

É mágico viver

Aspirando o verde brilhante da esperança que sempre brota

Ainda que esteja semeada no solo árido de outros corações

É mágico viver

Invadidos pelo bálsamo do amor que acalma o nosso interior

Ainda que precisemos enfrentar a acidez diária de uma alma ferida

É mágico viver

Mesmo escondidos atrás de barricadas do “tô nem aí”

Protegendo-nos de balas nada doces lançadas contra nós

É mágico viver

Colando cada pedacinho que se quebra, que matam em nós a cada decepção

Mesmo sabendo que colar não nos protegerá de novas trincas e cicatrizes

É mágico viver

Lendo os textos da vida, nossos, dos outros, tentando compreender seus contextos

Ainda que os pretextos ouvidos não se encaixem muito bem

É mágico viver

Fazendo de cada amanhecer um rio de novas oportunidades

Ainda que nosso sol se esqueça de brilhar e as sombras sejam assustadoras

É mágico viver

Buscando pintar no rosto e na alma uma história colorida, bonita e encantadora

Ainda que em nossa paleta falte cores primárias

E precisemos criar e ousar…

É mágico viver

Corajosamente, sabendo que a única certeza que temos é do morrer

E sendo, por isso mesmo, grandes palhaços do viver…

Ainda assim, é mágico viver!

Alda M S Santos

Somos natureza

SOMOS NATUREZA

Somos natureza, das árvores, somos flores

Perfumadas, encantadoras, suaves e delicadas

Mesmo com espinhos em autoproteção

Somos natureza, das árvores somos troncos

Levando a seiva que alimenta tanta vida

Sendo abrigo de outros que buscam por nosso aconchego

Somos natureza, das árvores somos folhas

Ora em completo esplendor, cor e brilho

Ora, sabiamente, caindo e cedendo a vez em benefício do todo

Somos natureza, das árvores somos frutos

A alimentar a quem de nós necessitar

Sempre produzindo sementes para perpetuar o existir

Somos natureza, das árvores somos raízes

Aquela que comanda a vida, lida bem com fartura e carestia

E preserva o que tem de essencial

Somos natureza, das árvores almejamos o verde intenso da esperança

Confiando que em seu entorno há tudo que necessita para viver

Ainda que no fundo de si mesma…

Somos natureza…

Das árvores falta-nos saber aceitar bem cada fase

Falta-nos a confiança na proteção da Criação…

Alda M S Santos

Na cama, na grama ou na lama…

NA CAMA, NA GRAMA OU NA LAMA…

Na cama nos deitamos, relaxamos, dormimos, descansamos, sonhamos

Na cama também sofremos de insônia, reviramos para lá e para cá

Temos pesadelos, medos, traumas, choramos

Na cama amamos, nos amamos ou odiamos, fazemos amor

Na cama ficamos doentes, convalescentes, imóveis, em repouso, entregues

Não há lugar bom ou ruim por si só

Há pessoas em paz que tornam bons todos os lugares que vão

Seja na cama, na grama ou na lama…

Alda M S Santos

Raízes fortes não bastam

RAÍZES FORTES NÃO BASTAM

Uma árvore gigante, tricentenária…

Quantas intempéries já enfrentou

Quantas vidas acolheu nos ninhos em sua copa

A quantos corpos cansados deu o descanso de sua sombra

Quantas histórias de amor presenciou, início e fim

A quantas mentes indecisas propiciou boas reflexões

Quantas almas e corações sofridos aconchegou em seu tronco, como abraços

Quantas lágrimas absorveu em seu solo

São raízes fortes que a mantêm assim, de pé

Mas raízes fortes protegidas sob o calor da terra

Raízes expostas, por mais fortes que sejam

Fragilizam, cedem, tombam…

Raízes expostas causam dores nevrálgicas

Dores que abalam tronco, galhos, flores e frutos

E nos jogam ao chão…

Podemos perder folhas, flores e frutos todo o tempo

Eles se renovam…

Raízes necessitam proteção, são únicas

E só nós ou quem nos ama verdadeiramente pode nos oferecer.

Alda M S Santos

Coisinha beijoqueira

COISINHA BEIJOQUEIRA

-Já vem você né, coisinha?

Ela diz entre a braveza e a surpresa escondida num meio sorriso.

– Oi! Sou eu! Estava com saudades- digo, me aproximando devagar.

-Pode ficar aí. Não chega aqui, não!- diz ajeitando os cabelos.

– Quero ver você de perto. Só conversar. Sabe que te amo, amor da minha vida?

– É? Amor da minha vida?- um sorriso divertido abre as portas e eu chego.

– Como você está?- abraço a idosa e beijo suas bochechas.

Ela sorri, conta suas dores e fantasias, pergunta se fui de carro, pede para levá-la a minha casa.

Tento convencê-la a tomar um banho:

– Pra ficar mais linda, cheirosa!

– Você é a coisinha beijoqueira!

– Sim! Mas só beijo porque te amo! 💕

Ela sorri feliz em meio às suas lamúrias, mas nada de aceitar o banho…

Mas eu a amo assim mesmo!

Quanto sofrimento ela deve ter suportado nessa vida?

Não importa por quanto tempo dure o sorriso, o importante é despertá-lo!

Lá e cá!

Alda M S Santos

Coração pesado

CORAÇÃO PESADO

Coração é como balão

Foge à lei da física

Se vazio pesa muito

Murcha, cai, se esvai…

Coração é como balão

E segue a lei do amor

Se cheio do que faz bem

Como o ar rico em oxigênio

Ou carinho sem pudor

É leve, voa, flutua

Coração é como balão

Se cheio do elemento errado

Como água para este

Indiferença para aquele

Pesa, cai, estoura…

Ploft!

E era uma vez um balão

Ou um coração!

Alda M S Santos

Quando a cidade dorme

QUANDO A CIDADE DORME

Quando a cidade dorme tudo está em suspenso

O dia amanhece, mas todos dormem

A vida está parada, o ar está carregado

O mundo parece ter acabado, só eu estou aqui

Lugares sempre intransitáveis pela superlotação

São amedrontadores agora pelo isolamento

Mas quando a cidade dorme, há sempre um lado acordado

Que aos poucos observamos e a mantém funcionando

Aquele que limpa, solitário, o chão, ou que abrirá o portão mais tarde

Que guarda entradas fechadas sem ninguém para entrar

Que mantém acesas as luzes que receberão os que dormem

Aqueles que agem sorrateiros “protegidos” na escuridão da noite

Outros escondidos atrás de olhares que nada veem, nada dizem

Não parecem ser daqui, mente abduzida

Alguns, meio zumbis, perdidos entre o adormecer e o acordar

Na linha tênue que separa o viver do morrer

Quem somos nós quando a cidade dorme?

Que fazemos aqui?

Alda M S Santos

Praga urbana?

PRAGA URBANA?

Seria um pombo-correio?

Chegou pertinho de mim no jardim, joguei água

Querendo impedir que os cães o pegassem

Não voou, ficou me olhando, parecia pedir clemência com os olhos

Fechei a torneira, me abaixei e o peguei

Aquele olhar parecia falar, eu queria ouvir

E “ouvia” os argumentos dos outros para descartá-lo

“Isso é praga urbana, só transmite doenças”

“Que nojo! Mata! Bicho piolhento”

“Solta para os cachorros comerem”

“Isso prolifera igual praga, desequilíbrio ambiental”

“Só serve para distrair os velhinhos que os alimentam nas praças”

Lembrei de casos terríveis de extermínio de mamíferos e aves “nocivos”

E eu via apenas um pombo que me olhava

Que tinha asas para voar e me deixou pegá-lo

De onde veio? Por que estava só? Estaria nas últimas?

Praga urbana?

Para mim era apenas um pássaro

Não era um pombo-correio, mas me trouxe um recado

“Os humanos é que estão se tornando praga urbana

Em sua luta desenfreada para sobreviver roubam a vez de qualquer ser”

Eu o coloquei na beirada do balaústre

Ele continuou a me olhar: “confio em você”

Ficou ali muito tempo e depois voou para o muro

Trouxe seu recado:

“Não há na criação nenhum ser melhor que o outro”

Era mesmo um pombo-correio

Um ser da criação, símbolo da paz!

Praga urbana? Responsabilidade de quem?

Alda M S Santos

Plagiando a vida

PLAGIANDO A VIDA

Já nascemos plagiando, independente de nossa vontade

“Copiamos” sangue, nome, traços físicos, um código de DNA

E seguimos plagiando a personalidade daqueles que nos cercam

Daqueles que nos dão amor ou indiferença, cuidado ou desprezo

“Plagiamos”, incorporamos ao nosso modo de ser aquilo que gostamos

E que pensamos nos tornar uma pessoa única, admirável

Ainda que aos nossos próprios olhos carentes

Escolhemos o que nos representa ou identifica melhor

Na música, na arte, na religião, na literatura, na culinária, na ciência…

Infelizmente, nem sempre coisas boas ou valiosas

E fazendo nosso aprendizado, imprimimos nosso modo de ser até a morte

Aprendemos e ensinamos todo o tempo, sem sequer perceber

Rindo, chorando, sofrendo, nos escondendo, amando, odiando

Fugindo, guerreando, nos divertindo, errando, acertando

Lendo, escrevendo, cantando,

Profetizando, sendo profetizado, ajudando ou sendo ajudado…

Os “professores” estão aí todo o tempo

Usando dos mais variados recursos.

Que estamos “plagiando” todo o tempo não há dúvida

A questão é escolher bem o que e como plagiar

A Bíblia, por exemplo, é uma só

E cada qual a plagia de acordo com seu entendimento

Somos grandes plagiadores da vida…

Plagiando, melhor dizendo, parafraseando Esopo

“Ninguém é tão pequeno que não tenha nada pra ensinar e nem tão grande que não tenha nada a aprender”.

Alda M S Santos

Onde está teu tesouro?

ONDE ESTÁ O TEU TESOURO?

Busque todo o tempo suas relíquias

Procure em seu dia a dia o que lhe dá ânimo e disposição

Invista sempre naquilo que te dá força e coragem pra seguir

Preferencialmente, algo que envolva o outro, que espalhe amor

Encontre nesse agir o teu tesouro diário

Pois ali está o teu maior estímulo, o seu coração

Uma razão pela qual vale a pena viver

“Onde está o teu tesouro, ali também está teu coração”

Alda M S Santos

#carinhologos

Tem gente que se diverte

TEM GENTE QUE SE DIVERTE

Tem gente que se diverte praticando esportes

Há os que se divertem fazendo-se fortes

Tem gente que se diverte em reviver lembranças

Renovando em sua alma a esperança

Tem gente que se diverte em constante animação

Há os que se divertem em tranquila meditação

Tem gente que se diverte trilhando afoito um novo caminho

Buscando paz nesse eterno redemoinho

Tem gente que se diverte fazendo-se palhaço

Mascarando assim o cansaço

Há os que se divertem despertando um sorriso

Encontrando noutro alguém seu próprio paraíso

Tem gente que se diverte sendo amargo, mordaz

Percebendo que essa é alegria fugaz

Há os que se divertem simplesmente por existir

Descobriram que a felicidade consiste simplesmente em estar aqui…

.

Alda M S Santos

Aprendi com a natureza

APRENDI COM A NATUREZA

Aprendi com a natureza que quando o sol se põe aqui

Ele nasce e ilumina o outro hemisfério terrestre

Quando um lado nosso anoitece, escurece

Bom é valorizar nossa parte “dia”, iluminada

Sempre haverá um lado com luz forte e quente

Enquanto o outro estiver escuro e frio

Aprendi com a natureza a aceitar e apreciar todas as nossas estações

O perfume suave que nos anima e encanta quando tudo são flores em nossas primaveras

O calor de nossos verões com leveza e intensidade nos instigando a mergulhar no frescor da vida

As cores de terra, as perdas de “folhas” de nossos outonos para preservar as raízes, tempo de reflexões e plantio

O frio e hibernação no recolhimento de nossos invernos, tempo de esperança, gestando uma nova vida…

Somos assim também: fases que se interligam e se intercalam

Fases que se completam e se precisam

Fases que não têm fim, apenas rotatividade

Estou aprendendo com a natureza a lidar com seus paradoxos e antagonismos

A lidar com seca e cheia, sombra e luz, flor e fruto, vida e morte

Aprendendo com a natureza a lidar com as dicotomias humanas

Amor e ódio, alegria e tristeza, sorriso e lágrimas, interesse e indiferença, prazer e dor

Aprendi com a natureza que é preciso parecer morrer para poder nascer mais belo e mais forte

Tudo isso são apenas duas faces da mesma moeda

A moeda valiosa do viver…

Alda M S Santos

Sou a favor do Brasil 🇧🇷!

SOU A FAVOR DO BRASIL!

Não sou contra a seleção brasileira

Sou contra a seleção de alguns brasileiros

Em qualquer esfera: política, econômica, social, religiosa, esportiva…

Inclusive no futebol!

Sou contra brasileiros bitolados

Que não sabem diferenciar e separar as coisas

Que mergulham a cabeça nos campos gramados do futebol

Nos púlpitos religiosos, na câmara política, nos palcos da hipocrisia

E se fecham para o resto, bom ou ruim

Esquecem que todos nós escrevemos o Brasil!

Tal qual avestruzes, enfiam as cabeças nas areias do egoísmo

Ou se justificam com “isso é Brasil”, como se não fizessem parte

Torcer contra a seleção brasileira de futebol

Não ajuda a eliminar as outras seleções mal feitas!

Futebol é futebol, política é política, religião é religião

A cada um o seu aplauso

Ou não!

Alda M S Santos

Pássaros famintos

PÁSSAROS FAMINTOS

Nas trilhas da vida vamos sempre seguindo

Como pássaros migrando em busca de novo verão

Querendo saciar a fome, a sede, almejando algo melhor

Tal qual João e Maria, deixamos migalhas de pão

Para marcar o caminho de volta

Se lá na frente for inverno, estiver pior

Acabamos nos perdendo na densa floresta

Nos ares gelados, nas nuvens espessas

Não há mais alimento suficiente que satisfaça

Ansiamos por regressar…

Voltamos em busca da trilha de migalhas deixadas

“Pássaros” famintos comeram, o caminho se perdeu…

Mas, se atentos olharmos, migalhas deixadas estão camufladas aí

Estão escondidas em cada pessoa que encontramos e deixamos no caminho

Que das nossas “migalhas” de amor e de afeto se alimentaram

Ou que se amargaram sob nossos atos, às vezes, indigestos,

Enquanto nos alimentávamos das migalhas nem sempre doces dos que seguiam à frente.

Para nos encontrarmos, para voltar ao ponto de partida

Precisamos seguir o rastro deixado em cada um

E descobrir o ponto onde tudo começou a desandar

E voltar…

Voltar para refazer uma trilha e poder seguir em frente

Cientes de que o alimento da vida está nas “migalhas” nem sempre valorizadas

Da nossa dianteira e também da nossa retaguarda…

Alda M S Santos

Não combinam

NÃO COMBINAM

Há pessoas que parecem não combinar com gestos de doçura

Nelas o abraço é contido, lateral, envergonhado

Uma demonstração de afeto, se ocorrer, soa com amargura

Um beijo, mesmo na testa, fraterno, parece sempre algo impróprio

O convívio com pessoas fechadas tende a ser difícil, melindroso

Para aquelas que esbanjam carinho e afeto, sem quaisquer amarras

Mas para elas também deve ser complicado, até tenebroso

Manter sentimentos presos num claustro, atrás de invisíveis barras

Nos lábios delas um “eu te amo”, “senti sua falta”, são coisas raras

Não quer dizer que não sintam afeto, ou que vivam de mau humor

Simplesmente não aprenderam que carinho é bom às claras

E que a vida passa melhor quando podemos sentir e demonstrar o amor…

Alda M S Santos

Carrego em mim

CARREGO EM MIM

Carrego em mim variados fardos

Ora leves e relaxantes como água morna e espuma de sais de banho

Ora pesados e frios como sacos de cimento

Ora suaves e doces como beijos de amor

Ora longos e pesados como medo na noite escura

Cargas minhas, cargas dos outros, cargas de todos

Cargas que escolhi, cargas das quais sou responsável

Cargas das quais os responsáveis nem têm ideia que carrego

Cargas que herdei, me impuseram, não tive qualquer escolha

O caminho longo, às vezes mal escolhido também torna-se um fardo a mais

Os caminhantes despareados também desgovernam o caminhar

O desejo de descansar é grande, parar, respirar fundo

Sentar-me à beira do caminho, reavaliar a bagagem

Descartar o que pesa muito e não faz sentido transportar

Devolver cargas que não são minhas

Deixar de carregar esponjas, que absorvem peso, por “isopor”, mais leves

Dividir a carga com companheiros de viagem

Sabendo que carga dividida sempre irá pesar menos

Carrego em mim desejos de chegar

Mas não chegar a qualquer preço, de qualquer modo

Carrego em mim desejos de chegar inteira ao meu destino

Sem ter deixado pedaços quebrados de ninguém pelo caminho…

Alda M S Santos

Nascer de novo

NASCER DE NOVO

Quantas vidas temos? Sete, como os gatos?

Quantas mortes são necessárias para nascermos de novo?

Por quantos partos passamos para recomeçar?

“Nasci de novo”!- dizemos ao passar por um risco iminente de morte.

Ignoram as vezes que morremos e nem perceberam.

As vezes em que nos mataram, nos matamos, de tudo quanto é tipo de morte.

Não é só arma ou doença que matam!

Desconhecem as vezes que fizemos nosso próprio parto, calados, sofridos.

Sozinhos nas madrugadas, expulsamos placentas, damos a luz a algo novo.

Parto natural, após cada morte/vivência nova, dolorida, mas produtiva.

Parto cesariana, após um período longo e difícil de gestação.

Usando fórceps, quando quase desistimos, faltava força e coragem para renascer e continuar…

Tantos matam, se matam, gestam e renascem tão facilmente quanto respiram.

Mas renascer exige força e coragem!

Há os partos duplos ou triplos, quando o renascer traz outras vidas consigo.

Quantas vezes morremos, quantas renascemos? Quantas mortes evitamos?

Quem é capaz de dizer além de nós mesmos?

Certo é que um renascer é quase sempre muito difícil!

Até que chega um morrer do qual não conseguimos ou não queremos nascer de novo…

Alda M S Santos

Não vai embora

NÃO VAI EMBORA

Não vai embora quem fincou em nós suas raízes de bondade

Não vai embora quem nos fez sorrir, nos permitiu servir

Não vai embora quem nos demonstrou amor na simplicidade

Não vai embora quem nos ensinou que gratidão é da vida o pão

Não vai embora o amor que é partilha, que irradia, que aquece

Não vai embora quem, sem perceber, ajudou a curar nossas feridas

E, acreditando ser ajudado, nos fez ser cada dia melhores

Não vai embora quem amou sem qualquer garantia, gratuitamente

Pois assim que deve ser todo amor: gratuito e incondicional

Até pode ir, mas sua luz é tão forte, que será presença constante em nós

Até pode ir, mas não vai só, leva parte de nós consigo, pra sempre

E deixa-nos com muitos vácuos, mas repletos de amor e saudade…

Alda M S Santos

#carinhologos

Colcha de retalhos

COLCHA DE RETALHOS

Sou tal e qual colcha de retalhos

Variados pedaços unidos para formar um todo

Nem sempre harmônico, nem sempre belo, nada perfeito

Muitas cores vibrantes, outras apagadas

Tecidos finos, macios, outros grossos e resistentes

E que juntos se unem para formar uma colcha

Vários pedaços tão diferentes entre si

Formando uma única peça que tenta se harmonizar

Para poder passar a imagem de totalidade numa colcha

E cumprir seu papel de enfeitar uma cama, cobrir pessoas

Aquecer corpos, relaxar quem nela se deitar

Alguns verão os tecidos grossos e apagados

Outros verão os finos, delicados e coloridos

Há ainda os que verão a colcha, não importando os detalhes

Se estes estão novos ou velhos, inteiros ou rasgados

Também cuidam para não estragar toda a peça

E passam a renovar e cerzir os buracos e falhas

Assim também é comigo, conosco

Vemos e somos vistos de acordo com nossas ausências e presenças

Também do que falta ou sobra em quem nos vê

Para uns seremos a colcha “perfeita”, na medida certa

Para outros, um pano roto qualquer sem utilidade nenhuma

Para vermos melhor as outras “colchas”

Precisamos ver melhor a nós mesmos primeiro

Somos muitos pedaços formando um todo meio desconexo

Tentando entender e aceitar o todo também desconexo que são os outros…

Até mesmo as colchas inteiriças e, aparentemente, perfeitas

Se passadas pelo crivo do julgamento de um olhar crítico e, por vezes, falho

Acabarão por se mostrar retalhadas e imperfeitas

E, ainda assim, belas em sua imperfeição

E a vida segue tecendo e costurando suas tramas

Com as linhas se embolando, arrebentando e bordando histórias

Usando todos os “retalhos” e colchas que encontra por aí…

Alda M S Santos

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