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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Vida

Qual a questão?

QUAL A QUESTÃO?

Não é uma questão de vencer a qualquer custo

É uma questão de saber quais “armas” são válidas

Não é uma questão de ter a quem culpar

É uma questão de assumir as próprias responsabilidades

Não é uma questão de vencer ou perder

É uma questão de ficar bem consigo mesmo numa ou noutra situação

Não é uma questão de quem vive ou quem morre

Por quem se vive ou por quem se morre

É uma questão de vida e morte para todos

É uma questão de porquê se vive e porquê se morre

Mas, principalmente, de como se vive ou como se morre

Pois não há quem vença sempre

Não há tampouco quem viva para sempre…

Em cada vitória trazemos uma derrota acoplada

Em cada derrota há sempre algo de positivo e vitorioso a considerar

É tudo uma questão de ir aprendendo a viver

Enquanto houver vida, amor, esperança e confiança…

Alda M S Santos

Carregando…

CARREGANDO…

Minutos que vão passando, a imagem carregando…

Uma barrinha em trinta, quarenta, sessenta por cento concluída

Exigindo calma, tolerância, tranquilidade

E a paciência enchendo mais rápido que a barra

Quando estiver com carregamento total é fim ou início?

Na perspectiva da vida carregamento total seria o fim?

Tudo que teria para viver já se foi em vinte, setenta, cem por cento?

Carregou, usou, gastou…

Ou carregamos tudo primeiro para começar a viver?

Estamos carregando para viver, ou vivendo até carregar?

Melhor seria saber qual a porcentagem concluída, ou simplesmente viver?

Existe algo que acelera, desacelera ou paralisa o processo?

Tristezas e decepções, lágrimas e dores a pré-enchem mais rápido?

Alegrias, prazeres, intensidade, amores desaceleram?

Como saber?

Se faltar energia vital, de todo modo, tudo termina antes de acabar, antes do final…

Carregando…

Alda M S Santos

Eu troco

EU TROCO

Troco uma noitada de músicas, danças e bebidas

Por um dia de caminhadas na praia tomando água de coco

Troco a tranquilidade de uma vida estendida na rede da varanda

Pela oportunidade de estender a mão, despertar sorrisos, ajudar

Troco os gritos calados de tristeza e desesperança

Pela chance de ouvir os silenciosos pedidos do olhar

Troco aquele rolê no shopping numa tarde de sábado

Por uma conversa amiga, tranquila, acolhedora debaixo da jabuticabeira

Troco aquela viagem por locais paradisíacos

Pelo prazer de viajar dentro daqueles que amo e que de mim precisam

Troco milhões de amigos e/ou expectadores

Por uma amizade sincera, que ore por mim, que seja confiável, que não me traia ou abandone

Troco a aquisição de qualquer bem material ou condição financeira

Pelo prazer de sentir um abraço sincero a dizer “você é bênção em nossas vidas”

Troco uma vida longa e cheia de “ganhos”

Por uma vida mais curta, na medida certa, de coração cheio

Troco qualquer coisa pelo prazer de ser eu mesma

Pela satisfação de viver para quem amo…

Eu troco!

Alda M S Santos

Dores e delícias do viver

DORES E DELÍCIAS DO VIVER

É dor ou delícia?

Dispor de um céu infinito para voar

E encontrar alimento num cativeiro alheio?

É dor ou delícia?

Ter asas leves e fortes capazes de alçar voo nos sonhos do coração

E precisar manter os pés firmes e pesados no chão?

É dor ou delícia?

Avistar um deslumbrante e convidativo horizonte além-mar a desbravar

E desejar um porto distante e inalcançável a um barquinho de papel?

É dor ou delícia?

Flutuar nas águas límpidas e leves do amor incondicional

E, afoito, se afogar nas águas turvas e densas da ilusão?

Viver é se molhar e se secar, tornar a se molhar e tornar a se secar

No brilho líquido e vibrante dos sorrisos e das lágrimas

Que nos tomam todo o tempo de delícias e dores….

É dor ou delícia?

Cada qual que responda por si…

Alda M S Santos

Vira-latas

VIRA-LATAS
Somos mestiços, oriundos de várias raças
Uma mistura que nos torna SRD
Sem raça definida, carregamos características de vários povos
Ora somos fortes, resistentes e adaptáveis 
Pés-duros, confiáveis, amigos
Ora somos frágeis e de baixa autoestima
Acusados de tudo fazer, de virar latas por um pedaço de pão
De nos rebaixarmos para receber um carinho na cabeça
Dependentes da aprovação daqueles que consideramos mais, superiores
Mas carregamos conosco as misturas de uma raça não definida, híbrida
E o que de bom ou ruim isso possa acarretar
Com toda a força, fidelidade, inteligência, confiabilidade e resistência
De quem tudo já enfrentou
E de quem não se entrega assim tão facilmente
Um vira-latas morre lutando, acreditando na vida
Nunca deixando de amar…
Alda M S Santos

Quando eu for embora

QUANDO EU FOR EMBORA

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que caminharam comigo

Que tiveram de mim a companhia diária?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles aos quais dei meu melhor, mesmo falha, mesmo nos erros?

Ficará neles a lembrança do meu sorriso, do meu cuidado, do meu amor?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles para os quais trabalhei, ensinei, me dediquei?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que buscaram em mim a inspiração e energia para continuar?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que me amaram…

Mas quem me amou de verdade?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que de mim precisaram, que usufruíram do que pude proporcionar

Que amaram não a mim exatamente, mas o que lhes possibilitei

Esses encontrarão logo substituto quando eu for embora

Sentirão falta de alguém como eu, não de mim…

Nós somos quem amamos e quem nos amou de verdade

Quando formos embora levaremos grande parte deles conosco

Deixaremos muito de nós com eles…

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Alda M S Santos

Urgências

URGÊNCIAS

As faltas que nos enchem de vazios intensos

Vazios que nos enchem de necessidades

Necessidades que nos enchem de urgências

Urgências que nos derrubam, atropelam os outros

Às vezes nos paralisam, imobilizam

Mas quando bem aproveitadas

Também nos movem na direção do bem, da paz

E nos preenchem de amor

Tão repletos ficamos que chega a transbordar …

Alda M S Santos

Reflexos de luz

REFLEXOS DE LUZ

Dia encoberto, nebulosidade intensa

O sol não apareceu…dia “triste”

Rei, cedeu a vez para as nuvens chorosas

Não deixou de existir, não foi embora

Está lá, apenas se pôs atrás, ficou na retaguarda

Ainda assim, emite luz entre nuvens

Aquela que possibilita a sombra das árvores

A mesma que permite o reflexo nas águas…

Tantas vezes quando tudo em nós parece nebuloso e sem esperança

Quando só notamos sombras

Seria bom que lembrássemos que não se formam sombras

Onde a escuridão é total…

Nossa luz, como o sol, apenas está na retaguarda

Busquemos por ela, saibamos esperar

Admirando e aprendendo com os reflexos que se formam

Nas águas que minam de nossos olhos

E irrigam um novo desabrochar…

Alda M S Santos

Fecha os olhos e vê…

FECHA OS OLHOS E VÊ…

Os olhos estão abertos

O olhar é vago, olha ao longe

Tenta enxergar além do horizonte

Olha para um lado e para o outro

Vê, mas não enxerga

Busca por algo invisível aos olhos

O olhar busca por algo que só se vê com o coração

E os olhos do coração

Enxergam melhor quando fechados…

Saint Exupéry diz que “só se vê bem com o coração,

O essencial é invisível aos olhos”

Ela fecha os olhos e tudo vê…

Alda M S Santos

Desculpe

DESCULPE!

Eu lutei, me esforcei, enfrentei o que machucava, sem revoltas

Dei tudo de mim, entreguei o que tinha, pedi, perdi

Desculpe!

Não foi o bastante tudo que fiz

As dores que passei, os medos que vivi, eu tentei, perdi

Desculpe!

Amei vocês acima de tudo, briguei comigo mesma

Quis estar aqui, ser a Mulher Maravilha, perdi

Mas nem todos os laços que cultivei conseguiram me salvar

Desculpe!

Fui feliz, sorri, chorei, sofri, fiz vocês sofrerem

Acreditei que seria possível… perdi

Desculpe!

Por não ter aguentado, não ter conseguido ficar mais

Desculpe!

Por ter partido e deixado vocês para trás

Desculpe!

Mas uma promessa eu cumprirei

Amarei vocês para sempre!

Ainda nos encontraremos um dia e abraçarei vocês de novo

Desculpe! Adeus!

Ela teria dito, se pudesse, antes de partir…

Eu teria dito se fosse ela

E ela se foi…

Guerreira, amante e amada…

Alda M S Santos

Amor infinito

AMOR INFINITO

Do alto tudo parece mais claro, mais nítido

Que será que Ele vê daqui todo o tempo?

Riqueza e miséria, fartura e carência, falta e desperdício

Violência e delicadezas, amor e ódio

Um povo sofrido e lutador

Uma nação maltratada por alguns

A fé e coragem para prosseguir de muitos

Uma parte desanimada quase jogando a toalha

Aqueles que resistem e insistem no bem

Os que estão iludidos por alguém

Uma batalha sem fim para alcançar as alturas

Que Ele vê?

Daqui tento em minha pequenez

Enxergar com “Seu” olhar

E vejo Seus braços abertos em cruz

Na maravilha simbólica do Cristo Redentor

Vejo amor grandioso e esperança

Ele nos vê e nos ampara de toda parte

Reflito comigo na Sua bondade de pai

O que eu vi não é nem um milésimo do que Ele sente por nós…

Há esperança!

Que possamos sentir sua Luz, seu Amor, sua Proteção…

Alda M S Santos

A luz que me rodeia

A LUZ QUE ME RODEIA

Tento capturar a luz que me rodeia

Trazer esse brilho que irradia para mais perto

Iluminar recônditos secretos dentro de mim

Torná-los mais claros para minha aceitação e compreensão

E, mais iluminada, poder compreender melhor os demais seres

Quero usar esse facho de luz para ofuscar o que machuca

Esse calor para aquecer o que está frio, em espera

Para cauterizar o que ainda sangra

A luz que somos só é válida se o calor que traz consigo

For capaz de iluminar e aquecer a nós

E a todos no nosso entorno…

Luz e calor que recebemos, que propagamos, que partilhamos

É luz e calor que não se acaba…

Alda M S Santos

Sempre comigo

SEMPRE COMIGO

Vontade de te falar sobre todas as coisas que se passam comigo

Dividir contigo meus medos, minhas angústias

Saudade de te contar minhas vitórias, as boas caminhadas

Partilhar aqueles tropeções, machucados, feridas abertas

Sinto falta de ouvir seus conselhos calados

Ou que vêm pelas palavras ou ações dos outros

Quero contar como tenho vivido, o que tem acontecido comigo e com os meus

Sinto falta da sua presença!

Fecho os olhos, de joelhos, faço uma oração

Recordo-me que assim te trago para dentro de mim

E, novamente, te noto perto, sinto sua presença

E te conto tudo…

Lembro-me que a necessidade de contar é minha

Você já sabe tudo de mim, melhor do que eu, mas me ouve

Conhece tudo, tudo, minhas capacidades e limitações

Erros e acertos, e me ampara…

Apenas agradeço e faço um único pedido:

Meu Deus, esteja sempre comigo!

Alda M S Santos

Sinto-me parte

SINTO-ME PARTE

Sou parte desse universo tão infinito

Em meio à natureza pura e simples

Quando me sinto um tudo

Ou quando me assemelho a um nada

Sinto-me parte desse universo

Que parece muitas vezes tão aleatório

Noutras tao cuidadosamente planejado

Cada pedra, cada galho, cada mato seco

Cada inseto irritante que pica

Cada árvore centenária que balança ao sabor do vento

O riacho que se desfaz em cachoeiras nas rochas

Sinto-me parte…

Mesmo no silêncio ora tranquilizador, ora constrangedor

Que contrasta com meu barulho interior

Tudo parece tão bem encaixado ali

Todos representam tão bem seu papel

Ainda que meus barulhos sem nexo

Pareçam intrusos num roteiro de sons

Que demonstram total harmonia

Sinto- me parte…

Não sei se sou a parte aleatória ou a cuidadosamente planejada

Sei apenas que sinto-me parte…

Alda M S Santos

Para onde irão?

PARA ONDE IRÃO?
Roupas e calçados doados para caridade
Livros lidos e relidos, que estante ocuparão?
Aquelas fotos e CDs antigos, verdadeira raridade
Objetos de apego, perfume especial, animais de estimação
Para onde irão?
Crônicas e textos escritos, poemas e versos
Cartas e cartões, carinhos contidos, afeições declaradas
É a vida em seus direitos e avessos, versos e reversos
Rosas plantadas, flores regadas, ervas arrancadas
Para onde irão?
Versos de amor gravados na alma em doces melodias
Sorrisos e abraços que aqueceram e iluminaram nossos dias
Qualquer tentativa de lidar com a ausência, com a saudade, pura perda de tempo, embromação
Bom mesmo é ficar, mesmo depois de ir embora, permanecer pra sempre gerando emoção…
Todo o resto não importa para onde irá, especulação
Se o que importa de verdade estiver tatuado no coração…
Alda M S Santos

Violência, carregando…

VIOLÊNCIA, CARREGANDO….
De pouquinho em pouquinho é que tudo se agiganta
Uma greta aberta na porta permite pequenas entradas da leve e desejada brisa
Que logo se alarga e não controla o vendaval
Uma pequena fagulha num terreno seco
Logo se torna um incêndio de proporções incontroláveis e destruidoras
Um pequeno vazamento de água subterrâneo pode jogar casas inteiras ao chão
Pequenas permissões são aval para grandes intromissões
Uma vez esfregada a garrafa a rolha deixa escapar o gênio
Que pode não querer voltar para lá
Um grito, uma agressão verbal ou um “simples” desrespeito
Na vida pessoal, social, religiosa ou política
Que são aceitos, permitidos ou ignorados
São a fresta na porta, a fagulha do fogo, o vazamento subterrâneo em nossas vidas
O gênio da violência que escapa e não quererá voltar
Todo grande evento começa devagarzinho
De modo a ter impedido ou controlado seu crescimento e evolução…
Alda M S Santos

Choques

CHOQUES

Vivemos nos equilibrando entre virtudes e defeitos

Que trazemos dentro de nós, que são inerentes a todo ser humano

Tentando fazer valer o que nos faz bem sem machucar ninguém

Lutando para deixar prevalecer o que nos faz crescer sem decrescer ninguém

Qualidades e defeitos de dentro em confronto com as de fora

Acionadas pelos convívios que travamos todo o tempo

Uns atiçando mais nossos defeitos

Outros despertando mais nossas virtudes

Tentando não queimar ou sofrer com os curto-circuitos

E sobreviver aos choques entre nosso céu interno que quer brilhar

E o inferno externo que quer se impor e ganhar

E vice-versa…

Buscando um fio terra que estabilize esse circuito de vida e morte…

Alda M S Santos

Tarde demais?

TARDE DEMAIS?

Tarde demais para se tornar um esportista ou atleta profissional

Mas nunca é tarde demais para cuidar da saúde física e mental

Tarde demais para arrependimentos por atos que causaram algum mal

Mas nunca é tarde demais para aprender e fazer o bem a todos sem igual

Tarde demais para lamentar oportunidades perdidas

Mas nunca é tarde demais para caminhar por novas trilhas pretendidas

Tarde demais para voltar atrás e reescrever aquele capítulo favorito

Mas nunca é tarde demais para fazer do hoje um poema bonito

Cedo ou tarde? Quem poderá dizer?

Importante é viver e deixar viver…

Cedo ou tarde a vida se vai…

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir em frente para o desconhecido, o novo

Até onde não haja mais chão para caminhar

E ali pousar…

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir, mas pegando o retorno, voltar

Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável

Buscar o conhecido, prazeroso, sentar

E ali pousar…

Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar

Num lugar de tranquilidade e paz…

Enquanto houver propósito de seguir haverá vida

Em pouso ou em trânsito…

Cada qual faz sua melhor versão do caminho

Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …

Alda M S Santos

É macabro falar de morte?

É MACABRO FALAR DE MORTE?

Muitas são as explicações na tentativa de justificá-la

Uma das poucas certezas da vida: a morte

E ainda assim a desconhecemos e tememos

Atinge a todos, sem exceção

Não escolhe idade, raça, gênero, cultura ou condição socioeconômica

Ainda assim tentamos explicar:

“Estava velho e doente, sofrendo, foi melhor assim”

“Tão jovem, uma vida pela frente, não dá para aceitar”

“Lutou contra o destino, mas não teve jeito, era a hora”

“Esse também desafiou a morte todo o tempo”

“Era um anjinho, nada viveu ainda”

“Uma alma boa, nunca fez mal a ninguém”

Ou a mais ouvida de todas:

“Deus chamou de volta para casa!”

Quem Deus chama de volta?

Qual o critério para voltar para casa?

Deu defeito, venceu o período de garantia?

Precisa de “assistência técnica” especializada?

Deu ou causou perda total e precisa voltar para o fabricante?

E se foi mau uso, tem direito a reparos e retorno às vias?

E aqueles que apresentam reiteradamente o mesmo defeito, destruindo ou arriscando a si e aos outros?

Nessa perspectiva Deus seria o mecânico, o técnico especialista em reparar falhas e danos.

Mas será que Ele não saberia fazer isso com o motor funcionando, com o coração batendo?

Será que quem volta para casa não precisa de injeção de carinho, tratamento intensivo de amor?

E aqueles que não apresentam defeito de fábrica,

Por que voltam para a “oficina”?

Será que Ele não leva alguns tão bons para ajudá-lo lá em cima?

Será que simplesmente não venceram seu “estágio” por aqui?

Será que quem é chamado de volta já não veio com data de retorno?

Qual o critério para escolher o quanto viver e quando morrer?

Olhando por um lado positivo

Quem morre já cumpriu seu papel nessa dimensão,

E volta para a eternidade, para o paraíso tão aclamado!

Não é castigo ou punição a morte, apenas mudança de jornada.

Seriam, então, privilegiados aqueles que vão mais cedo…

Difícil é fazer aqueles que foram deixados para trás

Entender, aceitar e aprender a lidar com a ausência e a saudade…

E, não, falar de morte não é macabro!

Alda M S Santos

Marcas do caminho

MARCAS DO CAMINHO

Há caminhos que escolhemos

Bonitos, diversos, floridos, claros, com fontes refrescantes

Mas que apresentam pedras e buracos a transpor

E há caminhos que nos escolhem, se impõem

Por vezes tranquilos, em outras verdadeiras provações

A ambos imprimimos nossas marcas, deixamos nossas pegadas

Leves, fáceis ou nem tanto para quem vem atrás

Ou pisamos nas pegadas alheias, apagando-as

Preguiça de construir as próprias marcas, dar os próprios passos

Destruindo o que outro construiu com sacrifício

Ou, ao contrário, completando as pegadas alheias

Com sabedoria, amor, perdão e generosidade

Construindo um mundo melhor…

Esses caminhos são os mais gratificantes!

Alda M S Santos

Pedra, papel e tesoura

PEDRA, PAPEL E TESOURA

Pedra, papel e tesoura

Nessa divertida brincadeira de criança

Que aprendemos no grande quintal da infância

E, gostando ou não, levamos para os “tabuleiros” da vida

Buscando sempre o aliado mais forte

Para poder vencer e cantar vitória

Melhor é não ficar de bobeira, pois a vida é passageira

A sorte conta um pouco, a sabedoria vale mais

No vai e vem, no se esconde e se mostra

Vence aquele que não acredita-se invencível

Que não subestima o adversário

Que sabe que todos têm pontos fortes e frágeis

E que a vitória é transitória e temporária como brisa

Depende do adversário a enfrentar

E, muitas vezes, não vale o preço a pagar

Se custa nossa paz de espírito ou se destrói a de alguém

Pedra, tão dura, tão forte

Destrói a tesoura, que corta o papel

Mas perde para o papel que, maleável, a embrulha…

Todos podemos vencer

Todos podemos perder

Nada nem ninguém é tão forte

Que nunca possa perder

Nada nem ninguém é tão frágil

Que nunca possa vencer

Pedra, papel ou tesoura?

Tudo vai depender de você!

Alda M S Santos

Escritas

ESCRITAS

Escrevo no papel, a lápis para não borrar

Quando não há certeza do que calar ou dizer

Se precisar apagar e reescrever…

Escrevo no papel, a tinta para não apagar

Quando é certo e definitivo o que se quer expressar

Na vã tentativa e desejo de eternizar o sentimento descrito em palavras

Escrevo nas páginas inúmeras da alma

Com lágrimas, sorrisos, gritos e silêncios

Uso vermelho sangue, amarelo vida, cinza luto, verde esperança

Páginas borradas, reescritas, infinitas, multicores

E percebo que o que foi escrito ali é o pote de ouro além do arco-íris

Não há modo de apagar, é sempre belo e desejado

São versos ternos, eternos, com ou sem rima…

Escrevo no coração daqueles que compreendem

A poesia traduzida em versos de carinho e amor

E a querem infinita e eterna em si

Escrevo nas páginas infinitas da minha alma

Uma história de amor pela vida

A poesia que busco eternizar em mim…

Alda M S Santos

Cultivando amizades

CULTIVANDO AMIZADES

Amava a terra, a natureza

Cuidar de sua horta, suas galinhas

Plantando árvores, colhendo frutas

Cultivando amizades, distribuindo simpatia

Sempre original com seu bigode e seu chapéu

Cuidadoso e carinhoso com os cachorros de “todo mundo”

Atencioso com todos, carinho sem igual com filhos e netos

Nosso moço da água, responsável, brincalhão

Pegando grama para ninhos das galinhas, matando cobras

Fazia parte daquele lugar

Descendo a rua a passear com a esposa

Subindo seu terreno ao lado do nosso

E sempre um cachorrinho atrás

Um bate papo atencioso com quem encontrava

Como só pessoas de lugares lindos e simples

E de almas grandiosas são capazes…

Foi chamado para cuidar de outras terras, do outro lado

Antônio dos Santos não será o mesmo lugar sem você

Se puder, apareça por lá vez ou outra…

Vá em paz, amigo Walmir!

Se Deus o levou, que possa amparar quem ficou!

ABRAÇOS CARINHOSOS DA FAMÍLIA SANTOS

Alda M S Santos

Fome de quê?

FOME DE QUÊ?

Você tem fome de quê?

De amor, de justiça, de igualdade social?

Na luta desesperada por mudar o que está errado

Várias receitas se apresentam

Várias massas, de muitos sabores

Juntam-se, não misturam-se, sovam-se

Mas para toda massa há o ponto certo

Só não pode passar dele senão encrua ou queima

E não se torna o produto final desejado

Cada massa visa apenas um bolo bonito, grande

Menos amargo, mais saboroso

E que possa ser repartido com todos…

Colhemos aquilo que plantamos e se pudermos repartir, melhor…

Todo cuidado é pouco para não nos tornarmos aquilo que desprezamos

E conseguirmos, cedo ou tarde, por caminhos nem sempre fáceis

Alimentar a fome de amor, de justiça, de respeito e igualdade social

Seja na vida pessoal, na religião, no esporte, na política…

Alda M S Santos

Orquestra

ORQUESTRA

Muitos são os tipos de instrumentos

Violões, pianos, violinos, teclados e baterias

Saxofones, oboés, flautas, tambores

Tão diferentes entre si, mas com o mesmo propósito

Produzir um som melodioso e harmônico

Cativar, encantar, maravilhar…

Não importa qual tipo de instrumento é:

De corda, de sopro, de percussão…

Todos são importantes, todos podem fazer uma bela “apresentação”

O que dá o diferencial numa orquestra é a harmonia entre os instrumentos

A afinação e sintonia que fazem uma bela canção

Sob a batuta do maestro experiente que extrai o melhor de cada um

E os utiliza nos momentos mais adequados

Graves ou agudos, grandes ou pequenos, altos ou baixos

Todos são essenciais…

Entendêssemos e aplicássemos essa complementariedade de uma orquestra às nossas relações

Usando a batuta de modo harmônico às diferenças dos “instrumentos” de nossa vida

Teríamos um viver mais belo, em sintonia e harmônico

Mais feliz e encantador…

Alda M S Santos

*foto: meu filho Pablo tocando

Ecos de amor

ECOS DE AMOR

Na beira do nada tudo que é lançado se propaga

Mas se encontra qualquer “obstáculo”

Há reflexão instantânea do que é emitido

Tal qual eco que reverbera ao ouvinte pouco depois do som direto

Tal qual bumerangue que retorna para as mãos do emissor

Tal qual o mar que devolve na areia tudo que recebe

Se o que se emite é dor há reflexão de dor

Se o que se lança é amor é amor que voltará

Nem sempre tão rápido quanto o eco

Mas tudo que emitimos acaba por nos retornar

Pode reverberar e voltar em confusas reflexões

Meio inaudíveis ou incompreensíveis

Talvez nos confunda no retorno, mas volta

Emissões de pessimismo trarão ecos de apatia e desânimo

Sons de um “eu te amo” sempre retornarão como ecos de amor

Ainda que disfarçados de carinho, compaixão, sorriso ou saudade…

Sons de amor, ecos de amor

Sempre!

Alda M S Santos

Obrigada por doar vida!

OBRIGADA POR DOAR VIDA!

“Obrigada por doar vida!”- falou a atendente simpática.

Tão simples, tão necessário, tão essencial, tão insubstituível!

Envergonhada, confesso que foi a primeira vez.

Mais duas pessoas na sala fazendo o mesmo

Eu observava a bolsa se enchendo de sangue

Enquanto abria e fechava a mão

Gotas preciosas para tantos que precisam…

Coloquei junto meu amor e desejo que pudesse realmente salvar a vida de alguém

Particularmente da prima que me levou a tal ato

Anteriormente, eu não tinha o peso mínimo necessário.

Há uns três anos já me sobram alguns quilos além do mínimo exigido

Mas sempre houve algo que impedia quando solicitada

Além do medo de agulhas que superei

Não havia mais nada a impedir

Fiquei realmente emocionada por saber que um ato tão simples

Pode salvar a vida de, no mínimo, três pessoas!

Uma primeira vez, de muitas que virão, emocionante!

Há muitas maneiras de salvar uma vida

Doar sangue é uma delas e que pouco exige!

Doe sangue, doe amor, doe vida!

Alda M S Santos

Ao pó voltarás

AO PÓ VOLTARÁS

Do pó viestes, ao pó voltarás

Profetiza a sagrada escritura

Real, ainda que pareça dura

Entre a vinda e a volta ao pó

Entre o choro feliz da chegada

E o choro sentido da partida

Muita água passa debaixo dessa ponte

Muita poeira é levantada

Muita alegria celebrada

Muitas dores sanadas

Na volta ao pó tudo se iguala

Todos enfileirados, todos pó sob pó

Ali não se separa sexo, idade, etnia

Religião, cultura ou bens materiais

Todos são pó, todos viram pó!

Igualdade ainda que tardia!

Entre pó, entre lápides, nomes diversos

Quantas histórias poderiam ser contadas e escritas dali?

Nomes desconhecidos, registros de alguém que passou por aqui

Amou, foi amado, sofreu, causou sofrimentos, viveu…

Foi feliz ou nem tanto, deixou marcas!

Flores mortas no caminho, um carinho, lembranças…

Datas de chegada e partida

Jovens ou velhos, não há critério ou escolha

É chegado o momento! Sem morbidez!

Todos iguais ao menos ali

A diferença está no que deles ficou em cada coração

No que cada alma leva consigo

Do pó viestes e ao pó voltarás!

Alívio ou tormento isso gera?

O que em nós não se tornará pó?

O que a alma carrega consigo nunca será pó!

Essa é a verdadeira diferença que não se nota ali…

Esse é o registro que nunca se apagará

Mesmo depois do descanso eterno…

Alda M S Santos

E quem poderá dizer?

E QUEM PODERÁ DIZER?

Quem poderá dizer do quanto de cada um de nós é autêntico ou fuga?

Os introvertidos, calados, que preferem a solidão

Ou a própria companhia, quase não se misturam

Não gostam de aglomerações nem de improvisos…

Os rebeldes que reclamam, brigam, sozinhos ou não, riem, choram, gritam, esbravejam

Nunca parecem quietos, estão sempre envolvidos, insistem, “comem” a vida…

E aqueles que participam de inúmeras atividades, gostam de tudo, dispostos e cheios de energia

Literalmente, abraçam o mundo, sempre sorrindo…

Quem é verdadeiramente feliz ou infeliz?

O quanto disso é autêntico ou quem está usando subterfúgios para se esconder de si e dos outros?

O quanto no modo de ser de cada um é prazer, alegria, insatisfação ou fuga?

Quem está verdadeiramente em paz consigo mesmo, com a própria consciência, com a vida?

Quem poderá dizer do quanto disso tudo não é sobrevivência?

Quem poderá saber ou julgar?

Quem não gostaria de ser diferente ou estar de outro modo, noutro lugar?

Afinal, cada qual luta com o que tem, com a arma que melhor conhece…

Ou levanta a bandeira branca!

Quem poderá dizer algo ou contradizer?

Alda M S Santos

Essa força estranha

ESSA FORÇA ESTRANHA

De onde vem essa força?

A força que faz tantos carregarem um peso

Muitas vezes maior que o próprio?

De onde vem essa força

Que faz sorrir, onde tantos derramam rios de lágrimas?

De onde vem essa força

Que nasce, cresce, se espalha e se renova

E a tantos contagia, surpreende?

De onde vem essa força

Que brota em terrenos aparentemente áridos e inférteis?

De onde vem essa força

Que cresce nos vazios alheios que preenche

De onde vem essa força estranha

Se não de dentro de nós mesmos?

É sempre lá que a força está,

Sempre!

Pode estar em repouso, mas existe

Pode ser leve como uma esperança, voar, flutuar

Apenas precisa de algo que a acione

Em alguns é um sorriso, um abraço, uma família

Um trabalho prazeroso, uma mão que se estende

Uma amizade sincera, um amor incondicional

Talvez até uma grande decepção ou tristeza

Palavras de fé e estímulo, um olhar amoroso

Até mesmo por ter alguém que deles necessitem

Atividades de amor, solidariedade e compaixão, Deus…

A força está em cada um de nós

Cada qual tem algo especial que a faz mirrar ou crescer

De onde vem sua força?

Alda M S Santos

Quebra-cabeça

QUEBRA-CABEÇA

Imagino que Deus tenha diante de si um quebra-cabeças gigante

Daqueles de milhares e milhares de peças

De todas as cores, tamanhos e formatos

Que Ele vai escolhendo uma a uma, montando, encaixando com amor e cuidado junto conosco

Respeitando nossas decisões e escolhas…

Sabendo do que realmente precisamos

Ele encaixa peças importantes, disponibiliza outras, retira umas completamente fora de contexto

E nós daqui tentando encaixar o que não cabe, bagunçando tudo

Entortando peças, inutilizando umas, estragando outras

Quando nosso quebra-cabeças estiver difícil de montar

Paremos um pouco, aguardemos, respiremos fundo

Melhor colocá-lo sobre a mesa e esperar

Deixar espaço para enxergar as peças que Ele tira e coloca à nossa disposição

Ele tem a visão geral de interdependência que nós não temos

Ele sabe a peça que nos falta, a que sobra

As peças que não são do nosso tabuleiro

Que nunca se encaixarão, são de outro quebra-cabeças

Às vezes o agir consiste em parar e esperar

Aguardar a peça faltosa, abrir mão daquela que está torta

Isso é sabedoria e maturidade!

Alda M S Santos

Qual nosso limite?

QUAL NOSSO LIMITE?

Numa única vida, de um único ser

Existe um limite daquilo que ele consegue lidar, suportar

Sem se derrubar, sem pedir trégua?

Quantas causas consegue abraçar

Quantas amizades é capaz de dar atenção, tempo, cultivar

Quantos necessitados logra ajudar, se preocupar, estender a mão

Quantas lutas tem forças para travar

Quantas guerras dá conta de apaziguar

Quantas decepções e mágoas consegue abrandar sem ensandecer

A quantas pessoas está apto para amar, se entregar, se doar

Tudo isso de modo verdadeiro e intenso, sem enlouquecer

Sem detonar a si mesmo, sem deixar ninguém na mão?

Existe um estoque que vai baixando

Ou é como mina d’água que, se protegida pelas matas ciliares, jorra sem parar?

Temos matas ciliares o bastante, temos lençol freático extenso?

Qual nosso limite?

Alda M S Santos

Natural é querer viver…

NATURAL É QUERER VIVER…

O saudável é querer viver

O natural, até instintivo, é preservar a vida

A alegria em se renovar, em gerar brotos e buscar o sol

Em renascer em cores a cada decepção cinzenta

Em querer brilhar ainda que haja sombras

Em buscar oxigênio quando se sentir sufocar

Em estender raízes em busca de hidratação e nutrientes

Quando tudo parecer seco e sem esperanças

Perder umas folhas e galhos e manter raízes

É típico de tudo que vive, mesmo depois de parecer morrer …

O corpo se reabastece, fecha feridas, cicatriza, se fortalece

A mente se refaz em inúmeros circuitos, conecta-se com o bem

A alma resplandece de prazer, paz e luz

O coração clama por amor!

Uns momentos, horas, dias, temporadas de tristeza são normais

Talvez até necessários para tornar a vida mais valiosa

O que não é normal é desprezar o viver

Fazer dele um tanto faz como tanto fez

O que não é natural ou saudável é preferir o morrer

Isso é patológico, carece tratamento, não é fraqueza

É uma doença das mais cruéis: a da alma

Lutar pela vida é dever de todos nós

Pela nossa e pela dos outros que nos são caros

Ou simplesmente que estão por perto…

Somos todos responsáveis!

Alda M S Santos

#setembroamarelo

Onde mora seu prazer?

ONDE MORA SEU PRAZER?

Quanto mais largo o leque de opções simples

Quanto maior o número de delicadezas a nos despertar sorrisos

Quanto mais amor tivermos em nosso entorno

Entrando ou saindo de nós

Menos dependeremos de grandes expectativas

Ou da realização de grandes sonhos

Para nos mantermos bem, fazermos o bem

Quanto menos ovos colocarmos numa cesta só

Menor o risco de perder tudo

Menos iremos nos decepcionar

Menor probabilidade de deixar escapar entre os dedos

Todo o prazer de viver

E, assim, sermos mais felizes…

Alda M S Santos

Via parenteral

VIA PARENTERAL

Queremos vida leve e saudável

Para os males, cura rápida, focal e indolor

Medicações injetáveis intramusculares ou intravenosas

Rápida absorção e efeito, sem volta, eficácia garantida

Não temos paciência para tratamentos homeopáticos, vida homeopática

Via oral, doses leves, constantes, resultados lentos e demorados

Queremos alopatia na veia, doses cavalares, entorpecentes

Que nos tire a dor, que nos afaste o mal, que nos abra sorrisos

Que nos anestesie de qualquer dissabor, que apague o que machuca com precisão

Sequer nos preocupamos se nos tornamos dependentes

Ou nos matamos com o “veneno” que deveria nos curar…

Alda M S Santos

Descompasso

DESCOMPASSO

Em qual estação estamos lá fora?

E cá dentro?

Estamos no mesmo compasso

Ou há flores perfumadas, cores vivas e macias na primavera lá fora

Enquanto cá dentro perdemos folhas e poupamos a raiz em secos e terrosos outonos?

Em qual estação estamos?

Mergulhamos em mornos oceanos e cachoeiras refrescantes

No verão quente, colorido e cheio de energia lá de fora

Ou hibernamos em longos, frios e escuros invernos cá dentro?

Somos atingidos pela força e vitalidade da estação lá de fora

Flores, perfumes, cores, calor, animação e alegria

Ou somos contagiados apenas pelo frio, pela neve, pelo repouso, pelas ventanias?

Dançamos, brincamos e amamos na chuva

Ou apenas fugimos das tempestades?

Esse constante descompasso entre a estação interna e externa

Tem sido capaz de promover a dança da vida

Ou passamos a festa toda sentados numa cadeira?

Viver todas as estações em plenitude é que importa

Independente se estamos no mesmo compasso da música lá de fora

A música cá de dentro é que precisa tocar e nos satisfazer…

Alda M S Santos

Viver e deixar viver…

VIVER E DEIXAR VIVER…

Ser sorridente não é estar sempre disposta ou feliz

Ser amorosa não é ser tola

Ser intensa não é ser incansável

Ser amiga não é aceitar tudo

Ser responsável não é assumir falhas alheias

Ser inteligente não é ser infalível

Ser família não é ser excludente, esquecer dos outros

Ser confiante não é ser assim tão facilmente enganada, como pensam

Ter esperança, ter fé não é ser bitolada, desprovida de raciocínio

Ser amor, ter um amor, não é se anular

Ao contrário, é ver no amor do outro

Motivo para ainda mais se amar…

E se doar…

Ser mulher, humana, é encontrar a si mesma

Em todas as suas fragilidades e forças, erros e acertos

É transformar lágrimas em aprendizado

É se regalar nas alegrias, mas não negar a dor, a saudade

É sofrer se preciso for, pelo tempo necessário para se recompor

Mas nem por isso estacionar…

É usar as decepções como liga para nova construção

É ser carinho sempre, é usar a arma mais poderosa do universo:

O amor!

Aquela que só nós podemos carregar, destravar, apontar, atirar

Viver e deixar viver…

Alda M S Santos

Autossustentáveis

AUTOSSUSTENTÁVEIS

Buscamos por um ambiente autossustentável

Uma água que siga seu ciclo e se renove

Árvores que nasçam, cresçam, se reproduzam e morram

Não sem antes nos fornecer seus frutos, sombra e madeira

Sem nos deixar na mão

Animais que nos sirvam de algum modo, que sejam “úteis”

Vegetais, animais e minerais à nossa mercê

Água, terra, fogo, ar, puros e infinitos para nosso prazer

Outros humanos a nos agradar e “servir”

E qual nossa parte nisso tudo?

Apenas usufruir sem contribuir?

Arriscando secar qualquer fonte de água, alimento ou amor?

Precisamos de humanos autossustentáveis

Brancos, amarelos, negros, vermelhos ou azuis

Ou, no mínimo, que não destruam irremediavelmente

Tudo aquilo de que precisam para se manter…

Como espécie e como indivíduos

A começar por si mesmos…

Alda M S Santos

Nocaute

NOCAUTE

A vida vai bater, muitas vezes bem forte

Golpes diretos, cruzados, ganchos certeiros

“Vence” quem tiver o coração mais leve

Você vai se machucar, se ferir, ferir os outros

Sentir-se atordoado, talvez perder a noção do certo e errado

Vai querer revidar pancadas, usar golpes baixos

Aguente firme, equilibre-se, desvie de alguns diretos

Proteja-se!

Fortaleça sua musculatura, absorva alguns “socos”

Transforme-os em energia para prosseguir

Se cair, respire fundo, beba água

Ajeite o protetor bucal, o protetor emocional

Levante-se!

Evite revidar golpes duros

Eles sempre retornam mais fortes

Risco de nocaute…

Os golpes mais traumáticos virão de onde você menos esperar

Te lançarão na corda, te derrubarão na lona

A vontade de ali ficar será grande…

Mas…levante-se!

Sofra o que tiver de sofrer, cure as feridas

Dê-se um tempo de “luto”, de repouso

Aprenda, prossiga!

Cuidado com golpes já conhecidos

Não golpeie com aquilo que sabe o quanto machuca

Se tiver que revidar, que seja a bondade e o amor

No mais, golpe nenhum merece revide

No ringue da vida quando alguém vai à nocaute

Na verdade mais de um perde

Ninguém ganha!

Será que fomos prevenidos antes de vir para esse ringue?

3,2,1…levante-se!

Alda M S Santos

Quem assina?

QUEM ASSINA?
Se pudéssemos observar com olhar neutro nossas vidas
De fora, com imparcialidade, sem grande envolvimento emocional
Como a observar um quadro “pintado” em sua totalidade
E também em suas partes, seus detalhes
A parte que brilha, a fosca, a meio escondida, a que se destaca
A mais colorida, a clara, a moderna, a abstrata
A antiga, a contemporânea, a atual
Original ou controversa,
Aquela fácil de entender e a que ninguém decifra
O que veríamos?
E, mais importante, quem assina essa obra?
Quem é o autor de verdade?
Quais influências terceiras sofre?
Nosso nome está assinado ali, mas somos mesmo os pintores dessa obra?
Ou é uma arte falsificada, uma fraude?
Pintamos o que acreditamos, com nossas próprias tintas e criatividade
Ou somos “ladrões” de material alheio?
Mesmo sem conseguir manter a neutralidade e imparcialidade
É possível fazer minimamente essa análise:
Somos autênticos?
O grande Autor da Obra Vida deu a receita: amor
Essa tinta nos permite viver uma obra de arte verdadeira
E chegar na grande galeria do outro lado com um quadro original
Ainda que todo manchado de sorrisos e lágrimas…
Com o vermelho do amor pelo outro e da paixão de viver
Com o amarelo das tentativas frustradas
Com o roxo das decepções e angústias
Com o verde brilhante da esperança
Mas nossa!
Nossa tela pode ter muitas cores e influências externas
Mas todas devem ser passadas e filtradas pela nossa alma
Sempre procurando ter orgulho do trabalho feito
E muito pouco do que se envergonhar…
Alda M S Santos

A IGREJA QUE SOMOS

A IGREJA QUE SOMOS

Igreja não se faz sozinha

Igreja não é só templo de pedra

A igreja não são eles, não são os outros

A igreja que queremos

Somos nós que construímos

Um pouquinho Dele em cada coração

Que se alastra e se propaga para outros corações

Que incendeia com a luz do Espírito Santo, que contagia

Sem demagogia, sem hipocrisia

Com humildade e humanidade

Como nos propósitos dos jovens do EJC- Encontro de Jovens com Cristo

“Ficar mais próxima de Deus”

“Complementar meu caminho até o Pai”

“Agradecer e fazer o bem”

Todos temos nossos objetivos

E podemos escolher: participar, ajudar, não atrapalhar, ou só criticar

A igreja “melhor” do mundo

É aquela que brota em nossos corações

E nos torna melhores, cada dia mais humanos…

Alda M S Santos

Mas não sou só eu!

MAS NÃO SOU SÓ EU!

As crianças montam seus castelos cuidadosamente na areia.

Escolhem os moldes, carregam água, dedicam-se parte por parte

Olham, admiram o feito, sorriem

Num tropeço, num descuido o castelo do menino desmorona, despenca, trabalho perdido

A menina olha e diz “faz outro”

E continua a montar o seu com dedicação e cuidado

O menino, chateado, destrói “sem querer” o castelo da menina

Como se dissesse “se eu não tenho, você também não tem”…

E chegam as mães para ensinar e apaziguar…

São crianças, estão aprendendo a viver com perdas.

Mas há tantos adultos assim!

Por não conseguirem algo, ou perderem

Passam a vida invejando ou destruindo os castelos alheios

Ou impedindo que sejam construídos

Perdendo um tempo precioso que poderia ser gasto com um novo castelo…

Castelos iniciados e abandonados pelo caminho…

Talvez um jeito inconsciente, até patológico, de resolver sua própria frustração.

Ao perceber que o mal que o atinge, que as dificuldades que tem

Não são só dele!

Como se dissessem: caí, mas outros caem também

Ou: acontece com todo mundo

O fracasso do outro justificando o seu próprio…

O desafio da vida adulta é enfrentar os próprios desmoronamentos

Se possível, evitá-los, aprendendo a poupar seus próprios castelos

E daqueles que lhes são caros…

Alda M S Santos

Fugas

FUGAS

Fugas muitas vezes são vistas como desistência

Apontadas como covardia, escolha mais fácil

Será mesmo?

Pode-se fugir de medos de escuro, acendendo a luz

Pode-se fugir de traumas à base de calmantes e ansiolíticos

Pode-se fugir de culpas se afogando em álcool ou outras drogas

Pode-se fugir do amor apontando os outros como problemáticos

Pode-se fugir da vida, com intuito de protegê-la

Pode-se fugir da desesperança mergulhando na fé, na religiosidade

Pode-se fugir da dor, evitando viver

Pode-se evitar confrontos fugindo de algumas pessoas, de várias ou de alguma em especial

Pode-se mudar o nome, o rosto, os convívios

Pode-se mudar de país, de sentimentos

Pode-se entupir-se de coisas lindas e valiosas

Pode-se até tentar fugir de si mesmo, ignorando sentimentos

Fingindo que está tudo bem, que tudo é belo

Pode-se fugir de si mesmo usando os mais diferentes subterfúgios

Mas será como crianças pequeninas brincando de esconde-esconde

Tapando apenas o rosto e acreditando que estão protegidas…

Até que ponto esconder de si mesmo é valentia ou covardia

Força ou fragilidade, medo ou coragem?

Não dá para se esconder de si mesmo para sempre…

Pode-se ficar camuflado, nunca escondido

O que se é carrega-se consigo em qualquer fuga,

Para qualquer lugar que se vá

É sempre um caminho longo e doloroso encontrar-se

Mas quando o rosto for destapado

Apesar do susto, dos medos, o sorriso pode aparecer e brilhar

Como na brincadeira de esconde-esconde infantil…

Alda M S Santos

De quantos?

DE QUANTOS?
De quantos nãos se faz uma decepção
De quantos medos se faz uma coragem
De quantos abandonos se constrói uma muralha
De quantas valentias e covardias se fazem um herói 
De quantos tanto faz se faz um desistir
De quantos passos trôpegos se faz uma marcha firme
De quantos cuidados o amor se alimenta
De quantos sorrisos se faz um encanto
De quantas lágrimas a saúde emocional sobrevive
Quantos abrir mão o amor é capaz de suportar
Quantas descargas emocionais o coração aguenta sem sofrer um colapso
De quantas promessas não cumpridas se faz um desamor
Quantos “felizes para sempre” somos capazes de destruir, incólumes
De quantos mergulhos rasos se faz uma vida superficial
De quantos “tudo bem” se molda uma máscara
De quantas demolições internas e externas precisamos para reconstruir
De quantas saudades se faz um existir?
De quantos(as)?
Gostaria de saber…
Alda M S Santos

Como andar de bicicleta

COMO ANDAR DE BICICLETA

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente se distrai, amedronta, perde a confiança, cai!

Quando aprendemos a andar de bicicleta

Logo depois que retiramos o conforto e segurança das rodinhas

O equilíbrio se mantém e nos impede de tombar, de cair

Enquanto estamos em movimento, pedalando

Aos poucos, devagar, depois de alguns tombos, feridas

Vamos aprendendo a reduzir lentamente

Ouvindo alguns conselhos amigos

Descartando aqueles que, invejosos ou ciumentos,

Visam apenas nos ferir e desestabilizar

Avaliando os riscos, mantendo-nos sobre o selim,

Nas retas primeiro, fugindo das curvas.

Só então poderemos realmente sentir o passeio,

Aumentar nossa força e coragem, dar um tchauzinho

Observar a paisagem, sentir o vento no rosto,

As pessoas que passam, os outros ciclistas

Pedalar junto, dar carona, apostar uma corrida

Nos arriscar nas curvas convidativas, nos declives acentuados

Ajudar outros ciclistas, e curtir…

Certos e conhecedores dos pontos críticos

Que outros tombos podem ocorrer,

Mas que estaremos mais fortes.

A vida é, por vezes, como andar de bicicleta

Somos tantas vezes aprendizes!

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente cai!

E o sentido, tanto de andar de bicicleta

Quanto de viver, está no prazer que se obtém disso

Basta observar uma criança em sua bicicleta

Que, apesar dos tombos, insiste, sorri, comemora

Vamos pedalar! Vamos viver!

Alda M S Santos

Visitas breves

VISITAS BREVES

Quase sempre chegam de surpresa

Elegantes, desconfiadas, sondando o terreno que julgam seu

Medo de se ferir, se machucar, serem alvejadas

Encantados e saudosos as recebemos

Comemoramos internamente a visita, aproveitamos a doce presença

Enchem o espaço de alegria, novidade, beleza

Dedicamos carinho, amor e atenção

E num voo rápido se vão… para outros quintais…

Deixam vazios e esperança de retorno

Deixam saudades…

Saudade não se tem daquilo que se foi

Saudade é o que sentimos daquilo que ficou depois da partida

Apenas mudou de lugar

Do espaço antes ocupado pelo que os olhos viam, mãos tocavam

Agora ocupados apenas no cantinho especial no coração

Onde apenas a alma toca…

Alda M S Santos

Mata nativa

MATA NATIVA

É sabido que a paz não está

Em lugares físicos ou espaços externos

Quem a busca fora de si perde tempo

Ela se encontra dentro de nós

Mas um lugar tranquilo, amado, com cheiro de mato

Onde nos sentimos parte integrante desse universo

Tão dual: tão simples e tão complexo

Pode nos reconectar a nós mesmos

Tal qual mata nativa tão perfeita ali

Matar a saudade de nossa essência tantas vezes perdida ou “escondida”

Noutros cantos que nem sempre temos acesso

Dentro de outros seres, muitas vezes inacessíveis

Nem sempre receptivos

Mata que mata ansiedade, mata que desperta anseios

Sempre a nos lembrar

Somos gente, somos nativos, somos vida, somos parte…

Alda M S Santos

Tic tac, tic tac

TIC TAC, TIC TAC

Tic tac, tic tac

O tempo passa para todos

Passa sempre, implacável

Tic tac, tic tac

Passa lento, vagaroso, doloroso

Na ansiedade de quem o marca

Na dor de quem deseja acelerá-lo

Na tristeza de quem não consegue retomá-lo

Tic tac, tic tac

Passa rápido e rasteiro

Na alegria excessiva de querer contê-lo

Na preocupação paralisante de não querer perdê-lo

No prazer intenso do existir e limitante do agir

Tic tac, tic tac

O tempo passa para todos

Passa sempre, implacável

Tic tac, tic tac

Passa o tempo todo o tempo

Passa o tempo no tempo certo, ideal

Nos momentos em que não é notado

Passa melhor para quem não se preocupa com ele

Vive com a sabedoria de sabê-lo finito

Mas age com a dedicação e intensidade

Amor e doação, como se o tivesse infinito…

Tic tac, tic tac

Passa o tempo, o tempo passa…

Vou vivendo…como sei…aprendendo…

No ontem, no hoje, no sempre…

Alda M S Santos

Onde está escrito?

ONDE ESTÁ ESCRITO?

Onde está escrito

Que a vida é mais feliz

Quando o amor é mais companheiro

Que o olhar reflete o que o coração diz

E que a paz não se paga com dinheiro?

Onde está escrito

Que amor com amor se paga

Que o sorriso conquista, se sincero

Que a fé é o fogo que o bem propaga

E que tudo que é bom é sempre terno?

Onde está escrito

Que a simplicidade é o lar da felicidade

Que quem doa sempre tem

Que o bem mais valioso é a amizade

Pois é com compaixão/ação que vivemos no bem?

Onde está escrito? Em nós!

Naquele olhar que conquista, no sorriso que cativa

Naquela alma que ouve “te amo”, encantada

Na bondade que fascina e nunca se esquiva

Na saudade que faz de nosso coração sua eterna morada!

Alda M S Santos

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